Rede OM

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Broom icon.svg
As referências deste artigo necessitam de formatação (desde dezembro de 2012). Por favor, utilize fontes apropriadas contendo referência ao título, autor, data e fonte de publicação do trabalho para que o artigo permaneça verificável no futuro.
Emblem-scales.svg
A neutralidade deste(a) artigo ou se(c)ção foi questionada, conforme razões apontadas na página de discussão. (desde novembro de 2011)
Justifique o uso dessa marca na página de discussão e tente torná-lo mais imparcial.
Rede OM Brasil
Organizações Martinez.
Rádio e Televisão OM Ltda.
Tipo Rede de televisão estadual
País  Brasil
Fundação

por José Carlos Martinez
Extinção 22 de maio de 1993 (11 anos)
Pertence a Organizações Martinez
Proprietário Família Martinez
Presidente Flávio Martinez
Cidade de origem Paraná Curitiba, PR
Sede Bandeira de Curitiba.svg Curitiba, PR
Rua Francisco Caron, 29 - Pilarzinho
Estúdios Bandeira de Curitiba.svg Curitiba, PR
Rua Francisco Caron, 29 - Pilarzinho
Bandeira londrina.svg Londrina, PR
Rod. Celso Garcia Cid, Km. 380
Formato de vídeo 480i (SDTV)
Nome(s) anteriore(s) TV Tropical e TV Paraná

A Rede OM (Organizações Martinez) foi uma rede estadual de televisão brasileira. Surgida na década de 80, a  emissora se tornaria a primeira rede estadual fora do eixo Rio-São Paulo. Seu fundador foi o político e empresário José Carlos Martinez.

A emissora foi extinta em 22 de maio de 1993, sendo substituída pela Central Nacional de Televisão (CNT).

História[editar | editar código-fonte]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Nasce a TV Tropical[editar | editar código-fonte]

Em 15 de março de 1979, através do canal 7 VHF de Londrina estreia a TV Tropical. A emissora da família Martinez logo fecha contrato para retransmitir a programação da Rede Globo para toda a região norte e noroeste do Paraná (além de algumas cidades do sul de São Paulo) durando até 1º de dezembro do mesmo ano, quando se afilia a recém-criada TV Bandeirantes.

Nos primeiros anos, a emissora alcançou os maiores indices de audiência da região com o Jornal do Meio-Dia (telejornal tradicional da emissora) que abordava os mais diversos assuntos como cultura, variedades, musicais, entrevistas ao vivo, documentários e o noticiário factual e o jornalístico policial Cadeia, apresentado pelo radialista Luiz Carlos Alborghetti que, até então, apresentava um programa semelhante na Rádio Tabajara AM.

Compra da TV Paraná[editar | editar código-fonte]

No final dos anos 70, os Diários Associados entram em crise com o fechamento da TV Tupi. Em comum acordo, o grupo e a Família Stesser resolvem colocar a tradicional TV Paraná de Curitiba à venda. Depois de uma intensa negociação, a família Martinez adquire a emissora que será sede da mais nova rede de televisão estadual do estado.

Com a aquisição da TV Paraná, a cabeça-de-rede é mudada para Curitiba (pelas condições geográficas) e assume-se o nome Rede OM. A parceria com a TV Bandeirantes não só continua, como seu sinal se expande para todo o estado e se torna uma das principais afiliadas da Band junto com a TV Tarobá.

Rede OM[editar | editar código-fonte]

No ano de 1982, a OM se destaca pela cobertura política. Seus debates políticos pelo governo do estado do Paraná viraram uma tradição que se realizava com prefeitos e até presidência da república. José Carlos Martinez sempre fez questão de ressaltar o orgulho que sentia ao promover os debates em seu canal.

Com certa tradição nos esportes, a OM investe no automobilismo ao criar o programa Pole Position, numa época em que o Brasil havia conquistado quatro títulos mundiais na Fórmula 1 por Emerson Fittipaldi e Nelson Piquet. Outro programa importante para o departamento esportivo foi o Telesporte.

Em comemoração aos 28 anos da TV Paraná, ampliou-se sua potência na capital paranaense para 37 kWs e, consequentemente, melhorando seu sinal. Também compra equipamentos modernos como novas câmeras e novas ilhas de edição. 

A parceria com a TV Bandeirantes se encerra em 1990, quando, por amizade à Dante Matiussi e Airton Trevisan, troca de bandeira e passa a ser afiliada a Rede Record, que começava a se firmar como uma nova rede nacional após a compra de Edir Macedo [1]. Desta fase, destacam-se os programas Cadeia (líder de audiência no estado), o Programa do Ratinho, nos fins de tarde, apresentado por Carlos Massa e as transmissões esportivas do Campeonato Paranaense de Futebol

Rede OM Brasil[editar | editar código-fonte]

No final de 1991, a Rede OM (TV Paraná e TV Tropical) entra com um pedido de transmissão em via satélite com a Embratel, previsto para 1992. A intenção do grupo paranaense é formar uma nova rede nacional.

Em 20 de novembro do mesmo ano, fecha-se um contrato com a TV Gazeta de São Paulo (da propriedade da Fundação Cásper Líbero) celebrando um fornecimento de programação entre as duas redes. A programação da OM passa a ser exibida no canal paulista somente no dia 15 de fevereiro de 1992.

Em 28 de fevereiro de 1992, a OM surpreende o mercado televisivo ao comprar a TV Corcovado, canal 9 do Rio de Janeiro. Até então, o canal carioca pertencia ao Grupo Silvio Santos e estava arrendado a MTV Brasil desde 20 de outubro de 1990. Estima-se que a emissora foi comprada pela quantia de US$ 8 milhões.

No dia 1º de abril, Galvão Bueno estreia na emissora. Ele assume a função de narrador, apresentador e diretor do núcleo esportivo, saindo da TV Globo depois de quase dez anos. A estreia do narrador foi na transmissão da Taça Libertadores da América.

O audacioso projeto de implantação da rede contava com profissionais experientes como Guga de Oliveira, Dante Matiussi e até Walter Avancini foi sondado para dirigir um núcleo de teledramaturgia. Somente na implantação da rede foram gastos por volta de US$ 30 milhões. Flávio Martinez virou o superintendente geral da rede que almeja o terceiro lugar de audiência em questão de meses [2].

Também foi adquirido um pacote de mais de 100 filmes, a maioria de pancadaria ou softcore. Dentre os títulos encontra-se Orquídea Selvagem, Impacto Total e Calígula [3]. Novelas também ganharam vez na emissora e causando polêmica, dentre elas, uma versão argentina do grande sucesso Irmãos Coragem [2].

Estreia[editar | editar código-fonte]

Com uma programação experimental desde março de 1992, a emissora finalmente estreia sua nova grade nacional no dia 30 de março daquele mesmo ano. Em um plano totalmente novo, a rede dava total liberdade para as afiliadas produzirem e das 18h ás 0h, a faixa era dominada pelos seus programas [4]. A exceção é no Rio de Janeiro, que apenas retransmitia a filial de Curitiba entre 8h e 2h [3].

A nova programação conta com duas novelas: Árvore Azul (cujo tema de abertura era cantado pela apresentadora Xuxa) e Manuela, uma superprodução ítalo-americana escrita pelo brasileiro Manoel Carlos e estrelada pela atriz Grecia Colmenares [4], conhecida pelo público brasileiro através da novela Topázio do SBT.

No jornalismo, o carro-chefe foi o telejornal Fala Brasil, uma revista eletrônica comandada diretamente dos estúdios de Curitiba pelos âncoras Carlos Marassi e Valéria Balbi. O programa contou com colunistas nacionais e internacionais, dentre eles o cantor Aguinaldo Timóteo e o economista Luis Nassif, além dos comentários de Galvão Bueno no esporte. Contava também com o sempre polêmico jornalístico policial Cadeia (edição local das 12 horas e 55 minutos e edição nacional das 18 horas e 15 minutos), apresentado pelo radialista Luiz Carlos Alborghetti.

Ainda na linha esportiva, o piloto Ayrton Senna participava do programa Pódium e a emissora investia numa transmissão do Rally Paris-Dakar, em um programa com o locutor José Carlos Araújo e no telecatch Campeões do Ringue, aos sábados. Além da transmissão do Campeonato Paranaense e da Copa do Brasil de 1992 [3] .

A linha de shows da emissora era considerada uma das mais variadas, contando com o Ser Tão...Brasileiro, com Tamara Taxmann (posteriormente apresentado por Jair Rodrigues), Blue Jeans, com Jimy Raw e Coçando o Sábado com Leonor Corrêa [3]. Rapidamente os números de audiência se confirmaram. As partidas de futebol da Taça Libertadores atingiam seu ápice quando davam até 7 pontos, as novelas conseguiam até 2 pontos, os filmes chegavam a 3 e o telejornal Fala Brasil permanecia com 1 ponto [5].

Em 17 de junho de 1992, o jogo final da Taça Libertadores entre São Paulo e Newell's Old Boys atingiu a maior audiência da OM em toda sua história: 34 pontos [6].

No mês de agosto, anuncia-se um pacotão de novos filmes com atores hollywoodianos já consagrados. Dentre eles Sangue e Areia e O Guarda-Costas.

Polêmicas[editar | editar código-fonte]

Em 20 de junho de 1992, a OM exibe o polêmico filme Caligula, não recomendado para menores de 18 anos. O juiz José Antônio de Andrade Martins da 18ª Vara da Justiça Federal de São Paulo determinou o cancelamento da exibição através de uma liminar. Mesmo com a audiência chegando a incrível marca de 16 pontos, a rede foi obrigada a tirar o filme do ar [7].

No mês de agosto, com a CPI do caso PC Farias, descobriu-se uma conexão do empresário com a Rede OM. Tratava-se de dois cheques do “fantasma” Manoel Dantas Araújo, que pagaram parte de uma divida que o SBT tinha com a Caixa Econômica Federal. Essa divida teria sido transferida para a OM em troca da concessão da TV Corcovado [8].

Com um orçamento bem debilitado com apenas seis meses de estreia no território nacional e ainda vítima da recessão publicitária, o escândalo serviu pra afundar a novata emissora ainda mais. A Rede OM teve que cortar 60% de suas despesas e reformular toda sua grade para escapar de um colapso [9].

Entre os meses de agosto e setembro, cerca de 100 jornalistas foram demitidos, e isso só na sucursal paulista. Com um corte de quase 50%, os diretores de jornalismo da emissora Paulo Alceu e Dante Massuti que, diante da pressão enfrentada pedem demissão [7][10].

O empresário José Carlos Martinez finalmente confessa ter recebido um empréstimo equivalente a US$ 8,5 milhões, para comprar emissoras de televisão em maio do ano anterior . Em troca desse empréstimo, Martinez teria dado a cessão do título Tribuna de Alagoas para que PC pudesse montar um jornal em Maceió, negando as acusações de que fosse testa-de-ferro do tesoureiro e desconheceu conhecimento sobre o cheque fantasma recebido para pagar pela TV Corcovado [11].

Em 16 de setembro, o Sindicato dos Radialistas conversa com a direção da rede pelo não pagamento da recisão dos contratos e do salário correspondente ao mês de agosto [12]. A TV Gazeta deu um prazo irrevogável para a rede pagar os atrasados que já supera a marca de um milhão de dólares [13].

Aos oito meses de existência, a Rede OM conseguiu bater a Globo, se envolver em polêmicas e ficar com fama de caloteira [14]. Em novembro, funcionários demitidos recorrem ao sindicato dos jornalistas após receber um cheque sem fundo [7]. Dentre os prejudicados está a apresentadora Leonor Corrêa e a jornalista Valéria Balbi.

No final de 1992, a empresa Pluma Equipamentos pede a falência da Rede OM pelo não pagamento de uma divida de Cr$ 17 mil [15].

Com a chegada de 1993, a Rede OM vende a TV Maringá para o Grupo J. Malucelli [16] e a distribuidora Paris Filmes ameaça acionar a Justiça para que a antena de transmissão da OM, seus telefones e seu tele-cines sejam leiloados, como garantia de pagamento a uma divida. A empresa também estava sendo processada pelo não-pagamento de comissões a Galvão Bueno e de obrigações trabalhistas com jornalistas demitidos [17].

Encerramento[editar | editar código-fonte]

Em abril, a Rede OM decide mudar de nome e de programação para limpar sua imagem. Recém-saído da Manchete, é contratado o apresentador Clodovil e a TV Gazeta que antes apenas locava os horários, vira afiliada [18]. Planeja-se também a produção de novelas num futuro breve [18], além de uma consolidação no terceiro lugar de audiência [19].

Em 23 de maio de 1993, a Rede OM acaba e entra em seu lugar a CNT, inaugurada em uma grande festa realizada no Teatro Ópera de Arame. O programa de estreia da "nova rede" é o Clodovil em Noite de Gala [20].

Slogans[editar | editar código-fonte]

  • 1988: Pura emoção no ar
  • 1991: A TV gostosa de ver
  • 1992: Rede OM Brasil e você: o inicio de uma grande amizade
  • 1993: Rede OM Brasil e você: amigos para sempre

Emissoras[editar | editar código-fonte]

Em sua breve existência, a emissora contou com mais de 30 emissoras afiliadas em 13 estados brasileiros [21]. A maior parte das emissoras migraram para a CNT.

Nome Cidade UF Canal Situação atual Período de afiliação
TV Gazeta São Paulo SP 11 VHF Atual TV Gazeta SP 1992 - 1993
TV Corcovado Rio de Janeiro RJ 09 VHF Atual CNT Rio de Janeiro, emissora da CNT 1992 - 1993
TV Tropical Londrina PR 07 VHF Atual CNT Londrina, emissora da CNT 1982 - 1993
TV Paraná Curitiba PR 06 VHF Atual CNT Curitiba, emissora da CNT 1980 - 1993
TV Cidade Macapá AP 02 VHF Atual STN TV, afiliada da CNT no Canal 46 UHF 1992 - 1993
TV FR Bauru SP 04 VHF Atual TV Record Bauru, emissora própria da Rede Record 1992 - 1993
TV FR Limeira SP 11 VHF Atual TV Família Limeira, emissora própria da Rede Família 1992 - 1993
RCE TV Xanxerê Xanxerê SC 03 VHF Atual RIC TV Xanxerê, afiliada à Rede Record 1991 - 1993
RCE TV Criciúma Criciúma SC 09 VHF Atual RBS TV Criciúma, afiliada à Rede Globo 1991 - 1993
RCE TV Cultura Florianópolis SC 06 VHF Atual Record News Florianópolis, emissora própria da Record News 1991 - 1993
RCE TV Vale do Itajaí Itajaí SC 10 VHF Atual RIC TV Itajaí, afiliada à Rede Record 1991 - 1993
TV Pernambuco Caruaru / Recife PE 09 VHF TV Brasil 1991 - 1993
TV Maringá Maringá PR 06 VHF Band 1988 - 1993
TV Mearim Lago da Pedra MA 05 VHF RedeTV! 1991 - 1993
TV Paraíso Caxias MA 08 VHF Atual TV Mirante Cocais, afiliada à Rede Globo 1992 - 1993
TV Gazeta Cuiabá MT 10 VHF Atual TV Record Cuiabá, afiliada à Rede Record 1993
TV Carimã Cascavel PR 10 VHF Atual RPC TV Cascavel, afiliada à Rede Globo 1992 - 1993
TV Pernambuco Caruaru PE 12 VHF TV Brasil 1992 - 1993
TV Litorânea Vitória ES 13 VHF Rede Mundial 1992 - 1993

Programas[editar | editar código-fonte]

Referências