Final da Copa João Havelange
A Final da Copa João Havelange foi disputada em dois jogos, o primeiro em São Paulo no Estádio Palestra Itália e o segundo no Rio de Janeiro, inicialmente definido para o Estádio São Januário, mas mais tarde sendo no Maracanã.
O Vasco da Gama, do Módulo Azul, e o São Caetano, do Módulo Amarelo, disputaram a final. O clube paulista, que chegou à final como surpresa da competição após vencer clubes expressivos do futebol brasileiro, contava com atacante Adhemar que marcou 22 gols, também uma surpresa da competição. Por sua vez, o clube carioca contava com um elenco composto por jogadores da Seleção Brasileira do passado e do presente e campeões mundiais, porém havia recentemente trocado de treinador, que por desentendimento com o vice-presidente Eurico Miranda foi demitido, sendo contratado para o seu lugar Joel Santana. Joel estava no comando da equipe há poucas semanas, mas tinha tido o mérito de assegurar a presença na final ao derrotar o Cruzeiro em Belo Horizonte.
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[editar] O acidente no último jogo
O jogo de volta ficou marcado pela queda de parte da grade de separação do Estádio São Januário, causando 168 feridos. Este jogo, o último, marcado para o dia 30 de Dezembro de 2000, inicialmente para o Maracanã, mas mais tarde definido para o Estádio São Januário. O motivo da mudança não é claro. O Vasco da Gama, clube mandante do jogo, afirma que a decisão de levar o jogo para São Januário foi apenas para não atrapalhar as reformas que estavam a decorrer no Maracanã. O então governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, afirma que o vice-presidente do Vasco da Gama Eurico Miranda levou o jogo para São Januário apenas porque não quis usar o Maracanã, que apesar das reformas, era capaz de receber um grande público com maior segurança.[1] Na época o Maracanã tinha uma capacidade perto de 100.000 mil torcedores e São Januário, de acordo com Eurico, tinha 40.000 lugares.
Foram colocados à venda 32.537 ingressos, porém testemunhas afirmam que viram pessoas entrarem no estádio sem ingresso. Com essa falha de segurança, rapidamente o estádio ficou superlotado. Aos vinte e três minutos de jogo, uma briga entre torcedores gerou confusão e parte da grade de separação da arquibancada cedeu. Imediatamente torcedores começaram a invadir o campo de jogo para evitarem ser pisados por outros torcedores em pânico. O jogo foi interrompido pelo árbitro, Eurico Miranda entrou em campo para agilizar a remoção dos feridos e para negociar o reinicio do jogo.
Ao fim de duas horas ainda havia feridos em campo e o governador Anthony Garotinho decidiu intervir. Ele entrou em contato com o delegado do jogo e ordenou a suspensão do jogo, ficando esse adiado para outra data.
Após o acidente, uma perícia foi feita ao estádio pelo Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE). O laudo divulgado pelo instituto revelou que o estádio estava muito acima da sua capacidade. De acordo com a perícia o estádio tinha capacidade para pouco mais de 20.000 lugares sentados ou 27.306 em pé, 5.231 a menos do que os ingressos vendidos. Além da superlotação, o instituto concluiu que a grade que cedeu estava em mau estado e com corrosão.[2][3][4]
[editar] Ida
O São Caetano alinhou com a sua força máxima, enquanto o Vasco da Gama teve o deslfaque de Juninho Pernambucano que estava com uma forte gripe.
Apesar de ter conseguido vitórias fora de casa, o São Caetano sabia que não poderia perder a oportunidade de abrir uma boa vantagem no jogo de ida. Com esse objetivo em mente os jogadores do São Caetano iniciaram a partida em alta velocidade e aos onze minutos de jogo abriram o marcador através de César. Porém não demorou muito para o Vasco da Gama igualar o marcador. Aos vinte e sete minutos de jogo Romário, após passe de Jorginho Paulista, empatou a partida. O resultado manteve-se até o fim e com isso o Vasco da Gama passou a ter a vantagem de poder empatar em 0 a 0 o jogo de volta para conquistar outro campeonato.
| 27 de Dezembro de 2000 |
| 21:40 - Estádio Palestra Itália (São Paulo) - Público: 29.288 |
| Árbitro(s): |
| Principal: |
| Assistente 1: |
| Assistente 2: |
| São Caetano | 1-1 (1-1) |
Vasco da Gama |
| César |
Romário |
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[editar] Volta
Após o acidente em São Januário, foi marcada uma nova data para a disputa da partida de volta. Com o estádio de São Januário interditado, foi definido então que o jogo seria disputado no Maracanã. O Clube dos 13 decidiu que não haveria venda de ingressos, estipulando um limite máximo para a entrada de torcedores (60.000), sendo que tinha preferência os torcedores que apresentassem o ingresso que comprovasse a sua presença no jogo anterior.
Porém houve protesto e confusão por parte de alguns atletas do Vasco da Gama. Como o jogo foi marcado para 2001, alguns jogadores não tinham mais contrato com o clube, já que encerravam no último dia de 2000. Outros jogadores não aceitavam voltar das férias para disputar o jogo, alegando que não teriam tempo de descanso pois iriam logo após iniciar a preparação da nova temporada.[5] No fim o clube solucionou os problemas contratuais e convenceu os jogadores a interromperem de férias.
Apesar da vantagem de poder conquistar o título com um empate sem gols, a equipe carioca começou o jogo de forma agressiva e abriu o marcador aos trinta minutos de jogo por intermédio de Juninho Pernambucano, após passe de Romário. Porém o São Caetano empatou o jogo sete minutos mais tarde, com um gol de Adãozinho, deixando a final completamente empatada. O Vasco da Gama não demorou a reagir e apenas dois minutos depois voltou a marcar, agora através de Jorginho Paulista, seu primeiro gol pelo Vasco da Gama, após passe de Juninho Paulista. Na volta do intervalo, e precisando apenas de um gol para conquistar o título, o São Caetano voltou melhor, criando mais jogadas de ataque, porém foi o Vasco da Gama que acabou marcando. Romário recebeu a bola de Juninho Paulista e marcou o seu vigésimo gol na competição. O São Caetano precisava de marcar dois gols em pouco mais de trinta minutos. A equipe paulista tentou, porém o jogo terminou com o placar de 3 a 1 a favor do Vasco da Gama. Com a soma dos resultados, o clube carioca conquistou o título por 4 a 2.
Durante a final, o Vasco exibiu o símbolo do SBT na camisa. Eurico Miranda tomou toda a responsabilidade pelo ato, feito para provocar a Rede Globo, que transmitiu o jogo. O SBT não fora informado do ato, que Miranda descreveu como uma "homenagem", até a hora da partida. Quando o vice-presidente do SBT, José Roberto Maluf, ligou para Miranda no dia seguinte, o cartola disse que a causa fora a cobertura do desabamento do alambrado, na qual Miranda alegou que a Globo pretendeu prejudicá-lo. O próprio Miranda também disse durante a CPI investigando o alambrado que a emissora forçou a suspensão da partida para não ter de mudar sua programação.[6][7]
| 18 de Janeiro de 2001 |
| 16:00 - Maracanã (Rio de Janeiro) - Público: 31.761¹ |
| Árbitro(s): |
| Principal: |
| Assistente 1: |
| Assistente 2: |
| Vasco da Gama | 3-1 (2-1) |
São Caetano |
| Juninho Pernambucano Jorginho Paulista Romário |
Adãozinho |
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[editar] Elenco do Vasco campeão brasileiro de 2000
[editar] Ver também
Referências
- ↑ "A queda do alambrado de São Januário" - netvasco.com.br
- ↑ "Imprensa amiga da onça" - observatorio.ultimosegundo.ig.com.br
- ↑ "As vítimas do cartola sem limites" - epoca.globo.com - Edição 138 - 8 de Janeiro de 2001
- ↑ "Tragédia de São Januário completa um ano sem justiça" - jornal.valeparaibano.com.br - 30 de Dezembro de 2001
- ↑ "Vasco decide título da Copa JH sob estresse" - folha.uol.com.br - 14 de Janeiro de 2001
- ↑ Esse Eurico... - Cartola obriga TV Globo a exibir logotipo do SBT Veja, 24 de Janeiro de 2001
- ↑ Contra ataque pelo bolso Meio & Mensagem, 29 de Janeiro de 2001