Praça Quinze de Novembro (Rio de Janeiro)

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Vista do Chafariz do Mestre Valentim na Praça 15 de Novembro
Praça 15 de Novembro, com a estátua de dom João VI ao centro. Ao fundo, o Elevado da Perimetral e o prédio da Universidade Candido Mendes.
Largo do Paço em 1830

A Praça 15 de Novembro é um logradouro público situado entre a Estação das Barcas, a Rua 1º de Março, o Arco do Teles e o Paço Imperial, no Centro da cidade do Rio de Janeiro, no Brasil.

Índice

[editar] História

Está localizada na região conhecida, nos primórdios da ocupação das terras da cidade, como Praia da Piaçaba. Foi denominada, originalmente, de Largo do Terreiro da Polé[carece de fontes?], Largo do Carmo[1], Praça do Carmo, Terreiro do Paço e Largo do Paço.

Nela, foi erguido o prédio do Palácio dos Governadores e da Casa da Moeda, futuras instalações do Paço Real e, depois, Imperial. As obras foram iniciadas por ordem do Conde de Bobadela e terminadas em 1745, no governo de Gomes Freire de Andrade. Foi o primeiro imóvel da cidade a ter vidros nas janelas.

No governo do vice-rei dom Luís de Vasconcelos, foi construído o Chafariz do Mestre Valentim, que, inaugurado em 1789, é, até hoje, um dos símbolos da praça. Muitos pensam que o chafariz está com defeito, quando, na realidade, estudos demonstraram que a água que expelia estava erodindo as esculturas e pedras, razão pelo qual foi desligado[carece de fontes?].

Até o início do regime republicano, ali estavam também a Capela Imperial (atual Igreja de Nossa Senhora do Monte do Carmo), a Igreja da Ordem Terceira do Carmo, o Convento do Carmo (prédio da antiga Academia de Comércio, atual Universidade Candido Mendes), razão pela qual a região foi palco de acontecimentos e solenidades significativos para a história do Brasil imperial, como casamentos, batizados, aclamações, coroações e enterros.

Quando da morte da rainha Dona Maria I, em 1816, no antigo prédio do Convento do Carmo, o então Largo do Paço foi o palco onde se desenrolou o funeral real. Com os cariocas todos vestidos de negro, o corpo saiu solenemente do paço, para ser depositado no Convento da Ajuda. Dias depois, aconteceram, na praça e em outros locais determinados da cidade, as cerimônias protocolares da morte de um reinante, a única vez que foram executadas em todo o continente americano.

Em 18 de março de 1870, a câmara da cidade deu-lhe a denominação de Praça de Dom Pedro II. Porém, com a Proclamação da República do Brasil em 15 de novembro de 1889, seu nome foi trocado para a denominação atual, em homenagem à data da proclamação. Nos fins do século XIX, eram oficialmente descritos os seus contornos e limites "pela Rua Dom Manoel, Praça das Marinhas, ruas do Mercado, 1º de Março, 7 de Setembro e da Misericórdia".

Quando foi feita, em 1878, por ordem da Câmara Municipal, a nova numeração dos prédios da cidade, o serviço começou justamente no local, recebendo o Paço Imperial o número sete. Nela, estavam também, em 1878, os prédios da Secretaria de Agricultura, da Agência Nacional de Colonização, a Praça do Mercado e a estação das barcas que navegam para Niterói.

Em 1888, foi defronte do Paço Imperial que ocorreram as maiores comemorações pela assinatura da Lei Áurea. No entanto, logo depois, em 1889, com a Proclamação da República do Brasil, foi o local de onde partiu a família imperial para o exílio. O prédio foi transformado, então, em repartição dos Correios e Telégrafos, sofrendo uma série de reformas que o descaracterizaram. Hoje inteiramente restaurado, é um centro cultural com livrarias, restaurantes e espaços para exposições.

Em 12 de novembro de 1894, foi solemente inaugurado o panteão do General Osório. Encimado por sua estátua equestre, fundida com os bronzes dos canhões apreendidos no Paraguai, uma homenagem da pátria brasileira a um dos heróis da Guerra do Paraguai. No entanto, nos fins do século XX, seus restos mortais foram removidos para Porto Alegre, capital de seu estado natal.

A praça, até o início do século XX, era o ponto principal de desembarque e entrada na cidade.

Em 10 de junho de 1965, foi inaugurada a estátua equestre do rei dom João VI, presente do povo de Portugal à cidade, por ocasião dos festejos do quarto centenário de sua fundação. Foi colocada no local onde teria desembarcado em 1808. Esta estátua é da autoria de Salvador Barata Feyo, um escultor natural de Namibe, em Angola. Uma cópia de semelhante estátua encontra-se na rotunda do Forte de São Francisco Xavier do Queijo, na Praça de Gonçalves Zarco, na cidade do Porto, em Portugal[2]. De acordo com instruções do escultor desta obra, ambas as estátuas deveriam estar voltadas uma para outra, como simbolismo e ligação entre a mesma pessoa (dom João VI) e os dois países (Portugal e Brasil). Essa mesma ligação profunda e desmentível foi mais marcada ainda pela presença de um globo terrestre com a cruz de Cristo por cima, que a figura de dom João leva na sua mão direita. A crer em João Barata Feyo, "...o globo terrestre com a Cruz de Cristo é um símbolo da história de Portugal, que é a descoberta, a conquista, a navegação. Ele leva a sua tradição de rei português. Digamos que Portugal se caracteriza pela aventura que realizou, pela descoberta dos caminhos para a Índia, Brasil. […] Foi uma forma de congregar, na figura de dom João VI, toda a história de Portugal."[2].

No local do antigo Mercado Municipal, ergue-se, hoje, o moderno prédio da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro.

Na década de 1950, foi construída a Avenida Perimetral, que, ligando a Avenida Presidente Vargas ao Parque Brigadeiro Eduardo Gomes, atravessou o local.

[editar] Mergulhão da Praça 15 de Novembro

O Túnel Engenheiro Carlos Marques Pamplona, popularmente denominado Mergulhão da Praça 15, é uma passagem rodoviária subterrânea que passa sob a Avenida Alfredo Agache.

Na década de 1990, foram construídas vias subterrâneas de trânsito que integram o projeto para a demolição da Avenida Perimetral. As pistas subterrâneas devolveram toda a extensão da Praça 15 de Novembro aos pedestres.

Construído entre 1996 e 1997, constitui-se de quatro pistas, sendo duas no sentido Zona Norte e duas no sentido Zona Sul, contando com dois terminais de ônibus, banheiros químicos e escadas rolantes para acesso.

[editar] Bibliografia

  • Carvalho, Ney O.R. - Praça XV e arredores: uma história em cinco séculos - Bolsa do Rio - Rio de Janeiro - 2000;
  • Cavalcanti, J. Cruvello - A nova numeração dos prédios da cidade do Rio de Janeiro - Coleção Memória do Rio 6-I - Prefeitura da Cidade - Rio de Janeiro - s/d - p. 332;
  • MOREIRA, Maria Cristina, ROCHA, José António Oliveira, e MARTINS, Joana, "História e tecnologia: preservação do Património estatuário como identidade cultural luso-brasileira.", Projeto História, Pontifícia Universidade Católica de S. Paulo(PUC-SP), Vol. nº. 34, São Paulo, 2007, p. 69-84.

[editar] Ver também

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[editar] Ligações externas

Referências

  1. Prefeitura do Rio de Janeiro, Portal Geo, Armazém de Dados, Histórias do Rio, 1816, [em linha]
  2. a b MOREIRA, Maria Cristina, ROCHA, José António Oliveira, e MARTINS, Joana, "História e tecnologia: preservação do Património estatuário como identidade cultural luso-brasileira.", Projeto História, Pontifícia Universidade Católica de S. Paulo(PUC-SP), Vol. nº. 34, São Paulo, 2007, p. 69-84.
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