Movimento Popular de Libertação de Angola

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Movimento Popular de Libertação de Angola
Presidente José Eduardo dos Santos
Secretário Julião Mateus Paulo
Fundação 1958
Sede Luanda, Angola
Ala jovem Juventude do MPLA
Membros  (2008) 2 700 000[1]
Ideologia Social democracia (actualmente)
Marxismo-Leninismo (1977-1991)
Afiliação Internacional Internacional Socialista
Cores Vermelho
Website
http://www.mpla-angola.org/
Angola
Coat of arms of Angola.svg

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Política e governo de
Angola



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O Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) é um partido político de Angola, que governa o país desde sua independência de Portugal em 1975. Foi, inicialmente, um movimento de luta pela independência de Angola, transformando-se num partido político após a Guerra de Independência de 1961-74. Conquistou o poder em 1974/75, durante o processo de descolonização e saiu vencedor da Guerra Civil Angolana de 1975-2002, contra dois movimentos/partidos rivais, a UNITA e a FNLA

Índice

[editar] História

Bandeira do Movimento Popular de Libertação de Angola, inspiração para a Bandeira de Angola.

[editar] Fundação, guerra anti-colonial, descolonização

O MPLA surgiu em 1958 [nota 1] da fusão de vários pequenos grupos anti-coloniais, inclusive da recentemente constituída célula de Luanda do Partido Comunista Português, iniciando a sua acção em 1961 [nota 2] entre os finais dos anos de 1950, princípios de 1960 agrupando as principais figuras do nacionalismo angolano, entre estudantes no exterior, sobretudo em Portugal - e lutadores contra o colonialismo que fugiam do interior de Angola.

Dirigido por António Agostinho Neto, e tendo como secretário geral Viriato da Cruz, o MPLA organizou uma luta armada contra a dominação colonial de Angola por Portugal. Em 1961, Lúcio Lara torna-se o seu secretário geral e o pivô da actividade organizacional e militar [nota 3].

Um outro movimento, a FNLA (Frente Nacional de Libertação de Angola), havia começado acções de luta pouco antes. Apesar das tentativas, não foi viável o entendimento entre os dois movimentos [3]. Nos anos 1960 constituiu-se um terceiro movimento, a UNITA (União Nacional para a Independência Total de Angola).

Durante o seu combate anti-colonial, o MPLA conheceu várias dissidências importantes e até existenciais, a começar com a saída de Viriato de Cruz já em 1961. A crise mais grave deu-se no início dos anos 1970, quando o MPLA se dividiu em três "alas" praticamente autónomas - a "Revolta Activa", liderada por Mário de Andrade, e a "Revolta do Leste", liderada por Daniel Chipenda, ambas opostas a Agostinho Neto, e a "Ala Presidencial", fiel a Agostinho Neto. Esta dupla cisão foi superada em 1974, por uma conferência de unificação realizada na Zâmbia, mas levou à expulsão ou saída espontânea de uma série de elementos, e deixou profundas marcas.

Terminada a luta de libertação, na sequência do 25 de Abril em Portugal, os três movimentos, (MPLA, FNLA e UNITA) iniciaram de imediato entre eles uma luta armada pelo poder, com a ajuda dos países que os apoiavam. Proclamaram separadamente a independência do país, sem que tivesse acontecido a pacificação interna. Deste conflito, o MPLA saiu como vencedor imediato [4].

É frequente, numa leitura etno-linguística e racial da política angolana ligar-se o MPLA à região dos Ambundu e ao segmento populacional dos mestiços. Esta leitura corresponde a uma realidade inicial que, no entanto, foi superada numa medida considerável, pela inclusão de elementos de outras proveniências tanto nos quadros como na base social de apoio [nota 4].

[editar] O MPLA como força dominante da Angola independente

Em 1977, o MPLA sofreu um sério abalo com uma nova dissidência, liderada por Nito Alves que tentou um golpe de estado contra a direcção do partido. Esta tentativa, oficialmente designada por Fraccionismo, falhou de imediato graças à intervenção de tropas cubanas presentes no país, levando posteriormente a uma purga sangrenta que custou a vida a milhares de pessoas [5][6].

Sob o impacto destes acontecimentos, o MPLA adoptou durante o seu primeiro congresso, realizado em 1977, a designação "MPLA-PT" (MPLA - Partido do Trabalho) e os seus estatutos passaram a incluir a designação de partido Marxista-Leninista. O entendimento foi, no entanto, que se procuraria pôr em prática o modelo marxista do "socialismo", não o do "comunismo". O MPLA-PT governou Angola em regime de partido único, inspirado pelos sistemas então vigentes na Europa do Leste. Quando Angola passou em 1991 para o sistema democrático multipartidário, o MPLA abdicou do Marxismo-Leninismo e passou a ser um partido politicamente constituído próximo da social democracia, pelo seu discurso, mas de fortes tendências neo-liberais, pela sua prática.

Em 1992 Angola viveu as suas primeiras eleições, parlamentares e presidenciais. O MPLA ganhou as primeiras, mas nas últimas o seu candidato, José Eduardo dos Santos, não obteve a maioria absoluta requerida na primeira volta. A UNITA não aceitou estes resultados como correctos e válidos, desencadeando de imediato a Guerra Civil Angolana [7].

[editar] Transformações contemporâneas

Em 2002, como resultado dos acordos do Luena, foram criadas condições para as eleições seguintes, graças aos esforços e entendimento dos angolanos, que culminou no tratado da paz em 4 de Abril de 2002 entre os principais intervenientes da guerrilha, o Governo e a UNITA. Desde então foram realizados esforços no sentido de fazer o país seguir o curso normal que deve seguir um país com um sistema democrático, e repor com isto a regularidade.

As eleições realizaram-se, a 5 de Setembro de 2008 e decorreram num clima de tranquilidade e paz social, tendo sido consideradas livres e justas e um exemplo para os outros países africanos, entrando numa era de consolidação da sua democracia bem como da liberdade de expressão e manifestação dos seus cidadãos.

Nas eleições legislativas realizadas em 2008, o MPLA ganhou por maioria absoluta com cerca de 82% dos votos enquanto que o seu mais directo oponente, a UNITA não foi além dos 10%. De uma maneira geral, não houve contestação aos resultados destas últimas eleições [8].

[editar] Menções na cultura popular

O MPLA é mencionado em alguns produtos culturais, mais notavelmente as canções "Anarchy in the U.K.", dos Sex Pistols e "Morena de Angola", de Chico Buarque. Na primeira, é feita uma comparação entre a Inglaterra do final da década de 1970 com a Guerra Civil Angolana. Na segunda, composta por Chico Buarque para Clara Nunes após uma visita a Angola, o MPLA é mencionado como uma forma sutil de demonstrar o despertar de uma consciência política na cantora.

Notas

  1. A historiografia oficial do MPLA indica geralmente 1956 como data de fundação, mas a investigação dos historiadores especializados na matéria bem como a documentação de Lúcio Lara estabelecem 1958
  2. A reconstrução mais cuidadosa e diferenciada deste processo complexo continua a ser o livro "John Marcum. The Angolan Revolution. Cambridge/Mass. & Londres: MIT Press, 1969. vol. I The Anatomy of an Explosion (1950-1962).".
  3. A trajectória do MPLA até 1974 é documentada e ilustrada no livro "Associação Tchiweka de Documentação. Lúcio Lara (Tchiweka) 80 anos: Imagens de um percurso até à conquista da independência. Luanda: Edições ATD, 2010."
  4. Uma primeira análise detalhada deste aspecto é oferecida em "Fidel Raul Carmo Reis. Das políticas de classificação às classificações políticas (1950 - 1996): A configuração do campo político angolano. Contributo para o estudo das relações raciais em Angola. Lisboa: ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa, 2010. (Tese de doutoramento em história)".

Referências

  1. "N.º 1793 10.Abril.2008" - "Trata-se de um partido com 2 700 000 militantes,(...)" - http://www.avante.pt/pt/1793/emfoco/24123/ NB: Face a uma população total de 18 a 20 milhões, o número adiantado neste fonte não merece credibilidade.
  2. Direcção do MPLA. Pagina oficial do MPLA. Página visitada em 16 de Fevereiro de 2012.
  3. Jean Martial Mbah. Les rivalités politiques entre la FNLA et le MPLA, 1961 - 1975. Paris: Université de Paris I, 2005. 2 vol. (Dissertação de doutoramento em história)
  4. Franz-Wilhelm Heimer, O processo de descolonização em Angola, 1974-75, Lisboa: A Regra do Jogo, 1979
  5. Dalila Cabrita Mateus & Álvaro Mateus. A purga em Angola: Nito Alves, Sita Valles, Zé Van Dúnem: O 27 de Maio de 1977. Lisboa & Porto: Asa Editora, 2007.
  6. Rafael del Pino. Proa a la libertad. México: Planeta, 1991.
  7. Margaret Anstee. Órfão da Guerra Fria: Radiografia do colapso do processo de paz angolano, 1992/1993. Porto: Campo das Letras, 1997.
  8. Angolan ex-rebels accept defeat (em inglês). BBC (9 de Setembro de 2008). Página visitada em 20 de Dezembro de 2010.

[editar] Bibliografia

  • Don Barnett & Roy Harvey, The Revolution in Angola: MPLA, Life Histories and Documents, Nova Iorque: Bobbs-Merrill, 1972
  • John Marcum, The Angolan Revolution, 2 vol., Cambrige/Mass. & Londres: MIT Press, 1969 e 1978
  • Mário de Andrade & Marc Ollivier, La guerre en Angola, Paris: Maspéro, 1971
  • Carlos Pacheco, MPLA: Um nascimento polémico. As falsificações da história, Lisboa: Vega, 1997
  • Lúcio Lara, Um amplo movimento: Itinerário do MPLA através de documentos e anotações, vol. I, Até Fevereiro de 1961, 2ª ed., Luanda: Lúcio & Ruth Lara, 1998, vol. II, 1961-1962, Luanda: Lúcio Lara, 2006, vol. III, 1963-1964, Luanda: Lúcio Lara, 2008
  • Jean-Michel Mabeko Tali: Dissidências e poder de Estado: O MPLA perante si próprio (1966–1977), Luanda: Nzila, 2001.
  • Fernando Tavares Pimenta, Angola no percurso de um nacionalista: Conversas com Adolfo Maria, Porto: Afrontamento, 2006.
  • Fátima Salvaterra Peres, A Revolta Activa: Os conflitos identitários no contexto da luta de libertação (em Angola), dissertação de mestrado, Universidade Nova de Lisboa, 2010
  • Edmundo Rocha, Angola: Contribuição ao estudo do nacionalismo moderno angolano. Testemunho e estudo documental. Período de 1950-1964, 2 volumes, Luanda: Nzila e Lisboa: Edição do autor, 2002 e 2003, respectivamente


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