Jardim Zoológico de Curitiba
Jardim Zoológico de Curitiba | |
|---|---|
| Girafas do Zoológico em 1998 | |
| Localização | Curitiba, Paraná |
| País | Brasil |
| Região do Brasil | Sul |
| Estado | Paraná |
| Município | Curitiba |
| Tipo | Zoológico |
| Área | 589 000 m²[1] |
| Inauguração | 28-3-1982[2] |
| Administração | Prefeitura de Curitiba |
| Nº de visitas anuais | 650 000[3] |
O Jardim Zoológico de Curitiba é um zoológico localizado na cidade de Curitiba, capital do estado brasileiro do Paraná. Está situado dentro do Parque Regional do Iguaçu, o maior parque urbano do país, com 8 milhões de metros quadrados e considerado um santuário ecológico para muitas espécies. O Parque é cortado pelo rio Iguaçu, que forma campos inundados e matas ciliares em suas margens, além de bosques naturais.[4]
História
[editar | editar código]O atual Jardim Zoológico de Curitiba integra o Parque Regional do Iguaçu e sucedeu o antigo acervo mantido no Passeio Público, inaugurado em maio de 1886 e que, ao longo do século XX, passou a apresentar limitações para a manutenção de animais de grande porte.[5] As primeiras iniciativas para um novo zoológico datam de março de 1975, quando a Prefeitura desapropriou área anexa ao Parque Municipal da Barreirinha por meio do Decreto n.º 164/75, com a intenção de transferir os grandes mamíferos do Passeio Público.[6] Com a criação do Parque Regional do Iguaçu em 1976, o projeto migrou para a nova área, concebida também para controle de cheias e oferta de lazer, incluindo o canal interligando cavas de extração de areia.[7]
O zoológico foi inaugurado em 28 de março de 1982, com a transferência dos grandes animais do Passeio Público para as novas instalações no Parque Iguaçu.[8] No mesmo período, funcionou um sistema de transporte aquático pelo Canal Inter-cavas, com os barcos “Serelepe” (linhas regulares) e “Arca do Iguaçu” (embarcação maior com serviços de bordo).[9][10] Chuvas intensas em maio de 1983 evidenciaram a necessidade de obras adicionais de drenagem no rio Iguaçu.[11] A “Arca do Iguaçu” foi posteriormente restaurada e reaberta como espaço expositivo em 1990; o “Serelepe” chegou a ser reativado, mas acabou descontinuado por questões de segurança no percurso.[12] Em 1991 foi anunciada a proposta de um “Mini-Pantanal” entre a Av. Marechal Floriano e o zoológico, que não chegou a ser implantada.[13]
No balanço do primeiro quarto de século (até 2007), o Zoológico de Curitiba registrava cerca de 2.000.[14]
Infraestrutura
[editar | editar código]O zoológico ocupa uma área de 589 mil m² e possui exemplares da fauna de todas as partes do mundo. São leões, tigres, chimpanzés, hipopótamos, girafas, zebras, camelos, grous, ariranhas e dezenas de outras espécies, que representam aproximadamente 1.500 animais[15] (número de 2017[16]). Com as condições ideais de tratamento, a instituição possibilita a reprodução em cativeiro de animais como a lontra, o bisão, o lobo-guará, a arara-de-colar e a ararajuba.
Educação ambiental e conservação
[editar | editar código]O Jardim Zoológico de Curitiba mantém programas de educação ambiental e ações de manejo voltadas à conservação. Em 4 de fevereiro de 1990 foram entregues a “Arca do Iguaçu”, restaurada como espaço expositivo sobre o rio Iguaçu, e a Casa de Educação Ambiental, que já funcionava desde outubro de 1989 com atividades de orientação ao visitante e materiais didáticos.[17] No mesmo período, o barco “Serelepe” voltou a operar em fins de semana, conectando o Parque Náutico ao zoológico.[18] Em 1991 foi implantada, ao lado do zoológico, a Casa do Acantonamento, alojamento para participantes dos programas de educação ambiental da prefeitura.[19]
No campo da conservação, o zoológico registrou reproduções em cativeiro em diferentes períodos. A documentação inclui experiências de inseminação artificial em jaguatirica e registros de nascimentos de diversas espécies entre 1997 e 1998, associados a melhorias de manejo e instalações.[20]
Para visitação
[editar | editar código]Para os visitantes, além dos animais expostos em recintos apropriados, o zoo oferece o "Centro de Educação Ambiental", onde acontecem aulas de educação ambiental e um pequeno acervo de animais nativos taxidermizados (empalhados).[4] Também tem a "Casa do Acantonamento", que entre outras atividades, fornece, ou mantem, uma equipe especializada para atividades com alunos de escolas, elabora oficinas ambientais internas e externas, visitas orientadas como o "Noite no Zôo" ou atividades externas, como "Teatro na Escola" ou o "Zôo vai à Escola".
Lanchonetes, banheiros, abrigos e um mirante de 40 metros de altura completam a infraestrutura, além de um amplo estacionamento.
Com toda esta estrutura, o zoo de Curitiba está classificado entre os 5 maiores zoológicos do Brasil.[4]
Animais
[editar | editar código]O Zoológico de Curitiba mantém um plantel diverso, com registros de reprodução em cativeiro de espécies ameaçadas, resgates oriundos de circos e transferências interinstitucionais.
Reprodução em cativeiro
[editar | editar código]No fim de 2010, nasceram no parque dois filhotes de lontra-neotropical (Lontra longicaudis), machos batizados de Adolfo e Astolfinho, e um filhote de babuíno. Trata-se de espécie ameaçada e com baixa taxa de reprodução em cativeiro. O zoológico foi um dos primeiros do país a obter êxito na espécie, com o primeiro nascimento no início da década de 1990.[21] Em 2020, voltou a ocorrer nascimento de lontra: Iberê, filhote do casal Bella e Canauã.[22] Também em 2020 houve novo registro de muriqui-do-sul (mono-carvoeiro), espécie ameaçada; o filhote, nascido em março, é o quarto do casal Aguirre e Fernanda, e o zoológico figura entre as duas instituições brasileiras com programa reprodutivo ativo, ao lado do Zoológico de Sorocaba.[23][24]
Resgates e incorporações
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O pai do babuíno nascido em 2010 havia sido incorporado ao plantel em 2008, entregue pelo IBAMA após resgate de um circo de Foz do Iguaçu, onde sofria maus-tratos.[25] Em 2008, o chimpanzé Bob passou a viver no parque após resgate de circo em Pomerode (SC).[26] Em 2011, o tigre-de-bengala Shogun (2002–2013) foi doado pelo Beto Carrero World devido a problemas de saúde, passando a receber cuidados no recinto de grandes felinos.[27] Em 2014, o leão Rawell foi entregue ao zoológico pelo IBAMA após um caso de sequestro com repercussão nacional; após a morte de Simba, Rawell tornou-se o principal felino do local.[28][29][30][31] Em 2014, também chegou o tigre Tom (c. 2000–2021), entregue voluntariamente ao IBAMA por tutores particulares após a adoção ainda filhote no contexto da lei federal n.º 7.291-A sobre circos; tornou-se um dos animais mais visitados, teve três filhotes e um deles participou da novela Amor Eterno Amor.[32]
A população de hipopótamos inclui o macho Dino, transferido do zoológico de Sapucaia (RS) em 1997, Charlene (2003–) e as filhas Penélope II (2013–) e Glória (2013–). Há registros de rejeição de filhotes por Charlene em gestações anteriores.[33][34][35]
O plantel de grandes felinos incluiu ainda as onças Maia e Apolo, transferidas de Manaus, e o filhote Áries, nascido no parque em 2008.[36]
Óbitos e incidentes
[editar | editar código]Em 16 de agosto de 2011, morreu de causas naturais a chimpanzé Imperatriz (1964–2011), moradora desde 1981 após resgate de circo; desde 2009, dividia o recinto com Bob.[37][38] Em 2013, 19 antílopes (16 fêmeas e três machos), mantidos no parque desde 1998, morreram durante a transferência de recinto; a prefeitura abriu investigação.[39][40] Em 2019, o urso-de-óculos Andy (2005–2019) morreu aos 14 anos em decorrência de complicações cirúrgicas; vivia no parque desde 2006 após transferência de um zoológico do interior de São Paulo.[41][42] Em 2013, morreu o tigre Shogun (2002–2013).[43] Em 2020, foi noticiado o óbito do leão Simba (2002–2020), resgatado ainda filhote e incorporado ao plantel em 2002; em 2006, ele e a fêmea Diana tiveram os irmãos Leo, Leona e Nala, batizados após campanha promovida pela RPC TV.[44][45]
Galeria de espécies
[editar | editar código]Abaixo, uma seleção de imagens representativas do acervo do zoológico, com nome comum e científico. A prioridade foi dada a espécies emblemáticas e/ou nativas.
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Caracará (Caracara plancus)
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Arara-azul-e-amarela (Ara ararauna)
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Cisne-negro (Cygnus atratus)
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Curicaca (Theristicus caudatus)
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Urso-de-óculos (Tremarctos ornatus)
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Hipopótamo (Hippopotamus amphibius)
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Pavão-indiano (Pavo cristatus)
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Jaguatirica (Leopardus pardalis)
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Anta-brasileira (Tapirus terrestris)
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Avestruz (Struthio camelus)
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Veado-pantaneiro (Blastocerus dichotomus)
Referências
- ↑ «Zoológico de Curitiba». Prefeitura de Curitiba – Meio Ambiente. Consultado em 20 de outubro de 2025
- ↑ «Zoo faz 39 anos e se consolida como centro de conservação». Prefeitura de Curitiba. 26 de março de 2021. Consultado em 20 de outubro de 2025
- ↑ «Zoológico de Curitiba está aberto para visitas». Muralzinho de Ideias. Consultado em 20 de outubro de 2025
- ↑ a b c Zoológico e Passeio Público Secretaria Municipal do Meio Ambiente - acessado em 4 de agosto de 2020
- ↑ Manoel Lucas Javorouski; Silvio Alexandre Biscaia (2007). A História do Zoológico Municipal de Curitiba. Curitiba: Faculdade Padre João Bagozzi. p. 6, 9
- ↑ Manoel Lucas Javorouski; Silvio Alexandre Biscaia (2007). A História do Zoológico Municipal de Curitiba. Curitiba: Faculdade Padre João Bagozzi. p. 22–23
- ↑ Manoel Lucas Javorouski; Silvio Alexandre Biscaia (2007). A História do Zoológico Municipal de Curitiba. Curitiba: Faculdade Padre João Bagozzi. p. 16–18
- ↑ Manoel Lucas Javorouski; Silvio Alexandre Biscaia (2007). A História do Zoológico Municipal de Curitiba. Curitiba: Faculdade Padre João Bagozzi. p. 6
- ↑ Manoel Lucas Javorouski; Silvio Alexandre Biscaia (2007). A História do Zoológico Municipal de Curitiba. Curitiba: Faculdade Padre João Bagozzi. p. 18–19
- ↑ Zoo comemora 37 anos com educação ambiental e conservação Portal de Notícias da PMC - acessado em 4 de agosto de 2020
- ↑ Manoel Lucas Javorouski; Silvio Alexandre Biscaia (2007). A História do Zoológico Municipal de Curitiba. Curitiba: Faculdade Padre João Bagozzi. p. 19
- ↑ Manoel Lucas Javorouski; Silvio Alexandre Biscaia (2007). A História do Zoológico Municipal de Curitiba. Curitiba: Faculdade Padre João Bagozzi. p. 20
- ↑ Manoel Lucas Javorouski; Silvio Alexandre Biscaia (2007). A História do Zoológico Municipal de Curitiba. Curitiba: Faculdade Padre João Bagozzi. p. 20
- ↑ Manoel Lucas Javorouski; Silvio Alexandre Biscaia (2007). A História do Zoológico Municipal de Curitiba. Curitiba: Faculdade Padre João Bagozzi. p. 6–7
- ↑ O dragão invade o zoológico Gazeta do Povo - domingo, 5 de dezembro de 2010
- ↑ Uma equipe especializada cuida da alimentação dos mais de 1500 animais que vivem no Zoológico de Curitiba RIC Mais - acessado em 4 de agosto de 2020
- ↑ Manoel Lucas Javorouski; Silvio Alexandre Biscaia (2007). A História do Zoológico Municipal de Curitiba. Curitiba: Faculdade Padre João Bagozzi
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- ↑ «Lontras e babuíno, novos moradores do Zoo». Paraná-Online. 7 de dezembro de 2010. Consultado em 20 de outubro de 2025
- ↑ «Zoo de Curitiba comemora nascimento de filhote de lontra». Agência da Notícia. Consultado em 20 de outubro de 2025
- ↑ «Zoo de Curitiba comemora nascimento de macaco monocarvoeiro, espécie ameaçada de extinção». G1 Paraná. 29 de abril de 2020. Consultado em 20 de outubro de 2025
- ↑ «Comemorada a chegada de um filhote de mono-carvoeiro, quarto do casal Aguirre e Fernanda». Agência da Notícia. Consultado em 20 de outubro de 2025
- ↑ «Lontras e babuíno, novos moradores do Zoo». Paraná-Online. 7 de dezembro de 2010. Consultado em 20 de outubro de 2025
- ↑ «O chimpanzé Bob foi resgatado de um circo». Gazeta do Povo. Consultado em 20 de outubro de 2025
- ↑ «Morre tigre Shogun do Zoológico de Curitiba». Prefeitura de Curitiba. Consultado em 20 de outubro de 2025
- ↑ «Leão é roubado de criadouro no interior de São Paulo». O Dia. 2 de maio de 2014. Consultado em 20 de outubro de 2025
- ↑ «Leão Rawell chega ao Zoológico de Curitiba». Gazeta do Povo. Consultado em 20 de outubro de 2025
- ↑ «Homem briga na Justiça para recuperar leão roubado há 2 anos». Brasil ao Minuto. Consultado em 20 de outubro de 2025
- ↑ «Leão Simba, do zoológico de Curitiba, morre aos 18 anos». Portal CGN. Consultado em 20 de outubro de 2025
- ↑ «Morre tigre de Curitiba que brilhou no Mais Você em 2012 e foi pai de ator de novela». Paraná Portal. 20 de janeiro de 2021. Consultado em 20 de outubro de 2025
- ↑ «Nasce filhote de hipopótamo no Zoológico de Curitiba». Bonde. Consultado em 20 de outubro de 2025
- ↑ «Festa de 7 anos da hipopótamo Glória no Zoo de Curitiba terá bolo vegetariano». Bem Paraná. Consultado em 20 de outubro de 2025
- ↑ «Filhote de hipopótamo é morto pela própria mãe em zoo de Curitiba, PR». Olhar Animal. Consultado em 20 de outubro de 2025
- ↑ «As onças, Maia e Apolo foram resgatadas em Manaus, na Amazônia». Gazeta do Povo. Consultado em 20 de outubro de 2025
- ↑ «Morre animal mais antigo do Zoológico de Curitiba». Gazeta do Povo. Consultado em 20 de outubro de 2025
- ↑ «Morre animal mais antigo do Zoo de Curitiba». Prefeitura de Curitiba. Consultado em 20 de outubro de 2025
- ↑ «Laudo sobre causa de morte de animais no Zoológico de Curitiba (PR) deve estar pronto em duas semanas». JusBrasil. Consultado em 20 de outubro de 2025
- ↑ «Prefeitura investiga a morte de 19 antílopes no Zoológico de Curitiba». G1 Paraná. Consultado em 20 de outubro de 2025
- ↑ «Urso-de-óculos morre aos 14 anos no Zoológico de Curitiba». G1 Paraná. 6 de abril de 2019. Consultado em 20 de outubro de 2025
- ↑ «Prestes a completar 15 anos, urso-de-óculos Andy morre no Zoológico de Curitiba». CBN Curitiba. Consultado em 20 de outubro de 2025
- ↑ «Morre tigre Shogun do Zoológico de Curitiba». Prefeitura de Curitiba. Consultado em 20 de outubro de 2025
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- ↑ «Três filhotes de leão são os novos moradores do Zoo de Curitiba». Bem Paraná. Consultado em 20 de outubro de 2025
