Império de Oyo

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Ilú-ọba Ọ̀yọ́

Império de Oyo

1400 – 1896 Flag of the Southern Nigeria Protectorate.svg [[Protetorado Sul da Nigéria|]]
Localização de Império de Oyo
Império Oyo na sua mais longa extensão
Continente África
Região África Ocidental
País Nigéria
Capital Oyo-Ile
Língua oficial Yoruba
Religião religião Yoruba
Governo Monarquia
Alaafin
 • circa 1400 Oranyan
 • 1888-1905 Adeyemi I Alowolodu
Legislatura Oyo Mesi e Ogboni
Período histórico Idade Média
Idade Moderna
Idade Contemporânea
 • 1400 Fundação
 • 1896 Dissolução
Área
 • 1680[1] 150 000 km2

O Império de Oyo (c. 1400 - 1835) - em português também grafado Oió - foi um império da África Ocidental situado onde é hoje o sudoeste da Nigéria e o sudeste do Benim. O império foi fundado por iorubás no século XV e cresceu para se tornar um dos maiores estados do Oeste africano. Sua riqueza foi construída através do comércio (sobretudo de escravos) e de uma poderosa cavalaria. Foi o estado mais importante na região de meados do século XVII ao final do século XVIII, dominando não só outras monarquias da Iorubalândia mas também outras monarquias africanas, sendo a mais notável o reino Fon do Daomé, localizado no que é hoje o Benim.

Origem Mítica[editar | editar código-fonte]

Cabeça em bronze do rei de Ifé no Museu Britânico.

O segundo príncipe do reino iorubá de Ifé, Oranyan, fez um acordo com o irmão de lançar uma incursão punitiva sobre os seus vizinhos do norte por estes haverem insultado seu pai, oba Oduduwa, o primeiro Ooni de Ifé. No caminho para a batalha, os irmãos brigaram e o exército foi dividido.[2] A tropa de Oranyan não era suficientemente grande para fazer um ataque com êxito, então eles vagaram pela costa sul até chegar a Bussa. Foi lá que o chefe local recepcionou-o e forneceu-lhe uma grande serpente com um encanto mágico amarrado à sua garganta.

O chefe orientou Oranyan para acompanhar a cobra até que ela parasse em algum lugar por sete dias e desaparecesse no solo. Oranyan seguiu os conselhos e fundou Oyo onde a serpente parou. Oranyan fez de Oyo seu novo reino e tornou-se o primeiro oba com o título de "Alaafin de Oyo" (Alaafin significa "dono do palácio" em Yoruba), deixando todos os seus tesouros em Ife e permitindo que um outro rei chamado Adimu reinasse ali.[3]

Período Inicial[editar | editar código-fonte]

Oranyan, o primeiro oba (rei) de Oyo, foi sucedido pelo oba Dadá Ajaká, alaafin de Oyo. Este oba foi deposto porque era desprovido de força militar e porque permitiu demasiada independência a seus subchefes. A liderança foi, então, conferida ao irmão de Ajaka, Sango (também conhecido como Shango, Xangô, Chango, Nago Shango e Jakuta), que, mais tarde, foi divinizado como a deidade dos trovões e relâmpagos. Ajaka foi reabilitado após a morte de Sango. Ajaka retornou ao trono pronto para a luta e profundamente tirano. Seu sucessor, Kori, conseguiu conquistar o resto do que, mais tarde, os historiadores chamaram de "Oyo metropolitana".[3]

Oyo-Ile[editar | editar código-fonte]

Uma análise da velha área delimitada do Palácio de Oyo[4]

O coração da Oyo metropolitana foi a sua capital Oyo-Ile, também conhecida como Katunga, Velha Oyo e Oyo-oro.[5] As duas estruturas mais importantes em Oyo-Ile eram o afin (palácio do oba) e o seu mercado. O palácio ficava no centro da cidade, perto do mercado do oba (Oja-oba). Ao redor da capital, havia uma alta muralha de terra com 17 portas. A grandeza das duas estruturas (o palácio e o Oja Oba) simbolizavam a importância do rei em Oyo.

Ocupação Nupe[editar | editar código-fonte]

Oyo cresceu com uma força interior formidável até o final do século 14. Durante mais de um século, o estado Yoruba tinha se expandido à custa dos seus vizinhos. Depois, durante o reinado de Onigbogi, Oyo sofreu derrotas militares nas mãos dos Nupes conduzidos por Tsoede.[6] Por volta de 1535, os Nupes ocuparam Oyo e forçaram os seus governantes a refugiar-se no reino de Borgu.[7] Os Nupes continuaram saqueando a capital, o que destruiu Oyo como potência regional até o início do século 17.[8]

Período Imperial[editar | editar código-fonte]

Oyo atravessou um interregno de 80 anos com sua nobreza exilada depois da sua derrota pelos Nupes. Oyo reemergiu então, mais centralizado e expansivo do que nunca. Não estavam mais satisfeitos simplesmente com a retomada de Oyo, mas com o estabelecimento do seu poder ao longo de um vasto império.[7] Durante o século 17, Oyo começou um longo intervalo de crescimento, tornando-se um grande império.[8] Oyo nunca abrangeu todos os povos de língua yoruba, mas foi, de longe, o mais populoso reino na História Yoruba.[9]

Reconquista e expansão[editar | editar código-fonte]

Império Oyo e estados circundantes c. 1625

A chave para a reconquista Yoruba de Oyo foi um exército mais forte e um governo mais centralizado. Adotando o exemplo de seus inimigos tapas (o termo iorubá para "nupes"), os iorubas rearmaram-se não só com armaduras mas também com cavalaria.[7] Oba Ofinran, Alaafin de Oyo, conseguiu recuperar a Oyo original do território dos Nupe.[6] Uma nova capital, Oyo-Igboho, foi construída, e a original ficou conhecida como Velha Oyo.[6] O próximo oba, Egonoju, conquistou quase totalmente a Iorubalândia.[6] Depois disto, oba Orompoto conduziu ataques destrutivos ao reino Nupe para garantir que Oyo nunca fosse ameaçado por eles novamente.[6]

Durante o reinado de oba Ajiboyede, aconteceu o primeiro festival Bere, um evento que manteria muita significação entre os Yoruba mesmo depois da queda de Oyo.[6] E foi com o seu sucessor, Abipa, que os Yoruba repovoaram Oyo-Ile.[6] Apesar de uma tentativa falha de conquistar o Império do Benim entre 1578 e 1608,[6] Oyo continuou a expandir-se. Os Yoruba deram autonomia ao sudeste da Oyo metropolitana, onde as áreas não Yoruba poderiam funcionar como um divisor entre Oyo e o império do Benim.[10] Até o final do século 16, os estados Ewe e Aja da moderna Benim foram pagadores de tributo a Oyo.[11]

As Guerras Daomeanas[editar | editar código-fonte]

O revigorado Império de Oyo começou incursões em direção ao sul em meados de 1682.[12] Até o final de sua expansão militar, as fronteiras de Oyo atingiriam aproximadamente 200 milhas para o litoral sudoeste da sua capital.[13] Encontrou muito pouca oposição séria, depois do seu fracasso contra o Benim, até o início do século 18. Em 1728, o Império de Oyo invadiu o Reino do Daomé em uma grande e amarga campanha.[12] A força que invadiu Daomé foi inteiramente composta de cavalaria.[14] O Daomé não possuía cavalaria, mas possuía muitas armas de fogo. Essas armas de fogo se revelaram eficazes, assustando os cavalos da cavalaria de Oyo e impedindo-lhes a carga.[15] O exército do Daomé também construiu fortificações com trincheiras, que forçaram o exército de Oyo a lutar como infantaria.[16] A batalha durou quatro dias, mas os Yoruba foram finalmente vitoriosos depois que os seus reforços chegaram.[16] O Daomé foi, então, obrigado a pagar tributo para Oyo. Este não seria o combate final, contudo, e os Yoruba invadiriam o Daomé um total de sete vezes antes de que a pequena monarquia daomeana fosse totalmente subjugada em 1748.[17]

Declínio[editar | editar código-fonte]

Muitos acreditam que o declínio do império começou em 1754 com as intrigas dinásticas e os golpes de estado patrocinados pelo primeiro-ministro Bashorun Gaha. Em 1796, uma revolta iniciada em Ilorin contra Awole (o Àláàfin, ou governante de Oyo) foi comandada por Afonjá (o Aare Ona Kakanfo, ou comandante supremo das forças armadas de Oyo). Esta revolta, que levou à separação de Ilorin, marcou o começo da desintegração do Império de Oyo, tão logo outros estados vassalos começaram a seguir o exemplo de Ilorin. Para assegurar apoio à sua causa, Afonjá recorreu à ajuda de um professor fulani itinerante chamado Alim al-Salih, visando a garantir a adesão dos iorubas muçulmanos e voluntários hauçás e fulanis do norte, levando eventualmente à destruição de Oyo Ilê pelos fulanis em 1835 e consequentemente à extinção do Império de Oyo. Enquanto isso, em 1823, o reino do Daomé realizou incursões a territórios de Oyo visando a capturar escravos para serem vendidos. Oyo, então, exigiu um pesado tributo do rei Gezo do Daomé como reparação. O rei Gezo enviou seu agente brasileiro, Francisco Félix de Sousa, para negociar a paz. Na impossibilidade de se chegar a um acordo, Oyo atacou o Daomé e foi derrotado, o que encerrou a dominação de Oyo sobre o reino do Daomé. Este, por sua vez, continuou seus ataques sobre o território de Oyo.

Após a destruição da capital Oyo Ilê, a capital foi transferida para o sul, para a cidade de Ago d'Oyo. O oba Atiba tentou preservar o que restava de Oyo encarregando a cidade de Ibadan de proteger a capital dos ataques de Ilorin vindos do norte e do nordeste. Ele também tentou fazer com que a cidade de Ijaye protegesse a capital dos ataques dos daomeanos vindos do oeste. O centro iorubá de poder moveu-se então para o sul, para a cidade de Ibadan, que havia sido fundada pelos militares de Oyo em 1830. Porém os planos de Atiba fracassaram, e Oyo nunca mais readquiriu seu poder. Em 1888, se tornou um protetorado da Grã-Bretanha. A partir de 1896, perdeu qualquer forma de poder.

Commons
O Commons possui imagens e outras mídias sobre Império de Oyo

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. Thornton 1998, p. 104.
  2. Stride & Ifeka 1971 p. 290
  3. a b Stride & Ifeka 1971, p. 291
  4. http://csweb.bournemouth.ac.uk/africanlegacy/index.htm Fotos da Velha Oyo
  5. Goddard 1971, pp. 207-211.
  6. a b c d e f g h Stride & Ifeka p. 292
  7. a b c Oliver & Atmore 2001, p. 89.
  8. a b Thornton 1999, p. 77.
  9. Alpern 1998, p. 37.
  10. Stride & Ifeka 1971, p. 296.
  11. Stride & Ifeka 1971, p. 293.
  12. a b Thornton 1999, p. 79.
  13. Smith 1989, p. 122.
  14. Smith 1989, p. 48.
  15. Thornton 1999, p. 82.
  16. a b Thornton 1999, p. 86.
  17. Alpern 1998, p. 165.

Referências[editar | editar código-fonte]

  • Alpern, Stanley B. (1998). Amazons of Black Sparta: The Women Warriors of Dahomey New York University Press [S.l.] ISBN 0814706789. 
  • Bascom, William (Aug., 1962). «Some Aspects of Yoruba Urbanism». American Anthropologist [S.l.: s.n.] 64 (4): 699–709. doi:10.1525/aa.1962.64.4.02a00010. 
  • Goddard, Stephen (Jun., 1971). «Ago That became Oyo: An Essay in Yoruba Historical Geography». The Geographical Journal [S.l.: s.n.] 137 (2): 207–211. doi:10.2307/1796741. 
  • Erro em Lua em Módulo:Citação/CS1 na linha 2140: attempt to call upvalue 'year_date_check' (a nil value).
  • Oliver, Roland (1975). The Cambridge History of Africa (Cambridge: Cambridge University Press). ISBN 0-52120-981-1. 
  • Oliver, Roland & Anthony Atmore (2001). Medieval Africa 1250-1800 (Cambridge: Cambridge University Press). ISBN 0-52179-372-6. 
  • Smith, Robert S. (1989). Warfare & Diplomacy in Pre-Colonial West Africa Second Edition (Madison: University of Wisconsin Press). ISBN 0-29912-334-0. 
  • Stride, G.T. & C. Ifeka (1971). Peoples and Empires of West Africa: West Africa in History 1000-1800 (Edinburgh: Nelson). ISBN 0-17511-448-X. 
  • Thornton, John K. (1999). Warfare in Atlantic Africa 1500-1800 (London and New York: Routledge). ISBN 1-85728-393-7. 
  • Thornton, John (1998). Africa and Africans in the Making of the Atlantic World, 1400-1800 (Second Edition) (Cambridge: Cambridge University Press). pp. 340 Pages. ISBN 0-52162-724-9. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]