Mirante do Paranapanema

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Mirante do Paranapanema
  Município do Brasil  
Igreja - panoramio (6).jpg
Símbolos
Bandeira de Mirante do Paranapanema
Bandeira
Brasão de armas de Mirante do Paranapanema
Brasão de armas
Hino
Apelido(s) "Capital do Pontal e da Reforma Agrária"
Gentílico mirantense
Localização
Localização de Mirante do Paranapanema em São Paulo
Localização de Mirante do Paranapanema em São Paulo
Mirante do Paranapanema está localizado em: Brasil
Mirante do Paranapanema
Localização de Mirante do Paranapanema no Brasil
Mapa de Mirante do Paranapanema
Coordenadas 22° 17' 31" S 51° 54' 21" O
País Brasil
Unidade federativa São Paulo
Municípios limítrofes Norte: Santo Anastácio;
Sul: Jardim Olinda (Paraná);
Leste: Presidente Bernardes e Sandovalina;
Oeste: Marabá Paulista e Teodoro Sampaio
Distância até a capital 616 km[1]
História
Fundação 29 de novembro de 1953 (66 anos)
Emancipação 30 de dezembro de 1953 (65 anos)
Aniversário 29 de novembro
Administração
Prefeito(a) Átila Ramiro Menezes Dourado (PSDB, 2017 – 2020)
Características geográficas
Área total [2] 1 237,847 km²
População total (Censo IBGE/2010[3]) 17,064 hab.
Densidade 0,01 hab./km²
Clima Tropical de Altitude (Cwa)
Altitude 448 m
Fuso horário Hora de Brasília (UTC−3)
Indicadores
IDH (PNUD/2000[4]) 0,735 alto
PIB (IBGE/2008[5]) R$ 110 812,095 mil
PIB per capita (IBGE/2008[5]) R$ 6 167,53
Outras informações
Padroeiro(a) Santa Terezinha
Sítio oficial (Prefeitura)
Sítio oficial (Câmara)

Mirante do Paranapanema é um município brasileiro do estado de São Paulo. Fundado em 29 de novembro de 1953, Localiza-se a uma latitude 22º17'31" sul e a uma longitude 51º54'23" oeste, estando a uma altitude de 448 metros. Sua população estimada pelo IBGE em 2010 era de 17.064 habitantes. O município é formado pela sede e pelos distritos de Costa Machado e Cuiabá Paulista[6][7].

É o município que mais tem estradas rurais em extensão da região de Presidente Prudente. Sua economia é baseada no comércio e na agricultura. O ator e cantor Tony Tornado é natural do município.

História[editar | editar código-fonte]

Surgimento e emancipação[editar | editar código-fonte]

A história de Mirante do Paranapanema começa a ser construída entre os anos de 1916 a 1918, quando Labieno da Costa Machado, natural do município de São José do Rio Preto, resolve conhecer e colonizar uma área de 120 mil alqueires de terras, que considerara herança de seu pai, de nome José da Costa Machado, um influente político que chegou a ocupar importantes cargos públicos no Brasil, como a presidência da Província de Minas Gerais entre os anos de 1867 e 1868. Labieno ocupou suas terras griladas por meio de uma colonização intensiva, propiciando o surgimento de um povoado o distrito de Costa Machado, pertencente ao município de Santo Anastácio a época.[8]

Em 1921, teve início a chegada dos primeiros imigrantes europeus também nas proximidades de Costa Machado. Chegavam com suas famílias principalmente espanhóis e italianos, também vieram húngaros, romenos, tchecos, lituanos, libaneses, portugueses e alemães. Esse primeiro processo migratório se estendeu até o início da década de 30.

Em meados de 1928, chegam em Bauru, muitos imigrantes japoneses, para trabalhar nas grandes fazendas de café. Em meio a esse contingente de pessoas, estavam dois jovens, Iraku Okubo, e outro mais novo, seu irmão, Takeo Okubo. Em 1944, os dois irmãos adquiriram da colonização de Dr. Labieno da Costa Machado, uma gleba de 250 alqueires ainda coberta de mata, após três anos da compra, destinou uma área de 50 alqueires para a formação de um núcleo populacional com o nome de Palmital, que mais adiante viria a ser o atual município de Mirante do Paranapanema.[8]

Em meados de 1946, os irmãos japoneses Iraku e Takeo Okubo, resolveram lotear parte dos 250 alqueires de terras que haviam adquirido. Uma área de 40 alqueires foi loteada e logo se transformou num patrimônio. O primeiro comprador de um lote de terra foi Manuel Rodrigues. O progresso do município que ia se formando era tão grande que assustava, principalmente os jornalistas japoneses, que por ser o município fundado por seus patrícios, despertava um grande interesse. Um deles chega a escrever que o município, aos domingos aparentava ser um "formigueiro", em função do grande número de pessoas transitando pelas ruas de terra. Na atual rua Alberto Shiguero Tanabe, não se podia passar carros, em função de tanta gente e animais. Em 1949 surge a sede provisória da Colônia Japonesa e em 1952 se constrói a definitiva. Segundo os jornais japoneses, em 1947 custavam dois contos cruzeiros um alqueire de terra no sítio e dois mil cruzeiros um lote no município, em 1953, um lote no município já estava custando cinquenta mil cruzeiros. O período entre 1951 e 1952 foi, o que apresentou o maior progresso do bairro.[9]

Em 1953 o movimento da Estrada de Ferro Sorocabana na estação de Santo Anastácio, só perdeu para Avaré, quase tudo do Bairro Palmital. Naquele ano, das 70 mil sacas de semente de algodão plantadas em todo o município de Santo Anastácio, 50 mil foram no Bairro Palmital. Foram plantados naquele ano cerca de 12.000 ha de algodão no Município, cerca de 70% no Bairro Palmital.[9]

Esse período se estende até 1953 quando ocorre a emancipação. O grande marco desse período foi a chegada do contingente de migrantes nordestinos, povo que tanto contribuiu e marcou a história deste município. Segundo o "Jornal de São Paulo" em edição de 30 de maio de 1953, destinado aos imigrantes japoneses, o periódico afirmava que em 1953 existiam 5 mil famílias no bairro Palmital das quais 110 eram de imigrantes japoneses. Em 1953 foi criado o Kaikan, em atividade até a contemporaneidade na cidade, trata-se de um clube em sede de associação com vínculo entre os descendentes japoneses.

Reforma Agrária[editar | editar código-fonte]

É de extrema importância para o município de Mirante do Paranapanema, a discussão acerca da reforma agrária, uma vez que quando comparado com outros municípios do Pontal do Paranapanema é o que mais possuí assentamentos desta espécie na região e no país, sendo o primeiro projeto de assentamento criado a partir da desapropriação da Fazenda Santa Clara.[10]

A concentração fundiária no oeste do Estado de São Paulo em especial nos municípios do Pontal ocorreram por intermédio da grilagem de terras que datam da segunda metade do século XIX, após a promulgação da Lei de Terras em 1850, o principal movimento social que luta pela implantação da reforma agrária no Brasil desde as décadas de 1980 e 1990 e na contemporaneidade é o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra).

O fortalecimento do campesinato no final do século passado, forçou o governo do Estado de São Paulo a criar estruturas para responder às novas demandas impostas, criando através do Decreto 33.133/1991 o Instituto de Terras do Estado de São Paulo (ITESP). Só para região do Pontal foram destinados aproximadamente 200 servidores, para atuar nas áreas de regularização fundiária, de desenvolvimento das comunidades assentadas e na mediação dos conflitos, com um quadro funcional bastante diversificado.[10]

O período anterior a conquista dos assentamentos estava fundamentado na exploração da monocultura do algodão, amendoim e a criação de gado de corte, posteriormente a implementação dos lotes de sítio por advento de reforma agrária pode-se testemunhar uma alteração na paisagem de todo o município, nos costumes, nos hábitos na consolidação social a partir de pequenas unidades familiares, exemplo é o explicado em monografia por Luciano Benini de Oliveira na obra titulada “Estudo da juventude no Assentamento São Bento - Mirante do Paranapanema /SP: Renúncia ou resistência ao território camponês?” na qual afirma que o Assentamento São Bento, que abriga na atualidade em sua área o maior número de famílias residentes, se apercebe uma produção agrícola familiar diversa como a produção leiteira, animais para o comercio como bezerros, bois, vacas, o cultivo de vários produtos como: melancia, café, manga, feijão, milho, coco, urucum, hortaliças, mandioca, constituindo-se a produção de subsistência voltada para alimentar a família sendo o excedente comercializado.[11]

Geografia[editar | editar código-fonte]

Imagem do Cristo na entrada da sede do município, trata-se de um dos seus monumentos.

Possui uma área de 1.237,847 km².

Demografia[editar | editar código-fonte]

Dados do Censo - 2000

População total: 16.213

  • Urbana: 9.833
  • Rural: 6.380
  • Homens: 8.272
  • Mulheres: 7.941

Densidade demográfica (hab./km²): 13,10

Mortalidade infantil até 1 ano (por mil): 20,95

Expectativa de vida (anos): 68,71

Taxa de fecundidade (filhos por mulher): 2,29

Taxa de alfabetização: 83,30%

Índice de Desenvolvimento Humano (IDH-M): 0,735

  • IDH-M Renda: 0,653
  • IDH-M Longevidade: 0,729
  • IDH-M Educação: 0,824

(Fonte: IPEADATA)

Distritos do município: Cuiabá Paulista e Costa Machado.[editar | editar código-fonte]

Hidrografia[editar | editar código-fonte]

Mirante do Paranapanema abriga em seu território um dos principais rios do estado de São Paulo, o rio Paranapanema que é um divisor natural dos territórios dos estados de São Paulo e Paraná. O município ainda é banhado pelos flumes Pirapozinho, Costa Machado, Engano, Nhancá e Cuiabá. Além disso o município conta com um grande número de córregos em sua área territorial.

Rodovias[editar | editar código-fonte]

  • SP-272- Rodovia Olímpio Ferreira da Silva
  • SP-563- Rodovia General Euclides de Oliveira Figueiredo
  • SP-613- Rodovia Arlindo Béttio

Festejos[editar | editar código-fonte]

Logotipo do evento Mirante Folia.

Com uma população de matriz nordestina, nas últimas décadas foram as principais festividades do município de Mirante do Paranapanema, o celebre carnaval fora de época "Mirante Folia", lançado em primeira edição no ano de 1994, o evento que alcançou 21 edições encerrou-se em 2014 em razão dos altos custos do poder público em torná-lo possível, no entanto a micareta marcou a história do turismo de eventos de todo o interior paulista, principalmente na região do Pontal do Paranapanema, por contar em suas edições com grandes estrelas do axé brasileiro como: Asas da América, Capilé, Terra Samba, Banda Eva, Ara Ketu, Batom na Cueca e Valneijós.

Da mesma maneira, que o axé é considerado o símbolo do nordeste brasileiro, o sertanejo também vem a ser considerado um importante gênero musical deste povo, transportado por tantos nordestinos, nas viagens rumo ao sudeste no século passado, o rodeio em animais sempre fora importante evento no calendário municipal de Mirante do Paranapanema, contudo a partir da consolidação do carnaval fora de época como evento principal, este outro gênero de festividades foi deixado em segundo plano, a retornar no calendário em 2013, quando fora realizada a primeira edição da "Expo Mirante", que a princípio apenas tratava-se de evento de exposição e feira de produtos e máquinas agrícolas, mas que a partir de sua segunda edição tornar-se-ria o evento de rodeio e show musical principal na atualidade, até o referido ano de 2019 já foram realizadas sete edições do evento, com diversas outras atrações como concurso de beleza feminina, prova de laço e ciclo de palestras.

Governo e Política[editar | editar código-fonte]

Poder Executivo

O poder executivo do município de Mirante do Paranapanema é representado pelo prefeito, auxiliado pelo seu gabinete de secretários, em conformidade ao modelo proposto pela Constituição Federal. O primeiro prefeito eleito do município foi José Quirino Cavalcante em 1954 e o atual é Átila Ramiro Menezes Dourado (PSDB), eleito no primeiro turno das eleições municipais de 2016, com 51,48% dos votos válidos, tendo como vice-prefeita Maria Lúcia de Albuquerque de Góes (MDB).[12]

Poder Legislativo

A Câmara Municipal de Mirante do Paranapanema é composta por nove vereadores, eleitos para mandatos de quatro anos. Na atual legislatura, iniciada em 2017 e com encerramento no final do ano de 2020 exercem mandato os seguintes parlamentares:

  • Ângela Tereza Teixeira de Souza (MDB)
  • Aparecido de Souza Santana (PSD)
  • Climério Costa Lima (PSDB)
  • Danilo Diego Alves da Silva (PODE)
  • Fábio Alexandre Barboza Santos (PTB)
  • Edmilson Moura de Aquino (DEM)
  • Sérgio Antônio de Assis (PSD)
  • Ramiro Ferreira Dourado Júnior (PSDB)
  • Vínicius dos Santos Donato (MDB)[13]

Prefeitos[editar | editar código-fonte]

Nome início do mandato fim do mandato
1 José Quirino Cavalcante 1955 1958
2 João Augusto de Almeida 1959 1962
3 Francisco Farias 1963 1966
4 José Marcolino Sobrinho 1967 1970
5 Justino de Souza Trindade 1970 1973
6 Francisco Cândido Marcolino 1973 1977
7 João Augusto de Almeida 1977 1983
8 Cecílio Manoel de Lira 1983 1988
9 João Augusto de Almeida 1989 1992
10 Núbio Pinto de Medeiros 1993 1996
11 João Tadeu Saab 1997 1999 [nota 1]
12 Celso de Sá 1999 2000 [nota 2]
13 Carlos Siqueira Ribeiro (Kalu) 2001 2004
14 Eduardo Quesada Piazzalunga 2005 2012
15 Carlos Alberto Vieira (Carlinhos) 2013 2016
16 Átila Ramiro Menezes Dourado 2017 2020

Notas

  1. O Prefeito João Tadeu Saab foi cassado em 10 de maio de 1999
  2. O Vice-prefeito Celso de Sá assume a Prefeitura em 11 de maio de 1999

Referências

  1. «Distâncias entre a cidade de São Paulo e todas as cidades do interior paulista». Consultado em 26 de janeiro de 2011 
  2. IBGE (10 de outubro de 2002). «Área territorial oficial». Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Consultado em 5 de dezembro de 2010 
  3. «Censo Populacional 2010». Censo Populacional 2010. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 29 de novembro de 2010. Consultado em 11 de dezembro de 2010 
  4. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2000. Consultado em 11 de outubro de 2008 
  5. a b «Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 11 de dezembro de 2010 
  6. «Municípios e Distritos do Estado de São Paulo» (PDF). IGC - Instituto Geográfico e Cartográfico 
  7. «Divisão Territorial do Brasil». IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística 
  8. a b Ramalho, Cristiane Barbosa, UNESP. (2002). «Impactos socioterritoriais dos assentamentos rurais no município de Mirante do Paranapanema - região do Pontal do Paranapanema-SP». Aleph: v, 144 f.: il. + mapas 
  9. a b SANTOS, Milton. «História do Município». www.cmmirantedoparanapanema.sp.gov.br. Consultado em 17 de novembro de 2019 
  10. a b MAZZINI, Eliane de Jesus Teixeira. UNESP (23 de julho de 2007). «Assentamentos rurais no Pontal do Paranapanema - SP: uma política de desenvolvimento regional ou de compensação social?». Aleph: 311 f. : il + mapas 
  11. OLIVEIRA, Luciano Benini de. «Estudo da juventude no Assentamento São Bento - Mirante do Paranapanema /SP: Renúncia ou resistência ao território camponês?». DocGo.Net (em inglês). Consultado em 1 de dezembro de 2019 
  12. «Dr. Átila é eleito prefeito de Mirante do Paranapanema». Eleições 2016 em Presidente Prudente e Região. 2 de outubro de 2016 
  13. «CÂMARA MUNICIPAL DE MIRANTE DO PARANAPANEMA». www.cmmirantedoparanapanema.sp.gov.br. Consultado em 21 de novembro de 2016 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]