Tropas Paraquedistas de Portugal

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O Corpo de Tropas Paraquedistas ou simplesmente Tropas Paraquedistas MHTEMHA é a designação genérica das tropas, das Forças Armadas Portuguesas, treinadas e equipadas para a realização de operações militares aerotransportadas, especialmente aquelas em que são realizados saltos de paraquedas. Actualmente, as Tropas Paraquedistas estão integradas no Exército Português e incluem Infantaria paraquedista, precursores aeroterrestres, dobradores de paraquedas e operadores de abastecimento aéreo. Existem também militares paraquedistas especialistas em Cavalaria, Artilharia, Engenharia, Transmissões e serviços

Até 2006, as Tropas Paraquedistas constituíam um corpo militar com uma estrutura integrada e comando unificado, primeiro, dentro da Força Aérea (Comando do Corpo de Tropas Paraquedistas) e, depois, dentro do Exército (Comando de Tropas Aerotransportadas). Essa estrutura e a autonomia administrativa, operacional e de formação que daí advinha, tornava os Paraquedistas quase num ramo independente das Forças Armadas. Desde 2006 deixou de haver uma estrutura e comando unificado das Tropas Paraquedistas, estando, no entanto, todas as unidades paraquedistas dependentes da Brigada de Reacção Rápida.

História[editar | editar código-fonte]

A unidade foi prevista aquando da promulgação da Lei 2005 (artº nº9) de 27 de Maio de 1952, a mesma que criava a Força Aérea Portuguesa como ramo independente das Forças Armadas. Com o artº 20 do Decreto-lei nº 40395 de 1955 (Regulamento para a Organização, Recrutamento e Serviço das Tropas Pára-quedistas) é autorizado, pela primeira vez na história dos uniformes das Forças Armadas Portuguesas, o uso de uma boina como cobertura de cabeça. Às tropas pára-quedistas foi designada a cor verde, o que lhes valeu a alcunha de Boinas Verdes.

Paraquedistas em operação de heliassalto, na Guerra do Ultramar

Pela Portaria Nº 15671, de 26 de Dezembro de 1955, foi criado o Batalhão de Caçadores Pára-quedistas (BCP), por iniciativa do então subsecretário de Estado da Aeronáutica, coronel Kaúlza de Arriaga. Perante a necessidade da Nação dispor deste tipo de tropas, e perante as hesitações do Exército em formá-las, Kaúlza de Arriaga assumiu a sua formação no seio da Força Aérea Portuguesa. Nesse ano são instruídos 192 militares em paraquedismo, na escola de Alcantarilha (Espanha), que se juntam a outros já formados na escola de Pau (França) em anos anteriores. Às novas tropas, pela primeira vez na história militar portuguesa, é concedido o uso de boina - neste caso, boina verde - como cobertura de cabeça; a unidade foi sediada em Tancos e era dependente da recém criada Força Aérea Portuguesa.

Várias unidades se seguiram, bem como nos territórios ultramarinos, como os BCP 21 (Angola) e BCP 31 (Moçambique) e, pouco depois, ministra-se o primeiro Curso de Enfermeiras Pára-quedistas. Em 1966 forma-se o BCP 12 na Guiné Portuguesa, que seria activado a 14 de Outubro desse ano. Estas unidades participaram na Guerra Colonial Portuguesa.

De observar que o paraquedismo militar português tem origens mais remotas. Em 12 de Dezembro de 1819 é realizado o primeiro salto de paraquedas em Portugal, pelo inglês Eugénio Robertson. Em 6 de Outubro de 1922 é realizado o primeiro salto de paraquedas militar em Portugal, pelos oficiais de Engenharia, capitão Mário Costa França e tenente José Machado de Barros, pertencentes à Companhia de Aerosteiros do Exército Português. Em 14 de Outubro de 1930 o primeiro-cabo José Maria da Veiga e Moura, piloto da Aeronáutica Militar, executou o primeiro salto de paraquedas a partir de um avião, em Portugal. Em 1942 são formados, na Austrália, 12 militares paraquedistas portugueses, naturais de Timor, que seriam lançados na retaguarda das forças japonesas que ocupavam aquele território português.

Em 1956, é criado o Batalhão de Caçadores Paraquedistas da Força Aérea, onde é integrado o núcleo inicial de militares paraquedistas. O batalhão é aquartelado em Tancos, que se torna - desde então e até à actualidade - no centro de paraquedismo militar português. Vizinha ao quartel dos paraquedistas, fica a Base Aérea de Tancos onde a Força Aérea cria a unidade de transporte e treino de tropas paraquedistas, equipada com aviões Junkers Ju-52.

Guerra do Ultramar[editar | editar código-fonte]

Progressão de paraquedistas na selva africana, durante a Guerra do Ultramar

Com o início da Guerra do Ultramar, o Batalhão de Caçadores Paraquedistas envia companhias de caçadores paraquedistas, primeiro para Angola e depois para a Guiné Portuguesa e Moçambique. As tropas paraquedistas tornam-se a principal força de intervenção das Forças Armadas Portuguesas, nos primeiros tempos da guerra, juntamente com algumas companhias de caçadores especiais do Exército. Ao mesmo tempo que o Batalhão de Caçadores Paraquedistas sobe de escalão, sendo transformado em regimento, as suas companhias destacadas em África dão origem a batalhões independentes. Em 1961 são criados o Batalhão de Caçadores Pára-quedistas N.º 21, em Luanda (Angola) e o BCP 31, na Beira (Moçambique), em 1966 é criado o BCP 12, em Bissau (Guiné) e, em 1968, é criado o BCP 32 em Nacala (Moçambique).

De destacar que, também em 1961, as mulheres são, pela primeira vez, integradas como militares, nas Forças Armadas Portuguesas, ao serem formadas as Enfermeiras Paraquedistas. Estas enfermeiras vão acompanhar as tropas portuguesas - não só as paraquedistas - em operações de combate, durante toda a Guerra do Ultramar, sujeitando-se aos mesmos perigos dos militares combatentes.

As primeiras enfermeiras paraquedistas

As Tropas Paraquedistas de Portugal vão ser das unidades mais activas em combate nas teatros de operações de Angola, Guiné e Moçambique. A maior parte das suas acções de combate são operações helitransportadas, usando-se os helicópteros Alouette III e Puma da Força Aérea. No entanto, são também realizadas algumas operações em que os militares são lançados de paraquedas, normalmente, a partir de aviões Nord Noratlas.

Paralelamente às Tropas Paraquedistas regulares, a partir de 1970 e no âmbito da política de "africanização" das forças combatentes, o Comando-Chefe das Forças Armadas Portuguesas em Moçambique cria os Grupos Especiais como unidades etnicamente homogéneas de tropas de assalto, constituídas por africanos, enquadrados por graduados portugueses. Pouco depois são criadas unidades deste tipo, mas com capacidade paraquedista, que ficam conhecidas por Grupos Especiais Pára-quedistas (GEP). Os GEP recebem um treino semelhante ao dos caçadores paraquedistas, sendo enquadrados por militares paraquedistas da Força Aérea. Os GEP identificam-se pelo uso de uma boina vermelha, sendo as primeiras tropas portuguesas a usar uma boina desta cor.

Com o fim da Guerra do Ultramar são desactivadas as unidades paraquedistas no Ultramar. Em abril de 1975 ainda é enviado o Destacamento de Caçadores Pára-quedistas N.º 1, para o Timor Português. Alguns meses depois, esses destacamento é responsável pela cobertura da retirada do último governador português, para a ilha de Ataúro, tendo depois realizado incursões para resgatar militares portugueses que se encontravam aprisionados em Timor. Perante a invasão indonésia o destacamento e o governador embarcam em navios da Marinha Portuguesa e retiram do território. Entretanto, em Luanda, a 10 de novembro de 1975 os militares do Batalhão de Caçadores Pára-quedistas N.º 21 são os responsáveis pela prestação de honras ao último arrear da Bandeira de Portugal em Angola, sendo o batalhão desactivado no dia seguinte.

Corpo de Tropas Paraquedistas[editar | editar código-fonte]

Desfile de paraquedistas em Luanda

A 5 de Julho de 1975, as Tropas Paraquedistas de Portugal sofrem uma grande reorganização. É criado o Corpo de Tropas Paraquedistas que reúne todas as unidades paraquedistas da Força Aérea. Por sua vez o CCP incluia um estrutura territorial composta por Comando do Corpo de Tropas Paraquedistas e Base Escola de Tropas Paraquedistas em Tancos, Base Operacional de Tropas Paraquedistas N.º 1 em Lisboa e Base Operacional de Tropas Paraquedistas N.º 2 em São Jacinto. Esta estrutura territorial é responsável pela mobilização, instrução e administração dos militares que vão guarnecer a força operacional do corpo.

Por sua vez, a força operacional do Corpo de Tropas Paraquedistas é a Brigada Ligeira de Paraquedistas (Briparas), constituída por Comando e Estado-Maior, Batalhão de Paraquedistas N.º 11, Batalhão de Paraquedistas N.º 21, Batalhão de Paraquedistas N.º 31, Destacamento Aeroterrestre, Grupo Operacional de Apoio e Serviços, Companhia de Morteiros Pesados, Companhia Anticarro, Companhia de Comunicações, além de outras subunidades que seriam mobilizadas em caso de necessidade.

A existência do CTP com um comando próprio dá-lhe uma grande autonomia no seio da Força Aérea. O CTP é responsável pela instrução e mobilização dos seus militares, pela escolha do seu equipamento e, mesmo, pela sua doutrina. A sua autonomia e o seu progressismo torna-os numa das melhores equipadas unidades das Forças Armadas Portuguesas. Entre outros aspectos, é a primeira unidade militar portuguesa a ser equipada com mísseis anticarro e com veículos de ataque rápido (FAV).

A 15 de Março de 1985 foi feito Membro-Honorário da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito.[1]

Em 1991 e 1992, militares do Corpo de Tropas Paraquedistas asseguram a segurança da evacuação de cidadãos portugueses e de outros países europeus, do Zaire e de Angola, em virtude dos conflitos civis que se fazem sentir nesses dois Países.

A 13 de Dezembro de 1993 foi feito Membro-Honorário da Ordem Militar de Avis.[1]

Comando de Tropas Aerotransportadas[editar | editar código-fonte]

No âmbito da reestruturação das Forças Armadas Portuguesas é decidida a fusão das Tropas Paraquedistas e das tropas de Comandos num único corpo militar que ficaria na dependência do Exército Português. A 1 de Janeiro de 1994, o Corpo de Tropas Paraquedistas é transformado no Comando de Tropas Aerotransportadas do Exército, com uma estrutura territorial semelhante ao anterior. O Regimento de Comandos é extinto, sendo os seus militares habilitados como paraquedistas integrados no CTAT e, os restantes, dispersos por diversas unidades. Uma maior transformação dá-se na força operacional. A antiga Briparas é transformada na nova Brigada Aerotransportada Independente, que, além de três batalhões de Infantaria, passa passa a dispor de subunidades de Artilharia, de Engenharia e de reconhecimento blindado. Em teoria, quase todos os militares da brigada, inclusive os das subunidades de apoio de combate, deviam ser paraquedistas. Na prática só os batalhões de Infantaria atingiram os quase 100% de membros paraquedistas.

O CTAT acabou por ficar com as seguintes unidades territoriais: Comando e Estado-Maior, Companhia de Transmissões e Escola de Tropas Aerotransportadas em Tancos, Área Militar de S. Jacinto em S. Jacinto, Regimento de Infantaria N.º 15 em Tomar e Regimento de Infantaria N.º 3 em Beja. Além disso, ainda forneciam subunidades operacionais à BAI outras unidades territoriais como a Escola Prática de Engenharia, o Regimento de Artilharia N.º 5 e o Regimento de Cavalaria N.º 3.

Na década de 1990 e na década de 2000 o Comando de Tropas Aerotransportadas foi responsável pelo maior número de tropas portuguesas que serviram em missões internacionais. Destacam-se as operações na Bósnia, Kosovo, Timor Lorosae, Macedónia e Afeganistão.

Brigada de Reacção Rápida[editar | editar código-fonte]

Em 2006, no âmbito da reorganização do Exército Português, dá-se a extinção do Comando de Tropas Aerotransportadas. Pela primeira vez, desde 1975, deixa de haver um comando unificado responsável pelas Tropas Pára-quedistas de Portugal. Mantém-se como principais unidades paraquedistas a Escola de Tropas Paraquedistas, o Batalhão de Apoio Aeroterrestre e dois batalhões paraquedistas. Todas estas unidades dependem da Brigada de Reacção Rápida - resultante da transformação da antiga BAI - mas esta passa também a incorporar unidades não-paraquedistas, como as Tropas Comandos e as Tropas de Operações Especiais.

Organização[editar | editar código-fonte]

Dependentes da Brigada de Reacção Rápida existem, actualmente, as seguintes unidades paraquedistas:

  1. Escola de Tropas Paraquedistas, em Tancos;
  2. Batalhão de Apoio Aeroterrestre, aquartelado na ETP em Tancos;
  3. 1º Batalhão de Infantaria Pára-quedista, aquartelado no Regimento de Infantaria N.º 15, em Tomar;
  4. 2º Batalhão de Infantaria Pára-quedista, aquartelado no Regimento de Infantaria N.º 10, em São Jacinto;
  5. Esquadrão de Reconhecimento da BRR ("Dragões Pára-quedistas"), aquartelado no Regimento de Cavalaria N.º 3, em Estremoz;
  6. Pelotão de Polícia do Exército da BRR, aquartelado no Comando da BRR em Tancos;

Uniforme[editar | editar código-fonte]

Em 1955 os paraquedistas foram pioneiros, no âmbito das Forças Armadas Portuguesas, no uso de dois itens especiais de fardamento: o Uniforme Camuflado e a Boina. Ao contrário das sugestões iniciais de adopção de uma boina de cor vermelha ou marron, seguindo o exemplo das tropas paraquedistas até aí existentes em outros países, o ministro da defesa de então, Santos Costa decidiu adoptar a cor verde. Segundo consta a cor verde era a da tinta da caneta que o mesmo usava para assinar os seus decretos. Desde essa altura até à actualidade, o principal símbolo dos paraquedistas portugueses é a Boina de cor Verde Claro (chamada Verde Caçador Paraquedista). Por essa razão, os paraquedistas portugueses têm a alcunha de "Boinas Verdes".

Referências

  1. a b «Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "Tropas Para-Quedistas de Portugal". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 27 de novembro de 2014 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]