Zenóbia

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Zenóbia
Imperatriz de Palmira
ZENOBIA - RIC V 2 - 80000750.jpg
Antoniniano de Zenóbia
Governo
Reinado 2/267274
Consorte Odenato
Antecessor Odenato
Herdeiro Vabalato
Sucessor Nenhum
Dinastia Família real de Emesa
Títulos Rainha do Egito
Vida
Palmira
Filhos Vabalato
Pai Júlio Aurélio Zenóbio

Zenóbia (em grego: Ζηνοβία; transl.: Zēnobía; em aramaico: בת זבי - Bat-Zabbai; em árabe: الزباء - al-Zabbā’) foi uma rainha na cidade de Palmira do século III que assumiu o controle do Império de Palmira depois da morte do marido, Odenato, em 267, juntamente com o filho Vabalato. Já em 269, ela havia expandido seus domínios conquistando o Egito, de onde expulsou o prefeito, Tenagino Probo, que foi decapitado depois de fracassar em sua tentativa recuperar a província. Ela governou até 274, quando foi derrotada e levada prisioneira para Roma pelo imperador Aureliano.

Família e primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Zenóbia nasceu e foi criada em Palmira, na Síria. Seu nome romano era Júlia Aurélia Zenóbia e os escritores latinos e gregos chamam-na de "Zenóbia"[1] (Ζηνοβία; Zenobia) ou de "Septímia Zenóbia"—ela tornou-se "Septímia" depois de se casar com Sétimo Odenato. Ela assinava a forma aramaica de seu nome, "Bat-Zabbai"[1] .

Ela era oriunda de uma família de nomes aramaicos[2] e alegava descender de uma linhagem selêucida dos reis ptolemaicos do Egito[3] . Atanásio de Alexandria descreveu-a como a "judia seguidora de Paulo de Samósata", o que explicaria a relação difícil de Zenóbia com os rabinos[2] .

Fontes árabes posteriores, de confiabilidade duvidosa, indicam que ela teria ascendência árabe[4] . Al-Tabari, por exemplo, afirma que ela pertencia à mesma tribo que seu futuro marido, os amalequitas, provavelmente uma das quatro tribos originais de Palmira[4] . De acordo com ele, o pai de Zenóbia, ‘Amr ibn al-Ẓarib, era o xeique dos amalequitas. Depois que os membros da confederação rival dos tanúquidas o mataram, Zenóbia assumiu o comando de sua tribo e liderou-os em suas migrações em busca de pastos de verão e de inverno[4] .

O nome romano do pai de Zenóbia era "Júlio Aurélio Zenóbio", com gentilicium "Aurélio" denotando que seus ancestrais paternos receberam a cidadania romana ou no reinado de Antonino Pio (r. 138-161), Marco Aurélio (r. 161-180) ou Cômodo (r. 180-192). Zenóbio era o governador de Palmira em 229. Segundo documentos encontrados em Palmira, seu nome grego era Antíoco. Porém, a pouco confiável História Augusta[5] , seu nome era Aquileu e um usurpador é que se chamava Antíoco[6] . Com ascendência conhecida até seis gerações para trás, entre seus antecessores estavam Sampsiceramo I, um comandante sírio fundador da Família real de Emesa (moderna Homs, Síria), e Caio Júlio Bassiano, um sumo-sacerdote de Emesa e pai da imperatriz-consorte romana Júlia Domna, esposa de Sétimo Severo.

Zenóbia alegava ainda descender de Dido, rainha de Cartago, e de Cleópatra do Egito. Embora não haja evidências concretas disso, ela de fato conhecia egípcio antigo, demonstrava predileção pela cultura egípcia e pode ter sido parte egípcia pelo lado materno[7] .

As fontes clássicas e árabes descrevem Zenóbia como bela e inteligente, com olhos pretos brilhantes, tez escura e dentes muito brancos[4] . Ela seria ainda mais bela que Cleópatra, mas, diferente desta, tinha uma reputação de extrema castidade[4] . Fontes também descrevem-na em muitas funções masculinas, cavalgando, caçando e, às vezes, bebendo com seus oficiais[4] . Bem educada, fluente em grego, aramaico e egípcio além de conhecimentos de latim, Zenóbia cercou-se de filósofos e poetas, o mais famoso deles Cássio Longino[4] [8] .

Rainha de Palmira[editar | editar código-fonte]

Durante a confusão da crise do terceiro século, o Império Romano se dividiu em três estados distintos. Além do próprio (em vermelho), surgiram ainda o Império das Gálias no ocidente (em verde) e o Império de Palmira de Zenóbia (em amarelo).

Zenóbia já estava casada com Sétimo Odenato, rei de Palmira, em 258 e era sua segunda esposa. Ele tinha um filho, Herodes (Hairan), de sua primeira esposa cujo nome é desconhecido. Por volta de 266, os dois tiveram um filho, Lúcio Júlio Aurélio Septímio Vabalato Atenodoro (Wahballat - "presente da deusa"), que herdou o nome do avô de Odenato[9] .

Em 267, Odenato e Herodes foram assassinados e Vabalato tinha apenas um ano de idade, o que colocou Zenóbia no trono como regente do filho. Ela proclamou o filho e a si mesma "augusto" e "augusta".

A nova imperatriz conquistou novos território e seu objetivo era, nominalmente, proteger a fronteira oriental do Império Romano dos ataques do Império Sassânida. Porém, suas conquistas aumentaram significativamente o poder de Palmira.

Invasão do Egito e da Anatólia[editar | editar código-fonte]

Em 269, o exército palmirense, com Zenóbia e o general Zabdas à frente, conquistou o Egito com a ajuda de um aliado local, Timagenes, e seu exército. O prefeito romano, Tenagino Probo, e suas forças tentaram expulsá-los, mas Zenóbia capturou-o e mandou decapitá-lo, proclamando-se rainha do Egito em seguida. A partir daí, Zenóbia passou a ser chamada de "rainha guerreira", principalmente depois de demonstrar às tropas suas habilidades à cavalo e sua resistência às longas marchas com os soldados.

Zenóbia e seu grande exército também invadiram a Anatólia e chegaram até Ancira (Ankara, Turquia) e Calcedônia, e anexaram a Síria, Palestina e o Líbano. O seu império, apesar de curta duração, controlou as rotas comerciais vitais que atravessavam a região. O imperador romano Aureliano, que estava em campanha na época contra o Império das Gálias, provavelmente reconheceu Zenóbia e Vabalato; porém, o relacionamento começou a ruir quando ele finalmente conseguiu iniciar sua campanha para reunir o império em 272-273. Aureliano marchou para a Síria e enfrentou Zenóbia e Vabalato em Antioquia. Depois de uma dura derrota, os palmirenses recuaram para a capital, Emesa.

Aureliano cercou a cidade e conseguiu tomá-la, mas Zenóbia e o filho conseguiram fugir à camelo deixando para trás todo o tesouro de Palmira. Tentando alcançar o território sassânida, os dois foram capturados tentando cruzar o Eufrates pela cavalaria de Aureliano. Terminou assim o Império de Palmira e os últimos rebeldes foram capturados e executados pelas forças de Aureliano, entre eles o filósofo Cássio Longino.

Roma[editar | editar código-fonte]

Zenóbia e Vabalato foram levados cativos para Roma por Aureliano e presume-se que o garoto tenha morrido no caminho. Em 274, segundo os relatos, Zenóbia foi paradeada pela cidade presa por correntes de ouro durante o triunfo de Aureliano. Há relatos divergente sobre o que teria acontecido depois: algumas versões sugerem que ela teria morrido logo depois, enferma, como resultado de uma greve de fome ou decapitada[10] . Contudo, a narrativa mais feliz conta que Aureliano, impressionado pela beleza e dignidade de Zenóbia, libertou-a e concedeu à deposta rainha uma elegante villa em Tibur (Tivoli, na Itália). Ela supostamente teria vivido ali cercada de luxo e tornou-se uma proeminente figura na sociedade romana. Ela teria se casado com um governador romano, de status senatorial, de nome desconhecido. Finalmente, o relato conta que ela teria descendentes vivendo na cidade nos séculos IV e V, incluindo o bispo cristão São Zenóbio, que viveu no século V.

Influência[editar | editar código-fonte]

"Zenóbia Acorrentada"
1859. De Harriet Hosmer, atualmente no Saint Louis Art Museum.

A vida de Zenóbia foi regularmente retratada nos mais diversos meios artísticos por conta de sua vida e de sua reputação como casta, guerreira, digna e bela.

Óperas[editar | editar código-fonte]

Literatura[editar | editar código-fonte]

Escultura[editar | editar código-fonte]

Pinturas[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Títulos de nobreza
Precedido por:
Odenato
Imperadores de Palmira
266/267—274
com Vabalato (266/267—274)
Reunido ao Império Romano

Referências

  1. a b Stoneman, 1995,p. 2.
  2. a b Teixidor, Javier. A journey to Palmyra: collected essays to remember. [S.l.]: Brill, 2005. p. 218. ISBN 978-90-04-12418-9
  3. Teixidor, Javier. A journey to Palmyra: collected essays to remember. [S.l.]: Brill, 2005. p. 201. ISBN 978-90-04-12418-9
  4. a b c d e f g Ball, p. 78.
  5. História Augusta, Aurel. 31.2
  6. Zósimo, 1.60.2
  7. Sue M. Sefscik. Zenobia. Women's History. Página visitada em 2008-04-01.
  8. Choueiri, 2000, p. 35.
  9. Teixidor, Javier. A journey to Palmyra: collected essays to remember. [S.l.]: Brill, 2005. p. 213. ISBN 978-90-04-12418-9
  10. Ball, Warwick. "Rome in the East" (Routledge, 2000).

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Ball, Warwick. In: Warwick. Rome in the East: The Transformation of an Empire.. Illustrated, reprint ed. [S.l.]: Routledge, 2001. ISBN 9780415243575
  • Choueiri, Youssef M.. In: Youssef M.. Arab Nationalism - a History: Nation and State in the Arab World.. Illustrated ed. [S.l.]: Wiley-Blackwell, 2000. ISBN 9780631217299
  • Stoneman, Richard. In: Richard. Palmyra and its Empire: Zenobia's Revolt against Rome.. Reprint, illustrated ed. [S.l.]: University of Michigan Press, 1995.
  • Wilden, Anthony. In: Anthony. Man and Woman, War and Peace: the Strategist's Companion.. Illustrated ed. [S.l.]: Routledge, 1987. ISBN 9780710098672
  • Scriptores Historiae Augustae, História Augusta
  • The Monkes Tale – Geoffrey Chaucer
  • Zenobia of Palmyra. Agnes Carr Vaughn, 1967, Garden City, NY: Doubleday & Company, Inc.
  • Zenobia of Palmyra: History, Myth and the Neo-Classical Imagination, Rex Winsbury, 2010, Duckworth, ISBN 978-0-7156-3853-8

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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