Otelo Saraiva de Carvalho

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Otelo Saraiva de Carvalho
Nascimento 31 de agosto de 1936
Maputo (África Oriental Portuguesa)
Morte 25 de julho de 2021
Lisboa
Cidadania Portugal
Ocupação político, militar, terrorista
Prêmios

Otelo Nuno Romão Saraiva de Carvalho MSMMGCLMPCE (Lourenço Marques, Conceição, 31 de agosto de 1936Lisboa, Lumiar, 25 de julho de 2021) foi um coronel de artilharia português, tendo sido um dos principais estrategas do 25 de Abril de 1974.

Responsável pelo setor operacional da Comissão Coordenadora e Executiva do Movimento dos Capitães, ajudou a elaborar o plano de operações militares do 25 de Abril de 1974. Dirigiu, além disso, as operações com outros militares, a partir do posto da Pontinha, no Regimento de Engenharia n.º 1, onde esteve em permanência desde o fim da tarde de 24 de abril até ao dia 26 de abril de 1974.

Depois desse golpe de Estado, foi nomeado comandante da Região Militar de Lisboa, e Comandante do COPCON, com polémica atuação durante o Processo Revolucionário em Curso.

Pertenceu ao Conselho dos 20 e ao Conselho da Revolução, e é considerado um dos elementos mais carismáticos do Movimento das Forças Armadas.

Nos anos 1980, foi acusado e condenado por ter participado da luta armada em prol da revolução proletária como membro da organização terrorista Forças Populares 25 de Abril, tendo sido condenado a 15 anos de prisão por associação terrorista em 1986.[1] Esta condenação foi mais tarde agravada pelo Tribunal da Relação de Lisboa para 18 anos e reduzida para 17 anos pelo Supremo Tribunal de Justiça.[2] Otelo sempre negou essa participação.[3] Após cumprir 5 anos na prisão, recebeu em 1991 um indulto presidencial de Mário Soares por alguns destes crimes, que foram mais tarde amnistiados por lei aprovada na Assembleia da República em 1 de Março de 1996, com os votos de PS, PCP e PEV, a pedido de Mário Soares e por este promulgada três dias antes de cessar funções como Presidente da República.[4][5][6] De fora, ficaram os chamados “crimes de sangue“.[5][6].

Biografia[editar | editar código-fonte]

Pintura mural

Otelo Nuno nasceu a 31 de agosto de 1936 em Lourenço Marques, Moçambique (hoje Maputo). Os seus pais foram Eduardo Saraiva de Carvalho (Lisboa, Santos-o-Velho, 9 de agosto de 1912[7] - 29 de setembro de 1969), funcionário dos CTT em Lourenço Marques, e sua mulher Fernanda Áurea Pegado Romão (Goa, Goa Sul, Salcete, Margão, 30 de novembro de 1917 - Lisboa, 1981), ainda com alguma ascendência goesa católica,[8] casados em Lourenço Marques, Conceição, a 7 de Julho de 1934. A mãe adorava teatro, tendo escolhido o nome do filho da peça Otelo, o Mouro de Veneza de Shakespeare. Tinha uma irmã um ano mais velha, Manuela, e uma irmã quatro anos mais nova, Gabriela.[9]

Escolha da carreira militar e consciencialização progressiva[editar | editar código-fonte]

Embora pretendesse abraçar a carreira de teatro, seguindo o exemplo do seu avô paterno,[10] falecido antes de ele nascer, razão pela qual recebera o nome de Otelo, foi seduzido por uma conceção de honra e lisura militar, sem "cunhas" e baseada na coragem e no mérito, por influência do seu avô materno, a ingressar no exército.[11][9]

Iniciou a sua formação como cadete-aluno em 1955, na então Escola do Exército (mais tarde Academia Militar), embora anteriormente, aos dezoito anos, tivesse sido reprovado por "não ter qualquer vocação militar" quando integrou as milícias da Mocidade Portuguesa no Liceu de Lourenço Marques (o que era obrigatório à época).[11]

Em 1959 termina o curso e é promovido a aspirante a oficial, fazendo o tirocínio na Escola Prática de Artilharia de Vendas Novas, até Agosto de 1960.[11]

Embora não muito politizado, entusiasma-se com António Sérgio como figura da oposição, e sobretudo com Humberto Delgado, o "General sem Medo", e toma contacto, devido a uma viagem a Paris, França, com as ideias de libertação dos países africanos francófonos.[11][9]

É promovido a alferes do Quadro Permanente do Exército (QPE) em novembro de 1960. Em 1961, estala a Guerra Colonial, e embarca para Luanda na sua primeira comissão em África a 3 de junho de 1961, como alferes de Artilharia em Angola, de 1961 a 1963. Cedo compreende a face negra do colonialismo português, muito diferente da propaganda na Metrópole, e conhece de longe o (na altura) tenente-coronel de Cavalaria António de Spínola, segundo Otelo homem de grande crueldade, com quem se cruzará várias vezes ao longo da História.[11]

Em 1963 foi nomeado a contragosto instrutor da Legião Portuguesa,[12] milícia marcadamente fascista e conhecida pelo apoio que prestava à PIDE. Esteve nessa posição durante dois meses, algo que considerou mais tarde que lhe permitiu "contactar com a realidade do corporativismo fascista e a sua sustentação junto dos pequenos funcionários".[11]

Em agosto de 1965, já Capitão de Artilharia, parte para a sua segunda comissão em Angola, onde é colocado em Mucaba, apenas voltando a Lisboa em setembro de 1967.

Entre 1967 até cerca de 1968 foi professor na Escola Central de Sargentos em Águeda.

A 16 de setembro de 1970 é colocado na Guiné, na sua terceira e última comissão, no Quartel-General do Comando Chefe, para substituir um capitão morto no desastre de helicóptero que também vitimara três deputados da Ala Liberal em visita à Guiné. O seu posto é de chefe da Secção de Radiodifusão e Imprensa da Repartição de Assuntos Civis e Ação Psicológica, repartição liderada por Lemos Pires, e, nessa capacidade, pôde ver a guerra do lado dum Quartel General, depois de duas comissões "no mato". Nesse período Spínola, agora general, é Comandante-Chefe da Forças da Guiné. Otelo muda em breve para a Secção de Ação Psicológica, Subsecção de Operações Psicológicas, em Forte de Amura.

Em junho de 1971 é nomeado para a direção do Centro de Informação e Turismo da Guiné, cargo de que é demitido pouco tempo depois por Spínola.[11] No mesmo ano de 1971 organiza o Congresso do Povo da Guiné, ao mesmo tempo que se emociona com a leitura do programa do PAIGC, e conhece Rafael Barbosa, um dos fundadores do mesmo, de quem fica com excelente impressão. Ao longo desta comissão, a sua consciência política e o seu desgosto pela guerra colonial aumentam enormemente.[11]

Participação no Movimento dos Capitães[editar | editar código-fonte]

As suas primeiras atividades de contestação ao regime deram-se por ocasião da preparação do Congresso dos Combatentes do Ultramar (que teve lugar de 1 a 3 de junho de 1973, no Porto). Exigiu, junto com os outros oficiais em Bissau, a participação de oficiais do Quadro Permanente, participando na recolha de cerca de 400 assinaturas de um documento em que declaravam, basicamente, que o congresso não os representava. Em paralelo, houve várias ações em Lisboa encabeçadas por Ramalho Eanes, Hugo dos Santos e Vasco Lourenço.[11]

Foi depois um dos principais dinamizadores do movimento de contestação ao Decreto Lei nº 353/73, que deu origem ao Movimento dos Capitães que depois se transformou em MFA. Esse decreto faria entrar para o quadro permanente das Forças Armadas, como capitães ou majores, muitas pessoas com uma qualificação e tempo de aprendizagem muito inferiores às dos oficiais do quadro na altura, o que levou a um grande descontentamento da maioria dos elementos do quadro. Em Bissau foi, portanto, criada a Comissão do Movimento dos Capitães (CMC), em que Otelo teve um papel de relevo, tendo angariado 51 assinaturas e as enviado para a Metrópole, e fazendo uma exposição ao Ministro do Exército, no dia 7 de setembro de 1973. Reunidos em Évora, 136 capitães assinam um documento semelhante, seguindo o exemplo da Guiné, seguidos por 94 em Angola e 106 em Moçambique. Em resumo, a contestação foi tal que esse decreto foi revogado (e um seguinte, que "resolvia" o problema dos majores), mas, como diz Otelo no seu livro Alvorada em Abril, o movimento já estava lançado.[11]

Acabada a comissão na Guiné, em 1 de Setembro de 1973 Otelo é promovido a major, passando a ter uma grande ligação com os outros membros do Movimento dos Capitães em Lisboa, enquanto ingressa na Academia Militar como professor adjunto de Tática de Artilharia, a 15 de novembro de 1973. Participa num sem-número de reuniões, que acontecem em sua casa, ou nas casas de Vasco Lourenço, Diniz de Almeida, Hugo dos Santos, Mariz Fernandes, Vítor Alves, Luís Macedo e Pinto Soares. A 1 de dezembro de 1973, há um plenário mascarado de confraternização em Óbidos, e é criado o MOFA (Movimento de Oficiais das Forças Armadas, cujo nome, por razões óbvias de sigla, mudaria para MFA alguns dias antes do 25 de Abril por sugestão de Spínola). Otelo é um dos militares pertencentes à direção.[11]

Mesmo assim, nessa altura, o Movimento ainda tinha como principal objetivo garantir o prestígio das Forças Armadas. A situação agudizou-se com os incidentes em Vila Pery, em Moçambique, a 14 de janeiro de 1974, em que o exército foi insultado pela população, o que levou a muita comoção tanto no exército como nos meios de comunicação estrangeiros. Nessa altura, estava a preparar-se um programa do movimento. Um primeiro esboço foi da autoria de José Maria Azevedo, mas, no dia 6 de fevereiro de 1974 foi considerado insuficiente, e uma comissão de redação foi nomeada, com os nomes de Costa Brás, Melo Antunes, José Maria Azevedo e Sousa e Castro. No dia 5 de março, surge novo documento político do ainda MOFA, que foi continuando a ser trabalhado principalmente por Melo Antunes, coadjuvado, entre outros, por Martins Guerreiro, Almada Contreiras, e Vítor Alves,[13] que o entregava a Otelo para o mostrar a Spínola e receber retorno deste.[14] O documento político final foi apresentado a Otelo e aos outros no dia 20 de abril de 1974.[11]

Após o fracasso da intentona das Caldas de 16 de março de 1974, em que vários militares seus companheiros foram presos, e Otelo não o foi por um triz, tomou a seu cargo desenhar o plano militar de operações que deu origem ao golpe militar de 25 de Abril, sendo, portanto, um dos principais estrategas indiscutíveis da Revolução de 25 de Abril de 1974.[15][16] De facto, tanto Vítor Alves como Hugo dos Santos discordavam do plano, mas anuíram. Otelo Saraiva de Carvalho acreditava no sucesso em 12 horas com uma probabilidade de 80%. Além de ter feito inúmeros contactos com antigos colegas e conhecidos, também distribuiu, na tarde do dia 23, os aparelhos de rádio necessários para assegurar as transmissões dos revoltosos.[11]

Otelo teve uma grande atividade de contactos e troca de informações com muitos elementos das Forças Armadas. No que se refere à Marinha, Almada Contreiras menciona passeios de trabalho ao longo do passeio de Santa Apolónia durante vários meses antes do 25 de Abril.[17]

Comando das operações do 25 de Abril de 1974[editar | editar código-fonte]

Responsável pelo setor operacional da Comissão Coordenadora do MFA, foi ele quem dirigiu as operações do 25 de Abril, a partir do posto de comando clandestino instalado no Quartel da Pontinha, de 24 a 26 de abril de 1974.[18][19] Foi, portanto, além do estratega, um dos Comandantes Militares do 25 de Abril.

Entre as várias decisões que teve de tomar, junto com os outros militares ali presentes (Sanches Osório, Fisher Lopes Pires, Vítor Crespo, Garcia dos Santos, Luís Macedo e outros que foram chegando),[20] esteve a aceitação de que fosse Spínola a receber o poder das mãos de Marcelo Caetano, em vez de alguém do MFA. Spínola telefona diretamente a Otelo, que põe a questão aos outros que lá estavam, incluindo Vítor Alves e Franco Charais. Otelo autoriza Spínola a representar o MFA (com a conivência dos presentes), algo pelo qual vem a ser criticado mais tarde por outros elementos do MFA, como por exemplo Vasco Lourenço.[21]

Otelo também seguiu de perto os acontecimentos do Largo do Carmo, tendo sido ele que escreveu a ordem manuscrita para que Salgueiro Maia iniciasse o fogo contra o Quartel do Carmo.[22]

Os acontecimentos, hora por hora, do dia 25 de abril de 1974 foram contados por Otelo Saraiva de Carvalho no seu livro intitulado O dia inicial: 25 de Abril hora a hora, além do que já tinha sido referido em Alvorada em Abril.[23] Também protagonizou um filme a contar essa noite.[24]

Um dos poucos objetivos do rascunho do Plano Geral de Operações do 25 de Abril que não foi atingido, aliás com consequências funestas, foi a tomada da PIDE/DGS por um grupo de comandos, devido à recusa de Jaime Neves de a tentar, o que levou à alteração do Plano final, e a variadas démarches no seio das Forças Armadas afetas ao 25 de Abril.[25][26]

Papel nos acontecimentos pós-25 de Abril[editar | editar código-fonte]

Após o 25 de Abril, Otelo pretende voltar à sua vida normal de professor, mas os acontecimentos do país precipitam-se, e é chamado pelos outros elementos do MFA a tomar parte nas decisões e no futuro do país.[27] Em junho de 1974, por iniciativa de Spínola (presidente da República), foi graduado em Brigadeiro, e nomeado Comandante-Adjunto do COPCON (Comando Operacional do Continente),[28] sob a dependência direta do General Francisco da Costa Gomes, então Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas. Além disso, foi nomeado também Comandante da Região Militar de Lisboa, tomando posse a 13 de julho de 1974.

Passou a exercer na prática o comando efetivo do COPCON desde setembro de 1974. Eis o seu próprio testemunho do que foi o COPCON, que extravasou em muito as competências militares inicialmente atribuídas:[29]

28 de Setembro de 1974[editar | editar código-fonte]

Otelo foi convocado por Spínola ao palácio de Belém na véspera, tendo lá ficado "preso" até que pôde ir para o COPCON às 3 da manhã. De acordo com Vasco Lourenço,[21] foi este que tratou da resistência ao golpe, e que conseguiu forçar a volta física do Otelo ao COPCON, com um ultimato de que senão o MFA atacaria Belém.

11 de Março de 1975[editar | editar código-fonte]

A 11 de março de 1975, houve um golpe spinolista para tomar conta do poder, marcado por grande desorganização nas forças armadas, que resultou no assalto ao RALIS pelos paraquedistas militares, rapidamente neutralizado.[21]

Em março de 1975, Otelo foi graduado em General de Divisão e passou a ser comandante do COPCON a 23 de junho de 1975.[8]

Fez parte do Conselho da Revolução desde que este foi criado, a 14 de março de 1975, até dezembro de 1975. A partir de 30 de julho do mesmo ano integra, com Costa Gomes e Vasco Gonçalves, o Diretório, estrutura política de cúpula durante o V Governo Provisório na qual os restantes membros do Conselho da Revolução delegaram temporariamente os seus poderes (mas sem abandonarem o exercício das suas funções).

Segundo o seu biógrafo Paulo Moura,[9]

Em julho de 1975, é convidado a visitar Cuba e discursa, antes de Fidel Castro, na cerimónia comemorativa do aniversário ao ataque ao quartel de Moncada, em Santa Clara. Segundo Paulo Moura, aí conhece os recém-lançados Grupos Dinamizadores de Ação Popular (GDAP), que o inspiram fortemente (mais tarde lançará os Grupos Dinamizadores de Unidade Popular (GDUP)), ao contrário da relação com o Partido Comunista Português, que os dirigentes cubanos sugerem a Otelo para Portugal. Além disso, ainda segundo este biógrafo, pedem a Otelo que transmita a Costa Gomes a pergunta sobre intervenção cubana em Angola e apoio ao MPLA, ou se deverá ser Portugal a fazê-lo.[9]

Por ocasião dos acontecimentos do Verão Quente, também ficou célebre a carta escrita por Otelo a Vasco Gonçalves: «Agora, companheiro, separamo-nos (...) Peço-lhe que descanse, repouse, serene, medite e leia»[30] Essa carta foi amplamente publicitada nos jornais, e depois usada contra ele, mas Otelo diz que era uma carta privada e confidencial, entregue em mão em S. Bento pelo capitão chefe da secretaria do COPCON.[29]

Segundo Otelo, foi Otelo que sugeriu Pinheiro de Azevedo como primeiro-ministro para o VI Governo Provisório, após ter recusado a sugestão de Vasco Gonçalves de ser ele próprio.[9] Mas foi Pinheiro de Azevedo, junto com o Grupo dos Nove, que foi tirando progressivamente o poder das mãos de Otelo, por exemplo, ao criar o Agrupamento Militar de Intervenção (AMI), para diminuir o poder do COPCON.

25 de novembro de 1975[editar | editar código-fonte]

Depois do ultimato feito a Costa Gomes pelo VI Governo Provisório, em novembro de 1975, Costa Gomes substitui Otelo por Vasco Lourenço na chefia da Região Militar de Lisboa. Otelo é naturalmente contra, mas aceita a despromoção. Mas os paraquedistas ocupam umas bases aéreas, exigindo a demissão do Chefe do Estado-Maior da Força Aérea. Este acontecimento marca o início da Crise de 25 de Novembro de 1975, que acabou por ser neutralizada por um grupo militar liderado por Ramalho Eanes.[31]

Segundo alguns intervenientes, foi Otelo que deu a ordem para os paraquedistas ocuparem as bases da Força Aérea. Diniz de Almeida, mais tarde, diz que quem deu a ordem foi Arlindo Dias Ferreira, mas que Otelo anuiu.[32]

Otelo sempre referiu que em 25 de Novembro o Grupo dos Nove tinha lançado "uma outra ação militar, esta para travar a revolução, comandada pelo Ramalho Eanes" [33] e afirmou que evitou uma guerra civil:[33]

Atividade após o 25 de Novembro[editar | editar código-fonte]

Após o 25 de Novembro, o COPCON é extinto.

MES Otelo - Libertação!, pintura mural de 1975

Otelo, que representava a ala mais radical do MFA, como aliás se pode ver na sua entrevista à RTP de 10 de novembro de 1975,[34] viria a ser preso, mas é solto três meses mais tarde.[9]

Participa na criação dos GDUP, Grupos Dinamizadores de Unidade Popular, à imagem do que Otelo vira em Cuba. Formaram-se GDUP por todo o país, e foram apoiantes da candidatura de Otelo à Presidência da República.

Nas primeiras eleições presidenciais livres após a ditadura do Estado Novo, em 1976, Otelo candidatou-se com um programa de democracia popular e direta, e obteve 16,5% dos votos, obtendo a maior votação no Distrito de Setúbal, com 41,8%.[8] Embora vencido por Ramalho Eanes, Otelo manteve-se sempre amigo deste.[35]

Depois das presidenciais, voltou a ser militar no ativo, e, por ter participado como observador numa sessão preparatória da criação do MUP - Movimento de Unidade Popular (que nunca chegou a ser criado), e ter proferido declarações aos jornalistas à saída, foi castigado exemplarmente com 20 dias de prisão disciplinar agravada por Rocha Vieira, o Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas da altura.

Alvorada em Abril[editar | editar código-fonte]

É convidado pela editora francesa Éditions du Seuil a escrever a história do 25 de Abril, mas a editora dá-lhe três meses, e Otelo declara que precisa de nove, virando-se, pois, para uma editora portuguesa.

Em 1977, publica o livro Alvorada em Abril, em edição da Livraria Bertrand, com prefácio "Um Homem do nosso Destino" de Eduardo Lourenço, em que entre outras coisas se pode ler que

Num novo prefácio a um livro de Otelo, O dia inicial, publicado em 2011,[23] Eduardo Lourenço virá a proclamar este livro "incontornável mas, como acontece quase sempre entre nós, distraidamente lido".

Uma reedição do mesmo livro, em edição limitada em 1974 exemplares numerados e assinados, vem a lume em 2014 pela Editora Divina Comédia.

O envolvimento nas FP-25 de Abril[editar | editar código-fonte]

Surgidas dos anos 80, as Forças Populares 25 de Abril aglutinaram os sectores mais radicais da extrema esquerda revolucionária, corporizando o descontentamento com a evolução política do País, nomeadamente, na implementação do sistema representativo parlamentar de base partidária baseado na economia de mercado. No  "Manifesto ao Povo Trabalhador" datado de Abril de 1980, que apresenta a organização, é  assinalado aquilo que consideravam serem desvios graves à constituição de 1976, nomeadamente o abandono do caminho para o socialismo, a reversão da Reforma Agrária ou a perda de expressão e peso decisório da vontade popular. [36] [37]

As FP25 contrapunham um modelo de democracia popular, assente em assembleias e conselhos de base - o chamado basismo ou conselhismo - um pouco à semelhança dos modelos de inspiração líbia ou cubana. Ainda que defendessem a implantação do comunismo em Portugal, distanciavam-se claramente do PCP.

A organização terrorista iniciou a sua actividade de violência e intimidação a 20 de Abril de 1980 com o lançamento de um conjunto de atentados à bomba em todo o Pais, junto de instalações da GNR ou edifícios do Estado.  No total foram 19 mortos, dos quais 13 vitimas inocentes, incluindo um bebé, vários agentes da GNR, o director geral dos Serviços Prisionais, Gaspar Castelo Branco, um terrorista dissidente – José Barradas e cinco mortos em assaltos ou em confrontos com forças de segurança.

A última acção das FP25 resultou na morte do agente a PJ - Álvaro Militão - em Agosto de 1987. Em Maio de 1991, vários membros da organização, fizeram uma entrega simbólica de armas, junto ao Cemitério dos Prazeres em Lisboa, em evento que contou com a presença de jornalistas. [38]

Projecto Global, a FUP e as FP 25 de Abril[editar | editar código-fonte]

Logotipo FP 25 de Abril

As FP25 eram a Componente Civil Armada que pertencia ao Projecto Global este articulava quatro componentes, umas legais e outras clandestinas[39]:

  1. A componente político-legal consubstanciada num partido político, a Força de Unidade Popular (FUP);
  2. A Estrutura Civil Armada (ECA) - que mais não eram que as Forças Populares 25 de Abril, responsáveis pelos assaltos, atentados à bomba e assassinatos;
  3. A componente Quartéis, liderada por Otelo e que visava recrutar militares para o movimento;
  4. A componente Óscar, que fazendo uso das iniciais de Otelo e a sua alcunha na guerra de Africa capitalizava a sua elevada notoriedade, procurando atrair elementos da sociedade civil ao projecto.

À excepção da componente Quarteis que esteve meio adormecida, todas as outras se mostravam bastante activas, seja na clandestinidade, com uma componente subversiva - as FP-25 ou debaixo de um chapéu legal como foi o caso da FUP. [36] [37] [40]< Num debate da Sic intitulado "À lei da Bomba" os terroristas eram confrontados com a informação que constava nos autos e nas sentenças.

O partido que resultava da componente politico-legal, a Força de Unidade Popular (FUP), foi oficialmente criado a 28 de Março de 1980, cerca de um mês antes dos primeiros atentados das FP-25. È por isso também que se atribui esta data ao nascimento do Projecto Global. A FUP, apesar de usar parte das estruturas físicas e humanas do antigo PRP/BR, partido de onde provinham a maioria dos operacionais do movimento terrorista, nunca conseguiu concorrer e nenhuma eleição legislativa, tendo no entanto apoiado Otelo nas eleições presidenciais de 1980, não conseguindo este mais do que 1,45% dos votos [40] [37]

As Forças Populares 25 de Abril foram responsáveis pelo assassinato de 19 pessoas, cinco membros da organização mortos na sequencia de confrontos com a policia ou populares, e um dissidente, José Barradas assassinado por se ter tornado um dos arrependidos no processo judicial. Adicionalmente, 13 vitimas inocentes, uma delas um bebé, de apenas 4 meses, incluindo o Diretor-Geral dos Serviços Prisionais Gaspar Castelo Branco, assassinado a tiro a 15 de Fevereiro de 1986, o mais alto dignitário português a morrer no exercício das suas funções no pós-25 de Abril, vários agentes da Guarda Nacional Republicana, dois dos quais mortos por vingança, empresários, um agente da Policia Judiciária e alguns cidadão anónimos, mortos na sequencia de assaltos a bancos [37] [40].

A prisão e Julgamento[editar | editar código-fonte]

Otelo é preso a 20 de Junho de 1984, sob a acusação de ser um dos fundadores e dirigente da organização terrorista das Forças Populares 25 de Abril, um dia depois da prisão da maioria dos elementos operacionais das FP-25, no âmbito da operação Orion. Durante esta operação foram apreendidos nas sedes da FUP e em casa de Otelo vários documentos comprometedores usados para fundamentar a acusação, nomeadamente quanto à articulação entre a FUP e as FP-25 bem como o envolvimento do Otelo em ambas as componentes.[41][36] [37] Entre os documentos apreendidos, estavam os cadernos manuscritos por Otelo, com vários e detalhados relatos de operações e reuniões (nomeadamente a famosa reunião do Conclave na Serra da Estrela onde Otelo esteve presente com o capuz numero 7). Cândida Almeida recorda “uma reunião na Serra da Estrela em que todos estiveram encapuzados, Otelo tinha o número sete, hoje seria possível fazer o ADN do capuz, mas ele também nunca negou que lá tivesse estado. Estiveram todos a discutir a estratégia para o futuro, um dos documentos, o documento 16, é o documento da violência, definia quem levava a cabo os assaltos e relativamente aos homicídios, o Otelo tem escrito pela sua mão que se contentava em saber qual o perfil do indivíduo a abater. Portanto ele sabia perfeitamente, ele e os outros da direção político militar, sabiam perfeitamente quem fazia o quê, por isso pode dizer-se que foram autores morais. ”Estes cadernos manuscritos de Otelo fazem parte dos autos e foram reproduzidos em vários livros alusivos ao processo.[36] [37][42]

Em Outubro de 1985 foi julgado e condenado em tribunal pelo seu papel na liderança das FP-25 de Abril a 15 anos de prisão efectiva. A sentença viria a ser confirmada pelo Tribunal da Relação e agravada no Supremo Tribunal de Justiça para 17 anos. Viria a recorrer da sentença para o Tribunal Constitucional. Por ter esgotado o prazo de prisão preventiva, uma vez que a sentença não tinha ainda transitado em julgado, foi libertado em 17 de Maio de 1989, após cinco anos na cadeia,[43]passando a aguardar julgamento em liberdade provisória.

Depois do recurso para o Tribunal Constitucional, em Fevereiro de 1989, este veio obrigar à reapreciação da prova pelo Tribunal da Relação. No entanto, pelo facto de não existirem gravações das audiências em tribunal - por imposição dos réus - a reapreciação da prova obrigaria à repetição do julgamento.[36] [37]

Mais tarde acusou o PCP de ter estado por trás da sua detenção e de ter feito com que ficasse em prisão preventiva tanto tempo. Acusou ainda alguns nomes então na Polícia Judiciária, como a Diretora do Departamento Central de Investigação e Acção Penal, Cândida Almeida, então na PJ, de, devido à militância no PCP, ter estado por trás da sua detenção.[44] Todo o caso é explicado por Otelo no capítulo "Ponto de situação" do seu livro Acusação e defesa em Monsanto publicado em 1987.[45]

Indulto e Amnistia[editar | editar código-fonte]

Tendo o tribunal decidido que tinha sido provada a sua ligação com a organização terrorista [46], em 2004 a Assembleia da República aprovou o indulto, seguido de uma amnistia “às infracções de motivação política cometidas entre 27 de Julho de 1976 e 21 de Junho de 1991”, nas quais se incluíam, naturalmente, as cometidas pelas FP-25 de Abril. De fora ficaram os chamados «crimes de sangue».[36] [37]

Os Crimes de Sangue[editar | editar código-fonte]

Entretanto os vários crimes cometidos e espalhados pelas várias comarcas são unificados num único processo. São mais de 150 processos, dois quais 10 homicídios consumados e 7 tentados, a serem julgados. É a partir daqui que se constitui o processo 396/91 que aglutinará o julgamento dos crimes de sangue, que veio a realizar-se mais tarde e teve a sentença proferida em 6 de Abril de 2001 e confirmada pelo tribunal da Relação de Lisboa de Junho de 2003. Tinham se passado quase 20 anos sobre alguns crimes, os arrependidos estavam no Brasil ou Moçambique e os réus optaram pelo silencio. Ainda assim, a prova foi produzida relativamente ao crime de Associação Terrorista, que não estava a ser julgado e que já tinha sido amnistiado. “O acórdão detalhou, os crimes de sangue, listando ainda todos os nomes dos membros e dirigentes da organização, incluindo Otelo Saraiva de Carvalho: [36] [37]

“O tribunal tudo comprova nos passos que são dados para este ou aquele assassino, até como as decisões são tomadas pela organização terrorista, o mesmo já não se passa quando se trata de identificar quem prime o gatilho, quem coloca a bomba, quem mata, quem tenta”
“Pertenceram à mesma organização terrorista, chamada «Forças Populares 25 de Abril – FP25»:”… Otelo Nuno Romão Saraiva de Carvalho……..” 
“…todos aqueles réus, e outros indivíduos não identificados, em finais de 1979, início de 1980, estavam agrupados entre si, de livre vontade e perfeitamente conscientes, com intenção por todos compartilhada de darem concretização a um plano, que foi engendrado por uns e aceite depois pelos outros, todos agindo concertadamente na concretização desse plano, de forma articulada e estruturada, e continuada no tempo, mediante a inserção em estruturas próprias”. 
 “… o réu Otelo, tinha assento num órgão de cúpula no âmbito do Projecto Global, o órgão máximo de decisão de toda a organização. Tal órgão era a direcção política militar – DPM –– também designada de direcção estratégica – DE –, que funcionava como síntese das direcções das quatro componentes, emitindo decisões por consenso, ali se procurando a articulação entre as componentes para dar realização ao Projecto Global.” 

No entanto, à saída do tribunal Otelo Saraiva de Carvalho, em declarações para os media, informava uma versão totalmente oposta ao conteúdo da decisão judicial. Quer ao jornal da noite da TVI, quer ao telejornal da SIC, quando confrontado na contradição, pelo ainda jovem jornalista Ricardo Costa, Otelo afirmava que tinha ficado provado que não pertencia ás Forças Populares 25 de Abril. [37]

Outras intervenções públicas[editar | editar código-fonte]

Foi Medalha Militar de 2.ª Classe de Mérito Militar e Medalha Militar de Prata de Comportamento Exemplar.

A 25 de novembro de 1983, foi agraciado com o grau de Grã-Cruz da Ordem da Liberdade.[47][8]

Com Julie Sergeant protagoniza um clipe erótico no programa "Sex Appeal" da SIC, canal onde também teve uma breve aparição numa reconstituição em tempo real comemorativa dos eventos da Revolução.

Otelo Saraiva de Carvalho (2014)

Em 2011, disse que, se soubesse como o país ia ficar, não teria realizado o 25 de Abril.[48] Otelo lamentava as “enormes diferenças de carácter salarial” que existem na sociedade portuguesa:

Para este Capitão de Abril, o que mais o desiludia era que

Uma delas, que considera "crucial", é

Esses milhões, sublinhou, significa que "não foram alcançados os objectivos" do 25 de abril de 1974.

Numa entrevista subsequente, Otelo diz que esta frase dele foi mal compreendida, e que, obviamente, valeu a pena fazer o 25 de Abril.[14]

Carreira militar[editar | editar código-fonte]

Oficial do quadro permanente da Arma de Artilharia, foi promovido ao posto de major a 1 de setembro de 1973.

Por portaria de 10 de abril de 1984, foi promovido a tenente-coronel, com efeitos reportados a 21 de novembro de 1980.

Em abril de 1984, em reunião ordinária do Conselho da Arma de Artilharia, integrando o primeiro terço da lista de tenentes-coronéis da arma a promover, foi favoravelmente apreciado como apto à promoção a coronel.

A sua promoção a coronel foi interrompida devido ao seu envolvimento no processo das FP-25. Só em 21 de abril de 2009, foi promovido a essa patente, com antiguidade a 19 de maio de 1986.[49][50]

Morte[editar | editar código-fonte]

Morreu de falência cardíaca a 25 de julho de 2021 no Hospital das Forças Armadas, no Lumiar, em Lisboa.[51][52]

Vida pessoal[editar | editar código-fonte]

Casou em Lisboa, São João de Brito, na Igreja de São João de Brito, a 5 de novembro de 1960, com Maria Dina Afonso Alambre (Lourenço Marques, 6 de Junho de 1936), filha de Bernardino Mateus Alambre e de sua mulher Aida de Jesus Afonso, com a qual teve duas filhas e um filho, duas netas e um neto.[53][8]

Quando esteve preso na Prisão de Caxias, nos anos 80, iniciou um relacionamento (que durou 34 anos, até a morte de Otelo) com Maria Filomena Morais, uma funcionária prisional divorciada.[53]

Resultados eleitorais[editar | editar código-fonte]

Otelo à Presidência, GDUP, pintura mural de 1976
FUP Otelo - Unidade popular, pintura mural de 1980

Eleições presidenciais de 27 de Junho de 1976[editar | editar código-fonte]

Candidato votos %
Ramalho Eanes 2 967 137

61,59 %

Otelo Saraiva de Carvalho 792 760

16,46 %

Pinheiro de Azevedo 692 147

14,37 %

Octávio Pato 365 586

7,59 %

Eleições presidenciais de 7 de Dezembro de 1980[editar | editar código-fonte]

Candidato votos %
Ramalho Eanes 3 262 520

56,44 %

Soares Carneiro 2 325 481

40,23 %

Otelo Saraiva de Carvalho 85 896

1,49 %

Galvão de Melo 48 468

0,84 %

Pires Veloso 45 132

0,78 %

Aires Rodrigues 12 745

0,22 %

Carlos Brito desistiu

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. STJ (2004). «Acórdão n.º 231/2004/T. Const» 
  2. https://arquivos.rtp.pt/conteudos/otelo-saraiva-de-carvalho-condenado/
  3. «Entrevista de Fátima Campos Ferreira». 2013 
  4. Diário da República (23 de Março de 1996). «Lei nº 9/96 de 23 de Março» 
  5. a b Castelo-Branco, Manuel (28 de fevereiro de 2021). «À lei da bala. Os 25 anos sobre a amnistia às Forças Populares-25 de Abril». Observador. Consultado em 15 de abril de 2021. Depois da amnistia aprovada, os membros das FP-25 de Abril, incluindo Otelo, ainda seriam julgados no início do século XXI [2004] pelos crimes de sangue que não tinham sido amnistiados. Mas nessa altura os tribunais já não conseguiam provar quem tinha matado quem, nem quem tinha ordenado os homicídios e assaltos em concreto. 
  6. a b «Cronologia das principais datas da história das FP-25». Diário de Notícias. Global Media Group. 20 de abril de 2010. Consultado em 15 de abril de 2021 
  7. Baptizado na Catedral de Lourenço Marques a 12 de maio de 1934.
  8. a b c d e Forjaz, Jorge Eduardo de Abreu Pamplona; Noronha, José Francisco Leite de (2003). Os Luso-Descendentes da Índia Portuguesa. III N - Z 1.ª ed. Lisboa: Fundação Oriente. p. 147-148 
  9. a b c d e f g Moura, Paulo (2012). Otelo - O revolucionário. Alfragide: D.Quixote. ISBN 978-972-20-4965-8 
  10. «Entrevista a Galiza Ano Cero». 23 de abril de 2014 
  11. a b c d e f g h i j k l m Saraiva de Carvalho, Otelo (1977). Alvorada em Abril. Lisboa: Livraria Bertrand 
  12. «Centro de Documentação 25 de Abril | Universidade de Coimbra». www1.ci.uc.pt. Consultado em 25 de abril de 2016 
  13. Oliveira, Luísa Tiago de (2015). «O 25 de Abril, a marinha e uma rede clandestina». In: Godinho, Paula; Fonseca, Inês; Baía, João. Resistência e/y Memória - Perspectivas Ibero-Americanas. Lisboa: IHC-FCSH/UNL. pp. 105–121 
  14. a b «Otelo: "O regime está a criar condições para ser abatido"». 25 de abril de 2011. Consultado em 20 de setembro de 2018 
  15. "Duas faces: Otelo Saraiva de Carvalho. [S.l.]: QuidNovi. 2009 
  16. «Plano Geral de Operações de Otelo» 
  17. Contreiras, Carlos de Almada (abril de 2014). «Grândola Vila Morena: Cinco instantes para uma canção». In: Oliveira, Luísa Tiago de. Militares e política. O 25 de Abril. [S.l.]: Estuário. pp. 11–17. ISBN 978-972-8017-23-1 
  18. Pontes, Joana; Sousa e Castro, Rodrigo de; Afonso, Aniceto (2012). A hora da liberdade. Lisboa: Editorial Bizâncio. ISBN 978-972-53-0504-1 
  19. Santos, Boaventura de Sousa (2004). A Fita do Tempo da Revolução. A noite que mudou Portugal. [S.l.]: Edições Afrontamento. ISBN 9789723607260 
  20. Nuno Fisher Lopes Pires (4 de maio de 1974). «Agora seja o que Deus quiser» 
  21. a b c Lourenço, Vasco (Abril de 2009). do Interior da Revolução: entrevista de Maria Manuela Cruzeiro. [S.l.]: Âncora editora. ISBN 978-972-780-234-0 
  22. Lauret, Pedro (coordenador) (2015). O dia da liberdade: 25 de Abril de 1974. [S.l.]: Verso da história. ISBN 978-989-9937-74-1 
  23. a b Saraiva de Carvalho, Otelo (2011). O dia inicial: 25 de Abril hora a hora. [S.l.]: Objectiva 
  24. Ginette Lavigne. «A noite do golpe de Estado» 
  25. Oliveira, Luísa Tiago de (abril de 2014). «O fim da PIDE/DGS e a libertação dos presos políticos». In: Oliveira, Luísa Tiago de. Militares e política. O 25 de Abril. [S.l.]: Estuário. pp. 78–102. ISBN 978-972-8017-23-1 
  26. Oliveira, Luisa Tiago de; Santos, Isabel Gorjão (2009). «A ocupação da sede da PIDE/DGS em 1974». LERHistória. 57: 125-134 
  27. Almada Contreiras, Carlos de (abril de 2017). Operação viragem histórica. [S.l.]: Edições Colibri. ISBN 978-989-689-659-1 
  28. Saraiva de Carvalho, Otelo (1975). Cinco meses mudaram Portugal. [S.l.]: Portugália Editora 
  29. a b Saraiva de Carvalho, Otelo (1987). Acusação e defesa em Monsanto. [S.l.]: Inquérito. pp. 22–23 
  30. Cruzeiro, Maria Manuela (20 de junho de 2016). «Vasco e Otelo – A atracção dos opostos» 
  31. «O Golpe do 25 de Novembro». Consultado em 25 de fevereiro de 2021 
  32. «Diniz de Almeida: o último fôlego do Ralis no 25 de Novembro». 24 de Novembro de 2015. Consultado em 20 de setembro de 2018 
  33. a b Conversas à Quinta-feira. [S.l.]: Círculo de Leitores. 1981. p. 184 
  34. «Entrevista a Otelo Saraiva de Carvalho». 10 de novembro de 1975 
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  36. a b c d e f g Viver e morrer em nome das FP-25, António José Vilela, Casa das Letras, Abril de 2005
  37. a b c d e f g h i j Presos por um Fio, Portugal e as FP-25 de Abril, de Nuno Gonçalo Poças, Casa das Letras, Abril de 2021
  38. Guerra, João Paulo (5 de abril de 2018). «FP-25 disputam share com o Papa». Jornalismo: Diz que é uma espécie de democracia. Consultado em 8 de outubro de 2021 
  39. https://dre.pt/application/conteudo/2838006
  40. a b c Castelo-Branco, Manuel (28 de fevereiro de 2021). «À lei da bala. Os 25 anos sobre a amnistia às Forças Populares-25 de Abril». Observador. Consultado em 8 de outubro de 2021 
  41. FP-25, Alegações do Ministério Publico, Ministério da Justiça, 1987
  42. Pimentel, Marina (24 de abril de 2021). «Otelo liderava associação terrorista. "Provas eram inequívocas", diz Cândida Almeida - Renascença». Rádio Renascença. Consultado em 8 de outubro de 2021. procuradora Cândida Almeida, responsável pelo processo das FP-25, considera que "eram inequívocas" as provas de que Otelo Saraiva de Carvalho era líder de uma associação terrorista. Falando no programa da Renascença 'Em Nome da Lei', a antiga diretora do DCIAP diz não ter dúvidas de que, nos crimes violentos que foram cometidos pelo braço civil armado do chamado Projeto Global, nomeadamente os 17 homicídios, entre eles um bebé de 4 meses. Cândida Almeida recorda “uma reunião na Serra da Estrela em que todos estiveram encapuzados, Otelo tinha o número sete, hoje seria possível fazer o ADN do capuz, mas ele também nunca negou que lá tivesse estado. Estiveram todos a discutir a estratégia para o futuro, um dos documentos, o documento 16, é o documento da violência, definia quem levava a cabo os assaltos e relativamente aos homicídios, o Otelo tem escrito pela sua mão que se contentava em saber qual o perfil do indivíduo a abater. Portanto ele sabia perfeitamente, ele e os outros da direção político militar, sabiam perfeitamente quem fazia o quê, por isso pode dizer-se que foram autores morais.”  line feed character character in |citacao= at position 182 (ajuda)
  43. José Alberto Carvalho, Carlos Magno, José António Salvador (1995). «À Lei da Bomba - FP25 Abril». Consultado em 8 de outubro de 2021 
  44. «Otelo: "Precisávamos de um homem com a inteligência do Salazar"» 
  45. Saraiva de Carvalho, Otelo (1987). Acusação e defesa em Monsanto. [S.l.]: Inquérito. pp. 17–56 
  46. Tribunal Constitucional (30 de abril de 2004). «Acórdão n.º 231/2004/T. Constitucional». Diário da Republica Eletrónico. Governo de Portugal. Consultado em 8 de outubro de 2021 
  47. «Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "Otelo Nuno Romão Saraiva de Carvalho". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 5 de abril de 2015 
  48. «Otelo: Se soubesse como o país ia ficar, não fazia a Revolução». Arquivado do original em 16 de abril de 2011 
  49. Diário da República (22 de dezembro de 2010). «Parecer n.º 37/2009». https://dre.pt/. Consultado em 19 de abril de 2021 
  50. Lusa (23 de abril de 2009). «Otelo Saraiva de Carvalho promovido a coronel». https://www.publico.pt. Consultado em 19 de abril de 2021 
  51. Morreu Otelo Saraiva de Carvalho, Observador 25.07.2021
  52. Morreu o capitão de Abril Otelo Saraiva de Carvalho
  53. a b «Otelo e as suas duas mulheres». Arquivado do original em 23 de abril de 2012