Economia do Ceará

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Quase metade da economia cearense se concentra na capital.

A economia do Ceará é uma das mais diversificadas da região Nordeste do Brasil. O PIB cearense em valores correntes, em 2010, foi de R$ 74,9 bilhões,[1] dos quais 48,22% estão concentrados na capital Fortaleza, segundo estudo do Ipece . Muito atrás, destacam-se algumas cidades médias da região metropolitana e do interior: Maracanaú (5,37%), Sobral (3,53%), Caucaia (2,53%), Juazeiro do Norte (2,27%), Eusébio (1,41%), Horizonte (1,23%), Maranguape (1,17%), Crato (1,12%) e Iguatu (1,05%), respectivamente.[2]

Segundo o mesmo estudo, houve leve desconcentração da riqueza de 2002 a 2005, período no qual a participação de Fortaleza no PIB caiu de 49,91% para 48,22%.

Segundo o PIB per capita, a cidade com mais movimentação econômica é Eusébio (R$15.017,54 per capita), e a com menor, Martinópole (R$1.452,24 per capita). Juntos, os 15 municípios de maior PIB representam 72,2% das riquezas produzidas no estado.[3]

Economicamente, o Ceará nasceu da exclusão da atividade pecuária nas áreas litorâneas, especialmente em Pernambuco e Bahia, produtores de açucar;[4] o primeiro direcionou a colonização a partir do norte do estado, e o segundo, a partir do sul. Assim, durante séculos o Ceará foi uma "civilização do couro", dedicada, sobretudo, à venda de gado e de sua carne para outras províncias. Em fins do século XVIII, com a Guerra de Independência dos Estados Unidos, o cultivo de algodão teve enorme impulso, tornando-se uma das principais atividades econômicas cearenses. A isso se somava a produção de café nas serras mais altas e, por fim, atividades agrícolas, pesqueiras e pecuárias de subsistência.

A partir dos anos 60, houve uma progressiva industrialização e urbanização, que ganhou impulso a partir da década de 80, em parte devido à política de concessão de benefícios fiscais a empresas que se instalassem no estado. Atualmente, embora sendo ainda uma economia sub-industrializada em relação a vários outros estados do Brasil, a economia cearense não é mais baseada, sobretudo nas atividades agropecuárias, sendo preponderante o setor terciário de comércio e serviços, com grande destaque para o turismo. Apesar disso, aquelas ainda possuem grande relevância na economia do estado, em especial a pecuária, mas há também crescente importância de cultivos não-tradicionais no estado, como a produção de frutas e legumes no Vale do Rio Jaguaribe e de flores na Serra da Ibiapaba e no Cariri. Desde 2004, a economia cearense vem crescendo, moderada mas sustentadamente, entre 3,5% e 5% ao ano.[5] Em 2007, o crescimento foi de 4,1%, e, para 2008, prevê-se um crescimento de 4,5%.[6] Contudo, os dados referentes ao primeiro semestre de 2008 revelam um crescimento superior de 5,9%[7]

Agricultura[editar | editar código-fonte]

Cajueiro, de onde se retira um dos principais produtos agrícolas do Ceará: a castanha de caju.

Destacam-se na atividade agrícola: feijão, milho, arroz, algodão herbáceo, algodão arbóreo, castanha de caju, cana-de-açúcar, mandioca, mamona, tomate, banana, laranja, coco e, mais recentemente, a uva.

Recentemente, tem crescido um pólo de agricultura irrigada, dirigida principalmente à exportação, em áreas próximas à Chapada do Apodi, dedicando-se especialmente ao cultivo de frutas como melão e abacaxi. Outro destaque muito recente é o do cultivo de flores, que tem ganhado importância especialmente na Cuesta da Ibiapaba.

O Ceará conta com dois portos por onde escoam sua exportação e importação: o porto do Pecém e o porto do Mucuripe.

Pecuária[editar | editar código-fonte]

Bovinos, suínos, caprinos, eqüinos, aves, asininos, carcinicultura e ovinos.

Mineração[editar | editar código-fonte]

Ferro, água mineral, calcário, argila, magnésio, granito, petróleo, gás natural, sal marinho, grafita, gipsita, urânio bruto.

O município de Santa Quitéria, na localidade de Itataia, possui uma das maiores reservas de urânio do Brasil.

Indústria[editar | editar código-fonte]

Os principais setores da indústria cearense são vestuário, alimentícia, metalúrgica, farmacêutica, química e calçadista. A maioria das indústrias está instalada na Região Metropolitana de Fortaleza, com destaque para Fortaleza, Caucaia e Maracanaú onde se encontra o Distrito Industrial de Maracanaú sendo um importante complexo industrial, dinamizando a economia do estado do Ceará. Em Caucaia e São Gonçalo do Amarante será instalada a ZPE do Ceará no Complexo Industrial e Portuário do Pecem onde serão instaladas uma siderúrgica e uma refinaria de petróleo.

A Federação das Indústrias do Estado do Ceará é a entidade sindical dos donos das empresas. A entidade congrega a maioria dos donos e dirigentes industriais. Algumas das grandes empresas do Ceará com alcance nacional vinculadas a FIEC são: Aço Cearense, Companhia de Alimentos do Nordeste, Grendene, Grande Moinho Cearense, Grupo Edson Queiroz, Indústria Naval do Ceará, J. Macêdo, M. Dias Branco, Santana Textiles, Troller e Ypióca, dentre outras.

Municípios mais ricos[editar | editar código-fonte]

Dados[editar | editar código-fonte]

Dados do PIB 2005[editar | editar código-fonte]

  • Abaixo de 100 milhões: 136 municípios
  • Entre 100 milhões e 500 milhões: 41 municípios
  • Entre 500 milhões e 1 bilhão: 3 municípios
  • Acima de 1 bilhão: 4 municípios

Dados do PIB 2012[editar | editar código-fonte]

  • Abaixo de 100 milhões: 94 municípios
  • Entre 100 milhões e 500 milhões: 70 municípios
  • Entre 500 milhões e 1 bilhão: 12 municípios
  • Acima de 1 bilhão: 8 municípios
 

Dados do PIB per capita 2005[editar | editar código-fonte]

  • Abaixo de 4 mil: 166 municípios
  • Entre 4 mil e 7 mil: 12 municípios
  • Entre 7 mil e 10 mil: 3 municípios
  • Acima de 10 mil: 3 municípios

Dados do PIB per capita 2012[editar | editar código-fonte]

  • Abaixo de 4 mil: 22 municípios
  • Entre 4 mil e 7 mil: 130 municípios
  • Entre 7 mil e 10 mil: 21 municípios
  • Acima de 10 mil: 11 municípios
Fortaleza, nona cidade mais rica do país e cidade mais rica do Nordeste


Maracanaú, segunda colocada


Caucaia, terceira colocada
Sobral, a quarta cidade mais rica do estado e a mais rica do interior do Ceará
Juazeiro do Norte, quinta colocada

PIB nominal de 2012[editar | editar código-fonte]

20 maiores
Posição Município PIB Crescimento
Em 2012 Em 2011
Total estadual 90 131 724 Aumento 2 149 274
RM Fortaleza 59 616 204 Aumento 1 984 105
1 Estável (0) Fortaleza 43 402 190 Aumento 1 423 788
2 Estável (0) Maracanaú 4 789 878 Aumento 14 830
RM Cariri 4 466 365 Aumento 73 768
3 Estável (0) Caucaia 3 657 134 Aumento 333 326
4 Estável (0) Sobral 2 462 619 Aumento 45 923
5 Estável (0) Juazeiro do Norte 2 354 692 Aumento 108 228
6 Aumento (1) São Gonçalo do Amarante 1 439 817 Aumento 258 645
7 Baixa (1) Eusébio 1 407 512 Baixa 59 581
8 Aumento (1) Crato 1 001 915 Baixa 15 299
9 Baixa (1) Horizonte 939 562 Baixa 130 864
10 Aumento (2) Aquiraz 935 351 Aumento 139 800
11 Aumento (3) Aracati 932 020 Aumento 114 330
12 Baixa (2) Iguatu 881 128 Aumento 6 140
13 Baixa (2) Maranguape 823 652 Aumento 22 032
14 Baixa (1) Itapipoca 784 735 Aumento 47 843
15 Aumento (1) Pacatuba 650 910 Aumento 10 888
16 Baixa (1) Russas 634 363 Aumento 29 187
17 Estável (0) Quixadá 622 866 Aumento 21 430
18 Estável (0) Pacajus 599 849 Aumento 3 887
19 Aumento (8) Camocim 546 072 Aumento 140 849
20 Estável (1) Barbalha 504 630 Aumento 6 538

PIB per capita de 2012[editar | editar código-fonte]

20 maiores
Posição Município PIB Crescimento
Em 2012 Em 2011
1 Aumento (1) São Gonçalo do Amarante 31 896 Aumento 2 559
2 Baixa (1) Eusébio 29 327 Baixa 1 974
3 Estável (0) Maracanaú 22 445 Baixa 265
Total federal 22 400 Aumento 865
4 Aumento (1) Fortaleza 17 360 Aumento 397
RM Fortaleza 16 112 Aumento 327
5 Baixa (1) Horizonte 16 083 Baixa 2 834
6 Aumento (5) Aracati 13 246 Aumento 3 823
7 Baixa (1) Sobral 12 751 Baixa 24
8 Baixa (1) Aquiraz 12 561 Aumento 1 667
9 Aumento (3) Paracuru 12 284 Aumento 3 039
10 Baixa (2) Icapuí 11 901 Aumento 1 455
Total nordestino 11 044 Aumento 665
11 Baixa (2) Caucaia 10 881 Aumento 1 090
Total estadual 10 473 Aumento 159
12 Baixa (2) Pacajus 9 297 Baixa 198
13 Aumento (2) Juazeiro do Norte 9 211 Aumento 313
14 Baixa (1) Iguatu 8 978 Baixa 52
15 Aumento (21) Camocim 8 971 Aumento 2 435
16 Baixa (2) Barbalha 8 920 Baixa 15
17 Estável (0) Russas 8 845 Aumento 261
18 Baixa (2) Pacatuba 8 631 Baixa 51
19 Aumento (19) Pentecoste 8 400 Aumento 2 069
20 Aumento (1) Uruburetama 8 382 Aumento 437
RM Cariri 7 773 Aumento 62

Turismo[editar | editar código-fonte]

Prédio do sítio histórico da Casa de José de Alencar.
Chapada do Araripe, no Crato, uma das regiões com forte potencial para o ecoturismo no Ceará.

O estado têm atrativos naturais em todas as regiões, mas tem destaque maior o litoral. As praias de maior destaque são: Jericoacoara, a Canoa Quebrada e a Porto das Dunas, onde existe o Beach Park. O Ceará recebe hoje turistas do mundo inteiro, pois atende aos anseios dos mais diversos tipos:

Turismo cultural

Todas as regiões possuem vasto acervo cultural representado pela arte, tradição e memória, embora atualmente não incentivado suficientemente com vistas à sua preservação e desenvolvimento.

Com um artesanato diversificado, o Ceará produz peças em crochê, madeira, cerâmica, bordados, vime, palha, bambu, tricô e renda. As pedras semipreciosas também são exploradas, transformadas em jóias criativas, sobretudo em Juazeiro do Norte, Quixadá e Quixeramobim.

Em Fortaleza, destaca-se a visitação à Casa de José de Alencar (que abriga o Museu da Renda, o Museu da Antropologia, a Pinacoteca Floriano Teixeira e a Biblioteca Braga Montenegro), o Museu da Imagem e do Som do Ceará, o Museu do Ceará, o Memorial da Cultura Cearense, o Museu das Secas, o Museu do Maracatu, o Museu de Fortaleza o Theatro José de Alencar, um dos mais importantes exemplos da arquitetura art nouveau no Brasil, o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, grande obra onde se apresentam e expõem diversas obras e performances artísticas, além de construções históricas, como a Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, marco-zero da cidade de Fortaleza e uma das construções mais antigas do Ceará.

Fortaleza, Aracati, Icó, Viçosa do Ceará, Sobral, Barbalha e Quixadá têm vários bens do Patrimônio Histórico arquitetônico tombados pelo IPHAN. A cidade de Aquiraz é a mais antiga do estado, tendo sido a primeira capital da província. Os engenhos de cana-de-açúcar mantêm o ambiente rústico e também contam um pouco da História do Ceará.

Turismo religioso

Com inúmeras manifestações da religião católica popular, o estado é palco de verdadeiros espetáculos de devoção, conseguindo mobilizar milhares de romeiros. As cidades de maior destaque são Juazeiro do Norte - atraindo os devotos do Padre Cícero, Canindé - sendo considerado o segundo maior centro de peregrinação de devotos de São Francisco e Quixadá - com o Santuário Nossa Senhora Imaculada Rainha do Sertão.

Turismo de aventura

Áreas de serra, praia e sertão têm sido utilizadas, cada vez mais, para a prática de esportes, tais como: campeonatos de vôo livre, rappel, escalada, trekking, rally, windsurf, kitesurf, vela, surf, e ainda o sandboard. Os destaques estão em Quixadá, cuja geografia marcada por colinas e inselbergs facilita a prática de esportes como o rappel e o vôo de asa-delta, e em praias ao longo do litoral.

Ecoturismo

A diversidade de ecossistemas faz com que o ecoturismo seja praticado em todo o estado, tendo como expoentes principais: O Maciço de Baturité, que conta com cachoeiras, vegetação de floresta tropical úmida e trilhas para observação da flora e fauna locais. O Parque Nacional de Ubajara, na Cuesta da Ibiapaba, conhecido como oásis próximo ao sertão semi-árido, contando com grutas visitadas por muitos turistas; o Sertão Central, com o Vale Monumental, que abarca cidades como Quixadá e Quixeramobim; e o vale do Cariri, com trilhas organizadas na Floresta Nacional do Araripe, primeira floresta nacional de todo o Brasil, contando com vegetação que varia de cerrado a floresta tropical em imensos paredões tabulares que se elevam a até mais de 900m de altitude. As cachoeiras, também são outra fonte de turismo no estado, um exemplo de ecoturismo é a cachoeira Pires Ferreira, onde se encontra uma imensa trilha ecológica. Deve-se, ainda, ressaltar que, na costa, há diversas áreas de mangue com fauna rica que atraem turistas, especialmente nas áreas próximas ao Delta do Parnaíba, na divisa com o Piauí.

Turismo rural

É uma das alternativas econômicas para o interior do Ceará, uma vez que pode agregar valor às propriedades e aos recursos naturais existentes. O interesse específico está na produção agropecuária, nos costumes e na culinária locais.

Referências

  1. Estimativa do PIB cearense em 2010 e seu desempenho setorial Ipece (2010). Visitado em 29 de janeiro de 2009.
  2. InfoEscola. Economoa do Ceará. Visitado em 2 de fevereiro de 2009.
  3. Erro de citação: Tag <ref> inválida; não foi fornecido texto para as refs chamadas PIB_2005
  4. Penetração Civilizadora Instituto do Ceará (1987).
  5. PIB cearense no 3º trimestre de 2007 Ipece. Visitado em 29 de janeiro de 2009.
  6. Economia cearense em perspectiva O Povo (29 de dezembro de 2007). Visitado em 29 de janeiro de 2009.
  7. Ceará tem melhor resultado dos últimos três anos O Povo (28 de agosto de 2008). Visitado em 29 de janeiro de 2009.

Ver também[editar | editar código-fonte]