Frederico III da Alemanha

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Frederico III
Wappen Deutsches Reich - Reichsadler 1889.svg
Rei da Prússia
Imperador da Alemanha
Frederico da Prússia - 1880.jpg
Governo
Reinado 9 de Março de 1888 - 15 de Junho de 1888
Consorte Vitória do Reino Unido
Antecessor Guilherme I da Alemanha
Sucessor Guilherme II da Alemanha
Casa Real Hohenzollern
Títulos Imperador da Alemanha, Rei da Prússia, Marquês do Brandemburgo, Burgrave de Nuremberga e Conde de Hohenzollern, Soberano e Duque Superior da Silésia e do Condado de Glatz, Grão-Duque do Baixo Reno e da Posnânia, Duque da Saxônia, Vestfália e Engern, da Pomerânia, Luneburgo, Holstein e Schleswig, de Magdeburgo, Bremen, Clève, Jülich e Berg, Wenden e Kaschuben, de Krossen, Lauenburgo e Mecklenburgo, Landgrave de Hesse e da Turíngia, Marquês da Lusácia Superior e Inferior, Príncipe-Herdeiro de Orange, Príncipe de Rügen, Frísia Oriental, Padernborn e Pyrmont, Halberstadt, Münster, Minden, Osnabrück, Hildesheim, Verden, Kammin, Fulda, Nassau e Mörs, Conde de Heneberga, Conde de Marca e de Ravensberg, Hohenstein, Tecklenburg e Linden, de Mansfeld, Sigmarigen e Veringen, Senhor de Frankfurt
Vida
Nome completo Frederico Guilherme Nicolau Carlos
Nascimento 18 de outubro de 1831
Potsdam
Morte 15 de junho de 1888 (56 anos)
Berlim
Sepultamento Mausoléu Real de Friedenskirche, Potsdam, Alemanha
Filhos Guilherme II
Carlota
Henrique
Segismundo
Vitória
Waldemar
Sofia
Margarida
Pai Guilherme I da Alemanha
Mãe Augusta de Saxe-Weimar

Frederico III (Friedrich III., Deutscher Kaiser und König von Preußen, em alemão) (Potsdam, 18 de outubro de 1831 - 15 de junho de 1888) foi imperador da Alemanha (kaiser) e rei da Prússia durante 99 dias em 1888, o ano dos três imperadores. Frederico Guilherme Nicolau Carlos, conhecido informalmente por Fritz[1] , foi o único filho do imperador Guilherme I e teve a educação militar tradicional da sua família. Apesar de ter sido aclamado na sua juventude por liderar com sucesso a Segunda Guerra de Schleswig, a Guerra Austro-prussiana e a Guerra Franco-prussiana[2] , Frederico expressou muitas vezes o seu ódio por guerras e foi elogiado tanto por amigos como inimigos pela sua conduta humana. Após a unificação da Alemanha em 1871, o seu pai, o rei da Prússia, tornou-se imperador da Alemanha. Após a morte de Guilherme no dia 9 de março de 1888, aos 90 anos, o trono passou para Frederico que tinha sido príncipe-herdeiro durante 27 anos. Na altura, Frederico tinha um cancro na laringe e acabou por morrer no dia 15 de junho de 1888, aos 56 anos.

Frederico casou-se com a princesa Vitória, filha mais velha da rainha Vitória do Reino Unido. O casal foi muito feliz: partilhavam a mesma ideologia liberal que os levou a procurar mais representação para os plebeus no governo. Apesar das suas origens militaristas e conservadoras, Frederico tinha tendências liberais, adquiridas durante os seus estudos na Universidade de Bonn e dos seus laços à Grã-Bretanha. Enquanto príncipe-herdeiro, opôs-se frequentemente ao chanceler conservador do pai, Otto von Bismarck, principalmente quando este quis unir a Alemanha pela força. Os liberais da Alemanha e do Reino Unido tinham esperança de que Frederico chegasse depressa ao trono para liberalizar o Império Alemão.

Frederico e Vitória eram grandes admiradores do príncipe-consorte do Reino Unido, Alberto, o pai de Vitória. Ambos tinham planeado governar o império como consortes, como Alberto e a rainha Vitória, e corrigir os erros fatais no ramo executivo que Bismark tinha criado para si. O ministério do chanceler, que respondia ao imperador, seria substituído por um governo de tipo britânico, com ministros que respondiam ao parlamento. A política do governo teria como base o consenso do parlamento. Frederico "descreveu a Constituição Imperial como um caos engenhosamente automatizado."[3]

"O príncipe-herdeiro e a princesa partilhavam um ideal de partido progressista e Bismark assombrava-se com a ideia que o se velho imperador morresse - e ele na altura já estava nos seus setenta anos - eles nomeariam um dos líderes progressistas para o cargo de chanceler. Tentou proteger-se contra tal reviravolta mantendo o príncipe-herdeiro afastado de qualquer posição influente e recorrendo a meios abomináveis para o tornar impopular."[4]

Contudo, a sua doença impediu-o de pôr em prática estas medidas e os avanços que conseguiu executar foram depois abandonados pelo seu filho e sucessor, Guilherme II.

A altura da morte de Frederico e a duração do seu reinado são dados importantes para os historiadores. O reinado de Frederico III é considerado um ponto de viragem importante na história alemã[5] e se ele teria tornado o império alemão mais liberal ou não ainda é um assunto muito discutido.

Vida pessoal[editar | editar código-fonte]

Infância e educação[editar | editar código-fonte]

Frederico com a esposa Vitória e os dois filhos mais velhos: Guilherme e Carlota.

Frederico Guilherme nasceu no Novo Palácio de Potsdam, na Prússia, no dia 18 de outubro de 1831. Era descendente da Casa de Hohenzollern, governadores da Prússia, e na altura dona dos estados alemães mais poderosos. O pai de Frederico, o príncipe Guilherme, era irmão mais novo do rei Frederico Guilherme IV e, tendo sido educado dentro da tradição militarista dos Hohenzollern, tornou-se num disciplinador severo. Guilherme apaixonou-se pela sua prima Elisa Radziwill, uma princesa polaca, mas os seus pais acharam que a posição dela não era suficiente para um príncipe prussiano e, por isso, Guilherme foi obrigado a casar-se com uma noiva mais adequada.[6] A mulher escolhida para sua esposa, a princesa Augusta de Saxe-Weimar, tinha sido educada na atmosfera mais intelectual e artística de Weimar, que dava aos seus cidadãos mais liberdade para participar na vida política e limitava o poder dos governantes com uma constituição.[7] Augusta era muito conhecida na Europa pelas suas opiniões liberais.[8] Devido às suas diferenças, o casal não teve um casamento feliz[9] e, como resultado, Frederico cresceu numa casa problemática, que o deixou solitário durante a sua infância.[10] Tinha uma irmã, Luísa (que mais tarde se tornaria grã-duquesa de Baden), que era oito anos mais nova do que ele e a quem era muito chegado.

Frederico cresceu durante um período político conturbado uma vez que o conceito de liberalismo alemão, que se desenvolveu durante a década de 1840, estava a espalhar-se e a ganhar apoiantes.[11] Os liberais queriam unir a Alemanha e os monarquias constitucionais queriam uma constituição que garantisse a mesma protecção para todos aos olhos da lei, a protecção da propriedade e a salvaguarda dos direitos civis essenciais.[12] Resumindo, os liberais queriam um governo que governasse através de representação popular.[9] Quando Frederico tinha 17 anos, em 1848, estes sentimentos nacionalistas e liberais levaram a uma série de revoltas políticas por todos os estados alemães e outros países europeus. Na Alemanha, o objectivo era proteger liberdades, como a liberdade de assembleia e liberdade de imprensa e a criação de um parlamento e constituição alemãs.[13] Apesar das revoltas não terem resultado em nenhuma mudança duradoura, os sentimentos liberais continuaram a ter influência na vida política alemã ao longo da vida de Frederico.[14]

Apesar do valor que os Hohenzollern davam a uma educação militar tradicional, Augusta insistiu que o seu filho também devia ter uma educação normal.[10] Assim, Frederico foi minuciosamente ensinado tanto na tradição militarista como nas artes liberais. Era um estudante talentoso, principalmente em línguas estrangeiras, sendo fluente em inglês e francês, com interesse no latim. Também estudou história, geografia, física, música e religião, primando-se em ginástica. Como era exigido a um príncipe prussiano, tornou-se num bom cavaleiro.[15] Os príncipes Hohenzollern aprendiam as tradições militares muito cedo. Frederico tinha dez anos quando se tornou segundo-tenente do Primeiro Regimento da Infantaria da Guarda e recebeu a Ordem da Águia Negra. À medida que crescia, esperava-se que se envolve-se activamente em assuntos militares.[16] Mas, aos 18 anos, rompeu com a tradição de família e entrou na Universidade de Bonn. O tempo que passou na universidade, bem como a influência de membros menos conservadores da sua família foram fundamentais para o desenvolvimento das suas visões liberais.[17]

Casamento e família[editar | editar código-fonte]

Pintura do kaiser Frederico III

Os casamentos reais no século XIX eram arranjados para assegurar alianças e manter os laços de sangue entre as nações europeias. Logo em 1851 a rainha Vitória do Reino Unido e o seu consorte, o príncipe Alberto, começaram a fazer planos para casar a sua filha mais velha, a princesa Vitória Adelaide, com Frederico. A dinastia real britânica era maioritariamente alemã: havia pouco sangue inglês na rainha Vitória e nenhum no seu marido.[18] Os monarcas queriam manter os laços de sangue que tinham com a Alemanha e o príncipe Alberto esperava ainda que o casamento levasse à liberalização e modernização da Prússia. O rei Leopoldo I da Bélgica, tio dos dois monarcas ingleses, também queria esta união. Há muito que via com bons olhos a ideia do barão Stockmar de aliar o Reino Unido e a Prússia através de matrimónios.[19] O pai de Frederico, o príncipe Guilherme, não tinha qualquer interesse nesta união, preferindo ver o seu filho casado com uma grã-duquesa russa.[18] Contudo, a princesa Augusta era muito a favor do casamento, uma vez que traria uma ligação mais próxima ao Reino Unido.[1]

O noivado do jovem casal foi anunciado em abril de 1856[20] , e o casamento realizou-se no dia 25 de janeiro de 1858 na capela do Palácio de St. James, em Londres. Para celebrar a ocasião, Frederico foi promovido a general-major do exército prussiano. Os recém-casados foram compatíveis desde o inicio e o casamento foi muito feliz.[21] Vitória também tinha tido uma educação liberal e partilhava as ideias do marido. O casal teve oito filhos.

Sigismundo morreu aos dois anos de idade e Valdemar aos 11[22] , e o seu filho mais velho, Guilherme, tinha um braço deformado como resultado do seu parto complicado ou de uma leve paralisia cerebral.[23] Guilherme, que se tornaria kaiser após a morte de Frederico, não partilhava nenhuma das ideias liberalistas dos pais. A sua mãe achava-o "completamente prussiano".[24] Esta diferença em ideias, criou uma briga entre Guilherme e os seus pais e a sua relação ficaria manchado ao longo de todas as suas vidas.[25]

Vida política[editar | editar código-fonte]

Príncipe-herdeiro[editar | editar código-fonte]

Frederico em uniforme.

Quando o seu pai sucedeu ao trono prussiano como rei Guilherme I da Prússia, no dia 2 de janeiro de 1861, Frederico tornou-se príncipe-herdeiro. Apesar de na altura ter já 29 anos, Frederico teria este título por mais vinte e sete. No inicio o novo rei foi considerado politicamente neutro. Frederico e os elementos liberais prussianos esperavam que ele preparasse a coroa para uma nova era de políticas liberais. Os liberais conseguiram aumentar muito a sua maioria no Diet prussiano, mas Guilherme não demorou a mostrar que preferia o conservadorismo. Contrariamente ao pai, Frederico declarou que estava completamente de acordo com "políticas liberais essenciais para assuntos internos e externos."[26]

Uma vez que Guilherme era um soldado dogmático e pouco interessado em mudar as suas opiniões políticas aos sessenta e quatro anos, tinha conflitos frequentes com o parlamento por causa das suas políticas.[27] Em setembro de 1862, um desses conflitos quase levou a que Frederico substituísse o seu pai no trono prussiano quando Guilherme ameaçou abdicar caso o Diet não aprovasse a pagar os seus planos para a reorganização do exercito. Frederico ficou horrorizado com esta acção e disse que uma abdicação "seria uma ameaça para a dinastia, para o país e para a Coroa."[28] Guilherme repensou a sua posição e, em vez de abdicar, nomeou Otto von Bismarck para o cargo de ministro-presidente. Esta nomeação de Bismark, um autoritário que muitas vezes ignorava e se colocava acima do Diet, colocou Frederico contra o seu pai e levou à sua exclusão dos assuntos de estado durante o resto do reinado de Guilherme. Frederico insistiu em "conquistas morais" sem o derramamento de sangue para unir a Alemanha por meios liberais e pacíficos, mas foi a política de sangue e ferro de Bismark que prevaleceu.[17]

Frederico era severamente censurado pelo seu pai por causa das duas ideias liberais, por isso passava a maior parte do tempo no Reino Unido onde a rainha Vitória lhe pedia frequentemente para a representar em cerimónias e funções sociais.[29]

Frederico no campo de batalha.

Frederico participou no seu primeiro combate durante a Segunda Guerra de Schleswig. Nomeado para supervisionar o comandante da Confederação Alemã suprema, o marechal-de-campo Wrangel e o seu pessoal, o príncipe-herdeiro conseguiu resolver tacitamente as disputas entre Wrangel e outros oficiais. Os prussianos e os seus aliados austríacos derrotaram os dinamarqueses e conquistaram o sul da Jutlândia, mas depois da guerra ainda foram precisos dois anos de política para assumir a liderança dos estados alemães. Estas negociações políticas culminaram na Guerra Austro-prussiana e, apesar de Frederico se ter oposto a uma guerra contra a Áustria, aceitou o comando de um dos três exércitos prussianos com o general Leonhard Grad von Blumenthal como chefe de pessoal. A chegada oportuna do seu Segundo Exército foi essencial para a vitória prussiana em 1866 na decisiva Batalha de Königgrätz que garantiu a vitória para a Prússia.[30] Depois da batalha, Guilherme condecorou Frederico com a ordem Pour le Mérite pela sua galantaria pessoal no campo de batalha e liderança do Segundo Exército.[2] Alguns dias antes de Königgrätz, Frederico tinha escrito uma carta à sua esposa, expressando a sua esperança de que esta fosse a última guerra em que tivesse de combater. No terceiro dia de batalha, voltou a escrever: "Quem sabe se não teremos de entrar numa terceira guerra para manter o que ganhamos?".[31]

Quatro anos depois Frederico estava novamente no campo de batalha, desta vez para a Guerra Franco-prussiana de 1870, na qual comandou o Terceiro Exército que consista de tropas dos estados do sul da Alemanha.[32] Foi elogiado pela sua liderança após a derrota dos franceses nas batalhas de Wörth e Wissembourg,[33] e teve mais sucesso na Batalha de Sedan e durante o cerco de Paris. O tratamento humano de Frederico para com os inimigos do país fez com que ganhasse o seu respeito e aplauso.[34] Após a Batalha de Wörth, um jornalista londrino testemunhou as visitas frequentes do príncipe-herdeiro a soldados prussianos feridos e elogiou os seus feitos, exaltando o amor e respeito que os soldados tinham por Frederico. Após esta vitória, Frederico disse a dois jornalistas parisienses: "Não gosto de guerra, meus senhores. Se fosse eu a reinar, nunca a faria."[35] Um jornalista francês comentou que "o príncipe-herdeiro deixou muitos traços de bondade e humanidade na terra contra a qual lutou."[33] Pelo seu comportamento e feitos, o London Times escreveu um tributo a Frederico em Julho de 1871, afirmando que "o príncipe ganhou muita honra tanto pela sua gentileza como a sua intrepidez na guerra."[32]

Império alemão e breve reinado[editar | editar código-fonte]

Proclamação de Guilherme I como imperador da Alemanha unificada.

Em 1871, após as vitórias prussianas, os estados alemães uniram-se no Império Alemão, com Guilherme I como imperador e Frederico como herdeiro na nova monarquia germânica. Bismark, agora chanceler, não gostava de Frederico e não confiava nas atitudes liberais do príncipe e da princesa herdeiros. Estando frequentemente contra as políticas do pai e de Bismark, Frederico colava-se do lado dos liberais do país [36] na sua oposição à expansão do exército alemão.[37] Os seus protestos contra a governação de Guilherme atingiram o seu ponto máximo em Dantiz (atual Gdańsk, na Polônia]], onde numa recepção oficial na cidade, Frederico denunciou as restrições de Bismark à liberdade de imprensa.[38] Consequentemente, Frederico foi excluído de todas as posições de poder político ao longo do reinado do pai. Manteve as suas posições militares e continuou a representar a Alemanha e o seu imperador em cerimónias, casamentos e celebrações como o Jubileu de ouro da rainha Vitória em 1887.[39] O príncipe-herdeiro também se envolveu em muitos projectos públicos tais como a construção de escolas e igrejas na zona de Bornstädt, perto de Potsdam.[40] Para ajudar o pai no seu esforço de transformar Berlim, a capital do império, num grande centro cultural, foi nomeado Protector dos Museus Públicos. Foi em grande parte graças a Frederico que foram adquiridas grandes colecções artísticas que viriam a ser guardadas no novo Museu Kaiser Friedrich (agora chamado Museu Bode) em Berlim, depois da sua morte.[41]

Os elementos progressistas alemães esperavam que a morte de Guilherme, e, consequentemente, a sucessão de Frederico, levasse o país para uma nova era de governo liberal.[42] Contudo, o conservador Guilherme teve uma longa vida, morrendo aos 90 anos de idade no dia 9 de março de 1888. Nessa altura Frederico tinha cinquenta e sete anos e estava a sofrer de cancro na laringe, uma doença que via com desânimo, dizendo: "E pensar que tenho uma doença tão horrível e repugnante... tinha tantas esperanças de ser útil para o meu país."[43] Recebeu conselhos médicos divergentes para o seu tratamento.[44] Na Alemanha, o doutor Ernst von Bergmann propôs remover a laringite completamente, mas o seu colega, o doutor Rudolf Virchow, discordava.[45] . Tal cirurgia teria resultado sem a morte do paciente.[46] O médico inglês, Morell Mackenzie, que tinha diagnosticado o cancro,[47] aconselhou uma traqueotomia, com a qual Frederico e a esposa concordaram.[48] No dia 8 de fevereiro, um mês antes do seu pai morrer, foi instalada uma cânula para que Frederico pudesse respirar.[49] Por causa dela, o príncipe não conseguiu mais falar até à sua morte e passou a comunicar por escrito.[50] Durante a operação, o doutor Bergmann quase o matou quando fez a incisão na traqueia e forçou a cânula a entrar no local errado.[48] Frederico começou a tossir a sangrar e Bergmann colocou o seu dedo indicador na ferida para a alargar. A hemorragia parou duas horas depois, mas as acções de Bergmann criaram um abcesso no pescoço de Frederico que criou pus que causaram desconforto ao novo imperador durante os últimos meses da sua vida.[49] Mais tarde Frederico perguntou: "Porque é que o Bergmann pôs o dedo na minha garganta?" e queixou-se que "Bergmann tratou-me mal."[49]

Apesar da sua doença, Frederico fez o que podia para cumprir as suas obrigações como imperador. Logo que a sua ascensão foi anunciada, retirou a fita e estrela da sua ordem da Águia Negra do seu casaco e colocou-a no vestido da sua esposa. Estava determinada a honrar a posição dela como imperatriz.[51] Como imperador alemão, recebeu oficialmente a rainha Vitória (sua sogra) e o rei Oscar II da Suécia e Noruega e esteve presente no casamento do seu filho, o príncipe Henrique, com a sua sobrinha, a princesa Irene.

Contudo, Frederico reinou apenas durante 99 dias,[52] e não pôde fazer muitas mudanças duradouras.[53] Tinha escrito um edito antes de ascender ao trono que limitava os poderes do chanceler e do monarca através da constituição, nunca foi posto em prática,[54] apesar de ainda ter conseguido forçar Robert von Puttkammer a demitir-se do seu cargo como ministro do interior no dia 8 de junho quando foi descoberto que Puttkammer tinha interferido nas eleições para o Reichstag. O doutor Mackenzie escreveu que o imperador tinha "um sentido de dever quase esmagador sobre a sua posição".[55] Numa carta escrita a Lord Napier, a imperatriz Vitória escreveu: "o imperador consegue tratar dos seus assuntos e faz muita coisa, mas o facto de não conseguir falar é, claro, muito complicado."[56] Frederico tinha a vontade, mas não teve o tempo de cumprir os seus desejos, lamentando-se, em Maio de 1888, "não posso morrer... o que aconteceria à Alemanha?"[57] Frederico morreu no dia 15 de junho de 1888 e foi sucedido pelo seu filho de vinte e nova anos Guilherme II.

Frederico encontra-se enterrado no mausoléu ligado ao Friedenskirche em Potsdam.[58] Após a sua morte, William Ewart Gladstone descreveu-o como o "Barbossa do liberalismo alemão."[59] A imperatriz Vitória continuou a espalhar os pensamentos e ideias de Frederico por toda a Alemanha, mas deixou de ter poder no governo.[60]

Descendência[editar | editar código-fonte]

Nome Foto Nascimento Falecimento Notas
Guilherme II da Alemanha Wilhelm II, German Emperor, by Russell & Sons, c1890.jpg 27 de janeiro 1859 4 de junho 1941 Casou-se com Augusta Vitória de Schleswig-Holstein (1858-1921) e depois com
Hermine Reuss de Greiz (1887-1947)
Carlota da Prússia Sarolta of Prussia and Saxe-Meiningen.jpg 24 de julho 1860 1 de outubro 1919 Casou-se com Bernardo III de Saxe-Meiningen (1851-1928).
Henrique da Prússia Henrik porosz királyi herceg (1862–1929).JPG 14 de agosto 1862 20 de abril 1929 Casou-se com Irene de Hesse e do Reno (1866-1953).
Segismundo da Prússia Sigismund (1).jpg 15 de setembro 1864 18 de junho 1866 Morreu de meningite.
Vitória da Prússia Viktória schaumburg–lippei hercegné.jpg 12 de abril 1866 13 de novembro 1929 Casou-se com Adolfo de Schaumburg-Lippe (1859-1916) e depois com
Alexander Zoubkov (1901-1936).
Waldemar da Prússia Prince Waldemar of Prussia.jpg 10 de fevereiro 1868 27 de março 1879 Morreu de difteria.
Sofia da Prússia Sophia of Prussia.jpg 14 de junho 1870 13 de janeiro 1932 Casou-se com Constantino I da Grécia (1868-1923).
Margarida da Prússia Margit of Prussia.jpg 22 de abril 1872 22 de janeiro 1954 Casou-se com Frederico Carlos, Landgrave de Hesse (1868-1940).

Ver também[editar | editar código-fonte]

Frederico III da Alemanha
Casa de Hohenzollern
18 de outubro de 1831 - 15 de Junho de 1888
Precedido por
Guilherme I
Wappen Preußen.png
Rei da Prússia
9 de Março de 1888 – 15 de Junho de 1888
Sucedido por
Guilherme II
Wappen Deutsches Reich - Reichsadler 1889.svg
Imperador da Alemanha
9 de Março de 1888 – 15 de Junho de 1888

Referências

  1. a b MacDonogh, p. 17.
  2. a b Kollander, p. 79.
  3. Balfour, p. 69
  4. Balfour, p. 70
  5. Tipton, p.175
  6. Van der Kiste, p. 10.
  7. Dorpalen, p. 2.
  8. Van der Kiste, p. 11.
  9. a b Kollander, p. 1.
  10. a b Van der Kiste, p. 12.
  11. Palmowski, p. 43.
  12. Sperber, p. 64.
  13. Sperber, p. 128-129.
  14. Röhl, p. 554.
  15. Mueller-Bohn, p. 44.
  16. Mueller-Bohn, p. 14.
  17. a b Nichols, p. 7.
  18. a b Van der Kiste, p. 15.
  19. Van der Kiste, p. 16.
  20. Van der Kiste, p. 31.
  21. MacDonogh, pp. 17–18.
  22. Kollander, p. 21.
  23. Röhl, p.12.
  24. Röhl, p. 101.
  25. Röhl, p. xiii.
  26. Van der Kiste, p. 68.
  27. Van der Kiste, p. 61.
  28. Pakula, p. 168.
  29. Pakula, p. 69.
  30. Lord, p. 125.
  31. Pakula, p. 98.
  32. a b Howard, p. 60.
  33. a b Kollander, p. 92.
  34. Kollander, p. 109.
  35. The Illustrated London News
  36. Dorpalen, p. 6.
  37. Dorpalen, p. 1.
  38. Dorpalen, p. 11.
  39. Van der Kiste, pp. 130–31.
  40. Mueller-Bohn, p. 420.
  41. Van der Kiste, p. 128.
  42. Sheehan, p. 217.
  43. Pakula, p. 448.
  44. Pakula, p. 479.
  45. Sinclair, p. 195
  46. Sinclair, p. 206
  47. Judd, p. 13.
  48. a b Mackenzie
  49. a b c Sinclair, p. 204
  50. Dorpalen, p. 27.
  51. Van der Kiste, p. 193.
  52. Kitchen, p. 214
  53. Cecil, p. 110.
  54. Kollander, p. 147.
  55. Van der Kiste, p. 195.
  56. Van der Kiste, p. 196.
  57. Pakula, p. 484.
  58. Wanckel
  59. Kollander, p. xi.
  60. Kollander, p. 179.
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