Carlos Malheiro Dias

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Carlos Malheiro Dias
Nascimento 13 de agosto de 1875
Porto, Portugal
Morte 19 de outubro de 1941 (66 anos)
Lisboa, Portugal
Nacionalidade Portugal português
Ocupação Jornalista, cronista, romancista, contista, político e historiador

Carlos Malheiro Dias, também conhecido como Carlos Dias e como Carlos Malheiros Dias GOCGCC (Porto, 13 de agosto de 1875Lisboa, 19 de outubro de 1941), foi um jornalista, cronista, romancista, contista, político e historiador português.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Estudou no Liceu de Lamego, na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, onde apenas iniciou o curso de Direito, e na Universidade de Lisboa, onde concluiu a licenciatura no Curso Superior de Letras.

Filho de pai português e mãe brasileira, repartiu entre os dois países a sua vocação literária. Seguiu para o Rio de Janeiro em 1893, iniciando a sua vida literária colaborando em jornais da capital da jovem república brasileira.

A sua primeira publicação, o romance naturalista A Mulata (1896), sobre o baixo mundo do Rio de Janeiro, cuja personagem principal é uma prostituta, foi recebido violentamente pela crítica, que o considerou um insulto para a época, tendo sido adjetivado de "livro infame, em que nada do Brasil escapara ao insulto" e uma verdadeira "enxurrada de lama".

Diante da reação desfavorável, o autor voltou para Portugal, onde ingressou na política. Monárquico militante, foi Deputado entre 1897 e 1910.

Com a Proclamação da República Portuguesa (1910), exilou-se voluntariamente no Brasil, onde viveu até 1935. Quando do seu retorno em 1910, a comunidade portuguesa do Rio de Janeiro ofereceu-lhe, na conceituada Confeitaria Colombo, um jantar de homenagem e de desagravo pelas hostilidades ocorridas quando da publicação do seu primeiro e polêmico romance. Compareceram políticos, escritores e e representantes da classe conservadora, todos vaiados por um grupo de jornalistas, poetas e jovens intelectuais na rua do Ouvidor, à porta da Colombo, inclusive Rui Barbosa que, embora recebido em respeitoso silêncio, ao adentrar a confeitaria, ouviu o protesto do poeta Bastos Tigre, que lhe gritou: "Não sou tigre de tapete!"

A 2 de Junho de 1919 foi feito Grande-Oficial da Ordem Militar de Cristo, tendo sido elevado a Grã-Cruz da mesma Ordem a 13 de Junho do mesmo ano.[1]

Abandonou posteriormente a ficção e passou para a historiografia e temas cívicos e políticos. Coordenou a publicação da monumental História da Colonização Portuguesa do Brasil (1921), com reconhecida maestria, em que confluíram o realismo historicista e o neorromantismo nacionalista. Fundou e dirigiu a famosa revista carioca O Cruzeiro (1928).

Além de ter sido diretor da revista Ilustração Portuguesa[2] e codiretor de O Domingo Ilustrado[3] (1925-1927), colaborou em diversas publicações periódicas, nomeadamente nas publicações periódicas Branco e Negro [4] (1896-1898), Brasil- Portugal[5] (1899-1914), Serões[6] (1901-1911), Revista do Conservatório Real de Lisboa [7] (1902), Atlantida[8] (1915-1920), Contemporânea[9] (1915-1926), Lusitânia [10] (1924-1927) e Feira da Ladra [11] (1929-1943).

Foi também um dos fundadores da Academia Portuguesa de História (1936), considerada sucessora da Academia Real de História Portuguesa. Foi membro-correspondente da Academia Brasileira de Letras (ABL), sucedendo a Eça de Queiroz. Romancista, contista e cronista, é considerado um dos maiores e mais talentosos escritores portugueses da geração seguinte à do autor de O primo Basílio.

Obras[editar | editar código-fonte]

  • 1895 - Cenários (romance e novela)
  • 1896 - A Mulata (romance e novela)
  • 1897 - Corações de Todos (teatro)
  • 1900 - O Filho das Ervas (romance e novela)
  • 1901 - Os Teles de Albergaria (romance e novela)
  • 1902 - A Paixão de Maria do Céu (romance e novela)
  • 1905 - O Grande Cagliostro (romance e novela)
  • 1907 - A Vencida (conto)
  • 1913 - Inimigos (teatro)
  • 1916 - A verdade nua
  • 1919 - A Esperança e a Morte
  • 1964 - Pensadores brasileiros (biografia)

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • LUFT, Celso Pedro. Dicionário de literatura portuguesa e brasileira (2ª ed.). Rio de Janeiro: Ed. Globo, 1969.
  • MENEZES, Raimundo de. Dicionário literário brasileiro (2ª ed.). LTC, 1978.
  • NUNES, Teresa, Carlos Malheiro Dias. Um monárquico entre dois regimes. Casal de Cambra: Caleidoscópio, 2009. ISBN 978-989-658-032-2.

Referências

  1. «Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "Carlos Malheiro Dias". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 2016-02-08. 
  2. Illustração portugueza (1903-1923) cópia digital, Hemeroteca Digital
  3. Rita Correia (10 de Novembro de 2007). «Ficha histórica: O Domingo Ilustrado (1925-1927)» (pdf). Hemeroteca Municipal de Lisboa. Consultado em 03 de Outubro de 2014. 
  4. Rita Correia (01 de Fevereiro de 2012). «Ficha histórica: Branco e Negro : semanario illustrado (1896-1898)» (pdf). Hemeroteca Municipal de Lisboa. Consultado em 21 de Janeiro de 2015. 
  5. Rita Correia (29 de Abril de 2009). «Ficha histórica: Brasil-Portugal : revista quinzenal illustrada (1899-1914).» (pdf). Hemeroteca Municipal de Lisboa. Consultado em 26 de Junho de 2014. 
  6. Serões: revista semanal ilustrada (1901-1911) cópia digital, Hemeroteca Digital
  7. Helena Roldão (07 de novembro de 2014). «Ficha histórica:Revista do Conservatório Real de Lisboa: publicação mensal ilustrada (1902)» (PDF). Hemeroteca Municipal de Lisboa. Consultado em 23 de julho de 2015. 
  8. Rita Correia (19 de Fevereiro de 2008). «Ficha histórica: Atlantida: mensário artístico, literário e social para Portugal e Brasil (1915-1920)» (pdf). Hemeroteca Municipal de Lisboa. Consultado em 17 de Junho de 2014. 
  9. Contemporânea [1915]-1926 cópia digital, Hemeroteca Digital
  10. Rita Correia (05 de Novembro de 2013). «Ficha histórica: Lusitania : revista de estudos portugueses (1924-1927)» (pdf). Hemeroteca Municipal de Lisboa. Consultado em 03 de Dezembro de 2014. 
  11. «Feira da ladra : revista mensal ilustrada (1929-1942), Tomo IX, páginas 204 a 206» (PDF). Hemeroteca Municipal de Lisboa. Consultado em 24 de fevereiro de 2015. 

Ver também[editar | editar código-fonte]

Precedido por
Eça de Queirós
(fundador)
Lorbeerkranz.png correspondente da ABL - cadeira 2
Sucedido por
António Egas Moniz