Forte de Nossa Senhora da Luz (Praia da Vitória)

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Disambig grey.svg Nota: Se procura um forte em Cascais (Portugal), veja Forte de Nossa Senhora da Luz de Cascais.
Forte de Nossa Senhora da Luz (Francisco Xavier Machado, 1772, ANTT.)

O Forte de Nossa Senhora da Luz, também referido como Forte da Luz e como Forte da Alfândega[1] localizava-se junto ao Largo José Silvestre Ribeiro, na freguesia de Santa Cruz, no concelho da Praia da Vitória, na ilha Terceira, nos Açores.

Em posição dominante sobre este trecho do litoral, constituiu-se em uma fortificação destinada à defesa deste ancoradouro e do antigo canal de acesso ao Paul, contra os ataques de piratas e corsários, outrora frequentes nesta região do oceano Atlântico. Cruzava fogos com o Forte das Chagas e com o Forte de Santa Cruz (Forte do Porto).

História[editar | editar código-fonte]

A sua primitiva estrutura remonta a cerca de 1490, segundo plano de Pedro Anes Rebelo. Em 1579, o corregedor dos Açores, Ciprião de Figueiredo e Vasconcelos, determinou que a Câmara da Praia melhorasse o baluarte que estava junto ao primitivo Mosteiro da Luz. Este primitivo mosteiro havia sido erguido entre 1480 e 1490, por iniciativa do segundo capitão-donatário da Praia e principal responsável pelo amuramento da vila, Antão Martins Homem, o que leva a crer que a construção deste forte seja coeva à da própria muralha da Praia.

Esse raciocínio é corroborado por Gaspar Frutuoso, quando em sua descrição da baía da Praia cerca de 1590, refere que, partindo "do porto da vila, correndo o areal um bom tiro de besta, estão as duas fortalezas velhas, que se fizeram quando se amurou a vila." E acrescenta: "Está a vila da Praia... cercada de boa muralha, com seus fortes e baluartes toda em redondo".[2]

MELO (1994), com base em DRUMMOND (1981) repete que a sua construção remonta a 1576, junto com os onze fortes da baía da Praia, por determinação do corregedor dos Açores, Ciprião de Figueiredo e Vasconcelos, [3] conforme o plano de defesa da ilha elaborado por Tommaso Benedetto.

O padre António Cordeiro, em 1717, especificou: "A vila é cercada de muralha com quatro baluartes e quatro portas, a do Porto, a do Rossio, a de Nossa Senhora dos Remédios e a das Chagas."[4]

No contexto da Guerra da Sucessão Espanhola (1702-1714) encontra-se referido como "O Forte de Nossa Senhora." na relação "Fortificações nos Açores existentes em 1710".[5]

Com a instalação da Capitania Geral dos Açores, o seu estado foi assim reportado em 1767:

"26º - Forte de Nossa Senhora da Luz. Tem tres canhoneiras e tres peças de ferro esfuguenadas e os seus reparos bons, precisa para guarnecer-se tres artilheiros e doze auxiliares."[6]

Encontra-se referido como "Forte de N. Sa. da Luz" no relatório "Revista dos fortes e redutos da ilha Terceira", do capitão de Infantaria Francisco Xavier Machado (1772), representado com planta pentagonal irregular com os muros rasgados por três canhoneiras pelo lado do mar, e dependências de serviço no terrapleno pelo lado de terra.

Encontra-se referido como "25. Forte de N.ª S. da Lus junto a mesma V.ª [da Praia]" no relatório "Revista aos fortes que defendem a costa da ilha Terceira", do Ajudante de Ordens Manoel Correa Branco (1776), que lhe aponta os reparos necessários: "Ade mister rachado, goarnecido, e rebocado, tarimba , e porta na d.ª caza. "[7]

Encontra-se assinalado como "7 Forte da Luz" na "Planta da Bahia da Villa da Praia" (1805),[8] e, no mesmo período, dele existe alçado e planta, com o título "Forte de N.ª Snr.ª da Luz", de autoria do sargento-mor do Real Corpo de Engenheiros, José Rodrigo de Almeida (1806).[9]

A defesa da baía da Praia em 1829, privilegiou a construção de trincheiras diante do areal onde se presumia viesse a ocorrer o desembarque das forças absolutistas, pelo que à época o Forte da Luz se encontrava desartilhado.

As suas dependências foram utilizadas como residência pelas famílias dos soldados ali destacados. Em 1851 ali vivia o soldado veterano Francisco Joze Cardoso,[10] casado com Victorina Roza Ignacia, falecida a 10 de agosto daquele mesmo ano.

A "Relação" do marechal de campo Barão de Bastos em 1862 informa que se encontrava em bom estado.[11]

Em finais do século XIX, este forte já estava completamente inutilizado, não tendo chegado até aos nossos dias.

Características[editar | editar código-fonte]

Do tipo abaluartado, apresentava planta pentagonal irregular, constituindo-se numa plataforma lajeada sobre um embasamento elevado. Na muralha rasgavam-se três canhoneiras. Adossadas à gola encontrava-se a edificação para Quartel da Tropa e Casa da Palamenta. Era acedido por uma rampa pelo lado de terra.

Referências

  1. Por se erguer perto do edifício da mesma (MELO, 1994:69).
  2. FRUTUOSO, 2005.
  3. DRUMMOND, 1981:231-233.
  4. CORDEIRO, 1981:258.
  5. "Fortificações nos Açores existentes em 1710" in Arquivo dos Açores, p. 178. Consultado em 8 dez 2011.
  6. JÚDICE, 1981.
  7. Revista aos Fortes que Defendem a costa da Ilha Terceira - 1776 in IHIT.pt. Consultado em 3 dez 2011.
  8. "Planta da Bahia da Villa da Praia. para a Intiligencia do Molhe e Projecto do Ill.mo e Ex.mo Snr. Conde de S. Lourenço Governador e Capitão General das Ilhas dos Açores" in Biblioteca Nacional Digital. Consultado em 31 dez 2011.
  9. "Alçado e planta dos fortes da Luz, das Chagas, Santo Antão e Santa Catarina do Cabo da Praia, 1806, Praia da Vitória, ilha Terceira, Açores." in Arquipélagos.org. Consultado em 31 dez 2011.
  10. Óbit. Stª Cruz, Liv. 9, fl. 88, apud MELO, 1994:69.
  11. BASTOS, 1997:273.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Anónimo. "Colecção de todos os fortes da jurisdição da Villa da Praia e da jurisdição da cidade na Ilha Terceira, com a indicação da importância da despesa das obras necessárias em cada um deles (Arquivo Histórico Ultramarino)". in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. LI-LII, 1993-1994.
  • Anónimo. "Revista aos Fortes que Defendem a Costa da Ilha Terceira – 1776 (Arquivo Histórico Ultramarino)". in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. LVI, 1998.
  • BASTOS, Barão de. "Relação dos fortes, Castellos e outros pontos fortificados que devem ser conservados para defeza permanente." in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. LV, 1997. p. 272-274.
  • CASTELO BRANCO, António do Couto de; FERRÃO, António de Novais. "Memorias militares, pertencentes ao serviço da guerra assim terrestre como maritima, em que se contém as obrigações dos officiaes de infantaria, cavallaria, artilharia e engenheiros; insignias que lhe tocam trazer; a fórma de compôr e conservar o campo; o modo de expugnar e defender as praças, etc.". Amesterdão, 1719. 358 p. (tomo I p. 300-306) in Arquivo dos Açores, vol. IV (ed. fac-similada de 1882). Ponta Delgada (Açores): Universidade dos Açores, 1981. p. 178-181.
  • CORDEIRO, António (SJ). História Insulana das Ilhas a Portugal Sujeytas no Oceano Occidental (reimpr da ed. de 1717). Terceira (Açores): Secretaria Regional de Educação e Cultura, 1981.
  • DRUMMOND, Francisco Ferreira. Anais da Ilha Terceira (fac-simil. da ed. de 1859). Angra do Heroísmo (Açores): Secretaria Regional da Educação e Cultura, 1981.
  • FRUTUOSO, Gaspar. Saudades da Terra (6 vols.). Ponta Delgada (Açores): Instituto Cultural de Ponta Delgada, 2005. 124p. ISBN 972-9216-70-3
  • JÚDICE, João António. "Revista dos Fortes da Terceira". in: Arquivo dos Açores, vol. V (ed. fac-similada de 1883). Ponta Delgada (Açores): Universidade dos Açores, 1981. p. 359-363.
  • MACHADO, Francisco Xavier. Revista dos fortes e redutos da Ilha Terceira - 1772. Angra do Heroísmo (Açores): Secretaria Regional da Educação e Assuntos Sociais; Gabinete da Zona Classificada de Angra do Heroísmo, 1983. il.
  • MARTINS, José Manuel Salgado. Património fortificado da Ilha Terceira: o passado e o presente. 2007.
  • MELO, Paulo de Ávila. Ruas e Lugares da Praya (Notas para a sua História) I Volume. Praia da Vitória (Açores): Câmara Municipal da Praia da Vitória, 1994. 224p. fotos p/b.
  • MOTA, Valdemar. "Fortificação da Ilha Terceira". in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. LI-LII, 1993-1994.
  • NEVES, Carlos; CARVALHO, Filipe; MATOS, Arthur Teodoro de (coord.). "Documentação sobre as Fortificações dos Açores existentes nos Arquivos de Lisboa – Catálogo". in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. L, 1992.
  • PEGO, Damião; ALMEIDA JR., António de. "Tombo dos Fortes da Ilha Terceira (Direcção dos Serviços de Engenharia do Exército)". in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. LIV, 1996.
  • VIEIRA, Alberto. "Da poliorcética à fortificação nos Açores: introdução ao estudo do sistema defensivo nos Açores nos séculos XVI-XIX". in Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. XLV, tomo II, 1987.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]