Eleições estaduais no Rio Grande do Sul em 1970

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1966 Brasil 1974
Eleições estaduais no  Rio Grande do Sul em 1970
3 de outubro de 1970
(Eleição indireta)
15 de novembro de 1970
(Eleição direta)


Euclides Triches RS.jpg
Candidato Euclides Triches


Partido ARENA


Natural de Caxias do Sul, RS


Vice Edmar Fetter
Votos 25
Porcentagem 100%


Brasão do Rio Grande do Sul.svg
Governador do Rio Grande do Sul

As eleições estaduais no Rio Grande do Sul em 1970 aconteceram em duas etapas conforme previa o Ato Institucional Número Três e assim a eleição indireta do governador Euclides Triches e do vice-governador Edmar Fetter foi em 3 de outubro e a escolha dos senadores, Tarso Dutra e Daniel Krieger, bem como dos 26 deputados federais e 50 estaduais se deu em 15 de novembro a partir de um receituário aplicado aos 22 estados e aos territórios federais do Amapá, Rondônia e Roraima. Em todo o país a ARENA conquistou a maior parte dos cargos em disputa, embora a vitória de sua seção gaúcha tenha sido mais renhida.[nota 1][1][2][3][4][5]

Nascido em Caxias do Sul, Euclides Triches ingressou na Escola Militar do Realengo em 1938 e dez anos depois obteve graduação em Engenharia Metalúrgica pelo atual Instituto Militar de Engenharia e integrou a Associação Brasileira de Metais, bem como o Clube Militar.[6] Logo após formado trabalhou no Departamento de Fundição de Metais da Fábrica em Juiz de Fora. De volta ao Rio Grande do Sul serviu em Lagoa Vermelha e Bento Gonçalves. Reformado sob a patente de major em 1951, elegeu-se prefeito de sua cidade natal no mesmo ano via PSD e em 1955 assumiu a Secretaria de Obras Públicas no primeiro governo Ildo Meneghetti, cargo do qual se afastou por um breve período a fim de disputar a prefeitura de Porto Alegre sendo vencido por Leonel Brizola.[7] Esteve a serviço do antigo Conselho Nacional de Pesquisas durante um ano em viagem à Europa retornando ao país a tempo de eleger-se deputado federal pelo PDC em 1962 e reeleger-se pela ARENA em 1966, já alinhado ao Regime Militar de 1964 que o escolheu governador do Rio Grande do Sul.[8]

Por obra da Emenda Constitucional Número Um de 1969, todos os estados deveriam eleger seus vice-governadores, determinação cujo teor corrigiu uma singularidade na política gaúcha: a inexistência do referido cargo. Cabia então ao presidente da Assembleia Legislativa a missão de substituir o governador e desde 1947 houve vinte e dois deputados estaduais desempenharam tal papel, o último dos quais foi Otávio Germano.[9] Para ocupar a vice-governadoria foi eleito Edmar Fetter. Antigo militante do PL, o único cargo público que ocupou foi a prefeitura de Pelotas após vencer a eleição pelo cargo via PSD, onde ficou até a criação da ARENA.[10]

O senador eleito com maior votação foi Tarso Dutra. Advogado natural de Porto Alegre e diplomado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, militou no Partido Republicano Liberal do Rio Grande do Sul até a extinção do mesmo por força do Estado Novo em 1937. Eleito deputado estadual via PSD em 1947, ajudou a elaborar a constituição estadual e a seguir foi eleito deputado federal em 1950, 1954, 1958, 1962 e 1966.[11] Cogitado para o governo estadual, viu a ARENA escolher e eleger o nome de Peracchi Barcelos, todavia seu nome foi lembrado pelo presidente Costa e Silva que o nomeou ministro da Educação, cargo no qual assistiu à Passeata dos Cem Mil em 1968 e referendou o Ato Institucional Número Cinco.[12]

Na disputa pela segunda cadeira de senador a vitória foi de Daniel Krieger. Advogado nascido em São Luiz Gonzaga e graduado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, prestou consultoria ao Instituto de Previdência do Rio Grande do Sul e foi promotor de justiça em Porto Alegre e Santo Antônio da Patrulha. Outrora funcionário do Banco do Estado do Rio Grande do Sul, esteve dentre os simpáticos à Revolução de 1930 até que os esbirros da mesma o levaram a romper com Getúlio Vargas. Com a queda do referido ditador animou-se a voltar à política, onde foi integrante do Partido Republicano Rio-grandense. Eleito deputado estadual pela UDN em 1947, amargou uma suplência de deputado federal no pleito seguinte, mas foi eleito senador em 1954 e 1962. Líder do governo Castelo Branco e da bancada udenista tornou-se, com a imposição do bipartidarismo, o primeiro presidente nacional da ARENA.[13]

Resultado da eleição para governador[editar | editar código-fonte]

Nesta eleição realizada pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul o total de votos apurados não inclui as abstenções e as ausências.

Candidatos a governador do estado
Candidatos a vice-governador Número Coligação Votação Percentual
Euclides Triches
ARENA
Edmar Fetter
ARENA
-
ARENA (sem coligação)
25
100%
  Eleito(a)

Resultado da eleição para senador[editar | editar código-fonte]

Dados fornecidos pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul.[14] Além dos 3.436.892 votos nominais houve 491.422 votos em branco e 133.750 votos nulos totalizando um comparecimento de 4.062.064 eleitores.

Candidatos a senador da República
Primeiro suplente de senador Número Coligação Votação Percentual
Tarso Dutra
ARENA
Heitor Galant
ARENA
-
ARENA (sem coligação)
929.461
27,04%
Daniel Krieger
ARENA
Gay da Fonseca
ARENA
-
ARENA (sem coligação)
864.505
25,15%
Paulo Brossard
MDB
Mario de Almeida Lima
MDB
-
MDB (sem coligação)
833.630
24,26%
Brochado da Rocha
MDB
Amadeu Weinmann
MDB
-
MDB (sem coligação)
809.296
23,55%
  Eleito(a)

Deputados federais eleitos[editar | editar código-fonte]

São relacionados os candidatos eleitos com informações complementares da Câmara dos Deputados.[15] Ressalte-se que os votos em branco eram considerados válidos para fins de cálculo do quociente eleitoral nas disputas proporcionais até 1997, quando essa anomalia foi banida de nossa legislação.[16]

Deputados federais eleitos Partido Votação Percentual Cidade onde nasceu Unidade federativa
Sinval Guazzelli ARENA 87.243 Vacaria  Rio Grande do Sul
Alceu Collares MDB 74.918 Bagé  Rio Grande do Sul
Antônio Bresolin MDB 71.923 Cruz Alta  Rio Grande do Sul
Arnaldo Prieto[nota 2] ARENA 63.030 São Francisco de Paula  Rio Grande do Sul
Lauro Rodrigues MDB 56.454 General Câmara  Rio Grande do Sul
Ary Alcântara[nota 3] ARENA 51.204 Pelotas  Rio Grande do Sul
Alberto Hoffmann ARENA 49.855 Ijuí  Rio Grande do Sul
Lauro Leitão ARENA 49.525 Soledade  Rio Grande do Sul
Célio Fernandes ARENA 48.643 Porto Alegre  Rio Grande do Sul
Amaral de Souza ARENA 47.862 Palmeira das Missões  Rio Grande do Sul
Vasco Amaro ARENA 42.806 Pelotas  Rio Grande do Sul
Mário Mondino ARENA 38.790 Uruguaiana  Rio Grande do Sul
Jairo Brum MDB 38.722 Guaporé  Rio Grande do Sul
Arlindo Kunzler ARENA 38.095 Montenegro  Rio Grande do Sul
Aldo Fagundes MDB 37.956 Alegrete  Rio Grande do Sul
Ariosto Jaeger[nota 4] ARENA 37.805 Tupanciretã  Rio Grande do Sul
Clóvis Stenzel ARENA 34.817 Osório  Rio Grande do Sul
Nadir Rosseti MDB 34.371 São Francisco de Paula  Rio Grande do Sul
Vítor Issler[nota 5] MDB 34.313 Passo Fundo  Rio Grande do Sul
Daniel Faraco ARENA 33.870 Florianópolis  Santa Catarina
Cid Furtado ARENA 33.839 Pelotas  Rio Grande do Sul
Getúlio Dias MDB 32.219 Pelotas  Rio Grande do Sul
Harry Sauer MDB 30.557 Taquara  Rio Grande do Sul
José Mandelli Filho MDB 30.369 Bento Gonçalves  Rio Grande do Sul
Amaury Müller MDB 28.711 Cruz Alta  Rio Grande do Sul
Eloy Lenzi MDB 25.108 Lagoa Vermelha  Rio Grande do Sul

Deputados estaduais eleitos[editar | editar código-fonte]

Das 50 cadeiras da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul a ARENA por conseguiu 27 e o MDB 23.[14]

Notas

  1. Nos referidos territórios o pleito serviu apenas para a escolha de deputados federais, não havendo eleições no Distrito Federal e no Território Federal de Fernando de Noronha.
  2. Licenciou-se para ser ministro do Trabalho no Governo Ernesto Geisel e em seu lugar foi convocado Milton Cassel.
  3. Renunciou após eleger-se prefeito de Pelotas em 1972 e assim foi efetivado Helbert dos Santos.
  4. Renunciou ao mandato antes da posse a fim de assumir uma cadeira no Tribunal de Contas do Rio Grande do Sul ainda sob o governo Peracchi Barcelos numa articulação que levou à posse de Norberto Schmidt.
  5. Faleceu em Brasília vítima de ataque cardíaco em 20/09/1974, sendo efetivado Leo Riffel.

Referências

  1. TRE gaúcho divulga os resultados oficiais com a vitória de arenistas (online). Jornal do Brasil, Rio de Janeiro (RJ), 24/11/1970. Primeiro caderno, p. 04. Página visitada em 10 de julho de 2016.
  2. «Subsecretaria de Informações do Senado Federal do Brasil: Ato Institucional Número Três». Consultado em 13 de novembro de 2013 
  3. «Cronologia das eleições no Brasil segundo o Tribunal Superior Eleitoral». Consultado em 13 de novembro de 2013 
  4. ... e fez-se o Arenão. Disponível em Veja, ed. 116 de 25 de novembro de 1970. São Paulo: Abril. Página visitada em 13 de novembro de 2013.
  5. «Acervo digital Veja». Consultado em 13 de novembro de 2013 
  6. «Câmara dos Deputados do Brasil: deputado Euclides Triches». Consultado em 10 de julho de 2016 
  7. «CPDOC – A trajetória política de João Goulart: biografia de Leonel Brizola». Consultado em 10 de julho de 2016 
  8. «Banco de dados do Tribunal Superior Eleitoral». Consultado em 10 de julho de 2016 
  9. «Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul: Memorial do Legislativo do Rio Grande do Sul». Consultado em 11 de julho de 2016 
  10. Fetter fica no lugar de Triches (online). Jornal do Brasil, Rio de Janeiro (RJ), 25/04/1971. Política e Governo, p. 03. Página visitada em 11 de julho de 2016.
  11. «Câmara dos Deputados do Brasil: deputado Tarso Dutra». Consultado em 11 de julho de 2016 
  12. «Senado Federal do Brasil: senador Tarso Dutra». Consultado em 11 de julho de 2016 
  13. «Senado Federal do Brasil: senador Daniel Krieger». Consultado em 11 de julho de 2016 
  14. a b «Banco de dados do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul». Consultado em 13 de novembro de 2013 
  15. «Página oficial da Câmara dos Deputados». Consultado em 13 de novembro de 2013 
  16. «BRASIL. Presidência da República: Lei nº 9.504 de 30/09/1997». Consultado em 10 de julho de 2016