Brasil na Copa do Mundo FIFA de 1970

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A seleção brasileira de Zagallo, Tostão, Gérson, Rivelino, Pelé e muitos outros, não deu chance aos adversários atingindo seis vitórias em seis partidas. Na estréia, um susto: Petrás faz 1 a 0 para a Checoslováquia e comemora com o sinal da cruz. Jairzinho lhe roubaria a comemoração que se tornaria marca registrada do Brasil neste mundial. O Brasil virou e bateu os checoslovacos por 4 a 1 — gols de Rivelino, Pelé e Jairzinho (2). Neste jogo Pelé tenta pela primeira vez na história do futebol um gol do meio de campo para o desespero do goleiro tcheco Ivo Viktor, que por muito pouco não toma um gol antológico do "Rei".

Em seguida, um dos grandes jogos da Copa. Os campeões de 1958 e 1962 venceram a Inglaterra, campeã da Copa de 1966, por 1 a 0, gol de Jair. O destaque foi a atuação do goleiro inglês, Gordon Banks, que defendeu uma cabeçada de Pelé, num lance antológico considerado a maior defesa do Século XX. Essa partida, aliás, é considerada uma das mais emocionantes de todas as Copas. O gol brasileiro saiu de uma jogada individual de Tostão pela esquerda do ataque. Ele se livrou de três ingleses e tocou para Pelé, que só rolou para o "Furacão da Copa" soltar um forte chute.

Depois, 3 a 2 na Romênia (marcaram Pelé (2) e Jair), assegurando o primeiro lugar na chave. Por pouco, o placar não foi mais elástico: o goleiro romeno Radulescu falhou na devolução da bola e ela foi direto aos pés de Pelé, que emendou de primeira, mas o goleiro, desta vez, estava atento. Nas quintas-de-final, o Brasil ganhou do Peru, treinado por Didi, por 4 a 2 — Tostão foi o destaque do jogo, marcando dois gols; Jair e Rivelino completaram.

Nas semifinais, duas guerras: Itália vence a Alemanha Ocidental por 4 a 3 numa epopeia sensacional decidida só na prorrogação; e o Brasil bate o Uruguai por 3 a 1 num jogo violento, em que o Uruguai, fazendo marcação cerrada, impedia as jogadas de ataque do Brasil e ainda inaugurou o placar. Foi preciso uma mudança tática, permitindo o avanço do volante Clodoaldo, que empatou o jogo. No segundo tempo, Jair e Rivelino — numa jogada de pura raça — acabaram de enterrar os campeões das Copas de 1930 e 1950. Neste jogo um novo momento mágico de Pelé. Lançado, ele dá um drible de corpo no goleiro uruguaio Ladislao Mazurkiewicz, sem tocar na bola e lhe aplica o "drible da vaca", chuta e a bola, caprichosamente, vai para fora.

No último jogo, brasileiros e italianos decidiriam quem ficaria definitivamente com a Jules Rimet.

O Brasil venceu a Itália por 4 a 1 e o estádio Azteca foi invadido pela torcida. Pelé chegou até a ganhar uma placa no estádio, que afirmava que o jogador é "um exemplo para a juventude do mundo". O super time do Brasil passou para a história como a melhor seleção de todos os tempos. Zagallo, o treinador, consagrou-se como o primeiro campeão mundial como jogador (58, 62) e como técnico (70). A seleção canarinho tinha como titulares: Félix (Fluminense), Carlos Alberto Torres (Santos), Brito (Flamengo), Piazza (Cruzeiro) e Everaldo (Grêmio); Gérson (São Paulo) e Clodoaldo (Santos); Pelé (Santos), Jairzinho (Botafogo), Tostão (Cruzeiro) e Rivelino (Corinthians). Pelé conseguiu sua terceira copa como jogador, um recorde até hoje. Marcaram na final: Pelé, Jairzinho, Gérson e Carlos Alberto Torres numa bomba, aos 42 minutos do segundo tempo, que deu início à festa do terceiro mundial ganho.

Brasil três vezes campeão mundial de futebol. A Juliew Rimet era brasileira para sempre. Uma vitória incontestável numa campanha perfeita e tão genial que até os gols que o craque dos craques, Pelé, não fez entraram para a história. Anos depois a Jules Rimet foi roubada e derretida no Rio de Janeiro. A Alemanha Ocidental ficou em terceiro lugar e o Uruguai em quarto.

Escalação[editar | editar código-fonte]

Número / Nome Clube Jogos (gols)1 Data Nasc. J Gols Penalizado com cartão amarelo Expulso
Goleiros
1  Félix  Brasil Fluminense FC 47 (0) 24 de dezembro de 1937 6 0 0 0
12  Ado  Brasil SC Corinthians Paulista 3 (0) 4 de junho de 1946 0 0 0 0
22  Leão  Brasil SE Palmeiras 80 (0) 11 de junho de 1949 0 0 0 0
Defensores
2  Brito  Brasil CR Flamengo 45 (1) 9 de agosto de 1939 0 0 0 0
3  Piazza  Brasil Cruzeiro EC 47 (0) 25 de fevereiro de 1943 0 0 0 0
4  Carlos Alberto  Brasil Santos FC 36 (5) 17 de julho de 1944 0 1 0 0
6  Marco Antônio  Brasil Fluminense FC 51 (0) 6 de fevereiro de 1951 0 0 0 0
14  Baldocchi  Brasil SE Palmeiras 1 (0) 14 de março de 1946 0 0 0 0
15  Fontana  Brasil Cruzeiro EC 7 (0) 31 de dezembro de 1940 0 0 0 0
16  Everaldo  Brasil Grêmio FBPA 29 (0) 11 de setembro de 1944 0 0 0 0
17  Joel  Brasil Santos FC 28 (0) 18 de setembro de 1946 0 0 0 0
21  Zé Maria  Brasil SC Corinthians Paulista 48 (0) 18 de maio de 1949 0 0 0 0
Meio-campistas
5  Clodoaldo  Brasil Santos FC 51 (3) 25 de setembro de 1949 0 1 0 0
8  Gérson  Brasil São Paulo FC 70 (13) 11 de janeiro de 1941 0 1 0 0
11  Rivellino  Brasil SC Corinthians Paulista 92 (26) 1 de janeiro de 1946 0 3 0 0
18  Paulo César  Brasil Botafogo FR 78 (17) 16 de junho de 1949 0 0 0 0
Atacantes
7  Jairzinho  Brasil Botafogo FR 107 (44) 25 de dezembro de 1944 0 7 0 0
9  Tostão  Brasil Cruzeiro EC 65 (36) 25 de janeiro de 1947 0 2 0 0
10  Pelé  Brasil Santos FC 114 (95) 23 de outubro de 1940 0 4 0 0
13  Roberto  Brasil Botafogo FR 15 (7) 31 de julho de 1943 0 0 0 0
19  Edu  Brasil Santos FC 54 (10) 6 de agosto de 1949 0 0 0 0
20  Dario  Brasil C Atlético Mineiro 7 (0) 4 de março de 1946 0 0 0 0
Treinador
  ZagalloG     9 de agosto de 1931

Nota: Em 2007, a revista inglesa World Soccer, numa pesquisa realizada entre especialistas de futebol de todo o mundo, elegeu a seleção brasileira de 1970 como o maior time de futebol de todos os tempos. [1]

Ver também[editar | editar código-fonte]