Cântico dos Cânticos

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O Cântico dos Cânticos, também chamado de Cantares, Cântico Superlativo (em hebraico: שִׁיר הַשִּׁירִים transl. Šîr HaŠîrîm; na Septuaginta grega: ᾎσμα ᾎσμάτων, transl. Āisma Āismatōn;[1] na Vulgata latina: Cantĭcum Canticōrum[2] ) ou Cântico de Salomão é um livro do Antigo Testamento. No judaísmo, é um dos cinco rolos da última seção do Tanakh, conhecida como Ketuvim ("Escritos").

É um dos livros poéticos do Antigo Testamento, posterior ao Eclesiastes e anterior ao livro da Sabedoria, na Bíblia católica e, na Bíblia protestante, antes de Isaías. Representa, em hebraico, uma fórmula de superlativo; significa o mais belo dos cânticos, Cântico por Excelência[3] ou o cântico maior.[4] [5]

Autoria[editar | editar código-fonte]

De acordo com o título em 1.1, o cântico dos cânticos foi escrito por Salomão, filho do Rei Davi. Pode-se dizer que é "de Salomão", pois a expressão hebraica "de Salomão" (1.1) pode ser traduzida "de" Salomão (como o seu autor) ou "para" Salomão (como a pessoa à qual o livro é dedicado). A opinião tradicional entre judeus é a de que Salomão foi o seu autor (Cf. 1Rs.4.32); para os católicos este livro pertence ao agrupamento dos Sapienciais, que condensam a sabedoria infundida por Deus no povo de Israel. Como pertence ao grupo dos sapienciais recebe como autor a figura simbólica de Salomão, o modelo da sabedoria em Israel. Tem sua escrita estimada por volta do ano 400 a.C, e constitui-se de uma coletânea de hinos núpcias.

Segundo a Edição Pastoral da Bíblia, o livro é uma coleção de cantos populares de amor, usados talvez em festas de casamento, em que noivo e noiva eram chamados de rei e rainha, que foram reunidos, formando uma espécie de drama poético, e atribuídos ao rei Salomão, reconhecido em Israel como patrono da literatura sapiencial. A forma final do livro, remonta ao século V ou IV AC[3] .

A Tradução Ecumênica da Bíblia sustenta que seu autor certamente não é Salomão.[6]

Estrutura[editar | editar código-fonte]

Cânticos dos Cânticos é um livro curto, com apenas oito capítulos. Apesar de sua brevidade, apresenta uma estrutura complexa que, por vezes, pode confundir o leitor. Diferentes personagens têm voz, ou falam, nesse poema lírico. Em muitas traduções da Bíblia,[4] [5] esses emissores alternam sua fala de modo inesperado, sem indicação ao leitor, dificultando, assim, sua leitura. Algumas versões, como a Almeida Revista e Atualizada e a Bíblia de Jerusalém, eliminam o problema com a indicação de quem está falando.

Os três participantes principais do poema são: (1) o noivo, o Rei (1,4.12)[7] Salomão, isto é, "o Pacífico" (3,7.9)[7] ; (2); a noiva, mulher mencionada como "Sulamita" (6.13), a Pacificada[7] , aquela que encontro a paz (8,10)[7] ; e as "filhas de Jerusalém" (2.7). Tais mulheres devem ter sido escravas da realeza que serviam como criadas da noiva do rei Salomão. No poema, servem como coro para ecoar os sentimentos da Sulamita, enfatizando seu amor e afeição pelo noivo.

Além dos personagens principais, são mencionados os irmãos da Sulamita (8.8-9), que devem ter sido seus meio-irmãos. O poema indica que ela trabalhava, por ordem dos irmãos, como "guarda de vinhas" (1.6).

Essa canção de amor divide-se praticamente em duas seções principais com mais ou menos o mesmo tamanho. O início do amor (cap. 1-4) e seu amadurecimento (cap. 5-8).

Por ser um poema escrito em uma linguagem considerada sensual, sua validade como texto bíblico já foi questionado ao longo dos tempos. O poema fala do amor entre o noivo e sua noiva. O nome de Deus só aparece nele de forma abreviada, em 8,6, "uma chama de Iah(weh)"[7] .

A interpretação alegórica, segundo a qual o amor de Deus por Israel e o do povo por seu Deus são representados como as relações entre dois esposos, tornou-se comum entre os judeus a partir do séc. II DC, tal interpretação tem paralelo no tema da alegria nupcial que os profetas desenvolveram a partir de Oséias[7] .

Orígenes seguia essa mesma linha, mas via as núpcias de Cristo com a Igreja, ou a união mística da alma com Deus[7] , São João da Cruz teria o mesmo entendimento.[8]

O poeta parece retomar a linguagem profética da aliança, como na expressão "procurar, encontrar" (3:1-2), além disso, a obra teria contatos com o Salmo 45[7] .

Outros exegetas entendem que o livro celebra o amor mútuo e fiel, que sela o matrimônio abençoado por Deus.[9] [10]

Contexto[editar | editar código-fonte]

Apesar de mostrar alguns vislumbres da corte de Jerusalém, o cenário campestre dá o tom do enredo. O autor faz alusões a jardins, árvores, flores, montanhas arborizadas, animais selvagens, vinhas e fontes. Os locais variam de Em-Gedi e Jerusalém: “Como um cacho de Chipre nas vinhas de En-Gedi, é para mim o meu amado.” (1:14); “Formosa és, amiga minha, como Tirza, aprazível como Jerusalém, formidável como um exército com bandeiras.” (6:4), no sul, até os montes Hermom: “Vem comigo do Líbano, minha esposa, vem comigo do Líbano; olha desde o cume de Amana, desde o cume de Senir e de Hermom, desde as moradas dos leões, desde os montes dos leopardos.” (4:8) e Líbano: “O rei Salomão fez para si um palanquim de madeira do Líbano.” (3:9); “Vem comigo do Líbano, minha esposa, vem comigo do Líbano; olha desde o cume de Amana, desde o cume de Senir e de Hermom, desde as moradas dos leões, desde os montes dos leopardos. Favos de mel manam dos teus lábios, minha esposa! Mel e leite estão debaixo da tua língua, e o cheiro das tuas vestes é como o cheiro do Líbano. És a fonte dos jardins, poço das águas vivas, que correm do Líbano!” (4:8,11,15), no norte.[11]

Referências

  1. Rahlfs, ed. (1979), Septuaginta, 2, Stuttgart: Deutsche Bibelgesellschaft, p. 260 .
  2. (em inglês) Catholic encyclopædia, New advent, http://www.newadvent.org/cathen/03302a.htm .
  3. a b "Cântico dos Cânticos", Edição Pastoral, Bíblia, http://www.paulus.com.br/BP/_PL7.HTM, visitado em 8 de agosto 2010 .
  4. a b Echegary, J González. A Bíblia e seu contexto. 2. ed. São Paulo: Edições Ave Maria, 2000. p. 1133. vol. 2. ISBN 978-85-276-0347-8.
  5. a b Pearlman, Myer. Através da Bíblia: Livro por Livro. São Paulo: Vida, 2006. 439 pp. ISBN 978-85-7367-134-6.
  6. Tradução Ecumênica da Bíblia, São Paulo: Loyola, 1994, p. 1.294 .
  7. a b c d e f g h Bíblia de Jerusalém (nova revista e ampliada ed.), São Paulo: Paulus, 2004 [2002], p. 1.086 .
  8. Bíblia de Jerusalém, p. 1.088 .
  9. Bíblia de Jerusalém, cit., p 1.087
  10. Casimiro, Cantares – Cristo, nosso amor, Pr Daniel, http://prdaniel.com/casimiro/studies!executeContent.action?id=48 .
  11. Casimiro, "Parte 2", Cantares – Cristo, nosso amor, Pr Daniel, http://prdaniel.com/casimiro/studies!executeContent.action?id=47 .

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


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