Maria Thereza Fontella Goulart

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Maria Thereza Fontella Goulart
Maria Thereza Goulart em 2004.
Nascimento 23 de agosto de 1940 (73 anos)
Nacionalidade brasileira Brasil

Maria Thereza Fontella Goulart (23 de agosto de 1940) é a viúva do ex-presidente brasileiro João Goulart, tendo sido a primeira-dama do Brasil de 1961 até 1964, quando seu marido foi deposto por um golpe militar. Maria Thereza foi a primeira-dama mais nova da história do país, com vinte e um anos de idade à época da posse. De acordo com o jornalista Alberto Dines, foi a primeira-dama mais bela do Brasil.[1]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Família e juventude[editar | editar código-fonte]

Maria Thereza Fontella estudou no Colégio Metodista Americano, um internato de Porto Alegre. Era vizinha, na cidade de São Borja, da casa de Jango, o qual conheceu pessoalmente aos catorze anos. De acordo com Maria Thereza, ela foi encarregada de levar uma correspondência a ele a pedido de Dinarte Dornelles (tio materno de Getúlio Vargas).

No Rio de Janeiro, na casa da tia América Fontella, casada com Spartacus Dornelles Vargas (irmão de Getúlio[2] ), Maria Thereza realizou seu baile de debutante, e Goulart estava entre os convidados. Conforme ela afirma, não se apaixonou por seu futuro marido à "primeira vista", pois não imaginava que "pudesse namorar uma pessoa de sua projeção".[3] Entre as primas de Maria Thereza estava a política Yara Vargas que mais tarde ajudou na fundação do Partido Democrático Trabalhista (PDT).

Foi em 1956, quando Maria Thereza terminou seus estudos, que realmente iniciou seu relacionamento afetivo com Jango, então ministro do Trabalho.

Casamento[editar | editar código-fonte]

Casaram-se em 1955 quando Maria Thereza tinha quinze anos e Goulart estava concorrendo à vice-presidência do país, cargo que ele ocuparia de Janeiro de 1956 até 1961. Com o casamento, Maria Thereza tornou-se concunhada de Leonel Brizola, marido de Neusa Goulart.

O casal teve dois filhos, o ex-deputado estadual João Vicente, nascido em 22 de novembro de 1956, e a historiadora Denise, nascida dia 29 de novembro de 1957. A família residiu no Edifício Chopin, ao lado do Hotel Copacabana Palace.[4]

Durante o mandato do marido, Maria Thereza morou por cerca de seis meses no Palácio da Alvorada, mas o trocou pela Granja do Torto, onde costumava andar a cavalo.[5]

Primeira-dama[editar | editar código-fonte]

Em agosto de 1961, Maria Thereza estava hospedada em um hotel da Espanha, juntamente com os dois filhos. O dono do hotel era amigo de seu marido, que estava viajando a trabalho na China. Foi então que recebeu, surpresa, à hora do café da manhã, a notícia de que Jânio Quadros havia renunciado e Jango se tornara o novo Presidente da República. Logo em seguida, o Itamaraty e jornalistas procuraram contato com Maria Thereza. Seu irmão, João José, então diretor da Riotur, serviu como porta-voz.

Aconselhada por Jânio a permanecer no hotel enquanto a situação com os ministros militares, que negavam a posse, estivesse delicada, a nova e jovem primeira-dama só regressou ao Brasil quando Jango tomou posse.

Cquote1.svg Eu me dei conta que era a primeira-dama quando o avião da Varig pousou em Brasília. Fiquei apavorada. Cquote2.svg
Maria Thereza Goulart.[6]

A primeira-dama Maria Thereza foi responsável pela fundação da sede da Legião Brasileira de Assistência (LBA) em Brasília, reformando o prédio e montando uma equipe. A LBA recebeu grandes doações, tais como carros e caminhões, que serviam para organizar leilões em benefício da entidade.

Maria Thereza, na sua condição de primeira-dama, optou pela então nascente alta costura brasileira, tornando-se cliente do estilista Dener Pamplona de Abreu. Dener tornou-se responsável pelo guarda-roupas de Maria Thereza. Coincidentemente, a então primeira-dama norte-americana, Jacqueline Kennedy, também ditava moda.

Ela atraía a alta sociedade paulista e brasiliense para eventos de caráter beneficente.[7] A revista Time chegou a classificar Maria Thereza como uma das nove Reigning Beauties (Belezas Reinantes),[8] ao lado de Jackie Kennedy, Grace Kelly e Farah Diba.[9]

Deposição de Jango e viuvez[editar | editar código-fonte]

Depois que Goulart foi deposto em 1964, a família se exilou no Uruguai e, posteriormente, na Argentina, onde Jango veio a falecer em 6 de dezembro de 1976 em decorrência de um suposto ataque cardíaco (o corpo não recebeu uma necrópsia antes de ser liberado para o funeral).


Em 25 de março de 2014, o Instituto Presidente João Goulart publicou um artigo de Maria Teresa relacionado aos 50 anos do golpe.

Cquote1.svg É muito difícil ter as respostas certas para essa pergunta. Até hoje, 50 anos depois eu me questiono para conseguir entender o porquê daqueles momentos tão assustadores que de repente mudaram o rumo de nossas vidas, de nossa pátria e de nosso povo. As mudanças foram infinitas. Perdi pessoas que eu amava sem poder dizer adeus. Perdi amigos, perdi meu lar e perdi minha pátria. Fiquei sem meus sonhos vivendo uma realidade de incertezas e desafetos. Tive medo sim e pensei que aqueles momentos eram de uma perseguição coletiva que acabaria envolvendo nosso futuro.[10]

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Cquote2.svg
Maria Teresa Goulart

Processo de anistia[editar | editar código-fonte]

No dia 15 de novembro de 2008, depois de um processo judicial de quatro anos contra o governo federal, Maria Thereza e Jango receberam anistia política; foi a primeira vez que um ex-presidente brasileiro foi anistiado por perseguição política.

A ex-primeira-dama, receberá uma pensão mensal de 5.425 reais (valor correspondente ao salário de um advogado sênior, pois Jango era bacharel em Direito), visto que a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça considerou que o exílio de Jango o impediu de exercer atividade remunerada no país. A pensão é retroativa a 1999, somando cerca de 644 mil reais, a serem pagos em parcelas durante dez anos. Além disso, Maria Thereza recebeu 100 mil reais por ter sido impedida de voltar ao Brasil por quinze anos.[11]

Sobre a anistia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que o governo "reconhece os erros do passado e pede desculpas a um homem que defendeu a nação e seu povo do qual jamais poderíamos ter prescindido".

Referências

  1. Dines, Alberto (16 de março de 2004). Anos de Chumbo, chumbados. Observatório da Imprensa. Página visitada em 14 de novembro de 2013.
  2. http://www.cpdoc.fgv.br/dhbb/Verbetes_HTM/2412_13.asp
  3. Oséas, Antonio. Entrevista com Maria Teresa Goulart - 01. PDT-RJ. Página visitada em 14 de novembro de 2013.
  4. Fim de impasse no Chopin. Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário. Cópia arquivada em 19 de fevereiro de 2012.
  5. Bublitz, Juliana. "Será muito triste ver a exumação de Jango", diz Maria Thereza. Zero Hora. Página visitada em 14 de novembro de 2013.
  6. Entrevista com Maria Teresa, viúva de João Goulart. PDT (2 de março de 2005). Página visitada em 28 de junho de 2008.
  7. Pitta, Ignez (25 de setembro de 2007). Maria Teresa Goulart, primeira dama do Brasil e da moda brasileira – II. Fashion Bubbles. Página visitada em 14 de novembro de 2013.
  8. World: Reigning Beauties (em inglês). TIME (8 de junho de 1962). Página visitada em 14 de novembro de 2013.
  9. Linda Tresham's House of Magazines: Time 1962 (em inglês). Página visitada em 14 de novembro de 2013.
  10. Lembranças de 64 Instituto Presidente João Goulart. Instituto Presidente João Goulart. Acesso em //
  11. Jango recebe anistia quase meio século depois de derrubado pela ditadura militar

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Precedida por:
Eloá Quadros
Primeira-dama do Brasil
19611964
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Antonieta Castelo Branco