Voo Scandinavian Airlines 751

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Voo Scandinavian Airlines 751
Acidente aéreo
OY-KHO, aeronave envolvida no acidente, foto tirada no Aeroporto de Düsseldorf em junho de 1991.
Sumário
Data 27 de dezembro de 1991
Causa Falha dupla do motor devido a ingestão de objetos estranhos
Local Gottröra, Norrtälje, Suécia
Coordenadas 59° 46′ 06″ N, 18° 07′ 55″ L
Origem Aeroporto de Estocolmo-Arlanda, Suécia
Escala Aeroporto de Copenhaga, Dinamarca
Destino Aeroporto Frédéric Chopin de Varsóvia, Polónia
Passageiros 123
Tripulantes 6
Mortos 0 (nenhum)
Feridos 92 (8 sérios, 84 menores)
Sobreviventes 129 (todos)
Aeronave
Modelo McDonnell Douglas MD-81
Operador Scandinavian Airlines
Prefixo OY-KHO
Primeiro voo 16 de março de 1991

O voo 751 foi um voo regular da Scandinavian Airlines, partindo de Estocolmo, Suécia, para Varsóvia, Polónia, através de Copenhaga, Dinamarca. O McDonnell Douglas MD-81, registro OY-KHO, foi pilotado pelo capitão dinamarquês Stefan G. Rasmussen (44) e o copiloto sueco Ulf Cedermark (34). Em 27 de dezembro de 1991, acumulou gelo na raiz da asa (perto da fuselagem) antes da decolagem. O gelo se partiu e foi ingerido pelo motor logo após a decolagem. Com falha nos dois motores, os pilotos foram forçados a efetuar um pouso de emergência em um campo perto de Gottröra, Suécia. Todos os 129 passageiros e tripulantes a bordo sobreviveram.

O incidente é conhecido como o acidente de Gottröra (em finlandês: Gottrörakraschen ) ou o milagre em Gottröra (em finlandês: Miraklet i Gottröra ) na Suécia.[1][2]

Aeronave[editar | editar código-fonte]

O avião era um McDonnell Douglas MD-81, matrícula OY-KHO, número de série 53003, o número de linha 1844. Ele fez seu primeiro voo em 16 de março de 1991, e foi entregue logo após a SAS, em 10 de abril de 1991. No momento do acidente, a aeronave estava em serviço há apenas 9 meses. O avião era equipado com dois motores turbofan low-bypass Pratt & Whitney JT8D.[3]

Acidente[editar | editar código-fonte]

A aeronave tinha chegado no Aeroporto Stockholm-Arlanda, às 22:09 hora local, depois de um voo a partir de Zurique, na noite anterior, sendo estacionada durante a noite com temperatura ambiente de cerca de 0 a 1 °C. Cerca de 2 550 quilogramas (5 600 lb) de combustível com temperatura muito baixa permaneceram nos tanques das asas. Devido a isso, gelo claro se formou no extradorso das asas, mas não foi detectado. A aeronave foi descongelada com 850 mililitros (Predefinição:Convert/impoz usoz) de fluido anticongelante, mas posteriormente ao procedimento a aeronave não foi verificada pelo pessoal de solo em busca de gelo remanescente.[4]

O avião partiu de Estocolmo, às 08:47 no dia do acidente. Logo após a decolagem, pedaços de gelo foram sugados por ambos os motores, deformando as pás do compressor o suficiente para perturbar o fluxo de ar de admissão. A perturbação do fluxo de ar causou estol nos compressores que, por sua vez, causaram um surge de compressor. Como os motores não foram desacelerados o suficiente, o surge continuou. Os elevados esforços estruturais pelos repetidos surges no compressor levaram rapidamente à destruição dos dois motores.

Do ponto de vista do piloto, depois de 25 segundos de voo foram notados ruídos, estrondos e as vibrações provocadas pelo surge no motor número 2 (o motor direito). A tripulação de voo respondeu a essa situação reduzindo as manetes de potência, mas um sistema automático (Restauração Automática de Potência - ATR) que não tinha sido informado para a tripulação de voo pela Scandinavian Airlines System (SAS), simultaneamente aumentou a potência do motor como resposta à potência assimétrica dos motores e razão de subida reduzida. Como consequência, os surges no motor continuaram. O comandante Por Holmberg, que estava abordo como passageiro, notou o problema cedo e correu para a cabine para ajudar a tripulação. Motor N ° 1 (o da esquerda) sofreu surge 39 segundos mais tarde, e ambos os motores falharam com 76 e 78 segundos de voo, em uma altitude de 3,220 ft (980 m).

O piloto respondeu à perda de ambos os motores inclinando a aeronave para baixo, em um mergulho, antes de nivelá-la, para tentar planar a maior distância possível sem estolar. Os pilotos solicitaram um retorno a Arlanda e tentaram reacender os motores[5] mas, com a aeronave saindo das nuvens a 890 ft (270 m) de altitude, eles escolheram um campo na floresta, perto de Vängsjöbergs säteri em Gottröra, Uplândia, para um pouso de emergência imediato.

Durante a descida final, a aeronave atingiu várias árvores, perdendo grande parte da asa direita. A cauda atingiu o chão primeiro, deslizando ao longo do campo de 110 metros (360 pé), quebrando-se em três partes antes de vir a uma parada total. 25 pessoas ficaram feridas, 2 delas gravemente feridas, mas não houve mortes. Uma das razões de não ter fatalidades foi a posição de impacto que tinha sido instruída pelos comissários de bordo.[6] O cone de cauda do avião se quebrou e o trem de pouso principal do avião escavou marcas no campo e foi arrancado com o impacto. O trem de pouso do nariz também se quebrou. A aeronave foi classificada como danificada além do reparável e foi inutilizada.

A tripulação de voo e, especialmente, o Capitão Rasmussen, foram elogiados pelo pouso de emergência habilidoso em uma situação de rápido desenvolvimento, potencialmente fatal. Rasmussen comentou que "poucos pilotos civil são colocados à prova para testarem as habilidades que eles adquirem durante os treinamentos" e disse que estava orgulhoso de sua tripulação e muito aliviado que todos tenham sobrevivido. Ele decidiu não voltar a pilotar aeronaves comerciais. A Scandinavian Airlines continua a usar o número de voo 751 para sua rota Copenhaga-Varsóvia.[7]

Investigação e recomendações[editar | editar código-fonte]

De acordo com o relatório oficial do acidente, emitido pelo  Comitê de Investigação de Acidentes Sueco (SHK), o problema de formação de gelo claro nas asas deste tipo de aeronave era um problema amplamente conhecido no momento do acidente. A partir de 1985, a McDonnell Douglas deu uma vasta informação, incluindo várias "Cartas a Todos os Operadores", que lidou com o problema de gelo claro. Na "Cartas a Todos os Operadores", de 14 de outubro de 1986, os operadores foram informados de como a companhia aérea finlandesa Finnair tinha resolvido o problema da detecção de gelo claro. Em 1988 e 1989 McDonnell Douglas organizou "Conferências Temáticas", tratando da formação de gelo seco. A Scandinavian Airlines participou dessas conferências.[8]

Em 26 de outubro de 1991, a SAS distribuiu um "Boletim de Inverno" para todos os pilotos. Ele dizia: "É responsabilidade do piloto em comando verificar a aeronave, na busca de qualquer de gelo ou de neve que possam afetar o desempenho da aeronave" e na secção "Gelo Claro" havia a seguinte nota: "Embora a percepção de manutenção dentro de empresas aéreas é, na maioria das vezes, positiva, a responsabilidade recai sobre o piloto em comando de que a aeronave está fisicamente verificada por meio de uma inspeção manual na parte superior da asa. Uma verificação visual a partir de uma escada ou quando em pé, no chão, não o suficiente"

Outra contribuição para o acidente foi o treinamento insuficiente da tripulação: eles não foram treinados em recuperar a operação do motor depois de repetidos surges.[9] Não houve treinamentos em simulador para o problema de surge no motor. Em segundo lugar, eles não foram informados sobre a pré-instalação de um sistema de potência automático (Sistema Automático de Restauração de Empuxo, ou ATR). A razão para esta falta de informação foi a de que não se conhecia o funcionamento do ATR dentro da empresa. No entanto, o ATR era descrito nos manuais do fabricante da aeronave, em que cada operador é obrigado a saber. Mesmo que o sistema tenha sido desenvolvido para utilização em procedimentos não adotados pela SAS, um estudo cuidadoso dos manuais deveriam ter levado a SAS a observando o sistema e treinar seus pilotos para a sua função.

A conclusão do relatório oficial do acidente afirma:

O acidente foi causado pelas instruções da SAS e rotinas inadequadas para garantir que o gelo seco fosse removido das asas da aeronave antes da decolagem. Consequentemente, a aeronave decolou com gelo claro nas asas. Durante a decolagem, o gelo claro se descolou e foi sugado pelos motores. O gelo causou danos aos estágios do compressor, o que levou a surges de compressor, que levaram a uma falha irreparável do motor. Os pilotos não estavam preparados para identificar e eliminar surges de compressor; além disso, o o sistema Automático de Restauração de Empuxo não era conhecido pelos pilotos, nem notado pela companhia aérea.

Na seção "Falhas no compressor", o relatório afirma:

Com uma suficiente redução de potência no motor direito e a manutenção da potência (sem acréscimo) no motor esquerdo, provavelmente os motores não teriam falhado. A aeronave teria sido capaz de voltar para o pouso.

No entanto, o recém-instalado ATR impediu os pilotos de executarem com êxito a medida normal para deter o stall de compressor, por exemplo, reduzir as manetes de potência, pois o sistema ATR - concebido para prevenir que os pilotos usem menos potência do que o normal durante subidas após a decolagem por razões de abatimento de ruído – acelerou o motor novamente para a potência de decolagem, contrariando os comandos dos pilotos de reduzir a potência. Isso danificou os motores até que eles, eventualmente, falharam completamente.

Dramatização[editar | editar código-fonte]

A história do acidente foi destaque na décima temporada da série de TV Canadense Mayday. O episódio é intitulado "Piloto Traído".[10]

Referências

  1. Radio, Sveriges. «Gottrörakraschen - P3 Dokumentär». sverigesradio.se (em sueco). Consultado em 15 de fevereiro de 2017 
  2. «Miraklet i Gottröra rör upp känslorna efter 20 år igen». Expressen (em sueco). Consultado em 15 de fevereiro de 2017 
  3. «McDonnell Douglas MD-80/90 MSN 53003». Airfleets.net. Consultado em 3 de setembro de 2015 
  4. «Air Traffic Accident on 27 December 1991 at Gottröra, AB county» (PDF) (Official accident report). Report C 1993:57. Case L-124/91. Swedish Accident Investigation Authority. 20 de outubro de 1993. Consultado em 3 de setembro de 2015 
  5. «Cockpit Voice Recorder transcript for SK 751». aviation-safety.net  Hosted at aviation-safety.net
  6. Damski, Anna. «Brace Position». Inflight Safety Page. Consultado em 21 de janeiro de 2011 
  7. «Flight Radar 24» 
  8. Official accident report, p. 61.
  9. Predefinição:ASN accident
  10. "Air Emergency" Pilot Betrayed (TV Episode 2011), consultado em 15 de fevereiro de 2017 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]