História da cidade do Rio de Janeiro

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A história da cidade do Rio de Janeiro, no Brasil, principia com sua ocupação por povos ameríndios em época ainda não determinada pela ciência, e segue até os dias de hoje.

Período pré-cabralino[editar | editar código-fonte]

Por volta do ano 1000, a maior parte do atual litoral brasileiro, incluindo o território da atual cidade do Rio de Janeiro, foi invadida por povos tupis procedentes da Amazônia. Eles expulsaram os habitantes anteriores do litoral, chamados de tapuias pelos tupis, para o interior do continente.[1]

O período colonial português[editar | editar código-fonte]

No início do século 16, o território da cidade do Rio de Janeiro era ocupado na sua maior parte pela tribo tupi dos tupinambás, também chamados tamoios. Uma das inúmeras aldeias tupinambás no território da atual cidade do Rio de Janeiro era a aldeia Carioca, cujo nome viria a se tornar, posteriormente, o gentílico da cidade.[2] Somente a atual ilha do Governador (então conhecida como ilha de Paranapuã) era ocupada por uma tribo tupi rival, os temiminós.

A Baía de Guanabara, que banha a cidade do Rio de Janeiro, foi descoberta pelos portugueses em 1 de janeiro de 1502, por ocasião da expedição de 1501 à costa do Brasil, capitaneada, segundo alguns autores, por Gaspar de Lemos. A baía foi, na ocasião, cartografada pelos navegadores portugueses com a toponímia "Rio de Janeiro". Embora se afirme ter sido essa toponímia incorretamente escolhida, supondo-se aqueles navegadores terem acreditado tratar-de da foz de um grande rio, na realidade, à época, não havia qualquer distinção de nomenclatura entre rios, sacos e baías, motivo pelo qual o corpo d'água foi corretamente designado como rio.[3] [4]

Por volta de 1554, os índios chamavam o porto do Rio de Janeiro de "Niterói",[5] nome que viria a designar, a partir de 1834, o atual município de Niterói.

A França Antártica[editar | editar código-fonte]

Mapa francês de 1555 da baía de Guanabara

Colonos franceses liderados por Nicolas Durand de Villegagnon estabeleceram-se no interior da baía em 1555 com a pretensão de fundar uma colônia – a França Antártica – e uma cidade – Henriville. Aliaram-se aos tupinambás e, juntos, expulsaram os temiminós da ilha de Paranapuã. Os temiminós se refugiaram no sul do atual estado do Espírito Santo, em território sob domínio português. Entre 1560 e 1567, os portugueses, aliados aos temiminós, derrotaram os franceses e tamoios da baía de Guanabara.[6]

A cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro[editar | editar código-fonte]

A cidade de "São Sebastião do Rio de Janeiro" foi fundada por Estácio de Sá em 1° de março de 1565, quando desembarcou num istmo entre o Morro Cara de Cão e o Pão de Açúcar, erguendo uma paliçada defensiva.

Gravura representando a fundação da cidade do Rio de Janeiro por Estácio de Sá em 1565

A vitória de Estácio de Sá, subjugando elementos remanescentes franceses (os quais, aliados aos tamoios, dedicavam-se ao comércio, ameaçando o domínio português na costa do Brasil), garantiu a posse do Rio de Janeiro, rechaçando, a partir daí, novas tentativas de invasões estrangeiras e expandindo, à custa de guerras, seu domínio sobre as ilhas e o continente. A povoação portuguesa foi refundada no alto do Morro do Castelo (completamente arrasado em 1922), no atual Centro da cidade. O novo povoado marca, de fato, o começo da expansão da cidade fundada pelos portugueses.

Durante quase todo o século XVII, a cidade teve um desenvolvimento urbano lento. Uma rede de pequenas ruelas conectava entre si as igrejas, ligando-as ao Paço e ao Mercado do Peixe, à beira do cais. A partir delas, nasciam as principais ruas do atual centro. Porém, com a invasão holandesa no Nordeste brasileiro, a produção de açúcar é aumentada a partir dos vários engenhos que se espalham pela cidade. Com cerca de 30 mil habitantes na segunda metade do século XVII, o Rio de Janeiro tornara-se a cidade mais populosa do Brasil, passando a ter importância fundamental para o domínio colonial.

Essa importância tornou-se ainda maior com a exploração de jazidas de ouro em Minas Gerais no século XVIII: a proximidade levou à consolidação da cidade como proeminente centro portuário e econômico. Em 1763, o ministro português Marquês de Pombal transferiu a sede da colônia de Salvador para o Rio de Janeiro.

O Rio de Janeiro foi a capital do Brasil de 1763 a 1960, quando o governo foi transferido para Brasília. Atualmente é a segunda mais populosa cidade do país, depois de São Paulo. Entre 1808 e 1815, foi a capital do "Reino Unido de Portugal e dos Algarves", como era oficialmente designado Portugal na época. Entre 1815 e abril de 1821, sediou o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, após elevação do Brasil a parte integrante do Reino Unido.

Nos séculos XVIII e XIX, muitas casas e fazendas tinham nascentes e poços em seus terrenos. Também havia chafarizes, fontes e bicas, nas quais os moradores buscavam água e a carregavam em potes, barris ou baldes. Outra forma de se conseguir água era comprá-la dos "aguadeiros", escravos que percorriam as ruas em carroças vendendo água de casa em casa. Segundo relatos do professor alemão Hermann Burmeister em seu livro "Viagem ao Brasil", publicado em 1853:

Cquote1.svg O aqueduto da Carioca termina no morro de Santo Antônio, no chafariz da Carioca, ao lado de um logradouro que tem o mesmo nome, oferecendo, pelas suas bicas metálicas, o líquido aos pretos carregadores d'água que constantemente o ocupam. Cquote2.svg

Período Imperial[editar | editar código-fonte]

Planta da cidade do Rio de Janeiro em 1867

Após a Independência do Brasil em 1822, a cidade continuou como capital do país, enquanto a província do Rio de Janeiro enriqueceu com a agricultura canavieira da região de Campos e, principalmente, com o novo cultivo do café no Vale do Paraíba. De modo a separar a província da capital do Império, a cidade foi convertida, no ano de 1834, em Município Neutro, passando a Província do Rio de Janeiro a ter Niterói como capital.

Na segunda metade do século 19, a cidade crescia em ritmo acelerado, com as edificações utilizando madeira amplamente.[7] Com incêndios causando transtornos na cidade, foi criado, em 1855, o Corpo de Bombeiros.[7]

A baía de Guanabara em 1885. À esquerda, a Ilha Fiscal.

Como centro político do país, a cidade concentrava a vida político-partidária do Império. Foi palco dos Movimentos Abolicionista e Republicano.

Período republicano[editar | editar código-fonte]

Com a Proclamação da República Brasileira em 1889, a cidade passou a enfrentar graves problemas sociais advindos do crescimento rápido e desordenado. Com o fim do trabalho escravo em 1888, a cidade passou a receber grandes contingentes de imigrantes europeus e de ex-escravos, atraídos pelas oportunidades que ali se abriam ao trabalho assalariado. Entre 1872 e 1890, sua população duplicou, passando de 274 mil para 522 mil habitantes.

O aumento da pobreza agravou a crise habitacional, traço constante na vida urbana da cidade desde meados do século XIX. O epicentro dessa crise era ainda, e cada vez mais, o miolo central – a Cidade Velha e suas adjacências –, onde se multiplicavam as habitações coletivas e eclodiam as violentas epidemias de febre amarela, varíola e cólera-morbo, que conferiam, à cidade, fama internacional como "porto sujo".

Muitas campanhas de erradicação perpetradas pelos governos da época não foram bem recebidas pela população carioca. Houve várias revoltas populares, entre elas, a Revolta da Vacina, de 1904, que também teve como causa a tomada de medidas impopulares, como as reformas urbanas do Centro, executadas pelo engenheiro Pereira Passos. Nessas reformas, foram demolidos vários cortiços, e a população pobre da Região Central, deslocada para as encostas de morros, na Zona Portuária e no Caju, sobretudo os Morros da Saúde e da Providência. Tais povoamentos cresceram de maneira muito desordenada, dando início ao processo de favelização (ainda não muito preocupante na época) – o que não impediu a adoção de várias outras reformas urbanas e sanitárias que modificaram a imagem da então capital da República.

Em 27 de outubro de 1912, foi inaugurado o primeiro trecho do caminho aéreo do Pão de Açúcar, entre a Praia Vermelha e o Morro da Urca. O chamado "bondinho do Pão de Açúcar" se tornaria um dos grandes símbolos da cidade.[8] Em 12 de agosto de 1931, foi inaugurada a estátua do Cristo Redentor, que também se tornaria um dos grandes símbolos da cidade.[9] Em 1950, foi inaugurado o estádio Jornalista Mário Filho para abrigar a final da Copa do Mundo FIFA de 1950. Após a transferência da Capital Federal para Brasília em 1960, a cidade do Rio de Janeiro foi transformada em um estado brasileiro com o nome de Estado da Guanabara.

Em 1968, no chamado Caso Para-Sar, foi frustado um plano terrorista da extrema-direita que pretendia explodir vários locais da cidade, incluindo o Gasômetro de São Cristóvão. No mesmo ano, em 26 de junho, ocorreu, na cidade, a Passeata dos Cem Mil, marcha popular em protesto contra a ditadura militar vigente no país desde 1964. Em 15 de março de 1975, ocorreu a fusão do estado da Guanabara com o antigo estado do Rio de Janeiro, formando o atual estado do Rio de Janeiro. Em 23 de julho, foi promulgada a Constituição do Estado do Rio de Janeiro.

Em 30 de abril de 1981, ocorreu o chamado Atentado do Riocentro, um atentado no pavilhão de exposições Riocentro. O atentado, perpetrado por agentes da ditadura militar, deveria ser atribuído a setores da esquerda, porém o artefato disparou acidentalmente antes do tempo, matando os agentes. Em 1984, foi inaugurada a Passarela Professor Darcy Ribeiro, visando a abrigar o desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro.

Em 1992, a cidade sediou a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CNUCED), mais conhecida como Rio-92 ou ECO-92 – a primeira reunião internacional de peso a se realizar após o fim da Guerra Fria, com a presença de delegações de 175 países. A cidade foi sede dos Jogos Pan-Americanos de 2007, ocasião na qual realizou investimentos em estruturas esportivas (incluindo a construção do Estádio Olímpico João Havelange) e nas áreas de transportes, segurança pública e infraestrutura urbana.

Estádio Olímpico João Havelange

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • COARACY, Vivaldo. Memória da Cidade do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1955. 584p. il.

Referências

  1. BUENO, E. Brasil: uma história. 2ª edição. São Paulo. Ática. 2003. p. 19.
  2. NAVARRO, E. A. Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 555.
  3. BUENO, E. Brasil: uma história. 2ª edição. São Paulo. Ática. 2003. p. 19.
  4. Os franceses no Rio: a terra dos tupinambás. Disponível em www.marcillio.com/rio/hifrtupi.html. Acesso em 18 de julho de 2014.
  5. STADEN, H. Duas viagens ao Brasil: primeiros registros sobre o Brasil. Tradução de Angel Bojadsen. Porto Alegre/RS; L&PM. 2010. p. 119.
  6. O cacique Arariboia. Disponível em http://pt.shvoong.com/humanities/1786549-cacique-ararib%C3%B3ia/. Acesso em 19 de julho de 2014.
  7. a b A cidade arde. Ciência Hoje (8 de julho de 2011). Página visitada em 8 de julho de 2011. "Como as casas na época eram quase todas feitas de madeira, a cidade precisou ser inteiramente reconstruída. O Rio da segunda metade do século 19 não era muito diferente. Nessa época, a cidade crescia a passos largos. O centro da cidade era ocupado por imóveis de uso misto, moradia e comércio. Quase todas as casas tinham chaminés e a madeira também era largamente usada nas construções. [...] É aí que entra a criação do Corpo de Bombeiros. No dia 15 de maio de 1855, um incêndio nos fundos de uma fábrica de velas que destruiu um quarteirão inteiro fez aumentar o clamor pela criação de um órgão responsável pela extinção de incêndios."
  8. Bondinho: 100 anos. Disponível em http://www.bondinho.com.br/o-teleferico/. Acesso em 19 de julho de 2014.
  9. Associação Apostolado do Sagrado Coração de Jesus. Disponível em http://www.aascj.org.br/home/tag/cristo-redentor/. Acesso em 19 de julho de 2014.

Ver também[editar | editar código-fonte]