Harry Potter e a Pedra Filosofal

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Harry Potter and the
Philosopher's Stone
Harry Potter e a Pedra Filosofal
Primeira capa da edição britânica.
Autor (es) J. K. Rowling
Idioma inglês
País  Reino Unido
Género Fantasia, ficção, aventura, bildungsroman
Série Harry Potter
Linha temporal Partes de 1981 e do final de 1991 ao começo de 1992
Ilustrador Reino Unido Thomas Taylor
Estados Unidos Mary GrandPré (1998-2008) / Kazu Kibuishi (2013)
Editora Bloomsbury Publishing
Lançamento Reino Unido 26 de junho de 1997[1]
Estados Unidos 1 de setembro de 1998
Páginas Reino Unido 223
Estados Unidos 309
ISBN 0-7475-3269-9
Edição portuguesa
Tradução Isabel Fraga
Editora Presença
Lançamento 14 de outubro de 1999
Páginas 255
ISBN 972-23-2533-7
Edição brasileira
Tradução Lia Wyler
Editora Rocco
Lançamento 1 de janeiro de 2000
Formato Brochura
Páginas 223
ISBN 85-325-1101-5
Cronologia
Último
Harry Potter e a Câmara Secreta/dos Segredos
Próximo

Harry Potter e a Pedra Filosofal (no original em inglês Harry Potter and the Philosopher's Stone) é o primeiro livro dos sete volumes da série de fantasia Harry Potter, tanto em termos cronológicos como em ordem de publicação, da autora inglesa J. K. Rowling. Foi primeiramente publicado no Reino Unido pela editora londrina Bloomsbury em 1997, seguido de uma distribuição nos Estados Unidos no ano seguinte pela Scholastic, e tem sido comercializado em vários outros países e traduzido para mais de 65 idiomas.[2]

O livro conta a história de Harry Potter, um garoto órfão criado por seus tios que descobre em seu aniversário de onze anos que é um bruxo. No romance, são narrados os seus primeiros passos na comunidade mágica, a ingressão na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts e o início da amizade com Rony Weasley e Hermione Granger, que o ajudam a enfrentar Lorde Voldemort, quem, anos antes, havia matado os pais de Harry e agora procurava um objeto lendário, conhecido como a pedra filosofal.

Harry Potter e a Pedra Filosofal ganhou vários prêmios literários no Reino Unido e nos Estados Unidos. Em agosto de 1999, entrou na lista de best-sellers de ficção do The New York Times, permanecendo lá até fevereiro de 2000.[3][4] Junto com os outros títulos da série Harry Potter, este volume foi criticado por grupos religiosos, sendo proibido em alguns países devido a acusações de promover a bruxaria. No entanto, alguns críticos cristãos defendem que o livro exemplifica importantes conceitos valorizados pela doutrina cristã, como o poder de autossacrifício e o modo que as decisões de cada um formam suas personalidades.[5]

Há várias adaptações do livro, incluindo audiobooks, jogos eletrônicos e um filme lançado em 2001, dirigido por Chris Columbus. Este se tornou um dos mais bem sucedidos filmes da história do cinema, arrecadando mais de 900 milhões de dólares ao redor do mundo.[6][7]

Sinopse[editar | editar código-fonte]

Trama[editar | editar código-fonte]

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Como diz o título principal, a trama é centrada em uma substância lendária de um alquimista que dá a imortalidade.

Harry Potter cresceu na casa de seus tios, que escondiam a verdade sobre sua família. Ao completar onze anos, Harry começa a receber cartas de um remetente desconhecido, que aumentam a medida que seus tios as destroem. Nelas, está escrito que Harry foi aceito na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts e que, igual a seus pais, também possui poderes mágicos.

Em seguida, descobre-se que os Potters não morreram em um acidente de carro, como sempre dito a Harry, mas sim assassinados pelo bruxo das trevas conhecido como Lord Voldemort. Na noite do suposto acidente, Voldemort matou o casal Potter, mas não conseguiu matar seu bebê, perdendo assim seu corpo físico e deixando uma cicatriz em forma de raio na testa do menino.

Os Dursley tentavam impedir que Harry fosse à Hogwarts, porém Rúbeo Hagrid, o guardião das chaves e dos terrenos de Hogwats, aparece e o ajuda. Eles compram os materiais escolares no Beco Diagonal, onde o garoto descobre que é famoso dentro da comunidade bruxa por ter sobrevivido a uma tentativa de homicídio do bruxo das trevas mais poderoso que existe. Posteriormente, o garoto embarca no trem que o leva até Hogwarts. Ao embarcar, ele conhece Ronald Weasley, um menino ruivo filho de bruxos, e Hermione Granger, uma garota nascida trouxa com grandes talentos acadêmicos. Os três se tornam amigos e, mais tarde, se envolvem em uma série de episódios relacionados com um objeto escondido nas profundezas do castelo: a pedra filosofal, um artefato mágico capaz de transformar metal em ouro puro e de produzir o elixir da vida eterna. Alguns fatos levantam a suspeita de que o professor Severo Snape está tentando roubar a pedra para entregá-la a Voldemort.

Depois de confirmar que o espírito de Voldemort ronda o castelo e que a pedra se encontra em perigo, Harry, Rony e Hermione alertam os professores, mas eles descartam essa possibilidade, pois, para eles, o objeto está protegido por várias armadilhas em uma câmara subterrânea. Então os três garotos atravessam o alçapão guardado por um cérbero e ultrapassam todos os obstáculos que protegem a pedra. Depois, Harry descobre que o professor Quirinus Quirrell era quem tentava roubar a pedra desde o início para entregá-la a Voldemort (que permanecia como um parasita na nuca do professor). Harry consegue pegar a pedra e Quirrell tenta matá-lo, mas não sobrevive ao encostar no garoto e morre quando Voldemort abandona seu corpo.[nota 1]

Depois de uma conversa reveladora com o diretor da escola, Harry se reencontra com seus amigos e volta para a casa de seus tios.

Personagens[editar | editar código-fonte]

Harry Potter é um órfão que Rowling descreveu como "um garoto magricela, de cabelo preto, óculos e que não sabia que era um bruxo".[8] Ela desenvolveu a história da série e dos personagens para explicar como Harry entrou nesta situação e como sua vida se desenrolou a partir daí.[9] Além do primeiro capítulo, os acontecimentos deste livro ocorrem antes e no ano seguinte do décimo primeiro aniversário de Harry. O ataque de Voldemort deixou uma cicatriz em forma de raio na testa de Harry,[9] que produz dores penetrantes quando Voldemort sente alguma emoção forte.[10] Ele tem um talento natural em Quadribol.[11]

Ronald Weasley tem a idade de Harry e Rowling descreve-o como seu melhor dos melhores amigos, "sempre lá quando você precisa dele".[12] Ele é sardento, ruivo e bem alto.[13] Ele cresceu em uma família bastante grande de sangue-puro, ele é o sexto filho de sete.[14] Embora sua família seja muito pobre, ainda vivem confortáveis e felizes.[15] Sua lealdade e bravura no jogo de xadrez de bruxos desempenha um papel vital em encontrar a pedra filosofal.[16]

Hermione Granger, a filha de uma família trouxa,[17] é uma menina mandona,[18] que aparentemente tinha memorizado a maioria dos livros antes do início do ano.[17] Rowling descreveu Hermione como uma personagem "muito lógica, de caráter e uma boa menina"[19] com "muita insegurança e um grande medo de fracassar".[19] Apesar de seus esforços irritantes para manter Harry e Rony fora de problemas,[20] se torna uma amiga muito íntima dos dois rapazes após eles terem salvado-a de um trasgo,[21] e suas habilidades mágicas e analíticas desempenham um papel vital em encontrar a pedra filosofal. Ela tem um cabelo castanho desgrenhado e os dentes da frente bastante grandes.[22]

Neville Longbottom é um garoto gordo, tímido e tão esquecido que sua avó lhe dá um Lembrol.[23][24] As habilidades mágicas de Neville são fracas e apareceram a tempo de salvar sua vida, quando ele tinha oito anos.[25]

O brasão da Hogwarts, escola de magia de Harry.

Rúbeo Hagrid, um meio-gigante de pouco mais de 3 metros de altura, com cabelos negros emaranhados e barba,[26] foi expulso de Hogwarts,[27] mas o professor Dumbledore o deixou ser o guardião das chaves e dos terrenos de Hogwarts, um trabalho que permite-lhe dar carinho e nomes para criaturas mágicas.[28] Quebrou sua varinha.[29] Hagrid é ferozmente leal a Dumbledore e rapidamente se torna amigo de Harry, Rony e, mais tarde, de Hermione.[30][31]

Professor Dumbledore, um homem alto, magro, que usa óculos de meia-lua e tem cabelos prateados e uma barba que enfia dentro de seu cinto,[32] é o diretor de Hogwarts[33] e o único bruxo que Voldemort tem medo.[34] Dumbledore tem dificuldade em resistir a doces e tem senso de humor caprichoso.[35][36] Embora não se importe com o louvor, ele está ciente de seu próprio brilho.[37] Rowling descreveu-o como o "epítome da bondade".[38]

Professora McGonagall, uma mulher alta e severa com cabelo preto amarrado em um coque apertado,[39] ensina Transfiguração[40] e, as vezes, transforma-se em um gato.[41] É a diretora da casa de Grifinória[42] e, segundo a escritora, "sob esse exterior rude é uma idosa pateta".[43]

Petúnia Dursley a irmã da mãe de Harry, Lílian Potter,[44] é uma mulher magra, com um pescoço longo que usa para espiar os vizinhos.[45] Considera sua irmã uma aberração e tenta fingir que ela nunca existiu.[44] Válter, seu marido, é um homem fortemente construído cuja fanfarronada irascível abrange uma mente estreita e um medo de algo fora do comum.[46][47] O filho deles, Duda, é um valentão com excesso de peso e mimado.[48]

Draco Malfoy é um menino magro, pálido, que fala pausadamente.[32] Ele se sente superior sobre sua habilidade em Quadribol[49] e despreza quem não é um bruxo de sangue puro.[49] Seus pais apoiavam Voldemort, mas mudaram de lado depois de seu sumiço, alegando que tinham sido enfeitiçados.[50] Draco evita confrontos diretos e tenta pegar Harry e seus amigos em confusões.[51][52]

Quirinus Quirrell é professor de Defesa Contra as Artes das Trevas.[53] Ele é gago, trêmulo e pálido.[54] Quirrell usava um turbante para esconder o fato de que é voluntariamente possuído por Voldemort, cujo rosto aparece na parte de trás da cabeça de Quirrell.[55]

Professor Snape, que tem um nariz adunco e cabelo preto gorduroso,[56] ensina poções, mas preferia ensinar Defesa Contra as Artes das Trevas.[57][58] Snape elogia os alunos da Sonserina, sua própria casa, mas aproveita cada oportunidade para humilhar os outros, especialmente Harry.[59] Vários incidentes, começando com a dor aguda na cicatriz de Harry durante a festa de início do ano, levam Harry e seus amigos a pensar que Snape é um seguidor de Voldemort.[60] Snape é o diretor da casa Sonserina.[61]

Lorde Voldemort é o bruxo tenebroso que aterrorizou o mundo mágico na década de 1970 em um conflito conhecido como a Primeira Guerra Bruxa.[62] Seu corpo foi destruído pela maldição que lançou contra Harry por causa da intervenção da mãe do bebê.[63] Posteriormente, usou o corpo de Quirrell para conseguir a pedra filosofal e, desse modo, conseguir a imortalidade.[64]

Argo Filch, zelador da escola,[65] sabe passagens secretas da escola melhor do que ninguém, exceto, possivelmente, dos gêmeos Weasley.[59] A gata dele, Madame Nora, auxilia sua caça constante ao mal comportamento dos alunos.[59]

Outros membros da equipe incluem a atarracada professora de Herbologia e diretora da casa Lufa-Lufa, Professora Sprout,[66] Professor Flitwick, o minúsculo professor de Feitiços e diretor da casa Corvinal,[67] Professor Binns, professor de História da Magia, um fantasma que parece não ter notado a sua própria morte[68] e a Madame Hooch, treinadora de Quadribol, é rígida, mas atenciosa e metódica.[69] O poltergeist Pirraça vagueia em torno do castelo causando problemas por onde passa.[70]

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Antecedentes e desenvolvimento[editar | editar código-fonte]

J. K. Rowling é a autora da série.

A criação de Harry Potter e a Pedra Filosofal está intimamente ligada aos acontecimentos que tiveram lugar na vida da autora, a britânica J. K. Rowling, a partir de 1990.[71] Naquele ano, se mudou para Manchester e,[72] depois de uma semana buscando um apartamento na cidade,[73] retornou para Londres de trem e teve a ideia, como ela diz, onde tudo começou: "Realmente não sei como surgiu a ideia [...] Começou com Harry e então todos os personagens e situações começaram a surgir na minha cabeça."[74] E durante o resto da viagem, ela desenvolveu a ideia em sua mente, já que não tinha como escrever, fato que reconheceu como benéfico para o processo criativo da trama.[72] Neste fluxo de ideias apareceram personagens como Rony, Nick quase sem Cabeça, Rúbeo Hagrid, Pirraça e, além disso Rowling decidiu que a história seria dividida em sete livros.[74][75]

Naquela noite, ela começou a escrever o primeiro livro, que levou cinco anos para ser escrito.[76] Durante esses cinco anos, se dedicou à criação de todo o universo que envolve a história de Harry Potter.[72][77] A autora havia escrito os primeiros parágrafos em guardanapos em uma viagem à Escócia.[78] Posteriormente, continuou a escrever seu livro em uma máquina de escrever.[78]

No final de 1990, a mãe de Rowling morreu de esclerose múltipla, o que, a autora confessa, influenciou sua escrita profundamente.[79][80] A consequência deste evento manifestou-se em sua escrita, no fato de Harry ser órfão e no tratamento dado ao tema "morte" em todos os seus livros:

Nove meses depois da morte de sua mãe, Rowling, que havia estudado línguas estrangeiras na Universidade de Exeter, mudou-se para Porto, em Portugal, para ensinar inglês a alunos de 8 a 62 anos.[75] Lá escrevia em cafés locais ou na escola.[75] Seis meses mais tarde, a escritora terminou os três primeiros capítulos do livro e conheceu o jornalista Jorge Arantes,[82] com quem se casou e engravidou.[75] Em Portugal, escreveu muitos dos aspectos principais do livro, como por exemplo a pedra filosofal, que se tornou um elemento fundamental para o desenvolvimento da trama.[83] Para escrever sobre a pedra, Rowling usou detalhes que aprendeu sobre o objeto em suas aulas de química do ensino médio.[75] Lá também escreveu o capítulo "O Espelho de Ojesed", que reconheceu como seu favorito.[77][84] A autora afirmou que não sabia muito bem como escrever o primeiro capítulo, e mencionou que existem muitas versões do mesmo.[85] Naquelas outras versões, os Potters viviam em uma ilha e os Grangers na costa, podendo ver Voldemort chegando a Godric's Hollow antes de efetuar o assassinato dos Potters, além do que apareciam personagens que foram eliminados completamente da trama.[85] Rowling reconheceu que a versão final do primeiro capítulo não foi uma das melhores que já escreveu, visto que muitas pessoas têm dificuldade em ler.[85] "O problema com o capítulo referido foi, como muitas vezes acontece nos livros de Harry Potter, que tinha de colocar muitas informações e ao mesmo tempo esconder muito mais."[85]

No final de 1993, a escritora retornou ao Reino Unido por causa de seu trabalho e divórcio.[80] Foi viver com a filha na casa de sua irmã e cunhado em Edimburgo, mas mudou-se posteriormente.[86] Ela entrou em depressão e ficou com dificuldades em escrever, e como não podia contratar uma babá para sua filha, tudo o que fazia era "duplamente difícil".[87] Para continuar escrevendo seu livro, começou a frequentar o café de seu cunhado,[75][88] onde podia escrever calmamente com sua filha quando não havia muitos clientes.[89] Naquele lugar foi possível concluir a escrita do livro.[75]

Depois de concluir seu trabalho em 1996 e digitar duas cópias do mesmo,[75] Rowling escreveu para a Biblioteca Central de Edimburgo para procurar agentes literários.[90] Ela enviou os três primeiros capítulos a um agente, mas ele os rejeitou,[72] então enviou-os para outro.[91] A agência Christopher Little Literary Agents concordou em encontrar uma editora que publicaria o manuscrito.[92] Depois que doze editoras rejeitaram o livro,[75] a autora recebeu a aprovação — e um adiantamento de 1 500 libras — do editor Barry Cunningham em 1996, que trabalhava para uma pequena editora de Londres chamada Bloomsbury Publishing.[75][93] "[...] recebi uma carta de resposta. Supus que fosse outra carta de rejeição, mas dentro do envelope estava uma carta que dizia: Obrigado, estamos felizes em receber seu manuscrito.", a escritora leu a carta oito vezes e considera a melhor que já recebeu em sua vida.[87] A decisão do diretor foi devido a sua filha, uma menina de oito anos, que leu o primeiro capítulo do livro e quis saber como continuava.[94] A garota disse ao pai que o livro é "muito melhor do que qualquer outra coisa", então ele decidiu publicar o livro.[94]

Em uma entrevista para o jornal espanhol El País em 2008, a escritora disse que não havia escrito o livro pensando em um leitor específico: "Eu o chamei de conto de fadas porque o personagem principal era uma criança. Mas sempre foi uma criança que queria fazer mais. E no final é um homem, um jovem, mas um homem. Isto é incomum nos livros infantis: o protagonista cresce."[95]

Publicação[editar | editar código-fonte]

Após a aprovação do livro, a editora pagou a Rowling 2 500 libras.[96] No entanto, o comprimento do livro não era a maior preocupação da editora, mas sim o nome da autora.[97] Little havia percebido que homens não liam ficções escritas por mulheres, então os editores pediram para Rowling adotar um pseudônimo que não mostrasse seu nome completo.[98] Antes da publicação, Rowling adotou o pseudônimo "J. K. Rowling", para ocultar o nome "Joanne". A letra "K" se refere a "Kathleen", o nome de sua avó.[99][100] A editora inicialmente sugeriu o nome de Harry Potter and the School of Magic (Harry Potter e a Escola de Magia) mas Rowling se opôs,[101] embora na edição francesa o livro tenha sido publicado com esse título (Harry Potter à l'École des sorciers).[102]

Antes de publicar o livro, a Bloomsbury enviou cópias para vários críticos e editores, com o objetivo de reunir algumas opiniões e percepções.[103] Com isso, também procurou conseguir algumas críticas que apoiariam a publicação de uma obra de autor desconhecido.[104] Depois de receber elogios, Cunningham contratou Thomas Taylor, um ilustrador, também desconhecido, para a edição do livro, devido, em parte, à falta de orçamento.[105] A ilustração da capa permaneceu inalterada em edições posteriores, mas a contra-capa foi alterada, mostrando Alvo Dumbledore com uma barba marrom ao invés de uma prata, como é descrita no livro.[106]

"Eu tive que digitar todo o texto sozinha. Para dizer a verdade, algumas vezes cheguei a odiar o livro, mas ao mesmo tempo o amava também."
—J. K. Rowling.[107]

Em junho de 1997, a Bloomsbury publicou A Pedra Filosofal com uma impressão de quinhentas cópias, das quais trezentas eram distribuídas em bibliotecas.[108] A circulação inicial foi publicada em formato de bolsilivro, mas algumas edições em capa dura foram comercializadas. A resposta não foi imediata, mas o livro registrou críticas favoráveis nos jornais The Scotsman e The Glasgow Herald.[109] Antes da publicação inglesa do livro, Christopher Little havia organizado um leilão, com o objetivo de vender os direitos da publicação do livro nos Estados Unidos.[104] Arthur Levine, da Scholastic Corporation, havia lido o livro durante um voo transatlântico e, em abril de 1997, comprou os direitos de publicação do livro na Feira de Livros da Bolonha.[104][110] Ele pagou 105 milhões de dólares, uma quantidade estimada excessiva para um livro de gênero infantil.[111] Rowling recebeu a notícia três dias depois da publicação britânica do livro.[111] Depois de um longo debate, o título, nos Estados Unidos, foi mudado para Harry Potter and the Sorcerer's Stone (Harry Potter e a Pedra do Feiticeiro), pois a editora acreditava que a palavra philosopher (filosofal na tradução) daria a impressão de que o livro falava sobre temas filósofos e não teria apelo comercial.[112] Rowling disse mais tarde que se arrependeu desta mudança, e que teria lutado mais para manter o título original se estivesse em uma posição melhor.[113] Philip Nel disse que a mudança perdeu a conexão com a alquimia, e o significado de outros termos alterados na tradução do inglês britânico para o inglês americano mudaram.[114] O livro foi publicado em 1998 nos Estados Unidos,[2] e em outubro do mesmo ano, Rowling fez uma turnê de dez dias no país dando entrevistas para promover o livro.[115]

Já que as edições do Reino Unido foram lançadas alguns meses antes das publicadas nos Estados Unidos, alguns leitores estadunidenses compararam versões do livro em inglês britânico com o americano através da internet, fato que gerou polêmica.[116] A mesma coisa aconteceu com seu sucessor, Harry Potter e a Câmara Secreta, e por esse motivo a editora Scholastic processou a Amazon.com — um site de vendas na Internet — por não levar em conta os direitos territoriais e, portanto, atuar de forma ilegal.[88]

O primeiro livro é dedicado à primeira filha de Rowling, Jessica,[117] junto com o português Jorge Arantes, com quem foi casada por poucos meses.[118] Sua mãe, Anne Rowling, que morreu de esclerose múltipla em 1990, com 45 anos, depois da luta de uma década contra a doença;[119] a tristeza da morte da mãe foi uma influência nas histórias de Rowling que anos mais tarde, em 2010, criou a Clínica de Neurologia Regenerativa Anne Rowling.[120] E Dianne Rowling, sua única irmã.[121]

Edições comemorativas[editar | editar código-fonte]

Em janeiro de 2007, a editora Bloomsbury publicou uma nova versão do livro comemorando o 21.º aniversário da editora, que incluiu uma breve introdução escrita por Rowling.[122][123] Para marcar o décimo aniversário do lançamento original estadunidense, em maio de 2008 a Scholastic anunciou a criação de uma nova edição do livro,[124] cuja publicação ocorreu em 1 de outubro de 2008.[124][125] Para o décimo quinto aniversário dos livros, a Scholastic re-lançou A Pedra Filosofal, juntamente com os outros seis romances da série, com uma nova arte da capa, feita por Kazu Kibuishi em 2013.[126][127][128]

Críticas[editar | editar código-fonte]

O livro recebeu críticas positivas, especialmente no que diz respeito à imaginação, humor, e ao estilo literário de Rowling,[129] embora alguns reclamaram que os capítulos finais pareceram apressados.[130] O trabalho foi comparado com textos de Jane Austen[131] (uma das autoras favoritas de Rowling),[132] de Roald Dahl (cujas obras predominam histórias de crianças que subvertem a ordem dos adultos), e com o trabalho do poeta grego Homero,[133][134] cujo estilo foi comparado com o de Rowling: "rápido, simples e direto na expressão".[135] Dan Nosowitz afirmou que o livro retomou temas da era vitoriana e eduardiana e de como é a vida dos ingleses em internatos, enquanto outros disseram que o romance introduz importantes questões relacionadas a sociedade atual.[136][137]

Recepção no Reino Unido[editar | editar código-fonte]

Imitação da fictícia Plataforma 9¾ na estação de King's Cross, com um carrinho de bagagem aparentemente no meio da parede mágica.

Lindsey Fraser, que forneceu um dos comentários da sinopse no The Scotsman em 28 de junho de 1997,[104] descreveu Harry Potter e a Pedra Filosofal como "um suspense extremamente divertido" e Rowling como "uma escritora de primeira linha para crianças."[104][138] Outra crítica antecipada, no The Herald, disse: "Difícil encontrar uma criança que despreze o livro."[104] Jornais do exterior da Escócia começaram a notar o livro, com comentários brilhantes no The Guardian,[139] The Sunday Times[140] e The Mail on Sunday,[104] e em setembro de 1997, a Books for Keeps, uma revista especializada em livros infantis, deu ao romace quatro de cinco estrelas.[104] O The Mail on Sunday classificou o livro como "a estreia mais criativa desde Roald Dahl", uma posição defendida pelo jornal The Sunday Times ("as comparações com Dahl são, desta vez, justificadas"), enquanto o The Guardian chamou de "um romance ricamente texturizado que decolou por um humor criativo" e o The Scotsman disse que "tinha todos os ingredientes de um clássico."[104]

Em 1997, a edição do Reino Unido ganhou um National Book Award[141] e uma medalha de ouro na categoria de livros de 9 a 10 anos de idade da Nestlé Smarties Book Prize.[142] O prêmio Smarties, que é votado por crianças, fez o livro ficar bem conhecido em apenas seis meses de publicação, enquanto a maioria dos outros livros infantis ficam conhecidos em anos.[104] No ano seguinte, A Pedra Filosofal ganhou quase todos os principais prêmios britânicos que eram decididos por crianças.[104][nota 2] Ele também foi indicado para prêmios de livros infantis votados por adultos, mas não ganhou nenhum. Sandra Beckett comentou que livros populares entre crianças são considerados como pouco exigentes e que não têm um alto nível literário – por exemplo, a literária citou as obras de Roald Dahl, um dos favoritos das crianças antes do aparecimento dos livros de Rowling.[143][144] Em 2003, o romance foi listado no top 200 de livros do Reino Unido, alcançando a 22ª colocação, na pesquisa da BBC The Big Read.[145]

Harry Potter e a Pedra Filosofal ganhou dois prêmios dados por mérito de vendas ao invés de ter sido por sua escrita, o British Book Awards como Melhor Livro Infantil do Ano[146] e o Booksellers' Association como autor Bestseller do ano.[104] Até março de 1999, as edições britânicas haviam vendido pouco mais de 300 mil cópias,[147] e o livro ainda era o título mais vendido no Reino Unido em dezembro de 2001.[148] Uma edição em Braille foi publicada em maio de 1998 pela Scottish Braille Press.[149]

A Plataforma 9¾, local onde o expresso de Hogwarts Londres, foi homenageado na Estação de King's Cross com um letreiro e um carrinho aparentemente atravessando a parede.[150]

Recepção nos Estados Unidos[editar | editar código-fonte]

O alquimista Nicolas Flamel é, no livro, o criador da pedra filosofal.

Em primeiro lugar, os críticos mais prestigiados ignoraram o livro, deixando-o para bibliotecas ou revistas especializadas em críticas de livros, como a Kirkus Reviews e a Booklist.[151] No entanto, comentários de especialistas mais importantes, tais como a Cooperative Children's Book Center Choices, que apontaram a complexidade, a profundidade e a consistência do mundo que Rowling construiu, atraíram a atenção de revisores de grandes jornais.[152] Embora o The Boston Globe e Michael Winerip do The New York Times se queixaram de que os capítulos finais eram a parte mais fraca do livro,[138][153] alegando que estes pareciam apressados e apresentavam a falta de desenvolvimento de alguns personagens,[154] eles e a maioria dos outros críticos estadunidenses elogiaram o romance.[104][138] Um ano depois, nos Estados Unidos, o livro foi premiado como Livro Notável pela American Library Association,[155] Melhor Livro de 1998 pela Publishers Weekly[156] e Melhor Livro do Ano pela Biblioteca Pública de Nova Iorque,[157] revista Parenting,[142] School Library Journal e American Library Association.[104]

Na revista on-line Salon, Christopher Taylor publicou um comentário positivo. Ele disse que, apesar dos preconceitos que um romance como este poderia sofrer (possivelmente por sua didática ou por sua moral), sua leitura conseguiu superar qualquer expectativa negativa:

Não creio que alguém possa ler 100 páginas de Harry Potter e a Pedra Filosofal sem começar a sentir aquele frio inconfundível que lhe diz que você está em um clássico. [...] Não quero ser condescendente e dizer que ela escreveu um romance infantil maravilhoso; o que ela escreveu foi um romance maravilhoso e ponto. E para aqueles que insistem em dizer que romances devem ensinar uma lição, que a lição de Harry Potter seja a única distinção que vale a pena fazer na literatura: separar os trouxas.[158]

Em agosto de 1999, Harry Potter e a Pedra Filosofal liderou a lista de ficções mais vendidas do The New York Times,[159] e permaneceu no topo da lista pela maior parte de 2000, até que o jornal dividiu sua lista entre seções de crianças e adultos sob pressão de outras editoras que queriam ver seus livros em altas colocações.[143][152] O Publishers Weekly relatou, em dezembro de 2001, sobre as vendas cumulativas de ficção infantil, colocando Harry Potter e a Pedra Filosofal em décimo nono lugar entre livros de capa dura (mais de 5 milhões de cópias vendidas) e sétima colocação entre brochuras (mais de 6,6 milhões de cópias).[160]

Dos comentários que apareceram no The New York Times em 1999, o jornalista Michael Winerip, escreveu:

Como ocorria com Roald Dahl, Rowling tem esse grande dom em manter as emoções, medos e vitórias de seus personagens em uma escala humana, mesmo quando o sobrenatural aparece em todos os lados.[2]

O redator também comentou sobre o humor malicioso de Rowling, embora, na sua opinião, o livro foi falhando nos últimos capítulos no que diz respeito ao desenvolvimento de alguns personagens.[2] Outro comentário, assinado por Pico Lyer fala sobre o curioso efeito produzido quando um livro tão imbuído nas tradições literárias inglesas chegava a uma cultura tão diferente como a dos Estados Unidos. Nesses casos, na cultura original é percebido um certo grau de realismo ou mundanismo que se volta a algo exótico, fato encontrado em um ponto de comparação entre A Pedra Filosofal e Cem Anos de Solidão de Gabriel García Márquez.[161]

No entanto, apesar de todas as críticas positivas que o livro recebeu, o teórico literário Harold Bloom escreveu uma crítica negativa do livro, que apareceu no jornal Wall Street Journal, em novembro de 2000.[162] Bloom disse, entre outras coisas, que o livro não tinha uma boa escrita e que também sofria de problemas, como a falta de imaginação e a dívida com obras anteriores da literatura inglesa.[163] Ao mesmo tempo, comparou Rowling com outros escritores como Stephen King, John Grisham ou Tom Clancy, que registraram grandes vendas de seus títulos, mas que, em sua opinião, carecem de talento.[162]

Recepção no Brasil[editar | editar código-fonte]

O livro, no Brasil, foi lançado pela Editora Rocco em 1 de janeiro de 2000.[164] Fora publicado como Harry Potter e a Pedra Filosofal, igualmente em Portugal.[165][166] A Pedra Filosofal recebeu uma avaliação de 4.5 de 5 por 87 744 avaliações no Skoob.[167]

Pedro Bandeira fez um comentário positivo do livro para a revista Veja: "O livro merece o sucesso mundial que obteve. Não será diferente no Brasil. Nós, autores brasileiros de literatura para jovens, devemos dar a mão à palmatória: a senhora Rowling conhece o caminho das pedras."[168] Frini Georgakopoulos, do Almanaque Virtual, disse que "a narrativa tem ótimo ritmo e detalhes o suficiente para enriquecer a história, mas não para deixá-la arrastada".[169] O The Acrobat comentou que, por ser um livro pequeno, "impressiona a maneira rápida como J.K. Rowling conduz os acontecimentos, fazendo com que a leitura, além de divertida, seja bem leve".[170]

Oposições religiosas[editar | editar código-fonte]

Alguns grupos religiosos têm argumentado que os livros de Harry Potter incentivam a praticar a bruxaria.

O livro Harry Potter e a Pedra Filosofal, junto com toda a série, têm sido vítimas de conflitos causados por diferentes grupos religiosos sob acusações de que os livros contêm textos satânicos que promovem a bruxaria.[171] Nancy Flanagan Knapp, buscando elementos que poderiam ser interpretados como uma apologia de bruxaria, concluiu que, as aulas de poções dadas por Severo Snape poderiam ser interpretadas como um exemplo para apoiar as acusações acima, caso contrário, elas se assemelhavam a uma simples aula de química, ao invés de rituais esotéricos.[172] De acordo com a American Library Association (ALA), o livro foi classificado como um dos mais contestados do século XXI.[173] Além disso, os cidadãos do Novo México organizaram um evento para queimar os livros da série, alegando que as histórias ensinam bruxaria, satanismo e ocultismo.[173][174]

A inclusão dos livros nas escolas e bibliotecas públicas tem sido frequentemente contestada por seu enfoque sobre a magia,[175] particularmente nos Estados Unidos, onde foi classificado na sétima colocação na lista dos livros mais contestados em bibliotecas americanas entre 1990 e 2000, apesar de só ter sido publicado inicialmente nos Estados Unidos em 1998.[176] Em 1999, os livros da série receberam 23 reclamações vindas de 13 estados.[177] Em 2002, em York, Pensilvânia, uma mãe local, Deb DiEugenio, juntamente com o seu pastor, tentou proibir os livros de serem lidos na escola de sua filha.[178] "É contra a índole da minha filha, é demoníaco, é bruxaria", disse Deb DiEugenio. A mãe de um outro aluno da sexta série que estudava na Eastern York School District também criticou o livro: "Não estou pagando impostos para que ensinem bruxaria ao meu filho".[179] Em outro caso, o pastor Tony Leanz afirmou que Harry Potter promovia a religião Wicca e, tendo o romance como um livro com um conteúdo religioso utilizado em instituições públicas, ele argumentou que violava a separação entre Estado e Igreja.[174][180][181][182] Em 2007, o Catholic World Report criticou o protagonista dos romances por não obedecer as regras e não mostrar respeito a autoridades, e considerou que a série misturava o mundo mágico com o mundo real, classificando como "uma rejeição fundamental da ordem divina na criação".[183]

No ano de 2003, Gabriele Kuby publicou um livro intitulado Harry Potter: O Bem ou o Mal,[184] onde escreveu que "os livros de Harry Potter corrompem os corações dos jovens, dificultando o desenvolvimento de um sentimento bem ordenado do bem e do mal, e, portanto, prejudica seu relacionamento com Deus, enquanto ainda está sendo desenvolvido".[185] Em 2005, o cardeal Joseph Ratzinger (que posteriormente se tornou o Papa Bento XVI) recebeu uma cópia do manuscrito de Kuby.[186] Antes de se tornar Papa, Ratzinger (que um tempo antes havia sido prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé) disse que os romances são uma influência potencialmente prejudicial para as crianças, e disse que elas tinham "seduções sutis, que agem despercebidas e que dessa forma distorcem profundamente o cristianismo na alma antes de poder se desenvolver corretamente".[187] Um tempo depois, deu a permissão para a publicação da carta onde ele expressa esta opinião.[186][188] No entanto, Peter Fleetwood, um sacerdote britânico que ajudou a redigir um documento oficial sobre os fenômenos da Nova Era em 2003,[189] mencionou que as histórias de Harry Potter são morais que ensinam as crianças a importância de fazer sacrifícios para vencer o mal, "não são maus e não lutam contra a ideologia cristã", declarou o sacerdote.[187][190]

As respostas de outros grupos religiosos foram positivas.[191] Rowling mencionou que seus livros "foram atacados a partir de uma perspectiva teológica, mas [também] tem sido elogiados e mencionados nos púlpitos" e para ela, "o que é mais interessante e gratificante é ver que várias religiões diferentes têm feito isso".[192] A autora também observou que os livros não são "exclusivamente" cristãos e que nunca tentou escrever uma alegoria, como C. S. Lewis com As Crônicas de Nárnia.[192] Emily Griesinger escreveu que a literatura de gênero fantástico ajuda crianças a lidar com a realidade.[193] Segundo ela, A Pedra Filosofal descreve a primeira etapa de Harry (quando o garoto se encontra com o Chapéu Seletor) como a primeira de muitas ocasiões em que está determinado pelas decisões que toma.[193] Griesinger disse que o sacrifício da mãe de Harry era a forma de "magia mais profunda" que, acima da "magia tecnológica", também presente no romance, era capaz de vencer tudo, e isso é o que "a fome de poder de Voldemort não entende".[193]

Análise[editar | editar código-fonte]

Estrutura[editar | editar código-fonte]

"A mulher [Rowling] tem uma imaginação incrível. Ela estruturou a série como uma daquelas pinturas renascentistas, com diferentes linhas de perspectiva que são orientadas em todas as direções em direção ao infinito, com estranhos seres sobrenaturais no fundo [...]"
—Polly Shulman.[194]

O romance funciona pela clássica estrutura de três atos: uma introdução no mundo dos trouxas, o desenvolvimento na escola e depois o retorno ao mundo de que veio.[195] Essa estrutura simples, que aparece em quase todos os livros da série, ajuda a criar uma sensação de familiaridade com o texto.[195] Inicialmente, o fio da trama é a viagem iniciática de Harry à Hogwarts e o processo de autoconhecimento que o protagonista atravessa, e depois a intriga em torno da pedra filosofal torna-se o eixo do livro.[196] Polly Shullman comentou sobre a estrutura do livro: "O primeiro livro teve uma trajetória dramática simples: Harry se sente seguro em saber quem são os bons e os maus, mas no fim, está errado."[197]

Temas[editar | editar código-fonte]

Segundo a autora, o tema principal do livro é a morte, e tem sido desde o início de sua obra.[95] No primeiro capítulo do livro é anunciado a morte dos Potter e, a partir desse momento, a fatalidade ronda o protagonista.[198] A trama em torno da pedra filosofal é motivada pela ganância de Voldemort, que deseja ser imortal através do elixir da vida.[198] "A questão da imortalidade está quase sempre presente na obra de J. K. Rowling. Todo o primeiro livro gira em torno do desejo de Voldemort conseguir a pedra [...]" comentou David Colbert.[198]

O auto sacrifício motivado pelo amor também é outro tema central neste livro e em toda a saga, de acordo com Daniel Mitchell.[199] O amor é a força que pode deter o poder de Voldemort, já que ele desconhece a forma e o poder que opera.[200] Além disso, Mitchell vê certas ressonâncias cristãs no sacrifício de Lílian Potter para salvar a vida de seu único filho, o que é repetido com outras personagens, como Dumbledore e Dobby ao longo da série.[199]

De acordo com Gwen Tarbox, A Pedra Filosofal também aborda a questão das relações entre crianças e adultos, com base no conceito de "inocência infantil" derivado do Iluminismo.[201] Este conceito determina que uma criança "inocente" é aquela que ignora certos fatos.[201] De acordo com a análise de Tarbox, instaura-se uma relação entre Harry e Dumbledore com base na posse do conhecimento fornecido pelo segundo ao primeiro, relação que atinge seu ponto máximo em Harry Potter e a Ordem da Fênix.[201]

O poder e a tentação por este constituem outro tema central.[202] Alan Jacobs salientou que a magia, tal como Rowling a descreve, funciona como uma metáfora sobre o papel que a tecnologia desempenha no mundo real e que seu domínio é de aprendê-la através do estudo.[203] Personagens como Voldemort mostram uma ambição de conseguir tal magia, o que os fazem mudar para o lado das trevas.[203] Scott argumenta que Harry enfrenta as promessas de poder e grandeza quando escolhe não fazer parte da Sonserina, mas alega que o rapaz terá inevitavelmente tentação pelo poder em outras ocasiões.[204] Shullman, pelo contrario, acha que Harry não tem esse tipo de dúvidas, mas suas tentações têm mais a ver com a saudade de entes queridos, e sua relação com o espelho de Ojesed comprova isso.[205]

Intertextualidade e influências[editar | editar código-fonte]

Tem-se observado que a saga Harry Potter — e A Pedra Filosofal em particular — tem semelhanças estilísticas, temáticas e narrativas com outros trabalhos que a precederam tanto na literatura inglesa como na produção literária em outros países. Estas relações intertextuais (categoria proposta por Julia Kristeva, com base no trabalho de Mikhail Bakhtin), como apontam a maioria dos especialistas, manifesta-se na obra de Rowling através da reelaboração das situações, personagens e ideias. A propósito destas reelaborações, Blasina Cantizano Márquez, professora da Universidade de Almería, disse:

Conto de fadas[editar | editar código-fonte]

Tomando em conta as investigações que o psicólogo infantil Bruno Bettelheim e o historiador Joseph Campbell efetuaram aplicando categorias psicanalíticas em análises de relatos folclóricos, apontaram que Harry Potter reformula arquétipos carregados com significados profundos.[207] Em The Uses of Enchantment, Bettelheim disse que o conto de fadas era o único tipo de relato infantil do qual se podiam inferir soluções para os principais problemas da humanidade.[208] Richard Bernstein, de acordo com um psicólogo austríaco, afirmou que se visto do ponto de vista dos leitores infantis, A Pedra Filosofal expressa os terrores da infância, o que o torna atraente para os leitores.[207] O texto reflete o medo da crueldade paterna e a competência com os irmãos através da relação de Harry com os Dursley.[207] Esse vínculo familiar torna o texto semelhante ao conto da "Cinderela".[207] O romance também reflete a angústia que surgiu com abandono ou o desaparecimento dos pais (como no conto "João e Maria") e as inseguranças antes das mudanças e das adaptações que o protagonista tem que passar, por exemplo, ao ingressar em Hogwarts.[207] Outro patrimônio destas histórias é a clara distinção entre as figuras parentais (os Potter) e as figuras de pais hostis e substitutos (os Dursley), que operam como duas faces da mesma moeda, mas aparecendo amassada por questões de conceituação da mente infantil.[209] No entanto, o protagonista se diferencia dos personagens centrais nestas histórias, já que Harry não costuma pedir a ajuda de qualquer pessoa, e resolve seus problemas por si mesmo.[210] Outra diferença é dada com um elemento muito comum na tradição do conto de fadas: o espelho. Enquanto na maioria destas histórias o espelho é um elemento perturbador ou a porta de entrada para outros mundos, no texto de Rowling é um elemento que permite a catarse e o fortalecimento da personalidade.[211]

"João e Maria", um dos muitos contos de fadas que reformula Harry Potter.

A nível estrutural, Harry Potter e a Pedra Filosofal também se relaciona com os contos de fadas por ter um final feliz — condição sine qua non para este tipo de narrações — que vem após uma série de obstáculos ultrapassados.[207] "Moralidade não é o assunto destas histórias", afirmou Bettelheim, "mas, em vez disso, a segurança de que se pode seguir em frente".[207] Outra característica estrutural, relacionada com as histórias acima, é a repetição de cenários e situações que A Pedra Filosofal instaura em quase toda a saga.[207] Colbert, apoiado em teorias estruturais expressadas por Campbell sobre The Hero With a Thousand Faces, observou que o início de cada história no subúrbio de Little Whinging com os Dursley e, mais tarde, o retorno para o "mundo real" (depois das aventuras em Hogwarts) está relacionado com o carácter clínico que Campbell atribuiu a todos os contos folclóricos e ao o papel de Harry como a personificação de um arquétipo heroico, executado em obras como a Odisseia e Guerra nas Estrelas.[212]

Romance ambientado em escolas e bildungsroman[editar | editar código-fonte]

Cantizano Márquez disse que a série é influenciada pela literatura realista que teve seu apogeu na Inglaterra durante a era vitoriana.[213] Para a pesquisadora, essas influências podem ser vistas no fato de que o enredo do romance acontece em etapas que o leitor pode reconhecer como cotidianos (uma escola, os subúrbios, Londres, etc.).[213] A presença de Hogwarts relaciona o romance com o subgênero de contos ambientados em escolas.[213] Entre estes, os antecessores que mais tem sido relacionados com o trabalho de Rowling são David Copperfield, de Charles Dickens e Os Dias de Escola de Tom Brown, escrito por Thomas Hughes, romance que alguns classificam como o antecedente direto e não-mágico de Harry Potter.[162] Foram rastreadas mais semelhanças também entre em Charmed Life, de Diana Wynne Jones, e The Worst Witch, por Jill Murphy,[194][214][215] histórias em que aparecem escolas de magia. Além disso, existem grandes semelhanças na descrição de Hogwarts com os romances de Murphy e sua possível localização na Escócia.[216] Na verdade, foi verificado que são precisamente os elementos dos internatos britânicos que fazem Harry Potter realmente parecer uma ficção (tirando o fato da magia) nos Estados Unidos, já que o país não possuí uma tradição escolar deste tipo.[217]

As obras literárias estabelecidas em internatos britânicos influenciaram a obra de J. K. Rowling.

A tradição do romance ambientado em internatos com o qual Rowling se conecta explora questões como a rivalidade, ritos de iniciação, amizades e relacionamento com a autoridade e com os esportes escolares.[218] Robert Kirkpatrick disse que os romances de Rowling levam até o extremo das possibilidades deste subgênero,[219] e Kelly O'Brien disse que o romance subverte diretamente as regras do subgênero,[210] já que existe um personagem feminino como Hermione, que está na mesma altura dos outros protagonistas,[220] um fato atípico já que essas histórias não costumam dar muito espaço para personagens femininos.[210] Pico Iyer, por sua vez, estabeleceu numerosas semelhanças entre Hogwarts e o Dragon School, em Oxford, escola que estudou quando jovem.[221]

A Pedra Filosofal também estabelece, no ciclo de livros, as características do gênero bildungsroman,[222] uma vez que, juntamente com a tradição de ficções ambientadas em escolas, toda a saga segue o processo evolutivo de Harry, que passou da infância à adolescência ao longo da série.[222] Neste sentido, o romance pode estar relacionado com uma saga iniciada por A Wizard of Earthsea, de Ursula K. Le Guin e Wise Child, de Monica Furlong, livros que lidam com a educação de um protagonista bruxo.[223] Além disso, a série Harry Potter oferece também um buildgunsroman dos coprotagonistas Rony e Hermione, detalhe incomum no gênero.[224] No entanto, a principal diferença na série Harry Potter para com muitos desses expoentes é que a formação do protagonista ocorre, não só em uma maneira pessoal (geralmente sob a tutela de um mentor sábio, como é o caso de Dumbledore), mas é complementada com a situação escolar, onde um professor instrui muitos alunos simultaneamente.[222]

Cosmovisão[editar | editar código-fonte]

Rowling não concebeu o mundo que seus livros decorrem, adotando o modelo high fantasy de Tolkien e Le Guin.[225] A trama de seus livros não tem lugar em um universo alternativo e completamente separado do mundo real, ao contrário, o mundo de Harry Potter existe no mundo considerado "real" e tem contatos com ele em várias ocasiões.[194] Visto através de Hogwarts, o cenário criado por Rowling se mostra mutável e em constante mudança, ao contrário das realidades estabelecidas nas obras dos autores acima.[226]

Este, como foi falado, facilita ao leitor a suspensão de descrença e sua entrada ao mundo que propõe o livro, já que fornecem pontos de referência na realidade conhecida.[227] O livro começa na moderna cidade de Londres e tudo que diz respeito à comunidade mágica coexiste de forma oculta em vista dos não-mágicos.[226] Esta "realidade oculta" tem uma organização geopolítica, educacional e ecônomica, outros pontos de referência para o leitor.[228] No mundo de Harry Potter, magia não pode resolver todos os problemas.[229] Baseado nisso, Tom Morris escreveu que os problemas que aparecem no romance raramente são resolvidos por magia, mas por uma combinação de diferentes virtudes clássicas humanas.[230]

Ele também disse que a Inglaterra descrita por Rowling é puramente literária, pois preserva as características essenciais da imagem eduardiana do país que aparece com frequência na literatura infantil nacional.[231]

Personagens[editar | editar código-fonte]

Lorde Voldemort tem características semelhantes às de Satanás em Paraíso Perdido.

Nos personagens de Rowling se percebem várias configurações que os relacionam com as criações de outros autores. No caso de Harry, por exemplo, Colbert comentou as muitas semelhanças com outros heróis literários graças ao monômio que descreveu Joseph Campbell.[232] Outros pesquisadores notaram semelhanças mais específicas com heróis como Rei Arthur, porque, como este, Harry é um "príncipe despossuído" que desconhece sua linhagem.[233] Quanto a sua condição de órfão, várias fontes foram identificadas: Philip Nel disse que Harry tem muitas semelhanças com o protagonista de Oliver Twist,[234] mas ainda mais com James Trotter, o personagem central de James e o Pêssego Gigante, já que ambos foram criados por tios que os forçavam a viver em lugares pequenos.[235]

Em outras personagens do romance, características intertextuais também são vistas: Voldemort representa na obra de Rowling o que a figura de Satanás representa no Paraíso Perdido, de John Milton, um ser que escolheu o lado escuro por causa de seu desejo por poder.[204] Dumbledore encarna a figura do sábio e também mago Gandalf, de Tolkien.[236] Os Dursley se parecem, em termos de sua função repressiva, de posição periférica e de ideologia, com os Wormwood, que mortificavam a protagonista de Matilda, também de Dahl.[235][236]

Impacto cultural[editar | editar código-fonte]

Prêmios e indicações[editar | editar código-fonte]

Na sequência da publicação e recepção da crítica, o livro ganhou vários prêmios literários no mundo da língua inglesa. Entre os prêmios recebidos em território britânico, destacam-se o National Book Award, que foi concedido em 1997.[237] Nesse mesmo ano, a Youth Libraries Group homenageou J. K. Rowling com uma medalha de ouro do prêmio Nestlé Smarties Book Prize,[238] que elegeu A Pedra Filosofal como o melhor romance para leitores entre a faixa de 9 a 11 anos,[238] superando os livros de Philip Pullman e de Henrietta Branford. Para Julia Eccleshare, este prêmio definiu a popularidade do livro, afirma, já que além de ter sido pré-seleccionado por um júri de críticos, ilustradores e escritores, o resultado final dependeu da votação de crianças, um forte indicador para a aceitação do livro.[239] Também conseguiu, em 1998, a maioria dos prêmios literários em que crianças são juradas: o Children’s Book Award,[155] o Young Telegraph Paperback of the Year Award,[240] o Birmingham Cable Children’s Book Award[241] e o Sheffield’s Children Book Award.[146] Além disso, A Pedra Filosofal chegou a ser nomeado para o Carnegie Medal[242] e Guardian’s Children Book Prize,[155] ambos eleitos por adultos. Outros prêmios foram entregues ao livro por seu desempenho comercial na indústria do livro, especificamente o British Book Awards na categoria de Livro Infantil do Ano e de Melhor Autor do Ano, entregado pela Bookseller’s Association.[111]

Nos Estados Unidos, o livro foi indicado para a categoria de Melhor Livro do Ano na ALA Notable Book[243] e Publishers Weekly,[243] ambos em 1998. A Pedra Filosofal não ganhou nenhuma dessas indicações, mas a revista Parenting Magazine e a Biblioteca Pública de Nova Iorque premiaram o livro com o prêmio de Melhor Livro do Ano de 1998.[243][244] Outros prêmios atribuídos foram de Melhor Livro do Ano pela School Library Journal[155] e um American Library Association na categoria de Livro Notável e Melhor Livro para Jovens-Adultos.[245]

Impacto em diversas disciplinas[editar | editar código-fonte]

Em 1986, especialistas na área da educação haviam descoberto que a alfabetização das crianças estava diretamente relacionada com o número de palavras lidas por ano.[246] Também foi observado que as crianças leem muito mais quando encontram um material que gostam.[246] Nancy Knapp Flanagan disse que o romance tinha todas as características de um livro que incentivava a leitura.[246] Além disso, uma pesquisa realizada pelo The New York Times em 2001 descobriu que quase 60% ​​das crianças americanas com idade entre 6 a 17 anos leram pelo menos um livro de Harry Potter e, deste grupo, pelo menos 50% leram A Pedra Filosofal.[247] Inquéritos realizados em outros países, como a África do Sul e a Índia, revelaram que crianças de diferentes nações estavam entusiasmadas com a série.[244] Já que os dois primeiros volumes da série são demasiados longos, Knapp estimou que uma criança que havia lido os quatro primeiros livros tinha lido mais de quatro vezes o número de páginas de textos escolares lidos em um ano.[244]

No que diz respeito à educação no campo da psicologia educacional, Jennifer Conn contrastou a experiência na sua área de ensino, que demonstrava o personagem Severo Snape com seu método de intimidar os estudantes. Por outro lado, a treinadora da equipe de Quadribol, Madame Hooch, ilustra técnicas úteis no ensino de habilidades físicas, como dividir ações complexas em sequências simples para ajudar os alunos a evitarem erros comuns.[248] Joyce Campos comentou que os livros ilustram quatro dos cinco principais temas da sociologia: "conceitos sociológicos como a cultura, a sociedade e a socialização, a estratificação e a desigualdade social, as instituições sociais e a teoria social."[249]

No site oficial da CNN foi publicado um artigo que dizia que Harry Potter é um livro usado em muitas universidades.[250] Danielle Tumminio, formada na Universidade Yale, deu uma palestra chamada Teologia Cristã e Harry Potter, onde os alunos examinam questões relacionadas ao cristianismo, como o pecado, o mal e a ressurreição presentes na série.[250]

O Espelho de Ojesed, que mostra ao espectador o que ele mais deseja, tem sido usado como uma metáfora de como a publicidade farmacêutica explora o entusiasmo dos médicos para salvar vidas e acabar com o sofrimento.[248] Stephen Brown observou que os primeiros livros de Harry Potter, especialmente A Pedra Filosofal, foram um grande sucesso, apesar da insuficiente e mal-organizada campanha promocional, e aconselhou os executivos de marketing que se preocupassem menos com análises estatísticas rigorosas e com as "análises, o planejamento, a execução e o controle" do modelo de gestão, mas sim que considerassem as histórias de Harry Potter como "uma masterclass de comercialização cheio de produtos atrativos".[251] Como resultado, a fabricante de brinquedos Hasbro introduziu, sob licença em 2001, uma versão real de cada Bertie Bott's Every Flavour Beans (Feijõezinhos de todos os Sabores), doces fictícios da séries.[252]

Explicações sobre o sucesso de Harry Potter[editar | editar código-fonte]

Dado o sucesso sem precedentes do livro, surgiram diferentes explicações que tentaram esclarecer a razão deste fenômeno.[253] A variedade de explicações é extensa, já que alguns deles recorrem ao contexto socioeconômico e cultural,[254] outros prestam atenção nas operações de mercadologia que acompanharam a publicação dos livros,[255] e um terceiro grupo procura justificativa no tipo de material da tradição literária que Rowling trabalha, assim como outras características intrínsecas da obra.[256]

Zack Snipes acredita que o sucesso do livro foi devido a uma forte campanha de comercialização.[257] Andrew Blake disse em A Irresistível Ascensão de Harry Potter que o sucesso da série de livros não poderia ser explicada simplesmente recorrendo a uma campanha de marketing como exegese do fenômeno.[258] "Isso não explica como um livro infantil que foi publicado inicialmente com 500 cópias [...] ganhou a atenção do mundo inteiro, mas sim, em primeiro lugar, por que, não só esse livro, mas também toda a série, é muito atrativa para adultos."[258] O sucesso dos livros estava antes relacionado com a forma em que Rowling impactou seu livro em um contexto político e cultural específico.[259] Quanto ao primeiro, a Inglaterra estava passando por um momento crucial quando o livro apareceu: o país estava redefinindo sua atitude em relação à globalização e uma mudança estava ocorrendo no paradigma cultural britânico.[260] Devido a isso, Harry Potter veio em meio a uma cena literária dominada pelo politicamente correto.[260]

Outras posturas mais imanentistas analisaram que características do texto provocam a fascinação do livro. Algumas pessoas, como Anne Hiebert Alton, determinaram que a fusão de diferentes gêneros e temas constituiu uma atração para os leitores.[261] Peter Appelbaum, por outro lado, afirmou que o interesse que o livro desperta tem a ver com a apresentação da magia como tecnologia de consumo.[257] Para o especialista Christian Daniel Mitchell, a suposta atração por bruxaria que gerariam os livros não é o suficiente para explicar o sucesso, mas pelas características do texto: como o protagonista que encarna o arquétipo do órfão indefeso cria empatia com o leitor, ele opina.[262] Para Gwen Tarbox, o épico confronto entre Harry e Voldemort não é suficiente para explicar a popularidade dos livros, para ela, o apelo da série encontra-se na constante luta do protagonista para se desviar da inocência e da ignorância.[263]

Traduções[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Traduções de Harry Potter

Estima-se que, em 2008, a série de livros havia vendido mais de quatrocentos milhões de cópias e já havia sido traduzido para mais de 65 idiomas diferentes,[264] sendo o primeiro livro o mais traduzido de toda a série.[265][266]

Além das línguas faladas hoje, a editora Bloomsbury publicou traduções em gaélico,[267] hindi,[268] latim clássico (sob o nome Harrius Potter et Philosophi Lapis)[269] e grego antigo, a fim de incentivar o estudo de línguas clássicas.[270] Cabe destacar que esta tradução é o texto mais longo publicado em grego antigo e o primeiro clássico da literatura infantil já traduzida ao idioma.[271][272] A tradução grega foi feita pelo pesquisador Andrew Wilson, e sua tradução foi descrita como "uma das mais importantes peças de prosa em grego antigo já escrita em muitos séculos".[271] A tradução latina, por outro lado, foi feita por Peter Needham. O tradutor renomeou o nome do protagonista da saga com base no nome "Arrius", que aparece em um poema de Caio Valério Cátulo.[269]

Nas edições da saga em português, no Brasil, estiveram a cargo da editora Rocco e em Portugal, da editora Presença. A tradutora Lia Wyler se encarregou de traduzir Harry Potter e a Pedra Filosofal no Brasil,[273] e Isabel Fraga em Portugal.[274]

Adaptações[editar | editar código-fonte]

Filme[editar | editar código-fonte]

Locomotiva do Expresso de Hogwarts utilizada no filme.

Em 1999, Rowling vendeu os direitos cinematográficos dos primeiros quatro livros de Harry Potter a Warner Bros. por um milhão de libras.[275] A autora exigiu que o elenco principal fosse de nacionalidade britânica,[276] mas foi permitida a participação de alguns atores irlandeses,[277] como o falecido Richard Harris, que retratou Alvo Dumbledore nos dois primeiros filmes.[278] Os principais papéis do elenco recaíram em Daniel Radcliffe, Rupert Grint e Emma Watson, que interpretam Harry, Rony e Hermione.[279][280][281] Richard Harris, Robbie Coltrane, Alan Rickman, Maggie Smith e Tom Felton interpretam os papéis de Dumbledore, Hagrid, Snape, McGonagall e Draco Malfoy.[282][283][284][285][286]

Nas fases iniciais do projeto, Steven Spielberg foi convidado para assumir a direção, mas ele rejeitou a oferta e, finalmente, o diretor Chris Columbus foi escolhido.[287] A produção foi liderada por David Heyman e o roteiro foi escrito pelo estadunidense Steve Kloves.[288][289] As filmagens começaram em 29 de setembro de 2000 nos estúdios Leavesden, e terminaram em julho do ano seguinte.[290] A estreia nos cinemas ocorreram mundialmente em 4 de novembro de 2001,[291] conseguindo tal sucesso no primeiro dia, que arrecadou 33,3 milhões de dólares nos Estados Unidos, quebrando recordes de bilheteria.[292] A receita total do filme foi de 974 755 371 dólares em todo o mundo,[293] por isso tornou-se, na época, o segundo filme com mais bilheteria da história, embora continuou a ser um dos 10 filmes de maior bilheteria até 2010.[6] No entanto, continua a ter o segundo lugar de todos filmes da série no ranking, já que a última parte, o oitavo filme, Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2, estreado em julho de 2011, levantou mais de 1,3 bilhões de dólares em todo o mundo,[294] sendo o oitavo filme de maior bilheteria da história do cinema e o primeiro de todos os filmes.[295][296] Além disso, o filme recebeu três indicações para o Oscar nas categorias de Melhor Trilha Sonora, Melhor Figurino e Melhor Desenho de Produção.[297]

Jogos eletrônicos[editar | editar código-fonte]

Livremente baseados no romance, os jogos foram lançados entre 2001 e 2003, geralmente sob título estadunidense, Harry Potter and the Sorcerer's Stone.[298] A maioria deles foram distribuídos pela empresa Electronic Arts, mesmo que tenham sido produzidos por empresas diferentes.

A Electronic Arts distribuiu e lançou o jogo para as plataformas PC (com o sistema operacional Microsoft Windows),[299] Game Boy Color,[300] Game Boy Advance,[301] e para Play Station em 2001.[302] Em 2002, a Aspyr Media lançou o jogo para o Mac OS 9.[303] Em 2003, o jogo eletrônico foi lançado (novamente pela EA) para consoles GameCube,[304] PlayStation 2,[305] e Xbox.[306]

Desenvolvedor Data de lançamento Plataforma Gênero Game Rankings Metacritic Notas
KnowWonder 15 de novembro de 2001 Microsoft Windows Aventura/quebra-cabeça 67.35%[307] 65/100[308]
Argonaut PlayStation Ação-aventura 66.98%[309] 64/100[310]
Griptonite Game Boy Color Role-playing game 73%[311]
Game Boy Advance Aventura/quebra-cabeça 68.37%[312] 64/100[313]
Aspyr 28 de fevereiro de 2002 Mac OS X Aventura/quebra-cabeça Portado da versão do Windows[314]
Warthog 9 de dezembro de 2003 GameCube Ação-aventura 63.31%[315] 62/100[316]
PlayStation 2 57.90%[317] 56/100[318]
Xbox 61.82%[319] 59/100[320]

Audiobooks[editar | editar código-fonte]

O livro, assim como todos os romances da série, foi publicado no formato de audiobook em sua língua original.[321] Isso aconteceu por volta do ano 2002 e contou com a voz do ator Stephen Fry para a versão distribuída na Grã-Bretanha,[322] enquanto na versão dos EUA a história foi contada por Jim Dale.[323]

Em 2013, foi lançada uma edição em português do Brasil do romance, que teve duração total de oito horas e 50 minutos e contou com o trabalho de Jorge Rebelo.[324][325] Foram lançados audiobooks somente para o primeiro e o segundo livro para esse idioma.[326]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. Antes de tentar assassinar Harry, Voldemort havia matado Lilían Potter, a mãe do menino. Ela, ao se interpor entre o bruxo e Harry, criou uma proteção que impedia Voldemort de tocá-lo. Essa mesma magia impediu que Quirrell tocasse Harry. (A Pedra Filosofal, p. 245).
  2. J.K. Rowling foi batizada como Joanne Rowling, sem um nome do meio, e adotou o pseudônimo J. K. Rowling para publicação.[327] Ela diz que sempre foi chamada de "Jo".[328] A página de copyright do livro a nomeia como "Joanne Rowling".[329]

Referências

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Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Fontes primarias[editar | editar código-fonte]

Rowling, J. K. Harry Potter e a Pedra Filosofal. Rio de Janeiro: Rocco, 2012.

Fontes secundárias[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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