História da Faixa de Gaza

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Este artigo se refere à história da Faixa de Gaza.

História[editar | editar código-fonte]

A cidade de Gaza foi fundada aproximadamente no século V a .C. por piratas do Mediterrâneo que se denominavam Filisteus e chamaram a região de Filisteia.

Após diversas invasões(tribos israelitas, babilónicos, persas e assírios), caiu nas mãos dos macedônios, cujo processo de imperialização possibilitaram-na o contato com a cultura das hélades gregas (helenismo).

Quando os romanos invadiram Israel, também submeteram a cidade de Gaza e região.

Por muito tempo ficou em poder dos bizantinos e árabes, foi dominada pelos otomanos e, enfim, pela Inglaterra ao fim da Primeira Guerra Mundial.

Partilha de 1947[editar | editar código-fonte]

Mapa da Palestina realizado pela ONU em 1947 após a partilha.

Durante centenas de anos, o Império Otomano dominou Gaza, até que o território - junto com o restante da Palestina - passou para o controle dos britânicos, com o final da Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Durante a primeira Guerra árabe-israelense, logo após a criação do Estado de Israel, Gaza absorveu um quarto das centenas de milhares dos refugiados palestinos expulsos das áreas que hoje fazem parte de Israel.[1] [2] Com o fim do mandato britânico Gaza ficou sob domínio egípcio.

Guerra dos Seis Dias de 1967[editar | editar código-fonte]

O território ficou sob controle do Egito entre 1949 e 1967, exceto em um curto período, durante a crise do Canal de Suez, quando foi ocupado por Israel. Depois da Guerra dos Seis Dias, Israel passou a dominar a Cisjordânia, Jerusalém Oriental (ambos anteriormente controlados pela Jordânia) e a Faixa de Gaza. Em todos estes territórios, o governo israelense promoveu a construção de assentamentos de colonos judeus.

Acordos de Oslo de 1993[editar | editar código-fonte]

Após uma série de acordos assinados entre maio de 1994 e setembro de 1999, Israel se comprometeu a transferir para a Autoridade Nacional Palestina a responsabilidade pela segurança e pelos civis das áreas povoadas por palestinos na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, o que não ocorreu. Os territórios povoados por palestinos foram "cercados" pelas colônias judias e os governos israelenses, tanto trabalhistas quanto likudistas, só fizeram aumentar o número dessas colônias, inviabilizando de fato a possibilidade de constituição de um Estado palestino. Isto levou ao fracasso nas negociações para determinar um status definitivo para os territórios palestinos, e o início da Segunda Intifada, em setembro de 2000, fez com que as forças israelenses reocupassem a maioria das áreas controladas pelos palestinos.[1]

Retirada Israelense de 2005[editar | editar código-fonte]

Em 2005, o então primeiro-ministro Ariel Sharon executou um plano de retirada de todos os 8 mil colonos israelenses da Faixa de Gaza, bem como as tropas que os protegiam. O plano também previa que Israel continuaria a controlar o espaço aéreo de Gaza, seu mar territorial e todos as passagens de fronteira.[3] [4] Em setembro, a retirada israelense foi concluída.[1]

A situação na Faixa de Gaza começou a se deteriorar depois que o Hamas venceu as eleições legislativas palestinas, obtendo 76 das 132 cadeiras do Parlamento Palestino, em janeiro de 2006.[5] No entanto, as profundas divergências políticas entre o presidente Mahmoud Abbas da Autoridade Nacional Palestina, pertencente ao Fatah, e o primeiro-ministro, Ismail Haniyeh, do Hamas, resultaram em violentos confrontos entre militantes das duas facções rivais na Faixa de Gaza, em 2006 e no início de 2007, com um grande número de mortos e feridos.[1] [6]

Confrontos em 2006[editar | editar código-fonte]

Em junho de 2006, as Forças de Defesa de Israel lançaram sua primeira grande operação militar contra a Faixa de Gaza, desde a retirada dos colonos judeus do território palestino. Chamada de Operação Chuvas de Verão, a ação de Israel visava a resgatar o soldado Gilad Shalit - capturado no dia 25 de junho daquele ano em uma operação conjunta do Hamas e dois outros grupos militantes, que entraram em Israel a partir da Faixa de Gaza. A captura detonaria uma grande ação militar israelense na Faixa de Gaza, que resultou nas mortes de mais de cem palestinos em quatro semanas,[7] além da detenção de 60 dirigentes do Hamas, entre eles vários ministros e dezenas de deputados.[8]

Em novembro, as forças israelenses lançaram uma nova e ampla ação militar, batizada como Operação Nuvens de Outono, desta vez atacando Beit Hanoun, ao norte da Faixa de Gaza. Os ataques deixaram 56 palestinos mortos, a metade deles civis, e mais 200 feridos.[8] [9] Chegava-se ao quinto mês de operações militares na Faixa de Gaza (com mais de 400 palestinos mortos), Israel concordou em realizar um cessar-fogo com o grupo Hamas, desde que este se compromete a não retornar a lançar foguetes contra o território israelense.[8]

Em abril de 2007, o exército israelense retomou os ataques à Faixa de Gaza, depois de centenas de foguetes palestinos disparados desde novembro do ano anterior. No dia 24 daquele mês, o braço armado do Hamas proclamou o fim da trégua com Israel.[8] Um mês antes, Abbas e Haniyeh concordaram em formar um governo de união nacional.[10]

Hamas expulsa Fatah de Gaza em 2007[editar | editar código-fonte]

Mas, pouco depois, em junho do mesmo ano, em meio a intensos conflitos entre militantes das duas facções, o Hamas acabou por assumir o controle da Faixa de Gaza, expulsando o Fatah, que continuou dominando a Cisjordânia.[11] [12] [13] Com isso, o governo de Israel fechou seu posto de fronteira com a Faixa de Gaza, alegando que a Fatah não poderia mais garantir a segurança na região, e impôs um bloqueio ao território palestino, proibindo todas as exportações e permitindo, unicamente, limitada ajuda humanitária. O governo do Egito havia também fechado sua fronteira quando os combates mais intensos entre Fatah e Hamas tiveram início, em 7 de junho de 2007.

Daí em diante, o Fatah passou a receber os apoios de Israel, dos Estados Unidos e da União Europeia, enquanto o Hamas era desconsiderado como interlocutor.[14]

Mas, além das disputas com o Fatah, depois de chegar ao governo palestino, o Hamas teve que enfrentar o boicote econômico internacional à Faixa de Gaza, principalmente por parte dos Estados Unidos e da União Europeia, sob a alegação de que o partido não reconhece o Estado de Israel, não renuncia à violência e desconsidera os acordos firmados anteriormente por Israel e pela ANP.[1] [15]

Os bloqueios israelenses têm dificultado enormemente a vida dos cerca de 1,5 milhão de moradores de Gaza, da mesma forma, que o boicote econômico do Ocidente está sufocando a economia local. Segundo dados oficiais palestinos, mais da metade dos habitantes da Faixa de Gaza vive abaixo da linha da pobreza, e pelo menos 45% da população ativa está desempregada. Mais da metade dessa população constitui-se de refugiados das guerras com Israel. A maioria dos moradores vive com menos de US$2 ao dia. O território tem uma das maiores densidades populacionais e das mais altas taxas de crescimento demográfico do mundo.[1] [16]

Cessar-fogo Hamas-Israel de 2008[editar | editar código-fonte]

Em junho de 2008, representantes do Hamas e do governo israelense chegaram a um acordo de cessar-fogo na região, mediado pelo Egito,[17] com duração de seis meses, e que expirou no dia 19 de dezembro. O grupo palestino decidiu não renová-lo, por entender que Israel não havia cumprido o compromisso de suspender o bloqueio imposto à Faixa de Gaza.[18] [19]

Operação Chumbo Fundido[editar | editar código-fonte]

A partir do dia 27 de dezembro de 2008, as Forças de Defesa de Israel lançaram uma ofensiva militar no território palestino contra o Hamas. Inicialmente, a operação consistiu em ataques aéreos contra alvos palestinos na Faixa de Gaza.[20] [21] [22] [23] [24] Na noite do dia 3 de janeiro de 2009, teve início a ofensiva por terra, com tropas e tanques israelenses entrando no território palestino..[25] Em meados de Janeiro de 2009, a ONU, pela voz de John Holmes estimava que os 22 dias decorridos desde o início do conflito já tinham feito 1314 mortos e cerca de 5320 feridos do lado palestino; os números de Israel saldavam-se com 4 mortos - 13 segundo o governo israelita - e 55 feridos. [26] [27]

Operação Coluna de Nuvem[editar | editar código-fonte]

Ataques iniciados em 14 de novembro de 2012, eles não respeitando o controle do Hamas sobre gaza sob o objetivo de "restaurar a tranquilidade para o sul de Israel e recuperar o poder de dissuasão frente ao Hamas".[28] Na operação, o chefe militar do Hamas foi morto[29]

Referências

  1. a b c d e f Saiba mais sobre a faixa de Gaza - Folha Online, 7 de maio de 2008.
  2. Saiba mais sobre a Faixa de Gaza, território pobre controlado pelo Hamas -G1, 28 de dezembro de 2008.
  3. Casas de colonos judeus em Gaza 'serão demolidas' - BBC Brasil, 19 de junho de 2005.
  4. PLANO DE DESLIGAMENTO DE SHARON OU ACORDO DE GENEBRA? - Paz Agora, 7 de maio de 2004.
  5. Grupo extremista Hamas vence eleições legislativas palestinas - Folha Online, 26 de janeiro de 2006.
  6. CHOQUES ENTRE HAMAS E FATAH NA FAIXA DE GAZA - G1, 1 de janeiro de 2007.
  7. Mensagem mostra crueldade do Hamas, diz Israel - BBC Brasil, 7 de junho de 2006.
  8. a b c d Os acontecimentos desde a retirada israelense em 2005 - IG, 4 de janeiro de 2009.
  9. Palestino morre em quinto dia da operação "Nuvens de Outono" - UOL, 6 de novembro de 2006.
  10. Abbas e Haniyeh debaterão novo governo de união - O Estado de S.Paulo, 24 de março de 2007.
  11. Hamas declara vitória na faixa de Gaza; ao menos 20 morrem - Folha Online, 14 de junho de 2007.
  12. Gaza tem dia calmo, mas tenso, sob controle do Hamas - BBC Brasil, 15 de junho de 2008.
  13. Haniyeh, do Hamas, promete não abrir mão do poder em Gaza.
  14. Bush espera fortalecer Abbas contra Hamas - UOL, 19 de junho de 2007.
  15. Vitória do Hamas nas urnas leva a bloqueio econômico aos palestinos - UOL, 13 de dezembro de 2006.
  16. O bloqueio à Faixa de Gaza e conversações sobre um cessar-fogo - PUC Minas, maio de 2008.
  17. Israel e Hamas fecham acordo de cessar-fogo em Gaza, diz Egito.
  18. Hamas suspende trégua com Israel em Gaza - BBC Brasil, 19 de dezembro de 2008.
  19. Hamas suspende trégua com Israel em Gaza - O Estado de S.Paulo, 19 de dezembro de 2008.
  20. Ataques israelenses em Gaza matam 155, segundo palestinos - BBC Brasil, 27 de dezembro de 2008.
  21. Bombardeio aéreo de Israel deixa quase 200 mortos em Gaza - Folha Online, 27 de dezembro de 2008.
  22. Sobe para 195 número de mortos em ataque de Israel em Gaza - O Estado de S.Paulo, 27 de dezembro de 2008.
  23. Israel bombardea Gaza y deja al menos 195 muertos - El País, 27 de dezembro de 2008.
  24. Scores dead in Israeli raid on Gaza - Al Jazeera, 27 de dezembro de 2008.
  25. Tropas e tanques israelenses iniciam ofensiva terrestre em Gaza - Folha Online, 3 de janeiro de 2008.
  26. Relatório da situação humanitária em Gaza - ONU, 21 de Janeiro de 2009.
  27. Un saldo de 6.600 personas entre muertos y heridos palestinos - Rádio Mundial, 19 de Janeiro de 2009.
  28. Israel amplia ofensiva em Gaza e bombardeia 250 alvos
  29. Chefe de operações militares do Hamas morre em Gaza

Ver também[editar | editar código-fonte]

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