Syndicate (imprensa)

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Syndicate (erroneamente traduzido como sindicato)[1] é uma empresa responsável por distribuir contéudo para jornais, revistas[2] e internet[3] , tais como tiras cômicas e features (artigos, palavras cruzadas e outros passatempos)[4] . No Brasil, a Ediouro, editora que publica as Revistas Coquetel, também atua como syndicate de passatempos[5] .

Tiras cômicas[editar | editar código-fonte]

Os syndicates que distribuem tiras cômicas para jornais, funcionam como agências distribuidoras dos trabalhos de cartunistas[6] que cedem seus direitos mediante licença e com isso o que produzem são enviados e traduzidos aos jornais e meios correlatos do mundo inteiro que se interessarem em reproduzi-los[7] . A King Features Syndicate é uma das empresas mais tradicionais e conhecidas internacionalmente no segmento[4] .

Brasil[editar | editar código-fonte]

A presença dos syndicates no Brasil se confunde com a própria história do jornalismo do país, sendo fundamentais nos negócios de grandes empresários da imprensa como Roberto Marinho, Assis Chateubriand, Victor Civita e Adolfo Aizen.

Em 1929, surge o primeiro tabloide de quadrinhos do Brasil, A Gazetinha, suplemento do jornal A Gazeta. A Gazetinha foi o primeiro veículo brasileiro a publicar personagens dos syndicates[4] [8] .

Em 1933, o jornalista Adolfo Aizen trabalhava nas revistas O Malho e O Tico Tico (primeira revista em quadrinhos brasileira) e no jornal O Globo de Roberto Marinho. À convite do Comitê de Imprensa do Touring Club do Brasil, Aizen viajou aos Estados Unidos e lá conheceu os suplementos dominicais de quadrinhos. De volta ao Brasil, Aizen tentou convencer seu patrão no jornal O Globo, o jornalista Roberto Marinho, a lançar esses quadrinhos no país mas ele não gostou da ideia. Aizen resolveu procurar o jornal A Nação, por onde lançou o Suplemento Juvenil em 1934 com tiras do syndicate norte-americano King Features. Vendo o sucesso do Suplemento, Marinho não tardou em lançar O Globo Juvenil em 1937 [4] .

Após 15 edições pelo jornal A Nação, Aizen cria sua própria editora, a "Grande Consórcio de Suplementos Nacionais". Em 1942, uma crise finaceira fez com que Aizen vendesse a editora ao Governo Vargas. Ele passou a trabalhar para o jornal "A Noite" (fundado pelo pai de Roberto Marinho, Irineu Marinho, que acabara ficando para um sócio). Em 1945, cria a Editora Brasil-América Ltda (mais conhecida como EBAL) fundada por ele em 1945 e pela qual tornou-se um renomado editor e empresário.[4] Em 1939, porém, Marinho conseguiu tirar de Aizen todos os personagens da King Features.

A primeira publicação da EBAL foi em 1946: a revista Seleções Coloridas. Impressa na Argentina em parceria com a Editorial Abril do norte-americano Cesar Civita, a revista trazia várias histórias protagonizadas por personagens Disney inclusive algumas de autoria de Carl Barks. Civita era o representante da Disney na América Latina e possuia uma moderna impressora colorida importada dos Estados Unidos. Em 1947, a Ebal lançaria a revista "O Herói", dessa vez impressa no Brasil[4] .

Em 1940, Alfredo Machado e Décio de Abreu fundaram a Record, primeira distribuidora brasileira de comics e que nos anos de 1960 se transformaria na Editora Record. Alfredo Machado havia trabalho como tradutor no Suplemento Juvenil de Aizen, dos doze aos dezessete anos. Em 1939 muda-se para O Globo Juvenil de Marinho, alegando que seu salário em Suplemento Juvenil, era baixo.[4] Em 1946, Luiz Rosemberg fundou a Agência Periodista Latino- Americana (APLA), que passaria a se chamar Ica Press em 1979. Apesar do nome, só atuava no Brasil e na Argentina. Com a morte de Rosemberg, em 1993, a agência foi desativada. Lourdes Belo Pereira, fundadora da Intercontinental, começou na APLA, em 1964 e diz que Roberto Marinho, mesmo após deixar suas funções no comando de "O Globo", sempre fez questão de renovar pessoalmente todos os contratos de compra de tiras em quadrinhos. Ao contrário dos outros jornais, que renovavam os contratos a cada um ou dois anos, os de Marinho sempre duraram 15 anos. "Ele publicava 40 personagens mas comprava 50. Eu perguntava por que fazia assim e ele respondia: 'Eu compro e meu concorrente não publica.' Eu dizia que ele tinha de publicar todos porque a agência internacional exigia isso. E ele: 'Tudo bem, a senhora me dá algum prazo e eu faço um revezamento dos personagens.". [9]

Em 1949, o o irmão de Cesar Civita, Victor Civita, se muda para o Brasil. Em maio de 1950 cria a Editora Primavera, cuja primeira revista era de quadrinhos e foi chamada de Raio Vermelho. Logo depois Civita adota o nome Editora Abril, tal qual a editora do irmão e lança em julho do mesmo ano a revista O Pato Donald. Como Raio Vermelho não obteve sucesso, Civita considerava a revista do pato como o marco zero da editora. A ele é atribuida a frase "Tudo começou com um pato"[10] , paráfrase de Walt Disney que dizia que tudo começara com um rato (Mickey Mouse).

Por conta de uma lei em vigor na época, tanto Aizen (um judeu nascida na Rússia) e Victor Civita (uma italo-americano nascido em Nova York) não poderiam ser donos de empresas de comunicação no Brasil por não serem naturais do país. Aizen escondeu por anos sua origem russa e dizia ter nascido nos Estado da Bahia e Civita se tornou sócio do mineiro (e como ele descendente de italianos) Giordano Rossi.

Em 1952, Roberto Marinho cria a Rio Gráfica Editora (incialmente o nome da editora seria Editora Globo, porém foi impedido por causa existência da Livraria do Globo de Porto Alegre, que também atuava como editora. Marinho compraria a livraria em 1986 e passou a usar o nome Editora Globo desde então).

Em 2001, havia cerca de 250 jornais com circulação diária no Brasil. O mercado de tiras que atingira seu ápice com a publicação dos "suplementos dominicais" infantis pelos principais periódicos, na virada do milênio foi reduzido. As tiras de Maurício de Sousa cairam de 14 para 3 e os jornais que as publicavam, de 80 a 100, para pouco mais de 20.

Os jornais tinham sido abastecidos por quase um século pelos syndicates americanos, que vendiam barato para lucrarem em escala. Até 1980, 80% das tiras de jornais brasileiros vinham de fora. Nessa época surgiu a Fundação Nacional de Arte (Funarte), destinada a distribuição de trabalhos de autores brasileiros, coordenada por Ziraldo. E com isso a situação se inverteu. Em 1990, o órgão federal foi extinto mas a Agência Pacatatu garantia ainda o fornecimento de 50% das tiras publicadas, produzida por autores brasileiros. [9]

Mas, com a crise, uma das maiores distribuidoras brasileiras de tiras americanas — a carioca Record, deixou de existir. A agência Keystone também parou de vender o produto no país. Na década de 2000, as licenças estavam concentradas na Intercontinental Press, única a atuar no segmento com material estrangeiro, mantida ainda a concorrência da Pacatatu que distribuia autores nacionais. A Intercontinental possui um catálogo de mais de uma centena de personagens dos syndicates United Media, Editors Press Service e King Features — o maior do mundo e o mais antigo no ramo. Entre eles, as muito conhecidas tiras de Calvin, Garfield, Snoopy[11] , Hagar e Recruta Zero. A Pacatatu distribuia Angeli (Chiclete com Banana), Laerte (Piratas do Tietê) e Fernando Gonsales (Níquel Náusea).

Em 2003, Roberto Marinho morre aos 98 anos[4] . Em 2007, a Turma da Mônica deixa de ser publicada pela Editora Globo e passa para a Panini Comics (uma editora de origem italiana)[12] , os títulos de Mauricio de Sousa foram publicados durante 20 anos pela editora Globo e em outros 16 pela Editora Abril[13] .

Em 2008, a Editora Globo retira seus títulos de quadrinhos das bancas e foca apenas em lançamentos específicos para livrarias[14] .

A propósito desse ganho de destaque dos autores nacionais a partir da dédaca de 1980, Ana Lúcia Pinta, diretora de agência, diz que "São raros os quadrinhos americanos que têm crítica social ou política, ao contrário de um artista como Nani, que faz charge política em forma de tira e agrada muito mais".[9]

Na década de 1970, o quadrinista Henfil assinou contrato com a Universal Press Syndicate. O syndicate distribuiu as tiras dos Fradinhos em 200 jornais dos Estados Unidos. O estilo ácido de Henfil não agradou o público americano e o cartunista começou a ter suas tiras censuradas pelo syndicate (pratica comum na época)[15] e acabou por cancelar o contrato[16] [17] .

Maurício de Sousa vê a falta de interesse dos conglomerados de entretenimento como outra causa das tiras nacionais conseguirem disputar os espaços dos jornais nacionais nos últimos anos: "Disney, Marvel e Hanna Barbera estão linkados a uma rede de negócios na qual os quadrinhos não são o mais importante. No nosso caso, mantemos nossa produção viva porque nossos personagens têm pais que cuidam deles.". [9] Ainda no início da década de 2000, a Character Comércio e Serviços representava a DC Comics, que detinha os direitos de Batman e Superman.

Desde 2005, o jornal gaúcho O Sul publica um suplemento diário de quatro páginas no formato 22 x 6 cm contendo tiras brasileiras e estrangeiras, todas em cores[18] [19] . Em 2006, as tiras do Cão Jarbas de Ruy Jobim Neto passaram a ser distribuídas internacionalmente pela International Press[20] .

Em 2009, com o sucesso de Turma da Mônica Jovem, série inspirada nos mangás japoneses, a Ediouro através do selo Pixel Media conseguiu a licença para publicar uma versão jovem da Turma da Luluzinha. Surgem então Luluzinha Teen e sua Turma com roteiros e artes do Estúdio Labareda Design.[21] O sucesso da revista gerou uma série de tiras[22] , além de serem publicadas no site oficial da revista. Também ganhou versão impressa no jornal O Globo (que mantém a tradição de publicar tiras)[23] .

Referências

  1. Sônia Luyten. Coleção Primeiros Passos: Volume 44 - O que é historia em quadrinhos. [S.l.]: Editora Brasiliense, 1985.
  2. Sidney Gusman (07/06/2001). Opera Graphica vai lançar diversos materiais da King Features. Universo HQ. Página visitada em 17/05/2010.
  3. Sérgio Codespoti (28/02/2011). Andrews McMeel terceirizará distribuição de tiras da United Features. Universo HQ.
  4. a b c d e f g h Gonçalo Junior. A guerra dos gibis: A formação do mercado editorial brasileiro e a censura aos quadrinhos, 1933-1964.. [S.l.]: Companhia das Letras, 2004. ISBN 8535905820
  5. Josué Machado. (Outubro 2011) "Palavras Cruzadas". Revista Língua Portuguesa (72). Editora Segmento.
  6. Sérgio Codespoti (07/02/07). Faleceu, na França, Georges Troisfontaines. Universo HQ.
  7. Marcus Ramone (15/07/05). Crossover histórico entre os personagens da King Features. Universo HQ.
  8. Roberto Elísio dos Santos (13 de Janeiro de 2010). 80 anos de quadrinhos Disney. Omelete.
  9. a b c d Gonçalo Junior. (06 de julho de 2001). Maurício de Sousa tenta salvar mercado de tirinhas de quadrinhos. Gazeta Mercantil.
  10. Marcus Ramone (13/01/10). Os 80 anos dos quadrinhos Disney (em português). Universo HQ. Página visitada em 19/03/2010.
  11. Bolívar Torres (03/02/2010). Com humor delicado, a tirinha 'Os passarinhos' vira febre. Jornal do Brasil.
  12. Érico Assis e Pedro Hunter (13 de Dezembro de 2001). Conheça a Panini - A Marvel italiana. Omelete.
  13. Marcus Ramone (08/01/07). Turma da Mônica chega às bancas pela Panini Comics. Universo HQ.
  14. Sidney Gusman (28-01-08). Globo tira os quadrinhos das bancas e foca o trabalho em livrarias. Universo HQ
  15. Quando a nomenclatura faz a diferença (em português). Universo HQ (8 de maio de 2008). Página visitada em 16 de maio de 2010.
  16. Andréa Pereira (06/09/2007). Henfil - A resistência do humor. HQManiacs.
  17. (1993) Piracema: revista de arte e cultura (Edições 1-3). Instituto Brasileiro de Arte e Cultura
  18. Ruy Jobim Neto (19/06/2006). A hora e a vez das tirinhas brasileiras. Bigorna.net.
  19. Sidney Gusman (Fevereiro de 2005). "Wizard Brasil #17 - Jornal Gaúcho aposta nas tiras. Panini Comics. ISSN 1679-5598"
  20. press release (06/07/2006). Jarbas terá tiras distribuídas pela Ipress. HQManiacs.
  21. Marcelo Naranjo (01/06/09). Confira a capa do primeiro número de Luluzinha Teen. Universo HQ.
  22. Tirinhas da Lulu. Luluteen.
  23. Sidney Gusman (14/05/2010). Jornal O Globo reformula sua página de tiras. Universo HQ.

Ver também[editar | editar código-fonte]