O Direito de Nascer (2001)

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Disambig grey.svg Nota: Para outros significados, veja O Direito de Nascer.
O Direito de Nascer
Informação geral
Formato Telenovela
Gênero Drama
Duração 60 minutos
Criador(es) Aziz Bajur
Baseado em El Derecho de Nacer, de Félix Caignet
País de origem Brasil
Idioma original português
Produção
Diretor(es) Roberto Talma
Roteirista(s) Alcione Carvalho
Jayme Camargo
Elenco
Tema de abertura "Amor Eterno", Dhu Moraes
Empresa(s) produtora(s) JPO Produções
Exibição
Emissora original SBT
Formato de exibição 480i (SDTV)
Transmissão original 21 de maio – 2 de outubro de 2001
Episódios 116

O Direito de Nascer é uma telenovela brasileira produzida pela JPO Produções em 1997 e exibida pelo SBT apenas 4 anos depois, entre 21 de maio e 2 de outubro de 2001, em 116 capítulos, substituindo a reprise de Éramos Seis e sendo substituída pela exibição da mexicana Abraça-me Muito Forte.[1] Baseada na radionovela cubana El Derecho de Nacer, escrita por Félix Caignet em 1940, foi adaptada por Aziz Bajur, com colaboração de Jayme Camargo e Alcione Carvalho, supervisão de texto de Crayton Sarzy, sob direção de Roberto Talma e José Paulo Vallone e direção geral de Roberto Talma.[2]

Contou com Guilhermina Guinle, João Vitti, Jorge Pontual, Ana Cecília Costa, Luiz Guilherme, Dhu Moraes, Fernando Eiras e Esther Góes nos papéis principais.

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

A obra O Direito de Nascer (El derecho de nacer em espanhol) foi uma radionovela cubana escrita pelo escritor e compositor da mesma nacionalidade Félix B. Caignet que foi transmitida em Havana pela primeira vez em 1 de abril de 1948 através de CMQ Radio.[3][4] Com 314 episódios transmitidos em 20 minutos cada um,[5] foi um êxito de rádio em seu país de origem,[6] e posteriormente foi adaptado no rádio, cinema, televisão e história em quadrinhos ao redor do continente americano.[7]

A trama foi um sucesso do rádio brasileiro na década de 1950. Na Rádio Tupi, em São Paulo, o herói Albertinho Limonta era interpretado por Walter Forster e, na Rádio Nacional, do Rio de Janeiro, por Paulo Gracindo, já artistas consagrados.[8][9] Na televisão brasileira a obra foi apresentada em três versões: a primeira versão, lançada pela Rede Tupi entre 1964 e 1965, foi um marco da teledramaturgia nacional. A segunda versão, também da Rede Tupi, entre 1978 e 1979, não conseguiu alcançar a mesma repercussão que a primeira.[2]

A Televisa produziu três versões, a primeira de 1966, a segunda entre 1981 e 1982 e a terceira de 2001. A novela mexicana da década de 1980 foi a terceira novela desta obra exibida no Brasil, apresentada pelo SBT entre 19 de setembro de 1983 a 3 de março de 1984.[2]

Produção[editar | editar código-fonte]

Roteiro[editar | editar código-fonte]

Em 1995, Sílvio Santos comprou, em Cuba, os direitos da obra O Direito de Nascer. Fechou a aquisição pelo valor de 50 mil dólares.[10] Anteriormente, o próprio SBT já tinha apresentado uma adaptação da obra, a mexicana El derecho de nacer, produzida pela Televisa e exibida pelo Canal de las Estrellas.

A versão para o SBT toma como base o texto da novela de rádio e foi sendo adaptada por Aziz Bajur, Jaime Camargo e Alcione Carvalho.[9] A trama se passa em Havana e em Santiago de Cuba no começo do século e é composta por três fases (1900, 1910 e 1928), com 120 capítulos, "Usamos a mesma temática e estamos criando vários personagens e descrevendo melhor a trajetória deles. Nas outras versões, o recurso do flashback foi muito usado, agora vamos mostrar a história de cada um", diz Bajur.[9] Para escrever esse remake de O Direito de Nascer, Bajur leu o original da novela de rádio e preparou uma sinopse. Agora, sua equipe já tem 37 capítulos escritos.[9] A JPO, que produz a novela para o SBT, promete versão requintada, com novas tramas para enriquecer a história.[8]

Gravações[editar | editar código-fonte]

As gravações começaram em agosto de 1997, ainda sem atores. A assessoria da JPO, a produtora do diretor Roberto Talma, afirmou que foi só um ensaio de câmera, na estação ferroviária de Anhumas, interior de São Paulo. As gravações da nova versão de O Direito de Nascer, começaram, para valer, este mês, em Paraty, no litoral do Rio de Janeiro. A produtora que regrava a novela, escrita originalmente em 1946 pelo cubano Félix Caignet, cogita nomes como Esther Góes, Luiz Guilherme, Guilhermina Guinle, Antônio Petrin e Angelina Muniz.[8] As primeiras cenas foram gravadas em Campinas, no interior de São Paulo. Posteriormente, equipe e elenco iniciaram as gravações em estúdio, na capital São Paulo.[11]

Mesmo sem previsão de estreia, as gravações de O Direito de Nascer continuaram a todo o vapor. Produzida pela JPO do diretor Roberto Talma para o SBT, a novela já tem 33 capítulos prontos, Silvio Santos assistirá às primeiras cenas da trama para avaliação, "Não sabemos quais são os planos do SBT, mas se Sílvio Santos decidir pôr a novela no ar amanhã, estamos preparados", diz João Paulo Vallone, sócio de Roberto Talma, na próxima semana o empresário Sílvio Santos irá assistir aos cinco primeiros capítulos, "De repente, ele manda mudar tudo", diz Vallone.[11]

Segundo Vallone, a adaptação de Aziz Bajur do original de Félix Caignet será dividida em três fases, num total de 123 capítulos. Cada um custará em média R$ 40 mil.[11]

Exibição[editar | editar código-fonte]

Com as gravações em andamento, a ideia era que O Direito de Nascer fosse a substituta de Os Ossos do Barão, mas a última ordem do patrão Silvio Santos é a de que Maria Mercedes, trama mexicana estrelada por Thalia, entrasse no lugar de Os Ossos do Barão, a partir de 13 de outubro de 1997.[11]

Em 1998, O Direito de Nascer chegou a ser uma das opções para substituir Maria do Bairro, mas foi trocada por Pérola Negra – outra novela que havia sido engavetada pela emissora – Curiosamente, a escolha por Pérola Negra foi feita pelo auditório do Programa Silvio Santos. O empresário e apresentador exibiu trechos das duas produções e suas "colegas de trabalho" demonstraram maior interesse pelo texto argentino, em detrimento de O Direito de Nascer.[12]

Em 1999, a emissora pretendia exibir O Direito de Nascer como sucessora de Pérola Negra mas optou pela inédita mexicana A Usurpadora por causa da concorrência no horário com a novela Louca Paixão, da Rede Record, ""O Direito..." tem um tom muito pesado. O público acostumado com "Pérola Negra" acabaria migrando para a Record", afirmou Eduardo Lafon, diretor de programação do SBT.[13] Silvio Santos escolheu o ano de 2001 para transmitir a telenovela, onde o SBT passava por um bom momento na audiência.[14]

Reexibições[editar | editar código-fonte]

O SBT nunca reprisou a novela, mas no entanto foi exibida pelo canal Fox Life Brasil entre 25 de maio a 13 de novembro de 2015, substituindo A Escrava Isaura, às 20h.[15] Na Fox Life, a trama e exibida com classificação indicativa de "inadequada para menores de 14 anos". Também foi exibida na portuguesa RTP, entre 2 de novembro de 2011 e 28 de junho de 2012, tendo uma reapresentação em 2013.

Em dezembro de 2017, foi confirmado um acordo entre a JPO Produções e a TV Aparecida para uma exibição da telenovela a partir de 14 de fevereiro de 2018, entrando nas faixas horárias em que foi exibida A Padroeira.[16] Assim como a antecessora, foi exibida inicialmente de segunda a sábado, sendo que posteriormente a exibição aos sábados passou a ser um resumo dos capítulos exibidos de segunda a sexta. A trama foi finalizada no canal em 8 de agosto de 2018, com 125 capítulos, sendo substituída pela venezuelana Coração Esmeralda, que estreou em setembro de 2018.[17]

Enredo[editar | editar código-fonte]

Na sociedade moralista de Havana, capital de Cuba, no início do século XX, a jovem Maria Helena engravida do noivo Alfredo e, diante da recusa do rapaz em assumir o filho, torna-se mãe solteira. A criança será alvo do ódio do avô, o poderoso Dom Rafael. Após o nascimento, temendo as represálias do velho, a criada negra Dolores foge com o bebê, que batiza como Alberto. Depois disso, desgostosa, Maria Helena se recolhe a um convento, e passa a atender por Irmã Helena da Caridade. Sempre fugindo, Dolores cria o menino e ele, já crescido, forma-se em medicina. O destino leva Alberto à família que desconhece, para desespero de Mamãe Dolores. Albertinho se apaixona, sem saber, por sua prima Isabel Cristina, e acaba salvando a vida do avô que o amaldiçoara no passado.

Elenco[editar | editar código-fonte]

Ator/Atriz Personagem
Guilhermina Guinle Maria Helena de Juncal / Irmã Helena da Caridade
João Vitti Jorge Luís Belmonte
Jorge Pontual Alberto Limonta (Albertinho) /
Alberto de Juncal
Ana Cecília Costa Isabel Cristina de Juncal Monteverde
Luiz Guilherme Rafael de Juncal
Dhu Moraes Maria Dolores Limonta (Mamãe Dolores)
Fernando Eiras Alfredo Villareal Martins
Cynthia Benini Emília Gonzales
Esther Góes Laura Gonzales
Angelina Muniz Condessa Victória de Monteverde
Elaine Cristina Conceição de Juncal
Ana Kutner Dora de Juncal (Dorinha)
Dênis Derkian Ricardo de Monteverde
Olivetti Herrera Luiggi
Márcia Maria Madre Superiora Tereza
Antônio Petrin Frei Estevão de Santarém
Sônia Lima Basília
Vera Zimmermann Cecília Moraes
Maria Estela Augusta
Fernando Alves Pinto Oswaldo Martins
Gustavo Haddad Horácio
Valéria Alencar Clementina
Marcelo Mansfield Frederico
Bruna Thedy Verinha
Jerusa Franco Rosário
Imara Reis Mercedes
Miguel Magno Comendador Fagundes
Neco Vila Lobos Anselmo
Ariel Moshe Dr. Pezzi
Cida Moreira Irina
Lavínia Pannunzio Marcelina
Octávio Mendes Jonas
Ludmila Rosa Laurita Maria Gonzales
Jacqueline Cordeiro Carmela
Alexandra Marques Julinha
Lorena Nobel Carmen
Lui Strassburg General
Carlos Meceni Mariano
Maurício Xavier Pedro
Osmar de Pieri General
Sofia Papo Dulce
Luciano Chirolli Ramon
Maurício Moraes Dodô
Paixão de Jesus Célia
Maria Teresa Rufina
Wanderley Martins Rubem
Valdir Rivaben Godoy

Participações especiais[editar | editar código-fonte]

Ator Personagem
Renato Borghi Ramiro Martins
Paulo Ivo Bruno Capataz
Geórgia Gomide Luiza
Márcia Real Augusta Monteiro
Tânia Bondezan Mirtes
Norival Rizzo Inspetor Pedro
Fabiana Alvarez Laura
Paula Ribas Irmã Fátima
Nilton Bicudo Astolfo
Ângelo de Souza Ozório Gomes
Gilberto Salvio Padre Leonardo
Sérgio Luiz de Campos Comandante Gonzales
Hugo Coelho José
Bruna Marcotti Laurita (jovem)
Tabata Queirós Dorinha (jovem)
Kaíto Ribeiro Albertinho (jovem)

Recepção[editar | editar código-fonte]

Avaliação em retrospecto[editar | editar código-fonte]

Audiência[editar | editar código-fonte]

O Direito de Nascer sucedeu a reprise de Éramos Seis (até hoje, a novela mais bem-sucedida do SBT) e segurou a audiência do horário com médias de 15 pontos no Ibope (na Grande São Paulo) contra 30 da Globo.[18]

Legado[editar | editar código-fonte]

Guilhermina Guinle satirizou a personagem que protagonizou em O Direito de Nascer no seriado do SBT, Meu Cunhado, parodiando a cena do parto com o elenco do programa.

Versões[editar | editar código-fonte]

O Direito de Nascer foi baseada na obra El derecho de nacer, radionovela cubana escrita pelo escritor e compositor cubano Félix B. Caignet que foi transmitida pela primeira vez em 1948. As demais produções foram:

Rádio
  • El derecho de nacer, radionovela venezuelana adaptada da versão cubana transmitida entre 1949 e 1950.
  • El derecho de nacer, radionovela mexicana adaptada da versão cubana transmitida em 1950.
  • El derecho de nacer, radionovela venezuelana como uma minissérie adaptada da versão cubana transmitida em 2010.
Televisão
Cinema

Referências

  1. «SBT desenterra novela "O direito de nascer"». Estadão. 13 de maio de 2001. Consultado em 1 de maio de 2015 
  2. a b c Nelson Xavier. «O Direito de Nascer - Bastidores». Teledramaturgia. Consultado em 6 de maio de 2015 
  3. Arturo Merayo Pérez (2007). La radio en Iberoamérica: evolución, diagnóstico, prospectiva. [S.l.]: Comunicación Social. p. 461. ISBN 978-84-960-8249-6 
  4. Jorge Domingo Cuadriello (2014). Una mirada a la vida intelectual cubana: (1940-1950). [S.l.]: Editorial Renacimiento. p. 136. ISBN 978-84-8472-939-6 
  5. Jorge Martillo Monserrate (1999). La bohemia en Guayaquil & otras historias crónicas. [S.l.]: Archivo Histórico del Guayas. p. 154 
  6. Pablo Sirvén (2013). El rey de la TV. Goar Mestre y la pelea entre gobiernos y medios latinomericanos.: De Fidel Castro a Perón. [S.l.]: Random House Mondadori. ISBN 978-95-0074-574-1 
  7. Carlos Monsiváis (1980). A ustedes les consta / You will Make Known. [S.l.]: Era Dinámica Editores, S.A. de C.V. p. 366. ISBN 978-96-8411-035-9 
  8. a b c Liba Frydman (3 de agosto de 1997). «'O Direito de Nascer' está de volta». O Estado de S. Paulo. TV-Pesquisa. Consultado em 6 de maio de 2015 
  9. a b c d «Direito de Nascer' recria texto do rádio». Folha de S.Paulo. TV-Pesquisa. 17 de agosto de 1997. Consultado em 6 de maio de 2015 
  10. «Bom negócio». Jornal do Brasil. TV-Pesquisa. 12 de abril de 1995. Consultado em 6 de maio de 2015 
  11. a b c d Carla França (31 de agosto de 1997). «Regravação espera aval de Sílvio Santos». O Estado de S. Paulo. TV-Pesquisa. Consultado em 6 de maio de 2015 
  12. «Emissora deve estrear novos programas em 98». Folha de S.Paulo. UOL. 15 de dezembro de 1997. Consultado em 6 de maio de 2015 
  13. Thiago Stivaletti (20 de junho de 1999). «Mexicana substitui "Pérola" no SBT». Folha de S.Paulo. UOL. Consultado em 6 de maio de 2015 
  14. «SBT quer tirar da gaveta "O Direito de Nascer", de 97». Folha de S.Paulo. UOL. 9 de janeiro de 2001. Consultado em 1 de outubro de 2017 
  15. Thiago Forato (27 de abril de 2015). «"O Direito de Nascer" deve substituir "A Escrava Isaura" na Fox». NaTelinha. UOL. Consultado em 21 de maio de 2015 
  16. Flávio Ricco (2 de dezembro de 2017). «TV Aparecida vai exibir novela "O Direito de Nascer" em 2018». UOL. Consultado em 2 de dezembro de 2017 
  17. TV Aparecida adquire novela venezuelana com mote ambiental para substituir "O Direito de Nascer"
  18. «Observatorio da Imprensa - Materias - 30 de maio de 2001». www.observatoriodaimprensa.com.br. Consultado em 13 de outubro de 2015