Cortina de Vidro

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Cortina de Vidro
Informação geral
Formato Telenovela
Gênero Comédia romântica
Duração 50 minutos
Criador(es) Walcyr Carrasco
País de origem Brasil
Idioma original Português
Produção
Diretor(es) John Herbert
Álvaro Fugullin
Guga de Oliveira
Produtor(es) Guga de Oliveira
Elenco Herson Capri
Sandra Annenberg
Betty Gofman
Débora Duarte
Antônio Abujamra
Tema de abertura "Prazer sem Fim", Jane Duboc
Exibição
Emissora de televisão original Brasil SBT
Transmissão original 23 de outubro de 1989 – 5 de maio de 1990
N.º de episódios 168

Cortina de Vidro é uma telenovela brasileira exibida pelo Sistema Brasileiro de Televisão (SBT), cuja transmissão original ocorreu entre 23 de outubro de 1989 e 5 de maio de 1990, totalizando 168 capítulos. Escrita por Walcyr Carrasco, sob a direção de John Herbert, Álvaro Fugulin e Guga de Oliveira, é inspirada no argumento de Bráulio Pedroso, e contou com a produção executiva das empresas independentes Art Vídeo Produções e Miksom.

Herson Capri interpretou o personagem principal, Frederico Stuart, um empresário milionário que finge ser pobre para se aproximar da bailarina Branca, atuada por Betty Gofman. Sandra Annenberg, Sérgio Mamberti, Esther Góes, Débora Duarte, Antônio Abujamra, Carola Scarpa, Norma Blum, Gianfrancesco Guarnieri e Ariclê Perez desempenharam os demais papéis principais. Primeira telenovela brasileira produzida de forma independente, o folhetim abordou diversas questões sexuais, como a homossexualidade.

A cantora Jane Duboc executou o tema de abertura da telenovela, "Prazer sem Fim", composta por Natan Marques; ao lado desta, a telenovela ainda contou com canções interpretadas por Chico Buarque, Caetano Veloso, Zizi Possi, Gilberto Gil, Ivan Lins e Eliete Negreiros na trilha sonora. O título cortina de vidro é uma referência ao Edifício Dacon, um dos centros financeiros e comerciais de São Paulo, onde serviu de cenário principal para a trama. Durante sua exibição, dividiu opiniões pela crítica televisa, mas sobrepuseram-se as avaliações negativas, principalmente quanto à atuação da personagem principal.

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Entre 1982 e 1986, o Sistema Brasileiro de Televisão (SBT) exibiu em sua programação trinta telenovelas, sendo dezesseis mexicanas e quatorze produções nacionais. Estas, exibidas no horário nobre, oscilaram uma audiência entre oito e quinze pontos durante esse período de cinco anos.[1] Inicialmente, a elaboração de teledramaturgia da emissora estava destinada à refilmagem de roteiros mexicanos; no entanto, em 1984, foi apresentado um roteiro original escrito por Henrique Lobo, Ismael Fernandes e Crayton Sarzy, Meus Filhos, Minha Vida.[2] De forma ininterrupta, o SBT continuou com histórias brasileiras nas três obras seguintes: Jerônimo (1984), Jogo do Amor (1985) e Uma Esperança no Ar (1985).[3][4]

Após um intervalo de quase quatro anos, a rede decidiu retornar à produção de telenovelas com Cortina de Vidro; para tal, um contrato com as empresas independentes Art Vídeo Produções (AVP) e Miksom foi assinado. O SBT, dessa maneira, seria encarregado apenas pela exibição da obra, sendo de responsabilidade das outras empresas a escolha de elenco, elaboração dos capítulos e produção geral.[5]

Produção[editar | editar código-fonte]

Edifício Dacon, localizado na zona sul de São Paulo, foi escolhido cenário principal da trama.

Após um hiato de três anos sem produzir telenovelas brasileiras, Silvio Santos, proprietário do SBT, autorizou o início da elaboração de Cortina de Vidro em 15 de maio de 1989, já definido que seria exibida no horário nobre para competir diretamente com a Rede Globo e seria firmado um acordo com a produtora de mídias independente paulista Art Vídeos Produções (AVP). Nos primeiros dias, definiram-se o roteiro de Walcyr Carrasco, baseado num argumento de Bráulio Pedroso, núcleo e direção geral de Guga de Oliveira e o espaço do Edifício Dacon como cenário principal da trama.[6][7] Em um acordo feito entre a emissora e a produtora em 8 de junho, ficou definido que a AVP faturaria 50% da receita arrecadada com a exibição da telenovela.[8] As gravações, por sua vez, iniciaram-se em 10 de julho, momento em que Miksom, também independente, se uniu para composição da obra televisiva.[9] A presença das duas empresas na produção garantiu a flexibilidade na escolha de atores da Rede Globo para o elenco, uma vez que não há quebra de contrato por não haver vínculo com a Associação Brasileira das Emissoras Públicas, Educativas e Culturais.[10]

Débora Duarte foi a primeira atriz selecionada para compor o elenco da trama, definida nos primeiros dias do contrato assinado entre SBT e AVP.[7] O protagonista Herson Capri foi escolhido no final de agosto.[11] O diretor Guga de Oliveira optou pelo Sistema Betacam em alta definição e revelou referências cinematográficas para a composição da telenovela: Let's Make Love (1960), The Odd Couple (1968), Norma Rae (1979), Fama (1980) e Fatal Attraction (1987).[12] Foram gastos pelas empresas independentes 3,5 milhões de dólares (15 milhões de cruzados novos) para a produção geral da obra, média de 20 mil dólares por capítulo.[13]

Enredo[editar | editar código-fonte]

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Frederico Stuart Mill, um renomado e milionário empresário, retorna à cidade de São Paulo e reencontra sua prima e assessora Glória e seu amigo Cristóvão. À procura de uma vida mais monótona, finge ser um ator mal sucedido num musical produzido por Ulisses Filho; no entanto, essa personalidade se expande quando ele conhece Branca de Sousa, por quem se apaixona.[14] Na figura de um homem pobre, busca se aproximar de Branca.[13]

O disfarce de Frederico, todavia, acaba por aproximá-lo da operária Ângela (Sandra Annenberg), que passa a cuidar dele quando perde a memória após o incêndio de seu edifício.[13]

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Exibição[editar | editar código-fonte]

O primeiro capítulo de Cortina de Vidro foi ao ar em 23 de outubro de 1989 pelo Sistema Brasileiro de Televisão (SBT), na faixa das 19h40min, após um intervalo de três anos sem transmissão de telenovelas brasileiras pela rede. Apresentada de segunda a sábado, o último capítulo da trama foi exibido em 5 de maio de 1990, totalizando 168 episódios.

Produzida pela própria empresa independente Art Vídeos Produções, a abertura retrata uma figura feminina em trajes íntimos sob o tema "Prazer sem Fim", executado por Jane Duboc. Annette Schwartsman, jornalista da Folha de S. Paulo, evidenciou que a vinheta de abertura traz a impressão de "uma novela ousada, moderna e tipicamente paulista, [em que] cenas de uma relação sexual misturam-se com dança e flashes da cidade".[14]

  • O folhetim foi exibido na Itália pela Rete Locali, entre janeiro e maio de 1993 com o título L'Amore Vero Non Si Compra.
  • Foi exibida em 1995 na RTP1 e foi a última novela brasileira a ser exibida na emissora portuguesa no horário do meio dia (12 horas), a antiga hora de almoço.

Elenco[editar | editar código-fonte]

Ator/Atriz Personagem
Herson Capri Frederico Stuart
Sandra Annenberg Ângela Campos
Betty Gofman Branca de Sousa
Antônio Abujamra Arnon Balakian
Débora Duarte Giovana
Carola Scarpa Michele
Sérgio Mamberti Cristóvão
Esther Góes Glória
Norma Blum Clarisse
Gianfrancesco Guarnieri Artur
Ariclê Perez Mirtez
John Herbert Filipe
Miriam Mehler Sílvia
Adriano Reys William
Nicole Puzzi Leda
Geraldo Del Rey Seu Romão
Liza Vieira Cláudia
Renato Borghi Ricardo
Kate Hansen Cíntia
Jayme Periard Marcelo
Rosi Campos Jussara
Odilon Wagner Ulisses Filho
Matilde Mastrangi Emanuelle
Cláudio Curi Dico
Malu Pessin Marta
José Carlos Sanches Nando
George Otto Nicolau
Aldine Müller Judith
Ângela Figueiredo Paloma
Raymundo de Souza Dantas
Gésio Amadeu Pastor Ezequiel
Tuna Dwek Rosário
Luís Carlos de Moraes Victor
Jorge Kajuru Antero Rox
José Américo Magno Romeu
Simone Soares Úrsula
Jacques Lagoa Waldemar
Luciano Quirino Eduardo

Música[editar | editar código-fonte]

N.º TítuloMúsica Duração
1. "A Mais Bonita"  Chico Buarque e Bebel Gilberto  
2. "Prazer sem Fim"  Jane Duboc  
3. "Paixão e Saudade"  Gil e Guaxupé  
4. "Pintou um Bode"  Paulinho da Viola  
5. "Paixão É Assim"  Marcelo Barra  
6. "Cidade"  Rick e Nando  
7. "Ainda Te Procuro"  Ivan Lins  
8. "Cortina de Vidro"  Antônio Marcos  
9. "Quem Viver, Verá"  Joanna  
10. "Esse Amor É Loucura"  Elymar Santos  
11. "Não Minto p'ra Mim"  Zizi Possi  
12. "Etc"  Caetano Veloso  
13. "Coração Urbano"  Eliete Negreiros  
14. "Lambe-lambe"  Trio Los Angeles  
15. "Super-homem, a Canção"  Gilberto Gil  
16. "De Volta ao Começo"  Gonzaguinha  
17. "Let the River Run"  Carly Simon  

Lançamento e repercussão[editar | editar código-fonte]

Audiência[editar | editar código-fonte]

O superintendente comercial do SBT, Rubens Carvalho dos Santos, à época do lançamento de Cortina de Vidro, almejou que a trama alcançasse 15 pontos na Grande São Paulo e 10 no restante do país. Para tanto, quarenta chamadas comerciais foram preparadas em parceria com empresas como a Johnson & Johnson.[15]

Avaliação em retrospecto[editar | editar código-fonte]

Em um editorial publicado pela Revista Visão, a obra é avaliada acerca dos temas abordados: "os atrativos da trama são os de sempre: contraste entre riqueza e pobreza, sonhos de ascensão social, golpes no mercado financeiro e uma boa dose de sexo e malícia; Walcyr Carrasco, no entanto, garante que há uma diferença básica na sua história, especialmente na modernidade do texto".[16] Por outro lado, Maria Helena Dutra, crítica e jornalista d'O Dia, apontou inúmeros pontos negativos da telenovela e a comparou com um "grande sanduíche de lanchonete multinacional [...] em todos os ingredientes já testados na indústria alimentícia do gênero misturados no balcão, à frente de todos, sem qualquer preocupação com originalidades, sabores especiais ou requintes de temperos. Tudo preparado por uma equipe que tem a franquia do título da empresa mas ainda não está suficientemente adestrada para melhorar e temperar esta comida rápida". Por fim, destacou um começo mal programado, que aspira ao fracasso, mas "superior a O Sexo dos Anjos e Top Model".[17]

O escritor Bráulio Tavares, em uma crítica para o Jornal do Brasil, criticou negativamente a atuação de Herson Capri, que "não corresponde ao empresário texano" e acrescenta que "Cortina de Vidro é mais uma, cujos diálogos parecem a transcrição das legendas de um filme americano. Fica a impressão de que as pessoas que escrevem novelas só andam de helicóptero".[18] As contradições entre a interpretação da personagem principal e sua construção subjetiva foram destacadas também por Ana Carmen Foschini, da Folha de S. Paulo: "faz uma arqueologia fora de hora na direção de imagens e atores, na criação de personagens e no texto pouco coloquial; [a telenovela] caminha à deriva, sem imprimir um estilo próprio de ser novela. Ainda não sabe se vai ser pastelão, dramalhão ou pós-tudo. Involuntariamente, é a estrela da temporada de caça a bobagens".[19]

Curiosidades[editar | editar código-fonte]

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  • Primeira novela de Walcyr Carrasco, escrita com a colaboração de Miguel Fillage, e inspirada no argumento do autor Bráulio Pedroso, e também contou com a direção do diretor Guga de Oliveira.
  • Tratava-se de uma estratégia ousada do SBT, que tinha como objetivo fazer com que o telespectador sintonizasse o canal. Vale lembrar que o SBT ainda não tinha um núcleo forte de dramaturgia, capaz de concorrer com a Globo e com a extinta Manchete.
  • A novela contou com a presença da então atriz Sandra Annenberg, que pouco tempo depois viraria uma bem-sucedida apresentadora de telejornais, sendo a última novela da jornalista.
  • Outros futuros jornalistas presentes na novela foram Vanessa Balbi e Jorge Kajuru.
  • Cortina de Vidro foi uma produção independente, produzida por Guga de Oliveira.
  • Nívea Maria chegou a gravar algumas cenas da novela, mas desistiu e foi substituída por Ester Góes.
  • A "cortina de vidro" do título da novela se referia ao edifício Dacon, localizado nas esquinas das avenidas Faria Lima e Cidade Jardim, em São Paulo onde a história estava centralizada, bem como sua produção, no 22º andar do prédio, até que esse andar é vendido para um banco e o autor Walcyr Carrasco muda tudo e realiza uma catástrofe idêntica à criada por Janete Clair em Anastácia, a Mulher Sem Destino (Rede Globo, 1967) e à explosão do shopping que aconteceria em Torre de Babel (Rede Globo, 1998/1999). O prédio é incendiado, muitos personagens morrem e a trama começa uma nova fase com outro polo.
  • Faltando alguns capítulos para o final da trama, aconteceu, talvez, a maior ousadia na história da telenovela brasileira: é a cena em que Arnon Balakian estupra a própria filha, Michele. A intérprete da personagem, Carola Oliveira, seria anos mais tarde Carola Scarpa, ex-mulher do playboy Chiquinho Scarpa.
  • O autor também escreveu uma cena de beijo homossexual entre os personagens Romeu (José Américo Magno) e Nicolau (George Otto), mas o ator José Américo Magno recusou-se a gravar a cena alegando compromissos publicitários - ele era conhecido por atuar em vários comerciais de TV - e a cena não foi realizada.
  • Alguns atores já estavam gravando Cortina de Vidro quando foram ao ar os últimos capítulos de O Salvador da Pátria, em 11 de agosto de 1989, e de Que Rei Sou Eu?, em 15 de setembro do mesmo ano: Antônio Abujamra, John Herbert, Cláudio Curi, Aldine Müller e George Otto.
  • A minissérie República já estava gravada, e Odilon Wagner interpretava o Conde D'Eu. O ator estava no ar na Globo e no SBT ao mesmo tempo entre 14 de novembro e 17 de novembro de 1989. Cortina de Vidro e República eram duas produções inéditas na época.

Referências

  1. Duó, Eduardo (15 de outubro de 1989). «Novela do SBT quer público que foge de notícias». Folha de S. Paulo. Consultado em 5 de março de 2019 
  2. «Reprise de novela, sem querer, imita TV pirata». Folha de S. Paulo. 20 de maio de 1990. Consultado em 29 de outubro de 2016 
  3. Santos Reis, Arthur (24 de dezembro de 2013). «O fim do ciclo mexicano». Jornal do Brasil. Consultado em 26 de dezembro de 2013 
  4. Blecher, Nelson (13 de dezembro de 1993). «Vice-líder, SBT parte para a produção de novelas». Folha de S. Paulo. Consultado em 26 de dezembro de 2013 
  5. «A primeira». Jornal do Brasil. 9 de junho de 1989. Consultado em 5 de março de 2019 
  6. «SBT x Globo». Jornal do Brasil. 19 de maio de 1989. Consultado em 5 de março de 2019 
  7. a b «TVS». Jornal do Brasil. 31 de maio de 1989. Consultado em 5 de março de 2019 
  8. «A primeira». Jornal do Brasil. 9 de junho de 1989. Consultado em 5 de março de 2019 
  9. «Estreia». Jornal do Brasil. 25 de junho de 1989. Consultado em 5 de março de 2019 
  10. «Lucélia Santos integra elenco da novela Cortina de Vidro, do SBT». Folha de S. Paulo. 25 de junho de 1989. Consultado em 5 de março de 2019 
  11. «Até que enfim...». Jornal do Brasil. 25 de agosto de 1989. Consultado em 5 de março de 2019 
  12. «SBT estreia sua co-produção em setembro». Folha de S. Paulo. 19 de julho de 1989. Consultado em 5 de março de 2019 
  13. a b c Comodo, Roberto (20 de outubro de 1989). «SBT lança novela». Jornal do Brasil. Consultado em 5 de março de 2019 
  14. a b Schwartsman, Annette (18 de outubro de 1989). «SBT faz novela em ritmo de clip contra a Globo». Folha de S. Paulo. Consultado em 5 de março de 2019 
  15. «A novela do SBT». Meio & Mensagem. 1 de julho de 1989. Consultado em 5 de março de 2019 
  16. «Boa aposta nos clichês». Visão. 25 de outubro de 1989. Consultado em 5 de março de 2019 
  17. Dutra, Maria Helena (26 de outubro de 1989). «Iniciativa muito mal programa». O Dia. Consultado em 5 de março de 2019 
  18. Tavares, Bráulio (29 de outubro de 1989). «Cortina esquemática». Jornal do Brasil. Consultado em 5 de março de 2019 
  19. Foschini, Ana Carmen (25 de outubro de 2019). «SBT exibe arsenal de bobagens em sua novela». Folha de S. Paulo. Consultado em 5 de março de 2019 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]