Borobudur

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Pix.gif Conjunto de Borobudur *
Welterbe.svg
Património Mundial da UNESCO

Borobudur-perfect-buddha.jpg
Buda em Borobudur
País Indonésia
Critérios (i) (ii) (vi)
Referência 592
Coordenadas 7º36'29"S 110º12'14"E
Histórico de inscrição
Inscrição 1991  (15ª sessão)
* Nome como inscrito na lista do Património Mundial.

Borobudur é o maior monumento budista do mundo. Situa-se na parte central da ilha de Java, aproximadamente a 40 km ao noroeste da cidade de Yogyakarta, um dos centros de cultura javanesa tradicional. Atualmente é a atração turística mais popular da Indonésia. Foi construído no século VIII, originalmente como um templo hindu. Posteriormente sua construção foi continuada como um stupa budista. Com o advento do islamismo à ilha de Java, foi abandonado e envolvido, com o passar dos anos, pela selva até a sua redescoberta em 1814 por colonos ingleses. A Unesco promoveu um programa para sua reconstrução e recuperação que findou em 1983.

História[editar | editar código-fonte]

Borobudur.

A história desse monumento ainda não está totalmente esclarecida. Os cientistas que estudam a antiguidade da Indonésia frequentemente se deparam com gravuras em pedras de difícil solução. Contudo, não se conservou nenhuma inscrição sobre a construção do Borobudur, que esclarecesse sua causa e o tempo em que foi construído. Por isso não é possível saber precisamente o ano de início de sua construção e nem o de término.

Construção[editar | editar código-fonte]

O século VIII foi o período no qual reinou a poderosa e rica dinastia Sailendro em Java.

Durante o século VIII e IX, muito evoluiu a arquitetura da Java central, que se tornou o centro de poder da ilha. Em uma área de 10 km² se conservam mais de 25 templos budistas e hindus, dos quais faz parte o complexo de Prambanan.

Quem começou a construção do Borobudur foram os reis da dinastia hindu Sanjaya, mas logo a cessaram. No ano de 780, os reis da dinastia budista Sailendro começaram a governar a região e continuaram a construção. Mas eles adaptaram o complexo segundo seu próprio conceito de mundo. Isto significa que eles transformaram a construção originalmente hinduista em um grandioso monumento budista.

Para a construção foram utilizados 60000 m³ de andesito (material vulcânico) proveniente dos rios das redondezas.

Migração populacional[editar | editar código-fonte]

No século IX, a dinastia Sanjaya retornou ao poder. No ano de 928, aproximadamente 70 anos após a construção do Borobudur, aconteceu uma grande erupção vulcânica. Os javaneses acreditaram que este evento significava a perda da aura do local. Neste período também começou o desenvolvimento da regiões litorâneas graças às relações comerciais com os habitantes das ilhas Molucas e posteriormente com outros países asiáticos. Talvez por esses motivos o centro de poder se deslocou para o oeste de Java, onde seria mais fácil controlar o comércio que prosperava.

Do período ente o ano de 919 e o século XIII, não foram encontrados nem escritos nem templos na Java central. Mas neste tempo Borobudur não foi esquecido. Pesquisas arqueológicas confirmam, que mesmo depois do da mudança do centro de poder ao oriente havia habitantes nas redondezas, que utilizavam a construção como seu santuário. Na região foi encontrada cerâmica chinesa do século XIII, o que indica também contato com o mundo exterior.

Advento do islamismo[editar | editar código-fonte]

Um grande golpe para o caráter sacro do Borobudur foi a chegada do islamismo à ilha no século XIV. Os reis e seus súditos aderiram a nova religião de uma forma relativamente agradecida. A pregação de direitos iguais islâmica apresentou-se àquela sociedade estratificada como um melhor e mais justo sistema social. Muitos anos depois a religião serviu como elemento de união na luta contra os colonizadores europeus.

Os antigos deuses foram esquecidos e os templos desmontados para servirem de material de construção.

Borobudur felizmente escapou de tal destino. Seus admiradores provavelmente o cobriram com areia e argila. Sobre esta camuflagem cresceu rapidamente a vegetação. Quando Borobudur foi redescoberto no século XIX, cresciam sobre seu terraço grandes árvores.

Colonialismo[editar | editar código-fonte]

Uma nova etapa na história do complexo de Borobudur começou com a chegada dos ingleses no arquipélago. O ingleses administraram a colônia de 1811 até 1815. O governado geral de Java foi sir Thomas Stamford Raffles, homem progressista que acreditava que Java poderia ser o lugar de uma civilização desenvolvida. Raffles incumbiu o funcionário holandês H. C. Cornelius de explorar a região onde (como acabara de saber) havia, escondida pela vegetação, uma enorme construção.

Cerca de duzentos homens começaram a desencobrir o monumento e a restaurá-lo de maneira simples.

Localização[editar | editar código-fonte]

O complexo de Borobudur se encontra em uma região de sismos frequentes, de alta precipitação pluviométrica e alta variação de temperatura. O sistema de drenagem original não era suficiente para expelir a água da chuva totalmente. A água penetrava na rocha, umedecendo os fundamentos da construção. Durante a noite e o dia, mudanças abruptas de temperatura faziam o andesito rachar. Devido as essas condições naturais e a séculos de desinteresse o estado do Borobudur tornou-se crítico.

Em 1973, o Borobudur começou a ser completamente reconstruído sob o patrocínio da Unesco. O monumento foi totalmente "desmontado", cada pedra foi marcada, tratada e limpada quimicamente, e novamente recolocada. A reforma custou 25 milhões de dólares e durou cerca de uma década.

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