Rua das Flores (Curitiba)

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Ruas e Avenidas de Curitiba
Placa xv de novembro.PNG
Bairros
Centro
Alto da XV
Início
Rua Ébano Pereira - Centro
Término
Av. Mal. Humberto de Alencar Castelo Branco - Alto da XV
Extensão
3.300 metros
Denominação Anterior
Rua da Imperatriz
Lei Orgânica e Data
Lei orgânica - [carece de fontes?]
data - 1889
Representação Gráfica
Repres graf xv de nov.JPG
Panorama da rua.

Rua das Flores é o nome pelo qual ficou conhecido o trecho inicial da Rua XV de Novembro, juntamente com a avenida Luiz Xavier, no centro da cidade de Curitiba, capital do Paraná. Foi a primeira grande via pública exclusiva para pedestres do Brasil, inaugurada em 1972.

É caracterizada por edifícios e sobrados centenários, bares turísticos e canteiros de flores em toda a sua extensão. Um dos seus prédios mais notáveis é o Palácio Avenida e ao final do calçadão esta localizado uma das principais entidades do estado: a Associação Comercial do Paraná.

A rua das Flores é palco de artistas de rua, como palhaços que interagem com os passantes, músicos e homens-estátua.

Dentre esses artistas, encontram-se figuras já imortalizadas na cena curitibana, mas que ainda causam riso ou receio de quem não costuma passar por ali. Tais como o Oilman, o pseudônimo usado por Nelson Rebello, um ex-professor que há anos passa óleo pelo corpo, veste uma sunga e sai andando de bicicleta por toda cidade, principalmente pela rua XV; ou o Plá, o apelido de Ademir Antunes, o "maluco-beleza" curitibano. Compositor, cantor e poeta, estende panos na calçada para as pessoas assinarem, e depois transforma-os em vestes; e o palhaço Sombra, personagem de Jackson Baeza, que fica ao lado do Bondinho da XV, imitando os transeuntes.

É nesta rua que se situa também a Boca Maldita, local que congrega o encontro dos Cavaleiros da Boca Maldita de Curitiba.

A Rua das Flores/Rua XV de Novembro é um patrimônio da população paranaense, tombada como Paisagem por lei estadual do Paraná desde 1974.[1][2]

Rua XV de Novembro[editar | editar código-fonte]

A Rua XV de Novembro é uma denominação clara do espírito republicano que varreu a monarquia no final do século XIX, já que esta rua possuía o nome de Rua Imperatriz, desde 1880, quando a então capital provinciana recebeu a visita dos soberanos. Entre 1850 e 1880, era chamado de Rua das Flores, apelido até hoje utilizado para o trecho que virou calçadão, no início da década de 1970.

Em 20 de maio de 1972, parte da rua foi fechado para a circulação de automóveis, tornando-se exclusiva para pedestres, numa das principais obras do primeiro mandato do prefeito Jaime Lerner.[3]

O lado mais conhecido da XV de Novembro é seu espaço turístico, chamado de calçadão da Rua das Flores, porém, esta via centenária é uma referência para os curitibanos, não somente pela sua importância histórica, mas porque nela encontramos alguns dos mais importantes prédios da cidade, como o Palácio Avenida, o prédio histórico da UFPR, o Teatro Guaíra, a Reitoria da UFPR.[4]

Características[editar | editar código-fonte]

A Rua XV atravessa dois bairros da cidade, com início no Centro, no encontro com a Rua Ébano Pereira e a Travessa Oliveira Belo, e o seu final é no bairro Alto da Rua XV, no viaduto da Praça das Nações, na interseção com a Avenida Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco.

Ao longo dos 3.300 metros de comprimento, encontra-se uma grande diversificação em seus imóveis, já que no calçadão há uma predominância de endereços comerciais, e após o prédio da UFPR verifica-se uma mescla de pontos comerciais com edifícios residências. No bairro do Alto da Rua XV, a rua convive com grandes empreendimentos comerciais ao lado de inúmeras residências.

História[editar | editar código-fonte]

Sendo considerada a principal artéria de Curitiba, pelos aspectos turísticos e históricos, esta rua foi palco de manifestações sócio-políticas no decorrer do crescimento da capital,e o próprio ato de sua denominação foi o mais autêntico manifesto paranaense pelo início da república no Brasil. A Rua das Flores já foi nomeadacomo Rua da Imperatriz, porém, em 1889, poucos dias após a Proclamação da República, em 15 de novembro, os camaristas de Curitiba homenagearam o feito do marechal Deodoro da Fonseca, rebatizando a via para o nome atual.

Seu calçamento foi discutido entre 1965 e 1972. Os comerciantes da região temiam que a intervenção na rua mais importante do centro, condenasse a região ao abandono, enquanto os donos de automóveis achavam inadmissível a prefeitura fechar o tráfego de automóveis e construir uma praça linear. Barricadas durante o dia eram montadas pela administração municipal para impedir o tráfego, contudo a noite os motoristas e comerciantes da região as retiravam. [5]

Com isso a prefeitura iniciou as obras de calçamento em um final de semana, impedindo que mandados de segurança fossem requeridos pelos comerciantes. Foi numa noite de sexta-feira que caminhões descarregaram as pedras para calçar a rua, e a obra foi executada naquele fim de semana. Terminado o calçamento, os operários plantaram as árvores adultas e fixaram as floreiras.[5]

A imprensa começou a atacar a prefeitura, alegando que que o calçamento ofendia a "moralidade da Revolução de 1964. Além disso, havia um medo na prefeitura que o comandante da 5.ª Região Militar considerasse o calçadão como uma obra inútil.[5]

Uma semana depois, um clube de automobilismo organizou um protesto na Rua das Flores. A intenção era que no sábado seguinte à realização da obra, automóveis antigos invadissem o calçadão, e que motoristas que passavam pelo centro fossem convidados a acompanhá-los. Porém a prefeitura agiu rápido e criou uma atividade infantil no local. Antes da hora prevista do protesto, os funcionários da prefeitura esticaram um rolo de papel no calçadão e distribuíram tintas para as crianças que iam passando. O líder do movimento subiu com o carro na calçada e parou quando percebeu que havia dezenas de crianças agachadas desenhando. Foi o fim do protesto, porém os comerciantes, donos dos automóveis e parte da imprensa queriam a substituição do prefeito, o que não ocorreu.[5]

Contudo, os dias passaram e a população que andava pelo centro começou a desviar seu trajeto simplesmente para olhar as flores e caminhar pela praça linear. Com mais gente andando pela Rua XV de Novembro, o comércio aumentou e oscomerciantes que antes reclamavam, perceberam o impacto positivo do calçamento para seus negócios.[5]

Imagens da Rua XV de Novembro[editar | editar código-fonte]

Rua XV de Novembro na primeira década do século XXI. Aspecto da Rua XV de Novembro em 1896. Nesta data a antiga Rua da Imperatriz sustentava sua nova denominação por somente 7 anos. Um dos mais antigos instantâneos da atual Rua XV de Novembro. Foto de 1870 do trecho (na atualidade) entre a rua Monsenhor Celso e a rua Barão do Rio Branco. A antiga rua da Imperatriz em 1877 na região da atual esquina com a Rua Barão do Rio Branco.
Rua-XV.jpg Rua XV de Novembro em 1896 Curitiba.jpg Rua xv de novembro em 1870.jpg Rua xv de novembro em 1877.jpg

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Paisagens possíveis Gazeta do Povo - acessado em 22 de novembro de 2010
  2. Coordenadoria do Patrimônio Cultural Secretaria de Estado da Cultura - SEEC - acessado em 22 de novembro de 2010
  3. Sobre as “Flores” Jornal Gazeta do Povo - edição comemorativa de n° 30.000 - acessado em 8 de dezembro de 2012
  4. «Paisagem Urbana da Rua XV de Novembro». Secretaria da Cultura do Paraná. Consultado em 28 de junho de 2019 
  5. a b c d e DUDEQUE, Irã Taborda. Nenhum Dia Sem Uma Linha: Uma História do Urbanismo em Curitiba. São Paulo: Studio Nobel, 2010. p. 232 e 233.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • NICOLAS, Maria. Almas das Ruas: Cidade de Curitiba. Curitiba, vols. 1 e 2.
  • HOERNER Jr,Valério. Ruas e Histórias de Curitiba. 2° ed.Curitiba, Artes & Textos. 2002. 183p
  • DUDEQUE, Irã Taborda. Nenhum Dia Sem Uma Linha: Uma História do Urbanismo em Curitiba. São Paulo: Studio Nobel, 2010. p. 232 e 233.