Plano Collor

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O Banco Central do Brasil, responsável pela implementação política monetária no Brasil.
Presidente Collor de Mello

O Plano Collor é o nome dado ao conjunto de reformas econômicas e planos para estabilização da inflação criados durante a presidência de Fernando Collor de Mello entre 1990 e 1992. O plano era oficialmente chamado Plano Brasil Novo, mas ele se tornou associado fortemente a figura de Collor, e "Plano Collor" se tornou nome de facto.

O plano Collor combinava liberação fiscal e financeira com medidas radicais para estabilização da inflação.[1] As principais medidas de estabilização da inflação foram acompanhadas de programas de reforma de comércio externo, a Política Industrial e de Comércio Exterior, mais conhecida como PICE, e um programa de privatização intitulado Programa Nacional de Desestatização,mais conhecido como PND.

A teoria do plano econômico foi desenvolvida pelos economistas Antônio Kandir, Álvaro Zini e Fábio Giambiagi[1]. O plano efetivamente implementado foi desenvolvido pelos economistas Zélia Cardoso de Mello, Antônio Kandir, Ibrahim Eris, Venilton Tadini, Luís Otávio da Motta Veiga, Eduardo Teixeira e João Maia.[2]

Índice

[editar] Plano Collor I

O Brasil sofreu por vários anos a hiperinflação: em 1989, o ano antes da posse de Collor, a média mensal da inflação foi de 28,94%.[3] O Plano Collor procurava estabilizar a inflação pelo "congelamento" do passivo público (tal como o débito interno)[1] e restringindo o fluxo de dinheiro para parar a inflação inercial.

O congelamento causou uma forte redução no comércio e da produção industrial. Com a redução da geração de dinheiro de 30% para 9% do PIB, a taxa de inflação caiu de 81% em março para 9% em junho.[2] O governo enfrentou duas escolhas: eles poderiam segurar o congelamento e arriscar uma recessão devido a redução dos ativos,[4] ou remonetizar a economia através do descongelamento e correr o risco do retorno da inflação[2].

[editar] O confisco

Segundo o acadêmico Carlos Eduardo Carvalho, Professor do Departamento de Economia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, a medida política executada pelo Governo Collor, que ficou conhecida como confisco, não fazia parte, originalmente, do Plano Collor e tem origens num consenso entre os candidatos à presidência da época: Fernando Collor de Mello, Ulysses Guimarães e Luís Inácio Lula da Silva. O confisco já era um tema em debate entre os candidatos à eleição presidencial: A gênese do Plano Collor, ou seja, como e quando foi formatado o programa propriamente dito, desenvolveu-se na assessoria de Collor a partir do final de dezembro de 1989, depois da vitória no segundo turno. O desenho final foi provavelmente muito influenciado por um documento discutido na assessoria do candidato do PMDB, Ulysses Guimarães, e depois na assessoria do candidato do PT, Luís Inácio Lula da Silva, entre o primeiro turno e o segundo. Apesar das diferenças nas estratégias econômicas gerais, as candidaturas que se enfrentavam em meio à forte aceleração da alta dos preços, submetidas aos riscos de hiperinflação aberta no segundo semestre de 1989, não tinham políticas de estabilização próprias. A proposta de bloqueio teve origem no debate acadêmico e se impôs às principais candidaturas presidenciais [5]. Quando ficou claro o esvaziamento da campanha de Ulysses, a proposta foi levada para a candidatura de Luís Inácio Lula da Silva, do PT, obteve grande apoio por parte de sua assessoria econômica e chegou à equipe de Zélia depois do segundo turno, realizado em 17 de dezembro [5].

[editar] Medidas do Plano Collor I

O plano foi anunciado em 16 de março de 1990, um dia após a posse de Collor.[2] Suas políticas planjeadas incluiam: [4]

  • 80% de todos os depósitos do overnight, das contas correntes ou das cadernetas de poupança que excedessem a NCz$50mil (Cruzado novo) foram congelados por 18 meses, recebendo durante esse período uma rentabilidade equivalente a taxa de inflação mais 6% ao ano.
  • Substituição da moeda corrente, o Cruzado Novo, pelo Cruzeiro à razão de NCz$ 1000,00 = Cr$ 1,00
  • Criação do IOF, um imposto extraordinário e único sobre as operações financeiras, sobre todos os ativos financeiros, transações com ouro e ações e sobre todas as retiradas das contas de poupança.
  • Foram congelados preços e salários, sendo determinado pelo governo, posteriormente, ajustes que eram baseados na inflação esperada.
  • Eliminação de vários tipos de incentivos fiscais: para importações, exportações, agricultura, os incentivos fiscais das regiões Norte e Nordeste, da indústria de computadores e a criação de um imposto sobre as grandes fortunas.
  • Indexação imediata dos impostos, aplicados no dia posterior a transação, seguindo a inflação do período.
  • Aumento de preços dos serviços públicos. Gás, Eletricidade, serviços postais, etc.
  • Liberação do câmbio e várias medidas para promover uma gradual abertura na economia brasileira em relação à concorrência externa.
  • Extinção de vários institutos governamentais e anúncio de intenção do governo de demitir cerca de 360 mil funcionários públicos, com plano para redução de mais de 300 milhões em gasto administrativos.

[editar] Impactos na Economia

  • Redução extraordinária da liquidez do país.
  • Queda na inflação para 5% ao mês
  • Queda na atividade econômica
  • Crescimento negativo do PIB em 7,8% no segundo semestre de 1990.


[editar] Planos de estabilização da inflação

Três planos separados para estabilização da inflação foram implementados durante os dois anos do governo Collor. Os dois primeiros, Plano Collor I e II, foram encabeçados pela ministra da Fazenda Zélia Cardoso de Mello. Em maio de 1991, Zélia foi substituída por Marcílio Marques Moreira, que instituiu um plano homônimo, o Plano Marcílio .[6]


Referências

  1. 1,0 1,1 1,2 Welch, John H. Birch, Melissa. Smith, Russell.ECONOMICS: BRAZIL. Biblioteca do Congresso. 20 de Dezembro de 2004. Acessado em 8 de setembro de 2007.
  2. 2,0 2,1 2,2 2,3 Carvalho, Calos Eduardo. As origens e a gênese do Plano Collor. Nova Economia. Vol.16 No.1. Belo Horizonte. Janeiro-Abril de 2006. Acessado em 8 de setembro de 2007.
  3. Resultados Mensais por Grupos - 1979 a 1999 - Brasil e Áreas. IBGE. Acessado em 8 de setembro de 2007.
  4. 4,0 4,1 Villela, Anibal. The Collor Plan and the Industrial and Foreign Trade Policy. Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. 1997. Acessado em 8 de Setembro de 2007.
  5. 5,0 5,1 As origens e a gênese do Plano Collor, Scielo
  6. Bresser-Pereira, Luiz Carlos. O Décimo-primeiro Plano de Estabilização. Combate à Inflação e Reforma Fiscal. [[Rio de Janeiro]]. pp.132-150. 1992. Acessado em 8 de setembro de 2007.

[editar] Ligações externas


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