STS-51-L

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STS-51-L/STS-33 (25)
Insígnia da missão
Estatísticas da missão
Espaçonave Challenger
Lançamento 28 de janeiro de 1986
16:38:00.010 GMT
39-B
Aterrissagem Agendada para 3 de fevereiro de 1986
12:12 p.m. EST (17:12 GMT)
-
Órbitas 96 planejadas
Duração 1 minutos, 13,213 segundos
Altitude orbital 150 milhas náuticas (280 km) planejado
Inclinação orbital 28,5 graus planejados
Distância percorrida 2 528 658 (4 069 481 km)
Imagem da tripulação
Na frente:Michael Smith, Francis Scobee, Ronald McNair. Atrás:Ellison Onizuka, Christa McAuliffe, Gregory Jarvis, Judith Resnik.
Na frente:Michael Smith, Francis Scobee, Ronald McNair. Atrás:Ellison Onizuka, Christa McAuliffe, Gregory Jarvis, Judith Resnik.
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Jay Greene, diretor da missão, em sua mesa de controle poucos momentos após a explosão.

STS-51-L foi o 25º voo do programa do ônibus espacial norte-americano, realizado com a nave Challenger, e que marcaria o primeiro voo de um civil a bordo de um ônibus espacial, a professora Christa McAuliffe. Lançado em 28 de janeiro de 1986 de Cabo Canaveral, na Flórida, a nave explodiu 73 segundos após a decolagem, matando os sete tripulantes.

A tragédia, causada pelo rompimento de um anel de vedação no tanque externo de combustível sólido da nave, causando um incêndio seguido de explosão, foi o primeiro acidente fatal, em voo, de uma missão tripulada no programa espacial dos Estados Unidos.

Tripulação[editar | editar código-fonte]

Parâmetros da missão[editar | editar código-fonte]

  • Massa:
    • Decolagem: 121 778 kg
    • Aterrissagem: 90 584 kg (planejado)
    • Carga: 21 937 kg
  • Perigeu: ~285 km (planejado)
  • Apogeu: ~295 km (planejado)
  • Inclinação: 28.45° (planejado)
  • Período: ~90.4 min (planejado)
  • Duração: 6 dias e 34 minutos (planejado)

Objetivos da missão[editar | editar código-fonte]

Os objetivos planejados para esta missão eram: o lançamento de um satélite, o Tracking Data Relay Satellite-2 (TDRS-2); o transporte de material instrumental para voos espaciais dos ônibus espaciais para astronomia (SPARTA-109), relacionado com experimentos com o Cometa Halley, tais como observação da cauda e do corpo do referido cometa, além do 'Programa para Monitoramento Ativo do Cometa Halley' (CHAMP); experimento com dinâmica de fluidos (FDE); experimento para partição de fases (PPE); três experiências do 'Programa para Inserção de Estudantes' (SSIP); e duas aulas para o 'Projeto Professor no Espaço' (Teacher in Space).

Atrasos no lançamento[editar | editar código-fonte]

O lançamento da Challenger havia sido agendado para as 20:43 GMT do vigésimo segundo dia de Janeiro. Os atrasos com a 61C/STS-32 fizeram com que a data de lançamento fosse adiada para o dia 23 e posteriormente para o dia 24. O lançamento foi re-marcada para o vigésimo quinto dia devido ao mal tempo no local da TAL (Aterrissagem de Abordagem Transoceânica) em Dakar, Senegal. A NASA decidiu então utilizar Casablanca para esta função, entretanto, devido ao fato de Casablanca não estar equipada para aterrissagens noturnas, o momento do lançamento (T=0) teve que ser movido para a manhã (Eastern Time).

Previsões de tempo não aceitável no Centro Espacial Kennedy fizeram com que o horário de lançamento fosse remarcado para as 14:37 GMT do vigésimo sétimo dia. O lançamento atrasou 24 horas quando o grupo externo (neste caso, os técnicos no local de lançamento) não pode remover uma 'falha de fechamento' da escotilha do veículo. Quando esta falha foi eliminada, os ventos no SLF (Shuttle Landing Facility) excederam os limites de RTLS (Retorno ao Local de Lançamento). O lançamento no dia 28 foi atrasado por duas horas quando o sistema de detecção de incêndio falhou durante os procedimentos com o carregamento de hidrogênio líquido.

Gelo no local de lançamento[editar | editar código-fonte]

Na noite antes do lançamento, a temperatura caiu para níveis abaixo de - 6,6 °C. Alguns sistemas de água foram ligeiramente abertos e permitiram o fluxo da água aos drenos. Isto era para prevenir que a água nos canos congelasse e causasse rachaduras nos mesmos. Os drenos se congelaram e levaram a grandes fluxos. Fortes rajadas de vento espalharam a água ao redor do local de lançamento e se formou gelo. O grupo do gelo, liderado por Charlie Stevenson, rapidamente entrou em ação e começou a remover o gelo que se depositava no TPS (Sistema de Proteção Térmica) da Challenger. O grupo já havia passado por uma experiência similar, mas de menor gravidade, um incidente ocorrido no pad 39-A no lançamento das missões STS-51-C e STS-20. Nestes casos, o lançamento foi adiado.

Decolagem[editar | editar código-fonte]

Uma foto aproximada mostrando o gelo no local de lançamento.

O lançamento da missão STS-51-L foi o primeiro de um ônibus espacial no LC-39B (Launch Complex 39-B). As 24 missões anteriores haviam sido lançadas no LC-39A. O método mais fácil de diferenciar os dois locais de lançamento é através do sistema de câmeras da OTV (Televisão Operacional), através do qual a TV selecionada pela NASA mostra imagens do local antes da decolagem. As câmeras da OTV foram instaladas no complexo de lançamento e possuem números de três dígitos no canto superior esquerdo da tela. No 39-A, estes números começam com um zero, no 39-B, começam com o número um.

A temperatura na decolagem era de 36°F. O que era 15° mais frio do que qualquer lançamento feito anteriormente. Com T-6.6 segundos, os SSME (Space Shuttle Main Engines) foram disparados. Se um problema tivesse ocorrido neste ponto, ainda haveria tempo para desligar os SSMEs e abortar o lançamento. A T=0, os três SSME's estavam a 100% de sua performance normal e começaram a acelerar com 104% da performance. A aceleração dos SSME's é comandada via um sistema computadorizado. Também a T=0, os dois SRB's dispararam e os parafusos de fixação foram liberados com explosivos, libertando o veículo da base. Com o primeiro movimentos do veículo, o braço de ventilação de hidrogênio se retraiu. Este braço de desconectou do ET sem problemas, entretanto, o braço falhou no retorno. A revisão do filme feito pelas câmeras, revelaram que o braço não balança para cima e entra em contato com o veículo. A inspeção pós-lançamento do local também revelou que as molas de quatro postes de fixação haviam sido perdidas. Considera-se que isto foi um fator que contribuiu para o acidente.

A T+0.678, grandes nuvens de fumaça cinza foram vistas saindo do SRB da direita perto da estrutura posterior que prende o foguete ao ET. A última liberação de fumaça ocorreu por volta de T+2.733. A ultima visão de fumaça ao redor da estrutura vou em T+3.375. Deste ponto em diante, os eventos de subida estavam nominais, significando que não havia outros problemas.

Ascendência[editar | editar código-fonte]

Conforme o veículo deixava a torre, os SSME's estavam com 104% da performance normal e o controle foi mudado do Centro de Controle de Lançamento, em Cabo Canaveral, para o Centro de Controle da Missão, em Houston, Texas.

  Loop (conversas de rádio):
  DPS: Decolagem confirmada.
  Vôo: Decolagem...

Em T+7.724, o programa de rolagem foi iniciado (também feito por computadores) para colocar a Challenger no azimute próprio para uma inclinação de 28.5° em órbita. A manobra foi completada em T+21.124.

  Loop:
  CMD: Houston, Challenger, programa de colagem.
  CAPCOM: Entendi rolagem, Challenger.
  FDO: Boa rolagem, voo.
  Vôo: Rog, boa rolagem.

Se o veículo vai muito rápido, as forças aerodinâmicas (basicamente, a resistência do vento) irão desvias o ônibus espacial. Para evitar isto, os SSME's devem ter uma propulsão reduzida para diminuir a aceleração do veículo. Em T+19.859, os SSME's começaram a trabalhar com 94% de sua performance normal.

  Loop:
  Booster: Eficiência abaixada para 94.
  Vôo: Noventa e quatro...

Em T+35.379, o SSME's começou a reduzir sua propulsão para 65% e é confirmado por 'T-del,' um programa de computador que monitora o lançamento em tempo real.

  Loop:
  Booster: Três a 65.
  Vôo: Sessenta e cinco, FiDO...
  FDO: T-del confirma propulsões.
  Vôo: Obrigado.

Com T+51.860, o SSME's voltou a ter a propulsão de 104% conforme o veículo se aproximava do Max-Q (área de máxima pressão aerodinâmica no veículo), aonde o veículo encontra as maiores cargas aerodinâmicas: 720 libras por pé quadrado.

Pluma[editar | editar código-fonte]

Por volta de T+58.774, a câmera de acompanhamento E-207, uma câmera com filme de 70mm localizada a alguns quilômetros ao norte do pad 39-B, em Playalinda Beach, mostrou o começo de uma pluma perto da estrutura de fixação do SRB da direita. Isto ocorreu praticamente no mesmo momento em que o SSME's voltou a ter uma propulsão de 104% e o veículo passou através da Max-Q. Em um segundo, a pluma estavam bem definida e intensa. Tanto o grupo abordo da Challenger quanto os grupos em Houston não sabiam sobre esta pluma em tempo real. E mesmo que soubessem, não havia nada que eles pudesse fazer. Fora a pluma, todo o resto do veículo estava nominal e o grupo enviava sinais para aumento de propulsão.'

  Loop:
  Booster: Aumento de propulsão, três a 104.
  Vôo: Capcom, aumente a propulsão.
  CAPCOM: Challenger, aumentar propulsão.
  CMD: Roger, ir em alta propulsão.

Em T+72.284, os dados de telemetria mostraram que o SRB direito havia se soltado de sua estrutura de fixação. Isto ocorreu conforme a pluna consumia a estrutura, a seção posterior do foguete começou a girar para fora do veículo. Fazendo isto, o SRB, agora com propulsão desviada, começou a rodar o veículo inteiro, de modo que este não estava mais em sua rota planejada. Apesar de a Challenger ter passado o Max-Q, as forças aerodinâmicas ainda estavam fortes de modo que o veículo começou a se quebrar. Os dois SRB's, que podem suportar as maiores cargas aerodinâmicas, se libertaram do ônibus espacial e ambos começaram a voar livremente.

"Bola de fogo"[editar | editar código-fonte]

Camera TV-1 mostra uma nuvem de vapor.

Conforme o ET se quebrava, o hidrogênio líquido e o oxigênio líquido dentro do mesmo foi exposto a baixas temperaturas e rapidamente se vaporizou. A luz irradiada das plumas do SRB, a reflexão do sol, e as áreas de gases em combustão, deram ao vapor uma aparência alaranjada que aparece como uma bola de fogo em muitas das câmeras de televisão selecionadas pela NASA. nas fotos da NASA e no time de suporte de televisão, liderado por Charlie Stevenson, que analisou o filme, e não foi capaz de detectar nada que pode-se levá-los a suspeitar que o Orbitador e o ET tivessem explodido. Isto e a condição dos destroços recuperados provou que nem o ET, e nem a Challenger haviam explodido.

Solid Rocket Boosters e os oficiais da região de segurança[editar | editar código-fonte]

Com ambos os SRB's fora de controle, havia um possível risco de segurança para as pessoas no chão. Nesta parte entram em ação os RSO's (agora chamados de FCO's (Oficial de Controle de Vôo). Estes possuem a função de garantir que um veículo de lançamento fora de controle não vá ameaçar as pessoas no solo. Se houver alguma ameaça às pessoas em terra, os RSO's irão armar e disparar o RSS (Sistema de Segurança de Região) que cada veículo lançado do KSC carrega. No caso da STS-33 (conhecida como TEST 2026 pelos RSO's), o RSS estava nos dois SRB's e no ET. Aproximadamente duas horas após o lançamento, o Major Gerald Bieringer, da Força Aérea dos Estados Unidos, escreveu:

SRB da direita, visto pela câmera E-208.
Observando as mostras do IP (ponto de impacto) e as óticas (câmeras), Eu observei que os fontes primárias e alternativas divergem significativamente em cerca de T+76. Praticamente no mesmo momento eu ouvi . . [através das comunicações monitoradas] que o veículo havia explodido. Concorrentemente, eu vi a explosão no monitor de vídeo a minha esquerda. Uma nuvem branca parecia envolver o veículo, pequenas peças explodiam para fora dela. O IP mostras que as indicações de PRI e ALT estavam mudando estranhamente, eu estava a ponto de recomendar que nós não fizéssemos nada, pois parecia que o veículo inteiro havia explodido, quando eu observei o que parecia ser um SRB estabilizado e voando através do canto esquerdo superior da tela. Parecia que eles havia se estabilizado, eu senti que isto poderia perigosamente aterrissar e o ET aparentemente havia explodido. Eu recomendei ao SRSO (senior range safety officer) que mandássemos ordens. Eu enviei um ARM, esperei por 10 segundos, e mandei FOGO.... o FOGO foi enviado com cerca de 110 segundos.
O SRB de esquerda, visto pela câmera M-1.

O RSS em ambos os foguetes e o ET estão presos juntos, o que significa que se o fogo é enviado, os foguetes e o ET são destruídos. Não existe forma de detonar apenas um. Atualmente (2005), os ETs não carregam mais um RSS.

Investigação[editar | editar código-fonte]

Após o acidente, uma comissão de investigação presidencial do acidente, a Presidential Commission on the Space Shuttle Challenger Accident, foi formada. Os membros da comissão eram o secretário de estado William Rogers, na presidência, o vice-presidente Neil Armstrong, primeiro homem a pisar na Lua, David Acheson, Eugene Covert, o físico laureado com o Nobel Richard Feynman, Robert Hotz, Donald Kutyna, Sally Ride, a primeira astronauta dos Estados Unidos, Robert Rummel, Joseph Sutter, Arthur Walker, Albert Wheelon, e o ex-piloto de provas Chuck Yeager. A comissão foi apelidada de Comissão Rogers devido ao presidente William Rogers. A comissão trabalhou por muitos meses para determinar o que havia ocorrido no incidente e publicou um texto com suas descobertas. O texto se encontra no site [1]. De forma resumida, a causa principal do acidente foi a perda de elasticidade de simples anéis de vedação, feitos de borracha, causada pela baixa temperatura no dia do lançamento. Quando informado do motivo do acidente, o presidente Ronald Reagan duvidou do físico Richard Feynman.

Cobertura ótica do lançamento[editar | editar código-fonte]

Como em todos os lançamento da NASA, uma série da câmeras estavam fotografando e filmando a Challenger. No total, cinco tipos de câmeras foram utilizados:

  • Engenharia (E): Utilizadas pelos engenheiro para detectar problemas com o veículo de lançamento.
  • Documentário (D): Cobre toda a missão, algumas fotos selecionadas foram liberadas para o público.
  • Televisão selecionada pela NASA (TV): Utilizadas pela NASA para a visualização instantânea.
  • Métrica (M): Utilizadas pelos oficiais de distância de segurança.
  • Televisão operacional (OTV): Câmeras de vídeo colocadas ao redor do local de lançamento para serem monitoradas em tempo real.

Câmeras mencionadas neste artigo

  • D-67: Câmera de cobertura localizado no perímetro do local de câmera 2 no extremo oeste do complexo de lançamento, com filme de 35 mm.
  • E-207: Câmera de cobertura localizada no UCS (Ponto Universal de Câmeras) 10 na Playalinda, a cerca de cinco milhas ao norte do local de lançamento. Obteves filmes de 70mm a 40 quadros-por-segundo. Possuía uma distância focal nas lentes de 360 polegadas.
  • E-208: Câmera de cobertura localizada em Cocoa Beach, ao sul do local de lançamento. Obteve um vídeo colorido com uma distância focal das lentes de 200 polegados. A informação métrica é armazenada em cada quadro. Uma fonte sem os dados métrico é enviada para a televisão selecionada pela NASA para o cobertura. A NASA numerou a câmera como TV-13.
  • M-1: Câmera de cobertura localizada algumas milhas ao sul do local de lançamento. Obteve um preto e branco a uma taxa de 20 quadros-por-segundo e possuiu uma distância focal das lentes de 150 cm.
  • TV-1: Câmera de TV localizada ao sul do local de lançamento.

Tributo[editar | editar código-fonte]

Os restos mortais dos membros da tripulação da Challenger, sendo transferidos de sete veículos para um avião de transporte MAC C-141 no SLF para serem levados à base de Dover Air Force, Delaware.

Na noite do desastre, o presidente Ronald Reagan realizaria o discurso do Estado da Nação (State of the Union), que depois preferiu adiar por uma semana, realizando um comovente discurso no Salão Oval da Casa Branca[1] . Ao fim deste, fez a seguinte declaração retirada do poema "High Flight" de John Gillespie Magee Jr.: Nunca iremos esquecê-los, nem a última vez em que os vimos, esta manhã, conforme eles se preparavam para sua jornada e se despediram e "abandonaram os cruéis limites da Terra" para "tocar a face de Deus." Esta citação foi lembrada como uma dos melhores discursos de Reagan. Três dias depois, ele e sua mulher, Nancy viajaram até o Johnson Space Center para um serviço fúnebre em honra aos astronautas.

Mídias[editar | editar código-fonte]

Decolagem
Explosão

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Commons
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STS-61-C
Programa de Ônibus espaciais
Sucedido por
STS-26R