Caso Bodega

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O Caso Bodega ou crime do bar Bodega foi uma ação criminosa que ocorreu no dia 10 de agosto de 1996, em São Paulo.

O caso[editar | editar código-fonte]

Às 2:30 da manhã, cinco bandidos renderam os manobristas e entraram no bar Bodega[1]. Lá dentro, um bandido rendeu o barman, outro rendeu o caixa e os demais se espalharam pelo salão anunciando o assalto. Dois deles passaram pelos clientes recolhendo dinheiro, joias e relógios. Ao tentar pegar o relógio de um cliente, o bandido se apavora e a arma dispara, acertando o braço do cliente. O ruído gera pânico e os assaltantes tentam retomar o controle da situação[2].

Sem saber o que estava acontecendo, o dentista José Renato Tahan[1] entra no bar e é dominado pelos bandidos. Assustado, ele é agredido por dois deles e, ao tentar se levantar, é baleado nas costas. Novo tumulto e os assaltantes fogem correndo. Já na calçada, um dos bandidos se vira e atira para dentro do bar atingindo a estudante Adriana Ciola[1].

Repercussão[editar | editar código-fonte]

À época, o crime despertou a atenção da imprensa e da opinião pública por vários motivos[3]: a desnecessária brutalidade empregada na sua execução; o fato de o bar estar localizado num bairro da classe média de São Paulo, que até então não registrava ocorrências desta gravidade; a posição social das vítimas, todas jovens da classe média paulistana; o fato do bar pertencer a conhecidos atores da maior emissora de televisão do País, Luis Gustavo e seus sobrinhos Cássio e Tato Gabus Mendes; finalmente, o evento se deu numa acirrada época de disputa eleitoral para prefeitura da maior cidade da América Latina e não deixou de ser explorado na campanha dos candidatos da oposição.

O caso Bodega gerou o movimento Reage, São Paulo patrocinado pelos familiares de Adriana. Esse movimento deixou de existir quando a polícia identificou os verdadeiros acusados.

A investigação policial[editar | editar código-fonte]

Pressionada, a Polícia Civil do Estado de São Paulo apresentou à imprensa, 15 dias após o crime, os primeiros suspeitos, todos negros, pobres e moradores da periferia da cidade. Posteriormente, ante a ausência de reconhecimentos por parte das testemunhas, outros cinco jovens foram presos.

O Ministério Público do Estado de São Paulo, através do promotor de justiça Eduardo Araújo da Silva, não se convenceu da culpa dos jovens e recusou-se a acusá-los[1], o que causou um clima de indignação por parte da cúpula da polícia civil, da imprensa e da opinião pública. Diante disso, ele solicitou a soltura dos suspeitos e a continuidade das investigações junto ao DHPP. Ao serem soltos, os suspeitos relataram à imprensa que suportaram os mais variados métodos de tortura para admitirem a participação no crime[4].

Em 11 de novembro, o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) prendeu dois dos verdadeiros responsáveis pelo crime - Silvanildo Oliveira da Silva, de 36 anos, e Sandro Marcio Olímpio, de 24 anos[1], reconhecidos por testemunhas. Os demais foram presos nas semanas seguintes.

O julgamento[editar | editar código-fonte]

Cinco acusados do crime, entre eles uma mulher, foram condenados a penas que variam de 23 a 48 anos de reclusão. O caso tem 6 acusados, sendo 1 foragido.

O Juiz da 18ª Vara Criminal de São Paulo, José Ernesto de Mattos Lourenço, condenou Sandro Márcio Olimpio, Sivanildo Oliveira da Silva, e Sebastião Alves Vital, a 48 anos de reclusão e Zeli Salete Vasco, a 23 anos e 3 meses. Eles foram condenados pelo crime de duplo latrocínio com agravantes[5]. O Juiz Lourenço criticou, em sua sentença, a atuação inicial da polícia no caso, destacando o despreparo policial na apuração do crime e a corajosa atuação do promotor de justiça, Eduardo Araújo da Silva. Em outubro de 2009, o Supremo Tribunal Federal confirmou a decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo, que reconheceu a responsabilidade civil objetiva do Estado pela indevida decretação da prisão cautelar de um dos primeiros suspeitos[6].

Os adjetivos paradigmático e emblemático passaram a ser utilizados para determinar o fragoroso equívoco policial na apuração do crime, acompanhado de uma cobertura sensacionalista por boa parte da imprensa. O caso passou a ser comentado internacionalmente por respeitáveis organizações de direitos humanos, debatido nos cursos de Direito e Jornalismo, além de citado em vários trabalhos científicos apresentados nestas áreas.

Referências

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • DORNELLES, Carlos - Bar Bodega, um crime de imprensa (ed. Globo, 2007)
  • 20 ANOS DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL: MINISTÉRIO PÚBLICO & CIDADANIA – 20 CASOS EMBLEMÁTICOS (ed. Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2008)