Presença neerlandesa no Brasil

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A presença neerlandesa no Brasil é conhecida ainda como o período das Invasões holandesas do Brasil, no século XVII, mais especificamente de 1624 a 1625 e de 1630 até 1654.

Os neerlandeses capturaram Salvador, a capital das possessões portuguesas no Brasil, em 1624 e a dominaram por cerca de um ano até terem sido expulsos. A Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais controlou, de 1630 a 1654, grande parte do Nordeste do Brasil, que foi nomeada Nova Holanda.

As causas As invasões neerlandesas estão interligadas a vários aspectos, sendo que devemos salientar a disputa neerlandesa pelo açúcar e pelos conhecimentos que permitiriam quebrar a hegemonia luso - espanhola de produção e comercialização daquele produto, à Guerra dos Trinta Anos, à União Ibérica, à Restauração da Monarquia Portuguesa e à Companhia das Índias Ocidentais.

Índice

[editar] Os processos de conquista

Os neerlandeses, que durante o século XVI tornaram-se detentores de poderosa tecnologia naval, passaram a ter especial interese pela região nordeste do Brasil devido à produção de açúcar, produto de grande valor comercial na época. Percebendo a vulnerabilidade da extensa costa da colônia portuguesa, oscilaram algum tempo entre atacar Pernambuco ou a Bahia. Decidiram primeiramente conquistar a povoação de São Salvador (atual Salvador), sede do governo colonial, situada em território baiano. O primeiro ataque neerlandês à costa brasileira ocorreu em 1624, na capital da colônia. Aí chegaram 1.700 homens sob o comando do almirante Jacob Willekens. Apesar dos alertas emitidos da Península Ibérica e das tentativas de Diogo Mendonça Furtado, Governador-Geral do Brasil, para a defesa da costa brasileira, os invasores desembarcam em 10 de maio de 1624 e, para sua grande surpresa e contentamento, quase não encontraram resistência.

Os poucos disparos de canhão das tropas neerlandesas conseguiram destruir os navios lusos ancorados no porto da cidade e dispersar, devido ao pânico, os defensores de São Salvador. O governador ainda tentou entrincheirar-se no palácio, o que acabou sendo manobra inútil, pois tanto ele como o seu filho e alguns dos seus oficiais foram aprisionados pelas tropas invasoras e enviados para os Países Baixos.

Começava o primeiro perído de presença neerlandesa naquele território. Num primeiro momento, existiu claro interesse pela zona urbana. Contudo, posteriormente à tomada da cidade e do seu saque, os neerlandeses decidiram investigar a região da Bahia e seu entorno. Contudo, apenas conseguiram ocupar São Salvador da Bahia, porque sempre que se aventuravam no desconhecido, eram atacados por portugueses em manobras quase de guerrilha.

Mais tarde, a União Ibérica, que reunia a coroa espanhola e a portuguesa, decidiu reagir a essa conquista efetuada dentro de território comum e formou a esquadra que rumaria ao Brasil para São Salvador. Em 1625, enfrentariam as tropas organizadas com o intuito de expulsá-los da cidade. A esquadra era comandada por dom Fradique de Toledo Osório, que acabaria bem sucedido em seus intentos. Após duros combates, os invasores retiraram-se no 1.º de maio. Contudo, tal não seria o fim dos planos que os Países Baixos possuiam para o Brasil.

A derrota infligida em 1625 serviu apenas para que os neerlandeses ponderassem melhor as atitudes a tomar face aos propósitos que possuíam e assim resolveram refinar seus planos. Em fevereiro de 1630, esquadra com 64 navios e 3.800 homens conquistará a zona de Pernambuco e passará a dominar as cidades de Recife e Olinda. Sem possuir treino militar, a população opta por não resistir e os invasores enviam mais 6.000 homens para a região de forma a garantir sua posse. Fortificaram as cidades conquistadas e deslocaram para elas homens e armamento suficientes para mantê-las sob o seu poder e combater a guerrilha que se organizava contra a sua presença em terras brasileiras. Incendiavam e saqueavam os engenhos dos que se rebelavam e prometiam paz e prosperidade aos que lhes vendessem o açucar produzido. Aliaram-se aos índios, com os quais firmavam alianças para melhor dominarem a zona.

Contudo, a conquista e manutenção do território não foi fácil. Na região de Pernambuco, os neerlandeses depararam com a melhor organização das atividades da guerrilha, especialmente a sediada no Arraial do Bom Jesus, lugar a meia distância entre Recife e Olinda. No período inicial, a resistência conseguiu, em alguns momentos, manter os neerlandeses isolados no litoral, o que impediu a real tomada de posse do interior pernambucano. Entretanto, a partir de 1634, graças à opção de Domingos Fernandes Calabar pelo novo colonizador e à habilidade do coronel Crestofle d'Artischau Arciszewski, os neerlandeses conseguem a derrota do movimento de guerrilha,conquistam o Arraial Velho do Bom Jesus e iniciam processo de estabilização da região.

[editar] O Governo de Maurício de Nassau

A região sob o poder neerlandês, em 1637, compreendia os atuais estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas e Pernambucoe estendia-se até ao Rio São Francisco. No período de 1637 até 1644, época em que o conde Maurício de Nassau governou a região, diversas e importantes implementações político-administrativas ocorreram no Brasil.

O conde alemão João Maurício de Nassau-Siegen chegou à cidade do Recife em 1637 a serviço da Companhia das Índias Ocidentais. Trouxe na sua comitiva o médico Willem Piso, o geógrafo e cartógrafo Georg Markgraf, os pintores Albert Eckhout e Frans Post, este um dos primeiros a mostrar em suas obras as paisagens e cenas da vida brasileira. Além deles, o escritor Caspar Barlaeus, que deixou relatório de sua passagem intitulado História Natural do Brasil. Ele elaborou minucioso estudo científico da fauna e da flora, observações meteorológicas e astronômicas, realizadas com telescópio instalado sobre o antigo palácio do Governador.

Nassau era calvinista, mas, ao que tudo indica, foi tolerante com católicos e com os chamados cristãos-novos, judeus que, às escondidas praticavam seus cultos. Estes foram autorizados a exercer abertamente as práticas religiosas, o que provocou grande emigração de judeus vindos dos Países Baixos para o Brasil.

No governo de Nassau, que pretendia desenvolver a Nova Holanda, muitos melhoramentos foram feitos nas áreas urbanas, como saneamento básico, contrução de casas e o agrupamento delas em vilas, contrução de ruas e alargamento de diversas outras, construção de dois importantes palácios, o das Torres ou de Friburgo e o da Boa Vista, e construção de pontes para melhora da locomoção das pessoas e do tráfego local.

Nesse período, os senhores de engenho nativos e os neerlandeses conviveram harmônica e amistosamente. A Companhia das Índias Ocidentais financiava o plantio da cana e a produção do açúcar, que exportava para a Europa.

Em 1644, em razão de desentendimentos com a cúpula da Companhia das Índias, o conde de Nassau retornou aos Países Baixos. A nova administração colonial neerlandesa decidiu ser mais rigorosa na defesa de seus interesses no Brasil e cobrou dos produtores as dívidas dos empréstimos. O Nordeste assistiu então a sangrentos combates entre os luso-brasileiros e os batavos pela posse da terra. O mais famoso destes foi a primeira Batalha de Guararapes (1648).

[editar] O fim do domínio neerlandês

Os neerlandeses perdem o controle sobre Pernambuco após afastarem Maurício de Nassau do governo da colônia. Isso e o endurecimento da nova administração acabaram levando a população à revolta. A sublevação, chamada de Insurreição Pernambucana, começou em 1645 e durou nove anos. Somente em 1651, Portugal, que praticamente se tinha resignado em perder essa parte da colônia, resolveu mandar reforços para a resistência local. Os Países Baixos, envolvidos em conflito pela hegemonia do comércio marítimo internacional, não puderam apoiar os compatriotas na guerra.

Em janeiro de 1654, os neerlandeses renderam-se e retiraram-se de Pernambuco. Sete anos depois, Portugal cedeu aos Países Baixos o Ceilão (atual Sri Lanka) e as ilhas Molucas, a título de compensação, além de pagar quantia indenizatória.

[editar] Ver também

[editar] Bibliografia

  • Marcos da Cunha e Souza. A Conduta Militar Holandesa no Brasil.
  • Jorge Caldeira. História do Brasil.
  • Amanda C.F.S.F.Pereira
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