Cidade de Deus (filme)

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Cidade de Deus
Pôster de divulgação
 Brasil
2002 • cor • 130 min 
Direção Fernando Meirelles
Codireção Kátia Lund
Produção Andrea Barata Ribeiro
Maurício Andrade Ramos
Coprodução Marc Beauchamps
Daniel Filho
Hank Levine
Vincent Maraval
Juliette Renaud
Produção executiva Donald Ranvaud
Walter Salles
Roteiro Bráulio Mantovani
Baseado em Paulo Lins
Narração Alexandre Rodrigues
Elenco Alexandre Rodrigues
Leandro Firmino da Hora
Phellipe Haagensen
Douglas Silva
Jonathan Haagensen
Matheus Nachtergaele
Seu Jorge
Alice Braga
Gênero Drama, crime
Idioma Português
Música Antonio Pinto
Ed Cortês
Direção de arte Tulé Peak
Direção de fotografia César Charlone
Edição Daniel Rezende
Estúdio O2 Filmes
Globo Filmes
StudioCanal
Wild Bunch
Distribuição Brasil Buena Vista International
Estados Unidos Miramax
França Mars Distribution
Lançamento Brasil 30 de agosto de 2002
França 12 de março de 2003
Orçamento R$ 8.500.000
Receita US$ 30.641.770[1]
Site oficial
Página no IMDb (em inglês)

Cidade de Deus é um filme de drama brasileiro de 2002 dirigido por Fernando Meirelles e codirigido por Kátia Lund. Foi adaptado por Bráulio Mantovani a partir do livro de mesmo nome escrito por Paulo Lins. O filme retrata o crescimento do crime organizado na Cidade de Deus entre o final da década de 1960 e o início da década de 1980.

O filme é estrelado por Alexandre Rodrigues, Leandro Firmino da Hora, Jonathan Haagensen, Matheus Nachtergaele, Douglas Silva, Alice Braga e Seu Jorge. A grande maioria dos atores era, na verdade, moradores de favelas como Vidigal e Cidade de Deus.

Recebeu quatro indicações ao Oscar, nas categorias de Melhor Diretor (Fernando Meirelles), Melhor Roteiro Adaptado (Bráulio Mantovani), Melhor Edição (Daniel Rezende) e Melhor Fotografia (Cesár Charlone). Foi exibido fora de competição no Festival de Cannes.[2]

Enredo[editar | editar código-fonte]

Gtk-paste.svg Aviso: Este artigo ou se(c)ção contém revelações sobre o enredo.

O filme começa mostrando galinhas sendo preparadas para o almoço. Uma delas escapa e é perseguida por bandidos armados. A galinha para entre os bandidos e um jovem chamado Buscapé, que acredita que a gangue quer matá-lo. O filme volta 10 anos no tempo, onde Buscapé conta como ele foi parar naquela situação.

Três ladrões (Cabeleira, Alicate e Marreco), conhecidos como o Trio Ternura, aterrorizam os negócios locais com vários assaltos. Marreco é o irmão de Buscapé. Como Robin Hood, eles dividem parte do dinheiro roubado com os habitantes da favela chamada de Cidade de Deus e, em troca, são protegidos por eles. Vários meninos idolatram o Trio, um deles, chamado de Dadinho, os convence a roubar um motel. A gangue concorda, porém decidem por não matar ninguém e, achando que Dadinho é pequeno demais para participar, deixam ele como vigia. Eles dão a ele um revólver e falam para dar um tiro de aviso se a polícia chegar. Insatisfeito, Dadinho dá um tiro de aviso no meio do roubo e procede para satisfazer seu desejo de sangue assassinando todos os ocupantes no motel. O massacre chama a atenção da polícia, fazendo com que o Trio Ternura deixe a favela. Alicate se junta à igreja, Cabeleira é morto pela polícia ao tentar escapar com sua namorada e Marreco é morto por Dadinho depois de tentar roubar o dinheiro do menino e seu amigo Bené, que estavam se escondendo após os crimes cometidos no motel.

O tempo avança alguns anos. Buscapé se junta a um grupo de jovens que gostam de fumar maconha. Ele desenvolve um interesse em fotografia ao tirar fotos de seus amigos, especialmente de uma garota, Angélica. Ele tenta várias vezes se aproximar dela; porém, todas elas são arruinadas por um grupo de jovens arruaceiros conhecidos como Caixa Baixa. Dadinho muda seu nome para Zé Pequeno e, junto com seu amigo de infância Bené, estabelece um império do tráfico de drogas eliminando toda a sua competição, com a exceção de um traficante chamado Cenoura.

Uma relativa paz chega à Cidade de Deus com Zé Pequeno no comando, que evita chamar a atenção da polícia abordando e matando um dos Caixa Baixa, que estava cometendo crimes na área. Zé planeja matar seu concorrente, Cenoura, porém é impedido por Bené, que é amigo de Cenoura. Eventualmente, junto com Angélica, ele decide deixar sua vida criminal para trás e se mudar para uma fazenda, assim ele faz uma grande festa de despedida. Zé, não conseguindo achar uma garota que quisesse dançar com ele, humilha um homem chamado Mané Galinha. Mais tarde, Bené é morto por um antigo traficante, Neguinho, que estava tentando matar Zé. Bené era o único homem que impedia Zé Pequeno de atacar os negócios de Cenoura. Sua morte deixa Zé em perigo e Cenoura com medo.

Após a morte de Bené, Zé Pequeno estupra a namorada de Mané Galinha e mata seu tio e irmão. Galinha, procurando vingança, se alia a Cenoura. Depois de matar um dos homens de Zé e ferir o próprio, uma guerra entre as duas facções começa, envolvendo toda a Cidade de Deus. Ambos os lados recrutam mais e mais "soldados", com Zé fornecendo armas para os Caixa Baixa, com a condição destes lutarem para ele. Com inveja da notoriedade de Galinha, Zé Pequeno faz Buscapé tirar fotos dele e da sua gangue. Sem o conhecimento de Buscapé, uma repórter decide publicar as fotos no jornal. Buscapé, erroneamente achando que Zé Pequeno quer matá-lo, teme por sua vida. Na verdade Zé fica muito satisfeito com seu ganho de notoriedade.

Voltando ao início de filme, confrontado pela gangue, Buscapé se surpreende quando Zé manda que ele pegue a galinha que fugiu. Enquanto Buscapé se prepara para capturar a ave, Cenoura aparece e um tiroteio começa entre as duas gangues e, mais tarde, a polícia intervém. Mané Galinha é morto por Otto, um menino que havia se infiltrado na gangue para vingar a morte de seu pai, morto por Galinha em um assalto a banco. Zé Pequeno e Cenoura são presos. Zé é revistado e humilhado pelos policiais, porém é solto; com tudo sendo fotografado por Buscapé. Depois da saída dos policiais, os Caixa Baixa cerca Zé e o matam em vingança de seu amigo. Buscapé tira fotos do corpo de Zé e as leva para o jornal.

Buscapé é visto no escritório do jornal olhando suas fotos e decidindo se devia publicar as fotos dos policiais corruptos ou do corpo de Zé. As fotos dos policiais fariam dele uma pessoa famosa, porém ao mesmo tempo em perigo. As fotos do corpo de Zé Pequeno fariam ele conseguir um emprego no jornal. Ele decide ir pelo caminho mais seguro e o jornal publica as fotos do corpo baleado de Zé.

O filme termina com a Caixa Baixa andando pela Cidade de Deus, fazendo uma lista de traficantes que eles pretendem matar para tomar o império das drogas. Eles falam que o Comando Vermelho está chegando.

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Elenco[editar | editar código-fonte]

  • Alex Luiz de Avellar Sarmento — "Adoçante"
  • Alexandre Rodrigues — "Buscapé" (Wilson Rodrigues)
  • Alice Braga — Angélica
  • Arlindo Lopes — Cocota
  • Babu Santana — "Grande"
  • Charles Paraventi — "Tio Sam"
  • Christian Duurvoort — "Paulista"
  • Daniel Zettel — Thiago
  • Dani Ornellas — vizinha do "Paraíba"
  • Darlan Cunha — "Filé com Fritas"
  • Denise Fonseca — Bá
  • Douglas Silva — "Dadinho" (Zé Pequeno quando criança)
  • Edson Montenegro — pai de "Buscapé" e "Marreco"
  • Edson Oliveirra — "Barbantinho"
  • Edward Boggis — garoto viciado
  • Emerson Gomes — "Barbantinho" (quando criança)
  • Felipe Silva — Rafael
  • Gero Camilo — "Paraíba"
  • Graziella Moretto — Marina Cintra
  • Guilherme Aparecido Aguilar - "Tanajura"
  • Gustavo Grácia — Rogério Reis
  • Jefechander Suplino — "Alicate"
  • João Soares — "Jabá"
  • Jonathan Haagensen — "Cabeleira"
  • Julio César Siqueira — Aristóteles
  • Karina Falcão — mulher de "Paraíba"
  • Leandra Miranda — "Lúcia Maracanã"
  • Leandro Firmino da Hora — "Zé Pequeno"
  • Luis Otávio — "Buscapé" (quando criança)
  • Luiz Carlos Ribeiro Seixas — "Touro"
  • Marcello Melo Jr. — "Pulguinha"
  • Marcos Junqueira — Otávio
  • Mary Sheyla — mulher de "Neguinho"
  • Matheus Nachtergaele — Sandro "Cenoura"
  • Maurício Marques — "Cabeção"
  • Michel Gomes — "Bené" (quando criança)
  • Micael Borges - Caixa Baixa
  • Olívia Araújo — recepcionista do motel
  • Otto Amorim — Otto
  • Paulo César "Jacaré" — "Tuba"
  • Pedro Henrique Bonfim — "Robinho Piranha"
  • Paulo Lins — Pastor
  • Phellipe Haagensen — "Bené"
  • Renato de Souza — "Marreco" (Renato Rodrigues)
  • Ricardo Pagotto Piai - "Chicão"
  • Roberta Rodrigues — Berenice
  • Robson Rocha — Gélson
  • Rosangela Rodrigues — mãe de "Buscapé" e "Marreco"
  • Rubens Sabino — "Neguinho"
  • Sabrina Rosa — mulher do "Galinha"
  • Seu Jorge — "Mané Galinha" (Manuel Machado Rocha)
  • Thiago Martins — "Lampião"
  • Thiago Berto Jardim — "Zelão"

Produção[editar | editar código-fonte]

Antes de Cidade de Deus, Fernando Meirelles e Kátia Lund filmaram um curta-metragem como teste.[3] Foi apenas depois que a escolha de elenco foi concluída. A escolha mais marcante foi a de Leandro Firmino da Hora como Zé Pequeno, já que ele foi descrito como quieto e interpretou um personagem ultra violento e psicótico.[3]

O único ator que possuía grande experiência em atuação era Matheus Nachtergaele, que interpretou o personagem coadjuvante Cenoura.[3] A maioria dos atores eram verdadeiros moradores de favelas do Rio de Janeiro e que não tinha nenhum contado com a arte de atuar. De acordo com Meirelles, atores amadores foram usados ​​por dois motivos: a falta de atores profissionais negros disponíveis e o desejo de autenticidade. ["Hoje posso abrir um teste para 500 atores negros, mas há apenas 10 anos essa possibilidade não existia. Tinham no Brasil três ou quatro atores negros jovens e ao mesmo tempo eu sentia que atores da classe média não conseguiriam fazer aquele filme. Eu precisava de autenticidade”]. [4] Para fazer a seleção do elenco foram realizadas mais de 2 mil entrevistas.[5] Desde 2000 várias crianças e adolescentes foram escolhidos e colocados em "oficinas de atores" por vários meses.[3] Em vez de métodos mais tradicionais (por exemplo, estudar teatro e ensaiando ), ela se focou em ensaiar cenas de guerras urbanas autenticas, como tiroteios. Muito veio de improvisação, já que isso fazia uma atmosfera mais autentica. Assim um elenco sem experiência, logo aprendeu a atuar naturalmente.[3]

Após as filmagens, a equipe não podia deixar o elenco voltar para suas antigas vidas na favela. Grupos de ajuda foram criados para ajudar aqueles envolvidos na produção a construir um futuro mais promissor.

Recepção[editar | editar código-fonte]

Crítica[editar | editar código-fonte]

Cidade de Deus recebeu críticas impressionantes e aclamadoras das várias grandes publicações nos Estados Unidos. No site Rotten Tomatoes o filme tem uma aprovação de 92%.[6] Foi escolhido pela revista Empire, em 2008, como o 177º melhor filme de todos os tempos,[7] e pela Time como um dos 100 melhores filmes da história.[8] .

O critico José Geraldo Couto do jornal Folha de S. Paulo relatou que "Cidade de Deus é um filme de vigor espantoso e de extrema competência narrativa. Seus grandes trunfos são o roteiro engenhosamente construído (sim, à maneira americana, sem gorduras nem pontos sem nó) e a consistência da mise-en-scène".[9]

Em 2010 foi escolhido pela Empire como o sétimo melhor filme do cinema mundial e o sexto melhor filme de ação pelo The Guardian.[10] [11]

Prêmios e indicações[editar | editar código-fonte]

Prêmios[editar | editar código-fonte]

Brasil APCA

  • Grande prêmio da crítica: 2003

Reino Unido BAFTA

  • Melhor edição: Daniel Rezende - 2003

Reino Unido British Independent Film Awards

  • Melhor filme estrangeiro: 2003

Colômbia Festival de Cartagena

  • Melhor Filme: 2003
  • Melhor Diretor: Fernando Meirelles - 2003

Cuba Festival de Havana

  • Prêmio da Universidade de Havana: Fernando Meirelles - 2002
  • Melhor ator: Matheus Nachtergaele, Seu Jorge, Alexandre Rodrigues, Leandro Firmino, Phellipe Haagensen, Jonathan Haagensen e Douglas Silva - 2002
  • Melhor fotografia: César Charlone - 2002
  • Melhor Montagem: Daniel Rezende - 2002
  • Prêmio da Associação Cubana de Imprensa: Fernando Meirelles - 2002
  • Prêmio FIPRESCI: Fernando Meirelles - 2002
  • Prêmio Glauber Rocha: Fernando Meirelles - 2002
  • Prêmio Grand Coral: Fernando Meirelles - 2002
  • Prêmio OCIC: Fernando Meirelles - 2002

Brasil Grande Prêmio Cinema Brasil

  • Melhor filme: 2003
  • Melhor diretor: Fernando Meirelles - 2003
  • Melhor roteiro adaptado: Bráulio Mantovani - 2003
  • Melhor fotografia: César Charlone - 2003
  • Melhor montagem: Daniel Rezende - 2003
  • Melhor som: Guilherme Ayrosa, Paulo Ricardo Nunes, Alessandro Laroca, Alejandro Quevedo, Carlos Honc, Roland N. Thai, Rudy Pi, Adam Sawelson V

Estados Unidos NYFCC Awards

  • Melhor filme estrangeiro: 2003
Estados Unidos Satellite Awards
  • Melhor filme em língua estrangeira: 2003

Indicações[editar | editar código-fonte]

Reino Unido BAFTA

  • Melhor filme em língua estrangeira: 2003

Dinamarca Bodil

  • Melhor filme não-estadunidense: 2004

Estados Unidos Globos de Ouro

  • Melhor filme em língua estrangeira: 2003

Brasil Grande Prêmio Brasileiro de Cinema

  • Melhor ator: Leandro Firmino - 2003
  • Melhor ator coadjuvante: Jonathan Haagensen - 2003
  • Melhor ator coadjuvante: Douglas Silva - 2003
  • Melhor atriz: Roberta Rodrigues - 2003
  • Melhor atriz coadjuvante: Alice Braga - 2003
  • Melhor atriz coadjuvante: Graziela Moretto - 2003
  • Melhor direção de arte: Tulé Peak - 2003
  • Melhor figurino: Bia e Inês Salgado - 2003
  • Melhor maquiagem: Anna Van Steen - 2003
  • Melhor trilha sonora: Antonio Pinto e Ed Cortês - 2003

Estados Unidos Independent Spirit Awards 2004 (Estados Unidos)

  • Melhor filme estrangeiro – Fernando Meirelles

Estados Unidos Óscar

Veja também[editar | editar código-fonte]

Trilha sonora[editar | editar código-fonte]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]