Charlotte Rampling

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Charlotte Rampling
Nascimento 5 de fevereiro de 1946 (68 anos)
Sturmer, Essex
Nacionalidade  Reino Unido

Charlotte Rampling, OBE (Sturmer, 5 de fevereiro de 1946) é uma atriz britânica. Sua carreira abrange mais de quatro décadas no cinema internacional, especialmente no britânico, americano, francês e italiano.

Infância[editar | editar código-fonte]

Nascida em Sturmer, uma pequena cidade do condado de Essex, na Inglaterra, Charlotte é filha de um coronel do exército britânico e da OTAN, Godfrey Rampling, campeão olímpico integrante da equipe britânica de revezamento 4 x 400 metros rasos que obteve a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de 1936, em Berlim e de Anne Isabelle (nascida Gurteen), uma pintora.[1] Estudou em colégios de elite, a Jeanne d'Arc Académie pour Jeunes Filles, em Versalhes, na França, e a St. Hilda's School, em Bushey, Hertfordshire, na Inglaterra.

Carreira[editar | editar código-fonte]

Aos 17 anos, começou uma carreira de modelo num comercial de televisão e dois anos depois é lançada em grande estilo no cinema com um pequeno papel no filme The Knack ...and How to Get It (br: A Bossa da Conquista, 1964), que recebeu a Palma de Ouro no Festival de Cannes e revelou jovens atores britânicos, ícones da década de 1960, como Michael Crawford e Rita Tushingham.

Depois de mais dois pequenos filmes, sua carreira se dividiu entre os cinemas francês, italiano e britânico. A jovem Charlotte tinha um estilo sexy com um que de masculinizado, que chamava atenção do público e da crítica. Apesar do sucesso que começou a fazer ao lado de atores da sua geração, ela disse numa entrevista anos mais tarde: "Nós não estávamos felizes. Aquilo era um pesadelo, quebrar as regras e tudo o mais. Todo mundo achava que estávamos nos divertindo bastante, mas as pessoas se enchiam tanto de drogas que nem sabiam o que estava acontecendo."[2]

Trabalhou em 1972 no filme "Asilo Sinistro", da Amicus. Após alguns filmes de menor expressão, Charlotte, que sempre deu preferência a papéis controversos e desafiadores do que a papéis populares, deu um salto na carreira com um dos papéis principais de La caduta degli dei (br: Os Deuses Malditos / pt: Os Malditos), uma das obras-primas antiguerra e antinazista do mestre do cinema italiano Luchino Visconti, que a tornou um dos nomes mais conhecidos do cinema na Europa. Seu olhar considerado gélido e sedutor, (The Look, como era chamado) ressaltado por suas sobrancelhas, passa a ser sua marca registrada.[3] Seu grande momento, entretanto, veio cinco anos depois, no polêmico e aclamado pela crítica Il portiere di notte (O Porteiro da Noite, 1974), de Liliana Cavani, que trata da relação sadomasoquista entre uma ex-prisioneira dos nazistas (Rampling) e seu antigo carrasco (Dirk Bogarde) num encontro no pós-guerra, e a transforma num símbolo sexual cult e grande estrela internacional.[4]

Rampling no Festival de Veneza de 2009.

Enquanto continuava a filmar na Europa, no fim da década de 1970, Charlotte tornou-se mais popular entre a audiência norte-americana com seu trabalho no film noir Farewell, My Lovely, com Robert Mitchum (1975), baseado no romance de Raymond Chandler, Stardust Memories (br: Memórias) com e de Woody Allen e, principalmente, The Verdict (O Veredito), de 1982, sucesso de bilheteria e premiações com Paul Newman. Em 1986, voltou a provocar polêmica entre platéia e crítica com o filme Max, Mon Amour, de Nagisa Oshima, em que ela se apaixona por um chimpanzé.

Nos anos 90 Charlotte dimiuiu o ritmo e o interesse em sua carreira, fazendo poucos filmes e trabalhando mais em filmes para a televisão britânica. Ela credita ao cineasta francês François Ozon sua volta em grande estilo ao cinema nos anos 2000, com Sou le sable (br: Sob a Areia), de 2000, e Swimming Pool (br: À Beira da Piscina) de 2003, ambos sucessos de crítica principalmente às interpretações de Charlotte, e concorrentes a vários prêmios.

Foi condecorada com a Ordem do Império Britânico em 2000 por seu papel nas relações do cinema franco-britânico e recebeu um César em 2001.[4]

Em 2002 gravou um álbum chamado Comme Une Femme, com canções em inglês e francês, além de trechos falados.

Vida pessoal[editar | editar código-fonte]

Na década de 1990, época em que esteve afastada das grandes produções internacionais, Rampling lidou psicologicamente com a questão que a afligiu por toda a vida adulta e lhe deu fama de séria e fechada no cinema, a da morte de sua irmã mais velha, Sarah, mãe prematura e que suicidou-se em 1966 na Argentina, aos 23 anos. Durante quase quarenta anos, até a morte de sua mãe em 2001, o segredo de seu suicídio foi guardado por ela e seu pai - que morreu aos 100 anos, em 2006, quando era o mais idoso atleta olímpico ainda vivo da Grã-Bretanha - que juraram não deixar a esposa e mãe saber da verdade, sobre o que, na época, foi noticiado como morte por hemorragia cerebral. Sobre o que viveu nesse período, declarou: "Foi uma época em que tive que conviver comigo mesma sobre isso, em profunda depressão, se devia trazê-la ou não para mais perto de mim, se devia falar a verdade. A morte de minha mãe desbloqueou minha mente." [3]

Foi casada duas vezes, a primeira delas em 1972 com Bryan Southcombe, um ator e publicista, a meio de um escândalo pelas notícias de que, antes disso, os dois viviam numa relação de ménage à trois com um modelo chamado Randall Lawrence.[2] Dessa relação, que acabou em divórcio em 1976, ela teve um filho, Barnaby, hoje diretor de televisão. Em 1974, declarou sobre o fato: "Existem tantos mal-entendidos na minha vida. (...) Certa vez causei um escândalo por dizer que vivia com dois homens. (...) Eu não disse isso num sentido sexual. (...) Éramos apenas como quaisquer pessoas que dividem um apartamento." [5]

Seu segundo casamento, em 1978, com o músico Jean-Michel Jarre, lhe deu mais três filhos e durou mais de vinte anos, acabando publicamente em 1997, quando descobriu através de matérias de tablóides de fofocas que o marido tinha uma caso com outra jovem mulher, e teve um distúrbio nervoso.[6]

Desde 1998 vive com um empresário francês da área de comunicações, Jean-Noël Tassez.[7]

Filmografia parcial[editar | editar código-fonte]

Ano Título
original
Título
Brasil
Título
Portugal
1965 The Knack ...and How to Get It A Bossa da Conquista Lições de Sedução
1969 La caduta degli dei Os Deuses Malditos Os Malditos
1973 Giordano Bruno Giordano Bruno Giordano Bruno
1973 Zardoz Zardoz Zardoz
1974 Il portiere di notte O Porteiro da Noite O Porteiro da Noite
1975 Farewell, My Lovely O Último dos Valentões O Último dos Duros
1980 Stardust Memories Memórias Recordações
1982 The Verdict O Veredito O Veredicto
1986 Max Mon Amour Max Meu Amor Max, Meu Amor
1987 Angel Heart Coração Satânico Coração Satânico -
nas Portas do Inferno
2000 Sous le sable Sob a Areia Sob a Areia
2001 Spy Game Jogo de Espiões Jogo de Espiões
2003 Swimming Pool À Beira da Piscina Swimming Pool
2009 O mylos kai o stavros O Moinho e a Cruz O Moinho e a Cruz
2011 Melancholia Melancholia Melancholia

Referências

  1. Peter Evans (12 de abril de 2009). Charlotte Rampling has famously played a Nazi sex kitten and been condemned by the Pope. So what is it she doesn't want us to know? Daily Mail. Visitado em 11-5-2010.
  2. a b Sholto Byrnes (26 de março de 2005). Charlotte Rampling: In from the cold The Independent. Visitado em 12-8-2006.
  3. a b Good Charlotte The Age (1 de outubro de 2003).
  4. a b Charlotte Rampling:Magnetic, depressed and creative - an actress of our times
  5. Wilson, Earl. "An Explanation of Streaking". The Post-Register, Idaho Falls, 18 de março de 1974, p.10
  6. How We Met: Jean-Michel Jarre and Charlotte Rampling - Arts & Entertainment - The Independent www.independent.co.uk. Visitado em 26 de Maio de 2010.
  7. Biografia de Charlotte Rampling www.charlotterampling.net. Visitado em 26 de Maio de 2010.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]