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Razão de Viver (1996)

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Razão de Viver
Informação geral
Formato Telenovela
Gênero Drama
Duração 45 minutos
Criador(es) Henrique Lobo
Ismael Fernandes
Crayton Sarzy
País de origem  Brasil
Idioma original Língua portuguesa
Produção
Diretor(es) Nilton Travesso
Del Rangel
Henrique Martins
Bete Coelho
Roteirista(s) Analy Pinto
Zeno Wilde
Elenco Irene Ravache
Joana Fomm
Adriana Esteves
Gianfrancesco Guarnieri
Ana Paula Arósio
Marco Ricca
Fúlvio Stefanini
Gabriel Braga Nunes
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Tema de abertura "Redescobrir"
Compositor da música tema Elis Regina
Exibição
Emissora de televisão original Brasil SBT
Transmissão original 6 de maio de 1996 – 6 de dezembro de 1996
N.º de episódios 168
Cronologia
Programas relacionados Meus Filhos, Minha Vida

Razão de Viver é uma telenovela brasileira produzida pelo Sistema Brasileiro de Televisão (SBT), cuja exibição original ocorreu entre 6 de maio e 6 de dezembro de 1996, totalizando 168 capítulos. Escrita por Analy Pinto e Zeno Wilde, com a supervisão de texto de Crayton Sarzy e dirigida por Nilton Travesso, Del Rangel e Henrique Martins, é inspirada na telenovela brasileira Meus Filhos, Minha Vida (1984), escrita por Sarzy, Henrique Lobo e Ismael Fernandes.

Irene Ravache interpretou a personagem principal, Luzia Santos, uma viúva, mãe de três filhos completamente diferentes, os quais se envolvem em situações complicadas constantemente. Na versão de 1984, a protagonista foi vivida por Miriam Pires. Marco Ricca, Gabriel Braga Nunes, Petrônio Gontijo, Joana Fomm, Adriana Esteves, Mayara Magri e Cláudia Liz interpretaram os demais papéis principais da história. Estreada simultaneamente com outras produções da emissora, Antônio Alves, Taxista e Colégio Brasil, o folhetim abordou a questão dos meninos de rua.

A cantora Elis Regina executou o tema de abertura da telenovela, "Redescobrir"; ao lado desta, duas outras canções fizeram parte de Razão de Viver: "Mais Simples", de Zizi Possi e "Ternura do Gosto", de Ivan Lins. Durante sua exibição, dividiu a opinião da mídia televisiva, recebendo inúmeras críticas, tanto positivas, quanto negativas.

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

O SBT iniciou sua produção na teledramaturgia com a refilmagem de roteiros mexicanos, mas, em 1984, foi apresentado um roteiro original escrito por Henrique Lobo, Ismael Fernandes e Crayton Sarzy, Meus Filhos, Minha Vida. A versão original teve em seus papeis principais Miriam Pires, Dênis Derkian, Carlo Briani, Raymundo de Souza, Cláudia Alencar e Sônia de Paula.[1] Fernandes, retornou à emissora em 1996 e deu a ideia de adaptar a telenovela de doze anos atrás.[2]

Após 1993, o SBT começou a investir na produção de folhetins brasileiros,[3] com Éramos Seis (1994), adaptada de um romance homônimo de Maria José Dupré, por Sílvio de Abreu e Rubens Ewald Filho.[4][5][6] Nos anos seguintes, foi ao ar As Pupilas do Senhor Reitor[7] e Sangue do Meu Sangue.[8][9] A emissora, portanto, fez parceria com empresas estrangeiras para conduzir Colégio Brasil e Antônio Alves, Taxista; a terceira trama que seria estreada concomitantemente às duas foi Razão de Viver, de produção exclusivamente brasileira.[10]

Produção[editar | editar código-fonte]

Ismael Fernandes, roteirista e especialista em televisão, que havia trabalhado em Meus Filhos, Minha Vida (1984), firmou com a emissora a refilmagem da história. À princípio, Razão de Viver seria intitulada A Roda da Fortuna ou Pedaço de Mim e também mesclaria elementos do filme estadunidense Terms of Endearment (1983).[2] Em seguida, Nilton Travesso tornou-se o responsável pela supervisão geral e seleção de elenco; Del Rangel e Henrique Martins, pela direção. Complementar a eles, recaiu a Crayton Sarzi a adaptação do folhetim.[11]

A primeira atriz selecionada para compor o elenco da telenovela foi Adriana Esteves, que aceitou protagonizá-la ao lado de seu marido, Marco Ricca. Esteves, conhecida por inúmeros papéis na Rede Globo, afirmou que almejava "ver como [se sairia] em outra emissora".[12] Em seguida, outras personalidades assinaram contrato com o SBT para atuar em Razão de Viver: Irene Ravache, Joana Fomm, Fúlvio Stefanini e Mayara Magri.[13] Todas as cenas foram gravadas na cidade de São Paulo e grande parte da cidade cenográfica que serviu à telenovela Éramos Seis foi reaproveitada.[14]

Os últimos atores escolhidos para a telenovela de Fernandes foram Petrônio Gontijo e Cláudia Liz, a qual teve aulas em uma autoescola para aprender a conduzir uma motocicleta, necessária para a construção da trama. A atriz Bete Coelho também participou de Razão de Viver, mas nos bastidores, como preparadora de elenco e construtora criativo-textual do cenário e caracterização das personagens.[15] Ainda, Travesso expôs o desejo de gravar uma "novela contemporânea", ressaltando elementos modernos como "barulho de helicóptero, de trânsito e de celular". Os capítulos, que começaram a ser filmados em 10 de março de 1996, tiveram um custo de 35 mil dólares cada.[16]

Enredo[editar | editar código-fonte]

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A confecção, cenário de maior parte da trama, se situa no distrito de Santo Amaro, zona sul de São Paulo.

Luzia Santos é uma mãe viúva, que tem três filhos: André, Mário e Pedro. Ela trabalha como costureira em uma confecção, cuja dona é Yara, uma mulher ambiciosa e pouco amigável, casada com Pascoal, a quem trai com seu primo Álvaro. André é o filho mais velho de Luzia e busca uma vida luxuosa e repleta de dinheiro.[13] Mário se envolve com Ruffo, os quais são receptadores de joias roubadas e lucram com os metais preciosos dos objetos. Pedro é mecânico e muito interessado por automóveis.[17]

O adultério da milionária Yara revolta sua filha, Olga, com quem André se casa por interesse. Em um acidente, André conhece Zilda, uma estilista que trabalha na confecção; o rapaz logo revela estar impressionado com a beleza da moça e ela retribui, contando a Luzia que se encantou com o homem.[18] Em um dos golpes planejados por Ruffo, Mário é preso, entristecendo sua mãe e levando sua família à ruína. Júnia, jovem estudante de medicina, é apaixonada por motocicletas e, quando chega à capital de São Paulo, se interessa por Pedro. O amor entre os dois é recíproco; no entanto, ambos escondem a paixão e não levam a frente o relacionamento.[19]

André se aproveita do casamento e despreza Zilda por conta do dinheiro que lhe é oferecido. A mãe de Olga, entretanto, se abstém da situação, já que está interessada por seu primo Álvaro, que é assassinado. Yara depõe que seu primo fugiria da cidade e cogitou assassiná-lo, mas não teve coragem e pede desculpas à filha pela desatenção. Caê, um homem envolvido em roubo de joias, discute com Ruffo e o mata com um estilete. Sílvia, cunhada de Ruffo, confessa ter matado Álvaro, por ele também estar no plano das joias. O empresário Raul Macedo compra a confecção de Yara para Luzia, a qual brinda o casamento de Pedro com Júnia e Mário com Rosa e o namoro de André e Zilda.[20]

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Elenco[editar | editar código-fonte]

Irene Ravache interpretou Luzia Santos, uma viúva, mãe de três filhos: o ambicioso André (Marco Ricca); o ladrão Mário (Gabriel Braga Nunes) e o trabalhador Pedro (Petrônio Gontijo). Luzia trabalha em uma confecção administrada por Yara, atuada por Joana Fomm, a qual é casada com Pascoal (Sebastião Campos), com quem teve a filha Olga (Mayara Magri), mas o trai com seu primo Álvaro (Eduardo Conde).[21] Gianfrancesco Guarnieri foi o responsável pela construção do advogado Alcides, o qual se encanta pelos meninos de rua: Miro (Cássio Scapin), Nino (Rafael Pardo) e Rato (Luciano Amaral).[22][23] Raul Gazolla interpretou a personagem Ruffo, um homem que controla roubo de joias.[24]

Adriana Esteves atuou como Zilda, uma estilista que trabalha na confecção e é apaixonada por André.[12] Júnia (Cláudia Liz) é uma motociclista que se interessa pelo irmão de André, Pedro.[25][26] Complementar ao elenco, se encontram Renato (Fúlvio Stefanini),[27] Dayse Campos (Cléo Ventura), Carmem (Lolita Rodrigues), Jandira (Cláudia Mello), Sílvia (Vera Zimmermann),[28] Rosa (Bel Kutner), Bruna (Ana Paula Arósio),[29] Rosaly (Eliana Rocha), Humphrey (Paulo Hesse), Gretel (Elizabeth Hartmann), Rafael (Ernando Tiago), Alípio (Lu Martan), Eduardo (Josman Martins), Jordão (Nívio Diegues), Vitória (Patrícia Mayo), Patrícia "Pata" (Fernanda Souza), Jô (Guilherme Linhares),[30] Raul Macedo (Henrique Martins) e Dauri (André Latorre).[31][32]

Exibição[editar | editar código-fonte]

A exibição da telenovela estava prevista para começar em março de 1996, porém a emissora decidiu adiar para estrear, simultaneamente, Colégio Brasil e Antônio Alves, Taxista, substituindo Sangue do Meu Sangue.[33] Dessa forma, seu primeiro capítulo foi exibido no dia 6 de maio, na faixa das 21h pelo SBT.[34] Transmitida de segunda a sábado, seu último episódio foi transmitido em 6 de dezembro de 1996, totalizando 168 capítulos.[35]

Devido à transmissão dos Jogos Olímpicos de Verão de 1996, ocorrida de 19 de julho a 4 de agosto, Razão de Viver deixou de ser exibida em alguns dias e se adequou ao horário da programação em outros.[36] A trilha sonora da telenovela não obteve atenção por parte da emissora, a qual não lançou nenhum CD com as três canções reproduzidas na obra: "Redescobrir", de Elis Regina (tema de abertura); "Mais Simples", de Zizi Possi e "Ternura do Gesto", de Ivan Lins.[37]

Lançamento e repercussão[editar | editar código-fonte]

Audiência[editar | editar código-fonte]

O superintendente artístico-operacional da emissora, Luciano Callegari, estipulou que Razão de Viver daria entre 10 e 12 pontos de audiência.[38] Entretanto, durante sua exibição, costumava marcar 9 pontos, o menor índice das três telenovelas iniciadas simultaneamente.[39] Guilherme Stoliar, vice-presidente do SBT, disse que tinha como intenção atingir um público alvo específico — mulheres com mais de 25 anos — e mostrou-se satisfeito com a audiência da telenovela, a qual oscilava em torno de 10 pontos.[40]

Após mudar de horário em decorrência dos Jogos Olímpicos de Verão de 1996, o folhetim perdeu mais público e chegou a dar 8 pontos, menos que a transmissão de María Mercedes, a qual conquistava 10 pontos no horário nobre. A roteirista Analy Pinto analisou que "Razão de Viver poderia conquistar 12 pontos de audiência se fosse exibida na faixa das 20h [...] A baixa audiência é resultado de uma série de fatores: o mal lançamento, as Olimpíadas e a mutilação da história".[36]

Avaliação em retrospecto[editar | editar código-fonte]

A jornalista Ana Cláudia Souza, do Jornal do Brasil, elogiou a produção de Razão de Viver: "[a telenovela] soou como um alivio a quem se dispôs a acompanhar o inicio de Antônio Alves, Taxista: iluminação de qualidade, cenários bem montados, bons figurinos e, o melhor, muita gente bonita na tela [...] Como todo mundo está acostumado a ver novela desde que nasceu, o quesito principal numa nova produção é colocar caras conhecidas na tela, gente com a qual o público se identifique de imediato. E isso não faltou na produção do SBT".[41] Rogério Durst, d'O Globo, avaliou que, na obra de Travesso, se encontra o que não há nas outras duas telenovelas estreadas simultaneamente: "Com o padrão SBT de qualidade e choradeira, [foi feita] com certo cuidado e muitas emoções baratas; naquele estilo de teledramaturgia meio embolorado, mas bem feito e ainda saboroso que [a emissora] mantém desde Éramos Seis".[42] O repórter Luiz Augusto Michelazzo, para o mesmo jornal, intitulou Adriana Esteves como "heroína do folhetim".[43]

Telmo Martino, no entanto, avaliou negativamente ao dizer que "[Razão de Viver] é a maior complicação. É preciso ver no mínimo dez capítulos para ver um; e quem não é paulista, não merece esse castigo. Que orgulho deve fazer vibrar o coração paulista aquela abertura".[44] Erika Palomino, da Folha de S. Paulo, comparou a caracterização das personagens com o roteiro: "As escaramuças internas de uma grande confecção são o pano de fundo da trama da novela. Já que glamour é a primeira palavra que se costuma associar à moda, de quando em quando aparecem nos roteiros da TV os personagens da cena fashion".[45]

Luiz Carlos Merten, do Estado de S. Paulo, ressaltou que a telenovela "traz uma galaria de personagens estereotipados como o rico malvado e o pobre bonzinho e ainda esbarra na direção, interpretação e no texto [...] Razão de Viver é ruim porque há uma absoluta incapacidade dos autores em tornar qualquer dos núcleos atraente e, menos ainda, de amarrar todas as tramas em algo realmente sólido".[46]

Referências

  1. «Reprise de novela, sem querer, imita TV pirata». Folha de S. Paulo. 20 de maio de 1990. Consultado em 29 de outubro de 2016 
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  3. Santos Reis, Arthur (24 de dezembro de 2013). «O fim do ciclo mexicano». Jornal do Brasil. Consultado em 26 de dezembro de 2013 
  4. Schwartsman, Annette (28 de novembro de 1993). «Osmar Prado vira Hitler e assina contrato com SBT». Folha de S. Paulo. Consultado em 26 de dezembro de 2013 
  5. Blecher, Nelson (13 de dezembro de 1993). «Vice-líder, SBT parte para a produção de novelas». Folha de S. Paulo. Consultado em 26 de dezembro de 2013 
  6. Tavares, Helena (4 de dezembro de 1993). «Novela da Tupi é a novidade do SBT». Jornal do Brasil. Consultado em 26 de dezembro de 2013 
  7. Antenore, Armando (15 de junho de 1994). «Romance português substitui Éramos Seis». Jornal do Brasil. Consultado em 26 de dezembro de 2013 
  8. Scalzo, Mariana (9 de julho de 1993). «Conheça os personagens». Folha de S. Paulo. Consultado em 26 de dezembro de 2013 
  9. Magalhães, Simone (11 de janeiro de 1995). «Vicente Sesso prepara remakes de duas novelas». O Globo. Consultado em 26 de dezembro de 2013 
  10. Corrêa, Elena (19 de de novembro de 1995). «Melodrama em segunda vinda». O Globo. Consultado em 26 de dezembro de 2013  Verifique data em: |data= (ajuda)
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  12. a b Reis, Renata (10 de dezembro de 1995). «Unidos dentro e fora de cena». O Globo. Consultado em 28 de outubro de 2016 
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Ligações externas[editar | editar código-fonte]