Valdenses

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Valdenses
Símbolo valdense Lux lucet in tenebris ("E a luz resplandece nas trevas") João 1:5
Orientação Reformado
Fundador Pedro Valdo
Origem c. 1173 Lyon
 França

Reino de Arles no Sacro Império Romano-Germânico (atual França)

Países em que atua Itália, França, Alemanha, Argentina, Estados Unidos, Uruguai, Brasil, e outros países

Os valdenses (francês: Vaudois; italiano: Valdesi), também chamados de valdensianos, são uma denominação cristã ascética que teve sua origem entre os seguidores de Pedro Valdo por volta de 1173, em Lyon, na França. Caracterizavam-se por fazer votos de pobreza e de desapego às coisas materiais.[1]

O movimento valdense rapidamente se espalhou para os Alpes Cócios, entre o que é hoje a França e a Itália. Fiel às suas raízes históricas, o movimento valdense hoje é centrado em Piemonte, no norte da Itália. Atualmente, subsistem como um grupo etnorreligioso na Itália e Uruguai nas igrejas Valdense e Evangélica Valdense do Rio da Prata, além de descendentes na Alemanha, Estados Unidos, França e Brasil.

O movimento originou-se no final do século XII como os Homens Pobres de Lyon,[1] um grupo organizado por Pedro Valdo, um rico comerciante que doou seus bens por volta de 1173, pregando a pobreza apostólica como sendo caminho para a perfeição. Os ensinamentos valdenses entraram rapidamente em conflito com a Igreja Católica. Em 1215, os valdenses foram declarados heréticos e sujeitos a intensa perseguição; o grupo quase foi aniquilado no século XVII e foi confrontado com discriminação organizada nos séculos que se seguiram. Na era da Reforma Protestante, os valdenses influenciaram o reformador suíço Heinrich Bullinger. Ao encontrar as ideias de outros reformadores semelhantes às deles, eles rapidamente se fundiram no maior movimento protestante. Com as Resoluções de Chanforan, em 12 de setembro de 1532, eles formalmente se tornaram parte da tradição calvinista.

No século XVI, líderes valdenses abraçaram a Reforma Protestante e uniram-se a várias entidades regionais protestantes locais. Já em 1631, os estudiosos protestantes e os próprios teólogos valdenses começaram a considerar os valdenses como precursores da Reforma, que haviam mantido a fé apostólica diante da opressão católica. Os valdenses modernos compartilham princípios fundamentais com os calvinistas, incluindo o sacerdócio de todos os crentes, a comunidade congregacional e certos sacramentos, como a Comunhão e o Batismo. Eles são membros da Comunidade de Igrejas Protestantes na Europa e suas afiliadas em todo o mundo.

A principal denominação dentro do movimento foi a Igreja Evangélica Valdense, a igreja original na Itália.

Reforma Protestante
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A Reforma
Histótia e Origens
História do Protestantismo
Movimentos
Protestantismo
Reformadores Protestantes


Precursores

Congregações continuam ativas na Europa, América do Sul e América do Norte. Organizações como a American Waldensian Society mantêm a história desse movimento e declaram assumir como sua missão "proclamar o Evangelho cristão, servir os marginalizados, promover a justiça social, fomentar o trabalho inter-religioso e defender o respeito à diversidade religiosa e à liberdade de consciência."[2]

São a única seita da Idade Média, considerada herética pela Igreja Católica, a subsistir até os dias de hoje.[3][4][5]

Fontes históricas[editar | editar código-fonte]

O moderno conhecimento da história medieval dos valdenses origina-se quase que exclusivamente da Igreja Católica, ou seja, a instituição que os condenava como heréticos.[6] Por causa dessa escassez documental e desconexão da qual devemos extrair a descrição das crenças valdenses[7], muito do que se sabe sobre os primeiros valdenses vem de relatos como "Profissão de Fé de Valdo de Lyon"; Durando d'Osca (c. 1187-1200) Liber antiheresis; e o Rescriptum of Bergamo Conference (1218).

Documentos antigos que informam sobre a incipiente história valdense incluem Will of Stefano d'Anse (1187), Manifestatio haeresis Albigensium et Lugdunensium (c. 1206–1208); e o Anonymous chronicle of Lyon (c. 1220). Há também outros dois relatórios escritos para a Inquisição por Reinerius Saccho (falecido em 1259), um ex-cátaro que se converteu ao catolicismo, publicado em 1254 como "Summa de Catharis et Pauperibus de Lugduno" (Sobre os Cátaros e os Pobres de Lyon).[8]

História[editar | editar código-fonte]

Origens alternativas[editar | editar código-fonte]

Já foi dito que os valdenses foram primeiramente ensinados pelo apóstolo Paulo de Tarso, que visitou a Espanha e depois viajou para o Piemonte. Como a Igreja Católica entregou-se a excessos dogmáticos no tempo de Constantino, os valdenses se mantiveram fiéis à sua fé apostólica de pobreza e piedade. Essas versões perderam crédito durante o século XIX.[9]

Há também alegações de que os valdenses eram anteriores a Pedro Valdo. Em "História da Igreja dos Valdenses" (1859), Antoine Monastier cita Eberhard de Béthune, abade de Foncald, escrevendo no final do século XII, que os valdenses surgiram durante o papado de Lúcio.[10] Monastier leva-o a significar Lúcio II, papa de 1144 a 1145, e conclui que os valdenses estavam ativos antes de 1145. Bernard também diz que o mesmo papa Lúcio os condenou como hereges, mas foram condenados pelo papa Lúcio III em 1184.[11]

Monastier também diz que Eberhard de Béthune, escrevendo em 1210 (embora Monastier diga 1160), alegou que o nome "valdense" significava habitantes do vale ou aqueles que "moram num vale de tristeza e lágrimas" e estava em uso antes de Pedro Valdo.[10]

Origem[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Pedro Valdo
Pedro Valdo, líder dos valdenses

De acordo com relatos e com a tradição, o movimento valdense tem origem com Pedro Valdo, um rico comerciante de Lyon. Renunciou sua riqueza como sendo um fardo para a pregação e estilo de vida apostólico, sendo esse o caminho para a perfeição espiritual, o que levou outros membros da Igreja Católica a seguirem seu exemplo.[12] Devido à sua repulsa à riqueza, o movimento logo ficou conhecido como "Os Homens Pobres de Lyon", ou "Os pobres da Lombardia".[13]

O movimento valdense, desde o seu início, era caracterizado pela pregação leiga, isto é, pessoas que não possuíam cargos eclesiásticos podiam pregar; pobreza voluntária e uma ligação extrema com as Sagradas Escrituras. Entre 1175-1185, Pedro Valdo encomendou de um clérigo uma tradução (ou ele mesmo traduziu, segundo fontes existentes) do Novo Testamento para o franco-provençal, língua local na época.[14] Passou a pregar mesmo sem ser sacerdote. Desde o início, os valdenses afirmavam o direito de cada fiel de ter a Bíblia em sua própria língua, sendo esta a fonte de toda autoridade eclesiástica.[14]

Em 1179, Pedro Valdo e um de seus discípulos foram a Roma, onde o Papa Alexandre III e a cúria romana os receberam. Eles tiveram que explicar sua fé diante de três clérigos dominicanos, ordem responsável pela hermenêutica e exegese das Sagradas Escrituras. Entre os inquisidores, estava o bispo inglês Walter Map. Foram questionados pontos doutrinários como sacerdócio universal, evangelho em línguas bárbaras (que não fossem latim ou grego), e a questão da pobreza voluntária. Os resultados foram inconclusivos, e o Terceiro Concílio de Latrão, no mesmo ano, condenou as ideias de Pedro Valdo, mas não o movimento em si. Seus líderes ainda não haviam sido excomungados. Os valdenses prosseguiram e desobedeceram o Terceiro Concílio de Latrão e continuaram a pregar de acordo com a sua própria interpretação das Escrituras.[15]

Em 1184, o Papa Lúcio III excomungou Pedro Valdo e, em 1215, o Quarto Concílio de Latrão concordou, declarando o movimento como herético e sujeito a perseguições.

Pedro Valdo e seus seguidores desenvolveram um sistema itinerante, deslocando-se de cidade em cidade secretamente em pequenos grupos, onde poderiam confessar os pecados e arrumar serviços. Um pregador valdense itinerante era conhecido como Barba. Estes eram estimulados a estudar e memorizar livros da Bíblia, para que, em momentos de necessidade, as próprias passagens memorizadas servissem-lhes como alimento espiritual.[16] O grupo valdense devia abrigar os barbas e ajudá-los a prosseguir para outra cidade em segredo. Pedro Valdo possivelmente morreu no início do século XIII, possivelmente na Alemanha; ele nunca foi capturado e seus restos mortais permanecem desconhecidos.

Pedro Valdo em Roma, explicando-se aos inquisidores e ao Papa Alexandre III, em 1179.

Os valdenses da época pertenciam a um de três grupos:[17]

  • Sandaliati [carece de fontes]
  • Doctores: instruíam e treinavam os missionários
  • Novellani: pregavam para a população geral

Eles também eram chamados Insabbatati, Sabati, Inzabbatati, ou Sabotiers - devido ao sabot, um tipo de calçado que eles usavam.[18][19] Também os paulicianos, petrobruisianos e sasagianos (sendo que estes guardavam a lei de Moisés), junto com alguns grupos valdenses, mantinham o sábado como o dia do Senhor, ao contrário do que fazia a Igreja Católica que guardava o somingo (dies Dominicus).[20] Os sabbatati eram conhecidos também pelo nome de Pasigini. Em referência à guarda do sábado pelos pasigini, um estudioso da época escreveu:

"O tempo de disseminação desta heresia é incrível. Da Bulgária até Ebro, do norte da França até o rio Tibre, em todos os lugares os vemos. Países inteiros estão infestados, como Hungria e no sul da França; são abundantes em muitos outros países; na Alemanha, na Itália, nos Países Baixos e até mesmo na Inglaterra encontram-se eles."[20]

Os valdenses deram um valor raro ao texto bíblico na Idade Média, providenciando traduções e cópias no vernáculo.[20] Os estudantes valdenses usavam a Bíblia como seu livro principal. Antes da imprensa, todas as Bíblias eram copiadas à mão, e muitas horas foram gastas no processo de cópia das Escrituras, portanto pequenas porções da Bíblia eram estimadas. Os jovens memorizavam livros inteiros das Escrituras e muitos poderiam recitar todo o Novo Testamento, juntamente com muitas passagens do Antigo Testamento, e exaltavam a seguinte passagem como justificativa: “Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti” (Salmos 119:11). Por causa das contínuas e brutais perseguições, suas preciosas cópias das Escrituras foram às vezes destruídas. Se isso acontecesse, eles poderiam reproduzir o manuscrito inteiro de memória.[21][22][23]

Crianças valdenses[editar | editar código-fonte]

Os valdenses compreendiam o valor da educação cristã. Seus jovens eram o futuro da igreja, e os valdenses precisavam de um forte grupo de jovens para levar adiante a fé apostólica. Os pais reconheciam que o maior legado que poderiam dar a seus filhos seria levá-los ao caminho da salvação e ajudá-los a desenvolver um caráter cristão. Em The Great Controversy, conta-se como os pais fizeram para treinar suas crianças e prepará-las a serem fiéis a Deus:

"Os pais, carinhosos e afetuosos como eram, amavam seus filhos sabiamente para acostumá-los à autoindulgência. Diante deles havia uma vida de provações e dificuldades, talvez a morte de um mártir. Eles foram educados desde a infância para suportar a dureza, para se submeter ao autocontrole, e ainda para pensar e agir por si mesmos. Desde muito cedo, foram ensinados a assumir responsabilidades, a evitar falar desnecessariamente e a compreender a sabedoria do silêncio. Uma palavra indiscreta deixada cair na audição de seus inimigos poderia pôr em perigo não apenas a vida do falante, mas a vida de centenas de seus irmãos; pois, como os lobos caçando suas presas, os inimigos da verdade perseguiam aqueles que ousavam reivindicar a liberdade da fé religiosa."[24]

Resposta Católica[editar | editar código-fonte]

ilustrações retratando valdenses como bruxas em Le champion des dames, de Martin Le France, 1451.

A Igreja Católica via os valdenses como não-ortodoxos, e em 1184, no Sínodo de Viena, sobre o comando do Papa Lúcio III, Pedro Valdo e seu movimento foram excomungados. Papa Inocêncio III foi além, no Quarto Concílio de Latrão em 1215, no qual oficialmente denunciou os valdenses como uma seita herética. Em 1211, mais de 80 valdenses foram queimados como heréticos em Estrasburgo; esta ação inaugurou séculos de perseguição que quase exterminou o movimento.[25][26][27]

Em 1487, o Papa Inocêncio III emitiu uma bula[28] para o extermínio da heresia valdense. Alberto de' Capitanei, arquidiácono de Cremona, respondeu à bula organizando uma cruzada para cumprir o mandato e começar uma ofensiva nas províncias de Delfinado e Piemonte. Carlos Emanuel I, Duque de Saboia, acabou interferindo para salvar seus territórios de mais turbulência, e prometeu aos valdenses paz, mas não antes da ofensiva devastar a região e muitos dos valdenses fugirem para Provença ou para o sul da Itália.

O teólogo Angelo Carletti di Chivasso, quem Papa Inocêncio III em 1491 apontou o núncio apostólico e comissário conjunto com o bispo de Mauriana, estava envolvido em atingir um acordo de paz entre católicos e valdenses.[29]

Reforma[editar | editar código-fonte]

Quando notícias da Reforma Protestante chegaram aos valdenses, a távola valdense decidiu em fazer sociedade com o protestantismo nascente. Em uma reunião realizada em 1526, em Laus, cidade do vale Chisone, decidiu-se enviar emissários para examinar o novo movimento. Em 1532, eles conheceram protestantes alemães e suíços e adaptaram suas crenças com as da Igreja Reformada.

As Igrejas Reformadas da Suíça e da França enviaram Guilherme Farel e Anthony Saunier para a reunião de do Sínodo de Chanforan, realizada em 12 de outubro de 1532. Farel convidou-os a se juntarem à Reforma e saírem do sigilo, então os valdenses formalmente se tornaram parte da tradição Calvinista.[30] Uma Confissão de Fé, com as doutrinas reformadas, foram formuladas e os valdenses decidiram a proclamar sua fé abertamente na França. Os valdenses influenciaram o reformador suíço Heinrich Bullinger.

A Bíblia francesa, traduzida por Pierre Robert Olivetán com a ajuda de Calvino e publicada em Neuchâtel em 1535, era baseada, em parte, no Novo Testamento dos valdenses. As igrejas valdenses coletaram 1500 coroas de ouro para cobrir os custos de sua publicação.[31]

Os principais grupos de valdenses residiam em três regiões: Provença, Calábria e nos Alpes. Todos sofreram perseguição.[32]

Massacre de Mérindol (1545)[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Massacre de Mérindol

Fora de Piemonte, os valdenses se juntaram às igrejas protestantes locais na Boêmia, França e Alemanha. Depois de saírem da reclusão e emitirem relatórios de sedição, o rei francês Francisco I de França, em 1 de janeiro de 1545, emitiu o Arrêt de Mérindol, e convocou um exército contra os valdenses de Provença. Os líderes no massacre de 1545 eram Jean Maynier d'Oppède, primeiro presidente do parlamento de Provença, e o comandante militar Antoine Escalin des Aimars, que havia retornado das guerras italianas com 2000 veteranos, Bandes de Piémont. Mortes no massacre de Mérindol varia de centenas a milhares, dependendo das estimativas, com diversas vilas devastadas.[33]

Massacre dos valdenses em Mérindol, 1545

No tratado realizado em 5 de junho de 1561, foi concedida anistia aos protestantes dos vales, incluindo liberdade de consciência e liberdade de culto. Os presos foram libertados e os fugitivos autorizados a voltar para casa, mas, apesar desse tratado, os valdenses, com os outros protestantes franceses, ainda sofreram durante as guerras francesas de religião em 1562-1598.

Já em 1631, estudiosos protestantes começaram a considerar os valdenses como precursores da Reforma, pois haviam mantido a fé apostólica diante da opressão católica, de uma maneira similar como os seguidores de John Wycliffe e Jan Hus, também perseguidos pelas autoridades, eram vistos.

Embora a igreja valdense tenha recebido alguns direitos e liberdades sob o rei francês Henrique IV, com o Édito de Nantes em 1598, a perseguição ressurgiu no século XVII, com o extermínio dos valdenses realizada pelo duque de Saboia em 1655. Isso levou a o êxodo e a dispersão dos valdenses para outras partes da Europa e até mesmo para o hemisfério ocidental.

Massacre na Calábria (1560)[editar | editar código-fonte]

Havia muitos grupos de valdenses na Calábria. Após o sínodo de Chanforan eles se juntaram ao movimento reformista e saíram do esconderijo. A Inquisição enviou uma missão para esta parte da Itália em 1560. Dois pastores que morreram por sua fé, Jacques Bonello e Giovanni Luigi Pascale, foram enviados para a Calábria pela Igreja em Genebra. Um foi queimado vivo na fogueira em Palermo, em 1560, e o outro em Roma no mesmo ano. O país foi então devastado por uma campanha militar violenta e os valdenses foram dizimados; aqueles que escaparam foram forçados a renunciar à sua fé.[32]

Crianças valdenses de Piemonte separadas de seus pais.

A Páscoa de Piemonte (1655)[editar | editar código-fonte]

Em janeiro de 1655, o Duque de Saboia ordenou aos valdenses que assistissem à missa ou se retirassem para os vales mais elevados de sua terra natal, dando-lhes vinte dias para venderem suas terras. Estando no meio do inverno, a ordem pretendia persuadir os valdenses a escolher a primeira opção; no entanto, a maior parte da população preferiu a segunda, abandonando suas casas e terras nos vales mais baixos e removendo-a para os vales mais elevados. Escritos relatam que os perseguidos, incluindo homens velhos, mulheres, crianças pequenas e os doentes "atravessavam as águas gélidas, subiam os picos congelados e finalmente alcançavam as casas de seus pobres irmãos dos altos vales, onde eram calorosamente recebidos."[34]

Em meados de abril do mesmo ano, quando ficou claro que os esforços do duque para forçar os valdenses a se conformarem ao catolicismo fracassaram, ele tentou outra alternativa. Sob o disfarce de falsos relatos de levantes valdenses, o duque enviou tropas para os vales superiores para reprimir a população local. Ele exigiu que a população local dividisse as tropas em suas casas, o que a população local cumpria. Mas a ordem de esquartejamento era um artifício para permitir às tropas acesso fácil à população. Em 24 de abril de 1655, às 4 da manhã, o sinal foi dado para um massacre geral.

As forças do duque não simplesmente massacraram os habitantes. É relatado que eles desencadearam uma campanha não provocada de saques, estupros, tortura e assassinato. De acordo com um relatório de Peter Liegé:

Massacre de 1655 em La Torre
Ilustração de History of the Evangelical Churches of the Valleys of Piedmont, Samuel Morland, Londres, 1658


"As crianças pequenas foram arrancadas dos braços de suas mães, agarradas por seus minúsculos pés e suas cabeças arremessadas contra as rochas; ou eram mantidos entre dois soldados e seus membros trêmulos, dilacerados pela força. Seus corpos mutilados eram então jogados nas estradas ou campos, para serem devorados por feras. Os enfermos e os idosos foram queimados vivos em suas moradas. Alguns tiveram suas mãos e braços e pernas cortados, e fogo aplicado às partes cortadas para estancar o sangramento e prolongar seu sofrimento. Alguns foram esfolados vivos, alguns foram assados ​​vivos, alguns estripados; ou amarrados a árvores em seus próprios pomares e seus corações cortados. Alguns foram terrivelmente mutilados e, de outros, os cérebros foram cozidos e comidos por esses canibais. Alguns foram presos nos sulcos de seus próprios campos e arados no solo, enquanto homens lançavam estrume sobre ele. Outros foram enterrados vivos. Pais foram levados à morte com as cabeças dos filhos suspensas no pescoço. Os pais foram obrigados a olhar enquanto seus filhos foram primeiro ultrajados (estuprados), depois massacrados, antes de serem autorizados a morrer."[35]

Esse massacre ficou conhecido como a "Páscoa de Piemonte". Uma estimativa de cerca de 1700 valdenses foram assassinados; o massacre foi tão brutal que provocou indignação em toda a Europa. Governantes protestantes no norte da Europa ofereciam refúgio aos remanescentes valdenses. Oliver Cromwell, então governante na Inglaterra, começou a peticionar em nome dos valdenses; escrevendo cartas, levantando contribuições, convocando um jejum geral na Inglaterra e ameaçando enviar forças militares para o resgate. O massacre incitou o poema de John Milton sobre os valdenses: "No final do massacre no Piemonte".[36] Os calvinistas suíços e holandeses montaram uma "estrada de ferro subterrânea" para levar muitos dos sobreviventes para o norte até a Suíça e até a República Holandesa, onde os vereadores da cidade de Amsterdã fretaram três navios para levar cerca de 167 valdenses para a Colônia da Cidade no Novo Mundo (Delaware) no Natal de 1656.[37] Aqueles que ficaram para trás na França e no Piemonte formaram um movimento de resistência de guerrilha liderado por um fazendeiro, Joshua Janavel, que durou até a década de 1660.[38]

Revogação do Édito de Nantes e o "Retorno Glorioso"[editar | editar código-fonte]

O Édito de Fontainebleau, revogação do Édito de Nantes, em 1685.

Em 1685, Luís XIV revogou o Édito de Nantes de 1598, que garantia a liberdade de religião a seus súditos protestantes na França. As tropas francesas enviadas para as áreas valdenses francesas dos vales de Chisone e Susa no Dauphiné forçaram 8000 valdenses a se converter ao catolicismo e outros 3000 a partirem para a Alemanha.

Em Piemonte, o primo de Luís, o recém ascendido Duque de Saboia, Vítor Amadeu II da Sardenha, seguiu seu tio para remover a proteção dos protestantes em Piemonte. Na perseguição renovada, e em um eco do "Massacre da Páscoa do Piemonte" de apenas três décadas antes, o Duque emitiu um decreto em 31 de janeiro de 1686 que anunciava a destruição de todas as igrejas valdenses e que todos os habitantes dos Vales deveriam anunciar publicamente seu erro na religião dentro de quinze dias, sob pena de morte e banimento. Mas os valdenses continuaram resistentes. Após os quinze dias, um exército de 9000 soldados franceses e piemonteses invadiu os vales contra os estimados 2500 valdenses, mas descobriu-se que todas as aldeias haviam organizado uma força de defesa que mantinha os soldados franceses e piemonteses afastados.

Em 9 de abril, o duque de Saboia emitiu um novo decreto, ordenando aos valdenses que deixassem as armas no prazo de oito dias e fossem exilados entre 21 e 23 de abril. Se capazes, eles eram livres para vender suas terras e posses para o maior lance.

O pastor valdense Henri Arnaud (1641-1721), que havia sido expulso do Piemonte nos primeiros expurgos, voltou da Holanda. No dia 18 de abril, ele fez um apelo inicial diante de uma assembleia em Roccapiatta, conquistando a maioria em favor da resistência armada. Quando a trégua expirou em 20 de abril, os valdenses foram preparados para a batalha.

Eles lutaram bravamente durante as seis semanas seguintes, mas quando o duque se retirou para Turim, em 8 de junho, a guerra parecia decidida: 2000 valdenses haviam sido mortos; outros 2000 haviam "aceitado" a teologia católica do Concílio de Trento. Outros 8000 foram presos, dos quais mais da metade morreria de fome deliberadamente imposta, ou de doença dentro de seis meses.

Mas cerca de duzentos ou trezentos valdenses fugiram para as colinas e começaram uma guerra de guerrilha no ano seguinte contra os colonos católicos que chegaram para tomar as terras dos valdenses. Esses "Invencíveis" continuaram seus ataques até que o duque finalmente cedeu e concordou em negociar. Os "Invencíveis" ganharam o direito de os valdenses aprisionados serem libertados da prisão e receberem passagem segura para Genebra. Mas o duque, concedendo essa permissão em 3 de janeiro de 1687, exigiu que os valdenses partissem imediatamente ou se convertessem ao catolicismo. Este decreto levou a cerca de 2800 valdenses deixando o Piemonte para Genebra, dos quais apenas 2490 sobreviveriam à viagem.

Henri Arnaud e outros procuraram agora ajuda das potências aliadas europeias. Ele apelou para Guilherme de Orange diretamente de Genebra, enquanto outros, entre os quais o jovem L'Hermitage, foram enviados para a Inglaterra e outras terras para pedir apoio. Orange e os aliados estavam contentes com qualquer desculpa para contrariar a França, cujas invasões territoriais em todas as frentes eram intoleráveis. A Liga de Augsburg foi formada em 1686 sob Orange, que prometeu apoio a Arnaud. Em agosto de 1689, no meio das guerras entre a Liga de Augsburg e a França, Arnaud liderou 1000 imigrantes suíços, armados com armas modernas fornecidas pelos holandeses, de volta ao Piemonte. Mais de um terço da força pereceu durante a jornada de 130 milhas. Eles conseguiram restabelecer sua presença no Piemonte e expulsaram os colonos católicos, mas continuaram a ser sitiados pelas tropas francesas e piemontesas.

Em 2 de maio de 1689, com apenas 300 soldados valdenses remanescentes, e encurralados em um pico alto chamado Balsiglia, por 4000 soldados franceses com canhões, o assalto final foi retardado pela tempestade e depois pela cobertura de nuvens. O comandante francês estava tão confiante em concluir seu trabalho na manhã seguinte que enviou uma mensagem a Paris de que a força valdense já havia sido destruída. No entanto, quando os franceses acordaram na manhã seguinte, descobriram que os valdenses, guiados por um deles, familiarizado com a Balsiglia, já haviam descido do pico durante a noite e agora estavam a quilômetros de distância.

Os franceses perseguiram, mas apenas alguns dias depois uma súbita mudança de aliança política do duque, da França à Liga de Augsburg, acabou com a perseguição francesa dos valdenses. O duque concordou em defender os valdenses e pediu que todos os exilados valdenses voltassem para casa para ajudar a proteger as fronteiras do Piemonte contra os franceses, no que veio a ser conhecido como o "Retorno Glorioso".[39]

Liberdade religiosa após a Revolução Francesa (1789)[editar | editar código-fonte]

Depois da Revolução Francesa, em 1789, os valdenses de Piemonte tiveram assegurada a liberdade de consciência e, em 1848, o governante de Sabóia, o rei Carlos Alberto da Sardenha proclamou o edito de emancipação garantindo liberdade de culto e direitos individuais para os valdenses no Piemonte (então parte do Reino da Sardenha e depois para toda o Reino de Itália).[40]

Igreja Valdense em Roma

O crescimento populacional e busca de maior liberdade econômica e religiosa fizeram os valdenses emigrarem em massa no final do século XIX. Na época da Unificação italiana, os valdenses tinham congregações em toda a península, algumas originadas pela pregação, outras pela migração.[41] Contudo, a pobreza, a discriminação social e a pressão demográfica levaram os valdenses a emigrarem, primeiro como trabalhadores sazonais para a Riviera Francesa e a Suíça, e depois para Colônia Valdense no Uruguai, Jacinto Aráuz em La Pampa, Argentina e finalmente para os Estados Unidos.[42] Aqueles que permaneceram na Itália experimentaram mobilidade social ascendente. As empresas valdenses dominaram a indústria de chocolate de Turim na segunda metade do século XIX e são geralmente creditadas pela invenção do gianduja (chocolate de avelã).[43]

A erudição valdense também floresceu no século XIX. Cópias da versão de Romaunt do Evangelho de João foram preservadas em Paris e Dublin. Os manuscritos foram usados ​​como a base de um trabalho de William Stephen Gilly publicado em 1848, no qual ele descreveu a história do Novo Testamento em uso pelos valdenses.[44] O Waldensian College começou a treinar ministros em 1855, primeiro em Torre Pellice. Alguns anos depois, o Waldensian College mudou-se para Florença e, em 1922, para Roma. A integração econômica e social facilitou a aceitação dos valdenses étnicos na sociedade italiana. Escritores como Italo Calvino e políticos como Domenico Maselli e Valdo Spini são de origem valdense. A igreja também atraiu intelectuais como novos adeptos e apoiadores, como o filósofo Gianni Vattimo, e goza de apoio financeiro significativo de italianos não aderentes.

Papa Francisco sobre as perseguições[editar | editar código-fonte]

Em 2015, após uma visita histórica a uma Igreja Valdense em Turim, o Papa Francisco, em nome da Igreja Católica, pediu perdão aos cristãos valdenses pelas perseguições realizadas no passado, se referindo como posições anti-cristãs e até mesmo desumanas. O papa Francisco foi o primeiro pontíficie a entrar num templo valdense.[45][46]

Características da moderna Igreja Valdense[editar | editar código-fonte]

A cruz huguenote, um dos símbolos valdenses

A atual Igreja Valdense se considera uma igreja protestante da tradição reformada originalmente enquadrada por Ulrico Zuínglio e João Calvino.[47] Reconhece como seu padrão doutrinário a Confissão de Fé publicada em 1655 e baseada na confissão reformada de 1559. Ela admite apenas duas cerimônias, o batismo e a Santa Ceia. A autoridade suprema no corpo é exercida por um sínodo anual, e os assuntos das congregações individuais são administrados por um consistório sob a presidência do pastor.

Ao longo dos séculos, igrejas valdenses foram estabelecidas em países distantes da França, como o Uruguai e os Estados Unidos, onde as congregações valdenses ativas continuam o propósito do movimento valdense. A contemporânea e histórica herança espiritual valdense descreve-se como proclamando o Evangelho, servindo aos marginalizados, promovendo a justiça social, promovendo o trabalho inter-religioso e defendendo o respeito pela diversidade religiosa e pela liberdade de consciência. Hoje, a Igreja Valdense é membro da Comunhão Mundial das Igrejas Reformadas, do Conselho Metodista Mundial, da Federação de Igrejas Evangélicas na Itália e do Conselho Mundial de Igrejas.[2]

Avaliação pelos protestantes[editar | editar código-fonte]

Alguns dos primeiros protestantes sentiram um parentesco espiritual com os valdenses e escreveram positivamente sobre eles. John Milton, por exemplo, escreveu em seu soneto "Sobre o último massacre no Piemonte" do massacre de 1655 e da perseguição aos valdenses.[36]

Alguns autores anabatistas e batistas têm apontado para os valdenses como um exemplo de cristãos anteriores que não faziam parte da Igreja Católica, e que mantinham crenças que interpretavam como similares às suas. Alguns historiadores acreditam que suas crenças vieram de missionários do início da Igreja e que sua história remonta à era apostólica, embora esta ideia em si derive do sucessionismo batista, uma ideia que era muito popular entre o século XIX mas que tem sido rejeitada por especialistas na área. A base dessa tal teoria seria uma especulação do inquisidor romano Reinerus Sacho que escreveu em 1230 que a seita dos valdenses remontava à antiguidade, precedendo Pedro Valdo de vários séculos. Nos séculos XVII a XIX, os escritores menonitas holandeses e alemães, como van Braght, Martyrs Mirror (1660)[48] e Steven Blaupot ten Cate, Geschiedkundig onderzoek (1844),[49] [50] ligaram as origens anabatistas aos valdenses. Autores batistas como John L. Waller também ligaram suas origens aos valdenses.[51][52][53][54][55][56] James Aitken Wylie (1808–1890) também acreditava que os valdenses preservaram a fé apostólica e suas práticas durante a Idade Média.[57]

Ainda mais tarde, a adventista Ellen G. White acreditava que os valdenses eram preservadores da verdade bíblica durante a Grande Apostasia da Igreja Católica.[24] Ela argumentava que os valdenses mantiveram o sábado do sétimo dia[58] (pelo menos alguns grupos valdenses guardavam o sábado), engajados em ampla atividade missionária, e "plantaram as sementes da Reforma" na Europa".[59]. Contudo, tal teoria foi refutada pela historiografia dos próprios valdenses. [60].

O erudito Michael W. Homer relaciona a crença em uma antiga origem dos valdenses a três pastores do século XVII, Jean-Paul Perrin, da Igreja Reformada da França, e os pastores valdenses Pierre Gilles e Jean Léger, que afirmavam que os valdenses eram descendentes do cristianismo primitivo.[61]

Alguns autores[62][63] tentam datar uma confissão valdense da fé da era da Reforma de volta à Idade Média em 1120 para afirmar sua reivindicação da antiguidade doutrinal.[64] No entanto, na atual historiografia dos próprios valdenses, afirma-se que essa confissão foi elaborada em 1531.[65][66]

A teologia protestante na Alemanha estava interessada na antiguidade doutrinal e na continuidade apostólica expressa pela fé valdense. A alta independência das comunidades, a pregação leiga, a pobreza voluntária e a adesão estrita à Bíblia e sua tradução inicial por meio de Pedro Valdo foram creditados para provar uma origem antiga do protestantismo como a verdadeira interpretação da fé. Em "História da Reforma" (1830), de Heinrich Gottlieb Kreussler contém uma balada sobre o destino dos valdenses e cita "História dos Valdenses" de Jean Léger (1750) (autoria conjunta com Siegmund Jakob Baumgarten, publicado por Johann Jacob Korn) como prova de um início origem dos valdenses.[67][68][69] O forte apoio dos protestantes alemães à comunidade da diáspora valdense na Itália - o líder da União Gustavo II Adolfo da Suécia os elogiou como uma das igrejas mais interessantes de todos - não se limitou a um fascínio teológico. Isso levou a um amplo apoio financeiro, empréstimos, troca de sacerdotes e comunidades, missões de ajuda e intervenções políticas para os valdenses italianos e seus esforços de caridade, a partir do século XVII.[70][71] Após a Segunda Guerra Mundial, a Igreja Evangélica na Alemanha contribuiu ativamente para os esforços de reconciliação com a Itália e a França com base em sua relação com a comunidade valdense.[70]

Valdenses por região[editar | editar código-fonte]

Itália[editar | editar código-fonte]

Em 1848, após muitos séculos de perseguição, os valdenses adquiriram liberdade no Piemonte, então parte do Reino da Sardenha como resultado das reformas liberalizantes que se seguiram à concessão de uma constituição por Carlos Alberto da Sardenha. Posteriormente, a Igreja Evangélica Valdense, como ficou conhecida, se desenvolveu e se espalhou pela península Itálica.

A igreja valdense conseguiu ganhar convertidos construindo escolas em algumas das regiões mais pobres da Itália, incluindo a Sicília. Há ainda uma igreja valdense na cidade de Grotte, no sudoeste da ilha.[72] Protestantes alemães têm apoiado os valdenses na Itália desde o século XVII.

A igreja Valdensa em Milão, construída em 1949, incorporou elementos góticos da demolida igreja de San Giovanni in Conca.

Durante a ocupação nazista do norte da Itália na Segunda Guerra Mundial, os valdenses italianos foram ativos na salvação dos judeus que enfrentavam a extradição, escondendo muitos deles no mesmo vale da montanha, onde seus próprios antepassados ​​valdenses haviam encontrado refúgio nas gerações anteriores.[73][74]

Depois de 1945, a Igreja Evangélica na Alemanha liderada por Theophil Wurm (que também era bispo de Württemberg) emitiu a Declaração de Culpa de Stuttgart e contribuiu ativamente para os esforços de reconciliação com a Itália (e França) com base nas relações com a diáspora. As festividades do centenário de 1948 da declaração de direitos civis da Saboia foram usadas para os esforços da equipe líder da EKD em apoiar a reconciliação alemã italiana depois da Segunda Guerra Mundial.[70] A cooperação mais frutífera foi estabelecida a nível comunitário, com delegados valdenses de ambos os lados pioneiros. Em 1949, Guglielmo Del Pesco (1889-1951), moderador da Távola Valdense (mesa redonda valdense), foi convidado de volta a Maulbronn, celebrando o 250º aniversário da emigração valdense para a Alemanha. Ele foi incapaz de vir por razões de saúde, mas enviou A. Jalla, um professor, descrito como sendo cheio de rancor e ódio contra todas as coisas alemãs depois de 1945, mas que se juntou ao esforço de reconciliação de 1949.[70] Com base nessas experiências, a primeira parceria de geminação de cidades entre a Alemanha e a França foi assinada em 1950, entre Ludwigsburgo e o enclave protestante Montbéliard, novamente baseada em uma conexão especial da Württemberg Landeskirche. A União Alemã Gustavus Adolphus apoia os projetos dos valdenses e os esforços de caridade na Itália até o presente.[75]

Em 1975, a Igreja Valdense se uniu à Igreja Metodista Evangélica na Itália para formar a União das Igrejas Valdense e Metodista. Tem 50000 membros (45000 valdenses, dos quais 30000 na Itália e cerca de 15000 divididos entre Argentina e Uruguai e 5000 metodistas).

O imposto de oito por mil, introduzido em 1985 na Itália, ajudou muito a comunidade valdense. A lei Oito por mil (italiano: otto per mille) permite que os contribuintes escolham a quem devolver 0,8% compulsório ("oito por mil") de sua declaração anual de imposto de renda. Eles podem escolher uma religião organizada reconhecida pela Itália ou um esquema de assistência social administrado pelo Estado italiano. Enquanto os valdenses têm apenas cerca de 25 000 membros alistados, mais de 60 000 italianos estão dispostos a apoiar a comunidade valdense e suas obras de caridade.[76] A ordenação de mulheres e, desde 2010, a bênção de uniões do mesmo sexo[77][78] são permitidas.

Uruguai e Argentina[editar | editar código-fonte]

Celebração do aniversário de 150 anos da imigração italiana para Colonia Valdense, Uruguai

Os primeiros colonos valdenses da Itália chegaram à América do Sul em 1856. A partir dessa data houve várias migrações, especialmente para a Argentina, como a cidade de Jacinto Aráuz, na parte sul da província de La Pampa, onde chegaram por volta de 1901. A partir de 2016, a Igreja Valdense do Rio de La Plata (que forma uma igreja unida com a Igreja Evangélica Valdense) tem aproximadamente 40 congregações e 15000 membros compartilhados entre o Uruguai e a Argentina.[79]

A cidade uruguaia Colonia Valdense, no departamento de Colônia, é o centro administrativo da Igreja Evangélica Valdense do Rio da Prata. Em 1969, a Igreja estabeleceu uma missão no Barrio Nuevo, que se tornou uma cozinha de sopa para os sábados e domingos, para 500 famílias pobres. A atividade missionária levou à conversão de novos povos sem ascendência valdense, que são chamados de "novos valdenses".

Em 1975, a Igreja Evangélica Valdense, então com 35000 membros na Itália e 15000 no Uruguai se uniram com a Igreja Metodista Italiana (com 5000 membros) para formar a União das Igrejas Valdense e Metodista.[80]

Estados Unidos[editar | editar código-fonte]

Desde os tempos coloniais houve valdenses que navegaram para a América, marcados pela presença deles em Nova Jersey e Delaware. Muitos valdenses, tendo escapado da perseguição em suas terras natais ao se dirigirem à tolerante República Holandesa, cruzaram o atlântico para recomeçar na colônia Nova Holanda, estabelecendo a primeira igreja na América do Norte em Staten Island, em 1670.[81]

No final do século XIX, muitos italianos, entre eles os valdenses, emigraram para os Estados Unidos. Eles fundaram comunidades nas cidades de Nova York; Boston; Chicago; Monett, Missouri; Galveston, Texas; Rochester, Nova Iorque; Hunter, Utah; e Ogden, Utah.[82] A congregação Monett foi uma das primeiras a se estabelecer nos Estados Unidos, em 1875, por cerca de 40 colonos que haviam formado o assentamento sul-americano original no Uruguai na década de 1850. Com a eclosão da Guerra Civil uruguaia, eles fugiram da violência no interior do Uruguai, viajando de volta à Europa, atravessando o Atlântico Norte até Nova York e de trem para o sul do Missouri. Os valdenses que viviam na região dos Alpes Cócios, no norte da Itália, continuaram a migrar para Monett até o início de 1900, aumentando a colônia original, e fundaram outro assentamento maior em Valdese (Carolina do Norte), em 1893. Ambas as congregações de Monett e Valdese usam o nome Igreja Presbiteriana Valdense.

A Igreja Presbiteriana Valdense na cidade de Valdese, Carolina do Norte. Esta congregação pertence à Igreja Presbiteriana (EUA).

Em 1853, um grupo de aproximadamente 70 valdenses, incluindo homens, mulheres e crianças, deixaram suas casas nos vales do Piemonte e migraram para Pleasant Green, Hunter e Ogden, Utah, após terem sido convertidos ao mormonismo por Lorenzo Snow. Esses valdenses mantiveram sua herança cultural, passando sua mistura de fé mórmon e valdense a seus descendentes. Seus descendentes ainda se consideram mórmons e valdenses, e se encontraram ocasionalmente ao longo de muitas décadas para celebrar ambas as heranças.[83][84][85][86]

Em 1906, por iniciativa das forças da igreja na cidade de Nova York, grupos de interesse valdenses foram convidados a se unirem em uma nova entidade, a American Waldensian Aid Society (AWS), organizada para arrecadar fundos e aplicá-los à ajuda dos valdenses na Igreja na Itália e em outros lugares, e para despertar e manter interesse em todo os EUA no trabalho da referida Igreja". Hoje, esta organização continua como a sociedade americana valdensa. A American Waldensian Society recentemente marcou seu centenário com uma conferência e celebrações em Nova York.

Na década de 1920, a maioria das igrejas e missões valdenses fundiu-se na Igreja Presbiteriana devido à assimilação cultural da segunda e terceira gerações.

O trabalho da American Waldensian Society continua nos Estados Unidos hoje. A American Waldensian Society visa fomentar o diálogo e a parceria entre as Igrejas Valdensas na Itália e na América do Sul e as igrejas cristãs na América do Norte, a fim de promover uma visão convincente do testemunho cristão valdense para a América do Norte.Assim, a American Waldensian Society torna público o patrimônio histórico e contemporâneo com o qual a espiritualidade valdense está comprometida: "Conte a história; Encoraje Cruzamentos"; e fornecer suporte financeiro".[87]

As mais conhecidas Igrejas Valdenses na América estavam em Nova York, Monett, Missouri e em Valdese (Carolina do Norte). A igreja em Nova York foi dissolvida em meados da década de 1990.[88]

A American Waldensian Society auxilia igrejas, organizações e famílias na promoção da história e cultura valdenses. A sociedade se alia àqueles que trabalham para preservar sua herança milenar entre seus descendentes. Por exemplo, ao longo de 45 anos, os Old Colony Players em Valdese, Carolina do Norte, encenaram From This Day Forward, um drama ao ar livre contando a história dos valdenses e a fundação de Valdese.

As igrejas presbiterianas valdenses nos Estados Unidos e a American Waldensian Society têm ligações com a Igreja Evangélica Valdense de base italiana, mas, ao contrário das comunidades valdenses sul-americanas, hoje são instituições independentes da organização europeia.

Alemanha[editar | editar código-fonte]

Brasão de Le Bourcet (parte de Althengstett) em Württemberg.

Milhares de valdenses fugiram da Itália e da França para a Alemanha. Henri Arnaud (1641–1721), pastor e líder dos valdenses de Piemonte, resgatou seus correligionários de sua dispersão sob a perseguição de Vítor Amadeu II da Sardenha, o duque de Sabóia. Eberhard Louis, duque de Württemberg, convidou os valdenses para o seu território. Quando os valdenses foram exilados pela segunda vez, Arnaud acompanhou-os em seu exílio a Schönenberg e continuou a atuar como seu pastor até a morte. Aqueles que permaneceram na Alemanha foram logo assimilados pelas Igrejas do Estado (Luterana e Reformada) e fazem parte de vários Landeskirchen (igrejas nacionais) na Igreja Evangélica da Alemanha. Os novos colonos estavam livres em seus serviços religiosos e os mantiveram em francês até o século XIX. A comunidade valdense é frequentemente negligenciada, pois os huguenotes estavam em maior número. A casa de Henri Arnaud em Schönenberg, perto de Ötisheim, é hoje um museu. Uma placa comemorativa refere-se à introdução de batatas em Württemberg pelos valdenses.

Partes dos refugiados valdenses encontraram um novo lar em Hessen-Darmstadt, Kassel, Homburg, Nassau-Dillenburg e no então Grão-Duque-Württemberg. As novas comunidades fundadas em Rohrbach, Wembach e Hahn (hoje parte de Ober-Ramstadt), Walldorf (hoje Mörfelden-Walldorf), Bad Homburg-Dornholzhausen, Gottstreu e Gewissenruh (Oberweser), Charlottenberg. Ainda hoje, os nomes de família franceses (Gille, Roux, Granget, Conle, Gillardon, Comum, Jourdan, Pistão, Richardon, Servay, Conte, Baral, Gay, Orcellet ou Salen) mostram o passado da Saboia. Stuttgart abriga também uma comunidade valdense italiana com cerca de 100 membros.

Municípios como Pinache, Serres (ambos agora parte de Wiernsheim), Großvillars, Kleinvillars (parte de Oberderdingen), Perouse mostram a herança francesa, as últimas comunidades estão perto de Maulbronn e de seu monastério e escola. Maulbronn era o lugar das festividades para o 250º aniversário da emigração valdense para a Alemanha,[70] que desempenhou também um papel importante na reconciliação da Itália e Alemanha após a Segunda Guerra Mundial.[70]

A comunidade valdense é ativa e possui várias associações que mantêm o patrimônio específico e mantêm relações com seus pares na Itália e na América do Sul.[89][90][91][92] Isso inclui também um olhar atento sobre o ecumenismo, com os teólogos de influência valdense sendo mais duvidosos sobre uma cooperação mais forte com a Igreja Católica do que outros.

Brasil[editar | editar código-fonte]

No Brasil houve um pequeno fluxo imigratório, principalmente para o Rio Grande do Sul, unindo-se com denominações evangélicas locais.[93] Outros valdenses se estabeleceram no Rio de Janeiro e em São Paulo. Não formaram congregações como no Rio Grande do Sul, antes aderindo a diversas denominações evangélicas ou adotando uma postura secular.[94] A maior denominação protestante com elementos de herança valdense no Brasil é a Congregação Cristã no Brasil[95], e, de acordo com o censo realizado pelo IBGE em 2010, constitui-se como a 3ª maior denominação evangélica no país, com 2,2 milhões de membros.[96]

Doutrina[editar | editar código-fonte]

Dentre as doutrinas que os valdenses guardavam e pregavam, estão incluídas:[14]

  1. A morte expiatória e justificação de Cristo
  2. A divindade de Jesus Cristo (ousia)
  3. A queda do homem pelo pecado original
  4. A encarnação do Filho
  5. Negação do purgatório
  6. O valor da pobreza voluntária

Rejeitavam uma série de dogmas que eram amplamente mantidos na Europa cristã medieval. Por exemplo, afirmavam que as relíquias guardadas pela Igreja Católica eram apenas ossos e não deveriam ser tratados como especiais ou santos; peregrinações religiosas apenas gastavam dinheiro; carne poderia ser comida sem restrição de datas; água benta era tão eficaz quanto a água da chuva; e que um pregador no celeiro tinha o mesmo valor de um na Igreja. Celebravam a Santa Ceia uma vez por ano. Negavam a supremacia de Roma e consideravam o papado como o Anticristo; rejeitavam o culto às imagens vistas por eles como idolatria e se diziam guardadores da doutrina cristã apostólica. Eles foram acusados, além disso, de terem ridicularizado a doutrina da Transubstanciação e de terem se referido blasfemamente à Igreja Católica como sendo a "prostituta do Apocalipse".[97]

O poema La nobla leyczon, escrito língua occitana, falada no sul da França, dá um exemplo da crença valdensa. Acredita-se que este poema foi escrito entre 1190 e 1240, mas há evidências de que talvez tenha sido escrito na primeira parte do século XV. O poema ainda existe em quatro manuscritos: dois estão na Universidade de Cambridge, um no Trinity College (Dublin) e o outro em Genebra, na Suíça.[98]


Personalidades relacionadas aos valdenses[editar | editar código-fonte]

Referências

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Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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Ligações[editar | editar código-fonte]