Harry Potter e a Pedra Filosofal

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Harry Potter e a Pedra Filosofal
Harry Potter e a Pedra Filosofal
1ª capa da edição britânica.
Autor (es) J. K. Rowling
Idioma inglês
País  Reino Unido
Género Fantasia, ficção, aventura, bildungsroman
Série Harry Potter
Linha de tempo da história Partes de 1981 e do final de 1991 ao começo de 1992
Ilustrador Reino Unido Thomas Taylor
Estados Unidos Mary GrandPré (1998-2008) / Kazu Kibuishi (2013)
Editora Bloomsbury Publishing
Lançamento Reino Unido 26 de junho de 1997[1]
Estados Unidos 1 de setembro de 1998
Páginas Reino Unido 223
Estados Unidos 309
ISBN 0-7475-3269-9
Edição portuguesa
Tradução Isabel Fraga
Editora Presença
Lançamento 14 de outubro de 1999
Páginas 255
ISBN 972-23-2533-7
Edição brasileira
Tradução Lia Wyler
Editora Rocco
Lançamento 1 de janeiro de 2000
Formato Brochura
Páginas 223
ISBN 85-325-1101-5
Cronologia
Último
Harry Potter e a Câmara Secreta/dos Segredos
Próximo

Harry Potter e a Pedra Filosofal, também intitulado como Harry Potter 1 ou a abreviatura HP 1 (no original em inglês Harry Potter and the Philosopher's Stone,[2] exceto nos Estados Unidos, Harry Potter and the Sorcerer’s Stone)[3] é o primeiro livro dos sete volumes da série de fantasia Harry Potter, tanto em termos cronológicos como em ordem de publicação, da autora inglesa J. K. Rowling. O livro foi publicado pela primeira vez no Reino Unido pela editora Bloomsbury de Londres em 1997,[4] e depois nos Estados Unidos pela editora Scholastic de Nova Iorque no ano seguinte[5] e depois no resto do mundo, tendo sido publicado em vários outros países anos subsequentes, e tendo sido traduzido para mais de 65 idiomas.[6]

O livro conta a história de Harry Potter, um jovem garoto órfão criado por seus tios que descobre em seu aniversário de onze anos que é um bruxo. No romance, são narrados os primeiros passos de Harry na comunidade mágica, sua ingressão na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts e como conhece Rony Weasley e Hermione Granger, que o ajudam a enfrentar Lorde Voldemort, o mais poderoso bruxo das trevas de todos os tempos que muitos anos antes matou seus pais e que agora procurava um objeto lendário conhecido como a pedra filosofal.

Harry Potter e a Pedra Filosofal ganhou vários prêmios literários no Reino Unido e nos Estados Unidos; em agosto de 1999, alcançou o topo da lista de Best-sellers de ficção, aparecendo no jornal The New York Times[7] estando no topo da lista de maiores dos anos 1999 e 2000. Junto com o resto da série Harry Potter, este volume tem recebido críticas de vários grupos religiosos e foi proibido em alguns países devido a acusações de promover a bruxaria. No entanto, alguns comentadores cristãos têm escrito que o livro exemplifica conceitos importantes valorizados pela doutrina cristã, incluindo o poder de auto sacrifício e da maneira em que as decisões do povo formam suas personalidades.[8]

Há várias adaptações do livro, incluindo audiobooks, jogos eletrônicos e uma longa-metragem lançada em 2001. O filme baseado no livro foi sob a direção de Chris Columbus e se tornou um dos filmes que obteve mais sucesso na história do cinema.[9] [10]

Sinopse[editar | editar código-fonte]

Trama[editar | editar código-fonte]

Gtk-paste.svg Aviso: Este artigo ou se(c)ção contém revelações sobre o enredo.
Como diz o título principal, a trama é centrada em uma substância lendária de um alquimista que dá a imortalidade.

Antes do início do romance, Lord Voldemort, considerado o mais poderoso bruxo das trevas na história, mata o casal Tiago e Lílian Potter, mas desaparece misteriosamente depois de tentar matar seu filho, Harry. Enquanto o mundo bruxo comemora a queda de Voldemort, o professor Dumbledore, a professora McGonagall e o meio-gigante, Rúbeo Hagrid colocam o órfão de um ano de idade no cuidado de seus tios trouxas (não bruxos), grosseiros e frios: Válter e Petúnia Dursley, com seu filho mimado, Duda.

Dez anos mais tarde, enquanto vivia na Rua dos Alfeneiros, número 4, Harry é maltratado pelos Dursley, tratado mais como um escravo do que como um membro da família. Pouco antes de seu aniversário de 11 anos, uma série de cartas endereçadas a Harry chegam, mas Válter destrói todas antes que Harry conseguisse lê-las, levando apenas a um afluxo de mais cartas. Para fugir da perseguição das cartas, Válter primeiro leva a família e Harry para um hotel e, quando as cartas chegam lá também, ele leva todos para uma pequena ilha. No décimo primeiro aniversário de Harry, à meia-noite, Hagrid arromba a porta e entra na casa para entregar a carta de Harry e diz a ele o que os Dursley esconderam dele: os pais de Harry não morreram em um trágico acidente de carro e que ele é um bruxo e foi aceito na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Hagrid leva Harry para o Beco Diagonal, um centro comercial magicamente escondido em Londres, onde ele descobre que é muito famoso entre os bruxos e bruxas, conhecido como "o menino que sobreviveu." Ele também descobre que é bastante rico, graças a uma herança que seus pais mantiveram em um cofre, no banco dos bruxos, Gringotes. Guiado por Hagrid, ele compra os equipamentos que vai precisar para o seu primeiro ano em Hogwarts.

Um dos muitos materiais que Harry precisa comprar para o primeiro ano em Hogwarts é uma varinha. Na loja de varinhas, a que se identifica com Harry é a irmã gêmea da varinha de Voldemort; as duas varinhas contém pena da mesma fênix.[11] Harry também sai com um novo animal de estimação (presente de aniversário de Hagrid), uma coruja nomeada Hedwig. Um mês depois, Harry sai da casa dos Dursley para pegar o Expresso de Hogwarts, na estação de King's Cross. Lá ele conhece a família Weasley, que mostram-lhe como passar através da parede mágica para a Plataforma 9¾, onde está o trem que os levará a Hogwarts. Enquanto está no trem, Harry rapidamente se torna amigo de Rony Weasley, e diz a ele que alguém tentou roubar um cofre em Gringotes. Eles discutem sobre o ano letivo, que Harry está ansioso e animado para. Durante a viagem, eles conhecem Hermione Granger, que mais tarde se torna uma de seus melhores amigos. Harry também faz um inimigo nesta viagem, Draco Malfoy, que também vai para o primeiro ano. Draco, acompanhado de seus companheiros Vicente Crabbe e Gregório Goyle, oferece sua amizade e conselhos para escolher amigos, mas ele acaba não gostando de Draco por sua arrogância e preconceito e rejeita a oferta de "amizade".

Antes do primeiro jantar no salão principal da escola, os novos alunos são classificados para casas pelo Chapéu Seletor. Enquanto Harry está sendo classificado, o chapéu sugere que ele seja colocado na Sonserina, que é conhecida por ser casa dos Comensais da Morte, mas quando Harry se opõe, o chapéu o envia para a Grifinória, casa rival da Sonserina. Rony e Hermione também são classificados para a Grifinória. Draco é classificado para a Sonserina, casa que sua família tem sido tradicionalmente classificada por muitos anos. Durante a refeição, Harry presta atenção no professor Severo Snape e sente uma dor na cicatriz que Voldemort deixou no lado esquerdo de sua testa.

Após a terrível primeira aula de poções com Snape, Harry e Rony visitam Hagrid (guardião das chaves e do terreno de Hogwarts), que vive em uma cabana na orla da Floresta Proibida. Lá eles acabam descobrindo que a tentativa de roubo em Gringotes ocorreu no dia em que Harry retirou o dinheiro do seu cofre. Harry lembra que Hagrid havia retirado um pacote pequeno do cofre que tinha sido arrombado.

Durante a primeira lição de vôo de vassoura dos primeiros anos, um colega da Grifinória, Neville Longbottom, quebra seu pulso e é levado às pressas para a enfermaria pela professora. Draco aproveita-se da situação e lança seu Lembrol no céu, que caiu por causa do acidente. Harry persegue o objeto em sua vassoura, quando captura, desce e começa a comemorar com todos. Sem o conhecimento de Harry, a professora McGonagall, que é a chefe da casa Grifinória, testemunha sua performance na vassoura. Ela nomeia-o como o novo Apanhador da equipe de Quadribol da Grifinória.

Quando Harry, Rony, Hermione e Neville tentam entrar no Salão Comunal da Grifinória, não conseguem porque a Mulher Gorda foi fazer uma visita durante a noite e deixou o quadro; Neville então segue Harry, Rony e Hermione ao suposto duelo entre Harry e Draco. O grupo então descobre que Draco armou para que eles fossem pegos por Argo Filch, o zelador, e enquanto correm dele acabam encontrando-se no corredor proibido do terceiro andar e encontram um cão de três cabeças.[12] Os quatro retiram-se às pressas, e Hermione percebe que o cão está em cima de um alçapão. Harry conclui que o monstro está guardando o pacote que Hagrid pegou em Gringotes.

Depois que Rony critica a inteligência de Hermione em encantos, ela se esconde no banheiro das meninas, e começa a chorar. Durante a Festa de Dia das Bruxas, o professor Quirrell relata que um trasgo saiu das masmorras. Enquanto todos retornam para seus dormitórios, Harry e Rony correm para avisar Hermione, que não estava na festa para ouvir o anúncio. O trasgo cruza com Hermione no banheiro e Harry e Rony a salvam desajeitadamente. Depois, Hermione leva a culpa pela briga e se torna uma grande amiga dos dois rapazes.

À noite, antes da primeira partida de Quadribol de Harry, ele vê Snape recebendo atenção médica de Filch por causa de uma mordida causada pelo cão de três cabeças. Durante o jogo, a vassoura de Harry sai do controle, pondo em risco a sua vida, e Hermione percebe que Snape está olhando para Harry e sussurrando. Concluindo que Snape é responsável pela vassoura de Harry estar fora de controle, ela precipita-se e vai até a arquibancada dos professores, derruba Quirrell por causa de sua pressa e ateia fogo ao manto de Snape. Harry recupera o controle de sua vassoura e captura o Pomo de Ouro, ganhando o jogo. Hagrid se recusa a acreditar que o Snape foi responsável por colocar a vida de Harry em perigo, mas deixa escapar que ele comprou o cão de três cabeças (chamado Fofo) e que o monstro está guardando um segredo que pertence a um assistente chamado Nicolau Flamel e Dumbledore.

Quando chega as férias de Natal, Harry e os Weasley permanecem em Hogwarts, enquanto Hermione volta para casa. Um dos presentes de Harry, de um doador anônimo, é uma Capa da Invisibilidade que pertencia ao seu pai e, também, uma flauta de Hagrid. Harry usa a capa para pesquisar informações sobre o misterioso Flamel na seção reservada da biblioteca, e encontra uma sala que contém o Espelho de Ojesed, que lhe mostra seus pais e vários des seus antecessores. Harry torna-se viciado em ficar olhando o espelho, escolhendo passar o tempo com sua 'família', ao invés do que com seus amigos em Hogwarts, até ser resgatado pelo professor Dumbledore, que explica que esse mostra os desejos mais desesperados de nossos corações.

Quando o resto dos estudantes voltam para a escola, Draco caçoa de Neville, e Harry consola o com um doce. As cartas colecionáveis embrulhadas com o doce identificam Flamel como um alquimista. Hermione logo descobre que ele tem 665 anos de idade e possui um objeto único, conhecido como a pedra filosofal, da qual pode ser extraído um elixir da vida. Poucos dias depois, Harry percebe Snape esgueirando-se para a Floresta Proibida. Lá ele ouve metade de uma conversa sobre a pedra filosofal entre Snape e Quirrell. Harry conclui que Snape está tentando roubar a pedra e Quirrell ajudou a preparar uma série de defesas, que foi um erro quase fatal.

Os três amigos descobrem que Hagrid está criando um bebê dragão e, em violação da lei dos bruxos, eles se organizam para tirá-lo do país em torno da meia-noite. Draco, na esperança de lhes arranjar problemas, informa a professora McGonagall. Embora o dragão seja mandado embora com segurança, eles são capturados fora de seus dormitório na madrugada. Harry, Hermione, Draco e Neville são punidos e atribuídos a tarefa de auxiliar Hagrid tentando encontrar um unicórnio gravemente ferido na Floresta Proibida. Eles se divididem em dois grupos e arriscam-se a procura-lo. Rony, Hermione, Neville e Hagrid são um grupo e Harry e Draco são outro. Harry e Draco se deparam com uma figura encapuzada, cujo estava bebendo o sangue de um unicórnio ferido. Ciente da sua presença, a figura se aproxima dos rapazes, mas Harry é resgatado por um centauro chamado Firenze, que se oferece para lhe dar uma carona para a escola. O centauro diz a Harry que beber sangue de um unicórnio vai salvar a vida de um indivíduo mortalmente ferido, mas o preço é de ter uma vida amaldiçoada a partir desse momento. Firenze sugere que era Voldemort bebendo o sangue para ganhar forças suficientes para fazer o elixir da vida (a partir da pedra filosofal) e ganhar saúde integral ao bebê-lo.

Algumas semanas mais tarde, Harry fica sabendo de Hagrid que o ovo de dragão foi dado a ele por um estranho encapuzado que lhe tinha perguntado como passar por Fofo, e Hagrid disse que era fácil: era só colocar uma música que ele dormia. Percebendo que uma das defesas da pedra filosofal não é mais segura, Harry vai para informar a Dumbledore, mas descobre que o diretor tinha acabado de sair para uma reunião em Londres. Harry conclui que Snape havia fingido sobre a reunião de Dumbledore e iria tentar roubar a pedra naquela noite. Harry então decide que eles devem proteger a pedra, já que Dumbledore está fora. Cobertos pela Capa da Invisibilidade, o trio entra na sala onde Fofo se encontra e Harry coloca o cão para dormir tocando a flauta que Hagrid deu a ele no Natal. Após entrarem no alçapão, eles encontram uma série de obstáculos, cada uma delas requer habilidades especiais possuída por um dos três, e uma Rony tem que se sacrificar em um jogo de xadrez de bruxo em tamanho real para Harry e Hermione continuarem.

Apesar de sua relutância em deixar Rony para trás, Harry e Hermione chegam a uma sala com uma série de poções de vários tamanhos e cores. Depois de Hermione descobrir o enigma, ela diz a Harry qual poção beber. Harry engole o líquido, permitindo-lhe seguramente passar por um fogo mágico e entrar na última sala, enquanto Hermione retorna para cuidar de Rony e notificar Dumbledore sobre os eventos da noite.

Na última sala, Harry, agora sozinho, encontra Quirrell, que admite ter tentado matar Harry em sua partida de Quadribol contra a Sonserina. Ele também admite que deixou o trasgo sair das masmorras em Hogwarts. Isso significa que Snape estava tentando proteger Harry desde o início e não tentado matá-lo. Quirrell é um dos seguidores de Voldemort, e, depois de não conseguir roubar a pedra filosofal pela primeira vez, ele permitiu que Voldemort o possuísse para que pudesse obter a pedra por si mesmo. Isto se torna, no entanto, uma tarefa difícil porque o outro objeto na sala é o espelho de Ojesed, que não revela a Quirrell onde está a pedra. Na licitação de Voldemort, Quirrell faz Harry ficar na frente do espelho. O espelho mostra a Harry onde está a pedra. Quirrell remove seu turbante, revelando o rosto de Voldemort na parte de trás da cabeça. Quirrel/Voldemort tenta agarrar a pedra de Harry, mas não consegue. Depois de uma longa luta, Harry desmaia. Ele acorda no hospital da escola, onde Dumbledore explica-lhe que ele sobreviveu porque sua mãe sacrificou sua vida para protegê-lo, e Voldemort nem Quirrell poderiam entender o poder do amor. Voldemort deixou Quirrell morrer e é provável que Voldemort tente retornar por outros meios. A pedra foi destruída. O ano escolar termina no banquete final, e a Grifinória ganha a taça da Copa das Casas. Harry retorna para a casa dos Dursley para as férias de verão, mas Hagrid diz que bruxos menores de idade estão proibidos de usar magia fora de Hogwarts.

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Personagens principais[editar | editar código-fonte]

Harry Potter é um órfão que Rowling descreveu como "um garoto magricela, de cabelo preto, óculos e que não sabia que era um bruxo".[13] Ela desenvolveu a história da série e dos personagens para explicar como Harry entrou nesta situação e como sua vida se desenrolou a partir daí.[14] Além do primeiro capítulo, os acontecimentos deste livro ocorrem antes e no ano seguinte do décimo primeiro aniversário de Harry. O ataque de Voldemort deixou uma cicatriz em forma de raio na testa de Harry,[14] que produz dores penetrantes quando Voldemort sente alguma emoção forte. Ele tem um talento natural em Quadribol.

Ronald Weasley tem a idade de Harry e Rowling descreve-o como seu melhor dos melhores amigos, "sempre lá quando você precisa dele".[15] Ele é sardento, ruivo e bem alto. Ele cresceu em uma família bastante grande de sangue-puro, ele é o sexto filho de sete. Embora sua família seja muito pobre, ainda vivem confortáveis e felizes. Sua lealdade e bravura no jogo de xadrez de bruxos desempenha um papel vital em encontrar a pedra filosofal.

Hermione Granger, a filha de uma família trouxa, é uma menina mandona, que aparentemente tinha memorizado a maioria dos livros antes do início do ano. Rowling descreveu Hermione como uma personagem "muito lógica, de caráter e uma menina boa"[16] com "muita insegurança e um grande medo de fracassar".[16] Apesar de seus esforços irritantes para manter Harry e Rony fora de problemas, ela torna-se uma amiga muito íntima dos dois rapazes após eles terem salvado-a de um trasgo, e suas habilidades mágicas e analíticas desempenham um papel vital em encontrar a pedra filosofal. Ela tem cabelo castanho desgrenhado e os dentes da frente bastante grandes.

Neville Longbottom é um garoto gordo, tímido e tão esquecido que sua avó lhe dá um Lembrol. As habilidades mágicas de Neville são fracas e apareceram a tempo de salvar sua vida, quando ele tinha oito anos.

O brasão da Hogwarts, escola de magia de Harry.

Rúbeo Hagrid, um meio-gigante de pouco mais de 3 metros de altura, com cabelos negros emaranhados e barba, foi expulso de Hogwarts, mas o professor Dumbledore o deixou ser o guardião das chaves e dos terrenos de Hogwarts, um trabalho que permite-lhe dar carinho e nomes para criaturas mágicas. Quebrou sua varinha. Hagrid é ferozmente leal a Dumbledore e rapidamente torna-se amigo de Harry, Rony e, mais tarde, de Hermione.

Professor Dumbledore, um homem alto, magro, que usa óculos de meia-lua e tem cabelos prateados e uma barba que enfia dentro de seu cinto, é o diretor de Hogwarts e o único bruxo que Voldemort tem medo. Dumbledore tem dificuldade em resistir a doces e tem senso de humor caprichoso. Embora não se importe com o louvor, ele está ciente de seu próprio brilho. Rowling descreveu-o como o "epítome da bondade".[17]

Professora McGonagall, uma mulher alta e severa com cabelo preto amarrado em um coque apertado, ensina Transfiguração e, às vezes, transforma-se em um gato. Ela é a diretora da casa de Grifinória e, segundo a escritora, "sob esse exterior rude é uma idosa pateta".[18]

Petúnia Dursley a irmã da mãe de Harry, Lílian Potter, é uma mulher magra, com um pescoço longo que usa para espiar os vizinhos. Ela considera sua irmã uma aberração e tenta fingir que ela nunca existiu. Válter, seu marido, é um homem fortemente construído cuja fanfarronada irascível abrange uma mente estreita e um medo de algo fora do comum. O filho deles, Duda, é um valentão com excesso de peso e mimado.

Draco Malfoy é um menino magro, pálido, que fala pausadamente. Ele é arrogante sobre sua habilidade em Quadribol e despreza quem não é um bruxo de sangue puro. Seus pais apoiavam Voldemort, mas mudaram de lado depois de seu sumiço, alegando que tinham sido enfeitiçados. Draco evita confrontos diretos e tenta pegar Harry e seus amigos em confusões.

Quirinus Quirrell, gago, trêmulo, professor de Defesa contra as Artes das Trevas. Quirrell usava um turbante para esconder o fato de que é voluntariamente possuído por Voldemort, cujo rosto aparece na parte de trás da cabeça de Quirrell.

Professor Snape, que tem um nariz adunco e cabelo preto gorduroso, ensina poções, mas preferia ensinar Defesa Contra as Artes das Trevas. Snape elogia os alunos da Sonserina, sua própria casa, mas aproveita cada oportunidade para humilhar os outros, especialmente Harry. Vários incidentes, começando com a dor aguda na cicatriz de Harry durante a festa de início do ano, levam Harry e seus amigos a pensar que Snape é um seguidor de Voldemort. Snape é o diretor da casa Sonserina.

Argo Filch, zelador da escola, sabe passagens secretas da escola melhor do que ninguém, exceto, possivelmente, dos gêmeos Weasley. A gata dele, Madame Nora, auxilia sua caça constante ao mau comportamento dos alunos. Outros membros da equipe incluem a atarracada professora de Herbologia e diretora da casa Lufa-Lufa, Professora Sprout; Professor Flitwick, o minúsculo professor de Feitiços e diretor da casa Corvinal; Professor Binns, professor de História da Magia, um fantasma que parece não ter notado a sua própria morte; e Madame Hooch, a treinadora de Quadribol, é rígida, mas atenciosa e metódica. O poltergeist Pirraça vagueia em torno do castelo causando problemas onde puder.

Lorde Voldemort é o bruxo tenebroso que aterrorizou o mundo mágico na década de 1970 em um conflito conhecido como a Primeira Guerra. Seu corpo foi destruído pela maldição que lançou contra Harry por causa da intervenção da mãe do bebê. Posteriormente, usou o corpo de Quirrell para conseguir a pedra filosofal e, desse modo, conseguir a imortalidade.

História do livro[editar | editar código-fonte]

Desenvolvimento[editar | editar código-fonte]

J. K. Rowling é a autora da série.

A gênese de Harry Potter e a Pedra Filosofal está intimamente ligada aos acontecimentos que tiveram lugar na vida da autora, a escritora britânica J. K. Rowling, a partir de 1990;[19] naquele ano, a autora mudou-se para a cidade inglesa Manchester.[20] Depois de uma semana na busca de um apartamento na cidade, Rowling retornou para Londres de trem e estava lá, como ela diz, onde tudo começou: "Realmente não sei como surgiu a ideia [...] Começou com Harry; então, todos os personagens e as situações surgiram na minha cabeça";[21] toda essa corrente de idéias constituía o esboço das situações que ocorrem na escola de magia ao qual Rowling mais tarde nomeou como Hogwarts. Durante o resto da viagem, ela desenvolveu a ideia em sua mente, já que não tinha como escrever, uma coisa que ela reconheceu como benéfico para o processo criativo da trama.[20] Neste fluxo de idéias apareceram personagens como Rony, Nick quase sem Cabeça, Rúbeo Hagrid e Pirraça e, além disso, a autora decidiu que a história seria dividida em 7 livros.[22] [21]

Naquela noite ela começou a escrever o primeiro livro, que levou cinco anos para ser escrito;[23] durante esses cinco anos, se dedicou à criação de todo o universo que envolve a história de Harry Potter.[20] [24] A autora tinha escrito os primeiros parágrafos e desenhos em guardanapos em uma viagem à Escócia e usou frequentemente essas notas;[25] posteriormente, ela continuou a escrever seu livro em uma máquina.[25]

No final de 1990, a mãe de Rowling morreu de esclerose múltipla, que a autora confessa, influenciou sua escrita profundamente;[26] [27] a consequência deste evento em sua escrita manifestou-se no fato de Harry ser órfão e no tratamento dado ao tema da morte em todos os seus livros:

Cquote1.svg Meus livros lidam em grande parte sobre a morte. Começam com o assassinato dos pais de Harry e com a obsessão de Voldemort em vencer a morte, sua busca pela imortalidade a qualquer preço, a grande conquista de qualquer um que possui a magia. Eu entendo porque Voldemort quer conquistá-la: todos a tememos. Cquote2.svg

Nove meses depois da morte de sua mãe, Rowling, que havia estudado línguas estrangeiras na Universidade de Exeter, mudou-se para Porto, em Portugal, para ensinar inglês a alunos de 8 a 62 anos;[22] lá escrevia em cafés locais ou na escola.[29] Seis meses mais tarde, a escritora terminou os três primeiros capítulos do livro e conheceu o jornalista Jorge Arantes, com quem casou-se e tiveram uma filha chamada Jessica.[29] Em Portugal, concebeu muitos dos aspectos principais em seu livro, como por exemplo a pedra filosofal, que se tornou um elemento axial para o desenvolvimento da trama;[30] mas Rowling sabia detalhes sobre a pedra, graças as aulas de química do ensino médio.[22] Lá também escreveu o capítulo "O Espelho de Ojesed", que reconheceu como seu favorito.[24] [31] A autora afirmou que não sabia muito bem como escrever o primeiro capítulo e mencionou que existem muitas versões do mesmo;[32] naquelas outras versões apareciam personagens que foram eliminados completamente da trama, os Potters viviam em uma ilha e os Grangers na costa e poderam ver Voldemort chegando a Godric's Hollow antes de efeturar o assassinato dos Potters.[32] Rowling reconheceu que a versão final do primeiro capítulo não acabou por ser "um dos mais populares que escrevi", já que muitas pessoas têm dificuldade em ler.[32] "O problema com o capítulo referido foi, como muitas vezes acontece nos livros de Harry Potter, que tinha de colocar muitas informações e ao mesmo tempo esconder muito mais."[32]

No final de 1993, a escritora retornou ao Reino Unido, já que havia se divorciado e seu trabalho não funcionou;[27] Rowling foi viver com a filha na casa de sua irmã e seu cunhado em Edimburgo, embora posteriormente mudou-se.[33] Ela entrou em depressão e ficou com dificuldades em escrever e como não podia contratar uma babá para sua filha, tudo o que ela fazia era "duplamente difícil".[34] Para continuar escrevendo seu livro, ela começou a frequentar o café de seu cunhado,[35] [29] onde podia sentar-se calmamente quando não havia muitos clientes junto com sua filha, que antes de ir para o café a levava para andar e a fazia dormir para poder escrever calmamente.[36] Naquele lugar foi possível concluir a escrita do livro.[22]

Depois de concluir seu trabalho em 1996 e digitando duas cópias do mesmo,[29] Rowling escreveu para a Biblioteca Central de Edimburgo para procurar agentes literários.[37] Ela enviou os três primeiros capítulos a um agente, mas ele rejeitou;[20] então enviou-os para outro. A agência Christopher Little Literary Agents concordou em encontrar uma editora que publicaria o manuscrito.[38] Depois que doze editoras rejeitaram o livro,[29] a autora recebeu a aprovação em 1996 — e um adiantamento de 1.500 libras — do editor Barry Cunningham, que trabalhava para uma pequena editora de Londres chamada Bloomsbury Publishing.[29] [39] "[...] recebi uma carta de resposta. Supus que fosse outra carta de rejeição, mas dentro do envelope estava uma carta que dizia: Obrigado. Estamos felizes em receber seu manuscrito.", a escritora leu a carta oito vezes e considera a melhor carta que já recebeu em sua vida.[34] A decisão do diretor foi devido a sua filha, uma menina de oito anos, que leu o primeiro capítulo do livro e quis saber como continuava;[40] a garota disse que ao pai que o livro foi "muito melhor do que qualquer outra coisa", então seu pai decidiu publicar o livro.[40]

Em uma entrevista com o jornal espanhol El País em 2008, a escritora disse que não tinha escrito o livro pensando em um leitor especifico: "Eu o chamei de um conto de fadas, porque o personagem principal era uma criança. Mas sempre foi uma criança que queria fazer mais. E no final é um homem, um jovem, mas um homem. Isto é incomum nos livros infantis: o protagonista cresce."[41]

Publicação[editar | editar código-fonte]

Após a aprovação, a editora pagou a Rowling 2.500 libras.[42] No entanto, o cumprimento do livro não era a maior preocupação da editora, mas sim o nome da autora;[43] Little tinha percebido que homens não liam ficções escritas por mulheres, então os editores pediram a Rowling adotar um pseudônimo que não mostraria seu nome completo.[44] Antes da publicação, Rowling adotou o pseudônimo "J. K. Rowling", para ocultar o nome "Joanne"; a letra "K" se refere a "Kathleen", o nome de sua avó.[45] [46] A editora inicialmente sugeriu o nome de Harry Potter and the School of Magic (Harry Potter e a Escola de Magia) mas a autora se opôs,[47] embora na edição francesa, o livro foi publicado com esse título (Harry Potter à l'École des sorciers).[48]

Antes de editar o livro, a Bloomsbury enviou cópias para vários críticos e editores para reunir algumas opiniões e percepções. Com isso, também procurou conseguir algumas críticas que apoiariam a publicação de uma obra de um autor desconhecido.[49] Depois de receber elogios, Cunningham contratou para ilustrador desconhecido para a edição do livro, Thomas Taylor, em parte devido à falta de orçamento.[50] A ilustração da capa permaneceu inalterada em edições posteriores, mas a contra-capa foi alterada, mostrando Alvo Dumbledore com uma barba marrom e não de prata como é descrito no livro.[51]

"Eu tive que digitar todo o texto eu mesma. Para dizer a verdade, algumas vezes cheguei a odiar o livro, mas ao mesmo tempo o amava também."
—J. K. Rowling.[52]

Em junho de 1997, a Bloomsbury publicou A Pedra Filosofal com uma impressão de 500 cópias, das quais 300 eram distribuídas em bibliotecas.[53] A circulação inicial teve algumas cópias em capa dura, mas foi publicado em formato de bolsilivro ou rústico e não tiveram promoções, que a editora já havia efetuado para os críticos e editores.[54] A resposta não foi imediata, mas o livro registrou críticas entusiastas nos jornais The Scotsman e The Glasgow Herald.[55] Antes da publicação inglesa do livro, Christopher Little havia organizado um leilão dos direitos da publicação do livro nos Estados Unidos.[49] Arthur Levine, da Scholastic Corporation, havia lido o livro durante um voo transatlântico e em abril de 1997 e comprou os direitos de publicação do livro na Feira de Livros da Bolonha;[49] [56] pagou 105.000 dólares, uma quantidade estimada como excessiva para um livro de gênero infantil.[57] Rowling recebeu a notícia três dias depois da publicação britânica do livro.[57] Depois de um longo debate, o título foi mudado para Harry Potter and the Sorcerer's Stone (Harry Potter e a Pedra do Feiticeiro), dado que a editora considerava que a palavra philosopher (filosofal na tradução) daria a impressão de que o livro fala sobre temas filósofos e não teria apelo comercial.[58] Rowling disse mais tarde que se arrependeu desta mudança, e que teria lutado mais para manter o título original, se estivesse em uma posição melhor.[59] Philip Nel disse que a mudança perdeu a conexão com a alquimia e o significado de outros termos alterados na tradução do inglês britânico para o inglês americano mudaram.[60] O livro foi publicado em 1998 nos Estados Unidos, e em outubro do mesmo ano, Rowling fez uma turnê de dez dias no país dando entrevistas para promover o livro.[61]

Já que as edições do Reino Unido lançaram alguns meses antes das dos Estados Unidos, alguns leitores americanos compararam versões do livro em inglês britânico através da internet, o que gerou polêmica.[62] A mesma coisa aconteceu com seu sucessor, Harry Potter e a Câmara Secreta, então a editora Scholastic processou a Amazon.com — um site de vendas na Internet — por não levar em conta os direitos direitos territoriais e, por tanto, atuar em forma ilegal.[35]

Edições comemorativas[editar | editar código-fonte]

Em janeiro de 2007, a editora Bloomsbury publicou uma nova versão do livro, no 21º aniversário da editora, que incluiu uma breve introdução escrita por Rowling.[63] [64] Em maio de 2008, a Scholastic anunciou a criação de uma nova edição do livro para marcar o décimo aniversário do lançamento original estadunidense.[65] que foi lançada em 1 de outubro de 2008.[66] [65] Para o décimo quinto aniversário dos livros, a Scholastic re-lançou A Pedra Filosofal, juntamente com os outros seis romances da série, com uma nova arte da capa, feita por Kazu Kibuishi em 2013.[67] [68] [69]

Críticas[editar | editar código-fonte]

O livro recebeu críticas favoráveis, especialmente no que diz respeito à imaginação, humor, e ao estilo literário de Rowling, embora alguns se queixaram que os capítulos finais pareceram apressados.[70] O trabalho foi comparado com textos de Jane Austen[71] — uma das autoras favoritas de Rowling —,[72] de Roald Dahl — cujas obras predominam histórias de crianças que subvertem a ordem dos adultos —,[73] e com o trabalho do poeta grego Homero, cujo estilo foi comparado com o de Rowling: "rápido, simples e direto na expressão".[74] Alguns destes comentários indicaram que o livro retomou temas da era vitoriana e da era eduardiana, de como é a vida dos ingleses nos internatos, enquanto outros sugeriram que o romance introduziu importantes questões relacionadas a sociedade atual.[75] [76]

Recepção no Reino Unido[editar | editar código-fonte]

Imitação da fictícia Plataforma 9¾ na estação de King's Cross, com um carrinho de bagagem aparentemente no meio da parede mágica.

Lindsey Fraser, que forneceu um dos comentários da sinopse,[49] no The Scotsman em 28 de junho de 1997. Ela descreveu Harry Potter e a Pedra Filosofal como "um suspense extremamente divertido" e Rowling como "uma escritora de primeira linha para crianças".[49] [77] Outra revisão antecipada, no The Herald, disse: "Difícil encontrar uma criança que despreze o livro".[49] Jornais fora Escócia começaram a notar o livro, com comentários brilhantes no The Guardian,[78] The Sunday Times[79] e The Mail on Sunday,[49] e em setembro de 1997, a Books for Keeps, uma revista especializada em livros infantis, deu ao romace quatro estrelas de cinco.[49] O The Mail on Sunday classificou o livro como "a estreia mais criativa desde Roald Dahl"; uma posição defendida pelo jornal The Sunday Times ("as comparações com Dahl são, desta vez, justificadas"), enquanto o The Guardian chamou de "um romance ricamente texturizado que decolou por um humor criativo" e o The Scotsman disse que tinha "todos os ingredientes de um clássico".[49]

Em 1997, a edição do Reino Unido ganhou um National Book Award[80] e uma medalha de ouro na categoria de livros de 9 a 10 anos de idade da Nestlé Smarties Book Prize.[81] O prêmio Smarties, que é votado por crianças, fez o livro ficar bem conhecido em apenas seis meses de publicação, enquanto a maioria dos outros livros para crianças ficam conhecidos em anos.[49] No ano seguinte, A Pedra Filosofal ganhou quase todos os outros prêmios principais britânicos que eram decididos por crianças.[49] [nota 1] Ele também foi indicado para prêmios de livros infantis votados por adultos,[82] mas não ganhou. Sandra Beckett comenta que livros populares entre crianças são considerados como pouco exigentes e que não têm um alto nível literário – por exemplo, a literária desdenhou as obras de Roald Dahl, um dos favoritos das crianças antes do aparecimento dos livros de Rowling.[83] Em 2003, o romance foi listado no top 200 de livros no Reino Unido na 22ª colocação, na pesquisa da BBC The Big Read.[84]

Harry Potter e a Pedra Filosofal ganhou dois prêmios dados por mérito de vendas ao invés de literário, o British Book Awards como Livro Infantil do Ano[85] e o Booksellers' Association como autor Bestseller do ano.[49] Até março de 1999, as edições britânicas haviam vendido pouco mais de 300 mil cópias,[86] e o livro ainda era o título mais vendido no Reino Unido em dezembro de 2001.[87] Uma edição em Braille foi publicada em maio de 1998 pela Scottish Braille Press.[88]

A Plataforma 9¾, local onde o expresso de Hogwarts deixa Londres, foi comemorado na vida real na Estação de King's Cross com um letreiro e um carrinho aparentemente passando através da parede.[89]

Recepção nos Estados Unidos[editar | editar código-fonte]

O alquimista Nicolas Flamel é, no livro, o criador da pedra filosofal.

Em primeiro lugar, os revisores mais prestigiados ignoraram o livro, deixando-o para reservas de bibliotecas ou para revistas de críticas de livros,[90] como a Kirkus Reviews e a Booklist,[90] que examinaram somente pelos critérios orientados para o entretenimento de ficção infantil.[90] No entanto, comentários de especialistas mais penetrantes (tais como a Cooperative Children's Book Center Choices, que apontaram a complexidade, a profundidade e a consistência do mundo que Rowling construiu) atraíram a atenção de revisores em grandes jornais.[91] Embora o The Boston Globe e Michael Winerip, do The New York Times se queixaram de que os capítulos finais eram a parte mais fraca do livro,[77] [92] classificando-os como apressados e com falta de desenvolvimento de alguns personagens,[93] eles e a maioria dos outros críticos americanos deram elogios.[49] [77] Um ano depois, a edição dos Estados Unidos foi selecionada como Livro Notável pela American Library Association,[94] Melhor Livro de 1998 pela Publishers Weekly[95] e Melhor Livro do Ano pela Biblioteca Pública de Nova Iorque,[96] e ganhou um prêmio de Livro do Ano de 1998 da revista Parenting Magazine[81] e da School Library Journal[49] e também como Melhor Livro para adultos da American Library Association.[49]

Na revista on-line Salon, Christopher Taylor deu um comentário apreciativo; disse que, apesar dos preconceitos que um romance desse tipo poderia sofrer (possivelmente por sua didática ou por sua moral), sua leitura conseguiu superar qualquer expectativa negativa:

Não creio que alguém possa ler 100 páginas de Harry Potter e a Pedra Filosofal sem começar a sentir aquele frio inconfundível que lhe diz que você está em um clássico. [...] Não quero ser condescendente e dizer que ela escreveu um romance infantil maravilhoso; o que ela escreveu foi um romance maravilhoso e ponto. E para aqueles que insistem que romances devem ensinar uma lição, que a lição de Harry Potter seja a única distinção que vale a pena fazer na literatura: separar os trouxas dos bruxos.[97]


Em agosto de 1999, Harry Potter e a Pedra Filosofal liderou a lista do The New York Times de ficção mais vendida,[98] e permaneceu no topo da lista pela maior parte de 2000, até que o The New York Times dividiu sua lista entre seções de crianças e adultos sob pressão de outras editoras que estavam ansiosas para ver seus livros em altas colocações.[83] [91] O Publishers Weekly relatou em dezembro de 2001 sobre as vendas cumulativas de ficção infantil, colocando Harry Potter e a Pedra Filosofal em décimo nono lugar entre livros de capa dura (mais de 5 milhões de cópias) e sétima colocação entre brochuras (mais de 6,6 milhões de cópias).[99]

Dos comentários que apareceram no The New York Times em 1999, o jornalista Michael Winerip, escreveu:

Como ocorria com Roald Dahl, Rowling tem esse grande dom em manter as emoções, medos e vitórias de seus personagens em uma escala humana, mesmo quando o sobrenatural aparece em todos os lados.[100]


O redator também comentou sobre o humor malicioso de Rowling, embora, na sua opinião, o livro foi falhando nos últimos capítulos no que diz respeito ao desenvolvimento de alguns personagens.[100] Outro comentário, assinado por Pico Lyer, em outubro, diz sobre o curioso efeito produzido quando um livro tão imbuído nas tradições literárias inglesas chegava a uma cultura tão diferente como a dos Estados Unidos (como internatos);[101] nesses casos, na cultura original é percebido um certo grau de realismo ou mundanismo que se volta a algo exótico, fato encontrado em um ponto de comparação entre A Pedra Filosofal e Cem Anos de Solidão de Gabriel García Márquez.[101]

No entanto, apesar de todas as críticas positivas que o livro havia recebido, o teórico literário Harold Bloom escreveu uma crítica negativa do livro que apareceu no jornal Wall Street Journal, em novembro de 2000.[102] Bloom disse, entre outras coisas, que o livro não tinha uma boa escrita e que também sofria de problemas, como a falta de imaginação e a dívida com obras anteriores da literatura inglesa.[103] Ao mesmo tempo, comparou Rowling com outros escritores como Stephen King, John Grisham ou Tom Clancy que registraram grandes vendas de seus títulos, mas que, em sua opinião, tem falta de talento.[102]

Recepção no Brasil[editar | editar código-fonte]

O livro, no Brasil, foi publicado pela Editora Rocco em 1 de janeiro de 2000. O livro foi publicado como Harry Potter e a Pedra Filosofal, igualmente em Portugal. O livro recebeu uma avaliação de 4.5 de 5 por 87.744 avaliações no Skoob.[104]

Pedro Bandeira fez um comentário positivo do livro para a Revista Veja, "O livro merece o sucesso mundial que obteve. Não será diferente no Brasil. Nós, autores brasileiros de literatura para jovens, devemos dar a mão à palmatória: a senhora Rowling conhece o caminho da pedras".[105]

Dedicatória[editar | editar código-fonte]

O primeiro livro é dedicado a primeira filha de Rowling, Jessica,[106] junto com o português Jorge Arantes, com quem foi casada por poucos meses.[107] Sua mãe, Anne Rowling, que morreu de esclerose múltipla em 1990, com 45 anos, depois da luta de uma década contra a doença;[108] a tristeza da morte da mãe foi um influenciador nas histórias de Rowling, que anos mais tarde, em 2010, criou a Clínica de Neurologia Regenerativa Anne Rowling.[109] E Dianne Rowling, sua única irmã.[110]


Cquote1.svg
Para Jessica, que gosta de histórias,
para Anne, que gostava também,
e para Di, que foi quem ouviu esta primeiro.
Cquote2.svg
dedicatória de Harry Potter e a Pedra Filosofal por J.K. Rowling

Capítulos[editar | editar código-fonte]

Segue-se uma lista dos capítulos do livro em inglês (Bloomsbury Publishing Plc), português brasileiro (Editora Rocco) e português europeu (Editorial Presença).

Cap. Estados Unidos/Inglaterra Brasil Portugal
1 The Boy Who Lived O Menino que Sobreviveu O Rapaz que Sobreviveu
2 The Vanishing Glass O Vidro que Sumiu O Vidro Desaparecido
3 The Letters from No One As Cartas de Ninguém
4 The Keeper of the Keys O Guardião das Chaves O Guarda das Chaves
5 Diagon Alley Beco Diagonal Diagonal
6 The Journey from Platform Nine and Three-quarters O Embarque na Plataforma Nove e Meia A Viagem da Plataforma Nove e Três Quartos
7 The Sorting Hat O Chapéu Seletor O Chapéu Seleccionador
8 The Potions Master O Mestre das Poções O Professor de Poções
9 The Midnight Duel O Duelo à Meia Noite O Duelo da Meia-Noite
10 Halloween O Dia das Bruxas Halloween
11 Quidditch Quadribol Quidditch
12 The Mirror of Erised O Espelho de Ojesed O Espelho dos Invisíveis
13 Nicolas Flamel Nicolau Flamel Nicolas Flamel
14 Norbert the Norwegian Ridgeback Norberto, o Dragão Norueguês Norbert, o Dragão Norueguês
15 The Forbidden Forest A Floresta Proibida
16 Through the Trapdoor No Alçapão Pelo Alçapão
17 The Man with Two Faces O Homem de Duas Caras O Homem com duas caras


Oposições religiosas[editar | editar código-fonte]

lguns grupos religiosos têm argumentado que os livros de Harry Potter incentivam a praticar a bruxaria.

O livro Harry Potter e a Pedra Filosofal, junto com toda a série, tem sido vítima de conflitos causados por diferentes grupos religiosos sob acusações de que os livros contém textos satânicos que promovem a bruxaria. Nancy Flanagan Knapp, buscando elementos que poderiam ser interpretados como uma apologia de bruxaria, concluiu que, as aulas de poções dadas por Severo Snape poderiam ser tomadas como um exemplo para apoiar as acusações acima, caso contrário, elas se assemelhavam a uma simples classe de química, ao invés de rituais esotéricos.[111] De acordo com a American Library Association (ALA), o livro foi classificado como um dos mais contestados do século XXI.[112] Além disso, o povo do Novo México organizou um evento para queimar os livros da série, alegando que as histórias ensinaram bruxaria, satanismo e ocultismo.[112] [113]

A inclusão dos livros nas escolas públicas e bibliotecas tem sido frequentemente contestada por seu enfoque sobre a magia,[114] particularmente nos Estados Unidos, onde foi classificado em sétimo na lista dos livros mais contestados em bibliotecas americanas entre 1990 e 2000, apesar de só ter sido publicado inicialmente nos Estados Unidos em 1998.[115] Em 1999, os livros da série foram desafiados 23 vezes em 13 estados.[116] Em 2002, em York, Pensilvânia, uma mãe local, Deb DiEugenio, juntamente com o seu pastor, tentou proibir os livros de serem lidos na escola de sua filha. "É contra a indole da minha filha, é demôniaco, é bruxaria", disse Deb DiEugenio, a mãe de um aluno da sexta série que estuda na Eastern York School District. "Não estou pagando impostos para que ensinem feitiçaria ao meu filho".[117] Em outro caso, o pastor Tony Leanz afirmou que Harry Potter promovia a religião Wicca e, tendo o romance como um livro com um conteúdo religioso utilizado em instituições públicas, ele argumentou que violava a separação entre Estado e Igreja.[113] [118] [119] [120] Em 2007, o Catholic World Report criticou o protagonista dos romances por não obedecer as regras e não mostrar respeito a autoridades, e considerou que a série misturava o mundo mágico com o mundo real, classificando como "uma rejeição fundamental da ordem divina na criação".[121]

No ano de 2003, Gabriele Kuby publicou um livro intitulado Harry Potter: O Bem ou o Mal,[122] onde escreveu que "os livros de Harry Potter corrompem os corações dos jovens, dificultando o desenvolvimento de um sentimento bem ordenado do bem e do mal, e, portanto, prejudica seu relacionamento com Deus, enquanto ainda está sendo desenvolvido".[123] Em 2005, o cardeal Joseph Ratzinger — posteriormente o Papa Bento XVI — recebeu uma cópia do manuscrito de Kuby;[124] pouco antes de se tornar Papa, Ratzinger — que algum tempo antes tinha sido prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé — descreveu os romances como uma influência potencialmente prejudicial para as crianças, e disse que elas tinham "seduções sutis, que agem despercebidas e que dessa forma distorcem profundamente o cristianismo na alma antes de poder se desenvolver corretamente";[125] um tempo depois, deu a permissão para a publicação da carta onde ele expressa esta opinião.[124] [126] No entanto, Peter Fleetwood, um sacerdote britânico que ajudou a redigir um documento oficial sobre os fenômenos da Nova Era em 2003,[127] mencionou que as histórias de Harry Potter são morais que ensinam as crianças a importância de fazer sacrifícios para vencer o mal, "não são maus e não lutam contra a ideologia cristã", declarou o sacerdote.[125] [128]

As respostas de outros grupos religiosos foram positivas. Rowling mencionou que seus livros "foram atacados a partir de uma perspectiva teológica, mas [também] tem sido elogiados e mencionados nos púlpitos; e para mim, o que é mais interessante e gratificante é ver que várias religiões diferentes têm feito". A autora também observou que os livros não são "exclusivamente" cristãos e que nunca tentou escrever uma alegoria, como C. S. Lewis com As Crônicas de Nárnia.[129] Emily Griesinger escreveu que a literatura de gênero fantástico ajuda crianças a lidar com a realidade; segundo ela, A Pedra Filosofal descreve a primeira etapa de Harry, quando se encontra com o Chapéu Seletor, como a primeira de muitas ocasiões em que Harry está determinado pelas decisões que toma. Griesinger disse que o sacrifício da mãe de Harry era a forma de "magia mais profunda" que, acima da "magia tecnológica", também presente no romance, era capaz de vencer tudo e isso é o que "a fome de poder de Voldemort não entende".[130]

Análise[editar | editar código-fonte]

Estrutura[editar | editar código-fonte]

"A mulher [Rowling] tem uma imaginação incrível. Ela estruturou a série como uma daquelas pinturas renascentistas, com diferentes linhas de perspectiva que são orientadas em todas das direçoes em direção ao infinito, com estranhos seres sobrenaturais no fundo [...]"
—Polly Shulman.[131]

O romance funciona pela clássica estrutura de três atos: uma introdução no mundo dos trouxas e o desenvolvimento na escola; a estrutura se completa com o posterior retorno ao mundo de que veio.[132] Essa estrutura simples, que aparece em quase todos os livros da série, ajuda a criar uma sensação de familiaridade com o texto.[132] Inicialmente, o fio da trama é a viagem iniciática de Harry à Hogwarts e o processo de auto-conhecimento que o protagonista atravessa, e depois a intriga em torno da pedra filosofal torna-se o eixo do livro. Polly Shullman comentou sobre a estrutura do livro: "O primeiro livro teve uma trajetória dramática simples: Harry se sente seguro em saber quem são os bons e os maus, mas no fim, está errado".[133]

Temas[editar | editar código-fonte]

Segundo a autora, o tema principal do livro é a morte, e tem sido desde o início de sua obra.[41] No primeiro capítulo do livro é anunciado a morte dos Potter e, a partir desse momento, a fatalidade ronda o protagonista. A trama em torno da pedra filosofal é motivada pela ganância de Voldemort, que deseja ser imortal através do elixir da vida. "A questão da imortalidade está quase sempre presente na obra de J. K. Rowling. Todo o primeiro livro gira em torno do desejo de Voldemort conseguir a pedra [...]" comentou David Colbert.[134]

O auto-sacrifício motivado pelo amor também é outro tema central neste livro e em toda a saga, de acordo com Daniel Mitchell. O amor é a força que pode deter o poder de Voldemort, já que ele desconhece a forma e o poder que opera. Além disso, Mitchell vê certas ressonâncias cristãs no sacrifício de Lílian Potter para salvar a vida de seu único filho, o que é repetido com outras personagens, como Dumbledore e Dobby ao longo da série.[135]

De acordo com Gwen Tarbox, A Pedra Filosofal também aborda a questão das relações entre crianças e adultos, com base no conceito de "inocência infantil" derivado do Iluminismo; este conceito determina que uma criança "inocente" é aquela que ignora certos fatos. De acordo com a análise de Tarbox, se instaura uma relação entre Harry e Dumbledore com base na posse do conhecimento fornecido pelo segundo ao primeiro, relação que atinge seu ponto máximo em Harry Potter e a Ordem da Fênix.[136]

O poder e a tentação por este constituem outro tema central. Alan Jacobs salientou que a magia, tal como Rowling a descreve, funciona como uma metáfora sobre o papel que a tecnologia desempenha no mundo real e que seu domínio é de aprendê-la através do estudo;[137] personagens como Voldemort mostram uma ambição para empunhar essa magia que o fez mudar para o lado das trevas. A. O. Scott argumenta que Harry enfrenta as promessas de poder e grandeza, quando escolhe não fazer parte da Sonserina, mas alega que o rapaz será inevitavelmente tentado pelo poder em outras ocasiões.[138] Shullman, pelo contrario, acha que Harry não tem esse tipo de dúvidas, mas suas tentações têm mais a ver com a saudade de entes queridos que não estão com ele, como se vê em sua relação com o espelho de Ojesed.[139]

Intertextualidade e influências[editar | editar código-fonte]

Tem-se observado que a saga Harry Potter — e A Pedra Filosofal em particular — tem semelhanças estilísticas, temáticas e narrativas com outros trabalhos que a precederam tanto na literatura inglesa como na produção literária em outros países. Estas relações intertextuais (categoria proposta por Julia Kristeva, com base no trabalho de Mikhail Bakhtin), como apontam a maioria dos especialistas, se manifesta na obra de Rowling através da reelaboração das situações, personagens e idéias. A propósito destas reelaborações, a professora da Universidade de Almería, disse que:

Cquote1.svg Conscientemente ou não, Rowling leva os melhores ingredientes da literatura juvenil em inglês para criar personagens e histórias elaboradas que cativam o leitor, (...) é precisamente por causa desta habilidade sintetizadora e recreadora que agradecemos a contribuição de Rowling à literatura de fantasia contemporânea. Cquote2.svg
Blasina Cantizano Márquez[140]

Conto de fadas[editar | editar código-fonte]

Tomando em conta as investigações que o psicólogo infantil Bruno Bettelheim e o historiador Joseph Campbell efetuaram aplicando categorias psicanalíticas em análises de relatos folclóricos, apontaram que Harry Potter reformula arquétipos carregados com significados profundos.[141] Em The Uses of Enchantment, Bettelheim sugeriu que o conto de fadas era o único tipo de relato infantil do qual se podiam inferir soluções para os principais problemas da humanidade; Richard Bernstein, de acordo com o psicólogo austríaco, afirmou que se vê-lo do ponto de vista dos leitores infantis, A Pedra Filosofal expressa os terrores da infância, o que o torna atraente para os leitores. O texto reflete o medo da crueldade paterna e a competência com os irmãos através da relação de Harry com os Dursley; esse vínculo familiar torna o texto com narrações como o conto da "Cinderela". O romance também reflete a angústia que surgiu com abandono ou o desaparecimento dos pais (como no conto "João e Maria") e as inseguranças antes das mudanças e das adaptações que o protagonista tem que passar, por exemplo, ao ingressar em Hogwarts.[141] Outro patrimônio destas histórias é a clara distinção entre as figuras parentais, reconhecido como benigna (os Potter) e as figuras de pais hostis e substitutos (os Dursley), que operam como duas faces da mesma moeda, mas aparecendo desdobrada por questões de conceituação da mente infantil.[142] No entanto, o protagonista se diferencia dos personagens centrais nestas histórias, desde que Harry não costuma ter a ajuda de qualquer assistente, mas que deve resolver os problemas por si mesmo.[143] Outra diferença é dada com um elemento muito comum na tradição do conto de fadas: o espelho; enquanto na maioria destas histórias o espelho é um elemento perturbador ou a porta de entrada para outros mundos, no texto de Rowling é um elemento que permite a catarse e o fortalecimento da personalidade.[144]

"João e Maria", um dos muitos contos de fadas que reformula Harry Potter.

A nível estrutural, Harry Potter e a Pedra Filosofal também se relaciona com os contos de fadas por ter um final feliz — condição sine qua non para este tipo de narrações — que vem após uma série de obstáculos ultrapassados. "Moralidade não é o assunto destas histórias", afirmou Bettelheim "mas em vez disso a segurança de que se pode seguir em frente".[141] Outra característica estrutural, relacionada com as histórias acima é a repetição de cenários e situações que A Pedra Filosofal instaura em quase toda a saga. Colbert, apoiado em teorias estruturais expressadas por Campbell sobre The Hero With a Thousand Faces, observou que o início de cada história no subúrbio de Little Whinging com os Dursley e o retorno para o "mundo real" seguindo as aventuras em Hogwarts está relacionada com o carácter clínico que Campbell atribuiu a todos os contos folclóricos e com o papel de Harry como a personificação de um arquétipo heroico. Este último é executado através da literatura e do cinema com obras como a Odisseia e Guerra nas Estrelas.[145]

Romance ambientado em escolas e bildungsroman[editar | editar código-fonte]

Cantizano Márquez disse que a série é influenciada pela literatura realista que teve seu apogeu na Inglaterra durante a era vitoriana;[146] para a pesquisadora, essas influências podem ser vistas no fato de que o enredo do romance acontece em etapas que o leitor pode reconhecer como cotidianos (uma escola, os subúrbios, Londres, etc.). A presença de Hogwarts relaciona o romance com o subgênero de contos ambientados em escolas; entre estes, os antecessores que mais tem sido relacionados com o trabalho de Rowling são David Copperfield de Charles Dickens e Os Dias de Escola de Tom Brown, escrito por Thomas Hughes, romance que alguns classificaram como o antecedente direto e não mágico de Harry Potter.[102] Podem até mesmo ser rastreadas mais semelhanças entre A Pedra Filosofal e Charmed Life, de Diana Wynne Jones e The Worst Witch, por Jill Murphy,[147] [131] histórias em que aparecem escolas de magia; além disso, existem grandes semelhanças com os romances de Murphy na descrição de Hogwarts e sua possível localização na Escócia.[148] Na verdade, foi verificado que são precisamente os elementos dos internatos britânicos que fazem Harry Potter ser inimaginável como uma ficção estadunidense já que esse país não possuí uma tradição escolar deste tipo.[149]

As obras literárias estabelecidas em internatos britânicos influenciaram a obra de J. K. Rowling.

A tradição do romance ambientado em internatos com qual Rowling se conecta explora questões como a rivalidade, ritos de iniciação, amizades e relacionamento com a autoridade e com os esportes escolares.[150] Robert Kirkpatrick disse que os romances de Rowling levam até o extremo das possibilidades deste subgênero,[151] e Kelly O'Brien disse que o romance subverte diretamente as regras do subgênero, já que existe um personagem feminino como Hermione, que está na mesma altura dos outros protagonistas, um fato atípico já que essas histórias não costumam dar muito espaço para personagens femininos.[143] Pico Iyer, por sua vez, estabeleceu numerosas semelhanças entre Hogwarts e o Dragon School, em Oxford, escola que estudou quando jovem.[152]

A Pedra Filosofal também estabelece no ciclo de livros as características do gênero bildungsroman, uma vez que, juntamente com a tradição de ficções ambientadas em escolas, toda a saga segue o processo evolutivo de Harry, que passou da infância à adolescência ao longo da série. Neste sentido, o romance pode estar relacionado com uma saga iniciada por A Wizard of Earthsea, por Ursula K. Le Guin e Wise Child, de Monica Furlong, livros que lidam com a educação de um protagonista bruxo.[153] Além disso, a série Harry Potter oferece também um buildgunsroman dos coprotagonistas Rony e Hermione, detalhe incomum no gênero.[154] No entanto, a principal diferença na série Harry Potter para com muitos desses expoentes é que a formação do protagonista ocorre não só em uma maneira pessoal (geralmente sob a tutela de um mentor sábio, como é o caso de Dumbledore) mas é complementada com a situação escolar, onde um professor instrui muitos alunos simultaneamente.

Cosmovisão[editar | editar código-fonte]

Rowling não concebeu o mundo que seus livros decorrem, adotando o modelo high fantasy de Tolkien e Le Guin. A trama de seus livros não tem lugar em um universo alternativo e completamente separado do mundo real; ao contrário, o mundo de Harry Potter existe no mundo considerado "real" e tem contatos com ele em várias ocasiões.[131] Visto através de Hogwarts, o cenário criado por Rowling se mostra mutável e em constante mudança, ao contrário das realidades estabelecidas nas obras dos autores acima.[155]

Este, como foi falado, facilita ao leitor a suspensão de descrença e sua entrada ao mundo que propõe o livro, já que fornecem pontos de referência na realidade conhecida. O livro começa na moderna cidade de Londres e tudo que diz respeito à comunidade mágica coexiste de forma oculta em vista dos não-mágicos.[155] Esta "realidade oculta" tem uma organização geopolítica, educacional e ecônomica, outros pontos de referência para o leitor.[156] No mundo de Harry Potter, magia não pode resolver todos os problemas; Tom Morris escreveu que os problemas que aparecem no romance raramente são resolvidos por magia, mas por uma combinação de diferentes clássicas virtudes humanas.[157]

Ele também disse que a Inglaterra descrita por Rowling é puramente literária, pois preserva as características essenciais da imagem eduardiana do país que aparece com frequência na literatura infantil nacional.[158]

Personagens[editar | editar código-fonte]

Lorde Voldemort tem características semelhantes às de Satanás em Paraíso Perdido.

Nos personagens de Rowling se percebem várias configurações que os relacionam com as criações de outros autores. No caso de Harry, por exemplo, Colbert comentou as muitas semelhanças com outros heróis literários graças ao monômio que descreveu Joseph Campbell. Outros pesquisadores notaram semelhanças mais específicas com heróis como Rei Arthur, porque como este, Harry é um "príncipe despossuído" que desconhece sua linhagem.[159] Quanto a sua condição de órfão, várias fontes foram identificadas; Philip Nel disse que Harry tem muitas semelhanças com o protagonista de Oliver Twist, mas ainda mais com James Trotter, o personagem central de James e o Pêssego Gigante, já que ambos foram criados por tios que os forçavam a viver em lugares pequenos.[160]

Em outras personagens do romance, características intertextuais também são vistas: Voldemort representa na obra de Rowling o que a figura de Satanás representa no Paraíso Perdido, de John Milton, um ser que escolheu o lado escuro por causa de seu desejo por poder;[138] Dumbledore encarna a figura do sábio e também mago Gandalf, de Tolkien;[161] e certas idéias teológicas de Milton;[138] os Dursley se parecem em termos de sua função repressiva, de posição periférica e de ideologia com os Wormwood, que mortificavam a protagonista de Matilda, também de Dahl.[160] [161]

Impacto cultural[editar | editar código-fonte]

Prêmios e indicações[editar | editar código-fonte]

Na sequência da publicação e recepção da crítica, o livro ganhou vários prêmios literários no mundo da língua inglesa; entre os prêmios recebidos em território britânico, destacam-se o National Book Award, que foi concedido em 1997. Nesse mesmo ano, a Youth Libraries Group homenageou J. K. Rowling com uma medalha de ouro do prêmio Nestlé Smarties Book Prize, que elegeu A Pedra Filosofal como o melhor romance para leitores entre a faixa de 9 a 11 anos, superando os livros de Philip Pullman e de Henrietta Branford. Para Julia Eccleshare, este último prêmio definiu a popularidade do livro, ela afirma, já que além de ter sido pré-seleccionado por um júri de críticos, ilustradores e escritores, o resultado final dependeu da votação de crianças, um forte indicador para a aceitação do livro.[162] Também conseguiu, em 1998, a maioria dos prêmios literários em que as crianças são juradas: o Children’s Book Award, o Young Telegraph Paperback of the Year Award, o Birmingham Cable Children’s Book Award e o Sheffield’s Children Book Award. Além disso, A Pedra Filosofal chegou a ser nomeado para a Carnegie Medal e a Guardian’s Children Book Prize, ambos prêmios eleitos por adultos. Outros prêmios foram entregues ao livro por seu desempenho comercial na indústria do livro; especificamente o British Book Award na categoria de Livro Infantil do Ano e o prêmio de Melhor Autor do Ano entregado pela Bookseller’s Association.[57]

Nos Estados Unidos, o livro foi selecionado para o ALA Notable Book e para a categoria de Melhor Livro do Ano dos prêmios entregados pela Publisher's Weekly, ambos em 1998. A Pedra Filosofal não conseguiu nenhuma dessas indicações, mas a revista Parenting Magazine e a Biblioteca Pública de Nova Iorque premiaram o livro com o prêmio de Melhor Livro do Ano de 1998.[163] Outros prêmios atribuídos foram de Melhor Livro do Ano pela School Library Journal e um American Library Association na categoria de Livro Destacado e Melhor Livro para Jovens Adultos.

Impacto em diversas disciplinas[editar | editar código-fonte]

O livro foi analisado a partir de áreas como a educação, a psicologia e o marketing.

Em 1986, especialistas na área da educação haviam descoberto que a alfabetização das crianças estava diretamente relacionada com o número de palavras lidas por ano, o que melhorou a sua compreensão de leitura, incluindo nos de aprendizagem de uma segunda língua; também foi observado que as crianças lêem muito mais se encontram um material que gostam.[164] Nancy Knapp Flanagan disse que o romance tinha todas as características de um livro que incentivava a leitura. Além disso, uma pesquisa realizada pelo The New York Times em 2001 descobriu que quase 60% ​​das crianças americanas com idade entre 6 a 17 anos leram pelo menos um livro de Harry Potter; deste grupo, pelo menos 50% leram A Pedra Filosofal.[165] Inquéritos realizados em outros países, como a África do Sul e a Índia, revelaram que as crianças de diferentes nações estavam entusiasmadas com a série. Desde os dois primeiros volumes da série são bastante longo, Knapp estimou que uma criança que tinha lido os quatro primeiros tinha lido mais de quatro vezes o número de páginas ler livros em um ano.[163] Isso iria melhorar a habilidade das crianças e sua motivação para ler.

No que diz respeito à educação no campo da psicologia educacional, Jennifer Conn contrastou a experiência na sua área de ensino, que demonstrava o personagem Severo Snape com seu método de intimidar os estudantes; por outro lado, a treinadora da equipe de Quadribol, Madame Hooch, ilustra técnicas úteis no ensino de habilidades físicas, como dividir ações complexas em sequências simples para ajudar os alunos a evitarem erros comuns[166] Joyce Campos comentou que os livros ilustram quatro dos cinco principais temas da sociologia: "conceitos sociológicos como a cultura, a sociedade e a socialização, a estratificação e a desigualdade social, as instituições sociais e a teoria social."[167]

No site oficial da CNN, foi publicado um artigo que destacava Harry Potter como currículo em muitas universidades. Danielle Tumminio, formada na Universidade Yale, deu uma palestra chamada Teologia Cristã e Harry Potter, onde os alunos examinam questões relacionadas ao cristianismo, como o pecado, o mal e a ressurreição presentes na série.[168]

O Espelho de Ojesed, que mostra ao espectador o que ele mais deseja, tem sido usado como uma metáfora de como a publicidade farmacêutica explora o entusiasmo dos médicos para salvar vidas e acabar com o sofrimento.[166] Stephen Brown observou que os primeiros livros de Harry Potter, especialmente A Pedra Filosofal, foram um grande sucesso apesar da insuficiente e mal-organizada campanha promocional, e aconselhou os executivos de marketing que se preocupassem menos com análises estatísticas rigorosas e as "análises, o planejamento, a execução e o controle" do modelo de gestão. Em vez disso, recomendou que considerasse as histórias de Harry Potter como "uma masterclass de comercialização" cheio de produtos atrativos.[169] Como resultado, a fabricante de brinquedos Hasbro introduziu, sob licença em 2001, uma versão real de cada Bertie Bott's Every Flavour Beans, doces fictícios da séries.[170]

Explicações sobre o sucesso de Harry Potter[editar | editar código-fonte]

Dado o sucesso sem precedentes do livro, surgiram diferentes explicações que tentaram esclarecer a razão deste fenômeno. A variedade de explicações é extensa, já que alguns deles recorrem ao contexto socioeconômico e cultural, outras prestam atenção nas operações de mercadologia que acompanharam a publicação dos livros, e um terceiro grupo procura justificativa no tipo de material da tradição literária que Rowling trabalha, assim como outras características intrínsecas da obra.

Zack Snipes acredita que o sucesso do livro foi devido a uma forte campanha de comercialização.[171] Andrew Blake disse em A Irresistível Ascensão de Harry Potter que o sucesso da série de livros não poderia ser explicada simplesmente recorrendo a uma campanha de marketing como exegese do fenômeno. "Isso não explica como um livro infantil que foi publicado inicialmente com 500 cópias [...] ganhou a atenção do mundo inteiro, mas sim, em primeiro lugar, por que esse livro e a série subsequentes resultam em algo tão atrativo para adultos".[172] O sucesso dos livros estava antes relacionado com a forma em que Rowling impactou seu livro em um contexto político e cultural específico.[173] Quanto ao primeiro, a Inglaterra estava passando por um momento crucial quando o livro apareceu: o país estava redefinindo seu atitude em relação à globalização e uma mudança estava ocorrendo no paradigma cultural britânico; em relação a este último, Harry Potter veio em meio a uma cena literária dominada pelo politicamente correto.[174]

Outras posturas mais imanentistas analisaram que características do texto provocam a fascinação do livro; algumas pessoas, como Anne Hiebert Alton, determinaram que a fusão de diferentes gêneros e temas constituiu uma atração para os leitores; Peter Appelbaum, por outro lado, afirmou que o interesse que o livro desperta tem a ver com a apresentação da magia como tecnologia de consumo.[171] Para o especialista Christian Daniel Mitchell, a suposta atração por bruxaria que gerariam os livros não é o suficiente para explicar o sucesso; este último pode ser explicado pelas características do texto, como o protagonista que encarna o arquétipo do órfão indefeso que cria empatia com o leitor, ele opina.[175] Para Gwen Tarbox, não é suficiente para explicar a popularidade dos livros, compreendendo o épico confronto entre Harry e Voldemort que estes apresentam; para ela, o apelo da série encontra-se na constante luta do protagonista para desviar-se da inocência e da ignorância.[176]

Traduções[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Traduções de Harry Potter

Estima-se que em meados de 2008 a série de livros havia vendido mais de 400 milhões de cópias e já tinha sido traduzido para mais de 65 idiomas diferentes,[177] sendo o primeiro livro o mais traduzido de toda a série.[178] [179]

Além línguas faladas hoje, a editora Bloomsbury publicou traduções em gaélico,[180] hindi,[181] latim clássico (sob o nome Harrius Potter et Philosophi Lapis) e grego antigo, a fim de incentivar o estudo de línguas clássicas;[182] [183] cabe destacar que esta tradução é o texto mais longo publicado em grego antigo e o primeiro clássico da literatura infantil traduzida ao idioma.[184] [185] A tradução grega foi feita pelo pesquisador Andrew Wilson e sua tradução foi descrita como "uma das mais importantes peças de prosa em grego antigo já escrita em muitos séculos".[184] A tradução latina, por outro lado, foi feita por Peter Needham; o tradutor renomeou o nome do protagonista da saga com base no nome "Arrius", que aparece em um poema de Caio Valério Cátulo.[182]

Nas edições da saga em português, no Brasil, estiveram a cargo da editora Rocco e em Portugal, da editora Presença; a tradutora Lia Wyler se encarregou de traduzir Harry Potter e a Pedra Filosofal no Brasil, e Isabel Fraga em Portugal.[186] [187]

Adaptações[editar | editar código-fonte]

Filme[editar | editar código-fonte]

Locomotiva do Expresso de Hogwarts utilizada no filme.

Em 1999, Rowling vendeu os direitos cinematográficos dos primeiros quatro livros de Harry Potter a Warner Bros. por 1 milhão de libras (US$ 1.982.900, 1,127,861 euros ou 5.727.400,00 reais).[188] A autora exigiu que o elenco principal fosse de nacionalidade britânica, mas foi permitida a participação de alguns atores irlandeses, como o falecido Richard Harris, que retratou Alvo Dumbledore. Os principais papéis do elenco recaíram em Daniel Radcliffe, Rupert Grint e Emma Watson, que interpretam Harry, Rony e Hermione. Richard Harris, Robbie Coltrane, Alan Rickman, Maggie Smith e Tom Felton interpretam os papéis de Dumbledore, Hagrid, Snape, McGonagall e Draco Malfoy.

Nas fases iniciais do projeto, Steven Spielberg foi convidado para assumir a direção, mas ele rejeitou a oferta e, finalmente, o diretor Chris Columbus foi escolhido; a produção foi liderada por David Heyman e o roteiro foi escrito pelo americano Steve Kloves. As filmagens começaram em outubro do ano 2000 nos estúdios Leavesden, e terminaram em julho do próximo ano. A estréia nos cinemas ocorreram mundialmente em 4 de Novembro de 2001,[189] conseguindo tal sucesso no primeiro dia, que arrecadou US$33,3 milhões nos Estados Unidos, quebrando recordes de bilheteria.[190] A receita total do filme foi de US$974.733.550 em todo o mundo, por isso tornou-se, na época, o segundo filme com mais bilheteria da história, que perdeu anos mais tarde, embora continuou a ser um dos 10 filmes de maior bilheteria até 2010;[9] no entanto, continua a ter o segundo lugar de todos filmes no ranking, já que a última parte, o oitavo filme, Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2, estreado em julho de 2011, levantou mais de 1300 milhões de dólares em todo o mundo, sendo o terceiro filme de maior bilheteria da história do cinema e o primeiro de todos os filmes, atrás de Avatar e Titanic de James Cameron.[191] Além disso, o filme recebeu três indicações para o Oscar nas categorias de Melhor Trilha Sonora, Melhor Figurino e Melhor Desenho de Produção.[192]

Jogos eletrônicos[editar | editar código-fonte]

Livremente baseados no romance, os jogos foram lançados entre 2001 e 2003, geralmente sob título estadunidense, Harry Potter and the Sorcerer's Stone. A maioria deles foram distribuídos pela empresa Electronic Arts, mesmo que tenham sido produzidos por empresas diferentes.

A Electronic Arts distribuiu e lançou o jogo para as plataformas PC (com o sistema operacional Microsoft Windows),[193] Game Boy Color,[194] Game Boy Advance,[195] e para Play Station em 2001.[196] Em 2002, a Aspyr Media lançou o jogo para o Mac OS 9.[197] Em 2003, o jogo eletrônico foi lançado (novamente pela EA) para consoles GameCube,[198] PlayStation 2,[199] e Xbox.[200]

Desenvolvedor Data de lançamento Plataforma Gênero Game Rankings Metacritic Notas
KnowWonder 15 de novembro de 2001 Microsoft Windows Aventura/quebra-cabeça 67.35%[201] 65/100[202]  
Argonaut PlayStation Ação-aventura 66.98%[203] 64/100[204]  
Griptonite Game Boy Color Role-playing game 73%[205]  
Game Boy Advance Aventura/quebra-cabeça 68.37%[206] 64/100[207]  
Aspyr 28 de fevereiro de 2002 Mac OS X Aventura/quebra-cabeça Portado da versão do Windows[208]
Warthog 9 de dezembro de 2003 GameCube Ação-aventura 63.31%[209] 62/100[210]  
PlayStation 2 57.90%[211] 56/100[212]  
Xbox 61.82%[213] 59/100[214]  

Audiobooks[editar | editar código-fonte]

O livro, como todos os romances da série, foi publicado em formato audiobook em sua língua original. Isso aconteceu por volta do ano 2002 e contou com a voz do ator Stephen Fry para a versão distribuída na Grã-Bretanha, enquanto na versão dos EUA a história foi contada por Jim Dale.

Em 2013, foi lançada uma edição em português do Brasil do romance, que teve duração total de oito horas e 50 minutos e contou com o trabalho de Jorge Rebelo.[215] [216] Foram lançados audiobooks somente para o primeiro e o segundo livro.[217]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Série Harry Potter
Outras obras da série
Filmes

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. J.K. Rowling foi batizada como Joanne Rowling, sem um nome do meio, e adotou o pseudônimo J. K. Rowling para publicação.[218] Ela diz que sempre foi chamada de "Jo".[219] O página de copyright do livro a nomeia como "Joanne Rowling".[220]

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Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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