História de Paris

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História[editar | editar código-fonte]

Pré-história[editar | editar código-fonte]

O primeiro povoamento conhecido de Paris é da cultura chasseana (entre 4 000 e 3 800 a.C.), sobre a margem esquerda dum antigo braço do Sena dentro do 12º arrondissement de Paris.[1] [2] A presença humana lá parece ter sido contínua durante o Neolítico.[f 1]

Os restos duma aldeia no Bairro Administrativo de Bercy, parte do 12º arrondissement, foram recuperados e datados por volta de 400 a.C. — notavelmente uma embarcação presa nos lamaçais que lá na época havia e atualmente exposta no Museu Carnavalet.

Antiguidade[editar | editar código-fonte]

Fora disto, a falta de dados caracteriza o conhecimento do período desde a dita ocupação pré-histórica até a época galo-romana. A única certeza é de que os Parísios são os mestres da região quando chegam as tropas de César, em 52 a.C., que a renomeiam como Lutetia (Lutécia). Os Parísios haviam-se submetido a Vercingetórix para lutar contra os invasores romanos, porém sem sucesso. Ainda não se sabe com precisão onde ficava o assentamento gaulês: île de la Cité (hipótese hoje muito desacreditada), île Saint-Louis, ou alguma outra ilha que hoje se acha anexada à margem esquerda do Sena, ou até mesmo Nanterre.[3] [4]

A cidade romana foi construída, segundo um mapa de grade ortogonal datado do século I, sobre a margem esquerda. Lutécia, como a chamavam os romanos, provavelmente não tendo mais que cinco a seis mil habitantes em seu apogeu, não era mais que uma vila modesta do mundo romano. Compare-se ela com Lugduno, capital das três Gálias (uma das quais a Gália Lugdunense , que englobava a região da Lutécia), que contava, no século II, com 50 000 a 80 000 habitantes.[5] Mesmo assim, Lutécia contava com um fórum, palácios, banhos, templos, teatros, e um anfiteatro.[6]

Segundo a tradição, a vila foi cristianizada por São Denis, martirizado no ano 272. Durante o Baixo Império, a Lutécia foi afetada pelas grandes invasões e a sua população se refugiou na île de la Cité, fortificada com pedras recuperadas de grandes edifícios arruinados. Contudo, desde o século IV, a existência de assentamentos exteriores à muralha é atestada, e a vila retoma o nome do povo do qual ela é a capital, os Parísios.[7]

Em 451, a Santa Genoveva, futura padroeira da cidade, será quem conseguirá convencer os habitantes a não fugir diante dos Hunos de Átila, que são repelidos efetivamente sem combate.[f 2]

Idade Média[editar | editar código-fonte]

Mapa reconstituído de Paris do ano 1223.

O rei Clóvis I fez de Paris a capital do Reino dos Francos por volta de 506. Aí ela permanece até pelo menos o início do século VII. No século VI, a Igreja de Saint-Gervais é o primeiro lugar de culto implantado sobre a margem direita — sinal de que a cidade se expande.[f 3]

Os Vikings, chegando em seus dracares de mínimo deslocamento, pilham pela primeira vez em 845 a cidade abandonada por seus habitantes. As suas incursões se prolongam até o início do século X, e os seus assaltos só se mitigaram com o Tratado de Saint-Clair-sur-Epte concluído em 911.[c 1]

Os Capetos, que reinam a partir de 987, preferem Orléans a Paris, uma das duas grandes vilas do seu domínio pessoal. Hugo Capeto, apesar da sua residência na île de la Cité, lá pouco se delonga. Roberto o Pio a visita com muita frequência. A cidade se torna um importante centro de ensino religioso desde o século XI.[f 4] O poder real se fixa progressivamente em Paris, que volta a ser a capital do reino, a partir de Luís VI (1108-1137) e mais ainda sob Filipe Augusto (11791223), que a cercou com uma muralha.

O comércio enriquece Paris a qual tira vantagem da sua posição na convergência de grandes rotas comerciais. O trigo entra pela Rue Saint-Honoré; os tecidos do Norte pela Rue Saint-Denis e o pescado do Mar do Norte e da Mancha pela Rue des Poissonniers. A importância do seu mercado, junto com a feira do Lendit em Saint-Denis, demanda uma praça num lugar menos abarrotado do que a île de la Cité: Luís VI a instala em cerca de 1137 no lugar chamado "Les Champeaux" (as campinazinhas); os Halles de Paris (Mercado Municipal) lá permaneceriam por mais de oito séculos.

Coleção das ordenanças do preboste dos mercadores de Paris, 1416, por Carlos VI.

Em 1163, o bispo Maurice de Sully empreende a edificação da Catedral de Notre-Dame de Paris sobre a île de la Cité. A importância da cidade aumenta, tanto no plano político como no financeiro e comercial. Os órgãos centrais do governo dela fazem a sua sede, e o desejo do rei de melhor controlá-la não deixa que ela usufrua duma carta comunal. Apesar disso, ele lhe concede os privilégios de "burgo do rei" e consente favores a "hansa" (ou "guilda") dos mercadores fluviais. Em 1258, Saint-Louis tira o preboste das mãos dos mercadores e a confia a um amigo, Étienne Boileau. Em 1263, a hansa dos mercadores elege o primeiro conselho composta dum preboste de mercadores e de quatro vereadores. Assim se estabelece um sistema de dupla autoridade entre a cidade e o poder real.[f 5]

Por volta de 1328, a população parisiense é estimada em 200 000 habitantes, o que a faz a cidade mais populosa da Europa.[8] [f 6] Mas em 1348, a Peste Negra dizima a população. No século XIV, a muralha de Carlos V (13711380) engloba o conjunto dos atuais 3º e 4º arrondissements e se estende do Pont Royal à Porte Saint-Denis.

A fortaleza do Louvre no início do século XV do manuscrito iluminado Livro de horas, Les très riches heures du duc de Berry, mês de outubro.

Durante a Guerra dos Cem Anos, o descontentamento popular nutre a ambição do preboste dos mercadores, Étienne Marcel, provocando a grande ordenança de 1357 e em seguida o primeiro grande levante popular da história de Paris, causando novas rupturas entre o rei e a cidade.[f 7] Os reis desde então deixam de residir no centro da cidade, preferindo primeiro o Hôtel Saint-Pol (destruído por ordem de Carlos VI após o Bal des ardents), depois o Hôtel des Tournelles, donde se pode mais facilmente escapar em caso de tumulto. Em 1407 (logo após o assassinato de Luís d'Orleães), estoura uma guerra civil entre armagnacs e bourguignons que dura até 1420.[f 8] A cidade passa para o campo dos bourguignons em setembro de 1411.

Paris termina arruinada pela Guerra dos Cem Anos. Joana d'Arc, em 1429, falha na sua tentativa de liberá-la dos ingleses e de seus aliados bourguignons. Carlos VII e seu filho Luís XI tem ressalvas contra a cidade e fazem questão de não residir nela, preferindo o Vale do Loire. Sua população cresce entre 1422 e 1500, contando de cem mil a cento-e-cinquenta mil almas. Uma modesta expansão económica é retomada em meados do século XV, mas a cidade sofre com a ausência da Corte. Paris se transforma numa cidade administrativa e judiciária.[f 9]

Idade Moderna[editar | editar código-fonte]

A Renascença, marcadamente presente na corte real residente no Vale do Loira, consequentemente não beneficia muito Paris. Apesar do seu afastamento, a monarquia se inquieta com a expansão desordenada da cidade. A primeira regulamentação urbanística é decretada em 1500 a propósito da nova ponte de Notre-Dame, sobre a qual se construíram casas uniformes de tijolo e pedra com o estilo Luís XII.[c 2]

Em 1528, Francisco I fixa oficialmente a sua residência em Paris. A irradiação intelectual cresce: ao ensino universitário (teologia e artes liberais) se ajunta um ensino moderno voltado para o humanismo e as ciências exatas segundo os desejos do rei, no Collège de France. Sob o seu reino, Paris atinge a marca de 280 000 habitantes e permanece como a maior cidade do ocidente.[s 1]

Mapa de Paris em 1787 por Brion de la Tour.

Em 24 de Agosto de 1572, sob Carlos IX, se organiza o massacre da noite de São Bartolomeu. Contam-se dentre duas mil e dez mil vítimas.[f 10] A Liga católica francesa, particularmente forte na capital, se ergue contra Henrique III durante o Dia das Barricadas em 1588. Ele foge antes de fazer cerco à cidade.[f 11] Após o seu assassinato, o cerco é mantido por Henrique de Navarra, coroado como Henrique IV. A cidade, apesar de arruinada e faminta, não lhe abre as portas até 1594 após a sua conversão — ocasião na qual ele cunhou a célebre porém apócrifa citação "Paris vaut bien une messe." (Por Paris, vale a pena ir a uma missa).

O Dia das Barricadas de 1648 marca o início da Fronda, a qual provoca uma severa crise económica e uma atmosfera de desacato ao rei vis-a-vis a sua capital.[f 12] Apesar duma alta taxa de mortalidade infantil, a população atinge a marca de 400 000 habitantes graças à imigração das províncias. Paris é uma vila paupérrima onde reina a falta de segurança. O bairro da lendária corte dos milagres (assim chamada porque os indigentes e enfermos do dia desapareciam após passar-se a noite, como por milagre) é progressivamente esvaziada a partir de 1656 pelo tenente-general de polícia Gabriel Nicolas de la Reynie.[9]

Luís XIV escolhe Versalhes como residência em 1677, antes de para lá mudar a sede do governo em 1682. Colbert toma em sua mãos a gestão parisiense e faz as idas e vindas entre Paris e Versalhes. Durante o seu reino, o Rei Sol não foi mais que vinte-e-quatro vezes a Paris, essencialmente só para marcar presença em cerimônias oficiais, numa mostra de hostilidade da qual não gostam muito os parisienses.[f 13]

No século XVIII, Versalhes não tira de Paris a preeminência intelectual; pelo contrário, ela se torna uma chama revolta a se alimentar das ideias iluministas. É esse o período dos salões literários, como aquele de madame Geoffrin. Os anos setecentos é também um período de forte expansão económica a qual permite um importante marco demográfico: a vila chega a 640 000[10] habitantes às vésperas da Revolução Francesa.

Em 1715, o regente Filipe d'Orleães abandona Versalhes pelo Palais Royal. O jovem Luís XV se instala no Palácio das Tulherias, assim fazendo um efémero retorno da realeza a Paris. Desde 1722, Luís XV volta ao Palácio de Versalhes, rompendo a frágil reconciliação com o povo parisiense.[f 14]

A cidade de então se estendia mais ou menos sobre os seis primeiros arrondissements atuais, com o Jardin du Luxembourg marcando a fronteira ocidental da cidade. Luís XV começa a se interessar pessoalmente pela cidade em 1749, que é quando ele decide reformar a praça Luís XV (atual Praça da Concórdia), criar a escola militar em 1752,[11] e sobretudo construir uma igreja dedicada a Santa Genoveva em 1754, melhor conhecida atualmente como Panteão.[12]

A Revolução Francesa e o Império[editar | editar código-fonte]

É em Versalhes que começa a Revolução Francesa com a convocação dos Estados Gerais e depois com o Juramento do Jogo da Péla. Mas a crise económica (em especial, o preço do pão), a sensibilidade aos problemas políticos nascida da filosofia iluminista, e o rancor por ter o poder real abandonado a cidade por mais de um século, dão aos parisienses uma nova orientação.[f 15] A tomada da Bastilha em 14 de Julho de 1789, ligada à insurreição dos artesãos do subúrbio Saint-Antoine, é a primeira etapa disso. Em 15 de Julho de 1789, o astrónomo Jean Sylvain Bailly recebe no Hôtel de Ville o cargo de primeiro prefeito de Paris. Em 5 de outubro, um levante desencadeado pelas mulheres nos mercados parisienses chega a Versalhes ao anoitecer. Às 6 da manhã, o castelo é invadido e o rei é obrigado pelos populares a fazer residência em Paris no Palácio das Tulherias e de lá convocar uma Assembleia constituinte, a qual se instala em 19 de outubro na Salle du Manège das Tulherias.[c 3]

Em 14 de Julho de 1790 faz-se a Festa da Federação no Campo de Marte. Nesse mesmo lugar, a ocasião será menos festiva quando, em 17 de Julho de 1791, ele servirá de palco para um fuzilamento.

Declaram-se os bens da Igreja Católica e da Coroa como bens nacionais, de propriedade do governo revolucionário. Dentre eles, destacam-se o convento cordelheiro e o convento jacobino, tomados em maio de 1790, que constituiriam o coração da Paris revolucionária; isto demonstra o poder absoluto dos clubes parisienses sobre o curso da Revolução.[c 4]

Na noite de 9 de Agosto de 1792, uma "comuna" revolucionária toma posse do Hôtel de Ville. No dia 10 de agosto de 1792, a multidão cerca o Palácio das Tulherias com o suporte do novo governo do conselho. O rei Luís XVI e a família real são encarcerados na Tour du Temple. A monarquia francesa é de fato abolida. Após as eleições de 1792, os representantes da Comuna de Paris, ultra-radicais, se opõe à Convenção Nacional dominada pelos Girondinos, os quais representam a opinião mais moderada da burguesia provincial; a Convenção girondina é dispersada em 1793.[c 5]

O Hôtel de Ville,
em 9 de Termidor do ano II.

Os Parisienses vivem então sob dois anos de racionamento. O Terror reina com o espectro do Comitê de Salvação Pública. Os policiais de Paris, sob a autoridade do prefeito, se entregam à tarefa de encarcerar todos os que restam na cidade dentre os nobres, os ricos burgueses, os padres e os intelectuais. É por essa razão que o prefeito de Paris ainda é até hoje o único de toda a França a ser proibido de exercer qualquer poder de polícia.[13] [14] Em 21 de janeiro de 1793, Luís XVI é guilhotinado na praça Luís XV, rebatizada como "Praça da Revolução". Ele é seguido no cadafalso em somente algumas semanas por 1 119 pessoas, dentre as quais Maria Antonieta, Danton, Lavoisier e finalmente Robespierre e seus partidários após o dia 9 de Termidor do ano II (27 de Julho de 1794).[c 6]

A Revolução não é um período favorável ao desenvolvimento da cidade (poucos monumentos são edificados), a qual não tem mais que 548 000 habitantes em 1800. Numerosos conventos e igrejas são arrasados e dão lugar a loteamentos não-planejados, resultando numa redução dos espaços verdes da cidade e numa densificação do centro. Sob o Diretório, imóveis esplendorosos, de estilo neoclássico, são erguidos.

Em 1806, Paris já havia compensado as perdas sofridas durante a Revolução e contava com 650 000 habitantes;[15] essa progressão é sobretudo o efeito da imigração das províncias, visto que continua débil a taxa de natalidade. Após meados do século XVIII, a cidade é ultrapassada por Londres em plena expansão económica e demográfica, chegando a 1 096 784 habitantes.[c 7] Em 2 de Dezembro de 1804, Napoleão Bonaparte, o qual tomara o poder em 1799, é sagrado imperador pelo Papa Pio VII na Catedral de Notre-Dame. Ele decide estabelecer em Paris a capital do seu Império.

Da Restauração à Comuna de Paris[editar | editar código-fonte]

A Avenue de l'Opéra como vista por Pissarro a partir do atual Hôtel du Louvre.

A queda do Império em 1814-1815 traz a Paris os exércitos ingleses e cossacos que acampam nos Champs-Élysées. Luís XVIII, de retorno do exílio, reentra em Paris, lá faz-se coroar e se instala nas Tulherias.

Luís XVIII e Carlos X, e depois ainda a Monarquia de Julho pouco se preocupam pelo urbanismo parisiense. O proletariado trabalhador, em forte expansão, se amontoa miseravelmente nos bairros centrais os quais, com mais de 100 000 habitantes por quilómetro quadrado, constituem severos focos de epidemia; a cólera em 1832 faz 32 000 vítimas. Em 1848, o destino final de 80 % dos mortos é uma fossa comum, e dois terços dos parisienses são pobres demais para pagar impostos. A massa empobrecida do povo, negligenciada e desgastada, está no clima ideal para repetidas revoltas que o governo não consegue nem prever, nem vencer: as barricadas causam primeiro a queda de Carlos X durante as Revoluções de 1830 e depois a de Luís-Filipe em 1848. A sociedade da época é abundantemente descrita por Balzac, Victor Hugo e Eugène Sue.

Durante esse período, a cidade acelera o seu ritmo de crescimento até alcançar o Mur des Fermiers Généraux. Entre 1840 e 1844, a última muralha de Paris, chamada Enceinte de Thiers, é construída sobre o local atual do boulevard périphérique. No coração da cidade, a Rue Rambuteau é aberta.[c 8]

Com a chegada do Segundo Império, Paris se transforma radicalmente. Duma cidade de estrutura medieval, de construções antigas e insalubres, e praticamente desprovida de grandes eixos de circulação, ela se torna em menos de vinte anos uma cidade moderna. Napoleão III tinha ideias precisas sobre urbanismo e habitação. A Paris dos dias de hoje é por isso antes de tudo a cidade de Napoleão III e de Haussmann, que foi contratado para remodelar a cidade, abrindo diversas novas ruas, eixos e boulevares, além de novos espaços abertos e monumentos. Dessa forma, Paris adquiriu um novo traçado urbano.

Um típico edifício Haussmanniano.

Em 1 de Janeiro de 1860, uma lei permite que Paris anexe várias comunas vizinhas.[16] A capital francesa passa assim de doze a vinte arrondissements e de 3 438 a 7 802 hectares.[17] Após essas anexações, os limites administrativos da cidade serão modificados não mais que ligeiramente, e o crescimento urbano, o qual continua ininterrupto desde o fim do século XIX até o século XX, não será acompanhado duma semelhante expansão das fronteiras da comuna, donde se originaram os "subúrbios".[c 9]

Durante a Guerra franco-prussiana de 1870, Paris é sitiada por vários meses, mas não é tomada pelos exércitos prussianos. Nessa ocasião, é inventado o correio aéreo, graças aos balões-correio. Recusando o armistício assinado em 26 de Janeiro de 1871 e em seguida das eleições de fevereiro as quais levam ao poder os monarquistas desejosos de pôr fim à guerra, os parisienses se insurgem em 18 de Março de 1871. É o início da Comuna de Paris. A Assembleia monarquista instalada provisoriamente em Versalhes, se embate contra e Comuna entre os dias 22 e 28 de maio, no que se chamou de Semana sangrenta. Esta permanece até os nossos dias como a última guerra civil que Paris conheceria.[c 10] [f 16]

Da Belle Époque à Segunda Guerra Mundial[editar | editar código-fonte]

Durante a Belle Époque, a expansão económica de Paris é significativa; em 1913 a cidade possui cem mil empresas que empregam um milhão de trabalhadores.[18] Entre 1900 e 1913, 175 cinemas são criados em Paris, numerosas lojas de departamentos nascem e contribuem para o engrandecimento da cidade luz. Duas exposições universais deixam uma grande marca sobre a cidade. A Torre Eiffel é construída para a Exposição Universal de 1889 (centenário da Revolução Francesa) a qual acolhe 28 milhões de visitantes. A primeira linha do Metropolitano de Paris, o Grand Palais, o Petit Palais e a Ponte Alexandre III são inaugurados à ocasião da Exposição de 1900, a qual recebe cinquenta-e-três milhões de visitantes.[18] A indústria progressivamente se desloca para os subúrbios próximos onde se acha mais espaço disponível: Renault a Boulogne-Billancourt ou Citroën a Suresnes. Essa migração é a origem do "banlieue rouge". Entretanto, certas atividades permanecem fortemente implantadas dentro da cidade intra-muros, em particular a imprensa e a publicação.[f 17]

Da Belle Époque aos Anos malucos, Paris conhece o apogeu da sua influência cultural (notavelmente no entorno dos bairros de Montparnasse e de Montmartre) e acolhe muitíssimos artistas tais como Picasso, Matisse, Braque e Fernand Léger.

Adolf Hitler e seus generais com a Torre Eiffel ao fundo, depois da Batalha de França durante a Segunda Guerra Mundial.

Em 1910, a Grande Cheia do Sena provoca uma das mais graves inundações que a cidade conheceria e causa três bilhões de francos em prejuízos.[c 11] Durante a Primeira Guerra Mundial, Paris, poupada dos combates diretos, sofre bombardeios[19] e tiros de canhão alemães. Esses bombardeios são esporádicos e não constituem nada além duma operação de caráter psicológico.[c 12]

O Entre-guerras se desenrola sobre um fundo de crise social e económica. O poder público, em resposta à crise de habitação, vota a Lei Loucheur, a qual cria as Habitation à Bon Marché (HBM, habitações de preço social) erigidas no lugar da antiga enceinte de Thiers. Os outros imóveis parisienses são, essencialmente, dilapidadas e constituem focos de tuberculose; a densidade urbana culmina em 1921, Paris intra-muros contando 2 906 000 habitantes.[20] Paralelamente, loteamentos se desenvolvem por todos os cantos no entorno da cidade, em "banlieues" onde a expansão se faz de modo anárquico, frequentemente em campos abertos sem organização e sem serviços públicos.[c 13]

Os parisienses tentam retomar a sua preeminência política num contexto de múltiplos escândalos financeiros e de corrupção dos meios políticos.[f 18] Em 6 de Fevereiro de 1934, a manifestação das Juventudes Patriotas contra a esquerda parlamentar se degenera em violência e faz dezessete mortos e mil cento-e-cinco feridos, a que se segue em 14 de Julho de 1935, uma importante demonstração em favor da Frente Popular conta com quinhentos mil manifestantes.[c 14]

No decorrer da Segunda Guerra Mundial, Paris, declarada como cidade aberta desde a Batalha da França, é ocupada pela Wehrmacht em 14 de Junho de 1940. Ela é relativamente poupada.[21] O governo do marechal Pétain se instala em Vichy, e Paris cessa de ser a capital e se torna a sede do comando militar alemão na França (Militärbefehlshaber in Frankreich).[c 15] Em 23 de Dezembro de 1940, o engenheiro Jacques Bonsergent é o primeiro membro da Resistência a ser fusilado em Paris. Em 16 e 17 de julho de 1942, dá-se a Rafle du Vélodrome d'Hiver, ou Vel d'Hiv, a apreensão de 12 884 Judeus, a mais massiva na França, tratando-se na maioria de mulheres e crianças.[c 16]

Ao se aproximarem as tropas aliadas, a Resistência Francesa desencadeia uma insurreição armada em 19 de Agosto de 1944. A Liberação de Paris se faz em 25 de agosto com a entrada em Paris da 2ª divisão blindada do general Leclerc, que comanda ao capitão Raymond Dronne que perfure as linhas inimigas com a sua nona companhia (Régiment de marche du Tchad). O general von Choltitz capitula sem executar as ordens de Hitler demandando a destruição da cidade.[22] [23] A cidade é relativamente poupada de combates.[c 17] Paris é uma das raras comunas da França a ser condecorada com o título de Compagnon de la Libération (Companheiro da Liberação).[24]

A Paris Contemporânea[editar | editar código-fonte]

Em 1956, Paris se liga a Roma por um laço privilegiado, um forte símbolo da dinâmica de[25] de reconciliação e de cooperação após a Segunda Guerra Mundial.[s 2] [s 3]

Sob o mandato do general de Gaulle de 1958 a 1969, vários eventos políticos se desenrolam na capital. A 17 de Outubro de 1961, uma manifestação em favor da independência da Argélia é violentamente reprimida. Segundo as estimativas, entre 32 e 325 pessoas são massacradas pela polícia, então dirigida por Maurice Papon.[26] A partir de 22 de Março de 1968, um importante movimento estudantil surge na Universidade de Nanterre. Ao chegar no quartier latin as manifestações se degeneram em violência. A contestação, tomando forma em um contexto de solidariedade internacional e de emulação (negros e feministas americanos, os "provos" holandeses, a Primavera de Praga, o atentado contra o alemão Rudi Dutschke, etc.) entre idealistas e jovens, embalada por Bob Dylan e sua canção The Times They Are a-Changin', desejando "mudar o mundo", se desenvolve rapidamente numa crise política e social nacional. Em 13 de maio, uma imensa marcha popular ajunta 800 000 pessoas em protesto contra a violência policial. Em 30 de maio, uma manifestação de suporte ao governo e ao General de Gaulle reúne um milhão de pessoas, entre a Place de l'Étoile até a Place de la Concorde. Após dois meses de desordem e tumulto, os parisienses votam massivemente em favor do general de Gaulle nas eleições legislativas e a calma retorna.[c 18]

O sucessor do general de Gaulle, Georges Pompidou se interessa de perto pela capital. Ele emprestou o seu nome ao prédio que abriga o musée national d'Art moderne, à bibliothèque publique d'information e à via expressa da margem direita. Valéry Giscard d'Estaing, presidente durante a sua gestão, não partilha da sua visão duma modernização radical: ele pôs em causa o projeto previsto para os Halles e interrompe parcialmente o projeto da via expressa. Em 1976, o Estado permite pela primeira vez desde 1871 que a capital tenha autonomia no conselho. O gaullista Jacques Chirac é então eleito prefeito. Ele será reeleito em 1983 e 1989. Sob o primeiro mandato do presidente François Mitterrand, uma reforma é adotada pela lei de descentralização de 31 de Dezembro de 1982: ela dá a cada arrondissement da capital um prefeito e um conselho municipal próprio e não mais designados pelo prefeito de Paris.[c 19]

Em 1991, os cais do Sena, desde a Pont Sully até a Pont d'Iéna, são postos na lista de Patrimónios da Humanidade da UNESCO ao título de notável conjunto fluvial-urbano com seus vários monumentos os quais constituem obras-primas da arquitetura e da razão.[27]

Eleito Presidente da República em maio de 1995, Jacques Chirac é substituído por Jean Tiberi cujo único mandato é notavelmente marcado pela exposição de vários escândalos de corrupção e pela divisão da maioria do conselho.

Em 2001, o socialista Bertrand Delanoë é eleito prefeito. Ele se destaca dos seus predecessores por seu anseio público de reduzir o espaço do automóvel na cidade em benefício dos pedestres e dos transportes públicos. Ele desenvolve a animação da vida parisiense através de grandes manifestações culturais como a Nuit Blanche ou simplesmente lúdicas como a Paris-Plage. Em 16 de Março de 2008, Bertrand Delanoë é reeleito prefeito de Paris face a Françoise de Panafieu (UMP).

Em novembro de 2005 a França viu-se agitada por conflitos sociais onde o estopim teria sido divergências raciais. Grandes motins populares ocorreram no país, inclusive em Paris e seus subúrbios: eles foram afetados pela desordem e queima de carros à noite, no episódio que ficou conhecido como Outono de 2005.

Capital política e intelectual da França, Paris é a sede do governo, das principais administrações, de um arcebispado, de uma Universidade (que congrega a terça parte dos estudantes franceses), de vários museus e bibliotecas. É, ademais, o principal centro industrial e comercial da França, graças à importância do mercado de consumo, à convergência das vias de comunicação e à concentração dos capitais.

Paris é a sede das organizações internacionais UNESCO, OECD e Câmara Internacional de Comércio.

Referências

  1. INA - Video en ligne du journal de FR3 du 8.10.1991 : halles aux vins Bercy, découverte de 3 pirogues.
  2. INA - Video en ligne du journal de FR3 du 27.02.1992 : pirogues de Bercy.
  3. Le Monde du 24/02/2004 - La découverte d'une cité gauloise à Nanterre remet en cause la localisation de Lutèce sur l'île de la Cité
  4. Le Monde, 24/7/2008, Lutèce, ville fantôme.
  5. Amable Audin, Lyon, miroir de Rome dans les Gaules, Résurrection du passé, Fayard, 1965, p. 133
  6. Mairie de Paris. Paris, Roman City - The City. Visitado em 2006-07-16.
  7. Mémoires de la Société nationale des antiquaires de France - 1875 - Ammien Marcelin nomme Lutèce sous le nom de Parisii à la fin du IV×10{{{1}}} siècle.
  8. King's College, London - Population of London(em inglês).
  9. Historia thématique n°107 mai-juin 2007, page 20 : « La Reynie somme les 30 000 habitants de la cour des miracles de déguerpir sous peine de pendre les douze derniers. »
  10. Démographie de Paris.
  11. Jean Favier, Paris, 2000 ans d'histoire, p. 195-196
  12. Jean Favier, Paris, 2000 ans d'histoire, p. 492-493
  13. Decreto de 12 de messidor do ano VIII (1 de julho de 1800) que regulamenta as atribuições do Prefeito de Polícia de Paris.
  14. Disposições relativas à cidade de Paris na página 3 do documento.
  15. Demografia de Paris.
  16. Belleville, Grenelle, Vaugirard e La Villette foram totalmente absorvidas; Auteuil, Les Batignolles-Monceau, Bercy, La Chapelle-Saint-Denis, Charonne, Montmartre e Passy tiveram a sua maior parte absorvida (a parte situada no exterior das fortificações são reanexadas às comunas vizinhas); assim como os bairros d'Aubervilliers, Bagnolet, Gentilly, Issy, Ivry, Montrouge, Neuilly, Pantin, Le Pré-Saint-Gervais, Saint-Mandé, Saint-Ouen et Vanves
  17. Essas superfícies incluem a várzea do Sena. As superfícies são respectivamente de 3 288 ha em 1859 e 7 088 ha em 1860 caso se desconsidere a várzea do Sena. Fonte: Statistique de la France comparée avec les autres états de l'Europe, Maurice Block, Paris, 1860, p.397-399.
  18. a b Inovações da Belle Époque Conferência de Marc Giget, Professor de gestão da inovação no conservatoire national des arts et métiers.
  19. A aviação alemã bombardeia Paris, em agosto e setembro de 1914.
  20. Demografia de Paris.
  21. Apesar disso, Paris sofre com bombardeios, os quais se multiplicam a partir de 1942.
  22. ordens de Hitler de destruir Paris.
  23. Jean Favier: Paris, deux-mille ans d'histoire, p. 937
  24. Ordre de la Libération - Paris.
  25. cidu. Relations franco-allemandes : Histoire :Dates-clé cidu.de. Visitado em 25 novembre 2007.
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Bibliográficas[editar | editar código-fonte]

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