Escópia

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Escópia
—  Cidade  —
Vistas de Escópia
Vistas de Escópia
Bandeira de Escópia
Bandeira
Brasão de armas de Escópia
Brasão de armas
Macedonia-CIA WFB Map.png
42° N 21° 26' E
País  Macedónia
Área
 - Total 571,46 km²
Altitude 240 m (787 pés)
População (2002)
 - Total 506 926
Fuso horário CET (UTC+1)
 - Horário de verão CEST (UTC+2)
Código postal 1000
Código de área +389 02
Sítio http://www.skopje.gov.mk/

Skopje[1] , Skopie[2] [3] [4] [5] ou Skópie[6] (em macedónio[ˈskɔpjɛ] ( ouvir); Скопје), por vezes aportuguesada a Escópia[1] [7] , é a capital e a maior cidade da República da Macedónia. Era conhecida no período romano sob o nome de Skupi, dentro da antiga Iugoslávia sob o nome (sérvio) Skoplie, e durante o domínio do império Turco-Otomano, sob o nome de Uzkub ou Uzkup.

A cidade desenvolveu-se rapidamente após a Segunda Guerra Mundial — tendência porém interrompida em 1963, ano em que foi abalada por um grande terremoto.

Atualmente Skopje é uma cidade moderna, que preserva monumentos culturais do passado. Situa-se nas coordenadas 42° 0' N 21° 26' E, no curso superior do rio Vardar, na principal rota norte-sul dos Balcãs, entre Belgrado (Sérvia) e Atenas (Grécia). É um importante centro siderúrgico, assim como das indústrias química, madeireira, têxtil, de curtumes e publicitária. O desenvolvimento industrial da cidade foi acompanhado por um desenvolvimento intensivo dos sectores do comércio e de operação bancária, assim como foi dada ênfase aos campos da cultura e do desporto.

De acordo com o censo de 2006, a população da cidade à época era de 668 518 habitantes — 510 000 dos quais na área urbana.[8] De acordo com o censo nacional de 2002, o grupo étnico principal era o dos Macedónios, que compõem 66,75% da população, seguido pelos Albaneses (20,49%), pelos Roma (Ciganos) (4,63%), pelos Sérvios (2,82%), pelos Turcos (1,70%), pelos Bósnios (1,50%) e pelos Aromenos (0,50%). 97,5% da população com 10 ou mais anos de idade é alfabetizada.

Nome[editar | editar código-fonte]

Em 1912, o nome da cidade foi oficialmente alterado do turco Üsküp (turco otomano: اسكوب) para o sérvio Skoplie (Скопље).[9] Desde os anos 1950, a designação da cidade em macedônio tem sido Skopje (Скопје), o que reflete a ortografia cirílica para a pronúncia local do macedônio. A origem deste topônimo é o latim Scupi. O topônimo latino, por sua vez, advém ou de uma tribo traco-ilírica[10] ou dos termos gregos skopion e skopein, "vigiar",[11] o que indica a origem de Escópia como uma fortaleza de fronteira da era greco-romana clássica que posteriormente integrou o Império Romano do Oriente.[12] Machado registra a forma vernácula "Escupos" para a cidade existente no local durante a era romana, advinda do grego Skoûpos, através do latim Scūpos.[13]

Durante a Idade Média, a cidade esteve frequentemente sob controle do Império Búlgaro; a versão búlgara do nome da cidade é Skopie (Скопие). A cidade foi conhecida como Uskub ou Uskup na maioria das línguas da Europa Ocidental durante o período Otomano[14] , e posteriormente de Skoplje (versão do nome em sérvio) no seio da então Iugoslávia. É chamada ainda de Shkupi em albanês, Scopia em arromeno, e Skopiye em romani.

Em português, não existe ainda forma consagrada para o nome da cidade: o governo português usa "Skopje", enquanto o governo brasileiro usa "Skopie"[15] . A questão de não existir ainda forma em acordo com as normas gramaticais da língua portuguesa para o nome da cidade foi já objeto de debate em Boletim sobre uso da Língua Portuguesa pela União Europeia[16] e no portal "Ciberdúvidas da Língua Portuguesa"[17] . No primeiro, os autores, membros do Grupo de Redação da União Europeia, justificam a manutenção do termo estrangeira argumentando que, "Quanto a Skopje, faria sentido introduzir o neologismo «Escópia» ou «Escúpia», mas entendeu-se que o aportuguesamento não permitia reconhecer imediatamente o topónimo a que se referia, o que comprometeria a sua passagem para o uso corrente." No Ciberdúvidas, por sua vez, Carlos Rocha afirma que, para aportuguesar a palavra, haveria "duas possibilidades: "Escópie", não atestado, e "Escópia", que de facto ocorre em pesquisas no Google; trata-se, de qualquer modo, de formas que não estão legitimadas em dicionários ou prontuários."

História[editar | editar código-fonte]

Período clássico[editar | editar código-fonte]

O local da moderna Escópia esteve inabitado até cerca de 3 500 a.C.. Vestígios de fundações neolíticas foram encontrados dentro da antiga fortaleza de Kale. No seu auge, estes edifícios vigiariam o actual centro da cidade. Aparentemente, estas fundações tiveram origem no povo paeoniano, que habitou a região.

Ilustração de Escópia, 1594.

No século III a.C., Escópia e a área circundante foi invadida pelos dardânios, da Macedónia. Com a conquista do império pelas tropas imperiais romanas Skupi, ficou sob o domínio romano em 148 a.C., quando o general romano Caecilii Metellii derrotou Andriscus da Macedónia, estabelecendo-se logo depois como parte integrante da província romana da Macedónia em 146 a.C.. A expansão do império para norte, que se encontrava em curso, levou à criação da província da Mésia, nos tempos de Augusto (r. 27 a.C.-14 d.C.), que incorporou Scupi. Após a divisão da província por Domiciano em 86 d.C., Skupi foi elevada a colónia romana e foi-lhe conferido o estabelecimento do governo da então recém-criada província da Mésia Superior.

Em 395 d.C., a cidade passou para o domínio do Império Romano do Oriente.

O primeiro bispo conhecido da cidade foi Perigório, presente no Concílio de Sárdica (Sófia). Scupi foi então um centro metropolitano do centro da Europa, até à passagem para a Idade Média.[18]

Idade Média[editar | editar código-fonte]

O imperador bizantino Justiniano I nasceu em Escupi, em Taurésio, em 483 d.C.. Em 518, Escópia havia sido quase completamente destruída por um terramoto. Justiniano acudiu prontamente à cidade e ali fundou um acampamento a que deu o nome de Justiniana Prima, a norte do sítio de Escópia. Porém, Justiniana e os restos de Escópia foram destruídos com a invasão do local pelos eslavos, no século VII. Os eslavos renomearam o local como Escópia e os bizantinos expulsaram. Tais factos, concluíram-se na perda de importância comercial e económica, populacional e, consecutivamente, uma vasta perda de mão-de-obra.

A Idade Média foi pautada por curas e sangrentas guerras, pandemias e outros males que reduziram catastroficamente a população da Europa e da Ásia Menor. Deste padrão Escópia não se apartou, e sucumbiu na destruição durante e após diversos motins e guerras de possessão. Durante grande parte do início da Idade Média, a cidade foi contestada tanto pelos bizantinos como pelo Império Búlgaro. De 972 a 992 tornou-se a capital deste império. Depois disto, tornou-se a capital da região administrativa da Bulgária, na sucessão da queda do império em 1018.

Logo, Escópia iniciou um período de enriquecimento, principalmente através do comércio e outro intercâmbios, algo que se declinou após o terramoto no fim do século XI. Dois séculos e meio mais tarde, torna-se capital do feudo do Senhor búlgaro, mais tarde imperador, Constantino Tikh. A cidade foi tomada pelos sérvios em 1282. Em 1346, foi nomeada capital do Império Sérvio por Estêvão IV Duchan.

A cidade otomana[editar | editar código-fonte]

Em 1392, três anos após a derrota da Sérvia na Batalha do Kosovo, Escópia foi capturada pelo Império Otomano. Nos seguintes quinhentos anos, seria conhecida em turco como Üsküb ou Üsküp. A Üsküp otomana foi a capital da província do Kosovo, que ocupava grande área da actual região do Kosovo.

O carácter da cidade modificou-se marcadamente durante este período. Os otomanos introduziram o islamismo e construíram inúmeras mesquitas, termas (hammans) e pousadas até hoje existentes. Expulsos de Espanha e de outros locais, muitos judeus sefarditas instalaram-se nas imediações da cidade, aumentando ainda mais a diversidade étnica da cidade.

As fundações medievais da cidade ficaram gravemente danificadas com o terramoto de 1555, mas a cidade recuperou-se prontamente, regressando à prosperidade. Pelo século XVII, a sua população contou-se entre os 30 000 e os 60 000 habitantes, estando constante em certas fontes que a população tenha mesmo ultrapassado a marca dos 60 000. O escritor turco Dulgar Dede visitou Üsküb durante este período de prosperidade e largo crescimento e escreveu:

Cquote1.svg Viajei por vários anos ao longo deste país que é a Rumélia e vi diversas belas cidades e fui abençoado por Alá, mas fiquei mesmo impressionado e caído em deleite quando vi a divina cidade de Escópia, nas margens dos passos do Rio Vardar. Cquote2.svg

Em 1689, Escópia permaneceu por um curto período sob o comando das tropas do general austríaco Engelberto d'Ugo Piccolomini.

A economia da cidade passou por um processo de queda nos dois séculos seguintes, com sua população chegando a diminuir até a marca de 10 000 habitantes. A cidade veio a se recuperar parcialmente com a construção da linha férrea de Belgrado a Tessalónica, passando por Escópia, em 1873.

No século XX[editar | editar código-fonte]

Panorama de Escópia.

Por volta de 1905, Escópia tinha já uma população de 32 mil habitantes, que compreendia uma larga mistura de etnias e religiões. Cinco anos mais tarde, a madre católica romana, Agnes Gonxha Bojaxhiu, mais tarde conhecida como Madre Teresa de Calcutá, nasceu em Escópia.

A cidade tornou-se num grande centro de concentração de rebeldes e grandes motins contra o Império Otomano, já em declínio há vários anos.O governo e a população otomana foram finalmente expulsos de Escópia pelos macedônios em 12 de agosto de 1912, mas a cidade acabaria sendo meses mais tarde capturada pelos sérvios, no início da Primeira Guerra Balcânica.

Em 1913, os aliados na Primeira Guerra Balcânica foram derrotados e o mesmo aconteceu na segunda. A Sérvia reteve o controle de Escópia, com o vale de Vardar incorporado no território sérvio. No entanto, a cidade ocupada pela Sérvia até ao fim da Primeira Guerra Mundial, em 1918, tornou-se parte do Reino da Jugoslávia. Entre 1941 e 1944 a cidade ficou então sob controle búlgaro. Entretanto, as maiores potências estavam envolvidas com a Segunda Guerra Mundial, e a Jugoslávia tentava defender Escópia e o resto do território da invasão alemã. Assim, Escópia juntou-se uma vez mais ao território jugoslavo. Nos anos seguintes Escópia integrou a República Socialista Federativa da Iugoslávia, até à independência da Macedónia.

O terremoto de 1963[editar | editar código-fonte]

A 26 de julho de 1963, Escópia foi novamente destruída por um grande terremoto, apontando 6,1 na Escala de Richter, vitimando mais de 1000 pessoas e resultando em 120 mil desalojados. 80% da cidade foi destruída pelo terramoto, e numerosos monumentos ficaram seriamente danificados. As perdas foram massivas para a Macedónia e para a Jugoslávia. No entanto, uma grande ajuda internacional levou a que a cidade fosse rapidamente reconstruída, ainda que o seu antigo aspecto otomano tenha sido perdido durante o processo. As ruínas da velha estação de comboios de Escópia compõem hoje um memorial às vítimas, juntamente com um museu adjacente.

Escópia rapidamente se recuperou e fez jus ao investimento, tornando-se num dos maiores centros industriais dos Balcãs. Em 1991 a federação da Jugoslávia entrou em colapso e, assim, Escópia passou a ser a capital da independente República da Macedónia. A Grécia objectou contra o uso do nome "Macedónia", pelo novo Estado, e impôs o bloqueio económico e marítimo. O bloqueio foi suspenso em 1995, depois do acordo de nomenclatura entre os dois governos.

Em dezembro de 2006, o governo anunciou a existência de planos para o novo aeroporto da cidade.

Divisão administrativa[editar | editar código-fonte]

Escópia é uma divisão administrativa dentro da Macedónia, constituída por dez municípios. A sua capital, é também a capital do país balcânico.

Referências

  1. a b No Boletim da língua portuguesa nas instituições europeias. e no Ciberdúvidas da Língua Portuguesa. foi debatida a questão de não existir, ainda, forma aportuguesada para o nome da cidade. No primeiro texto, o autor diz que "Quanto a Skopje, faria sentido introduzir o neologismo «Escópia» ou «Escúpia», mas entendeu-se que o aportuguesamento não permitia reconhecer imediatamente o topónimo a que se referia, o que comprometeria a sua passagem para o uso corrente." No segundo texto, o autor, Carlos Rocha, afirma que, para aportuguesar a palavra, haveria "duas possibilidades: "Escópie", não atestado, e "Escópia", que de facto ocorre em pesquisas no Google; trata-se, de qualquer modo, de formas que não estão legitimadas em dicionários ou prontuários."
  2. Presidência da República do Brasil.
  3. Vocabulário da Porto Editora.
  4. Enciclopédia Cultural, Editora Matêse, São Paulo, 1966
  5. Senado Federal (Brasil).
  6. Ándritch, Ivo. Café Titanic. [S.l.: s.n.], 2008. (Tradução para português de Aleksandar Jovanovíc.)
  7. Rocha, Carlos (9 de julho de 2010). A capital da República da Macedónia Ciberdúvidas da Língua Portuguesa. Visitado em 22 de abril de 2013.
  8. Skopje.com.
  9. [1]
  10. Babiniotis, Λεξικό της Νεοελληνικής Γλώσσας
  11. [2]
  12. Watkins, Thomas H., "Roman Legionary Fortresses and the Cities of Modern Europe", Military Affairs, Vol. 47, No. 1 (Feb., 1983)
  13. Machado, José Pedro. Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa, verbete "Escupos".
  14. Room A. Placenames of the World: Origins and Meanings of the Names for Over 5000 Natural Features, p.335.
  15. Presidência da República do Brasil.
  16. Boletim da Língua Portuguesa nas Instituições Europeais.
  17. Ciberdúvidas da Língua Portuguesa.
  18. Catholic Encyclopedia: Scopia.
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