Lago Baikal

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Pix.gif Lago Baikal *
Welterbe.svg
Património Mundial da UNESCO

Olchon1.jpg
Paisagem no lago Baikal
País Rússia
Critérios N (vii) (viii) (ix) (x)
Referência 754
Coordenadas 53º10'125"N 107º39'45"E
Histórico de inscrição
Inscrição 1996  (20ª sessão)
* Nome como inscrito na lista do Património Mundial.
Lago Baikal
Localização
Localização Sibéria, Rússia
País  Rússia
Localidades mais próximas Irkutsk
Características
Tipo Natural
Altitude 455 5 m m
Área * 31.722 km2 km²
Comprimento máximo 636 km
Largura máxima 79 km km
Profundidade média 744,4 m
Profundidade máxima 1.750 m
Volume * 23.615,39 km³
Bacia hidrográfica 560.000 km²
Afluentes Selenga, Chikoy, Khilok, Uda, Barguzin, Alto Angara
Efluentes Rio Angara
Ilhas 27 (Olkhon)
* Os valores do perímetro, área e volume podem ser imprecisos devido às estimativas envolvidas, podendo não estar normalizadas.

O lago Baikal ou lago Baical[1] (russo: О́зеро Байка́л (Ozera Baykal)) é um lago no sul da Sibéria, Rússia, entre Oblast de Irkutsk no noroeste e Buryatia no sudeste, perto de Irkutsk. Com 636 km de comprimento e 80 km de largura, é o maior lago de água doce da Ásia, o maior em volume de água do mundo, o mais antigo (25 milhões de anos) e o mais profundo da terra, com 1680 metros de profundidade.[2]

A superfície do Lago Baikal é de 31 500 km². É tão grande que se todos os rios na terra depositassem as suas águas no seu interior, levaria pelo menos um ano para encher. Alguns sítios ultrapassam os 1600 m de profundidade (dados mais recentes indicam 1680 m), sendo responsável por 20% da água doce líquida do planeta.

Desaguam nele cerca de 300 rios. É um habitat rico em biodiversidade, com cerca de 1085 espécies de plantas e 1550 espécies e variedades de animais, sendo conhecido como as "Galápagos" da Rússia. Mais de 60% dos animais são endémicos: por exemplo, das 52 espécies de peixes, 27 são endémicas.

Geografia[editar | editar código-fonte]

O Lago Baikal era conhecido como o Mar do Norte na China Antiga. A Europa não sabia muito do lago até que houve a expansão da Rússia para a Sibéria no século XVII. O explorador russo que veio pela primeira vez ao Baikal foi Kurbat Ivanov em 1643.

A ferrovia do Lago Baikal é um ramo da Transiberiana com 40 túneis e 307 km, e foi concluída em 1904. Antes de sua construção, os vagões eram transportados em balsas do Porto Baikal a Babushkin. Enquanto a ferrovia estava sendo construída, uma grande expedição hidrogeográfica chefiada por Fedor Kiríllovitx Drizhenko desenhou o primeiro atlas detalhado do lago Baikal. A antiguidade e o isolamento do lago produziu uma das faunas de água doce mais ricas e incomuns no mundo.[3]

O Lago Baikal é um rifte onde a crosta está se separando.[4] Com seus 636 km de comprimento e 79 km de largura, é a maior superfície de água doce da Ásia (31.722 km2), além de ser o mais profundo lago do mundo com seus 1642 metros de profundidade. O fundo do lago está a 1186,5 metros abaixo do nível do mar, mas abaixo ainda existem cerca de 7 quilômetros de sedimentos, o que coloca o fundo do rifte a 8 ou 11 km abaixo da superfície, sendo o mais profundo em rifte continental.[4] Em termos geológicos este rifte é jovem e ativo, aumentando cerca de dois centímetros por ano. A área da falha geológica também é sismicamente ativa, havendo fontes termais e terremotos a cada poucos anos. O único rio que provém do Lago Baikal é o Rio Angara, um afluente do Ienissei.

Sua idade é estimada entre 25 e 30 milhões de anos, um dos mais antigos lagos do história geológica. É o único entre os grandes lagos situados em latitudes elevadas, porque seu sedimentos não foram afetados pelas geleiras continentais. Os estudos feitos por americanos e russos na década de 1990 fornecem um registro detalhado das mudanças em climáticas durante os últimos 250.000 anos. Num futuro próximo espera-se poder acessar camadas de sedimento mais profundas. O Baikal é também o único lago de água doce onde foram encontradas evidências diretas e indiretas da existência de hidrato de gás.[5] [6] [7]

Diagrama da profundidade dos lagos Baikal, Tanganica e Mar Cáspio

O lago está completamente cercado por montanhas altas e íngremes. As Mountanhas Baikal, na costa norte, e a taiga são tecnicamente protegidas como parque nacional. O lago contém 27 ilhas, sendo que a maior, Olkhon, tem 72 km de comprimento e é a terceira maior ilha lacustre do mundo. O lago é alimentado pelo fluxo de 336 afluentes.[8] Os principais afluentes do Baikal são o Selenga, o Barguzin, o Alto Angara, o Turka, o Sarma e o Snezhnaya. O Baikal deságua no Rio Angara.

As águas são bem misturadas e bem oxigenadas ao longo da coluna de água, apesar da sua grande profundidade, e em contraste com a estratificação que ocorre em grandes massas de água, tais como o Lago Tanganica ou o Mar Negro. Entre maio e junho e entre outubro e novembro, quando a temperatura do lago é de cerca de 4°C (temperatura na qual a densidade da água é máxima), há grandes movimentos de convecção que misturam a água naturalmente. Esta mistura permite a oxigenação da água até 200 ou 300 m de profundidade, o que favorece a flora e a fauna do lago.[9]

Além de ser o mais profundo lago do mundo com seus 1.637 m de profundidade, levando em consideração que o lago está a 455,5 metros acima do nível do mar e o ponto mais baixo está a 1.185,5 metros abaixo do nível do mar, verifica-se que o Baikal é uma das depressões mais profundas da Terra. A profundidade média do lago é de -744,4 metros e supera a maioria dos lagos mais profundos.

Pesquisas[editar | editar código-fonte]

Lago Baikal visto a partir do satélite OrbView-2
Montanhas nas margens do Baikal

Várias organizações estão realizando projetos de pesquisa natural no Lago Baikal. A maioria deles são governamentais ou associados a organizações governamentais. O Baikal Research Centre é uma organização independente de pesquisa que realiza educação ambiental e projetos de pesquisa no Lago Baikal.[10]

Em julho de 2008, a Rússia enviou dois pequenos submersíveis, Mir-1 e Mir-2 para descer 1592 metros até o fundo do lago Baikal a fim de realizar testes geológicos e biológicos em seu ecossistema único. Embora inicialmente relatado como sendo bem sucedido, não estabeleceram um recorde mundial para o mergulho mais profundo de água doce, atingindo uma profundidade de apenas 1580 metros.[11] Esse recorde é atualmente detido por Anatoly Sagalevich, a 1637 metros (também no Lago Baikal a bordo do submersível Peixes em 1990) [11] [12] O cientista e político federal russo Artur Chilingarov, líder da missão, também participou dos mergulhos Mir.[13]

Referências

  1. Lello Universal. Lello & Irmão Editores. Porto, 1993
  2. Viagem ao fundo do Baikal (asp) (em português) (29/7/2008). Página visitada em 17/07/2010.
  3. Lake Baikal — A Touchstone for Global Change and Rift Studies United States Geological Survey. Página visitada em 3 de agosto de 2010.
  4. a b The Oddities of Lake Baikal Alaska Science Forum. Página visitada em 27 de agosto de 2010.
  5. Kuzmin, M.I., et al., 1998. First find of gas hydrates in sediments of Lake Baikal. Doklady Adademii Nauk, 362: 541–543 (en Rus).
  6. M. Vanneste, M. De Batist, A. Golmshtok, A. Kremlev & W. Versteeg. (2001). "Multi-frequency seismic study of gas hydrate-bearing sediments in Lake Baikal, Siberia". Marine Gology 172 (1): 1–21. DOI:10.1016/S0025-3227(00)00117-1.
  7. P. Van Rensbergen, M. De Batist, J. Klerkx, R. Hus, J. Poort, M. Vanneste, N. Granin, O. Khlystov & P. Krinitsky. (2002). "Sublacustrine mud volcanoes and methane seeps caused by dissociation of gas hydrates in Lake Baikal". Geology 30 (7): 631–634. DOI:<0631:SMVAMS>2.0.CO;2 10.1130/0091-7613(2002)030<0631:SMVAMS>2.0.CO;2.
  8. Baikal. Frequently Asked Question, Irkutsk State University
  9. Collectif, Dictionnaire illustré des merveilles naturelles du monde pàg. 66 (1982) Reader's Digest
  10. Baikal Research Centre (ANO) (in Russian) www.baikal-research.org. Página visitada em 5 de julho de 2008.
  11. a b "Russians in landmark Baikal dive", BBC News, 29 de julho de 2008. Página visitada em April 4, 2010.
  12. DivingAlmanac.com[ligação inativa]
  13. PA News. "Submarines to plumb deepest lake", 19 de julho de 2008.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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