Alexis de Tocqueville
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Alexis Henri Charles Clérel, visconde de Tocqueville (29 de Julho de 1805 - 16 de Abril de 1859) foi um pensador político, historiador e escritor francês. Tornou-se célebre por suas análises da Revolução Francesa, cuja pertinência foi destacada por François Furet, da democracia americana e da evolução das democracias ocidentais em geral. Raymond Aron pôs em evidência sua contribuição à sociologia.[1]
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[editar] Biografia
Alexis de Tocqueville pertenceu a uma grande família aristocrática normanda. Era bisneto de Chrétien Guillaume de Malesherbes e tinha ligações familiares com o visconde de Chateaubriand. Seus ancestrais participaram da batalha de Hastings em 1066, que concretizou a conquista de Guilherme, Duque da Normandia, e o fim da dinastia de reis anglo-saxões na Inglaterra. Seus pais, Hervé Louis François Jean Bonaventure Clérel, conde de Tocqueville, soldado da guarda Constitucional do Rei Luís XVI, e Louise Madeleine Le Peletier de Rosanbo, escaparam da guilhotina graças à queda de Robespierre no Ano II (1794). Destino diferente teve seu avô, o Marquês de Rosanbo, que foi executado.
As Memórias de Hervé de Tocqueville nos oferecem um quadro dos seus sentimentos sobre a Revolução:
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- Em 20 de outubro [de 1794], fomos todos postos em liberdade: havia dez meses, dia após dia, que estávamos presos. [.] Como o céu nos parecia sereno! como o ar nos parecia puro! como o horizonte era vasto! Mas também como era doloroso o pensamento que se instalava em meio à nossa felicidade e vinha obscurecê-la! Éramos nove quando entramos naquela casa da dor e saíamos apenas quatro. Nossos pais, nossos amigos, haviam desaparecido e os cacos de duas famílias só tinham por chefe um jovem homem de vinte e dois anos que conhecia pouco o mundo e tinha apenas a experiência da infelicidade.[2]
Após exílio na Inglaterra, Hervé e Louise retornaram à França durante o Primeiro Império (1804-1815), quando Hervé se tornou pair de France[3] e préfet sob a Restauração.
Embora "consagrado pela posteridade como homem de letras, sociólogo da democracia moderna e historiador do Antigo Regime, Alexis de Tocqueville sempre ambicionou ser um homem da política".[4] Após estudar direito em Paris, em 1827 ingressou na magistratura em busca de uma carreira provisória enquanto não se cumpria a exigência de idade mínima de quarenta anos para a candidatura à Câmara dos Deputados. A Constituição de 1830 reduziu essa exigência para trinta anos, o que permitiu que Tocqueville lançasse, em 1836, sua primeira candidatura, na qual foi derrotado. Em 1839 conseguiria a primeira de uma série de vitórias que o manteriam na Câmara até o golpe de Estado de 1851. Entre junho e outubro de 1849 "assumiu a pasta dos Negócios Exteriores do ministério Odilon Barrot sob o governo de Luís Bonaparte na Segunda República".[5]
Em 1850, foi obrigado a licenciar-se da assembléia "em função de uma crise de tuberculose pulmonar que o levaria lentamente até a morte nove anos mais tarde".[5] Participou intensamente da revisão da Constituição republicana, mas "com o golpe de 2 de dezembro, após denunciar a farsa bonapartista na imprensa inglesa, afastou-se da cena política e recolheu-se aos estudos".[5]
[editar] Obras
As suas obras incluem: "Du système pénitentiaire aux États-Unis et de aon application en France" (1833), "De la démocratie" (1840), e "L'ancien régime et la révolution" (1856). Foi um defensor da liberdade e da democracia.
A sua obra mais célebre, baseada nas suas viagens nos Estados Unidos da América foi traduzida para o Português com o nome de "A democracia na América", e é frequentemente usada em cursos de história americana do século XIX e de Teoria Política Moderna.
De Tocqueville, o aristocrata fora enviado pelo governo francês em 1831 (ele solicitou apoio para sua viagem, mas ela foi paga por sua família) para estudar o sistema prisional americano. Chegou a Nova Iorque em Maio daquele ano e passou nove meses em viagem pelos Estados Unidos, tomando notas não só acerca das prisões, mas sobre todos os aspectos da sociedade americana, incluindo a sua economia e o seu sistema político, então único no mundo.
Após o retorno à França, em Fevereiro de 1832, submeteu o seu relatório penal e escreveu "Da democracia na América". Esta obra foi impressa inúmeras vezes ainda no século XIX, e acabou por tornar-se um clássico.
Tocqueville ficou conhecido também por ser a primeira pessoa a cunhar o termo social-democracia, ideologia política que se espalhou pela Europa.
O sociólogo francês do século XX Raymond Aron escreveu as seguintes linhas a propósito de Tocqueville, colocando-o numa posição não muito diferente da sua: "Demasiado liberal para o partido de onde ele provém, não muito entusiasta por ideias novas aos olhos dos republicanos, ele não foi adoptado nem pela direita nem pela esquerda, ele permanece suspeito a todos" Aron, Les Étapes de la pensée sociologique, Paris, Gallimard, 1967, pg. 18
[editar] Autores e personalidades relacionadas
François Pierre Guillaume Guizot, historiador e homem político francês. Foi professor de Tocqueville na Sorbonne e talvez o mais influente liberal francês à época.
François-René Auguste, visconde de Chateaubriand, escritor e homem político francês com quem Hervé de Tocqueville possuía estreitos laços de família. Em seu livro Voyage en Amérique (1827), que exerceu influência sobre Alexis, afirmou que a liberdade americana não era mais primitiva, "filha dos costumes", mas uma liberdade "filha das Luzes".[6]
Jean Guillaume, baron Hyde de Neuville, homem político francês com quem Hervé de Tocqueville mantinha estreitas relações, havia sido embaixador em Whashington.[6]
Jean Lefebvre de Cheverus, cardeal francês, arcebispo de Bordeaux e antigo bispo de boston, ligado ao pai de Alexis.[6]
Jean-Jacques Rousseau, escritor, filósofo e músico suíço de expressão francesa. Foi um dos mais ilustres filósofos do século das Luzes. Tocqueville teria sido influenciado por suas idéias em certo momento de sua produção. A análise de Mémoire sur le paupérisme "revela o afastamento de Tocqueville em relação ao conceito de história da civilização de Guizot e denuncia a influência do Rousseau do Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens".[7]
Ségur. "Proclamou em seu livro Mémoires (1826) que o mundo se dividiria entre a potência americana, ligada à liberdade, e o despotismo russo".[6]
Hippolyte Adolphe Taine, filósofo e historiador francês. Os historiadores da Revolução até o início do século XX não imaginavam as teses de L'Ancien Régime et la Révolution senão a través de As origens da França contemporânea de Taine, que o havia lido atentamente.[8]
Referências
- ↑ Wikipédia
- ↑ Página sobre Alexis de Toqueville mantida pelo Ministério da Cultura e da Comunicação francês
- ↑ Literalmente par da França. Era um posto da coroa, usado para distinguir os nobres mais importantes do reino. Tinham o privilégio de só poderem ser julgados pela Corte dos Pares e, em contrapartida, prestavam uma homenagem especial ao rei. Na época do Antigo Regime perdeu seus privilégios, tornando-se um cargo honorífico.
- ↑ Marcelo JASMIN. Alexis de Tocqueville: a historiografia como ciência da política. 2ª ed. Belo Horizonte: Ed. UFMG; Rio de Janeiro: IUPERJ, 2005. p. 33
- ↑ 5,0 5,1 5,2 Marcelo JASMIN. Alexis de Tocqueville: a historiografia como ciência da política. 2ª ed. Belo Horizonte: Ed. UFMG; Rio de Janeiro: IUPERJ, 2005. p. 34
- ↑ 6,0 6,1 6,2 6,3 André JARDIN. Préface. In: TOCQUEVILLE. De la Démocratie en Amérique 1. Paris: Gallimard, 2006. p. 10.
- ↑ Marcelo JASMIN. Alexis de Tocqueville: a historiografia como ciência da política. 2ª ed. Belo Horizonte: Ed. UFMG; Rio de Janeiro: IUPERJ, 2005. p. 143-144
- ↑ André JARDIN. Préface. In: TOCQUEVILLE. De la Démocratie en Amérique 1. Paris: Gallimard, 2006. p. 7.
[editar] Ligações externas
- Ministério da Cultura e da Comunicação (em francês)
- Obras Completas de Alexis de Tocqueville. Paris: Michel-Lévy frères, 1864-1866. (em francês)
- Relatório sobre a escravidão nas colônias. 1839 (em francês)
- Memória sobre o pauperismo. 1835 (em francês)
- WikiSource (em francês)
- Base de dados genealógicos (em francês)
- De la Démocratie en Amérique, 4 vols. (em francês)