Matias Aires

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Matias Aires
Nome completo Matias Aires Ramos da Silva de Eça
Nascimento 27 de março de 1705
São Paulo
Morte 10 de dezembro de 1763 (58 anos)
Lisboa
Nacionalidade Portugal Português
Progenitores Mãe: Catharina de Orta
Pai: José Ramos da Silva
Ocupação Filosofia
Magnum opus Reflexões sobre a Vaidade dos Homens

Matias Aires Ramos da Silva de Eça (em grafia antiga, Mathias Ayres Ramos da Silva d'Eça) (São Paulo, 27 de março de 1705Lisboa 10 de dezembro de 1763)[1][2][3] foi um filósofo e escritor de nacionalidade portuguesa nascido no Brasil colônia.[4][5][3]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filho de José Ramos da Silva e de sua mulher Catarina de Orta, nasceu em São Paulo, na Capitania, depois Província e hoje Estado de São Paulo, Brasil.[1][4] Foi Cavaleiro da Ordem de Cristo e Provedor da Casa da Moeda de Lisboa, obtendo e sucedendo neste emprego a seu pai, José Ramos da Silva, por sua morte. Foi Bacharel em Filosofia pela Faculdade de Ciências e Mestre em Artes pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Formou-se numa Universidade Francesa em Direito Civil e Canónico.[1][4][6] Fez estudos de Matemática e Ciências Físicas. Conhecia o Hebraico e outras línguas.[1]

Em 1716 seus pais se mudaram para Portugal, e Matias Aires ingressou no Colégio de Santo Antão. Em 1722, estudou nas Faculdades de Leis e de Cânones de Coimbra, onde recebeu o grau de Licenciado em Artes, graduando-se mais tarde na cidade de Baiona, na Galiza.

Foi notável literato e naturalista e grande amigo do malogrado António José da Silva, o Judeu, que procurou ardentemente salvar da fogueira, o que não conseguiu.[6]

Escreveu obras em Francês e Latim e foi também tradutor de clássicos latinos. É considerado por muitos o maior nome da Filosofia de Língua Portuguesa do seu tempo.

Em Reflexões sobre a Vaidade dos Homens, cuja primeira edição é de 1752, o autor tece suas reflexões a partir do trecho bíblico extraído do Eclesiastes: Vanitas vanitatum et omnia vanitas, ou seja, "Vaidade das vaidades, tudo é vaidade". Como um dos exemplos da vaidade dos homens, é citada a sumptuosidade dos mausoléus.[7]

Inocêncio Francisco da Silva informa no seu dicionário que "Quanto à data de seu óbito é por ora ignorada, sabendo-se contudo que já era falecido no ano de 1770".[4] Ernesto Ennes[3] informa data de 10 de dezembro de 1763, a partir de documentação comprobatória. O Dicionário Biobibliográfico de Autores Brasileiros informa a mesma data.[2]

Obras[editar | editar código-fonte]

  • Aires, Matias, 1705-1763 (1752). Reflexões sobre a vaidade dos homens, ou discursos moraes sobre os effeitos da vaidade. Abaixo do título: Offerecidos a Elrey Nosso Senhor D. Joseph o I., por Mathias Aires Ramos da Silva de Eça. Lisboa: Na Officina de Francisco Luiz Ameno. 400 páginas [8]
  • Aires, Matias, 1705-1763 (1778). Reflexoens sobre a vaidade dos homens ou discursos moraes sobre os effeitos da vaidade. Correta, emendada e aumentada com uma Carta sobre a Fortuna, composta pelo mesmo Autor 3 ed. Lisboa: Na Typographia Rollandiana. pp. xxxii, 373  Parâmetro desconhecido |Idioma2= ignorado (|idioma2=) sugerido (ajuda); [8]
  • Aires, Matias, 1705-1763 (1761). Reflexões sobre a vaidade dos homens, ou discursos moraes sobre os effeitos da Vaidade. Abaixo do título: Offerecidas a El rey nosso senhor D. Joseph o I. Por Mathias Aires Ramos da Silva de Ec,a [sic] 2 ed. Lisboa: Na Offic. de Antonio Vicente da Silva. 400 páginas  Parâmetro desconhecido |Idioma2= ignorado (|idioma2=) sugerido (ajuda)[8]
  • Aires, Matias, 1705-1763 (1770). Problema de architectura civil. a saber, porque razão os edifícios antigos tinhão, e tem mais duração do que os modernos? e estes porque razão rezistem menos ao movimento da terra quando treme. Obra phostuma dividida em duas partes com um index de alguns termos, de que na mesma se faz menção dada a luz por seu filho Manoel Ignacio Ramos. Lisboa: Na Officina de Miguel Rodrigues  Parâmetro desconhecido |volumes= ignorado (|volume=) sugerido (ajuda)[8]
  • Aires, Matias, 1705-1763 (1777). Problema de archictetura civil (Parte 1). Abaixo do título: demonstrado por Mathias Ayres Ramos da Silva de Eça, Provedor, que foi da Caza da Moeda desta Corte: e autor das Reflexoens sobre a Vaidade dos Homens, que dedica e offerece ao senhor Gonçalo Jozé da Sylveira Preto, Fidalgo da Casa de Sua Magestade, do seu Conselho [...] Lisboa: Offic. de Antonio Rodrigues Galhardo, Impressor da Real meza Censoria. 250 páginas  Parâmetro desconhecido |Idioma2= ignorado (|idioma2=) sugerido (ajuda)
  • Aires, Matias, 1705-1763 (1777). Problema de archictetura civil (Parte 2). Abaixo do título: demonstrado por Mathias Ayres Ramos da Silva de Eça, Provedor, que foi da Caza da Moeda desta Corte: e autor das Reflexoens sobre a Vaidade dos Homens, que dedica e offerece ao senhor Gonçalo Jozé da Sylveira Preto, Fidalgo da Casa de Sua Magestade, do seu Conselho [...] Lisboa: Offic. de Antonio Rodrigues Galhardo, Impressor da Real meza Censoria. 391 páginas  Parâmetro desconhecido |Idioma2= ignorado (|idioma2=) sugerido (ajuda)
  • Aires, Matias, 1705-1763 (1778). Problema de Architectura Civil (Parte 1). Abaixo do título: demonstrado por Mathias Ayres Ramos da Silva de Eça, Provedor, que foi da Caza da Moeda desta Corte: e autor da Reflexoens sobre a Vaidade dos Homens, que dedica, e offerece ao senhor Gonçalo Jozé da Silva Preto, Fidalgo da Casa de Sua Magestade, do seu Conselho, [...] Lisboa: Na Offic. de Antonio Rodrigues Galhardo, Impressor da Real Meza Censoria. 250 páginas [8]
  • Aires, Matias, 1705-1763 (1778). Problema de Architectura Civil (Parte 2). Lisboa: Na Offic. de Antonio Rodrigues Galhardo, Impressor da Real Meza Censoria. 391 páginas [8]
  • Aires, Matias, 1705-1763 (1759). Discurso congratulatorio pela felicissima convalescença, e real vida de El Rey D. Joze I. nosso senhor; consagrado com hum dia festivo de açcão de graças a Deos no Mosteiro de Saõ Bento da Saude desta cidade aos 19 de janeiro de 1759. Lisboa: na Officina de Miguel Rodrigues, Impressor do Eminentissimo Senhor Card. Patriarca [9][8]

Edições comentadas[editar | editar código-fonte]

  • Aires, Matias, 1705-1763 (1993). Reflexões sobre a vaidade dos homens, ou, discursos morais sobre os efeitos da vaidade oferecidos a El-Rei Nosso Senhor D. José I. Introdução de Alceu Amoroso Lima; ilustrações Santa Rosa. São Paulo: Martins Fontes 
  • Aires, Matias, 1705-1763 (1948). Reflexões sobre a vaidade dos homens. Edição fac-similar com um estudo biobibliográfico de Mario Lobo Leal. Rio de Janeiro: Zélio Valverde. 400 páginas 
  • Aires, Matias, 1705-1763 (1962). Kury, Adriana da Gama; Masi, Pedro Luiz, ed. Matias Aires. Reflexões sôbre a vaidade dos homens (trechos escolhidos). Rio de Janeiro: Agir. 110 páginas  Parâmetro desconhecido |colecção= ignorado (ajuda)

Referências

  1. a b c d Blake, Augusto Victorino Alves Sacramento (1883-1902). Diccionario bibliographico brazileiro. 6, p. 259. Rio de Janeiro: Typographia Nacional  Parâmetro desconhecido |volumes= ignorado (|volume=) sugerido (ajuda)
  2. a b Dicionário Biobibliográfico de Autores Brasileiros. filosofia, pensamento político, sociologia, antropologia. Brasília, Salvador: Senado Federal, CDPB. 1999. p. 23. 506 páginas 
  3. a b c Ennes, Ernesto Jose Bizarro (1944-1952). Dois paulistas insignes. 1. São Paulo: Ed. Nacional  Parâmetro desconhecido |volumes= ignorado (|volume=) sugerido (ajuda) Erro de citação: Código <ref> inválido; o nome "ennes" é definido mais de uma vez com conteúdos diferentes
  4. a b c d Silva, Innocencio Francisco da (1858-1923). Diccionario bibliographico portuguez. estudos de Innocencio Francisco da Silva applicaveis a Portugal e ao Brasil. 6, p. 159. Lisboa: Na Imprensa Nacional  Parâmetro desconhecido |volumes= ignorado (|volume=) sugerido (ajuda)
  5. Aires, Matias, 1705-1763 (1948). Reflexões sobre a vaidade dos homens. Edição fac-similar com um estudo biobibliográfico de Mario Lobo Leal. Rio de Janeiro: Zélio Valverde. 400 páginas 
  6. a b Vários. Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. [S.l.]: Editorial Enciclopédia, L.da. pp. Volume IX. 385 
  7. Monteiro, Clóvis (1961). Esboços de história literária. Rio de Janeiro: Livraria Acadêmica. p. 94-95 
  8. a b c d e f g Moraes, Rubens Borba de (2010). Bibliographia brasiliana. livros raros sobre o Brasil publicados desde 1504 até 1900 e obras de autores brasileiros do período colonial. 1, p. 331-333. São Paulo: Edusp  Parâmetro desconhecido |volumes= ignorado (|volume=) sugerido (ajuda)
  9. Silva, Innocencio Francisco da (1858-1923). Diccionario bibliographico portuguez. estudos de Innocencio Francisco da Silva applicaveis a Portugal e ao Brasil. 17, p. 15. Lisboa: Na Imprensa Nacional  Parâmetro desconhecido |volumes= ignorado (|volume=) sugerido (ajuda)
Ícone de esboço Este artigo sobre um(a) escritor(a) é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.