Eleição municipal de Salvador em 2012

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2008 Brasil 2016
Eleição municipal de Salvador em 2012 Bandeira de Salvador.svg
28 de outubro de 2012
Segundo turno
ACM Neto.jpeg Nelson Pelegrino deputado.jpg
Candidato ACM Neto Nelson Pelegrino
Partido DEM PT
Natural de Salvador, BA Salvador, BA
Vice Célia Sacramento Olívia Santana
Votos 717.865 623.734
Porcentagem 53,51% 46,49%
Resultado da eleição municipal de Salvador em 2012 por zona eleitoral (2º turno).png
Resultado da eleição por zona eleitoral


Brasão de Salvador.jpg
Prefeito(a) da cidade

Titular
João Henrique
PP

Eleito
ACM Neto
DEM

As eleições municipais de Salvador de 2012 ocorreram no domingo de 7 de outubro, dia do primeiro turno, e 28 de outubro, dia do segundo turno. Elas decidiram os mandatários dos cargos executivos de prefeito e vice-prefeito, além das 43 vagas de vereadores para a administração do município brasileiro de Salvador. Caso o candidato a cargo majoritário não alcançasse a maioria absoluta dos votos válidos, haveria um novo escrutínio no dia 28 de outubro de 2012. O prefeito e o vice-prefeito eleitos assumiram os cargos no dia 1 de janeiro de 2013 e seus mandatos terminarão em dia 31 de dezembro de 2016, bem como os vereadores. O atual prefeito é João Henrique Carneiro, do PP, que terminará seu segundo mandato consecutivo em 31 de dezembro de 2012, por isso não pode concorrer à reeleição novamente.

Eleição majoritária[editar | editar código-fonte]

Candidaturas do primeiro turno[editar | editar código-fonte]

O dia 30 de junho foi o último para a homologação dos pré-candidatos, assim Salvador tem seis prefeituráveis, que devem ser registrados em cartórios até o dia 5 de julho.[1]

O Partido Humanista da Solidariedade (PHS)[2] não definiu apoio na eleição majoritária, apenas na proporcional com coligando-se com o PR (coligação não efetivada); e não há informações sobre o Partido da Causa Operária (PCO) em relação à eleição.

Curiosamente, quase todos os candidatos (cinco dos seis) têm como companheiros em suas chapas pessoas negras, além de dois outros prefeituráveis negros, fato que gera discussão sobre oportunismo eleitoral e posição protagonista e coadjuvante dos negros na capital baiana.[3][4]

Candidato(a) a prefeito Candidato(a) a vice-prefeito Coligação Duração da propaganda eleitoral[5]
25 ACM Neto.jpeg ACM Neto (DEM)
Antonio Carlos Peixoto de Magalhães Neto
Célia Sacramento.jpg Célia Sacramento (PV) "É hora de defender Salvador"
5min30s
50 Hamilton Assis vota 50, eleições 2012.jpg Hamilton Assis (PSOL)
Hamilton Moreira de Assis
Silver - replace this image female.svg Nise Santos (PSTU) "Frente Capital da Resistência"
1min47s
10 Deputado Federal Bispo Márcio Marinho.jpg Márcio Marinho (PRB)
Márcio Carlos Marinho
Deraldo Damasceno.jpg Deraldo Damasceno (PSL) "Salvador encontra seu caminho"
2min03s
15 Mário Kertész, eleições 2012, e Nestor Neto.jpg Mário Kertész (PMDB)
Mário de Mello Kertész
Nestor Neto.jpg Nestor Neto (PMDB) "Salvador tem jeito"
5min24s
13 Nelson Pelegrino deputado.jpg Nelson Pelegrino (PT)
Nelson Vicente Portela Pelegrino
Olívia Santana.jpg Olívia Santana (PCdoB) "Todos juntos por Salvador"
13min25s
28 DA LUZ.jpg Da Luz (PRTB)
Rogério Tadeu da Luz
Silver - replace this image male.svg Antônio Gomes de Andrade Neto (PRTB) Partido não coligado 1min42s

ACM Neto[editar | editar código-fonte]

Propaganda eleitoral de ACM Neto na Avenida Paralela.

Também candidato na eleição passada, o deputado federal do Democratas pela Bahia conseguiu apoio de quatro outros partidos para a sua candidatura. O PSDB que tinha a pré-candidatura do também deputado federal Antônio Imbassahy, nem chegou a homologá-la em convenção partidária. Há também apoio de parte do PR, ligado ao deputado federal Maurício Trindade, cujo partido oficialmente apoia Nelson Pelegrino do PT.[6] A composição de uma única candidatura dos partidos opositores ao governo estadual não foi possível, já que o DEM e PSDB apoiaram ACM Neto e o PMDB, seu candidato próprio.[7]

Da Luz[editar | editar código-fonte]

Foi candidato em eleições anteriores, para governador, prefeito, deputado federal e vereador. Presidiu vários partidos em vários níveis, que são PAN (este extinto em 2006), PSDC, PMN e o PRTB atualmente.

Hamilton Assis[editar | editar código-fonte]

Hamilton Assis (esq.) em campanha nas ruas, ao lado de Hilton Coelho (dir.).

Repetindo a mesma coligação da eleição anterior, sob outro nome, os partidos de esquerda PCB, PSOL e PSTU mantiveram a união na disputa do cargo executivo, diferente do que foi decidido para as eleições proporcionais onde o PSTU concorre com chapa puro sangue e o PSOL junto com o PCB formam a coligação "Chega de Vender nossa Cidade". Assim, o professor Hamilton Assis do PSOL e a enfermeira Nise Santos do PSTU são os candidatos lançados após a convenção conjunta.[8]

Hamilton Assis é Pedagogo e como educador trabalha na rede Municipal de Salvador. Esteve na luta dos estudantes, assim como contribuiu para a organização das trabalhadoras e trabalhadores rurais, do operariado petroleiro, petroquímico, metalúrgico, e trabalhadores terceirizados das áreas de vigilância, limpeza e construção civil na Região Metropolitana de Salvador (RMS), assim como servidores públicos das três esferas. Foi dirigente da CUT-BA entre 1993 e 1996 e hoje é um dos articuladores da Intersindical. Já foi presidente estadual do PSOL de 2006 a 2007 e membro da direção nacional, desde 2010. É Presidente do PSOL em Salvador. Na eleição presidencial de 2010, foi candidato a vice-presidente da República na chapa do PSOL encabeçada por Plínio Arruda Sampaio.[9]

Márcio Marinho[editar | editar código-fonte]

Em coligação, os dois partidos governistas na esfera estadual, PRB e PSL, lançam o bispo da Igreja Universal do Reino de Deus e deputado federal Márcio Marinho[10] (PRB) e o delegado licenciado da Polícia Civil e deputado estadual Deraldo Damasceno (PSL). Além do apoio do governador da Bahia, há também o do deputado federal Acelino Popó do PRB pela Bahia.[11] O bispo conta com o eleitorado evangélico soteropolitano da IURD e o fato de o vice-candidato ligado à segurança pública e conhecido na Região Metropolitana de Salvador após aparições em telejornais baianos.[12]

Mário Kertész[editar | editar código-fonte]

Mário e Nestor em campanha.

Ex-prefeito de Salvador e dono do Grupo Metrópole, conglomerado de comunicação, está no pleito numa candidatura pura, sem coligação com outros partidos, uma vez que o diálogo com os outros partidos opositores não chegou à composição de uma única chapa política, sendo que o DEM e PSDB preferiram apoiar ACM Neto e o PMDB prossegue com seu candidato próprio.[7] Durante o Desfile do Dois de Julho, a comitiva do PMDB foi acompanhada pelo PSC. Os sociais-cristãos apoiavam a chapa petista e tinha até desistido da candidatura própria com o presidente estadual do partido Eliel Santana, mas insatisfações sobre a escolha da candidata a vice-prefeita levaram a mudança de posição, agregando parte do eleitorado evangélico à campanha do ex-prefeito.[13]

Nelson Pelegrino[editar | editar código-fonte]

Em sua quarta disputa ao Palácio Tomé de Sousa, conseguiu compor com a base aliada do governo estadual. As pré-candidaturas de João Leão do PP,[14] Edvaldo Brito do PTB[15] e Alice Portugal do PCdoB (que chegou a ser homologada em convenção).[16] Ademais, a candidatura é situacionista, tendo o apoio dos governos municipal do PP, além do estadual e federal do PT.[17] O Partido Democrático Trabalhista (PDT) negociava sua entrada em algumas coligações, e apesar de ter condiconado o apoio à chapa petista em troca da escolha do candidato a vice-prefeito[18] (a vice-candidata do PCdoB foi preferida)[19] o PDT manteve o apoio a Pelegrino após a saída do PSC da coligação.[20]

Debates televisionados[editar | editar código-fonte]

Primeiro turno[editar | editar código-fonte]

Os debates no 1º turno entre os candidatos a prefeitos de Salvador gerou muitas críticas à atual administração do município,[21] e aos enfrentamentos dos candidatos do DEM (ACM Neto), PT (Nelson Pelegrino), e PMDB (Mário Kertész). ACM Neto criticou à atual gestão do Governador da Bahia, Jaques Wagner, partido do também petista Nelson Pelegrino e principal adversário de Neto. Mário Kertész e Pelegrino fizeram críticas ao candidato do DEM, afirmando que "a prefeitura não pode andar com as próprias pernas", em referência aos governos federal e estadual estarem sob o comando do PT.[22]

Data Organizador(es) ACM Neto
(DEM)
Da Luz
(PRTB)
Hamilton Assis
(PSOL)
Márcio Marinho
(PRB)
Mário Kertész
(PMDB)
Nelson Pelegrino
(PT)
02/08/2012[23] TV Bandeirantes Presente Presente Presente Presente Presente Presente
14/08/2012[24] TV Aratu Presente Presente Presente Presente Presente Presente
01/10/2012[25] TV Record Bahia Presente Presente Presente Presente Presente Presente
02/10/2012[26] TV Aratu, Portal Terra Presente Presente Presente Presente Presente Presente
04/10/2012[27] TV Bahia Presente Presente Presente Presente Presente Presente

Segundo turno[editar | editar código-fonte]

Data Organizador(es) ACM Neto
(DEM)
Nelson Pelegrino
(PT)
18/10/2012[28] TV Bandeirantes Presente Presente
22/10/2012[29] TV Record Bahia Presente Presente
24/10/2012[30] TV Aratu Presente Presente
26/10/2012[31] TV Bahia Presente Presente

Pesquisas[editar | editar código-fonte]

Primeiro turno[editar | editar código-fonte]

Data Instituto Candidato Brancos/
nulos
Não sabem/
não opinaram
Margem de erro
ACM Neto
(DEM)
Nelson Pelegrino
(PT)
Mário Kertész
(PMDB)
Márcio Marinho
(PRB)
Da Luz
(PRTB)
Hamilton Assis
(PSOL)
03/08/2012 Ibope[32] 40% 13% 8% 6% 1% 0% 20% 11% ± 4%
24/08/2012 Ibope[33][34] 40% 16% 8% 5% 1% 0% 19% 10% ± 4%
30/08/2012 Vox Populi[35] 41% 18% 5% 3% 1% 1% 18% 13% ± 3,1%
13/09/2012 Ibope[36] 39% 27% 6% 3% 1% 2% 13% 8% ± 4%
26/09/2012 Vox Populi[37][38] 33% 29% 7% 4% 1% 1% 12% 13% ± 2,5%
27/09/2012 Ibope[39][40] 31% 34% 7% 4% 1% 2% 15% 6% ± 3%
04/10/2012 Babesp[41] 29,1% 30,8% 7,6% 4,2% 0,9% 1,7% 8,8% 16,9% ± 3,1%
06/10/2012 Ibope[42][43] 29% 34% 7% 5% 3% 2% 11% 9% ± 4%

Segundo turno[editar | editar código-fonte]

Data Instituto Candidato Brancos/
nulos
Não sabem/
não opinaram
Margem de erro
ACM Neto
(DEM)
Nelson Pelegrino
(PT)
19/10/2012 Ibope[44][45] 47% 39% 9% 4% ± 3%
20/10/2012 Babesp[46][47] 41,2% 40,4% 7,6% 10,8% ± 2,7%
27/10/2012 Ibope[48][49] 48% 40% 9% 3% ± 3%
27/10/2012 Babesp[50][51] 41,6% 43% 9,8% 5,6% ± 3,1%

Resultado do primeiro turno[editar | editar código-fonte]

O resultado do primeiro turno não finalizou o pleito eleitoral para prefeito. ACM Neto foi o mais votado, porém ele não obteve 50% dos votos válidos, assim a decisão ocorreu no segundo turno: entre ACM Neto e Nelson Pelegrino, o segundo colocado do primeiro turno.[52]

A análise dos votos segundo cada um das vinte zonas eleitorais soteropolitanas, mostra uma divisão geográfica e social dos candidatos escolhidos. ACM Neto venceu nas áreas da classe média e classe média alta que correspondem à orla atlântica, aos bairros nobres e ao centro antigo, mais precisamente em onze zonas eleitorais. Nelson Pelegrino, por sua vez, venceu nas áreas mais pobres correspondentes ao subúrbio e ao miolo, mais precisamente em nove zonas eleitorais. A maior diferença favorável ao democrata foi na primeira zona (Barra, Ondina, Graça e Vitória), onde alcançou 60,9% contra 25,1% do petista; seguida pela décima-segunda zona (Pituba, Itaigara e Costa Azul), onde foi 59,5% a 24,4%. Já a maior diferença favorável ao petista foi na quarta zona eleitoral (Paripe, Periperi, Fazenda Coutos e as Ilhas dos Frades e de Maré), onde alcançou 52,8% contra 26,6% do democrata; seguida pela décima-quinta zona (Itacaranha, Escada e Praia Grande), onde foi 48,2% a 30,7%. A menor diferença entre os dois aconteceu na quinta zona (Cabula e Pernambués), onde a nova classe média revelou leve preferência por Pelegrino (39%) a Neto (38%).[53][54]

1º turno
7 de outubro de 2012
Candidato(a) Vice Votação
Porcentagem Total
ACM Neto (DEM) Célia Sacramento (PV) 40,17% 518.976
Da Luz (PRTB) Antônio Gomes de Andrade Neto (PRTB) 1,56% 20.143
Hamilton Assis (PSOL) Nise Santos (PSTU) 2,60% 33.650
Márcio Marinho (PRB) Deraldo Damasceno (PSL) 6,51% 84.094
Mário Kertész (PMDB) Nestor Neto (PMDB) 9,43% 121.894
Nelson Pelegrino (PT) Olívia Santana (PCdoB) 39,73% 513.350
Total de votos válidos[55] 85,77% 1.292.107
Votos em branco 4,84% 72.972
Votos nulos 9,39% 141.443
Votos apurados 80,07% 1.506.522
Abstenções 19,93% 375.022
Total de eleitores 100,00% 1.881.544
  Segundo turno
  Eleito(a)

Candidaturas do segundo turno[editar | editar código-fonte]

Para a disputa do 2º turno, os candidatos do PT e do DEM buscaram aliança com os outros prefeituráveis e de partidos opositores.[56] ACM Neto contará com aliança de Geddel Vieira Lima do PMDB, que se candidatou a governador do Estado em 2010, porém não conseguiu se eleger.[57] Nelson Pelegrino por sua vez, terá apoio de Mário Kertész, que foi o terceiro colocado na disputa para prefeito de Salvador, o peemedebista teve mais de 120 mil votos no primeiro turno e desfiliou-se ao contrariar a cúpula estadual do partido.[58] O PSC, que coligou-se com o PMDB a favor de Kertész, apoiará o candidato petista; porém, o vice-presidente estadual do partido, Pedro Melo, estará ao lado do candidato democrata.[59] Outro que apoiará o petista será Márcio Marinho do PRB.[60] Hamilton Assis e o PSOL afirmaram que não apoiariam nenhum dos dois candidatos e que farão oposição ao eleito.[61] Da Luz do PRTB anunciou que também apoiará o petista, concluindo então o terceiro apoio que Nelson Pelegrino terá no segundo turno.[62]

Candidato(a) a prefeito Candidato(a) a vice-prefeito Coligação Duração da propaganda eleitoral[63]
25 ACM Neto.jpeg ACM Neto (DEM)
Antonio Carlos Peixoto de Magalhães Neto
Célia Sacramento.jpg Célia Sacramento (PV) "É hora de defender Salvador"
10min
13 Nelson Pelegrino deputado.jpg Nelson Pelegrino (PT)
Nelson Vicente Portela Pelegrino
Olívia Santana.jpg Olívia Santana (PCdoB) "Todos juntos por Salvador"
10min

Resultado do segundo turno[editar | editar código-fonte]

Mesmo sem o apoio dos outros adversários do primeiro turno, ACM Neto do DEM vence a eleição no segundo turno com 717.865 votos, representando 53,51% dos votos válidos, contra 623.734 votos, 46,49% do votos válidos do seu adversário Nelson Pelegrino do PT e se torna prefeito da cidade do Salvador para o período de 2013 a 2016.[64][65][66] O candidato do DEM, assim como no primeiro turno, conseguiu seu maior número de votos em áreas de classe média e classe média alta, o que correspondem à orla da cidade e aos bairros nobres, num total de treze zonas eleitorais. Já Nelson Pelegrino, assim como também no primeiro turno, obteve seu maior número de votos em áreas pobres da cidade, como no subúrbio e o miolo, mais precisamente em sete zonas eleitorais.[67]