Academia Militar das Agulhas Negras

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Academia Militar das Agulhas Negras
Aman entrada.JPG
O portão monumental da AMAN
País  Brasil
Corporação Exército Brasileiro
Subordinação Diretoria de Educação Superior Militar
Missão Ensino militar
Sigla AMAN
Criação 1792
Insígnias
Brasão
da AMAN
AMAM.JPG
Comando
Comandante General-de-brigada Tomás Miguel Mine Ribeiro Paiva[1]
Comandantes
notáveis
Sede
Sede Resende, RJ
Bairro Centro
Resende Rodovia Presidente Dutra, km 306
Internet A página oficial da Academia na internet

A Academia Militar das Agulhas Negras é uma Unidade do Exército Brasileiro e uma escola de ensino superior localizada na cidade fluminense de Resende, no Brasil.[2]

É a única escola formadora de oficiais de carreira das Armas de Infantaria, Cavalaria, Artilharia, Engenharia e Comunicações, do Quadro de Material Bélico e do Serviço de Intendência do Exército Brasileiro.[3]

Para ingressar na Academia, é necessário prestar concurso público para a Escola Preparatória de Cadetes do Exército. Nessa escola, com o título de Aluno, os jovens militares realizam curso de um ano. Os jovens oriundos da EsPCEx possuem entre 17 e 22 anos de idade.[4]

História[editar | editar código-fonte]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

No fim do século XVIII, mais precisamente em 1790, a rainha D. Maria I de Portugal instituiu em Lisboa a Academia Real de Fortificação, Artilharia e Desenho e 2 anos mais tarde autorizou a implantação na cidade do Rio de Janeiro, então capital do Estado do Brasil, de uma instituição nos mesmos moldes: a "Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho".

Diante da transferência da corte imperial para o Brasil em 1808, a instituição foi sucedida pela Academia Real Militar do Rio de Janeiro, criada pelo Príncipe-regente em 1810. Seu primeiro comandante foi o Tenente-General Carlos Napion, atual patrono do Quadro de Material Bélico do Exército Brasileiro.

Após a proclamação da independência do Brasil (1822), a Academia passou a ser denominada de "Imperial Academia Militar". Em 1832, o seu nome mudou uma vez mais, para "Academia Militar da Corte". Em 1840, passou a denominar-se Escola Militar, e a partir de 1858, "Escola Central", sendo transferida para as dependências do Forte da Praia Vermelha.

Escola Militar da Praia Vermelha (Fotografia de Eduardo Bezerra, 1888.)

Os engenheiros formados na Escola Central eram civis e militares, pelo fato de ser a única escola de Engenharia no país. Em 1874, a Escola Central transitou para a Secretaria do Império passando a formar exclusivamente engenheiros civis, enquanto que a formação dos oficiais de Engenharia e de Artilharia continuou a ser realizada na Escola Militar da Praia Vermelha até 1904. A Escola foi fechada porque seus alunos aderiram à Revolta da Vacina. Os oficiais de Infantaria e de Cavalaria passaram a partir de então a ser formados na Escola de Guerra, em Porto Alegre, no estado do Rio Grande do Sul.

Em 1913, objetivando unificar todas as escolas de Guerra e de Aplicação, foi criada a Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, que formou os oficiais do Exército Brasileiro por quase quarenta anos. Atualmente, as dependências de Realengo abrigam o Grupamento de Unidades-Escola/9ª Brigada de Infantaria Motorizada.[5]

Mudança para Resende[editar | editar código-fonte]

Diante da necessidade de aperfeiçoar a formação de oficiais para um exército que crescia e se operacionalizava, foi criada em Resende, em janeiro de 1944, a "Escola Militar de Rezende". Na época, houve também a intenção de afastar a juventude militar da efervescência política da capital do país, que ainda era o Rio de Janeiro. Seu idealizador foi o marechal José Pessoa Cavalcanti de Albuquerque. Em 1951, a instituição passou a denominar-se Academia Militar das Agulhas Negras. [6]

Desde que chegou a Resende, a Academia formou diversos militares importantes, como os antigos Ministros e Comandantes do Exército Carlos Tinoco Ribeiro Gomes, Zenildo Gonzaga Zoroastro de Lucena, Gleuber Vieira e Francisco Roberto de Albuquerque, o atual comandante do Exército, general-de-exército Enzo Martins Peri, o deputado federal e capitão da reserva Jair Bolsonaro, antigos presidentes do Superior Tribunal Militar como os generais Antonio Joaquim Soares Moreira e Raymundo Nonato de Cerqueira Filho, antigos e atual ministros-chefes do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, como os generais Jorge Armando Felix, Alberto Mendes Cardoso e José Elito Carvalho Siqueira.

A Academia Militar das Agulhas Negras nos dias de hoje[editar | editar código-fonte]

A Academia Militar das Agulhas Negras ocupa uma área total de 67 km². Possui vários conjuntos construídos, destacando-se o Conjunto Principal (CP1/CP2) - que abriga dois pátios de formaturas, o Pátio Tenente Moura (PTM) e o Pátio Marechal Mascarenhas de Moraes (P3M), além do Estado-Maior, refeitórios, alojamentos de cadetes e do Teatro Acadêmico (TA). O Conjunto Principal sofreu uma ampliação em 1988, dentro do projeto FT/90, de autoria do então Ministro do Exército, General Leônidas Pires Gonçalves, que dobrou as suas dimensões, principalmente em relação a refeitórios e alojamentos. O atual comandante, desde abril de 2013, é o General Tomás Miguel Miné Ribeiro Paiva.

No entorno do Conjunto Principal, a AMAN possui a Seção de Educação Física, a Seção de Equitação, o Polígono de Tiro e os Parques de Instrução dos diversos cursos. A Academia utiliza o sistema de internato, no qual o cadete só sai nos finais de semana e férias.

O Portão Monumental constitui-se num cartão postal da Academia, contra a Serra da Mantiqueira, onde está localizado o Pico das Agulhas Negras, com uma altitude de 2 792 metros acima do nível do mar.

A Academia Militar das Agulhas Negras possui, em apoio às suas atividades, um Batalhão de Comando e Serviços (BCSv), organizado da seguinte forma:

  • 1 Companhia de Comando
  • 1 Companhia de Serviços
  • 1 Companhia de Polícia do Exército
  • 1 Companhia de Guardas
  • 1 Companhia de Fuzileiros e
  • 2 Companhias Auxiliares do Corpo de Cadetes.

Em efetivo é o maior Batalhão do Exército Brasileiro.

Estrutura[editar | editar código-fonte]

Cadetes da Academia durante cerimônia de recebimento do Espadim.

O Corpo de Cadetes é constituído por um comandante, um subcomandante, um Estado-Maior e pelos Cursos e Seções, compostos por oficiais e cadetes com as diversas missões e características peculiares a cada um.

Aos cursos, cabe formar os futuros oficiais nas diversas Armas, Serviço de Intendência e Quadro de Material Bélico:

As 5 seções do Corpo de Cadetes complementam a formação militar do cadete, atuando no desenvolvimento de atributos das áreas cognitiva, psicomotora e afetiva:

  • Seção de Educação Física (SEF), responsável por planejar, conduzir e orientar o Treinamento Físico Militar,
  • Seção de Equitação, responsável pelas instruções de Equitação,
  • Seção de Instrução Especial (SIEsp), destinada à condução dos estágios de instrução especial,
  • Seção de Tiro(sec-tiro), responsável pelas instruções de tiro de fuzil e de pistola, e
  • Seção de Doutrina e Liderança (SDL), cuja missão é aperfeiçoar a capacidade de liderança dos cadetes.

O ensino[editar | editar código-fonte]

Na academia, são desenvolvidas as atividades pertinentes ao Ensino Profissional do militar oficial de carreira, de acordo com os seguintes períodos:[7]

1º ano[editar | editar código-fonte]

Durante seu 1º ano na Academia, o cadete frequenta o Curso Básico (C Bas). O ensino é voltado para a tática individual e a formação do combatente básico, estimulando a dedicação, a persistência e a liderança – atributos considerados indispensáveis para a eficiência do militar, em especial do oficial do Exército.

O currículo dos cadetes do Curso Básico abrange as seguintes disciplinas:

Durante a solenidade de entrega de espadins, que ocorre no primeiro ano, o cadete do Curso Básico, trajando um uniforme histórico, de cor azul-ferrete, e recebe uma réplica em miniatura da espada de Duque de Caxias, que representa "o próprio símbolo da Honra Militar".

Ao voltar das férias entre o 1º e 2º anos, o cadete faz a escolha da Arma, Quadro ou Serviço de sua preferência, de acordo com a classificação obtida em função de seu desempenho acadêmico.

2º ano[editar | editar código-fonte]

No 2º ano, o cadete é integrado à sua Arma, Quadro ou Serviço, a saber:

As disciplinas ministradas são:


3º ano[editar | editar código-fonte]

As disciplinas ministradas durante esse ano são:

4º ano[editar | editar código-fonte]

O 4º e último ano apresenta atividades predominantemente militares a fim de concluir a formação do oficial combatente. No currículo é prevista a realização de exercícios conjuntos, que integram as Armas e que são chamados de módulos temáticos, cuja principal finalidade é de permitir ao cadete do quarto ano o exercício das funções de comando nas operações clássicas de ataque e defesa.

Como complementação pedagógica é realizado o Estágio de Preparação Específica (EPE) nos corpos de tropa que permitem um estágio em que o cadete tem a oportunidade de participar do cotidiano de uma Unidade de sua Arma.

No currículo do 4º ano constam disciplinas como:

São realizados, também, intercâmbios com academias militares de nações amigas, a fim de promover o enriquecimento da cultura geral e militar do futuro oficial.

Ao final do 4º ano, o espadim recebido no primeiro é devolvido em solenidade na qual o cadete é declarado aspirante-a-oficial e recebe a espada de oficial do Exército, símbolo do compromisso com a Instituição e com a Pátria. O Aspirante-a-oficial é, simultaneamente, graduado Bacharel em Ciências Militares.

O treinamento militar[editar | editar código-fonte]

Na Formação Básica, os objetivos são: ajustar a personalidade do cadete aos princípios que regem a vida militar; assegurar os conhecimentos que o habilitem ao prosseguimento de sua formação de oficial; formar o caráter militar, preparar o combatente básico, obtendo reflexos na execução de técnicas e táticas individuais de combate, obter capacitação física, e desenvolver habilidades técnicas.

A Qualificação tem por objetivo principal a capacitação ao exercício do comando das pequenas frações elementares, nas funções inerentes aos graduados. Consolida-se o aperfeiçoamento das técnicas individuais do combatente, o elevado padrão de ordem unida e o contínuo desenvolvimento da capacidade física. A Qualificação e a Intensificação da Instrução Militar têm por objetivo principal, a habilitação ao exercício de cargos e funções inerentes ao Oficial Subalterno e ao Capitão.

São atividades inerentes ao Corpo de Cadetes: Exercícios no campo, peculiares a cada Curso; Estágios de Instrução Especial; Exercícios Combinados de Armas, Serviço e Quadro; Manobra Escolar (ou Manobrão); Olimpíada Acadêmica; Competições Desportivas contra a Escola Naval e a Academia da Força Aérea (NAVAMAER) e o Festival Sul-Americano de Cadetes.

O Corpo de Cadetes tem-se empenhado na busca da dinamização de suas atividades de ensino e na instrução militar, visando a dar ao futuro oficial as condições para enfrentar as exigências contemporâneas. Como exemplo dessas atividades destacamos: Estágio de Preparação de Instrutor de Treinamento Físico Militar; Estágio de Preparação de Instrutor de Tiro; Projeto Liderança; Projeto Lutas; Projeto Comunicação; experimentação, pesquisas e trabalhos em grupo.

O Treinamento Físico Militar é planejado e conduzido com o objetivo de promover o condicionamento necessário ao desempenho nos exercícios de campanha. A Olimpíada Acadêmica é outra atividade, realizada todos os anos, na qual existe uma confraternização entre os Cursos, motivados pela sadia competição.

As instruções de tiro são ministradas em modernas e funcionais instalações da Seção de Tiro e objetivam o adestramento do futuro oficial permitindo-o desenvolver a habilidade nessa que é uma das mais importantes atividades militares.

A Seção de Instrução Especial (SIEsp) ministra diversos estágios especiais que possibilitam ao cadete enfrentar novas situações com o emprego de técnicas especiais simulando operações reais e contínuas, com pressão psicológica controlada e máxima imitação do combate. No primeiro ano, ocorre o treinamento simulando situações em terreno montanhoso (SIEsp de Montanha), que compreende a escalada do Pico das Agulhas Negras e que, se concluído com aproveitamento, permite que o cadete utilize, para o resto da carreira, o brevê de curso básico de montanha. No segundo ano - Curso Avançado - ocorre a SIEsp de Selva, realizada na área da Academia Militar e que procura imitar situações de áreas de selva. No terceiro ocorre a SIEsp de Operações, onde o cadete é avaliado em patrulhas e no quarto ano a SIEsp de Garantia da Lei e da Ordem (GLO). Cada uma das SIEsp premia os mais destacados com distintivo próprio, que traz a figura do Saci e que distingue seus agraciados como "o Saci de Montanha",o "Saci de Selva", o "Saci de Operações" ou "Saci da GLO".

A prática equestre, conduzida pela Seção de Equitação, tem por principal objetivo estimular a iniciativa, a decisão e a coragem, atributos indispensáveis ao combatente.

Ao término de cada ano letivo, é realizada a Manobra Escolar, apelidada de "Manobrão", exercício no qual as Armas cumprem missões integradas. Essa atividade permite ao cadete oportunidade de desempenhar funções de comando em campanha.

A Academia Militar das Agulhas Negras pode ser considerada como uma grande escola militar, dentre as melhores, no cenário mundial.

Ver também[editar | editar código-fonte]


Referências

  1. INFORMEX NR 006 - DE 11 DE MARÇO DE 2013. Visitado em 1º de abril de 2013.
  2. Site do Exército Brasileiro. Visitado em 31 de maio de 2013.
  3. Site DefesaBR. Visitado em 31 de maio de 2013.
  4. Site Promilitar. Visitado em 31 de maio de 2013.
  5. Site da AMAN. Visitado em 09 de junho de 2014.
  6. Site da AMAN. Visitado em 09 de junho de 2014.
  7. Site da AMAN. Visitado em 17 de junho de 2014.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]