Skopje

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Panorama de Skopje.

Skopje, ou aportuguesando Escópia,1 2 3 Escúpia,3 Skopie,1 ou Escópie1 2 (em macedônio: Скопје ou Skopje; em albanês: Shkupi) é a capital e a maior cidade da República de Macedónia. Era conhecida no período romano sob o nome de Skupi. A cidade desenvolveu-se rapidamente após a Segunda Guerra Mundial, mas esta tendência foi interrompida em 1963, ano em que foi abalada por um grande terremoto.

Hoje Skopje é uma cidade moderna com interesse nos monumentos culturais do passado. Skopje fica situada em 42°0'N 21°26'E, no curso superior do rio Vardar e fica situada numa rota principal norte-sul dos Balcãs, entre Belgrado e Atenas. É um importante centro siderúrgico, assim como das indústrias química, madeireira, têxtil, de curtumes e publicitária. O desenvolvimento industrial da cidade foi acompanhado por um desenvolvimento intensivo dos sectores do comércio e de operação bancária, assim como um ênfase nos campos da cultura e do desporto.

De acordo com o censo nacional de 2002, a população de Skopje era de 506 926 habitantes. O grupo étnico principal é o dos Macedónios, que compõem 66.75% da população, seguido pelos Albaneses (20.49%), pelos Romani (Ciganos) (4,63%), pelos Sérvios (2,82%), pelos Turcos (1,70%), pelos Bósnios (1.50%) e pelos Aromenos (0.50%). 97,5% da população com 10 ou mais anos de idade é alfabetizada.

Índice

Nome [editar]

Em 1912, o nome da cidade foi oficialmente alterado do turco Üsküp (turco otomano: اسكوب) para o sérvio Skoplje (Скопље).4 Desde os anos 1950, a designação da cidade em macedônio tem sido Skopje (Скопје), o que reflete a ortografia cirílica para a pronúncia local do macedônio. A origem deste topônimo é o latim Scupi. O topônimo latino, por sua vez, advém ou de uma tribo traco-ilírica5 ou dos termos gregos skopion e skopein, "vigiar",6 o que indica a origem de Skopje como uma fortaleza de fronteira da era greco-romana clássica que posteriormente integrou o Império Romano do Oriente.7 Machado registra a forma vernácula "Escupos" para a cidade existente no local durante a era romana, advinda do grego Skoûpos, através do latim Scūpos.8

Durante a Idade Média, Skopje esteve frequentemente sob controle do Império Búlgaro; a versão búlgara do nome da cidade é Skopie (Скопие). A cidade foi conhecida como Uskub ou Uskup na maioria das línguas da Europa Ocidental durante o período otomano.9 É chamada de Shkupi em albanês, de Scopia em arromeno, e de Skopiye em romani.

História [editar]

Período clássico [editar]

Ilustração de Skopje, 1594.

O local da moderna Skopje esteve inabitado até cerca de 3500 a.C.. Vestígios de fundações neolíticas foram encontrados dentro da antiga fortaleza de Kale. No seu auge, estes edifícios vigiariam o actual centro da cidade. Aparentemente, estas fundações tiveram origem no povo paeoniano, que habitou a região.

No século III a.C., Skopje e a área circundante foi invadida pelos dardânios, da Macedónia. Com a conquista do império pelas tropas imperiais romanas Skupi, ficou sob o domínio romano em 148 a.C., quando o general romano Caecilii Metellii derrotou Andriscus da Macedónia, estabelelcendo-se logo depois como parte integrante da província romana da Macedónia em 146 a.C.. A expansão do império para norte, que se encontrava em curso, levou à criaçãoda província da Mésia, nos tempos de Octávio Augusto, que incorporou Scupi. Após a divisão da província por Domiciano em 86, Skupi foi elevada a Colónia romana e foi-lhe conferido o estabelecimento do governo da recém-criada província da Mésia Superior.

Em 395, a cidade passou para as mãos do Império Romano do Oriente.

O primeiro bispo conhecido da cidade foi Perigorius, presente no Concílio de Sardica (Sófia). Scupi foi então um centro metropolitano do centro da Europa, até à passagem para a Idade Média.10

Idade Média [editar]

O imperador bizantino Justiniano I nasceu em Skupi, em Tauresium, em 483. Em 518, Skupy havia sido quase completamente destruída por um terramoto. Justiniano acudiu prontamente à cidade e ali fundou um acampamento a que deu o nome de Justiniana Prima, a norte do sítio de Skupi. Porém, Justiniana e os restos de Skupi foram destruídos com a invasão do local pelos eslavos, no século VII. Os eslavos renomearam o local como Skopje e os bizantinos expulsaram. Tais factos, concluiram-se na perda de importância comercial e económica, populacional e, consecutivamente, uma vasta perda de mão-de-obra.

A Idade Média foi pautada por curas e sangrentas guerras, pandemias e outros males que reduziram catastroficamente a população da Europa e da Ásia Menor. Deste padrão Skopje não se apartou, e sucumbiu na destruição durante e após diversos motins e guerras de possessão. Durante grande parte do início da Idade Média, a cidade foi contestada tanto pelos bizantinos como pelo Império búlgaro. De 972 a 992 tornou-se a capital deste império. Depois disto, tornou-se a capital da região administrativa da Bulgária, na sucessão da queda do império em 1018.

Logo, Skopje iniciou um período de enriquecimento, principalmente através do comércio e outro intercâmbios, algo que se declinou após o terramoto no fim do século XI. Dois séculos e meio mais tarde, torna-se capital do feudo do Senhor búlgaro, mais tarde imperador, Konstantin Asen. A cidade foi tomada pelos sérvios em 1282. Em 1346 foi nomeada capital do Império sérvio por Stefan Dušan.

A cidade otomana [editar]

Em 1392, três anos após a derrota da Sérvia na Batalha do Kosovo, Skopje foi capturada pelo Império Otomano. Nos seguintes quinhentos anos, seria conhecida em turco como Üsküb ou Üsküp. A Üsküp otomana foi a capital da província do Kosovo, que ocupava grande área da actual região do Kosovo.

O carácter da cidade modificou-se marcadamente durante este período. Os otomanos introduziram o islamismo e construíram inúmeras mesquitas, termas (hammans) e pousadas até hoje existentes. Expulsos de Espanha e de outros locais, muitos judeus sefarditas instalaram-se nas imediações da cidade, aumentando ainda mais a diversidade étnica da cidade.

As fundações medievais da cidade ficaram gravemente danificadas com o terramoto de 1555, mas a cidade recuperou-se prontamente, regressarando à prosperidade. Pelo século XVII, a sua população contou-se entre os 30 000 e os 60 000 habitantes, estando constante em certas fontes que a população tenha mesmo ultrapassado a marca dos 60 000. O escritor turco Dulgar Dede visitou Üsküb durante este período de prosperidade e largo crescimento e escreveu:

Cquote1.svg Viajei por vários anos ao longo deste país que é a Rumélia e vi diversas belas cidades e fui abençoado por Alá, mas fiquei mesmo impressionado e caído em deleite quando vi a divina cidade de Skopje, nas margens dos passos do Rio Vardar. Cquote2.svg

Em 1689, Skopje permaneceu por um curto período sob o comando das tropas do general austríaco Engelberto d'Ugo Piccolomini.

A economia da cidade passou por um processo de queda nos dois séculos seguintes, com sua população chegando a diminuir até a marca de 10 000 habitantes. A cidade veio a se recuperar parcialmente com a construção da linha férrea de Belgrado a Tessalónica, passando por Skopje, em 1873.

No século XX [editar]

Por volta de 1905, Skopje tinha já uma população de 32 mil habitantes, que compreendia uma larga mistura de etnias e religiões. Cinco anos mais tarde, a madre católica romana, Agnes Gonxha Bojaxhiu, tardiamente conhecida como Madre Teresa de Calcutá, nasceu em Skopje.

A cidade tornou-se num grande centro de concentração de rebeldes e grandes motins contra o Império Otomano, já em declínio há vários anos.O governo e a população otomanos foram finalmente expulsos de Skopje pelos macedônios em 12 de Agosto de 1912, mas a cidade acabaria sendo meses mais tarde capturada pelos sérvios, no início da Primeira Guerra Balcânica.

Em 1913, os aliados na Primeira Guerra Balcânica foram derrotados e o mesmo aconteceu na segunda. A Sérvia reteve o controle de Skopje, com o Vale de Vardar incorporado no território sérvio. No entanto, a cida ocupada pela Sérvia até ao fim da Primeira Guerra Mundial, em 1918, tornou-se parte do Reino da Jugoslávia. Entre 1941 e 1944 a cidade ficou então sob o controle búlgaro. Entretanto, as maiores potências entretinham-se com a Segunda Guerra Mundial, e a Jugoslávia tentava defender Skopje e o resto do território das invasões hitlerianas. Assim, Skopje juntou-se uma vez mais ao território jugoslavo. Nos anos seguintes Skopje integrou a República da Jugoslávia, até à independência da Macedónia.

O Terremoto de 1963 [editar]

A 26 de Julho de 1963, Skopje foi novamente destruída por um grande terremoto, apontando 6,1 na Escala de Richter, vitimando mais de 1000 pessoas e resultanto em 120 mil desalojados. 80% da cidade foi destruída pelo terramoto, e numerosos monumentos ficaram seriamente danificados. As perdas foram massivas para a Macedónia e para a Jugoslávia. No entanto, uma grande ajuda internacional levou a que a cidade fosse rapidamente reconstruída, ainda que o seu antigo aspecto otomano tenha sido perdido durante o processo. As ruínas da velha estação de comboios de Skopje são hoje um memorial às vítimas, juntamente com um museu adjacente.

Skopje rapidamente se recuperou e fez juz ao investimento, tornando-se num dos maiores centros industriais dos Balcãs. Em 1991 a federação da Iugoslávia entrou em colapso e, assim, Skopje passou a ser a capital da independente República da Macedónia. A Grécia objectou contra o uso da nome «Macedónia», pelo novo estado, e impôs o bloqueio económico e marítimo. O bloqueio foi suspenso em 1995, depois do acordo de nomenclatura entre os dois governos.

Em Dezembro de 2006 o governo anunciou a existência de planos para o novo aeroporto da cidade.

Divisão administrativa [editar]

Skopje é uma divisão administrativa dentro da Macedónia, constituída por dez municípios. A sua capital, é também a capital do país balcânico.

Divisão administrativa de Skopje
  1. Centar
  2. Gazi Baba
  3. Aerodrom
  4. Čair
  5. Kisela Voda
  6. Butel
  7. Šuto Orizari
  8. Karpoš
  9. Gorche Petrov
  10. Saraj

Referências

  1. a b c Rocha, Carlos (30 de julho de 2010). Vocabulário para resolver dúvidas toponímicas. Ciberdúvidas da Língua Portuguesa. Página visitada em 19 de janeiro de 2012.
  2. a b Rocha, Carlos (9 de julho de 2010). A capital da República da Macedónia. Ciberdúvidas da Língua Portuguesa. Página visitada em 22 de abril de 2013.
  3. a b Macedo, Vítor. (Primavera de 2013). "Lista de capitais do Código de Redação Interinstitucional". A Folha — Boletim da língua portuguesa nas instituições europeias (n.º 41): 16. Sítio web da Direcção-Geral da Tradução da Comissão Europeia no portal da União Europeia. ISSN 1830-7809. Página visitada em 23 de maio de 2013.
  4. [1]
  5. Babiniotis, Λεξικό της Νεοελληνικής Γλώσσας
  6. [2]
  7. Watkins, Thomas H., "Roman Legionary Fortresses and the Cities of Modern Europe", Military Affairs, Vol. 47, No. 1 (Feb., 1983)
  8. Machado, José Pedro. Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa, verbete "Escupos".
  9. Room A. Placenames of the World: Origins and Meanings of the Names for Over 5000 Natural Features, p.335.
  10. Catholic Encyclopedia: Scopia.
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