Campo de Santana (Parque do Rio de Janeiro)

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Campo de Santana
Monumento ao líder republicano brasileiro Benjamin Constant no centro da praça
Localização Rio de Janeiro, RJ
 Brasil
Tipo Área verde urbana
Inauguração 1880
Administração Fundação Municipal Parques e Jardins (Secretaria de Meio Ambiente)
Campo de Santana em pintura de Franz Josef Frühbeck de 1818
Desenho de 1856 retratando a antiga câmara municipal, que se localizava na praça

O Campo de Santana é um parque localizado na Praça da República, no Centro do município do Rio de Janeiro, no estado do Rio de Janeiro, no Brasil. O nome da praça é uma referência ao fato de ela se localizar nas proximidades de onde ocorreu a proclamação da República do Brasil em 1889.

História[editar | editar código-fonte]

Origem[editar | editar código-fonte]

Nos tempos coloniais, a região atualmente ocupada pela praça era um grande pântano. Com o tempo, a região foi sendo aterrada. O "Campo da Cidade" ou "Campo de São Domingos" passou a ser um marco divisório entre o Centro da cidade e a zona rural.

Em 1753, era chamado de "Campo de Santana", nome originado da igreja nele construída, local de grande afluência de devotos, que foi demolida em 1854 para dar lugar à primeira estação ferroviária urbana do Brasil, a Estação Dom Pedro II. Em 1941, no lugar da antiga estação, foi inaugurada a atual Estação Central do Brasil.

No seu entorno, foram erguidos importantes edifícios como: o Palácio do Conde dos Arcos (1819), que foi sede por cem anos do Senado brasileiro, hoje o prédio abriga a Faculdade Nacional de Direito da UFRJ, o prédio do Comando do Exército (1811), a sede da Prefeitura, a sede do corpo de bombeiros, a Escola Municipal Rivadávia Correia, a Casa da Moeda do Brasil (1863) - atual Arquivo Nacional, a Rádio MEC, e a Igreja de São Gonçalo Garcia e São Jorge.

A região foi palco de momentos marcantes da história do país, como a aclamação do imperador Pedro I do Brasil, a Proclamação da República Brasileira (a casa de Deodoro da Fonseca ficava em frente ao Campo de Santana) e os protestos da Revolta da Vacina.

Estrutura atual[editar | editar código-fonte]

Em 1942, com a construção da Avenida Presidente Vargas, que derrubou algumas das construções do entorno, a praça foi dividida em duas. Do lado do Palácio Duque de Caxias, reconstrução do Comando do Exército datada de 1937 e sede do Comando Militar do Leste do Exército brasileiro, foi construído o Panteão Duque de Caxias. Em todos os desfiles das comemorações da Independência do Brasil, alí é montado o palanque das autoridades. No lado oposto, ficam os jardins do Campo de Santana, grande passeio público arborizado e urbanizado no início do século XIX. A sua reforma iniciou-se em 1873 e foi completada em 1880, seguindo projeto do paisagista francês Auguste François Marie Glaziou. Na área, é possível encontrar diversas espécies de animais, como cutias, galinhas-d'angola, gatos, patos-do-mato e pavões[1] .

Atualmente, a praça encontra, em suas extremidades, as ruas que dão fim à rua da alfândega, a rua Frei Caneca, a rua Moncorvo Filho (próximo ao campus da Faculdade Nacional de Direito da UFRJ), além da Avenida Presidente Vargas.

O parque foi tombado, em 1968, pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (INEPAC) e, em 2012, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) também anunciou o tombamento do parque.

Monumentos[editar | editar código-fonte]

Existem cerca de 13 monumentos listados pela Secretaria de Urbanismo[2] . Os monumentos possuem homenagens a famosos como Benjamim Constant e Vicente Celestino, ao povo e as estações do ano.

As Quatro Estações[editar | editar código-fonte]

As quatro estações são de autoria de Paul Jean Baptista Gasg (inverno e verão) e Gustave Frédéric Michel (outono e primavera). Todas foram inauguradas em 1906.

Verão[editar | editar código-fonte]

É uma escultura neoclássica de um homem em mármore, protegendo os olhos do sol.

Outono[editar | editar código-fonte]

É uma escultura de uma mulher olhando em direção a uma cesta de vime cheia de frutas.

Inverno[editar | editar código-fonte]

Trata-se de uma peça em mármore de carrara de um homem idoso, encolhido e coberto por um refinado planejamento da cabeça aos pés.

Primavera[editar | editar código-fonte]

É uma escultura representando uma mulher com movimentos leves e um pequeno sorriso segurando um arranjo de flores.

Luta Desigual[editar | editar código-fonte]

Trata-se de grupo escultórico que representa o combate entre um homem e um felino. O conjunto está sobre uma pedra de rocaille, um dos elementos criados pelo paisagista francês Auguste Marie Glaziou. Foi criada por L. Despres. Não possui data certa de inauguração, mas a data provável de 1888.

Pescador Napolitano[editar | editar código-fonte]

Escultura de um menino brincando com uma tartaruga em mármore. Esta peça foi apresentada no Salão de Paris em 1831 e foi trazida para o Brasil.

Criada por François Rude. Não se sabe quando foi trazida para o Brasil e colocado no Campo de Santana.

Pontes de Rocailles[editar | editar código-fonte]

Trata-se de duas pontes de rocailles (argamassa decorada) imitando grande troncos de árvores. Criada pelo artista Glaziou, foi inaugurada 1888.

Quiosques[editar | editar código-fonte]

De autoria desconhecida, trata-se de quatro quiosques de madeira, um dos poucos exemplares dos antigos quiosques que existiram nas ruas da Cidade, implantados pelo prefeito Pereira Passos para venda de pequenas mercadorias.

Jovem Europa[editar | editar código-fonte]

Conjunto de 4 fontes, inaugurada em 1888, por Mathurin Moreau. Trata-se de um busto representando uma jovem figura feminina, em ferro fundido das Fundições de Val d´Osne, fixado em uma fonte stela também em ferro, de onde, através de uma bica, jorra água. São atualmente quatro peças no centro do parque.

Benjamim Constant [editar | editar código-fonte]

Feita por Décio Vilares e Eduardo de Sá, foi inaugurada em 14 julho de 1926.

O monumento apresenta diversos fatos históricos ligados à pátria e humanidade. No alto, a figura da Humanidade, no centro, a figura de Benjamim Constant e a esposa trazendo a bandeira republicana. O Monumento foi oferecido à cidade pelo Sr. Amaro da Silveira.

Vicente Celestino [editar | editar código-fonte]

Trata-se de representação da cabeça de fisionomia de Vicente Celestino, um agradecimento ao povo carioca. Foi inaugurada em 4 de agosto de 1970 por Tito Bernucci.

Catulo da Paixão Cearense[editar | editar código-fonte]

Trata-se de representação da cabeça de fisionomia de Sinhô, um agradecimento ao povo carioca. Foi inaugurada junto com o monumento Vicente Celestino em 4 de agosto de 1970, também de responsabilidade de Tito Bernucci.

Sereia[editar | editar código-fonte]

É uma escultura de ferro fundido das Fundições do Val d´Osne, França. A peça é da figura de uma sereia segurando em uma das mãos um peixe, de onde jorra água. Feita por Provin Serres, foi, provavelmente, inaugurada junto com o parque em 1888. 

Peças Desaparecidas[editar | editar código-fonte]

Consta-se que parte das esculturas estão faltando partes como no monumento erguido em homenagem a Benjamim Constant, onde falta algumas peças de bronze.

Animais do Campo de Santana[editar | editar código-fonte]

O parque abriga animais como patos-do-mato, gansos, pavões, cutias e gatos. Em 2012, a maioria dos gatos foram transferido ao Gatil São Francisco de Assis a pedido de voluntários que os alimentavam ao Prefeito Eduardo Paes. O Gatil é mantido pela Prefeitura do Rio Janeiro, com o argumento de que estariam mais protegidos. Porém, devido a quantidade de abandono, já se chegou ao mesmo número no Campo de Santana.

Patos e cutias Quem souber informações sobre a época que esses animais foram colocados no parque seria interessante citar aqui, porque faltam informações deste tipo.

Touradas[editar | editar código-fonte]

Ainda desconhecido de parte da população é o fato do parque ter sido palco de muitas touradas. Elas eram populares por aqui até que, em 1907, foram proibidas por um decreto do prefeito Sousa Aguiar. Encerrou-se assim prática que existia desde o século XVIII.[3] [4]

Moradores de rua e usuários de drogas[editar | editar código-fonte]

O parque também é reduto de moradores de rua e usuários de drogas, problema social da cidade, o que gera queixas por uma parte dos seus frequentadores.[5]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]