Rodoferroviária de Curitiba

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Rodoferroviária de Curitiba
Plataformas de embarque da ala interestadual, em meados de 2009.
Uso atual Terminal rodoviário, Terminal ferroviário
Administração URBS
Linhas Rodoviárias
-Nacionais
Paraná
Santa Catarina
Rio Grande do Sul
Região Sudeste, Centro-Oeste e Norte
-Internacionais
Argentina
Chile
Paraguai
Uruguai
Ferroviárias
-Turística
Morretes.
Movimento em 900 mil/dia
Serviços TáxiRestauranteEstacionamentoAcesso à deficiente físicoBiblioteca ou banca de livrosFarmácia
Informações históricas
Inauguração 13 de novembro de 1972 (46 anos)
Localização
Localização Avenida Presidente Affonso Camargo, 330 (Jardim Botânico) - Curitiba, PR

A Rodoferroviária de Curitiba é o terminal unificado do transporte rodoviário intermunicipal e interestadual, bem como, do transporte ferroviário da capital paranaense.

Está localizada no bairro do Jardim Botânico, em frente à Avenida Presidente Affonso Camargo, sendo o único terminal de Curitiba disponibilizado para atender rotas de transporte rodoviário entre vários estados e municípios brasileiros, incluindo algumas localidades internacionais para o Paraguai e a Argentina e a estação de embarque ferroviário de viagens turísticas entre a capital paranaense e o litoral do estado (Morretes e Paranaguá).

Possuindo plataformas de embarque e desembarque rodoviário (e uma para composições ferroviárias), a Rodoferroviária é administrada pela URBS, enquanto o setor de viagens turísticas ferroviárias é terceirizada e atualmente explorado pela empresa Serra Verde Express (com destaque na imprensa internacional).[1][2] A empresa América Latina Logística S.A., operadora do transporte de cargas ferroviárias, utilizou o local para administrar suas composições que transitavam do interior do estado para os terminais de embarque no Porto de Paranaguá (a Rumo Logística adquiriu a ALL em 2015).[3]

Segundo números de 2009, este é um dos locais mais movimentados da cidade. Em seus 63.000 m², ocorre, mensalmente, um trânsito de 900 mil pessoas que se utilizam dos serviços de 35 empresas de transporte intermunicipal, interestadual e internacional. Estas empresas operam os 27.500 embarques e desembarques mensais no transporte de aproximadamente 680 mil passageiros neste período. O local funciona 24 horas diárias em 365 dias no ano, possuindo uma infraestrutura que conta com: estacionamentos, guarda volumes (convencional) e guarda volumes automático (Malex), serviços de achados e perdidos, central de avisos, posto da polícia militar, fiscalização da ANTT, posto telefônico, posto do correio, Setran, URBS e do FAS (Fundação de Assistência Social).

História[editar | editar código-fonte]

O atual terreno onde se encontra a Rodoferroviária de Curitiba já teve destacados empreendimentos em outros tempos. No início de século XX era uma usina termoelétrica que os curitibanos chamavam de Usina Elétrica do Capanema, pois seu edifício fora construído nas antigas terras do Barão de Capanema e a rua, de terra batida, que passava em frente era a Avenida Capanema (Atual Avenida Presidente Affonso Camargo). Este empreendimento foi do alemão José Hauer.[4] Estas instalações foram vendidas, em 1910, para uma empresa francesa que inaugurou, em 1913, os serviços de bondes na capital e dali saiam os vagões elétricos que operavam algumas linhas recém instaladas na cidade.[5][6]

Usina Elétrica do Capanema (Curitiba) no início do séc. XX.

Em meados do século XX o terreno foi adquirido pela União, que ali instalou as oficinas da RFFSA. No local onde hoje estão as plataformas de embarque interestadual da Rodoferroviária existiam, em tal época, as casas que serviam de moradias dos funcionários da Rede Ferroviária.[7]

No início da década de 1970 a União repassou este terreno para a Prefeitura Municipal de Curitiba que iniciou a construção da rodoviária. Com projeto do arquiteto Rubens Meister o prédio foi inaugurado em 13 de novembro de 1972 e assim entrou, em operação conjunta, a Rodoferroviária de Curitiba, atendendo as necessidades de embarque rodoviário da cidade, já que a antiga rodoviária localizada no centro da cidade (localizada onde atualmente opera o Terminal do Guadalupe), estava no seu limite máximo de operação.[8][9] O mesmo ocorria com o embarque ferroviário, pois existia ali os serviços de transporte de passageiros dos trens que saiam da cidade, dirigindo-se principalmente para o litoral do Paraná (serviços que funcionaram até meados da década de 1990).

Atualmente o terreno da Rodoferroviária continua a pertencer ao governo federal, que em junho de 2011 assinou um termo de sua cessão para a prefeitura de Curitiba. Assim, o local pôde receber investimentos do PAC para uma grande reforma, objetivando a Copa do Mundo FIFA de 2014.[10]

Pós-reforma da Rodoferroviária[editar | editar código-fonte]

Rodoferroviária de Curitiba durante o seu processo de reformas. Visão da ala estadual à partir de sua contraparte interestadual (03/08/2013).
Como é atualmente a Rodoferroviária de Curitiba, em uma visão parcial da ala estadual (20/04/2017).

Durante o seu processo de reforma, a Rodoferroviária de Curitiba foi sendo remodelada e melhorada por etapas, começando pela ala estadual e finalizando na interestadual. No período de prosseguimento deste trabalho (de 2012 à 2015), a operação do local passou por momentos conturbados, nos quais ônibus e passageiros disputavam espaços.[11][12]

Após a conclusão das reformas da Rodoferroviária, diversos melhoramentos ocorreram no local. Destacam-se:[13][14]

  • oito plataformas exclusivas para desembarque, situadas ao lado da ala estadual, liberando as cinquenta plataformas originais unicamente para embarque de passageiros, estando divididas entre as duas alas existentes.
  • mudanças no acesso dos ônibus rodoviários, que não mais usam da Avenida Presidente Affonso Camargo para tanto, incluindo nisto alterações na área de espera destes veículos.
  • inserção de placas informativas melhor ajustadas, com descrições nos idiomas português e inglês.
  • colocação dos guichês das empresas dentro da Rodoferroviária, no segundo piso das duas alas e de frente às plataformas (antes os mesmos eram situados no primeiro piso com visão para o lado externo do local).
  • os espaços comerciais contaram com aumento de pontos de serviço, todos licitados por força de lei, indo desde lojas de lembranças até lanchonetes e cyber-cafés.
  • colocação de escadas rolantes (dois lances em cada ala da Rodoferroviária).
  • melhoramento das duas passarelas existentes, entre as alas interestadual e estadual, além da construção de uma terceira que conta com elevador de acessibilidade.
  • áreas de espera para embarque estadual e interestadual situadas no primeiro piso de cada uma destas alas, com acesso exclusivo apenas para passageiros com bilhetes adquiridos e no aguardo do início de suas viagens.
  • implementação de monitores por parte da URBS, contendo chamadas do local para embarques e desembarques, além de um sistema de wi-fi gratuito para uso de quem esteja na Rodoferroviária (mediante cadastro para utilização).[15]

Embora todas as mudanças acima listadas realmente tenham deixado a Rodoferroviária mais moderna, ainda é possível reencontrar-se com problemas no local e em seu entorno, especialmente no que se refere à segurança de pedestres e trânsito de veículos nas imediações.[16]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas e referências

  1. Kaufman, David (23 de outubro de 2010). «Luxury Train Trips in Brazil, Hungary and India | Coming & Going - WSJ». The Wall Street Journal (salvo em Wayback Machine) (em inglês). Consultado em 27 de fevereiro de 2019 
  2. Coldwell, Will (13 de abril de 2015). «10 spectacular rail journeys … that you've probably never heard of». The Guardian (em inglês). ISSN 0261-3077. Consultado em 27 de fevereiro de 2019 
  3. Amato, Fábio (11 de fevereiro de 2015). «Cade aprova, com restrição, fusão entre ALL e Rumo Logística». g1.globo.com. G1 | Economia - Negócios. Consultado em 24 de fevereiro de 2019 
  4. Destefani, Cid (12 de setembro de 2010). «Foi assim...». www.gazetadopovo.com.br. Gazeta do Povo | Nostalgia - Colunistas (salvo em archive.is). Consultado em 12 de setembro de 2010 
  5. CARDOSO, 2004, p18.
  6. DESTEFANI, Cid. Rebuscando velhas imagens. Gazeta do Povo, Curitiba, 9 ago. 2009
  7. HOERNER, 2002, p89.
  8. «Rodoviária de Curitiba». Curitiba Space - Sinta a sua cidade. 15 de maio de 2017. Consultado em 27 de fevereiro de 2019 
  9. «Estação Rodoviária - Histórico». www.urbs.curitiba.pr.gov.br. URBS - Urbanização de Curitiba (salvo em Wayback Machine). 4 de fevereiro de 2010. Consultado em 19 de maio de 2010 
  10. «Notícias da tríplice fronteira também no Paraná Online | Notícias, Paraná». www.tribunapr.com.br. Tribuna PR - Paraná Online. 25 de março de 2010. Consultado em 21 de junho de 2011 
  11. Henrique, Luan (13 de novembro de 2012). «40 anos da Rodoferroviária». www.urbs.curitiba.pr.gov.br. Consultado em 27 de fevereiro de 2019 
  12. «Depois de dois anos em reforma, as obras da rodoviária de Curitiba terminam». G1 - Paraná - Catálogo de vídeos. 2014. Consultado em 26 de novembro de 2017 
  13. SMCS (2 de junho de 2014). «Reforma a rodoviária de Curitiba é concluída - Bem Paraná». www.bemparana.com.br. Bem Paraná (salvo em Wayback Machine). Consultado em 26 de novembro de 2017 
  14. «Rodoviária agora com wi-fi gratuito». www.bemparana.com.br. Bem Paraná (salvo em Wayback Machine). 20 de março de 2015. Consultado em 26 de novembro de 2017 
  15. «Lançamento do Wi-Fi Free na Rodoviária de Curitiba». www.curitiba.pr.gov.br. Prefeitura Municipal de Curitiba. 19 de março de 2015. Consultado em 26 de novembro de 2017 
  16. Lazaro Jr., José (14 de novembro de 2017). «Para conter assaltos, vereadores propõem reunião entre polícia e MP». Câmara Municipal da Curitiba - Assessoria de Comunicação - Notícias. Consultado em 26 de novembro de 2017 
  • Redação. Rodoferroviária de Curitiba completa 37 anos nesta sexta-feira. Gazeta do Povo, Curitiba, 13 de novembro de 2009
  • Rodoferroviária de Curitiba – 37 anos Curitiba – Prefeitura da Cidade – acessado em 19 de maio de 2010

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • CARDOSO, Francisco. Árvores de Curitiba. Curitiba: Ed. do Autor, 2004. 96p
  • HOERNER Jr., Valério. Ruas e Histórias de Curitiba. 2° ed. Curitiba: Artes & Textos, 2002. 183p

Ligações externas[editar | editar código-fonte]