Rua das Flores (Curitiba)

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Ruas e Avenidas de Curitiba
Placa xv de novembro.PNG
Bairros
Centro
Alto da XV
Início
Rua Ébano Pereira - Centro
Término
Av. Mal. Humberto de Alencar Castelo Branco - Alto da XV
Extensão
3.300 metros
Denominação Anterior
Rua da Imperatriz
Lei Orgânica e Data
Lei orgânica - [carece de fontes?]
data - 1889
Representação Gráfica
Repres graf xv de nov.JPG
Panorama da rua.

Rua das Flores é o nome pelo qual ficou conhecido o trecho inicial da Rua XV de Novembro, juntamente com a avenida Luiz Xavier, no centro da cidade de Curitiba, capital do Paraná. Foi a primeira grande via pública exclusiva para pedestres do Brasil, inaugurada em 1972.

É caracterizada por edifícios e sobrados centenários, bares turísticos e canteiros de flores em toda a sua extensão. Um dos seus prédios mais notáveis é o Palácio Avenida e ao final do calçadão esta localizado uma das principais entidades do estado: a Associação Comercial do Paraná.

A rua das Flores é palco de artistas de rua, como palhaços que interagem com os passantes, músicos e homens-estátua.

Dentre esses artistas, encontram-se figuras já imortalizadas na cena curitibana, mas que ainda causam riso ou receio de quem não costuma passar por ali. Tais como o Oilman, o pseudônimo usado por Nelson Rebello, um ex-professor que, há mais de 10 anos, passa óleo pelo corpo, veste uma sunga e sai andando de bicicleta por toda cidade, principalmente pela rua XV; ou o Plá, o apelido de Ademir Antunes, o "maluco-beleza" curitibano. Compositor, cantor e poeta, estende panos na calçada para as pessoas assinarem, e depois transforma-os em vestes; e o palhaço Sombra, Jackson Baeza, que fica ao lado do Bondinho da XV, imitando os transeuntes.

É nesta rua que se situa tambem a Boca Maldita, local que congrega o encontro dos Cavaleiros da Boca Maldita de Curitiba.

A Rua das Flores/Rua XV de Novembro é um patrimônio da população paranaense, tombada como Paisagem por lei estadual do Paraná desde 1974.[1][2]

Rua XV de Novembro[editar | editar código-fonte]

A Rua XV de Novembro é uma denominação clara do espírito republicano que varreu a monarquia no final do século XIX, já que esta rua possuía o nome de Rua Imperatriz desde 1880 quando a então capital provinciana recebeu a visita dos soberanos. Entre 1850 e 1880 a rua era chamado de Rua das Flores e este “apelido” ainda hoje é muito utilizado para o trecho da “XV” que virou calçadão no início dos anos de 1970.

Em 20 de maio de 1972 a rua foi fechado para a circulação de automóveis, tornando-se exclusivo para pedestres, numa das principais obras do primeiro mandato do então prefeito Jaime Lerner.[3]

O lado mais conhecido da XV de Novembro é, sem dúvida, o seu espaço turístico chamado de “calçadão da Rua das Flores”, porém, esta rua centenária é uma referência para os curitibanos não somente pela sua importância histórica, mas porque nela encontramos alguns dos mais importantes prédios da cidade, como: o Palácio Avenida; o prédio histórico da UFPR; o Teatro Guaíra; a Reitoria da UFPR, entre outros.

Características[editar | editar código-fonte]

A “XV” atravessa dois bairros da cidade, começando no Centro, no encontro com a Rua Ébano Pereira e a Travessa Oliveira Belo e o seu final é no bairro Alto da Rua XV, no viaduto da Praça das Nações, na interseção com a Avenida Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco.

Ao longo dos 3.300 metros de comprimento da “XV”, encontramos uma grande diversificação em seus imóveis, já que no calçadão encontramos uma predominância de endereços comerciais e após o prédio da UFPR verificamos uma mescla de pontos comerciais com edifícios residências. No bairro do Alto da Rua XV a rua convive com grandes empreendimentos comerciais ao lado de inúmeras residências.

História[editar | editar código-fonte]

Sendo considerada a principal artéria de Curitiba, pelos aspectos turísticos e históricos, esta rua foi palco de manifestações sócio-políticas no decorrer do crescimento da capital e o próprio ato de sua denominação foi o mais autêntico manifesto paranaense pelo início da república no Brasil. A “rua das flores” já possuiu outros nomes e o antecessor ao atual era “Rua da Imperatriz”, porém, em 1889, poucos dias após a proclamação da república em 15 de novembro, os camaristas de Curitiba homenagearam o feito do marechal Deodoro da Fonseca com a substituição “da Imperatriz” por o atual nome: Rua XV de Novembro.

O calçamento da Rua XV era discutido desde 1965 e se prolongou até 1972. Os comerciantes da região temiam que o calçamento da rua mais importante do centro condenasse a região ao abandono, enquanto os donos de automóveis achavam inadmissível a prefeitura fechar o tráfico de automóveis e construir uma praça linear. Barricadas durante o dia eram montadas pela administração municipal para impedir o tráfico, contudo a noite os motoristas e comerciantes da região as retiravam. [4]

Com isso a prefeitura iniciou o calçamento da Rua XV de Novembro em um final de semana, impedindo que mandados de segurança fossem requeridos pelos comerciantes contra as obras. Foi sexta feira a noite que caminhões descarregaram as pedras para calçar a rua, e a obra foi feita naquele fim de semana. Terminado o calçamento os operários plantaram as árvores adultas e fixaram as floreiras, e foram embora.[4]

Com isso a imprensa começou a atacar a prefeitura dizendo que que o calçamento da Rua XV de Novembro ofendia a "moralidade da Revolução de 1964" e havia um medo na prefeitura que o comandante da 5.ª Região Militar considerasse o calçadão como uma obra inútil.[4]

Uma semana depois um clube de automobilismo organizou um protesto na Rua das Flores. A intenção era no sábado seguinte a realização da obra, automóveis antigos invadiriam o calçadão e convidariam motoristas que passavam pelo centro a acompanha-los. Porém a prefeitura agiu rápido criando uma atividade infantil na Rua XV. Antes da hora prevista do protesto, os funcionários da prefeitura esticaram um rolo de papel no calçadão e distribuíram tintas para as crianças que iam passando. O líder do movimento subiu com o carro na calçada e parou quando percebeu que havia dezenas de crianças agachadas desenhando. Foi o fim do protesto, porém os comerciantes, donos dos automóveis e parte da imprensa queriam a substituição do prefeito, o que não ocorreu.[4]

Contudo, os dias iam passando e a população que andava pelo centro começou a desviar seu trajeto simplesmente para olhar as flores e caminhar pela praça linear. Com mais gente andando pela XV o comércio aumentou, e antes os mesmos comerciantes que reclamavam perceberam o impacto positivo do calçamento para seus negócios.[4]

Imagens da Rua XV de Novembro[editar | editar código-fonte]

Rua XV de Novembro na primeira década do século XXI. Aspecto da Rua XV de Novembro em 1896. Nesta data a antiga Rua da Imperatriz sustentava sua nova denominação por somente 7 anos. Um dos mais antigos instantâneos da atual Rua XV de Novembro. Foto de 1870 do trecho (na atualidade) entre a rua Monsenhor Celso e a rua Barão do Rio Branco. A antiga rua da Imperatriz em 1877 na região da atual esquina com a Rua Barão do Rio Branco.
Rua-XV.jpg Rua XV de Novembro em 1896 Curitiba.jpg Rua xv de novembro em 1870.jpg Rua xv de novembro em 1877.jpg

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Paisagens possíveis Gazeta do Povo - acessado em 22 de novembro de 2010
  2. Coordenadoria do Patrimônio Cultural Secretaria de Estado da Cultura - SEEC - acessado em 22 de novembro de 2010
  3. Sobre as “Flores” Jornal Gazeta do Povo - edição comemorativa de n° 30.000 - acessado em 8 de dezembro de 2012
  4. a b c d e DUDEQUE, Irã Taborda. Nenhum Dia Sem Uma Linha: Uma História do Urbanismo em Curitiba. São Paulo: Studio Nobel, 2010. p. 232 e 233.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • NICOLAS, Maria. Almas das Ruas: Cidade de Curitiba. Curitiba, vols. 1 e 2.
  • HOERNER Jr,Valério. Ruas e Histórias de Curitiba. 2° ed.Curitiba, Artes & Textos. 2002. 183p
  • DUDEQUE, Irã Taborda. Nenhum Dia Sem Uma Linha: Uma História do Urbanismo em Curitiba. São Paulo: Studio Nobel, 2010. p. 232 e 233.