Ellen G. White

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Broom icon.svg
As referências deste artigo necessitam de formatação (desde outubro de 2011). Por favor, utilize fontes apropriadas contendo referência ao título, autor, data e fonte de publicação do trabalho para que o artigo permaneça verificável no futuro.
NoFonti.svg
Este artigo ou secção cita fontes confiáveis e independentes, mas que não cobrem todo o conteúdo (desde outubro de 2011). Por favor, adicione mais referências e insira-as corretamente no texto ou no rodapé. Material sem fontes poderá ser removido.
Encontre fontes: Google (notícias, livros e acadêmico)
Ellen G. White
Ellen White em 1899
Nome completo Ellen Gold Harmon
(nascimento)
Nascimento 26 de novembro de 1827
Gorham, Maine
 Estados Unidos
Morte 16 de julho de 1915 (87 anos)
Santa Helena, Califórnia
 Estados Unidos
Nacionalidade Povo dos Estados Unidos norte-americana
Ocupação Escritora e co-fundadora da Igreja Adventista do Sétimo Dia
Principais interesses Teologia, Educação, Vida cristã, Saúde e evangelização
Ideias notáveis Grande Conflito, Mensagem de saúde, Igreja Remanescente

Ellen Gould White (Gorham, 26 de novembro de 1827Santa Helena, 16 de julho de 1915) foi uma escritora cristã americana e uma das fundadoras da Igreja Adventista do Sétimo Dia. É uma das escritoras mais traduzidas da história da literatura mundial[1] e é tida como profetisa pelos adventistas do sétimo dia.[2]

O Dom profético de Ellen White[editar | editar código-fonte]

A posição da Igreja Adventista sobre o dom de Ellen White[editar | editar código-fonte]

Manifestações proféticas foram descritas diversas vezes na Bíblia. Com base nos ensinamentos bíblicos de Joel 2 e Efésios 4, os adventistas do sétimo dia entendem que nos "últimos dias" (período que antecede a segunda vinda de Jesus) o "dom de profecia" seria novamente manifestado entre os cristãos para orientar a Igreja. Os adventistas se identificam como sendo o povo remanescente descrito em Apocalipse 12:17, o qual "guarda os mandamentos de Deus e tem o testemunho de Jesus". Para os adventistas, o "testemunho de Jesus" (que é o dom da profecia segundo Apocalipse 19:10) consiste nas mensagens de Ellen White.[3]

Baseados nos exemplos e ensinamentos bíblicos, os adventistas entendem que existem quatro características que distinguem um verdadeiro profeta de um falso profeta:[4][5] (1) sua mensagem deve estar em plena concordância com a Bíblia, (2) sua mensagem deve reconhecer a divindade e encarnação de Jesus Cristo, (3) deve produzir bons frutos em sua vida particular e sua mensagem deve impactar positivamente a vida daqueles que a aceitam, (4) suas predições devem cumprir-se. Para os adventistas, Ellen White possui todas estas características[6] e, portanto, eles a consideram uma profetisa contemporânea.[7]

Os adventistas, entretanto, não colocam Ellen White na mesma categoria dos grandes profetas como Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel, cujos escritos formam parte das Escrituras Sagradas. Eles entendem que Ellen White entra na linha de profetas que foram chamados por Deus para dar ânimo, conselho e admoestação ao povo de Deus, mas cujos escritos não entram no cânon sagrado. Temos os seguintes exemplos de profetas desta linha: Natã, Gade, Enã, Asafe, Semaías, Azarias, Eliézer, Aías, Ido e Obede no Antigo Testamento, e Simeão, João Batista, Ágabo e Silas no Novo. A linha também inclui mulheres como Miriã, Débora e Hulda, que foram denominadas profetisas, em tempos antigos, bem como Ana ao tempo de Cristo, e as quatro filhas de Filipe, "que profetizavam" segundo Atos 21:9.[8]

A posição de Ellen White sobre o seu dom[editar | editar código-fonte]

Ellen White jamais assumiu o título de profetisa, mas não se opunha a que os outros assim a identificassem. Ela explicou: “Cedo em minha juventude foi-me perguntado muitas vezes: É você uma profetisa? Sempre tenho respondido: Sou a mensageira do Senhor. Sei que muitos me têm chamado de profetisa, mas jamais reivindiquei esse título. ... Por que não reivindico ser chamada de profetisa? Porque nestes dias muitos que audaciosamente pretendem ser profetas, representam um opróbrio à causa de Cristo; e porque minha obra inclui muito mais do que o termo ‘profeta’ significa. ... Reivindicar ser profetisa é algo que jamais fiz. Se outros me chamam por esse nome, não discuto com eles. Mas a minha obra abrange tantos aspectos, que não posso chamar-me a mim mesma senão uma mensageira.”[9]

Obra literária de Ellen White[editar | editar código-fonte]

Durante sua vida, Ellen White escreveu a mão mais de 5 mil artigos e 40 livros. À época de sua morte as produções literárias de Ellen White totalizavam aproximadamente 100.000 páginas: 24 livros em circulação; dois manuscritos de livros prontos para publicação; 5.000 artigos em periódicos da igreja; mais de 200 tratados e panfletos; aproximadamente 35.000 páginas datilografadas de documentos e cartas manuscritas; 2.000 cartas escritas à mão e diários, que resultaram, quando copiados, em outras 15.000 páginas datilografadas. As compilações dos escritos de Ellen White feitas após a sua morte totalizam um número de livros em circulação de mais de 130.[10] Hoje em dia, incluindo compilações de seus manuscritos, mais de 150 livros estão disponíveis em inglês, e cerca de 90 em português.[11]

Temática[editar | editar código-fonte]

As obras de Ellen White tratam de teologia, evangelização, vida cristã, educação e saúde (ela foi uma defensora do vegetarianismo). Seus escritos são restauracionistas e se esforçam para mostrar a mão de Deus guiando os cristãos ao longo da história. Nos seus livros, ela evidencia a existência de um conflito cósmico sendo travado na terra entre o bem (Deus) e o mal (Satanás). Esse conflito é conhecido como “o grande conflito” e foi fundamental para o desenvolvimento da teologia adventista.

Popularidade[editar | editar código-fonte]

Na década de 1980, Roger W. Coon (autor do livro "A Gift of Light") fez uma pesquisa na Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos e concluiu que, naquela época, Ellen White era a quarta autora mais traduzida na história da literatura, possuindo livros traduzidos para 117 línguas diferentes. Como os três primeiros colocados eram homens não americanos, isto conferiu a Ellen White, naquela época, o título de escritora mulher mais traduzida de todos os tempos bem como o título de autor americano mais traduzido de todos os tempos.[12]

Atualmente, quase três décadas depois da pesquisa de Roger W. Coon, Ellen White possui livros traduzidos em mais de 160 línguas diferentes. O seu livro mais popular é Caminho a Cristo, que apresenta a essência do viver cristão. Este livro foi publicado pela primeira vez em 1892 e, de acordo com o The Ellen G. White Estate[13] (organização proprietária dos escritos originais de Ellen White e responsável pela publicação de suas obras), desde então já foi publicado em mais de 165 línguas.[14] Assim, embora não se tenha um ranking atual exato, este número certamente faz do livro "Caminho a Cristo" uma das obras literárias mais traduzidas de todos os tempos[15] e, consequentemente, de Ellen White uma das escritoras mais traduzidas da história da literatura mundial.

Outras obras bastante populares de Ellen White são "O Desejado de Todas as Nações", que apresenta uma biografia de Jesus Cristo, e "O Grande Conflito", que narra o conflito entre o bem e o mal começando pelo início do cristianismo e chegando até o final dos tempos.

Assistentes literários[editar | editar código-fonte]

Ao escrever, Ellen White nem sempre usava de maneira perfeita a gramática, ortografia, pontuação, construção de sentenças ou parágrafos. Ela reconhecia francamente sua falta de tais habilidades técnicas. Em 1873 ela lamentou: "Não sou um erudito. Não posso preparar meus próprios escritos para o prelo.... Não sou um gramático" (Mensagens Escolhidas, vol. 3, p. 90). Ela sentiu necessidade da ajuda de outros no preparo de seus manuscritos para publicação.

Seu filho W. C. White descreve os limites que ela estabeleceu para os assistentes: "Aos copistas de mamãe é confiada a obra de corrigir os erros gramaticais, de eliminar repetições desnecessárias, e de agrupar os parágrafos e seções na melhor ordem....As experientes colaboradoras de minha mãe, tais como as irmãs Davis, Burnham, Bolton, Peck e Hare, que estão muito familiarizadas com seus escritos, são autorizadas a pegar uma sentença, parágrafo, ou seção de um manuscrito e incorporá-los em outro manuscrito onde o mesmo pensamento foi expresso mas não tão claramente. Mas nenhuma das funcionárias de mamãe está autorizada a fazer acréscimos aos manuscritos introduzindo ideias próprias" (W. C. White para G. A. Irwin, 7 de maio de 1900).

Apesar do trabalho dos assistentes, nada ficava sem a supervisão de Ellen White: "Leio tudo que é copiado, para ver se tudo está como deveria. Leio todo o manuscrito do livro antes de mandá-lo para o impressor. Desta maneira, você pode ver que meu tempo é completamente ocupado" (Carta 133, 1902).

Omissão de trechos[editar | editar código-fonte]

Em 1883, respondendo à acusação de que havia suprimido parte de sua mensagem, Ellen White escreveu: "Ao contrário de desejar reter qualquer coisa que eu tenha publicado, sentiria grande satisfação em dar ao público cada linha de meus escritos já publicados". (Mensagens Escolhidas, vol. 1, p. 60)

Uma análise das alegadas "supressões" de Ellen White pode ser encontrada em Ellen G. White and Her Critics, de F. D. Nichol, pp. 267–285 e 619-643.

Disponibilidade[editar | editar código-fonte]

Quase a totalidade dos escritos publicados de Ellen White podem ser acessados online gratuitamente, em dezenas de diferentes idiomas incluindo o português.[16] Tais obras também podem ser acessadas através de aplicativo de celular[17] e baixadas em formato de ebook. [18] Algumas delas também podem ser baixadas em formato de audiolivro.[19]

As obras não publicadas (cartas e manuscritos) podem ser pesquisados para estudo em um dos diversos "Centros de Pesquisa Ellen G. White" da IASD estabelecidos ao redor do mundo,[20] dois dos quais no Brasil (um no UNASP de Engenheiro Coelho-SP e outro na FADBA em Cachoeira-BA)[21].

Biografia[editar | editar código-fonte]

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Ellen Gold Harmon e sua irmã gêmea Elizabeth Gold Hamon nasceram em 26 de novembro de 1827, filhas de Robert e Eunice Harmon. Em uma casa com oito filhos, a vida era interessante e ocupada. A família vivia em uma pequena fazenda próxima à vila de Gorham, Maine, ao norte dos EUA. Entretanto, poucos anos após o nascimento das gêmeas, Robert Harmon desistiu de ser fazendeiro e mudou-se com sua família para a cidade de Portland, cerca de 12 milhas ao leste. Durante sua infância, Ellen auxiliava a família trabalhando com seu pai na fabricação de chapéus. Aos nove anos de idade, ao retornar da escola para sua casa em uma tarde, ela foi gravemente atingida em sua face por uma pedra lançada por uma colega de classe por um motivo banal. Durante três semanas Ellen permaneceu inconsciente e, nos anos posteriores, sofreu muito na recuperação da grave lesão que lhe desfigurou o nariz.[22]

A educação formal de Ellen foi interrompida abruptamente, e a todos parecia que a pequena jovem, até então promissora, não viveria por muito tempo. No ano de 1840, Ellen e seus pais participaram de uma reunião campal da Igreja Metodista em Buxton, Maine, e Ellen, na ocasião com 12 anos de idade, entregou seu coração a Deus. Em 26 de junho de 1842, a seu pedido, ela foi batizada por imersão em Casco Bay, Portland. No mesmo dia, Ellen foi aceite como membro da Igreja Metodista.[23]

O Início de seu ministério[editar | editar código-fonte]

Ellen White relatou sobre sua primeira experiência visionária em dezembro de 1844, aos 17 anos, não muito tempo depois do Grande Desapontamento de 22 de outubro de 1844.

"Nesta época visitei a irmã Haines, uma irmã em Cristo cujo coração estava cingido ao meu. Éramos cinco pessoas, todas mulheres, reverentemente curvadas ante o altar da família. Enquanto orávamos, o poder de Deus desceu sobre mim como antes não o experimentara ainda. Pareceu-me estar rodeada de luz, e ir-me elevando acima da Terra." (Testemunhos Seletos, vol. 2, p. 270)

A primeira visão da Irmã. White tinha por objetivo erguer os adventistas desencorajados e fragmentados a fim de uní-los novamente. Ela viu o "povo do advento" viajando em um alto e reto caminho em direção à Nova Jerusalém. "Tinham uma luz brilhante colocada por trás deles no começo do caminho, a qual um anjo me disse ser o "clamor da meia-noite". Alguns dos viajantes ficaram cansados e foram encorajados por Jesus; outros negavam a existência da luz que os guiava e "caíam do caminho para baixo, no mundo tenebroso e ímpio". A visão continuou com cenas da segunda vinda de Cristo, seguida da entrada do povo do advento na Nova Jerusalém; e termina com o retorno de Ellen White à Terra, sentindo-se solitária, desolada e almejando um "mundo melhor". Como Godfrey T. Anderson salienta, "Com efeito, a visão garantiu ao povo adventista um eventual triunfo, a despeito do imediato desespero no qual eles haviam mergulhado.[24]

A segunda visão de White relacionava-se às visões de Crozier sobre o desapontamento de 22 de outubro. Ela tornou-se conhecida como a visão do "Noivo"; Ellen White a recebeu em Exeter, Maine, em fevereiro de 1845. Juntamente com a terceira visão, onde White viu a nova terra, essas visões "Deram um contínuo significado à experiência de outubro de 1844 e apoiou o desenvolvimento do pensamento racional sobre o santuário. Além disso, as visões desempenharam um importante papel no combate às visões espirituais de muitos adventistas fanáticos que retratavam o Deus e Jesus como seres literais e o Céu como um lugar físico." [25]

Temendo uma recepção negativa, Ellen não compartilhou suas visões com toda a comunidade Milerita, até que, durante uma reunião na casa de seus pais, ela recebeu o que ela considerou como sendo uma confirmação sobrenatural de seu ministério:

"Enquanto orávamos, a densa escuridão que me envolvia foi dispersa, uma luz brilhante, como uma bola de fogo, veio em minha direção. Senti como se ela estivesse sobre mim e então minhas forças foram tomadas. Eu parecia estar na presença de Jesus e dos anjos. Novamente foi dito, ‘Torne conhecido a outros o que lhe revelei’."[26]

Logo em seguida, Ellen começou a dar seu testemunho publicamente, em reuniões que muitas vezes ela mesma organizou; como também nos encontros regulares da Igreja Metodista realizados em casas particulares.

"Combinei reuniões com minhas jovens amigas, algumas das quais eram bem mais velhas do que eu, e algumas eram pessoas casadas. Várias delas eram vãs e irrefletidas; minha experiência assemelhava-se-lhes um conto ocioso, e não davam ouvidos às minhas súplicas. Decidi, porém, que meus esforços não cessariam enquanto essas queridas almas, por quem sentia tão grande interesse, não se entregassem a Deus. Várias noites inteiras foram passadas por mim em fervorosa oração por aquelas a quem eu havia buscado e reunido no intuito de trabalhar e orar por elas."[27]

As notícias de suas visões propagaram-se, e em seguida White fez viagens a fim de pregar aos grupos de seguidores Mileritas no Maine e nas regiões ao redor. Suas visões não foram divulgadas mais amplamente até 24 de janeiro de 1846, quando o relato da primeira visão de White, "Letter From Sister Harmon" foi publicado em Day Star, um folheto Milerita publicado em Cincinnati, Ohio, por Enoch Jacobs. Ela escreveu a Jacobs para encorajá-lo, e embora ela tenha dito que a carta não foi escrita para ser publicada, Jacobs publicou-a da mesma forma. Ao longo dos poucos anos que se seguiram, ela foi republicada de diversas maneiras, fazendo também parte do primeiro livro de White, Christian Experience and Views, publicado em 1851.

Dois Mileritas afirmaram ter tido visões antes de Ellen White – William Ellis Foy (1818-1893), e Hazen Foss (1818-1893). Os Adventistas crêem que o dom oferecido anteriormente a estes dois homens foi transferido para Ellen White, por eles o haverem rejeitado[28] tendo em vista a responsabilidade, o trabalho e as dificuldades que enfrentariam ao se tornarem mensageiros da Palavra do Senhor,

Casamento e família[editar | editar código-fonte]

James e Ellen White.

Em 1845 Ellen encontrou com aquele que viria a ser seu esposo, James Springer White, um milerita que se convenceu de que as visões de Ellen eram genuínas. Um ano mais tarde, Tiago a pediu em casamento, e em 30 de agosto de 1846 eles se casaram perante um juiz de paz em Portland, Maine. Mais tarde Tiago escreveu:

"Casamo-nos em 30 de agosto de 1846, e daquele momento em diante ela tem sido minha coroa de júbilo… Têm sido na boa providência de Deus que nós temos nos regozijado com a profunda experiência do movimento adventista. Tal experiência é agora necessária para que unamos nossas forças e unidos, possamos trabalhar extensivamente do oceano Atlântico ao Pacífico…"[29]

Tiago e Ellen tiveram quatro filhos, todos homens: Henry Nichols, nascido em 26 de agosto de 1847; James Edson, nascido em 28 de julho de 1849; William Clarence, nascido em 29 de agosto de 1854; e John Hebert, nascido em 20 de setembro de 1860.

Somente Edson e William viveram até a vida adulta. John Hebert morreu de erisipela aos três meses de idade, e Henry faleceu de pneumonia aos 16 anos em 1863.[30]

O decorrer de sua vida[editar | editar código-fonte]

Ao descrever suas experiências com visões, Ellen White dizia ser envolvida por uma brilhante luz. Nestas visões ela estaria na presença de Jesus ou de anjos que lhe mostrariam eventos (históricos e futuros) e lugares (na terra, no céu, ou outros planetas), ou lhe davam informações. Ela descrevia o fim dessas visões como sendo envolvida e trazida de volta à escuridão da Terra. Segundo testemunhado publicamente por congregações e até por descrentes de seu dom, entre eles um médico, quando estava em visão não respirava, ficava de olhos abertos como se olhasse ao longe. Neste estado podia ficar por minutos ou horas. Ao sair da visão, lhe era determinado imediatamente escrevê-la.

As transcrições das visões de White geralmente continham teologia, profecia, ou conselhos pessoais a indivíduos ou a líderes adventistas. Um dos melhores exemplos de seus conselhos pessoais é encontrado em um livro intitulado Testemunhos para a Igreja, uma série de 9 volumes, que contém testemunhos publicados para a edificação geral da igreja. As versões faladas e escritas de suas visões desempenham um papel significativo em moldar a estrutura organizacional da emergente Igreja Adventista do Sétimo Dia. Além disso, elas continuam a ser usados por líderes da igreja no desenvolvimento das políticas da Igreja e para a leitura devocional.

Em 14 de março de 1858, em Lovett Grove, Ohio, White recebeu uma visão enquanto participava de um funeral. Naquele dia, Tiago White escreveu que "Deus manifestou Seu poder de forma maravilhosa" acrescentando que "muitos se decidiram a guardar o Sábado do Senhor e se unir ao povo de Deus." Ellen, no seu escrito sobre esta visão, declarou ter recebido instruções práticas para membros da igreja, e algo ainda mais significativo: um vislumbre cósmico do conflito "entre Cristo e Seus anjos, e Satanás e seus anjos." Ellen White exporia este tema do grande conflito que finalmente se transformaria na série Conflito dos Séculos.[31]

O ministério após a morte de seu marido[editar | editar código-fonte]

Após 1882 Ellen White foi assistida de perto por amigos e associados. Ela contratou assistentes literárias que a ajudariam no preparo de seus escritos para a publicação.[32][33] Também mantinha uma intensiva correspondência com líderes da igreja. Ellen, então, viajou para a Europa em sua primeira viagem internacional. Após seu regresso, ela apoiou E.J. Waggooner e A.T. Jones, jovens pastores, no desenvolvimento da doutrina da Justificação pela Fé. Alguns líderes da igreja resistiram ao seu conselho e, para evitar conflitos, ela foi enviada a Austrália como missionária.[34].

Falecimento[editar | editar código-fonte]

Ellen G. White faleceu em Santa Helena em 16 de julho de 1915 aos 87 anos. Encontra-se sepultada em Oak Hill Cemetery, Battle Creek, Michigan nos Estados Unidos.[35] Suas últimas palavras foram: "Eu sei em quem tenho crido".

A mensagem de Ellen White[editar | editar código-fonte]

A vontade de Ellen White era que o mundo fosse "contagiado" pela mensagem da segunda volta de Cristo à Terra para buscar aqueles que servem ao único Deus. Ela diz em seus escritos: "Eu sinto meu espírito agitado dentro de mim. Eu sinto até o fundo de minha alma que a verdade deve ser levada a outros países e nações, e a todas as classes. Que os missionários da cruz proclamem que há um só Deus, e um Mediador entre Deus e os homens, o qual é Jesus Cristo, o Filho do Infinito Deus. Isto precisa ser proclamado em cada igreja em nossa terra. Os cristãos precisam saber disso, e não colocar os homens onde Deus deveria estar, para que eles não sejam mais adoradores de ídolos, mas sim do Deus vivo. Existe idolatria nas nossas igrejas.".[36]

Muitas vezes, sua mensagem era reflexo dos pensamentos dos Adventistas pioneiros de sua época.[37] Esses pensamentos ela chamou de "Fundamentos da Nossa Fé" e escreveu: "Quando o homem vier mover um alfinete do nosso fundamento o qual Deus estabeleceu pelo seu Santo Espírito, deixe os homens de idade que foram os pioneiros no nosso trabalho falar abertamente, e os que estiverem mortos falem também, reimprimindo os seus artigos das nossas revistas. Juntemos os raios da divina luz que Deus tem dado, e como Ele guiou seu povo, passo a passo no caminho da verdade. Esta verdade permanecerá pelo teste do tempo e da experiência."[38]

Sobre a sublime missão da mulher (ser mãe), escreveu Ellen G. White: "Ela não tem, como o artista, de pintar na tela uma bela forma, nem como o escultor, de cinzelá-la no mármore. Não tem como o escritor, de expressar um nobre sentimento em eloquentes palavras, nem como o músico, de exprimir em melodia um belo sentimento. Ela tem, sim, com o auxílio divino, de gravar na alma humana a imagem de Deus".[39]


Controvérsias[editar | editar código-fonte]

A irmã White foi uma figura controversa em seu tempo, gerando ainda hoje muitas discussões, especialmente entre outros grupos cristãos, assim como de pessoas de outras religiões. Ellen afirmou ter recebido uma visão logo após o Grande Desapontamento Milerita. Num contexto onde muitas outras pessoas alegavam também ter recebidos visões, ela era conhecida por sua convicção e fervorosa fé. Randall Balmer, a descreveu como "uma das figuras mais vibrantes e fascinantes da história da religião americana."[40]Walter Martin afirmou que ela era "uma das personagens mais fascinantes e controversas do seu tempo a aparecer no horizonte da história religiosa."[41]

Alguns ensinamentos de Ellen G. White causaram controvérsia, tanto na academia quanto entre religiosos. Passagens da obra de Ellen G. White também já foram acusadas de racismo e de plágio. Entre as polêmicas, encontram-se alertas contra a masturbação, que ela considerava uma fonte de debilidades físicas, e o consumo de carnes consideradas pela Bíblia como imundas, principalmente de porco, que, segundo Ellen G. White, causaria males a saúde, e o casamento que ela julgava ser desigual entre pessoas de raças diferentes.


Referências

  1. Para detalhes, ver o item "Popularidade" na seção "Obra literária de Ellen White" neste artigo da Wikipédia
  2. Para detalhes, ver a seção "O dom profético de Ellen White" neste artigo da Wikipédia
  3. Nisto Cremos, Capítulo 17 (Tatuí, São Paulo: CPB). 2003. 
  4. «Testando um profeta.». Consultado em 05 de Novembro de 2016. 
  5. Nisto Cremos, Capítulo 17 (Tatuí, São Paulo: CPB). 2003. 
  6. Nisto Cremos, Capítulo 17 (Tatuí, São Paulo: CPB). 2003. 
  7. «Declaração Oficial de Crenças Fundamentais da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Crença nº18: O Dom de Profecia.». Consultado em 28 de Outubro de 2016. 
  8. Questões Sobre Doutrina, Capítulo 9 (Tatuí, São Paulo: CPB). 2009. 
  9. Nisto Cremos, Capítulo 17 (Tatuí, São Paulo: CPB). 2003. 
  10. [1]Os escritos de Ellen G. White
  11. [2] Biografia de Ellen white
  12. [3] Ellen White é a autora cristã mais traduzida na América? (página em inglês)
  13. [4]Página oficial do The Ellen G. White Estate
  14. [5] Qual é o livro mais popular de Ellen White? (página em inglês)
  15. [6]Lista de obras literárias por número de tradução (Página em inglês]
  16. [7] Escritos de Ellen White
  17. [8] Aplicativo Livros de EGW
  18. [9] Ebooks de Ellen White
  19. [10] Audiolivros de Ellen White
  20. [11] Vida e ministério de Ellen G. White
  21. [12] Endereços dos Centros de Pesquisa Ellen White (página em inglês)
  22. H.W. Wilson, American Reformers: Biographical Dictionary, p 868, 1985
  23. Laura Lee Vance, eventh-Day Adventism in Crisis: Gender and Sectarian Change in an Emerging Religion, University of Illinois Press, 1999
  24. EGW, Spiritual Gifts vol. 2, p.30, 1860. Early Writings, p. 14-15.
  25. Merlin D. Burt, "The Historical Background, Interconnected Development, and Integration of the Doctrines of the Heavenly Sanctuary, the Sabbath, and Ellen G. White's Role in Sabbatarian Adventism from 1844-1849", PhD, Andrews University, 2002, 170.
  26. EGW, Spiritual Gifts vol. 2, p. 37, 1860
  27. EGW, Life Sketches of Ellen G. White, p. 41
  28. Douglass, Herbert E., "Mensageira do Senhor: O ministério profético de Ellen G. White" (ed) Casa Publicadora Brasileira, Tatuí, São Paulo, 2001, pp. 38-42
  29. EGW, Life Sketches, 1880 edition, 126, 127.
  30. http://www.centrowhite.org.br/ellendoc-2a.htm
  31. EGW, Life Sketches of Ellen G. White, p. 162
  32. EGW, Mensagens Escolhidas, vol. 3, p. 90. (ed) Casa Publicadora Brasileira, 1980
  33. Douglass, Herbert E., "Mensageira do Senhor: O ministério profético de Ellen G. White" (ed) Casa Publicadora Brasileira, Tatuí, São Paulo, 2001, pp. 157, 158, 312-319
  34. Wieland, Robert J.,Short,Donald K. "1888 Reexaminado" (ed)1888 Message Study Committee [Comissão de Estudo da Mensagem de 1888]915 Parks Avenue, SE Paris, OH 44669-9746 USA P.O.Box 217, Chicago Park, CA 95712 USA, 1987.
  35. Ellen G. White (em inglês) no Find a Grave
  36. EGW, 1888 Materials, p. 886, 1888
  37. http://www.centrowhite.org.br/Minneapolis/documentos/smith_justificacao/
  38. EGW, Manuscript Release, Vol 1, p. 55, 24 de Maio de 1905
  39. EGW, A Ciência do Bom Viver, p. 378. (ed) Casa Publicadora Brasileira, 1980
  40. BALMER, Randall. White, Ellen Gould in Encyclopedia of Evangelicalism. pág. 614-615
  41. MARTIN, Walter. The Kingdom of the Cults. Minneapolis. Minnesota: Bethany Fellowship, 1965. Pág. 379


Ligações externas[editar | editar código-fonte]