Otelo Saraiva de Carvalho

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Otelo Saraiva de Carvalho
Nome nativo Otelo Saraiva de Carvalho
Nascimento 31 de agosto de 1936 (82 anos)
Maputo
Cidadania Portugal
Ocupação político, militar
Prêmios Ordem da Liberdade, Medalha de Mérito Militar, Medalha de Comportamento Exemplar

Otelo Nuno Romão Saraiva de Carvalho MSMMGCLMPCE (Lourenço Marques, Conceição, 31 de Agosto de 1936) é um ex-militar português que foi o principal estratega do 25 de Abril de 1974.

Responsável pelo setor operacional da Comissão Coordenadora e Executiva do Movimento dos Capitães, elaborou o plano de operações militares do 25 de Abril de 1974 e organizou-o na prática. Dirigiu, além disso, as operações com outros militares, a partir do posto da Pontinha, no Regimento de Engenharia n. 1, onde esteve em permanência desde o fim da tarde de 24 de abril até ao dia 26 de abril de 1974.

Depois da revolução, foi nomeado comandante da Região Militar de Lisboa, e Comandante Adjunto do Copcon.

Pertenceu ao Conselho dos 20 e ao Conselho da Revolução, e é considerado um dos elementos mais carismáticos do MFA.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Pintura mural.

Otelo Nuno nasceu a 31 de agosto de 1936 em Lourenço Marques (agora Maputo). Os seus pais foram Eduardo Saraiva de Carvalho (Lisboa, Santos-o-Velho, 9 de Agosto de 1912[1] - 29 de Setembro de 1969), funcionário dos CTT em Lourenço Marques, e sua mulher Fernanda Áurea Pegado Romão (Goa, Goa Sul, Salcete, Margão, 30 de Novembro de 1917 - Lisboa, 1981), ainda com alguma ascendência goesa católica,[2] casados em Lourenço Marques, Conceição, a 7 de Julho de 1934. Tinha uma irmã um ano mais velha, Manuela, e uma quatro anos mais nova, Gabriela.[3]

Escolha da carreira militar e consciencialização progressiva[editar | editar código-fonte]

Embora pretendesse abraçar a carreira de teatro, seguindo o exemplo do seu avô paterno,[4] falecido antes de ele nascer, foi seduzido por uma concepção de honra e lisura militar, sem "cunhas" e baseada na coragem e no mérito, por influência do seu avô materno, a ingressar no exército.[5][3]

Iniciou a sua formação como cadete-aluno em 1955, na então Escola do Exército (mais tarde Academia Militar), embora aos dezoito anos tivesse sido reprovado por "não ter qualquer vocação militar" quando integrou as milícias da Mocidade Portuguesa no liceu de Lourenço Marques (o que era obrigatório à época).[5]

Em 1959 termina o curso e é promovido a aspirante oficial, fazendo o tirocínio na EPA de Vendas Novas, até Agosto de 1960.[5]

Embora não muito politizado, entusiasma-se com António Sérgio como figura da oposição, e sobretudo com Humberto Delgado, o general sem medo, e toma contacto, devido a uma viagem a Paris, com as ideias de libertação dos países africanos francófonos.[5] [3]

É promovido a alferes do Quadro Permanente do Exército (QPE) em novembro de 1960. Em 1961, estala a Guerra Colonial, e embarca para Luanda na sua primeira comissão em África a 3 de junho de 1961, como alferes de Artilharia em Angola, de 1961 a 1963. Cedo compreende a face negra do colonialismo português, muito diferente da propaganda na Metrópole, e conhece de longe o (na altura) tenente-coronel de Cavalaria António de Spínola, segundo Otelo homem de grande crueldade, com quem se cruzará várias vezes ao longo da História.[5]

Em 1963 foi nomeado a contragosto instrutor da Legião Portuguesa,[6] milícia marcadamente fascista e conhecida pelo apoio que prestava à PIDE. Esteve nessa posição durante dois meses, algo que considerou que lhe permitiu "contactar com a realidade do corporativismo fascista e a sua sustentação junto dos pequenos funcionários".[5]

Em agosto de 1965, já Capitão de Artilharia, parte para a sua segunda comissão em Angola, onde é colocado em Mucaba, apenas voltando a Lisboa em setembro de 1967.

Entre 1967 até cerca de 1968 foi professor na Escola Central de Sargentos em Águeda.

A 16 de setembro de 1970 é colocado na Guiné, na sua terceira e última comissão, no Quartel-General do Comando Chefe, para substituir um capitão morto no desastre de helicóptero que também vitimara três deputados da ala liberal em visita à Guiné. O seu posto é de chefe da Secção de Radiodifusão e Imprensa da Repartição de Assuntos Civis e Ação Psicológica, repartição liderada por Lemos Pires, e nessa capacidade pôde ver a guerra do lado de um Quartel General, depois de duas comissões "no mato". Nesse período Spínola, agora general, é Comandante-Chefe da Forças da Guiné, inspirando o terror aos militares que lá estão sob a sua supervisão. Otelo muda em breve para a Secção de Ação Psicológica, Subsecção de Operações Psicológicas, em Forte de Amura.

Em junho de 1971 é nomeado para a direção do Centro de Informação e Turismo da Guiné, cargo de que é demitido pouco tempo depois por Spínola. No mesmo ano de 1971 organiza o Congresso do Povo da Guiné, ao mesmo tempo que se emociona com a leitura do programa do PAIGC, e conhece Rafael Barbosa, um dos fundadores do mesmo, de quem fica com excelente impressão. Ao longo desta comissão, a sua consciência política e o seu desgosto pela guerra colonial aumentam enormemente.[5]

Participação no Movimento dos Capitães[editar | editar código-fonte]

As suas primeiras atividades de contestação ao regime deram-se por ocasião da preparação do Congresso dos Combatentes do Ultramar (que teve lugar de 1 a 3 de junho de 1973, no Porto). Exigiu, junto com os outros oficiais em Bissau, a participação de oficiais do Quadro Permanente, e recolhendo 400 assinaturas, em que declaravam, basicamente, que o congresso não os representava. Em paralelo, houve várias ações em Lisboa encabeçadas por Ramalho Eanes, Hugo dos Santos e Vasco Lourenço.[5]

Foi depois um dos principais dinamizadores do movimento de contestação ao Decreto Lei nº 353/73, que deu origem ao Movimento dos Capitães e depois ao MFA. Esse decreto faria entrar para o quadro permanente das Forças Armadas, como capitães ou majores, muitas pessoas com uma qualificação e tempo de aprendizagem muitíssimo inferiores às do quadro na altura, o que levou a um grande descontentamento da esmagadora maioria dos elementos do quadro. Em Bissau foi portanto criada a Comissão do Movimento dos Capitães, em que Otelo teve um papel de relevo, tendo angariado 51 assinaturas e as enviado para a Metrópole, e fazendo uma exposição ao Ministro do Exército, no dia 7 de setembro de 1973. Reunidos em Évora, 136 capitães assinam um documento semelhante, seguindo o exemplo da Guiné, seguidos de 94 em Angola e 106 em Moçambique. Em resumo, a contestação foi tal que esse decreto foi revogado (e um seguinte, que "resolvia" o problema dos majores), mas, como diz Otelo no seu livro Alvorada em Abril, o movimento já estava lançado.[5]

Acabada a comissão na Guiné, em Setembro de 1973, e promovido a major, Otelo passa a ter uma grande ligação com os outros membros do Movimento dos Capitães em Lisboa, enquanto ingressa na Academia Militar como professor adjunto de Tática de Artilharia, a 15 de novembro de 1973. Participa num sem-número de reuniões, que acontecem em sua casa, ou nas casas de Vasco Lourenço, Diniz de Almeida, Hugo dos Santos, Mariz Fernandes, Vítor Alves, Luís Macedo e Pinto Soares. A 1 de dezembro de 1973, há um plenário mascarado de confraternização em Óbidos, e é criado o MOFA (Movimento de Oficiais das Forças Armadas, cujo nome mudaria para MFA alguns dias antes do 25 de Abril por sugestão de Spínola). Otelo é um dos pertencentes à Comissão Coordenadora e Executiva (CCE).

Mesmo assim, nessa altura o Movimento ainda tinha como principal objetivo garantir o prestígio das Forças Armadas. Foi devido aos incidentes em Vila Pery em Moçambique a 14 de janeiro de 1974, em que o exército foi insultado pela população, o que levou a muita comoção tanto no exército como nos meios de comunicação estrangeiros, que as coisas se precipitaram e se começaram a escrever programas do movimento. O primeiro foi da autoria de José Maria Azevedo, mas no dia 6 de fevereiro de 1974 foi considerado insuficiente e uma comissão de redação foi nomeada, com os nomes de Costa Brás, Melo Antunes, José Maria Azevedo e Sousa e Castro. No dia 5 de março, num mini-plenário, esse primeiro documento político do MOFA recolheu 111 assinaturas. (O documento político final foi escrito por Melo Antunes e apresentado a Otelo e aos outros no dia 20 de abril de 1974.)

Após o fracasso da intentona das Caldas de 16 de março de 1974, em que vários militares seus companheiros foram presos, e Otelo não o foi por um triz, tomou a seu cargo desenhar o plano militar de operações que deu origem ao golpe militar de 25 de Abril, sendo portanto o estratega indiscutível da Revolução de 25 de Abril de 1974.[7][8] De facto, tanto Vítor Alves como Hugo dos Santos discordavam do plano, mas anuíram. Otelo Saraiva de Carvalho acreditava no sucesso em 12 horas com uma probabilidade de 80%. Além de ter feito inúmeros contactos com antigos colegas e conhecidos, também distribuiu, na tarde do dia 23, os aparelhos de rádio necessários para assegurar as transmissões dos revoltosos.[5]

Comando das operações do 25 de Abril de 1974[editar | editar código-fonte]

Responsável pelo sector operacional da Comissão Coordenadora do MFA, foi ele quem dirigiu as operações do 25 de Abril, a partir do posto de comando clandestino instalado no Quartel da Pontinha, de 24 a 26 de abril de 1974.[9] Foi, portanto, além do estratega, um dos Comandantes Militares do 25 de Abril.

Entre as várias decisões que teve de tomar, junto com os outros militares ali presentes (Sanches Osório, Lopes Pires, Vítor Crespo, Garcia dos Santos, Luís Macedo e outros que foram chegando),[10] foi a aceitação de que fosse Spínola a receber o poder das mãos de Marcelo Caetano, em vez de alguém do MFA. Spínola telefona diretamente a Otelo, que põe a questão aos outros que lá estavam, incluindo Vítor Alves e Franco Charais. Otelo autoriza Spínola a representar o MFA, algo pelo qual vem a ser criticado mais tarde por outros elementos do MFA, como por exemplo Vasco Lourenço.[11]

Otelo também seguiu de perto os acontecimentos do Largo do Carmo, tendo sido ele que escreveu a ordem manuscrita para que Salgueiro Maia iniciasse o fogo contra o Quartel do Carmo.[12]

Os acontecimentos, hora por hora, do dia 25 de abril de 1974 foram contados por Otelo Saraiva de Carvalho no seu livro intitulado O dia inicial: 25 de Abril hora a hora.[13]

Papel nos acontecimentos pós-25 de Abril[editar | editar código-fonte]

Após esse feito, pretende voltar à sua vida normal de professor, mas os acontecimentos do país precipitam-se, e é chamado pelos outros elementos do MFA a tomar parte nas decisões e no futuro do país.[14] Em junho de 1974, por iniciativa de Spínola (presidente da República), foi graduado em Brigadeiro, e nomeado Comandante-Adjunto do COPCON (Comando Operacional do Continente),[15] sob a dependência directa do General Francisco da Costa Gomes, então Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas. Além disso, foi nomeado também Comandante da Região Militar de Lisboa, tomando posse a 13 de julho de 1974.

Passou a exercer na prática o comando efectivo do COPCON desde Setembro de 1974.

28 de Setembro de 1975[editar | editar código-fonte]

Otelo foi convocado por Spínola ao palácio de Belém na véspera, tendo lá ficado "preso" até que pôde ir para o COPCON às 3 da manhã. De acordo com Vasco Lourenço,[11] foi este que tratou da resistência ao golpe, e que conseguiu forçar a volta física do Otelo ao COPCON, com um ultimato de que senão o MFA atacaria Belém.

11 de Março de 1975[editar | editar código-fonte]

A 11 de março de 1975, houve um golpe spinolista para tomar conta do poder, marcado por grande desorganização nas forças armadas, que resultou no assalto ao RALIS pelos páraquedistas, neutralizado pelo COPCON.[11]

Em março de 1975, Otelo foi graduado em General de Divisão e passou a ser comandante do COPCON a 23 de junho de 1975.[2]

Fez parte do Conselho da Revolução desde que este foi criado, a 14 de março de 1975, até dezembro de 1975. A partir de 30 de julho do mesmo ano integra, com Costa Gomes e Vasco Gonçalves, o Directório, estrutura política de cúpula durante o V Governo Provisório na qual os restantes membros do Conselho da Revolução delegaram temporariamente os seus poderes (mas sem abandonarem o exercício das suas funções).

Segundo o seu biógrafo Paulo Moura[3]

Em julho de 1975, é convidado a visitar Cuba e discursa, antes de Fidel Castro, na cerimónia comemorativa do aniversário ao ataque ao quartel de Moncada, em Santa Clara. Conhece os recém-lançados Grupos Dinamizadores de Ação Popular, que o inspiram fortemente (mais tarde lançará os GDUP), ao contrário da relação com o Partido Comunista, que os dirigentes cubanos sugerem a Otelo para Portugal. Além disso, pedem a Otelo que transmita a Costa Gomes a pergunta sobre intervenção cubana em Angola e apoio ao MPLA, ou se deverá ser Portugal a fazê-lo.[3]

Por ocasião dos acontecimentos do Verão Quente, também ficou célebre a carta escrita por Otelo a Vasco Gonçalves: «Agora, companheiro, separamo-nos (...) Peço-lhe que descanse, repouse, serene, medite e leia» [16]

Segundo Otelo, foi este que sugeriu Pinheiro de Azevedo como primeiro-ministro para o VI Governo Provisório, após ter recusado a sugestão de Vasco Gonçalves de ser ele próprio.[3] Mas foi Pinheiro de Azevedo, junto com o grupo dos Nove, que foi tirando progressivamente o poder das mãos de Otelo, por exemplo ao criar o Agrupamento Militar de Intervenção (AMI) para diminuir o poder do COPCON.

25 de novembro de 1975[editar | editar código-fonte]

Depois do ultimato feito a Costa Gomes pelo VI Governo Provisório, em novembro de 1975, Costa Gomes substitui Otelo por Vasco Lourenço na chefia da Região Militar de Lisboa. Otelo é naturalmente contra, mas aceita a despromoção. Mas os pára-quedistas ocupam umas bases aéreas e acontece o Golpe de 25 de Novembro de 1975, liderado militarmente por Ramalho Eanes.

Segundo alguns intervenientes, foi Otelo que deu a ordem para os páraquedistas ocuparem as bases da Força Aérea. Diniz de Almeida mais tarde diz que quem deu a ordem foi Arlindo Dias Ferreira, mas que Otelo anuiu.[17]

Atividade após o 25 de Novembro[editar | editar código-fonte]

Após o 25 de Novembro, o COPCON é extinto.

MES Otelo - Libertação!, pintura mural de 1975[18]

Otelo, que representava a ala mais radical do MFA, como aliás se pode ver na sua entrevista à RTP de 10 de novembro de 1975,[19] viria a ser preso, mas é solto três meses mais tarde.[3]

Participa na criação dos GDUP, Grupos Dinamizadores de Unidade Popular, à imagem do que Otelo vira em Cuba. Formaram-se GDUPpor todo o país, e foram apoiantes da candidatura de Otelo à Presidência.

Nas primeiras eleições presidenciais livres após a ditadura do Estado Novo, em 1976, Otelo candidatou-se com um programa de democracia popular e direta, e obteve 16,5% dos votos, obtendo a maior votação no Distrito de Setúbal, com 41,8%.[2] Embora vencido por Ramalho Eanes, Otelo manteve-se sempre amigo deste.[20]

Depois das presidenciais, voltou a ser militar no ativo, e, por ter participado como observador numa sessão preparatória da criação do MUP -- Movimento de Unidade Popular (que nunca chegou a ser criado), e ter proferido declarações aos jornalistas à saída, foi castigado exemplarmente com 20 dias de prisão disciplinar agravada por Rocha Vieira, o chefe do Estado Maior General das Forças Armadas da altura.

Alvorada em Abril[editar | editar código-fonte]

É convidado pela editora francesa Éditions du Seuil a escrever a história do 25 de Abril, mas a editora dá-lhe três meses, e Otelo declara que precisa de nove, virando-se pois para uma editora portuguesa.

Em 1977, publica o livro Alvorada em Abril, em edição da Livraria Bertrand, com prefácio "Um Homem do (nosso) Destino" de Eduardo Lourenço, em que entre outras coisas se pode ler que

Num novo prefácio a um livro de Otelo, O dia inicial, publicado em 2011,[13] Eduardo Lourenço virá a proclamar este livro "incontornável mas, como acontece quase sempre entre nós, distraidamente lido".

Uma reedição do mesmo livro, em edição limitada a 1974 exemplares numerados e assinados, vem a lume em 2014 pela editora Divina Comédia.

O caso FP-25[editar | editar código-fonte]

Em 1980 cria o partido Força de Unidade Popular (FUP) e volta a concorrer às eleições presidenciais de 1980.

Na década de 1980 foi acusado (segundo ele, injustamente) de liderar a organização terrorista FP-25,[21] responsável pelo assassinato de 17 pessoas nos anos 80, incluindo o Director-Geral dos Serviços Prisionais Gaspar Castelo Branco, assassinado a tiro a 15 de Fevereiro de 1986, o mais alto dignitário português a morrer no exercício das funções no pós 25 de Abril. Detido em 1984, em 1985 foi julgado e condenado em tribunal pelo seu papel na liderança das FP-25 de Abril. Após ter apresentado recurso da sentença condenatória, ficou em prisão preventiva cinco anos, passando a aguardar julgamento em liberdade provisória.[22] Foi despromovido a Tenente-Coronel.[2] Mais tarde acusou o PCP de ter estado por trás da sua detenção e de ter feito com que ficasse em prisão preventiva tanto tempo. Acusou ainda alguns nomes então na Polícia Judiciária, como a Directora do Departamento Central de Investigação e Acção Penal, Cândida Almeida, então na PJ, de, devido à militância no PCP, ter estado por trás da sua detenção.[23]

Nunca tendo sido provada a sua ligação com essa organização terrorista, em 1996 a Assembleia da República aprovou o indulto, seguido de uma amnistia para os presos do Caso FP-25.

Outras intervenções públicas[editar | editar código-fonte]

Foi Medalha de 2.ª Classe de Mérito Militar e Medalha de Prata de Comportamento Exemplar.

A 25 de Novembro de 1983 recebeu a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade.[24][2]

Com Julie Sergeant protagoniza um clip erótico no programa "Sex Appeal" da SIC.

Otelo Saraiva de Carvalho (2014)

Em 2011, disse que, se soubesse como o país ia ficar, não teria realizado o 25 de Abril.[25] Otelo lamentava as “enormes diferenças de carácter salarial” que existem na sociedade portuguesa:

Para este Capitão de Abril, o que mais o desiludia era que

Uma delas, que considera "crucial", é

Esses milhões, sublinhou, significa que "não foram alcançados os objectivos" do 25 de Abril de 1974.

Numa entrevista subsequente, Otelo diz que esta frase dele foi mal compreendida, e que obviamente valeu a pena fazer o 25 de abril.[26]

Vida pessoal[editar | editar código-fonte]

Casou em Lisboa, São João de Brito, na Igreja de São João de Brito,a 5 de Novembro de 1960 com Maria Dina Afonso Alambre (Lourenço Marques, 6 de Junho de 1936), filha de Bernardino Mateus Alambre e de sua mulher Aida de Jesus Afonso, e da qual teve duas filhas e um filho, duas netas e um neto.[27][2]

Quando esteve preso na cadeia de Caxias, no início dos anos 80, iniciou um relacionamento com Maria Filomena Morais, uma funcionária prisional divorciada.[27]

Resultados eleitorais[editar | editar código-fonte]

Otelo à Presidência, GDUP, pintura mural de 1976[18]
FUP Otelo - Unidade popular, pintura mural de 1980[18]

Eleições presidenciais de 27 de Junho de 1976[editar | editar código-fonte]

Candidato votos %
Ramalho Eanes 2.967.137

61,59 %

Otelo Saraiva de Carvalho 792.760

16,46 %

Pinheiro de Azevedo 692.147

14,37 %

Octávio Pato 365.586

7,59 %

Eleições presidenciais de 7 de Dezembro de 1980[editar | editar código-fonte]

Candidato votos %
Ramalho Eanes 3.262.520

56,44 %

Soares Carneiro 2.325.481

40,23 %

Otelo Saraiva de Carvalho 85 896

1,49 %

Galvão de Melo 48.468

0,84 %

Pires Veloso 45.132

0,78 %

Aires Rodrigues 12.745

0,22 %

Carlos Brito desistiu --

Referências

  1. Baptizado na Catedral de Lourenço Marques a 12 de Maio de 1934.
  2. a b c d e f Forjaz, Jorge Eduardo de Abreu Pamplona; Noronha, José Francisco Leite de (2003). Os Luso-Descendentes da Índia Portuguesa. III N - Z 1ª ed. Lisboa: Fundação Oriente. p. 147-148 
  3. a b c d e f g Moura, Paulo (2012). Otelo - O revolucionário. Alfragide: D.Quixote 
  4. «Entrevista a Galiza Ano Cero». 23 de abril de 2014 
  5. a b c d e f g h i j Saraiva de Carvalho, Otelo (1977). Alvorada em Abril. Lisboa: Livraria Bertrand 
  6. «Centro de Documentação 25 de Abril | Universidade de Coimbra». www1.ci.uc.pt. Consultado em 25 de abril de 2016 
  7. "Duas faces: Otelo Saraiva de Carvalho. [S.l.]: QuidNovi. 2009 
  8. «Plano Geral de Operações de Otelo» 
  9. Pontes, Joana; Sousa e Castro, Rodrigo de; Afonso, Aniceto (2012). A hora da liberdade. Lisboa: Editorial Bizâncio 
  10. Nuno Fisher Lopes Pires (4 de maio de 1974). «Agora seja o que Deus quiser» 
  11. a b c Lourenço, Vasco (Abril de 2009). do Interior da Revolução: entrevista de Maria Manuela Cruzeiro. [S.l.]: Âncora editora 
  12. Lauret, Pedro (coordenador) (2015). O dia da liberdade: 25 de Abril de 1974. [S.l.]: Verso da história 
  13. a b Saraiva de Carvalho, Otelo (2011). O dia inicial: 25 de Abril hora a hora. [S.l.]: Objectiva 
  14. Almada Contreiras, Carlos de (abril de 2017). Operação viragem histórica. [S.l.]: Edições Colibri 
  15. Saraiva de Carvalho, Otelo (1975). Cinco meses mudaram Portugal. [S.l.]: Portugália Editora 
  16. Cruzeiro, Maria Manuela (20 de junho de 2016). «Vasco e Otelo – A atracção dos opostos» 
  17. «Diniz de Almeida: o último fôlego do Ralis no 25 de Novembro». 24 de Novembro de 2015. Consultado em 20 de setembro de 2018 
  18. a b c Pinturas murais no 25 de Abril na cidade do Porto
  19. «Entrevista a Otelo Saraiva de Carvalho». 10 de novembro de 1975 
  20. «Otelo: "Gostava de ir dar um abraço ao Eanes"». 27 de junho de 2016 
  21. Boaventura Sousa Santos; et al. (Março de 1998). «Porquê tão lentos?Três casos especiais de morosidade na administração da justiça» 
  22. http://www.correiomanha.pt/noticia.asp?id=120537&idCanal=9
  23. «Otelo: "Precisávamos de um homem com a inteligência do Salazar"» 
  24. «Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "Otelo Nuno Romão Saraiva de Carvalho". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 5 de abril de 2015 
  25. «Otelo: Se soubesse como o país ia ficar, não fazia a Revolução» 
  26. «Otelo: "O regime está a criar condições para ser abatido"». 25 de abril de 2011. Consultado em 20 de setembro de 2018 
  27. a b «Otelo e as suas duas mulheres» 

Ver também[editar | editar código-fonte]