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Louca Paixão

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 Nota: Se procura o álbum musical de Tânia Mara, veja Louca Paixão (álbum).
Louca Paixão
Louca Paixão
Informação geral
Formato Telenovela
Gênero
Duração 60 minutos
Criador(es) Yves Dumont
Baseado em 2-5499 Ocupado, de Dulce Santucci
Elenco
País de origem  Brasil
Idioma original português
Episódios 141
Produção
Diretor(es) José Paulo Vallone
Tema de abertura "Louca Paixão", Maurício Mattar
Empresa(s) produtora(s) JPO Produções
Localização São Paulo, SP
Exibição
Emissora original Brasil RecordTV
Formato de exibição 480i (SDTV)
Transmissão original 30 de março10 de setembro de 1999
Cronologia
Programas relacionados 2-5499 Ocupado
Alguna vez tendremos alas

Louca Paixão é uma telenovela brasileira produzida pela JPO Produções e exibida pela RecordTV entre 30 de março e 10 de setembro de 1999, em 141 capítulos, substituindo Estrela de Fogo e sendo substituída por Tiro e Queda. É um remake de 2-5499 Ocupado, escrita em 1963 por Dulce Santucci na TV Excelsior. Foi escrita por Yves Dumont, com colaboração de Lílian Víveros e Paulo Cabral, direção de Jacques Lagôa e Rodolfo Silot e direção geral de José Paulo Vallone.

Conta com Karina Barum, Maurício Mattar, Suzy Rêgo, Cássia Linhares, Lolita Rodrigues, Gracindo Júnior, Glauce Graieb e Ingra Liberato nos papéis principais.

Produção[editar | editar código-fonte]

Louca Paixão foi um remake contemporâneo de 2-5499 Ocupado, produzida pela TV Excelsior em 1963, e lembrada por ter sido a primeira telenovela diária brasileira. Esta, por sua vez, foi uma adaptação de Dulce Santucci baseada na obra original do escritor argentino Alberto Migré.[1]

2-5499 Ocupado teve apenas 42 capítulos e 12 personagens. Em Louca Paixão, os números subiram para 141 capítulos e o elenco para 30 personagens, "Estamos refazendo uma história com mais de 35 anos com os métodos dos anos 90, com mais personagens e tramas paralelas. A partir dessa atualização que estamos fazendo na trama, é possível mostrar como o veículo mudou durante esse tempo. E rediscutir esse formato que as pessoas dizem estar em crise", disse o autor Yves Dumont.[2] Após 14 anos na Rede Globo, Maurício Mattar foi contratado pela Rede Record, de acordo com o ator, o grande motivo da troca de emissora foi a possibilidade de cantar na novela. "Há cinco anos priorizo a carreira de cantor. Quero ser como Elvis Presley e Frank Sinatra", disse.[3] Para o papel da protagonista. José Paulo Avallone, diretor de programação da emissora disse que são cogitadas Susana Werner, Guilhermina Guinle, Suzy Rêgo e Giovanna Gold.[3] Lolita Rodrigues que na primeira versão interpretou a melhor amiga da protagonista, nesta versão vive a empregada Helena Moraes, mãe de Letícia, que a abandonou num orfanato. O jogador do Corinthians, Marcelinho Carioca, fez uma participação especial no núcleo italiano da trama.[4][5] Vanusa Spindler também fez uma participação, interpretando Débora, ela fez a testemunha de que Letícia (Karina Barum) não matou uma colega de reformatório.[6]

A novela teve cenas gravadas no presídio do Hipódromo, em São Paulo, desativado em 1995, onde hoje funciona o Sistema de Saúde do sistema penitenciário de São Paulo. No mesmo local foram feitas cenas com o personagem José Clementino (Tony Ramos), o pai da personagem Shirley (Karina Barum) na telenovela Torre de Babel (1998).[7] A Record gastou R$ 30 mil e deve gastar mais R$ 20 mil para concluir as reformas no presídio, e vai utilizá-lo até o final das gravações, "O local estava sujo e abandonado. Pintamos as celas na mesma tonalidade de cinza e envelhecemos a pintura para dar aspecto de usado", diz Waldir Gunther, diretor de arte.[7] Para o laboratório, Suzy Rêgo, Karina Barum, Maria Alves e Ingra Liberato passaram quatro dias no presídio de Franco da Rocha, na Grande São Paulo.[8] A protagonista Karina Barum visitou algumas prisões antes das gravações e disse "Acabei descobrindo que o Carandiru é maravilhoso. Digo, em relação a outros presídios, claro".[2]

Problemas reais e contemporâneos da rotina carcerária, como homossexualidade, drogas e violência, foram enfocados na novela. O autor Yves Dumont, porém, ressaltou que essas situações serviram apenas como pano de fundo da trama, que explorou mais o lado romântico.[9]

Louca Paixão teve um suspense: "quem matou Pedrão?". Foram gravados três finais diferentes, onde os assassinos do personagem de Matheus Carrieri eram Vera (Suzy Rêgo), Teresa (Glauce Graieb) e Gil (Paulo Leite). No final que foi ao ar, a assassina era Vera, cansada das chantagens de Pedrão, seu ex-namorado. A moça, que estava em liberdade condicional, voltou então para o presídio.[9] Por sugestão de Yves Dumont, foram gravadas 3 versões para o final, "Desde que comecei a escrever a trama já havia planejado esse assassinato e o autor do crime, mas decidi rodar três finais para manter a curiosidade até o fim", e negou que foram feitas para promover Tiro e Queda, sucessora no horário, "Apesar desse mistério final, a novela girou toda em torno do mote da paixão, enquanto a próxima terá o suspense como centro do enredo".[10]


Enredo[editar | editar código-fonte]

Letícia é uma detenta condenada injustamente pelo assassinato de uma garota no orfanato onde cresceu e, mesmo já tendo cumprido metade da pena, ela não desiste de provar sua inocência. Trabalhando na prisão como telefonista, Letícia conhece André, presidente da revista Estillus, se apaixonando pela voz um do outro e passando a conversar todos os dias, porém, com medo de contar a verdade, ela mente que se chama Vera – nome de sua amiga de cela – e que é casada para não encontra-lo. No entanto quando a verdadeira Vera ganha liberdade condicional, ela decide ficar com o empresário ao descobrir que ele é rico, enfrentando a ardilosa noiva dele Carla.

Presa e impotente, Letícia precisa lidar diariamente com Jacinto, diretor do presídio que assedia as detentas, e Soninha 38, uma detenta violenta que torna a vida dela infernal, além de ser abalada com o retorno de sua mãe, Helena, uma alcoólatra que a abandonou aos 5 anos. Enquanto isso Vera passa a ser perseguida por seu ex-namorado, Pedro, interessado no dinheiro do empresário. Ainda há Miguel, pai de André casado com a ardilosa e arrogante Teresa, que nem imagina ter uma filha, Amanda, fruto de um caso dele com Iracema no passado.

Reprises[editar | editar código-fonte]

Foi reapresentada pela primeira vez entre 29 de julho a 15 de novembro de 2002. Inicialmente reestreou às 17h, mas em 26 de agosto de 2002, foi transferida para às 14h, substituindo o programa Questão de Opinião, apresentado por Nei Gonçalves Dias.[11][12]

Foi reexibida pela segunda vez entre 14 de agosto de 2006 a 26 de janeiro de 2007, às 14h30, substituindo o Cine Aventura e sendo substituída por A Escrava Isaura.

Em 2020 a Rede Bandeirantes comprou os direitos de reprise da telenovela.[13]

Elenco[editar | editar código-fonte]

Ator Personagem
Karina Barum Letícia Moraes / Vera
Maurício Mattar André Albuquerque
Suzy Rêgo Vera Soares / Letícia
Cássia Linhares Carla de Holanda
Lolita Rodrigues Helena Moraes
Gracindo Júnior Miguel Albuquerque
Glauce Graieb Teresa Albuquerque
Ingra Liberato Sônia Pereira (Soninha 38)
Altair Lima Jacinto Leão
Eliete Cigarini Aracy Bandeira
Mateus Carrieri Pedro Assunção (Pedrão)
Maria Alves Iracema Rangel
Rodrigo Veronese Cadu Albuquerque
Geórgia Gomide Joana Soares
Ernando Tiago Daniel Soares
Ângela Figueiredo Drª. Suzana de Holanda
Carlo Briani Domênico de Lucca
Rosaly Papadopol Bianca de Lucca
Fabiana Alvarez Juliana de Lucca
Maurício Xavier Ubirajara Rangel (Bira)
Viviane Porto Amanda Rangel
Paulo Leite Gil de Holanda
Carla Pagani Matilde Assunção
Régis Monteiro Custódio
Cátia Fontinelli Camila
Créo Kellab Thiago Xavier
Tuca Graça Ricardo de Holanda (Rico)

Participações especiais[editar | editar código-fonte]

Ator Personagem
Enrique Díaz Advogado de Vera
Júlio Rocha Rodrigo
Vanusa Spindler Débora
Rogério Fróes Juiz
Ênio Gonçalves Relator
Alejandra Sampaio Maria das Graças
Sérgio Buck Evandro

Repercussão[editar | editar código-fonte]

Audiência[editar | editar código-fonte]

Louca Paixão foi a mais bem sucedida das três telenovelas produzida pela RecordTV, em conjunto com a JPO, com média de 11 pontos, contra os 7 de Estrela de Fogo e os 5 de Tiro e Queda.[9]

Estreou com média de 9 pontos no Ibope, na época, 720 mil telespectadores na Grande São Paulo, sua antecessora Estrela de Fogo terminou com média de 7 pontos, 560 mil telespectadores.[14] A média de 9 pontos na audiência fez com que o SBT optasse por substituir Pérola Negra, que competia no horário e era vice-líder com médias de audiência entre 16 e 19 pontos no Ibope, por A Usurpadora ao invés de O Direito de Nascer.[15]

Louca Paixão chegou a alcançar 12 pontos de média e picos de 15 pontos.[16]

Na sua segunda reprise, que começou em 14 de agosto de 2006, Louca Paixão ficou em terceiro lugar concorrendo na segunda e terça com os dois primeiros capítulos de Feridas de Amor e os dois últimos capítulos de Rubi no SBT, com 3 e 4 pontos de média, respectivamente. No restante da semana, Feridas de Amor registrou média de 6 pontos contra 4 de Louca Paixão.[17]

Crítica[editar | editar código-fonte]

Francisco Martins da Costa da Folha de S.Paulo disse: "Novela popular é um gênero no qual não há espaço para meias-palavras, metáforas ou sutilezas. "Louca Paixão" é um produto que segue essa regra à risca. Na nova novela da Rede Record, que estreou anteontem à noite, a mocinha meiga foi presa por engano, a carcereira é uma megera masculinizada, o rico galã vive entediado apesar de ter tudo de bom que o dinheiro pode comprar e a cantina é tocada por uma família de italianos barulhentos e de sotaque carregado. Os personagens iam sendo apresentados e Sandra de Sá cantava ao fundo que "uns nascem para sofrer enquanto outros riem". Deu para captar a conexão? Hã, hã? Se a proposta era essa mesmo, "Louca Paixão" cumpre sua meta. A diferença dessa para outras tramas exibidas pela Record é a produção, muito mais caprichada, ainda que com problemas de som. A trilha sonora reúne alguns dos maiores sucessos do momento nas rádios, como o pagode baiano do Raça Pura e o reggae da banda Nativus. Só pegou mal a cena em que Ingra Liberato, ao som de "Puro Êxtase", do Barão Vermelho, faz um sequestro relâmpago com Maurício Mattar como refém. Talvez fosse mais adequado um som dos Racionais MC's. O que mais incomoda é o ar blasé de Maurício Mattar, que não muda de cara nunca, no estilo Schwarzenegger de interpretação. Ele faz a mesma cara quando conversa com a namorada, quando é sequestrado, quando discute com a mãe, quando trabalha na sua revista moderninha e na abertura. Outro problema são os figurinos. Karina Barum e suas colegas de prisão parecem uma versão adulta das órfãs de "Chiquititas", com aqueles uniformes limpinhos."[14]

Trilha sonora[editar | editar código-fonte]

Louca Paixão
Louca Paixão
Trilha sonora de vários artistas
Lançamento 1999
Gênero(s) MPB
Duração 55:03
Idioma(s) Português
Formato(s) CD
Gravadora(s) Record Music

Capa: Karina Barum

Lista de faixas
N.º TítuloMúsicaPersonagem tema Duração
1. "Louca Paixão"  Maurício MattarAbertura / Letícia e André  
2. "Jeito Sexy"  Fat FamilyCarla e Cadu  
3. "Azul da Cor do Mar"  Sandra de SáCarla  
4. "Juliana"  Bom BalançoJuliana e Bira  
5. "Puro Êxtase"  Barão VermelhoJuliana  
6. "Eternamente"  Sem CompromissoAmanda e Thiago  
7. "Presente de um Beija-flor"  NatirutsCadu  
8. "Lanterna does Afogados"  Os Paralamas do SucessoSoninha 38  
9. "Contigo Aprendi"  Juan DuranMiguel  
10. "Não Foi à Toa"  SowetoLetícia e André  
11. "Declaração de Amor"  DanielLetícia  
12. "Mania de Você"  Pepê e NenémDaniel  
13. "Eu e Você"  GibbaGeral  
14. "Neon"  Ana LéliaGeral  
Outras músicas não incluídas
  • "Júrame" - Joanna (tema de Teresa)
  • "Falido Transatlântico" - Zé Ramalho (tema de Vera)

Referências

  1. «2-5499 Ocupado». Teledramaturgia. Consultado em 27 de janeiro de 2014 
  2. a b Alexandre Maron (28 de março de 1999). «Começar de novo». Folha de S.Paulo. UOL. Consultado em 3 de fevereiro de 2014 
  3. a b Deborah Giovannini (24 de janeiro de 1999). «Mattar quer ser o Elvis da Record». Folha de S.Paulo. UOL. Consultado em 3 de fevereiro de 2014 
  4. Francisco Martins da Costa (26 de maio de 1999). «Supla revela ser contra sua mãe na prefeitura». Folha de S.Paulo. UOL. Consultado em 3 de fevereiro de 2014 
  5. «Marcelinho grava 'Louca Paixão'». 30 de maio de 1999. Consultado em 3 de fevereiro de 2014 
  6. Anna Lee (20 de julho de 1999). «Para chineses, novelas da Globo são imorais». Folha de S.Paulo. UOL. Consultado em 3 de fevereiro de 2014. Na página está com o nome de Vanessa Spindler 
  7. a b Deborah Giovannini (14 de fevereiro de 1999). «Presídio vira estúdio da Record». Folha de S.Paulo. UOL. Consultado em 3 de fevereiro de 2014 
  8. Patricia Decia (10 de fevereiro de 1999). «Xuxa volta a gravar programas em espanhol». Folha de S.Paulo. UOL. Consultado em 3 de fevereiro de 2014 
  9. a b c «Louca Paixão». Teledramaturgia. Consultado em 20 de agosto de 2011 
  10. «Record grava 3 versões para o final de "Louca Paixão"». Folha de S.Paulo. 5 de setembro de 1999. Consultado em 14 de fevereiro de 2019 
  11. Laura Mattos (27 de julho de 2002). «Outro canal: Clima fica tenso na Record com queda de audiência». Folha de S.Paulo. UOL. Consultado em 3 de fevereiro de 2014 
  12. Laura Mattos (27 de julho de 2002). «'Casa 3' encerra formato do 'Big Brother' no SBT». Folha de S.Paulo. UOL. Consultado em 3 de fevereiro de 2014 
  13. Fefito (22 de agosto de 2020). «Band compra direitos de 'Louca Paixão', novela exibida pela Record em 1999». UOL. Consultado em 22 de agosto de 2020 
  14. a b Francisco Martins da Costa (1 de abril de 1999). «Nova novela é popular radical». Folha de S.Paulo. UOL. Consultado em 3 de fevereiro de 2014 
  15. Thiago Stivaletti (20 de junho de 1999). «Mexicana substitui "Pérola" no SBT». Folha de S.Paulo. UOL. Consultado em 3 de fevereiro de 2014 
  16. Daniel Castro (26 de julho de 1999). «Ibope da Record triplica em 32 meses». Folha de S.Paulo. UOL. Consultado em 3 de fevereiro de 2014 
  17. «SBT bate Record na guerra da audiência das novelas da tarde». Folha de S.Paulo. UOL. 21 de agosto de 2006. Consultado em 3 de fevereiro de 2014 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]