João Acácio Pereira da Costa

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Disambig grey.svg Nota: Se procura por outras pessoas com este sobrenome, veja Pereira da Costa.
Disambig grey.svg Nota: Se procura por filme brasileiro, de 1968, com este nome, veja O Bandido da Luz Vermelha.
João Acácio Pereira da Costa
João Acácio Pereira da Costa em 1967
Data de nascimento 24 de junho de 1942
Data de morte 5 de janeiro de 1998 (55 anos)
Nacionalidade(s) brasileiro
Crime(s) 4 assassinatos, 77 assaltos
Pena 351 anos, 9 meses e 3 dias (cumpriu 30 anos, pena máxima no Brasil)
Situação falecido

João Acácio Pereira da Costa, conhecido como Bandido da Luz Vermelha (Joinville-SC, 24 de junho de 1942 — Joinville-SC, 5 de janeiro de 1998), foi um notório criminoso brasileiro[1].

Biografia[editar | editar código-fonte]

João Acácio ficou órfão com apenas quatro anos. João Acácio e seu irmão mais velho, Joaquim Tavares Pereira, passaram, então, a ser criados por um tio. Em 1967, ano em que foi preso em Curitiba (PR), Luz Vermelha contou que ele e o irmão eram submetidos a trabalhos forçados pelo tio em troca de comida. O criminoso disse ainda que ambos foram torturados física e psicologicamente pelo parente, que negou as acusações.[2]

Quando pré-adolescente, foi estuprado por meninos mais velhos que eram seus rivais. Essas agressões sofridas parecem ter despertado seus piores instintos.[3]

Na adolescência, foi morar no estado de São Paulo fugindo dos furtos que praticou no seu estado natal[4], fixando residência na cidade de Santos, onde se dizia filho de fazendeiros e bom moço e levava uma vida pacata no lugar que escolheu para morar, mas, ao contrário do "bom moço", praticava seus crimes em São Paulo e voltava incólume para Santos.

Também praticou roubos e desmanches de carros no Rio de Janeiro. “Ia para o Rio de ônibus e voltava de carro. Chegou a roubar 50 veículos”, conta o jornalista e escritor Gonçalo Junior, autor do livro “Famigerado! — A História de Luz Vermelha, o bandido que aterrorizou São Paulo”.[3]

Enganava a polícia se passando por quatro assaltantes diferentes: o bandido incendiário que tocava fogo nos corredores das casas para provocar pânico e acordar os moradores, o bandido mascarado que roubava joias, o bandido macaco, por usar um macaco de carro para abrir as janelas, e o Bandido da Luz Vermelha, apelido que ganhou por usar uma lanterna de aro avermelhado que comprou em uma antiga loja de departamentos da MappinErro de citação: Elemento de fecho </ref> em falta para o elemento <ref>, em referência ao notório criminoso estadunidense Caryl Chessman, que tinha o mesmo apelido.[1]

Luz Vermelha era vaidoso, vestia-se de forma a chamar atenção, sempre com cores vivas, chapéus extravagantes e lenços de caubói cobrindo o rosto. Gostava de usar perucas. Costumava também se passar por músico, carregando a tiracolo uma guitarra que havia roubado.[2]

Gastava o dinheiro obtido nos assaltos com mulheres e boates e a polícia levou seis anos para identificá-lo, conseguindo isso, após ele deixar suas impressões digitais na janela de uma mansão.

Prisão[editar | editar código-fonte]

João Acácio foi preso em 8 de agosto de 1967 na cidade de Curitiba[3][4], após a polícia descobrir que ele vivia sob a identidade falsa de Roberto da Silva.[5]

No interrogatório, ele confessou 4 crimes[5]:

  • A primeira teria ocorrido em 3 de outubro de 1966, quando estudante Walter Bedran, de 19 anos, ao tentar surpreender o bandido, que acabara de invadir o quintal de sua residência no Sumaré, foi alvejado com um tiro na cabeça.
  • Dez dias depois, a vítima foi o operário José Enéas da Costa, 23, morto durante uma briga com o criminoso em um bar no bairro da Bela Vista.
  • Em 7 de junho de 1967, no Jardim América, o industrial Jean von Christian Szaraspatack, ao reagir a uma tentativa de roubo, foi assassinado numa troca de tiros.
  • Em 6 de julho de 1967, João Acácio ainda matou o vigia José Fortunato, que tentou impedir sua entrada na mansão em que fazia guarita, no bairro do Ipiranga.

Por conta disso, ele foi condenado por quatro assassinatos, sete tentativas de homicídio e 77 assaltos[6], com uma pena de 351 anos, 9 meses e três dias de prisão.

Nunca ficou comprovado, porém, que Acácio cometeu estupro ou que teve relações sexuais com suas vítimas.

Liberdade[editar | editar código-fonte]

Após cumprir os 30 anos previstos em lei, foi libertado na noite do dia 26 de agosto de 1997 e retornou para a cidade de Joinville, mantendo uma certa popularidade, pois tinha obsessão em vestir roupas vermelhas e quando alguém lhe pedia um autógrafo, ele simplesmente escrevia a palavra "Autógrafo"[7].

Morte[editar | editar código-fonte]

Após quatro meses e vinte dias em liberdade, João foi assassinado com um tiro de espingarda no dia 5 de janeiro de 1998, durante uma briga de bar[4].

Conforme informado à época pelo jornal "Notícias Populares", o algoz do ex-detento alegou ter efetuado o disparo para salvar a vida do irmão, que fora agarrado e ameaçado com uma faca depois de um desentendimento por causa de um suposto assédio sexual cometido por Luz Vermelha contra a mãe e a mulher do algoz.

Em novembro de 2004, o algoz foi absolvido pela Justiça de Joinville, entendendo que o ato foi em legítima defesa.

Cultura popular[editar | editar código-fonte]

Cinema[editar | editar código-fonte]

  • "Luz nas trevas - A volta do bandido da luz vermelha", é a sequência do primeiro filme de Rogério Sganzerla e foi um dos selecionados para a competição internacional do 63º Festival de Locarno, na Suíça. O filme tem direção de Ícaro Martins e Helena Ignez, viúva de Rogério Sganzerla, estrelado pelo cantor Ney Matogrosso, tendo sido rodado em 2009 e estreou em 2010.[8][9][10][11][12][13]

Televisão[editar | editar código-fonte]

  • O bandido foi satirizado pelos humoristas do programa Hermes & Renato, da MTV, onde fez um clipe com "Demo Lock MC" (uma sátira de Satanás).

Livros[editar | editar código-fonte]

  • Em 2019, sua história foi contada no livro “Famigerado! — A História de Luz Vermelha, o bandido que aterrorizou São Paulo”, de autoria do jornalista e escritor Gonçalo Junior.[2]

Música[editar | editar código-fonte]

  • O cantor de horrorcore, Patrick Horla, também fez uma citação de sua personalidade como base para a canção "O bandido da lupa vermelha".[14]

Referências

  1. UPI (19 de fevereiro de 1960). «Caryl Chessman (na cela da última noite) envia apelo dramático ao governador Brown». Última Hora, ano IX, edição 2958, página 8. Consultado em 17 de julho de 2017 
  2. a b c Erro de citação: Código <ref> inválido; não foi fornecido texto para as refs de nome livro
  3. Capa Jornal Notícias Populares de 8 de agosto de 1967
  4. a b Erro de citação: Código <ref> inválido; não foi fornecido texto para as refs de nome specs
  5. a b folha.uol.com.br/ Em 1998, Bandido da Luz Vermelha era assassinado em SC
  6. Por José Argolo (2008). «As luminárias do medo: vida, paixão e morte do jornalismo policia no eixo Rio/São Paulo». Livro no Google Books. Consultado em 11 de julho de 2017 
  7. Luis Nassif (5 de março de 2012). «Outros bandidos famosos». GGN. Consultado em 6 de julho de 2017 
  8. «André Gonvalves vira o Bandido da Luz Vermelha». Portal Terra. Consultado em 5 de novembro de 2018 [ligação inativa]
  9. «"Fui preso por vadiagem", diz Ney Matogrosso, que vive bandido no cinema». Guia Folha. Consultado em 5 de novembro de 2018 
  10. «Título ainda não informado». Grupo Abril. Revista Veja. Consultado em 5 de novembro de 2018 
  11. «Estréia sequência de o Bandido da Luz vermelha tem Ney Matogrosso». Globo.com. G1. Consultado em 5 de novembro de 2018 
  12. «Continuação de O Bandido da Luz Vermelha estréia em festival na Suíça». Globo.com. G1. Consultado em 5 de novembro de 2018 
  13. «O Bandido da Luz Vermelha tem sessão». UOL. Revista de Cinema. Consultado em 5 de novembro de 2018 
  14. «PATRICK HORLA - Vice BR». www.viceland.com. Consultado em 29 de Abril de 2011 [ligação inativa]


Ícone de esboço Este artigo sobre criminosos é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.