Boituva

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Boituva
  Município do Brasil  
Vista aérea de Boituva
Vista aérea de Boituva
Símbolos
Bandeira de Boituva
Bandeira
Brasão de armas de Boituva
Brasão de armas
Hino
Lema Fides labor hospitalitas
"Fé, trabalho, hospitalidade"
Gentílico boituvense
Localização
Localização de Boituva em São Paulo
Localização de Boituva em São Paulo
Boituva está localizado em: Brasil
Boituva
Localização de Boituva no Brasil
Mapa de Boituva
Coordenadas 23° 16' 58" S 47° 40' 19" O
País Brasil
Unidade federativa São Paulo
Região metropolitana Sorocaba
Municípios limítrofes Cerquilho, Tietê, Iperó, Porto Feliz e Tatuí
Distância até a capital 116 km
História
Fundação 1883 (140 anos)
Emancipação 6 de setembro de 1937 (85 anos)
Administração
Prefeito(a) Edson José Marcusso (Cidadania, 2021 – 2024)
Características geográficas
Área total [1] 248,954 km²
População total (estimativa IBGE/2019[2]) 60 997 hab.
Densidade 245 hab./km²
Clima subtropical (Cfb)
Altitude 637 m
Fuso horário Hora de Brasília (UTC−3)
Indicadores
IDH (PNUD/2000[3]) 0,780 alto
PIB (IBGE/2015[4]) R$ 2 650 583,35 mil
PIB per capita (IBGE/2015[4]) R$ 47 565,43
Sítio www.boituva.sp.gov.br (Prefeitura)

Boituva é um município do estado de São Paulo, no Brasil. Situa-se na Região Metropolitana de Sorocaba, na Região Intermediária de Sorocaba e na Região Imediata de Sorocaba. Localiza-se a uma latitude 23º17'00" sul e a uma longitude 47º40'20" oeste, estando a uma altitude de 637 metros. Possui uma área de 248,954 km² e sua população, conforme estimativas do IBGE de 2019, era de 60 997[2] habitantes.

Toponímia[editar | editar código-fonte]

"Boituva" é um vocábulo de origem tupi que, segundo Silveira Bueno e Eduardo de Almeida Navarro, significa "local de muitas cobras", "ajuntamento de cobras". Da língua tupi mboy, mboîa: cobra; e tyba: grande quantidade, abundância, ajuntamento[5].

História[editar | editar código-fonte]

A julgar pelas datações relativas obtidas nos sítios arqueológicos Colina da Castelo 4[6] e Colina da Castelo 5[7], localizados em Porto Feliz, grupos indígenas não-ceramistas já habitavam as terras entre os rios Sorocaba e Tietê desde pelo menos 2.000 anos Antes do Presente[8]. Nesses sítios arqueológicos foram encontradas lascas e outros fragmentos de ferramentas feitas em silexito, arenito, quartzo, quartzito e outras rochas, sendo alguns deles identificados como percutores.

Populações agricultoras e ceramistas só teriam alcançado a região no início da Era Cristã, aparentemente. Segundo algumas fontes primárias do período colonial, as terras do médio curso do rio Tietê seriam habitadas pelos Guaianá (ou Guaianazes) e Carijó, povos falantes de idioma relacionado aos troncos Macro-Jê e Tupi-Guarani, respectivamente[9]. Segundo consta, a região era conhecida como M’Boituva por indígenas falantes de idiomas tupi-guarani, nome ligeiramente modificado e que seguiu em uso até os dias atuais[10].

A partir do século XVIII, a região provavelmente era atravessada de forma ocasional por viajantes que faziam o trajeto entre as vilas de Porto Feliz e Sorocaba. Da mesma forma, Boituva abrigava ranchos, pousadas para viajantes, fazendas e sítios ao longo dos caminhos terrestres e nas proximidades de cursos d’água como o rio Sorocaba e o Ribeirão Pau D’Alho. Alguns mapas do período colonial e da primeira metade do século XIX indicam que essas ocupações estavam distribuídas pelos bairros Corumbá, Pau D’Alho, Sítio Grande e Pinhal. De fato, há registro de diversas sesmarias na região de Boituva ao longo do século XVIII, sendo José de Campos Bicudo um dos primeiros a receber terras em 1726. Outra grande sesmaria concedida em Boituva, esta no ano de 1766, pertenceu a João Fernandes Maciel[10].

Identificado em 2021, o sítio arqueológico Vale Verde é um exemplo desse processo de ocupação rural ocorrido na região, o qual se estendeu por todo o século XIX e início do XX. Além de fragmentos de louças, cerâmicas, vidros e telhas, o sítio Vale Verde também conta com alguns poucos vestígios de uma ocupação indígena anterior, provavelmente relacionada ao período em que Guaianazes e Carijós ainda habitavam as terras de M’Boituva[11].

Por sua vez, a formação do município de Boituva é parte do processo de mudança da economia do estado de São Paulo para a produção de café e implantação de uma malha ferroviária para a exportação desta mercadoria. O local onde se formou o núcleo povoador que daria origem à cidade teve origem na propriedade de João Rodrigues Leite, que foi doador do terreno em que a Estrada de Ferro Sorocabana construiu, em 1882, a estação ferroviária e suas dependências[10][12]. Entre 1882 e 1889, a estação de Boituva foi a última parada do ramal ferroviário, sendo posteriormente transformado em ponto de partida do ramal de Tatuí – mais tarde conhecido como ramal de Itararé, o segundo maior da E. F. Sorocabana e que seguia em direção ao estado do Paraná[12]. Nos arredores da estação de Boituva começaram a se fixar funcionários da ferrovia e a serem construídos armazéns de abastecimento e demais edificações de apoio ao transporte de carga e passageiros e para os novos moradores do local, como alguns pequenos hotéis, restaurantes, pensões e outros comércios[10].

Nesse período já havia grandes propriedades cafeicultoras na região, até então em terras sob administração dos municípios de Sorocaba e Porto Feliz. De acordo com a história oficial de Boituva, alguns dos fazendeiros mais notáveis foram Eugênio Corte Real, Nicolau Vercelino, Coronel José de Campos Arruda Botelho e suas famílias. Coube ao Coronel Arruda Botelho a criação do distrito policial local, transferindo a freguesia de Boituva da paróquia de Porto Feliz para a de Tatuí, o que também motivou a criação de um distrito de paz[10].

De todo modo, o distrito de Boituva só foi criado oficialmente em 1906, pertencendo nesse momento a Porto Feliz. Curiosamente, apesar do protagonismo da ferrovia na formação de Boituva, a ligação ferroviária entre o então distrito e o centro urbano de Porto Feliz só foi concluída em 1920, sendo até então ligados somente por caminhos de terra[12]. A criação do município se deu na década de 1930, com o Decreto Estadual n° 3.045, de 6 de setembro de 1937, sendo instalado em 1938[13].

Alguns anos antes, em 1933, foi construído uma nova estação ferroviária em Boituva no lugar do prédio original de 1882. Data desse período a progressiva diminuição do uso da linha e da estação, entretanto, culminando na desativação da ligação ferroviária entre Porto Feliz e Boituva em 1962. Após o encerramento das atividades da estação de Boituva, a construção serviu diversas funções ao longo das décadas de 1990 e 2000[12]. Sendo uma das mais significativas construções históricas de Boituva, a estação foi alvo de obras de restauro em 2020[14].

Paraquedismo e balonismo[editar | editar código-fonte]

O município de Boituva é nacionalmente reconhecido como um polo para as práticas de paraquedismo e balonismo[15]. Por conta dessa reputação, a cidade de Boituva sediou alguns eventos ligados à essas duas práticas, incluindo duas edições do Campeonato Brasileiro de Balonismo:


Além disso, o município têm se tornado um grande polo para o paraquedismo e balonismo turístico, atingindo um marco histórico no ano de 2021, data em que a cidade completou 50 anos do início das práticas de paraquedismo, que ocorreu em 1971. O Projeto de Lei 7.387/2017, de autoria do deputado federal Capitão Augusto, tem como objetivo condecorar a cidade com o título de Capital Nacional do Paraquedismo e do Balonismo Turístico.[19]

Comunicações[editar | editar código-fonte]

A cidade foi atendida pela Companhia Telefônica Brasileira (CTB) até 1973[20], quando passou a ser atendida pela Telecomunicações de São Paulo (TELESP), que construiu a central telefônica utilizada até os dias atuais. Em 1998 esta empresa foi privatizada e vendida para a Telefônica[21], sendo que em 2012 a empresa adotou a marca Vivo[22] para suas operações de telefonia fixa.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Demografia[editar | editar código-fonte]

Dados do Censo - 2010 População Total: 48 314

  • Urbana: 45 448
  • Rural: 2 866
  • Homens: 24 313
  • Mulheres: 24 001
  • Total: 48 314

Hidrografia[editar | editar código-fonte]

Rodovias[editar | editar código-fonte]

Ferrovias[editar | editar código-fonte]

Clima[editar | editar código-fonte]

Dados climatológicos para Boituva
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano
Temperatura máxima média (°C) 27,4 27,1 26,8 25,3 23,2 21,9 21,9 22,9 24,0 25,0 26,2 27,2 19,3
Temperatura mínima média (°C) 18,1 17,2 16,5 14,5 11,7 10,2 9,5 10,6 12,3 14,1 15,3 17,2 13,8
Precipitação (mm) 205 178 133 56 47 40 34 29 56 114 107 169 1 168
Fonte: [1] CLIMATE-DATA

Referências

  1. IBGE (junho 2018). «Área da unidade territorial». Área territorial brasileira. Rio de Janeiro: IBGE, 2018. Consultado em 17 de Setembro de 2018 
  2. a b «Estimativa populacional 2019 IBGE». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 28 de agosto de 2019. Consultado em 14 de setembro de 2019 
  3. «IDHM Municípios 2010». Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil 2013. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2010. Consultado em 17 de Setembro de 2018 
  4. a b «Produto Interno Bruto dos Municípios 2015». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 17 de Setembro de 2018 
  5. NAVARRO, E. A. Método moderno de tupi antigo: a língua do Brasil dos primeiros séculos. 3ª edição. São Paulo. Global. 2005. p. 56.
  6. «Sítio Colina da Castelo 4». Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos. Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. 2007. Consultado em 30 de agosto de 2022 
  7. «Sítio Colina da Castelo 5». Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos. Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. 2007. Consultado em 30 de agosto de 2022 
  8. Santos, Fábio (2013). «Abordagem Teórica sobre o Estudo de Sítios Líticos no Interior do Estado de São Paulo, Brasil». Instituto Terra e Memória. Revista Techné. 1 (1): 45. Consultado em 30 de agosto de 2022 
  9. Nimuendajú, Curt (2017). «Mapa Etno-histórico do Brasil e Regiões Adjacentes». Inventário Nacional de Diversidade Linguística. Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Consultado em 30 de agosto de 2022 
  10. a b c d e «Cidade. Nossa História». Prefeitura Municipal de Boituva. Prefeitura Municipal de Boituva. Consultado em 30 de agosto de 2022 
  11. «Sítio Vale Verde». Sistema de Integrado de Conhecimento e Gestão. Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. 2021. Consultado em 30 de agosto de 2022 
  12. a b c d e Giesbrecht, Ralph (2021). «Estação Boituva». Estações Ferroviárias do Brasil. Consultado em 30 de agosto de 2022 
  13. «Cidades. História & Fotos. Boituva». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. 2017. Consultado em 30 de agosto de 2022 
  14. «"Restaurada, estação de trem de Boituva irá se tornar ponto de turismo e cultura"». Prefeitura Municipal de Boituva. Notícias. Prefeitura Municipal de Boituva. 22 de julho de 2020. Consultado em 30 de agosto de 2022 
  15. «The Best Place to Skydive on Every Continent». Consultado em 10 de Dezembro de 2015 
  16. «30º Campeonato Brasileiro de Balonismo acontece em Boituva.». Prefeitura Municipal de Boituva. 6 de julho de 2017. Consultado em 19 de junho de 2022. Cópia arquivada em 19 de junho de 2022 
  17. «33ª EDIÇÃO DO CAMPEONATO BRASILEIRO DE BALONISMO COMEÇA DIA 14». Prefeitura Municipal de Boituva. 30 de agosto de 2021. Consultado em 19 de junho de 2022. Cópia arquivada em 19 de junho de 2022 
  18. «Campeonato de paraquedismo com 'voos rasantes' em alta velocidade reúne atletas de todo o país no interior de SP; vídeo». G1. Consultado em 19 de junho de 2022 
  19. «BOITUVA REALIZA AUDIÊNCIA PÚBLICA PARA SER RECONHECIDA OFICIALMENTE COMO CAPITAL NACIONAL DO PARAQUEDISMO E DO BALONISMO TURÍSTICO». 14 de março de 2022. Consultado em 19 de junho de 2022. Cópia arquivada em 19 de junho de 2022 
  20. «Relação do patrimônio da CTB incorporado pela Telesp» (PDF). Diário Oficial do Estado de São Paulo 
  21. «Nossa História». Telefônica / VIVO 
  22. GASPARIN, Gabriela (12 de abril de 2012). «Telefônica conclui troca da marca por Vivo». G1 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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