Crux

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Cruzeiro do Sul

Crux constellation map.png
Nome latino
Genitivo

Crux
Crucis

Abreviatura Cru
 • Coordenadas
Ascensão reta
Declinação
12 h
-60°
Área total 68° quadrados
 • Dados observacionais
Visibilidade
- Latitude mínima
- Latitude máxima
- Meridiano
 
-90°
+20°
Maio
Estrela principal
- Magn. apar.
Acrux (α Cru)
0,77
Outras estrelas
- Magn. apar. < 3
- Magn. apar. < 6
 
3
-
 • Chuva de meteoros
 • Constelações limítrofes
Em sentido horário:

Crux, conhecida como o Cruzeiro do Sul, é uma constelação do hemisfério celestial sul. É a menor de todas 88 constelações. O genitivo é Crucis e a abreviatura é Cru.

Apesar do seu pequeno tamanho é uma das mais notáveis constelações, pelo seu formato característico desenhado por estrelas brilhantes.

História[editar | editar código-fonte]

Na cultura ocidental, as estrelas do Cruzeiro do Sul eram conhecidas dos Gregos clássicos, não como constelação independente, mas fazendo parte da figura do Centauro e, no séc II da nossa era, assim foram apresentadas por Ptolomeu no catálogo estelar publicado no Almagesto.[1] A precessão dos equinócios foi progressivamente levando Crux a ser visível apenas em latitudes mais próximas do equador, perdendo-se o conhecimento da sua existência para a cultura europeia.
A atribuição da autoria da constelação não é consensual,[2] no entanto a primeira descrição e reprodução desta figura celeste surge em 1500, numa carta de Mestre João. Apesar disso, alguns investigadores atribuem-na a Américo Vespúcio (em 1501 ou 1503),[3] Andrea Corsali (em 1515 ou 1516),[4] [5] ou até ao navegador português e fervoroso católico Pedro Fernandes de Queirós, em 1608.[6]
A primeira vez que constou de uma representação global do céu do hemisfério Sul com as constelações correspondentes, foi num globo celeste de Petrus Plancius em 1589; no entanto, numa área totalmente distinta da realidade.[5] Num novo globo celeste produzido em finais de 1597 ou princípios de 1598, Plancius corrigiu o erro, reproduzindo a figura de forma fidedigna.[7] [5]

Localização e motivos de interesse[editar | editar código-fonte]

Esta constelação fica próxima do Polo Sul Celeste. As constelações vizinhas são Centaurus, a norte, leste e oeste, e Musca, ao Sul que também servem para orientação.

Além das suas estrelas principais existem vários objetos de interesse astronômico, como um notável aglomerado estelar, a Caixa de Joias, e uma nebulosa escura, a Nebulosa do Saco de Carvão.

Na falta de uma estrela polar brilhante, no hemisfério celestial austral, o eixo maior formado pelas estrelas Gacrux e Acrux indica o polo sul celeste.

Estrelas na constelação Crux[editar | editar código-fonte]

  • α Cru: Acrux (Estrela de Magalhães), de magnitude 0,76 e classe espectral B1.
  • β Cru: Mimosa, magnitude variável e também classe espectral B1.
  • γ Cru: Gacrux (Rubídea), magnitude 1,61 e classe espectral M4.
  • δ Cru: Pálida, magnitude 3,08 e classe espectral B3.
  • ε Cru: Intrometida, magnitude 3,59 e classe espectral K2.

Na bandeira do Brasil, Acrux representa São Paulo, Mimosa o Rio de Janeiro, Gacrux a Bahia, Pálida Minas Gerais e Intrometida o Espírito Santo.

Falsa Cruz[editar | editar código-fonte]

Posicionada a oeste do Cruzeiro do Sul localiza-se a Falsa Cruz, que é um asterismo constituído por estrelas das constelações de Quilha e Vela. A Falsa Cruz é um pouco maior que o Cruzeiro do Sul, mas é menos brilhante.[8]

Bandeiras com o Cruzeiro do Sul[editar | editar código-fonte]

O Cruzeiro do Sul é uma das constelações mais conhecidas pelos habitantes ao sul da linha do equador e a mais representada em bandeiras ao redor do mundo. Uma prova da sua popularidade é que está representada em várias bandeiras nacionais, como a do Brasil, da Austrália, da Nova Zelândia, da Papua-Nova Guiné e de Samoa e também nas bandeiras de vários estados e territórios, e está no centro do brasão de armas do Brasil e do time de futebol mineiro Cruzeiro Esporte Clube.

O Mercosul também o usa em sua bandeira. Outras entidades político-administrativas que o utilizam na bandeira são os estados australianos de Victoria, Território da Capital da Austrália e Território do Norte e o estado brasileiro do Paraná.

Brasil[editar | editar código-fonte]

Curioso notar que apenas na bandeira do Brasil a constelação aparece "invertida" em relação ao que vemos no céu. Isso porque nessa bandeira o céu é representado considerando um hipotético observador fora da esfera celeste (tendo a Terra por centro), e não um observador na superfície de nosso planeta.

Outra curiosidade é que o Brasil no meio a tantas nações austrais (que também possuem bandeiras com Cruzeiro do Sul) é o único preocupado com a exatidão das horas nas estrelas inseridas sobre a esfera azul.[9]

A constelação também dá nome e serve de escudo para o Cruzeiro Esporte Clube, tradicional time de futebol de Belo Horizonte, Minas Gerais.

Referências

  1. Luciano Pereira da Silva (1972). A Astronomia de "Os Lusíadas" (PDF) 196-199 pp.. Página visitada em 6 de Agosto de 2013.
  2. Luciano Pereira da Silva (1972). A Astronomia de "Os Lusíadas" (PDF) 190-199 pp.. Página visitada em 6 de Agosto de 2013.
  3. Michael E. Bakich. The Cambridge Guide to the Constellations (em inglês) 82 pp.. Página visitada em 6 de Agosto de 2013.
  4. Robert Gendler, Lars Lindberg Christensen, David Mali. Treasures of the Southern Sky (em inglês) 12-14 pp.. Página visitada em 6 de Agosto de 2013.
  5. a b c Ian Ridpath. Star Tales - Crux (em inglês). Página visitada em 6 de Agosto de 2013.
  6. História: Documentos do navegador Pedro Fernandes de Queirós vão a leilão na Austrália
  7. Felice Stoppa. Le Constellazione di Petrus Plancius (em italiano) Atlas Coelestis.. Página visitada em 6 de Agosto de 2013.
  8. Mourão, Ronaldo Rogério de Freitas. Atlas Celeste. 3ª ed. Petrópolis: Vozes, 1981. p. 48.
  9. Brasil. Lei 5.700 de 1 de setembro de 1971. Página visitada em 3 de junho de 2013.
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Planetas extra-solares da constelação de Crux
Sistema solar.png
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