De Tomaso
| Atividade | Automobilística |
|---|---|
| Fundação | 1959 |
| Fundador(es) | Alejandro de Tomaso |
| Sede | Modena, Itália |
| Produtos | Automóveis |
| Website | detomaso-automobili |
A De Tomaso Automobili SpA (anteriormente conhecida como De Tomaso Modena SpA) é uma marca de automóveis fundada em 1959 pelo argentino Alejandro De Tomaso (1928–2003), na cidade de Módena, na Itália.
Nos primeiros anos, a empresa concentrou-se na produção de protótipos e carros de corrida, incluindo um modelo de Fórmula 1 desenvolvido para a equipe Frank Williams em 1970.[1]
Em 1971, a Ford tornou-se acionista majoritária da De Tomaso, com 84% das ações, adquiridas com o início das vendas do esportivo Pantera no mercado norte-americano. Em 1974, a Ford devolveu sua participação a Alejandro de Tomaso, que reassumiu o controle total da empresa. Na época, a De Tomaso ficou conhecida pela aquisição de marcas italianas em alto risco financeiro, sendo responsável pela fabricação das motocicletas Moto Guzzi e Benelli e dos automóveis Innocenti e Maserati.[2]
Com o declínio financeiro da De Tomaso e a saúde debilitada do fundador, as aquisições anteriores da empresa foram majoritariamente vendidas na década de 1990, período seguido pela falência da marca em 2004, após a morte de Alejandro de Tomaso. A empresa foi adquirida em 2009 por Gian Mario Rossignolo, que adotou o nome De Tomaso Automobili SpA, mas o projeto foi interrompido e colocado à venda após sua condenação por corrupção.
Em 2014, os direitos da marca foram adquiridos pela Ideal Team Ventures (ITV), com sede em Hong Kong, Hong Kong. O De Tomaso P72 foi o primeiro modelo lançado após a aquisição.[3]
História
[editar | editar código]Fundação da De Tomaso Modena S.p.A.
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A De Tomaso Modena S.p.A. foi criada em 1959 pelo argentino Alejandro de Tomaso, junto com sua esposa Elizabeth Haskell, neta de William C. Durant.[4] Com base em sua trajetória, Alejandro escolheu o logotipo da empresa, sendo as listras azul-claras e brancas uma referência às cores da bandeira argentina, com o símbolo central semelhante à letra "T", inspirado na marca de gado usada na fazenda de sua família.[5]

Alejandro havia se mudado para a Itália em 1955, deixando a Argentina devido à ascensão do peronismo, regime ao qual se opunha. A primeira oficina foi estabelecida em Módena, onde a empresa concentrou-se inicialmente na construção de monopostos para a Fórmula Júnior. Nesse período, foi desenvolvido o Isis, primeiro modelo destinado à categoria, em homenagem à esposa de Alejandro, que financiou o empreendimento. O monolugar recebeu encomendas de diversos pilotos interessados em utilizá-lo em competições.[6] Em seguida, De Tomaso expandiu sua oficina, produzindo modelos para outras categorias como a Fórmula 2.[6]

Em pouco tempo, Alejandro iniciou o projeto daquele que seria o primeiro automóvel destinado à produção em série pela empresa, o Vallelunga 1500.[7] O modelo foi apresentado pela primeira vez no Salão do Automóvel de Turim, em 1963.[8] Alejandro, no entanto, desejava vender o protótipo para outros fabricantes, algo que não teve sucesso. Para a venda do modelo, solicitou à Fissore que produzisse a carroceria, destinando o projeto ao designer Franco Maina. O Vallelunga foi produzido entre 1964 e 1967, com um total de 58 unidades vendidas na versão coupé.

O Vallelunga serviu como base para o Mangusta, que foi adaptado para o uso dos motores Ford V8 com carroceria desenhada por Giorgetto Giugiaro. Lançado em 1967, o Mangusta tinha como principal concorrente o Shelby Cobra, mas por possuir grande parte de sua massa concentrada no eixo traseiro, enfrentou problemas com o passar do tempo. O Mangusta então, daria origem a um novo esportivo da marca: o Pantera.[9]
Em 1971, a Ford Motor Company adquiriu 84% das ações da De Tomaso, numa época em que Ford e Ferrari eram rivais. Destinado a um público mais amplo, foi lançado o Pantera, o modelo de maior sucesso da De Tomaso, com 7.260 unidades fabricadas durante um período de duas décadas.[10] Apesar disso, o Pantera também enfrentou problemas de qualidade e construção, o que fez com que, dois anos após sua chegada, a Ford suspendesse suas vendas nos Estados Unidos. Na época, o motor do Pantera também foi equipado nos modelos Deauville e Longchamp.[11]
Aquisição da Benelli (1972) e Moto Guzzi (1973)
[editar | editar código]Após a suspensão do Pantera, a Ford devolveu sua participação à De Tomaso em 1973. Em um acordo firmado com o governo da Itália, com o objetivo de reestruturar marcas em risco, De Tomaso adquiriu as marcas Benelli e Moto Guzzi, ambas responsáveis pela produção de motocicletas.[8]

Sob a responsabilidade da Benelli, a empresa foi responsável por modelos de alta cilindrada como a série Benelli Sei, a primeira motocicleta no mundo a apresentar um motor de seis cilindros. Lançado em 1973, o modelo utilizava um motor de quatro cilindros derivado da Honda CB500, porém com outros dois adicionais.[12] A potência gerava um total de 76 cv a 9.000 rpm, e uma velocidade máxima de 204 km/h.[13] Em 1979, com a chegada da Honda CBX, foi lançada a 900 Sei, uma versão de 900 cilindradas.[14]
A De Tomaso também foi responsável por uma mudança notável com o lançamento de motocicletas com quatro cilindros na linha Moto Guzzi, que até então era conhecida pela tradição nos motores monocilíndricos e bicilíndricos em V transversais. Entre os destaques, esteve o lançamento do modelo 850 Le Mans, um modelo esportivo com motor V2 de 850 cilindradas.[15]
Aquisição da Innocenti e Maserati (1976)
[editar | editar código]Em 1976, a De Tomaso comprou a Innocenti, que também enfrentava dificuldades financeiras, juntamente com a Maserati, após a Citroën, então proprietária da marca, anunciar que não mais sustentaria a empresa.
A Innocenti ganhou destaque com o redesenho dos modelos Mini, com a participação da Bertone a partir de 1974. Na época, a empresa oferecia os modelos Mini 90 e Mini 120, que tinham melhorias no acabamento, incluindo versões esportivas equipadas com motores da British Leyland para competir com o Autobianchi A112, que possuía uma linha esportiva Abarth. Devido às dificuldades financeiras da British Leyland, em 1982 esses modelos passaram a ser equipados com motores fornecidos pela Daihatsu.[16]
Com a Maserati, o primeiro modelo lançado sob a gestão de De Tomaso foi o Kyalami, em 1976. Este coupé grand tourer era uma versão redesenhada do De Tomaso Longchamp, mas com um motor V8 de 4,2 litros, desenvolvido pela própria Maserati.[17] Outros modelos desse período incluíram o Quattoporte III/Royale, o Barchetta, o Ghibli e o Shamal, mas o maior destaque da marca sob a gestão de De Tomaso foi o Maserati Biturbo, lançado em 1981. Este coupé compacto, que possuía um motor V6 biturbo, deu origem a uma família de versões variantes, incluindo sedãs de 4 portas, descapotáveis e coupés de alto desempenho. Para reduzir os custos de desenvolvimento, todos os modelos Maserati foram construídos sobre a plataforma do Biturbo, enquanto o Quattroporte III manteve a plataforma do Kyalami.[18]
Crise e declínio
[editar | editar código]Contudo, todas essas aquisições se mostraram problemáticas a partir da década de 1980, devido ao baixo retorno financeiro frente à concorrência e aos altos custos de gestão. Com sobrecarga financeira, a De Tomaso vendeu uma parte significativa da Maserati ao Grupo Fiat em 1990.[8]
Em 1992, o principal modelo da empresa, o Pantera, foi descontinuado. Pouco tempo depois, em 1993, Alejandro De Tomaso sofreu um AVC que o deixou parcialmente incapacitado. Nesse período, ele vendeu a Innocenti e o restante da Maserati para o Grupo Fiat.[19] Buscando recuperar a presença da marca no mercado de luxo, a De Tomaso iniciou o projeto do Biguà, apresentado como Mangusta em 1996. Devido aos custos de desenvolvimento, somados à escassez de interessados e as limitadas opções financeiras da empresa, a De Tomaso repassou a produção do modelo para a Qvale.[20]
Após a morte do fundador Alejandro de Tomaso, em maio de 2003, a empresa entrou em liquidação voluntária no ano seguinte, e seus ativos foram colocados à venda, conforme decisão de seus herdeiros.[21]
Recriação como De Tomaso Automobili SpA (2009)
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Em 2008, os liquidatários da empresa deram início à busca por um comprador interessado nas propriedades da marca. No ano seguinte, o empresário italiano Gian Mario Rossignolo adquiriu a marca e fundou a De Tomaso Automobili SpA. Rossignolo tinha como plano, para a nova De Tomaso, montar chassis e carrocerias em uma antiga instalação da Delphi Automotive em Livorno, enquanto a pintura, a montagem final e o acabamento seriam realizados na antiga fábrica da Pininfarina em Grugliasco. O plano previa a criação de três novos modelos, com produção total de 8.000 unidades: 3.000 crossovers, 3.000 limusines e 2.000 esportivos.[22]
Durante o Salão Automóvel de Genebra de 2011, a empresa apresentou o protótipo do De Tomaso Deauville, um crossover de cinco portas com tração integral. Para a linha de motores, foram previstas opções a gasolina de 300 cv e 500 cv, além de um diesel VM Motori de 250 cv.
O novo Deauville, no entanto, nunca entrou em produção. Em 2012, Rossignolo foi preso por desvio de fundos públicos destinados à recuperação da marca, provocando a demissão de aproximadamente 900 funcionários.[23] No mesmo ano, a empresa voltou a ser colocada à venda após o plano de negócios não obter financiamento suficiente, com rumores de que a BMW poderia se interessar pela fábrica.[24]
Em 2019, Rossignolo foi condenado a cinco anos e meio de prisão por fraude e peculato.[25]
Aquisição e revitalização pela Ideal Team Ventures (2014)
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Em 2014, a Ideal Team Ventures, empresa sediada em Hong Kong sob a liderança de Norman Choi, adquiriu os direitos da marca, dando início ao processo de revitalização da antiga montadora com suas atividades então inativas.[26] Sob a liderança do empresário Norman Choi, ficou a tarefa de relançar a marca.
Em abril de 2015, um tribunal de falências italiano aprovou formalmente a venda da empresa para a Consolidated Ideal Team Ventures pelo valor de 1.050.000 euros, com planos de produzir veículos na China sob o nome De Tomaso. A Ideal Team Ventures também é proprietária da fabricante alemã Apollo Automobil, vinculada ao mesmo grupo.[27]
Cinco anos após a aquisição, em 2019, a empresa apresentou seu primeiro modelo: o De Tomaso P72, lançado durante o Festival de Velocidade de Goodwood em comemoração ao 60º aniversário da marca. Desenvolvido sob o codinome “Projeto P”, o P72 foi desenhado em chassi monocoque com participação da Apollo Automobil, produzindo cerca de 72 unidades.[21]
Modelos
[editar | editar código]Na Fórmula 1
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A De Tomaso competiu oficialmente na Fórmula 1 entre 1961 e 1963. Apesar dos resultados modestos e sem classificação, produziu dois monopostos: o F1 e o 801.[28] Durante o período também forneceu chassis para as equipes Serenissima e Settecolli.[29]
Mais tarde, a montadora construiu um chassi projetado por Giampaolo Dallara para a equipe Frank Williams Racing Cars, que utilizou o carro na temporada de 1970. O modelo não se mostrou competitivo, não conseguindo terminar as quatro primeiras corridas. Durante o Grande Prêmio dos Países Baixos, o De Tomaso 505/38 capotou e pegou fogo, causando a morte do piloto Piers Courage.[30] A equipe continuou com Brian Redman e depois com Tim Schenken, mas sem alcançar resultados relevantes, a parceria foi encerrada ao final da temporada.[31]
Referências
- ↑ «Alejandro de Tomaso». The Independent (em inglês). 23 de maio de 2003. Consultado em 4 de maio de 2022
- ↑ «Alejandro de Tomaso». The Independent (em inglês). 23 de maio de 2003. Consultado em 22 de novembro de 2025
- ↑ Petrány, Máté (4 de julho de 2019). «De Tomaso Is Back With a Gorgeous New Stick-Shift Supercar». Road & Track (em inglês). Consultado em 4 de maio de 2022
- ↑ «Alejandro de Tomaso». The Independent (em inglês). 23 de maio de 2003. Consultado em 22 de novembro de 2025
- ↑ «DE TOMASO HISTORIA». www.autopasion18.com. Consultado em 22 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 28 de novembro de 2011
- ↑ a b en, Por Diego ZorreroSeguir (18 de julho de 2021). «La cinematográfica vida del argentino que hizo un súperdeportivo capaz de competir con Ferrari». infobae (em espanhol). Consultado em 22 de novembro de 2025
- ↑ «Wayback Machine». www.detomaso.it. Consultado em 22 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 10 de outubro de 2004
- ↑ a b c «Storia dell'auto: È MORTO DE TOMASO». Quattroruote. 21 de maio de 2003. Consultado em 22 de novembro de 2025
- ↑ «A Look Inside the Abandoned DeTomaso Factory». The Car Build Index (em inglês). 12 de dezembro de 2014. Consultado em 22 de novembro de 2025
- ↑ TEAM Program - http://www.teamprogram.com. «DE TOMASO - The Cars: Yesterday: Pantera». www.detomaso.it. Consultado em 22 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 28 de junho de 2001
- ↑ Argentina, Cadena 3. «De Tomaso, el argentino que quiso ser Ferrari -4/final- - Industria - Cadena 3 Motor». Cadena 3 Argentina (em espanhol). Consultado em 22 de novembro de 2025
- ↑ «Benelli Sei 750 - Classic Italian Motorcycles - Motorcycle Classics». Motorcycle Classics (em inglês). Consultado em 22 de novembro de 2025
- ↑ Magazines, Hearst (março de 1975). Popular Mechanics (em inglês). [S.l.]: Hearst Magazines. Consultado em 22 de novembro de 2025
- ↑ Mitchel, Doug (27 de outubro de 2011). «The Benelli Sei 900». Motorcycle Classics. Consultado em 22 de novembro de 2025
- ↑ «Bonhams Cars : 1976 Moto Guzzi 850cc Le Mans Frame no. 70455 Engine no. 70455». cars.bonhams.com (em inglês). Consultado em 22 de novembro de 2025
- ↑ Tiberi, Massimo (20 de agosto de 2023). «Innocenti Mini De Tomaso, sportività di successo | FormulaPassion». FormulaPassion.it (em italiano). Consultado em 22 de novembro de 2025
- ↑ «De Tomaso Longchamp - Maserati Kyalami». Consultado em 22 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 23 de fevereiro de 2011
- ↑ In, Log; Member, Become A.; Maserati, Manufacturer:; Production: 1981–1994; Italy, Assembly:; Designer: Pierangelo Andreani (1977), Marcello Gandini (1988 and 1991 facelifts); Body style: 2-door 2+2 coupé, 2-door; Layout: Front-engine, R. W. D.; Engine: 2. 0 L twin-turbo 90° V6, 2 5 L. twin-turbo 90° V6. «Maserati Biturbo (1981 – 1994) - Ultimate Guide & Research Hub». Supercars.net (em inglês). Consultado em 22 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 22 de novembro de 2025
- ↑ «Alejandro de Tomaso». The Independent (em inglês). 23 de maio de 2003. Consultado em 22 de novembro de 2025
- ↑ «De Tomaso Bigua (Qvale Mangusta)». www.autozine.org. Consultado em 22 de novembro de 2025
- ↑ a b «The story of Alejandro de Tomaso: from driver to manufacturer to Motor Valley king». Motor Valley (em inglês). Consultado em 22 de novembro de 2025
- ↑ «Marchio De Tomaso: comunicato stampa del 16 novembre 2009» (PDF). su detomaso.it. Consultado em 22 de novembro de 2025
- ↑ «Ex-De Tomaso owner Rossignolo sent to trial for fraud». www.lagazzettadelmezzogiorno.it (em italiano). 28 de setembro de 2015. Consultado em 22 de novembro de 2025
- ↑ «Could BMW Be Interested In Buying De Tomaso?». Motor Authority (em inglês). 14 de setembro de 2012. Consultado em 22 de novembro de 2025
- ↑ WhatsApp, Redazione 17 novembre 2025 09:34 Facebook. «Addio a Gian Mario Rossignolo, il manager che ha rilanciato la Zanussi». PordenoneToday (em italiano). Consultado em 22 de novembro de 2025
- ↑ «Internet Archive: Scheduled Maintenance». web.archive.org. Consultado em 20 de novembro de 2025
- ↑ Ramey, Jay (30 de abril de 2015). «De Tomaso -- the company -- sells for roughly the price of a LaFerrari». Autoweek
- ↑ «De Tomaso 801 • STATS F1». www.statsf1.com. Consultado em 22 de novembro de 2025
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- ↑ Argentina, Cadena 3. «De Tomaso, el argentino que quiso ser Ferrari -4/final- - Industria - Cadena 3 Motor». Cadena 3 Argentina (em espanhol). Consultado em 22 de novembro de 2025
- ↑ «DE TOMASO E FRANK WILLIAMS». Autoentusiastas. 25 de março de 2016. Consultado em 22 de novembro de 2025